segunda-feira, outubro 24, 2005

As trobairitz.

Curioso é verificar que as poucas mulheres que nos deixaram poesia trovadoresca a abordavam de forma diferente dos homens. Não nas regras poéticas, mas no "realismo" dos temas. Muitos autores chegam a dizer que os homens faziam da poesia uma competição artística e as mulheres falavam do que verdadeiramente acontecia nas relações. E acontecia bem mais do que pensámos até algumas décadas atrás:).


P.S. Que me perdoem os especialistas, qualquer correcção é bem-vinda.

41 comentários:

Moira disse...

Júlio,

(Eu sei que aqui ficaria bem explicar a razão do uso do nome próprio etc...mas a idade e a ternura que me inspira a isso não me obriga), tenho vindo algumas vezes ao seu blog, e algumas vezes me tem apetecido comentar, mas penso geralmente que o que eu penso sobre isto e aquilo já muito melhor foi pensado e dito que por mim, e por isso nenhuma falta faz dizer de minha justiça.
Não resisto, no entanto, desta vez, a transmitir-lhe o enorme “pasmo” e o maravilhado encanto, que senti ao saber que uma voz uma voz masculina também pode dizer que, numa relação bonita, a fidelidade até pode existir mesmo que seja alcançada com um encolher de ombros trocista e negativo aos desejos que nos acenam ao passar.
Sabereszitos que nos surgem com a idade, penso, e pelos quais estou grata.

Beijinhos cor-de-mel


Sobre os trovadores e trovadoras será a causa não está na rigidez da regra da poesia trovadoresca que espartilhava a voz masculina em convenções mais estritas????interrogo-me

Anónimo disse...

in http://www.geocities.com/Vienna/2509/achantar.html

Apenas uma Canção de Trobairitz sobreviveu com letra e música até os dias de hoje: A chantar m’er de so que no volria, da condessa Beatriz de Dia. Beatriz (séc. XII) era, sem dúvida, de Dia, cidade ao norte de Montelimar. Foi casada com Guilhem de Potiers e, suspeita-se, amante de Raimbaut d’Orange, irmão da poetisa Dame Tibors, ambos pertencentes a uma importante família de trovadores. O poema A chantar m’er de so que no volria sobreviveu em diversos manuscritos mas, a música, somente no "Manuscrit du Roi". Outros poemas desta misteriosa Condessa sobreviveram, mas nenhum com música. A Condessa Beatriz de Dia soube, com grande propriedade, narrar e cantar os prazeres do amor carnal.

Anónimo disse...

in http://www.fcsh.unl.pt/hp/cur_cad/m_roman.pdf

“A dama enquanto sujeito de enunciação. As Trobairitz. A canção de mulher e o grande canto cortês”

Dame disse...

Sempre assim foi a canção feminina, mesmo que ocultada por efeito de pressões familiares, religiosas e sociais.

E sempre se vingaram as mulheres falando das suas verdades com mentiras e com estas tecendo enredos de competição, bem mais tortuosa que a masculina.

noiseformind disse...

Especialistas???????????????????????????????????????????????????????
Onde?
Eh pá... especialistas sobre este assunto e não partilham a sua sapiência connosco? ;(
Assim não Boss, assim não... então a gente só quer um poucoxinho de luz e os tipos andam por aí e recusam-se a partilhar?
Já támos como aqueles tipos que só pq arrumaram mais 10 carros que a gente se recusam a partilhar meia Bica (meia seringa para os mais cultos) com o pessoal.
Este mundo está perdido... este mundo assim não se safa ; )))))))))))))

Cris disse...

SE me permiteme a propósito de meulheres e sexualidade,lembrei-me de uma "descoberta" que fiz há uns meses, partilho a msg que enviei na altura a amigos meus.

“A voz secreta das mulheres afegãs - o suicídio e o canto”

Este é o título de uma pequena obra fabulosa que reúne uma série de poemas populares de 2 versos apenas, chamados “landays” (que significa “o breve”), da autoria das mulheres afegãs da comunidade pashtun.
As recolhas foram feitas por um grande poeta, filósofo, historiador, professor e intelectual afegão, Sayd Bahodine Majrouh, assassinado em 1988, por fundamentalistas islâmicos, no Paquistão, onde estava exilado. A obra foi inicialmente publicada em França, depois traduzida para castelhano e agora finalmente, para português.

