terça-feira, fevereiro 07, 2006

A propósito de amor para toda a vida...

Ele queria ser a Bela Adormecida

“Por que não há princesas encantadas em vez de príncipes encantados?”.


Aos 19, o rapazinho esperava. Tivera namoricos infelizes, experiências trapalhonas com preservativos, observara pais separados lidarem com problemas que julgava próprios da sua idade e não da deles. Admirado, mas sem razão, no que a busca contínua e atroz insegurança diz respeito nunca houve adultícia tão adolescente como a dos nossos dias! Os estudos iam bem. Os amigos? Fixes. Drogas, nem vê-las. Mas o rapazinho esperava. E desesperava... Dizia sentir falta de colo e compromisso. Não de casamento, nada de pressas exageradas!, de compromisso. Também há quem lhe chame relação com projecto, namoro estável, tanto faz, ele sonhava ser gostado por miúda especial doze meses por ano, sabia passageiro o amor, mas cobiçava um para sempre. Pessimista, referia que à sua volta todos pareciam preferir coleccionar relações a lutar por elas. O rapazinho sofria como um cão, em que Terra do Nunca se escondem as princesas encantadas?
Como um dos reclamos luminosos que, intermitentes, massacram a escuridão sem estrelas das nossas cidades, a palavra estereotipo cintila na minha cabeça. Se vos desse a carta a ler ocultando o sexo do remetente, aposto singelo contra dobrado que largariam suspiros de pena e compreensão divertidas pela “normal doença adolescente”..., da rapariga! E porquê? Porque do texto se desprende e voa enorme nostalgia de “disponibilidade passiva”. Como se o rapaz dissesse, de mil maneiras: “sou um romântico e espero alguém que o descubra por trás das minhas defesas. Quem o adivinhar ter-me-á todo, de preferência para sempre, como acontecia no fim das histórias que os velhos me contavam para adormecer”. E o beijo do príncipe encantado que despertava para vida e amor a princesa vem-nos à cabeça. Daí a sua pergunta, por que não podem os homens dormitar de lábios prontos e acordar felizes? Na única história assim de que me lembro era preciso ser sapo!
É evidente que o “milagre” acontece aqui e ali, mas os estereotipos não favorecem o aparecimento de princesas tão activas e apaixonadas, ainda é dos homens que se espera, em geral, o primeiro passo. Por ser mais “natural”... Nos rituais de sedução, mas também no sexo puro e duro. Não é raro ouvirmos um homem dizer que tudo ia de vento em popa “naquela” noite: bom jantar e melhor filme, ela risonha e de batuta erótica – seus marotos! - em punho: “quieto!, hoje mando eu, não te atrevas a mexer um dedo, deixa tudo a cargo dos meus”. E alguns dos machos tentam desesperadamente explicar o que não entendem, de chofre algo dentro deles os “obriga” a deixar o conforto da preguiça curvada sobre o prazer e a serem activos para salvaguardar a sacrossanta masculinidade.
É verdade que olhando os ( outros ) animais tropeçamos sistematicamente em machos cortejando fêmeas, longe de mim negar a omnipresença dos instintos. Mas nós somos bichos culturais por excelência, não nos ficamos pela chaveta macho/fêmea, construímos e privilegiamos uma outra: masculino/feminino. Para lá da anatomia, envolvendo-a, existe a cultura, que determina os comportamentos e atitudes adequados a homens e mulheres numa dada sociedade e momento histórico. Ou seja, através da educação transformamos rapazes em homens “masculinos” e raparigas em mulheres “femininas”. É essa capacidade de ultrapassar e modelar as determinantes biológicas que nos torna humanos, cada vez menos presos aos instintos básicos e estereotipados, capazes da imaginação que gera a obra de arte e da angústia perante a futura e inexorável visita da morte.
As culturas mudam e com elas atitudes e comportamentos. Ouçam miúda de 16 anos: “Quando digo às minhas amigas que acabei com o x, se por acaso sabem que deixei de ser virgem com ele, quase sempre dizem: “Coitada, ainda por cima deixaste de ser virgem com ele!”. Acho isto ridículo, porque só levam o “deixar de ser virgem” para o lado físico. Mas eu fiquei magoada, não pelo facto de ter sido com ele que partilhei a “ruptura do meu hímen”, mas sim por ter partilhado com ele todas as minhas opiniões, por ter feito parte da minha intimidade”. Aos dezasseis já percebeu que o hímen pode ser um muito respeitável símbolo, mas não abriga o que de mais belo e frágil tem para oferecer. Aposto que dava uma boa princesa para o rapazinho. Quem sabe?, talvez se tenham encontrado por aí...