Não posso descrever mas é um pequeno livrinho, que me fascinou. Os landays são genuínos, têm uma força que surpreende, impressiona e apaixona. Não se esqueçam que para estas mulheres o amor é tabu. Os landays são autênticos gritos de desafio, de protesto ou a exaltação de paixões proibidas.

Confesso a minha admiração pelas autoras anónimas destes landays, pela sua coragem e ousadia e fiquei a saber um pouco da história de um grande homem justo e corajoso, morto por defender os direitos de seu povo, oprimido pelos comunistas sovietes e depois pelos extremistas muçulmanos. Há pessoas que fazem realmente a diferença pela POSITIVA. Dramático e revoltante é que (ainda) as matem por isso…impunemente.

Sical disse...

Onde buscar a mágica que flui de você?
Onde experimentar sensações que me levem até você?
E onde me deixar ficar, só mais um pouquinho, para encontrar você?

Em nenhum dos lugares onde estive,
Em nada do que fiz,
Em nenhum momento,
Nunca...Nunca mesmo,
Esqueci-me de que buscava você.

Mas você é irreal,
E buscando-o, busco a minha vida.
E perseguindo-o, persigo meu sonho.
E procurando-o, procuro a mim mesma.
E assim, perdida,
Olho-me aflita sem me encontrar.

Embaraço-me, então, inconformada com a velocidade da vida,
Vertiginosa, efêmera.
Marcando o corpo, riscando a alma, alimentando as cicatrizes.
Todas...
Tirando dos olhos o brilho dos sonhos
E enchendo esses mesmos olhos da luz fria e cruel do desvario.
Cruel...

Voluptuosa a sensação de insatisfação.
Avassalador o medo.
Inútil a busca.
Fugaz o desejo.


(Autoria de Vera Saber, São Paulo)

Ameninadalua disse...

Cris
É bom que se fale desses dramas; muitas vezes queixamo-nos mas estamos "de barria cheia". A violência sobre as mulheres e principalmente a violência psicológia faz parte do dia a dia de enormes regiões do mundo, onde o preconceito social é profundo e avassalador. lembro-me dum duro mas limdíssimo filme documentário nos finais dos anos 80 que se chamava Yol (não me lembro como se escreve) que foi filmado em clandestinidade e que retratava bem o medo e a tristeza de viver nesses ambientes de repressão social mas onde apesar de tudo o amor é possível...

Pamina disse...

Boa noite

Gostei muito do comentário da Cris (8.22). Nunca tinha ouvido falar desses poemas de mulheres afegãs, mas vou procurar nas livrarias.
Faço minhas as palavras da Cris, é realmente dramático e revoltante o modo como as mulheres são tratadas em tantos países islâmicos (e isto não é uma declaração racista anti-árabe).

Quanto ao tema do post, encontrei um site interessante, com uma grafia muito bonita.

Les femmes troubadours
http://histoire-ma.chez.tiscali.fr/troubadours/Troubadour/Trobairitz.html

Anónimo disse...

Estes pseudo-intelectuais vão todos beber à mesma teta. Então não é que este site indicado pela Pamina é o mesmo que o Besta-mor cá do canto espirrou ontem? Haverá assim tão pouco sítio da net para ir colher o ungento? Só falta o Murcon em pessoa dizer que foi lá que as descobriu e temos o "círculo da Wikipédia" acabado.

truz truz! disse...

Sim. Houve trovadoras, compositoras-quase sempre em conventos..Ildegard von Binggen, por ex.
Mas todas elas foram "saneadas" da HISTÓRIA UNIVERSAL DA PICHOTA, para me servir de uma palavra já aqui empregue pelo sr. Noise.
Ainda no sec. XIX, Clara Schumann, que era uma genial compositora, fopi desaconselhada a prosseguir, para deixar o caminho, só para o Robert... E as célebres "polonaises" do Chopin, foram mais opu menos copiadas de uma compositora polaca. Consultem a Net em MULHERES-COMPOSITORAS. Há lá muito material em inglês e francês. E já agora porque seria que a George Sand, amada de Chopin, teve que usar nome de homem, para poder escrever?

E também não se esqueçam que antes dos "físicos" eram as "mulheres-de-virtude" que eram as parteiras e conheciam a farmacopeia natural.Milhares foram queimadas, como bruxas, pela Inquisição. Os tais bonzinhos...que sempre se aliaram aos poderosos e se borrifaram para a escravatura...e outras coisas "celestiais".

Ameninadalua disse...

Professor
Como um bom exemplo de trabalho femimino, poético mas não só, principalmente musical dessa época medieval, conheço o caso da Abadessa Hildegard von Bingen que no século XII criou um conjunto de música de tipo cantatas inspiradas nas suas supostas visões que apelam a uma espiritualidade contemplativa, de finíssima sensibilidade e beleza.
Vale muito a pena experimentar ouvi-la, pois somos positivamente surpeendidos pela sua intemporalidade.

andorinha disse...

Boa noite.

Tal como a Pamina gostei do comentário da Cris (8.22).
Essas mulheres são verdadeiras heroínas, merecedoras de toda a nossa admiração.

Enquanto fico à espera da opinião dos especialistas,deixo aqui um excerto de um poema de uma trobairitz.

Je suis jolie

Je suis jolie, de sorte
que j'en ai gros souci,
A cause de mon mari,
car je ne le veux ni le désire.
(...)
Mais sur une chose je suis bien
décidée:
Je suis jolie, de sorte
que j'en ai grand souci,
Ce mien ami m'a renouvelé son amour,
Je suis jolie, de sorte
que j'en ai gros souci,
Voilá le bel espoir auquel
je m'abandonne
Je me plains et je soupire, car
je ne le vois ni le regarde.
Je suis jolie, de sorte
que j'en ai gros souci,
A cause de mon mari, car
je ne le veux ni le désire.

noiseformind disse...

"Gui d'Ussel ges d'aitals razos
non son li drut al comensar
ans ditz chascus quan vol preiar
mans jonhtas e de genolhos :
Domna volhatz que-us serva francamen
com lo vostr'om et ela enaissi-l pren
eu vo-l jutge per dreg a traitor
si-s rend pariers e-s det per servidor."

E cá está o alerta minhas gentes!
"eu julgo ele como traidor se ele se apresenta como um igual enquanto que se ofereceu como servente"


Ou seja, direito de recusar, cá está ele, bem presente e marcado ;)))))))))

"Ou bien vous direz, et ce ne sera pas noble, que l'amant doit l'aimer plus finement, ou bien vous direz qu'ils sont égaux entre eux et que l'amant ne lui doit rien, excepté par amour."


"Que ele não lhe dê nada, que não seja por amor!"

Esmiuçando um pouco mais no tal site onde estão a ir todos os pseudo-intelectuais (como membro da classe não posso ir a outro) encontrei finalmente perversidade à séria (o Éme como quer continuar a fazer o Estes Difíceis Amores não pode passar isto):

1 Lanfranc, je dis qu'un tel usage est mauvais,
et devrait être abandonné, en tout cas le jour
où le chevalier va à une femme de qualité,
belle, courtoise, pour la faire sienne !
Chez lui, il peut servir à ce qu'il veut
sans conteste, mais on doit se faire à l'idée
qu'il risque ainsi de manquer de force
au moment du plus grand besoin !


2 Dame, j'ai la puissance qu'il faut et la hardiesse,
non pour m'opposer à vous, mais pour vous vaincre au lit.
J'ai été fou d'entreprendre cette discussion
mais je veux être, quoi qu'il en soit, votre victime.


3 Lanfranc, je suis prête, j'y consens.
Mais moi aussi, j'ai assez de force et de hardiesse
pour, grâce aux ruses dont usent les femmes,
en remontrer au plus vaillant !

É assim pessoal, ainda precisam de tradução? ; ))))))))


1- Oh Lanfranc, eu digo que tal uso é mau, e deve ser abandonado, em todo o caso é como o dia em que o cavaleiro vai a uma mulher de qualidade, belo, cortês, fazer-se seu [e não fazê-la sua!!!!!!!!!!!!!]! Montado nele,
pode servir-vos como quiserdes sem protestos, mas fica a ideia de que se arrisca assim a faltar-lhe a força no momento da maior necessidade!