38 comentários:

lobices disse...

...faço votos que sim, que se tenham encontrado por aí
...abraço

andorinha disse...

"Ele queria ser a Bela Adormecida".
E por que não? Entendo o rapazinho na perfeição.:)
E a sua pergunta "...por que não podem os homens dormitar de lábios prontos e acordar felizes?" faz todo o sentido.
A vida não é fácil para os rapazinhos como este com todos os estereotipos ainda à solta.

"...ainda é dos homens que se espera, em geral, o primeiro passo. Por ser mais "natural"..."
Quando será "natural" para as mulheres?
Terão os rapazes que se transformar necessariamente em homens "masculinos" e as raparigas em mulheres "femininas" com tudo o que estes rótulos implicam?
Quando deixarão estes rótulos de fazer sentido?:(

"As culturas mudam e com elas atitudes e comportamentos".
Talvez então os homens possam dormitar de lábios prontos e acordar felizes.
E este rapazinho possa ser a Bela Adormecida.
Assim espero...

Princesa Feminista disse...

Ora, ora, meu Belo Adormecido! Não tinha eu mesmo agora acabado de arrumar o meu baú dos velhos pergaminhos, onde encontrei este velho poema que veio mesmo a calhar para ti!!! Espero que te sirva de amuleto que atraia essa princesa encantada...


Pequena Trova Medieval Feminista

Sou guerreira apaixonada,
Joana d´Arc doutras guerras,
de Amor é minha cruzada,
para mim é tudo ou nada,
quebrarei escudo e espada
por ter esse coração
que no castelo do peito
com tanto cuidado encerras.

És príncipe de olhos negros
recortados em veludo...
enredar-te em meus enredos,
partilhar os teus segredos,
para mim é nada ou tudo,
e é por causa dos teus medos
que te engano, que te iludo...

Vamos inverter a História,
pôr futuro no passado:
para mim a fama e glória,
serei a conquistadora,
serás tu o conquistado,
serei eu tua senhora,
tu meu escravo alforriado,
meus desejos, sem demora
atender, será teu fado...
- mas do fogo dos meus beijos
também ficarás marcado...

Princesas presas em torres
era o tema mais comum...
Hoje invertem-se os valores,
cavaleiros e senhores
de valor, não há nenhum...
com medo de sofrer dores,
paixões cegas, desamores,
de mulher apaixonada
fogem todos, um a um...

Ana Afonso disse...

Olá a todos
Bem Professor essa foi de puxar ao sentimento...mesmo!!
Mais do que partilhar a ruptura do himen é partilhar intimidades!! tão verdade e tão pouco valorizado pelos jovens em geral que em vez de namorarem andam e curtem e acham nojento partilhar um garfo mas ter relações sexuais ... enfim "é na boa" !!!
Espero de facto que esses dois personagens se pudessem encontrar !!
Abraços e sorrisos
Ana Afonso :)

CêTê disse...

As metáforas mitológicas e Fernando Pessoa já "tinham falado" aqui do assunto.;]

Inútil procurar. Basta não nos escondermos e o sapos atravessam-se à frente. LOOOL (os sapos ou as "sapas", claro). Depois é só esperar que um pico hormonal nos deixe ficar mal da vistinha e vermos ali uma obra "princepesca"! O pior é quando a vista recupera e vamos sentindo a pele viscosa, o muco, os olhitos esgrilados,... (estou a falar dos batráquios!)

Bemmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm.


Quando é que saí o próximo livrito? ;]]]]]

Ameninadalua disse...

Mesmo aqui perante o Maralhal não escondo que a ideia de Amor para toda a vida sempre foi uma questão que me tocou particularmente; não só como aspiração e ideal mas essencialmente como forma de estar na vida. Na relação tudo era feito nesse sentido: criar laços de confiança, lealdade, aceitar e relevar os "defeitos" menos agradáveis e valorizar sempre aquilo que era essencial...e assim julgo que estaria eternamente disponível para o fazer, até porque me é fácil amar desde que me deixem ser eu própria...
Contudo isso não aconteceu...as relações são sempre a dois e sem querer escusar-me a responsabilidades, os desenlaces são muitas vezes fruto de situações em que o amor pode nem sequer estar em causa...mas apesar disso, quando se dá conta já tudo não tem volta...
Contudo ficou-me ainda e sempre esta convicção: o Amor vai ser mesmo e sempre para toda a vida....:)

moon disse...