2- Senhora, eu tenho o poder que é necessário e o arrojo, não para me opor a vós, mas para vos superar na cama. Era louco em empreender esta conversa mas quero ser, embora sem o saber, vossa vítima.

3- O Lanfranc, também eu estou pronta, e portanto consinto. Mas também eu tenho força e arrojo suficiente, e truques próprios de mulheres, para mostrar aos mais fortes.



Resumindo, esta Na Guilhema de Rozers era caso para meter logo bolinha mal ela abrisse a boca ; )))))))))))

Do tipo:
"Esta trovadora contém iluminuras e linguagem eventualmente consideradas chocantes e não deve ser ouvida por pessoas sensíveis ou membros do clero ; ))))"

andorinha disse...

Noise,

Tens a certeza que essa tradução está correcta?
Estás mas é a aldrabar o pessoal.:)))))))
O Francês não é o meu forte, mas mesmo assim...os primeiros versos não fazem sentido.

E se for assim?
Oh Lanfranc eu digo que tal uso é mau
e deveria ser abandonado pelo menos no dia em que o cavaleiro vá a uma mulher de qualidade, bela e cortês, para a fazer sua!
Em casa pode fazer o que quiser sem contestação mas deve-se habituar à ideia de que se arrisca a que lhe faltem as forças no momento de maior necessidade.

P.S. A tradução está péssima, mas penso que a ideia é esta.

noiseformind disse...

Mas pronto... vou mas é à Cale conversar com o pessoal... estar lá umas horitas na cavaqueira
; ))))))))

E já agora, para acabar numa nota doce pessoal, cá fica uma music de uns trovadores recentes que acho que agradam a Gregos e Troianas ; ))))))))))

Ooh I need your love babe, guess you know it's true.
Hope you need my love babe, just like I need you.
Hold me, love me, hold me, love me. Ain't got nothin'but love babe,
eight days a week.

Love you ev'ry day girl, always on my mind.
One thing I can say girl, love you all the time.
Hold me, love me, hold me, love me.
Ain't got nothin'but love babe, eight days a week.

Andorinha,
"Em casa pode fazer o que quiser sem contestação" como tradução de "Chez lui, il peut servir à ce qu'il veut
sans conteste,"? Não miúda, nada a ver. Trata-se da ideia que vem de trás de que um cavalo deve ser cansado antes de poder servir bem o seu senhor, sendo ele o cavalo. O Lanfranc oferece-se para fazer nova peregrinação (pq já está a regressar de outra) se tal fôr necessário para ficar mais dócil e aprazível para a sua senhora e a Dama está precisamente a dizer que mais on doit se faire à l'idée qu'il risque ainsi de manquer de force au moment du plus grand besoin! ELE, não ELA. ELE ARRISCA-SE A FALTAREM-LHE AS FORÇAS NO MOMENTO DE MAIOR NECESSIDADE!!!! Estámos a falar DELE ; )))))))))))

Entendido? ; ))))))))))))))

Se bem que tb lhe podem faltar as forças a ela Andorinha, há casos registados desse acontecimento. ALías, há mesmo casos registados por deligentes e científicos realizadores pornográficos húngaros de duas mulheres ficarem muito exaustas com um só cavalo ; )
Mas estás a estragar o meu comentário que se queria hippie e romântico ; ))))

O teu francês está mesmo enferrujado, o que vale é que há muitos emigrantes portugueses em França que cá vêm passar férias agora pelo Natal ;))))))))) e trazem as suas filhas, portanto tenho de tratar de enfessujar o meu ; )))) looooool loooooooool looooooool loooooool looooooooool loooooooooool loooooooooooooool loooooooooooooooooooooooool

noiseformind disse...

Enferrujar o meu FRANCÊS claro, antes que vocês, que andam cheios de pornografia medieval na cabeça, comecem a pensar que é a espada, a lança ou pior ; )))))))

truz-truz,
se for para bater com essa força toda és sempre bem-vind@ aqui no tasco, por mais que digam que somos elitistas aqui toda a gente passa as manhãs de Terça-feira a discutir o A,B...SEXO da noite anterior ; )))))))) e eu que não o posso ver em directo (só tinha TVI no hotel) peço para me gravarem. Desde que aquilo começou o Levanta-te e Ri não tem hipótese ; )))))))))

Semiramis disse...