Ainda bem que as mentalidades mudam (devagar, mas mudam!).

"Mas o rapazinho esperava. E
desesperava..."
"Daí a sua pergunta, por que não podem os homens dormitar de lábios prontos e acordar felizes?"

Para mim, o que faz mesmo falta ao rapazinho (e às rapariguinhas) melhor, aos candidatos a cinderela descobrir é:

"And in the end,
The love you take,
Is equal to the love...
You make.
Beatles

henrique doria disse...

Caro professor: sou dos que pensam que a generalidade dos rapazinhos não acredita que há princesas por aí. Mas há. Um abraço.

Pamina disse...

Boa noite.

O texto lembrou-me conversas que tive com amigas, para aí com 13/14 anos, sobre se era melhor ser rapariga ou rapaz. Muito pragmática e um bocado preguiçosa, observando certas situações, pensava que, por um lado, os rapazes eram favorecidos, pois podiam sair sozinhos, especialmente à noite (era a principal vantagem que encontrava), mas que, por outro, para eles a vida (leia-se, contactos com o sexo oposto) era mais complicada. Nos bailes, por exemplo, as raparigas limitavam-se a esperar que as convidassem para dançar, enquanto eles tinham que ter a coragem de chegar ao pé delas, arriscando-se a ouvir um não. Mesmo as raparigas que ninguém convidava não levavam uma "tampa activa". Com o pedido de namoro era a mesma coisa, pensava eu. Quanto ao sexo, tinha mais ou menos uma ideia de como se fazia, claro que conhecia apenas uma posição e pensava que a mulher não "precisava" de fazer nada, e achava que até nisso lhes era exigido um maior esforço. Julgo que tinha uma certa pena deles e que o meu voto foi de que era melhor ser rapariga.:)
Nessa altura, nunca me passaria pela cabeça que os papéis se poderiam inverter, ou melhor, "indiferenciar-se". É tudo uma questão de educação, não é? Penso que as coisas mudaram ou que, pelo menos, haverá uma tendência para essa indiferenciação. Espero que não seja wishful thinking. (Estou a falar dos papéis, claro, não que as raparigas e os rapazes se devam tornar "seres uniformes".)

Peço desculpa pelo tamanho, mas gostava ainda de dizer uma coisa a propósito de paixão/amor. Todos devem conhecer o filme "There’s something about Mary" com a Cameron Diaz e o Ben Stiller. Para quem não se lembra, o personagem interpretado pelo B. Stiller, embora ame a Mary, tenta reuni-la a um antigo namorado que a tinha deixado devido a intrigas dum rival e que ele julga que ela ama e que será bom para ela. Há uns tempos, tive uma discussão com um amigo acerca desta atitude. O meu amigo diz que isto prova que ele não a amava de verdade, porque se a amasse, só a ideia de a imaginar com outro seria insuportável, quanto mais proporcionar uma reunião dos dois, que quando se ama pensa-se é em matar o outro e que os namorados que intrigaram é que realmente a amavam. Eu não concordei com ele e achei exactamente o contrário: o B. Stiller amava-a, os outros desejavam-na. São coisas diferentes.
Acho que dizer "amo-te" é uma coisa muito séria e que, muitas vezes, o que se deveria dizer é "desejo-te". Posto isto, claro que é maravilhoso sentir esse impulso vital. Parece que uma seiva nova corre pelo corpo, que os sentidos se aguçam, que se refloresce e nos sentimos mais vivos (desculpem os lugares comuns). Não sei se é desejo sexual, paixão, ou que outro nome dar, mas é diferente do sentimento que nos faz, por ex., olhar para um/a parceiro/a, feio/a, doente, de rastos, ainda com mais carinho e não com repugnância.

augusto disse...

Não resisto à tentação de antes de ler este seu "post", que hei-de ler mais tarde, colocar-lhe uma questão relacionada com o filme "O segredo de Brokeback Mountain".
É claro que gostaria de ler ou ouvir o seu comentário a propósito do que foi dito em determinado momento do filme:
- Eu não sou rabo.
- Eu também não...
(A seguir, aquele que diz "Eu também não..." convida o amigo para entrar na cabana, porque estava frio lá fora e depois foi o que se viu.)
Outro assunto:
Hoje pude concluir que o professor, apesar de ser uma figura pública, há quem não o reconheça suficientemente bem. Lembra-se de uma menina que lhe perguntou se era o professor?
É que eu estava duas filas a trás e só se for porque o professor deixou crescer a barba, co's diabos.