Agradeço-lhe Professor, por me fazer voltar aos livros. Este que abri tinha as páginas coladas.

Eu procuro, procuro… e de damas, ainda que escrito por valetes e muitos anos mais tarde, eu pouco encontro. Talvez este, que nos chegou por tradição oral:

«Deus te acrescente
E deite a virtude
Que eu por minha parte,
Fiz tudo quanto pude»

Hum…. há aqui uma mensagem escondidinha… está a parecer-me que o “povo” tinha todo um ego imenso, pelo menos tão grande quanto o mundo conhecido de então. :)

Há até quem defenda a tese de que os trovadores só compunham na Primavera! Uma coisa é certa, por cá, “na arte de trovar «se falam eles», a cantiga é de amor, «se falam elas», é de amigo.

E se havia ou não muito nevoeiro na Europa cristã do séc. XII, atente-se neste poema escrito na mesma altura por Bem Baqui – Cultura árabe de Andaluzia:

CENA DE AMOR

Enquanto a noite arrastava a sua cauda de sombra
Dei-lhe a beber vinho escuro e espesso como o pó de almíscar
E estreitei-a contra mim como um guerreiro estreita a espada
E as suas tranças pendiam dos meus ombros como talins

Quando por fim se rendeu ao sono afastei-a de mim
Afastei-a do meu peito
Para que não adormecesse sobre uma almofada palpitante.


Se vivesse então, eu queria ser "moira" encantada. Juro!

andorinha disse...

Noise,

Claro que era faltarem-lhe as forças a ELE, eu isso percebi.:))))))))))))))))))
Mas depois dei outro sentido "à coisa".

Vou ver se nas férias de Natal aproveito algum deles( para desenferrujar o meu Francês, claro); não sejas malicioso.:)))))))))))))))))))

fora-de-lei disse...

Chamem-me machista, chamem-me m-l, chamem-me o que quiserem... o que eu sei é que a mulher só será livre no dia em que o homem também o fôr !

fora-de-lei disse...

Deixo aqui uma pergunta para o Noisy, um verdadeiro especialista da matéria:

- as mulheres trovadoras também já cantavam a culpa dos homens por elas não atingirem o orgasmo ?

noiseformind disse...

fora de lei

Há um registo muito raro de Caterina De Afundament de les Verges (os estudiosos divergem aqui entre Catarina que Afunda as Vergas ou Catarina que é a Perdição das Virgens, fazendo duvidar se a senhora era Alvoviteira ou prostituta, metiers muito cotados nessa altura na região de Lyon) em que ela canta

Il s'approche de ma chat
Et tout moi m'enfer'me suit
Mais il passe troup vit,
Et je me complis avec une beau punhette!

O que mostra que estas eram, verdadeiramente, mulheres de armas.

Andorinha,
Mais casto que eu só alguns Antigos Testamentos, e mesmo desses só os que não têm gravuras ; )

henrique doria disse...

Lembro aqui Christine de Pisan (1364-1430) escritora de grande fecundidade, e que, tanto quanto eu sei, foi a primeira mulher a escrever para viver.

fora-de-lei disse...

noiseformind 11:30 PM

Já percebi. Os "afundanços" da Caterina não tinham nada a ver com cestos de basketball, não é assim ?! Era tudo uma questão de engasgar ou não engasgar... ;-))

Anónimo disse...

... até pq nessa altura n haviam cestos de basket, não é fora-de-lei?;)
Realmente, vocês aqui não baixam o nível, nem do humor, nem da erudição. Uma pessoa lê, lê e lê à espera de uma aberta, de uma frasezinha mais ou menos feita para participar mas percebe-se logo que é preciso ler muito para chegar onde vocês chegam naturalmente e isso é demais aqui para Sra Dra Anokas ; )
Mas atenção estou ligada a este blog mais ou menos o mesmo tempo que passo na internet e já não passo sem os textos do Professor JMV que são verdadeiras rampas de lançamento para a loucura inteligente de muitos dos participantes.
Gostaria de fazer alguns comentários sobre acontecimentos recentes (que deram origem ao Ponto de Ordem do Professor).
Realmente parece-me complicado não nos deixarmos envolver por este blog ao ponto de se tornar quase feérica a participação. Pessoas como o Noise, ameninadalua, a Pamina, o Lobices (que tem participado menos, infelizmente) colocam os patamares tão lá em cima e parecem moverem-se entre eles tão plasticamente (o Noise tanto está a traduzir do Francês para o Português um texto como está a inventar do nada uma canção pornográfica medieval e ISSO eu nunca vi fazer tão depressa). que uma pessoa fica tipo vaca a olhar para um palácio. E claro, há o medo de dizer coisas vulgares que obviamente serão ignoradas pq são mesmo isso... óbvias!
Por exemplo, para chegar ao poema que o Noise comentou eu teria de ler (começando pelo primeiro, claro) TODA a secção de trovadoras daquele site, e isso não é, obviamente, para mim pelo menos, humanamente possível.
Portanto não parem de ser assim malucos, que a gente vai batendo umas palmas daqui de fora!

Beijinhos para todos, e um dos grandes em especial para o Professor, que juntou aqui esta gente boa toda;))))

Mariana Castro

Anónimo disse...

"eu queria apenas amar-te lentamente/ como se todo o tempo fosse pouco/ como se todo o tempo fosse nosso/ como se nem sequer houvesse tempo"

(o autor é homem, esta q se lhe apropria do poema, mulher, logo, de q falamos qdo falamos de sexo :)

ps. fiquem bem .)

Débora disse...

Prof.

“as mulheres falavam do que verdadeiramente acontecia nas relações. E acontecia bem mais do que pensámos até algumas décadas atrás:).”

As dotadas, tiveram pelo menos a oportunidade de se expressar, felizmente.
E provavelmente ainda hoje acontece .

O livro a que a Chris faz referência é exemplo disso mesmo. Tomei conhecimento dele nas “Palavras Soltas” da Bárbara Guimarães,

E somos todos contemporâneos (e cúmplices) destas violações dos direitos humanos.



Noisy,

Há alguma coisa que não saiba? Não dá uma folga …
Ai de nós, se o Prof. decide escrever um livro sobre o blog, com a sua ajuda, seremos dissecados até à medula, impiedosamente)))

Saudações,
Débora

antes segfredo disse...

O fora-de-lei também é fdl a conjugar o verbo haver.
Não HAVIA cestos de basquete.
E ninguém fala da Dona Maria..Continua tudo na Idade Média!

ooppss disse...

ooppsss

o gajo que é sempre tão discretel hoje ultrapassou-se em pirueteis franciusas e tomou conta das trevias uma pessoa lê, lê e lê à espera de uma aberta, de uma frasezinha mais ou menos culta mas percebe-se logo que é preciso chular muito para chegar aqui

ooppss

das trevas disse...

http://noticias.uol.com.br/ultnot/referendo/ultimas/2005/10/23/ult3258u118.jhtm

BRASÍLIA (Reuters) - A proibição do comércio de armas de fogo e munição no Brasil foi rejeitada por quase dois terços dos eleitores, em referendo realizado neste domingo, de acordo com resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Declarando sua opção pelo "sim", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva votou na manhã deste domingo em São Bernardo do Campo, na região da Grande São Paulo. (…)


"Eu acho que uma pessoa comum ter armas não vai dar segurança, por isso eu votei no 'sim'. Agora, a vontade do povo é soberana", afirmou Lula a jornalistas. À noite, no parque de exposições do Anhembi, em São Paulo, voltou a defender a proibição, mas disse que cumpriria o resultado das urnas.