Ainda quanto ao filme achei soberbo o desempenho destes jovens actores.

dKin disse...

Seria um par feito no céu... Ou ñ, e de certeza por culpa da garota, nós mulheres, à priori e pelo lado q raciocina, queremos um príncipe encantado, mas quando temos um, acabamos por fugir com o lobo mau! Vá-se lá saber pq!
Beijinho Sr Professor, já tinha saudades das suas "ruminações"

Mat. disse...

Estou pasmada com essa do coro das virgens lamurientas..Há umas décadas, a malta chegava aos 20 cheia de pena de não se ter inaugurado.E alijado aquela burka... Aliás essa do fantasma do hímen, desde que se faz uma vida desportiva e activa,com ginástica rítmica e esparregatas - no que a ginástica dos neurónios ajudou altamente - deixou de ser aquela horrenda imagem da que ia ser "furada". Até porque se inventaram os tampões para a menstruaao que estimularam as raparigas a investigar a sua fisiologia genital e a verificarem que não tinham lá dentro nenhuma carnuda membrana, como os medos e convenções sinistras, ancestrais, lhes queriam inpingir.

Quanto aos "Belos Adormecidos" acho excelente. E acho que estão em expansão.Mas também era óptimo que eles, às vezes, fossem o Capuchinho Vermelho e elas as Lobas.E que às vezes ela fosse a Monstra e pudesse ser beijada enquanto tal, para virar a Bela...

Mat.

JG disse...

grande texto..de quem sabe do que "fala"..revejo-me nele..1 abraço julio

Anónimo disse...

Bom dia! O professor desculpe-me a ousadia, mas a culpa é sua que nos provoca!;]]]
Como é grande...não será muito adequado para aqui mas o professor faça o que entender. Não vou ameaçá-lo como fez ameninadalua ;]]]] - nem triste vou ficar acredite.
Levava o resultado dos exames na mão, em envelope deixado aberto pela recepcionista do Carlos. Fizera de propósito para o não encontrar. Não queria falar sobre o assunto. Não iria abri-lo. Faria isso quando lhe desse na real gana. Tinha cumprido a promessa para apaziguar os rapazes, e pronto. Veio-lhe à lembrança a primeira ida ao dentista do mais pequeno e das estratégias que usara para o levar sem ser à força. E agora ali estava ele no papel de garoto!
Entrou num café orientado pelo ar quente e aromático que saia da porta semiaberta. Sentou-se e com um gesto seco pediu um simbalino. Nunca ali tinha entrado. O envelope, em cima da mesa, parecia provocá-lo. O empregado de mesa demorou a servi-lo. Pegou no envelope mas quebrando o acto de coragem ao medo, pousaram-lhe um jornal sobre a mesa - na primeira capa a desgraça do Glorioso. Suspirou. Gostava que estivesse ali alguém com ele. Percorreu de memória o rosto dos amigos. Muitos, alguns muito queridos já tinham partido. E acabou perdido em lembranças: amigos, colegas, alunos especiais, pacientes com histórias peculiares,… Às vezes, desapareciam, bruscamente deixando a história a meio sem que lhe fosse possível adivinhar o rumo. Às vezes custava-lhe dias de intranquilidade. Sempre fora incapaz de controlar as suas perspectivas visionárias do rumo das pessoas - às vezes havia apostas renhidas entre os seus alter-egos sobre os destinos traçados . Para afugentar a dor das perdas olhou o empregado do café, estudou o comportamento dele – relação estável, vida rotineira, empréstimo de apartamento modesto para pagar, metódico, organizado, seguro de si… A análise foi bruscamente interrompida pela entrada de uma criança feliz. Era a filha do empregado! Linda e alegre a miúda – de estranhar na idade e no frio daquela manhã. Distribui-lhe um sorriso e a mando do pai um doce beijo na face. Aproveitou para se levantar e pagar a despesa. Os olhos da miúda fitaram-no e sentiu um arrepio – não poderia ser! Aqueles olhos… Não. A caminho do carro virou-se bruscamente para trás e pareceu vê-la: o cabelo, o andar, o porte. Sim… entrava no mesmo café. Afinal tinha sobrevivido ao destino. Aquele sorriso da miúda soube-lhe a um agradecimento profundo, aquele que às vezes tanta falta faz para enfrentar os próprios medos. Abriu o envelope e sorriu.
Apartidariamente! Tenham um bom dia.

nascitura disse...