Embora tenha sido mínima a participação de dirigentes políticos na campanha sobre a proibição, a vitória do "não" será debitada como um fracasso do governo Lula, que se identificou com a proibição. A Igreja Católica e várias denominações evangélicas também se engajaram na campanha do "sim."

noiseformind disse...

das trevas,
Esta vitória mostra acima de tudo que ganhou o bon-censo. As únicas pessoas que iriam ter dificuldades no acesso a armas de fogo com a proibição seriam os cidadãos. Pude ver várias entrevistas a pessoas no GNT e a opinião favorável ao SIM era directamente proporcional em relação à qualidade da roupa vestida pelo entrevistado. No limite podemos dizer que ganhou a pobreza e a realiade da favela contra a classe média e o condomínio com exercito privativo ;))))

fora de lei,
Não te esqueças que o nome para o DeepThroat esteve quase quase para ser "a engolidora de Espadas" tema bem mais medieval ; )))))))

Mariana Castro,
Nóooooooooooooooooooooooooooooos???????? Eli-quem????????
Permite-me discordar. A única coisa que aqui o pessoal faz é dar uso a uma actividade empreendida em todas as escolas primárias do país: a leitura ; )))))))) se lemos logo temos opinião. E interesse claro. E no campo do interesse não deixa de ser curioso que os comentários ás trovadoras seja metade em relação aos comentários em relação aos trovadores. Freud teria alguma coisa a dizer sobre isto ; ))))))))) e parabéns pelo uso da palavra feérico, não é muito comum. Tá a ver como até é uma cá das nossas?

Débora,
Ontem não sabia onde tinha deixado o meu canivete!!! ; )))) mas depois lá descobri, liguei para o bar e lá estava ele. Depois dizem que a noite do porto é só chulos e ladrões. O meu Obrigado aos gerentes do Petru's, bar que teve logo a primieva boa ideia de escolher um bom nome ; )

Semiramis,
Essa cena de amor, com as espadas e tal, não será um poco violenta? O tipo embebeda-a, depois espeta-lhe a espada e depois afasta-a? Não estou a duvidar do realismo da cena, que aliás é bastante comum ainda hoje em Portugal (os homens no fim do orgasmo parecem não combater em nada a modorra que neles se instala) mas pronto... faz-me impressão... só isso ; )))

Abadessa Hildegard von Bingen foi recentemente traduzida para o português ; ) ameninadalua, em cultura metes-nos a nós, pseudo-intelectuais que nos prezámos, no bolso. Espero secretamente que no bolso do casaco ; )))

Anónimo disse...

CONTO MEDIEVAL

Há bué da time, havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a xunga da madrasta e as melgas das filhas dela. A Cinderela (Cindy p'ós amigos), parecia que vivia na prisa, sem tempo para sequer enviar uns mails. Com este desatino todo, só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta fazia-lhe bué da cenas. É então que a Cindy fica a saber da alta desbunda que ia acontecer: uma rave !!! A gaja curtiu tótil a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou completamente passadunte, mas depois de andar à toa durante um coche, apareceu-lhe uma fada do baril que lhe abichou uma farda baita bacana, ela ficou a parecer uma g'anda febra. Só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater das 12. Tás a ver ? A tipa mordeu o esquema e foi para a borga sempre a bombar. Ao entrar na party topou um mano cheio da papel, que era bom comó milho e que também a galou logo ali. Aí a Cindy, passou-se dos carretos, desbundaram "ól naite long", até que, ao ouvir as 12, ela teve de se axandrar e bazou. O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de frosques e foi atrás dela, mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura de um chispe que entrasse no chanato. Como era um ganda cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para grande desatino das outras fatelas que ficaram anhar.

Moral da história: Tá-se bem.

Ameninadalua disse...

Noise
Não gozes tá!

Mas já que falas em cultura então levas com esta:
Está a decorrer uma fabulosa exposição sobre a "Melancolie et folie en Occident" no Grand Palais em Paris que retrata o tema que durante 25 séculos serviu de inspiração a tudo quanto é muito importante a nível da Arte no Ocidente.
Deixo para os interessados a referência da exposição assim como o respectivo site.

"Aucune disposition de l’âme n’a occupé l’Occident aussi longtemps que la mélancolie. Le sujet touche au cœur des problèmes auxquels l’homme est aujourd’hui sensible : de l’histoire à la philosophie, de la médecine à la psychiatrie, de la religion à la théologie, de la littérature à l’art. La mélancolie, par tradition cause de souffrance et de folie, est aussi considérée depuis l’Antiquité comme le tempérament des hommes marqués par la grandeur - les héros et les génies. Sa désignation comme « maladie sacrée » implique une dualité. Mystérieuse, la mélancolie l’est toujours, bien qu’elle fasse aujourd’hui l’objet, sous son appellation de « dépression », d’une approche médico-scientifique. L’iconographie de la mélancolie est d’une infinie richesse et il n’est donc pas étonnant que ce soit l’histoire de l’art qui ait su la première fournir les bases de cette nouvelle approche de l’histoire culturelle du malaise saturnien."