"sou um romântico e espero alguém que o descubra por trás das minhas defesas. Quem o adivinhar ter-me-á todo, de preferência para sempre..."

parece-me que este desejo ultrapassa os 19...

noiseformind disse...

Boss,
No binómio "cortejante/cortejador" a coisa não é assim tão passiva como conta o teu (delicioso!!!!!!!!!!!!!!). Repara que apesar de ser o homem a cortejar é a mulher que na nossa sociedade patriarcal se engalana e se pinta e se maquilha, etc, etc, etc. Portanto... pelo menos parte do binómio está invertido em relação à natureza logo pela parte da moda. É a mulher que se veste (ou se despe, como diz ironicamente a Santa da minha Mãe) para impressionar o Homem e esse espartilho é profundamenta contra-natura, apesar de ser visto como resultado de opressão. Julgo que isto tem muito a ver com a anormal quantidade de machos existentes nas nossas "colmeias". De facto, (e aqui o Manolo poderá concordar ou discordar comigo) em termos de adultos machos é extremamente raro encontrar tantos machos sexualmente activos numa população local. Aliás, a soluçao "casal" só encontra paralelo em relação a aves. Ora a partilha que fazemos com as aves é a quantidade descabida de investimento que ambos os parceiros fazem no ovo antes do seu nascimento e o desmesurado período de infantes que as crias têm em relação ao tempo médio de vida. Tal acontece pq o grau de construtos necessários ao estabelecimento de uma colónia humana é em muito superior ao necessário por uma colónia normal de memíferos, além de que a situação de vagueantes por longos espaços nos nossos Primeiros Tempos, não sendo nós predadores de topo, requeria (em face dos acentuado dismorfismo intra-género da espécie) uma anormal quantidade de machos presentes.

Como poderão verificar em qq livro de História Natural as comunidades paritárias em termos de género são praticamente inexistentes. Matriarcais ou Patriarcais, o nro de machos é sempre muito inferior ao das fêmeas. Ora para que isto fosse possível aconteceu um processo de diminuição da agressividade dos machos (não direccionado para isto, não sou criacionista, mas o certo é que uma coisa levou à outra). Nesta neutrzlização da componente agressiva do homem houve recuos, aliás, vejo uma guerra como um recuo neste processo. No entanto, hoje em dia, a situação de favorecimento que uma grande parte da sociedade vive contribuiu para que os homens se aproximassem em termos comportamentais das mulheres. Repara que não tens uma única zona de conflito em sociedades em que as mulheres obtiveram os seus direitos. Ou seja, é preciso estabilidade e não-valorização da capacidade de fazer uso da violência para que os direitos das mulheres progridam. A Paz é a mais poderosa força feminista da história, ou não estivessem aí as violações indiscriminadas de mulheres como "saque de guerra" ainda à pouco tempo na Juguslávia para mostrar que a progressão humana não é linear, nem determinante, nem sequer irresolúvel ; (((((

fora-de-lei disse...

”As culturas mudam e com elas atitudes e comportamentos. Ouçam miúda de 16 anos: “Quando digo às minhas amigas que acabei com o x, se por acaso sabem que deixei de ser virgem com ele...”

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. É um facto ! Mas ainda me continuo a perguntar sobre a razão pela qual as mulheres nascem com “selo de garantia” e os homens não...

E a propósito de amor para toda a vida, sou progressivamente levado a acreditar que é mesmo possível. E tenho pena que haja cada vez mais gente a não acreditar...!

Olhar disse...

".. o conforto da perguiça curvada sobre o prazer..."

É uma bela frase esta Professor..., pela sua posição reclinada, para trás:)

a sul disse...

magicar
magicar é preciso

alma disse...