O site é : Rmn.Fr/melancolie/index.html

Ameninadalua disse...

Noise
Não gozes tá!

Mas já que falas em cultura então levas com esta:
Está a decorrer uma fabulosa exposição sobre a "Melancolie et folie en Occident" no Grand Palais em Paris que retrata o tema que durante 25 séculos serviu de inspiração a tudo quanto é muito importante a nível da Arte no Ocidente.
Deixo para os interessados a referência da exposição assim como o respectivo site.

"Aucune disposition de l’âme n’a occupé l’Occident aussi longtemps que la mélancolie. Le sujet touche au cœur des problèmes auxquels l’homme est aujourd’hui sensible : de l’histoire à la philosophie, de la médecine à la psychiatrie, de la religion à la théologie, de la littérature à l’art. La mélancolie, par tradition cause de souffrance et de folie, est aussi considérée depuis l’Antiquité comme le tempérament des hommes marqués par la grandeur - les héros et les génies. Sa désignation comme « maladie sacrée » implique une dualité. Mystérieuse, la mélancolie l’est toujours, bien qu’elle fasse aujourd’hui l’objet, sous son appellation de « dépression », d’une approche médico-scientifique. L’iconographie de la mélancolie est d’une infinie richesse et il n’est donc pas étonnant que ce soit l’histoire de l’art qui ait su la première fournir les bases de cette nouvelle approche de l’histoire culturelle du malaise saturnien."

O site é : Rmn.Fr/melancolie/index.html

CLIK disse...

É elas em pequenas já desabafavam com as bonequinhas enquanto nós competiamos com os carrinhos...penso que um luto de uma relação é mais díficil para uma mulher superar pois vive mais intensamente e aí o papel pode funcionar como um meio de catárse enquanto "na maioria" o homem, que não chora nem para o papel, arquiva bem no sotão mental esse sentimento, mas nas paixões platónicas nas narrativas de apenas um sorriso numa tarde ou até daquele beijo do passado vencemos as mulheres na poesia!!!!!ops lá está o meu lado de competição masculino!!! :)

Saudações Bloguianas!

Anónimo disse...

Poema:
"Recuso-me a passar por tudo o que passei com a X.Não era fácil estar consigo e com ela ao mesmo tempo e assistir à troca dos vossos carinhos. Para além da culpabilidade que tinha que levou a uma relação doentia entre mim e a X (de submissão da minha parte). Mas ela já estava na sua vida quando a nossa relação se tornou mais intima e como tal eu sabia as regras do jogo e aceiteia-as! Quanto a boataria, ela vai existir sempre!."
Uma actriz conhecida.

Ameninadalua disse...

Anonymous 11:08

Mas que divertido!...;)))))

Isto da tradição já não é mesmo o era...:))))

X disse...

Trova:
Actriz ingrata e fraca
Assistir a carinhos sempre fez bem ao corpo e ao espírito - a tua submissão não passava do tapete. Furar o chão, isso sim, ela sabia-o fazer, tão a fundo que a encontrava escarrapachada e deliciada no andar de baixo.
Deixa-te de queixinhas e volta para te atirar ao andar de cima minha pluma.

-Stardust- disse...

Olá!

Um vírus espanhol "apaixonou-se" por mim na semana passada... mas já lhe pus os patins!

Ainda não estou a par dos últimos posts e respectivos comentários.

Deixo apenas um beijinho ao Portocroft, também pelo excelente trabalho musical que dedicou e com que nos brindou aqui no Murcon. E a minha opinião: Volta!

:)

Manolo Heredia disse...

Isto está cada vez mais avacalhado!
PortoK volta! estás perdoado!

Anónimo disse...

Noise,

Não foi ele que adormeceu, foi ela.

;)


(Semiramis)