Eles tinham-se conhecido há pouco tempo; namoravam ainda naquela espécie de conquista, de pequenas ofertas, de troca de mãos, de beijos furtivos e de alguns abraços. Claro que, um dia, ficaram a sós e a cama foi apelativa. Os dois desejavam o mesmo; o corpo estava a falar e o instinto dizia-lhes que aquilo não fazia parte do amor que diziam sentir um pelo outro mas sim que fazia parte do desejo, da líbido a funcionar e das hormonas no seu trabalho normal. Começaram a despir-se e rapidamente estavam enlaçados um no outro e num ápice a penetração deu-se; foram movimentos descontrolados e apenas fruto da inexperiência de ambos; uma ejaculação rápida fez com que tudo fosse um prato insípido e tendo ele ficado satisfeito ela perguntou-se se aquilo era sexo, se aquilo era prazer, se aquilo era o que a esperava.
Os tempos foram-se passando e ele cada vez mais controlava melhor a sua forma de fazer sexo com aquela que dizia ser a melhor mulher com quem tinha estado.
Ele era, porém o primeiro dela.
E ela perguntou-se a si mesma como poderia saber se ele era o que ela queria, se ele seria igual a todos os outros ou se haveria mais e melhor do que o que estava a viver. E, um dia, perguntou-lhe: Como posso eu saber que isto que eu sinto contigo é o melhor que existe para mim? Como assim? Perguntou ele aflito. E ela disse: Tu és o primeiro homem da minha vida sexual e eu não tenho "termo de comparação" para aferir se tu és ou serás o que eu pretendo; como posso eu saber se não haverá outro alguém que seja afinal de contas o que eu pretendo mesmo, que seja o que eu sempre sonhei? Mas eu não te satisfaço, perguntou ele. Ela disse que não sabia que apenas conhecia aquela "versão"; que precisava de experimentar outros "modelos" para sentir a diferença e depois poder decidir da sua vida.
Ele respondeu que se ela fizesse isso, isso seria uma traição e tudo acabaria entre eles.
Ela retorquiu: pois que acabe se assim tiver de ser; mas eu tenho de saber, eu tenho de viver outras experiências para poder escolher. Eu não sou "escolhível", eu também tenho o direito de escolher e só há uma forma: é confrontar a tua experiência com a experiência de outros; só assim poderei saber se tu és o meu principe encantado.
E ele retorquiu: mas se tu fores para a cama com outros homens eu deixar-te-ei porque não sou capaz de suportar saber que a "minha" namorada anda a transar com outro.
Ao que ela respondeu: Se me amas com verdade, saberás entender isso; se não entendes é porque não me amas e apenas me queres possuir; eu não pertenço a ninguém; eu tenho o direito de escolher, como tu também tens.
E ela foi.
E ela viveu novas experiências.
E ele desapareceu da vida dela.
E ela encontrou outro alguém que era diferente e que a satisfazia como ela queria.
E ela começou a amar este novo homem como se começasse do início. Era uma nova vida para ela.
O primeiro nunca mais a quis ver. O primeiro nunca a amou.
O primeiro nunca soube amar.
Não existem principes nem princesas encantadas, nem sapos nem lábios cerrados à espera de um beijo que os acordem de um sono profundo à espera do milagre.
O encanto encontra-se na vivência entre os seres, na aceitação dos deefeitos e das virtudes de cada um; na força de que o verdadeiro amor é capaz de possuir; a força de saber entender que o que um sente não é o mesmo que o outro sente; saber aceitar esse facto é o primeiro passo para o grande amor de uma vida.

noiseformind disse...

Em relação ao nervosismo do rapaz, nada que o alcool não cure. Ou em segunda escolha, uma ganzazinha. O nervosismo do gesto iniciático é rapidamente substituído pela gabarolice de café (antigamente dizia-se taberna e percebia-se logo o nível, mas elas já quase desapareceram...).

"-Fodia-a bem fodida"
"-Comia-a toda"
"-Ela até gemeu"
"-Dei-lhe uma queca"

O vocabulário masculino triunfalista em toda a sua plenitúdica brejeirice. Na presença de mulheres o assunto é falado com tons de cores esbatidas, em tom de semi-mistério. Não ouço homens a confessarem-se preocupados com a insatisfação da parceira, até pq poucas são as mulheres que a manisfestam. Normalmente se há uma relação subjacente (namoro, conjugalidade oficial ou não) elas "aceitam" a coisa de forma muito natural, afinal o marido não tem de ser tb o amante, e em muitos casos menos raros do que o que já foram é natural para a mulher ter um amante orientado para o sexo. Aliás, a traição masculina parece-me mais do que nunca ser resultado de uma necessidade de afirmação, muito mais do que insatisfação sexual. Nunca como hoje os homens em estudos (o exemplo da GSS de 2005 é uma tendÊncia começada muito atrás) se mostraram infieis por motivos de afirmação e confiança. Muitas vezes vão buscar à amante a confiança para fazer sexo com a esposa. A infidelidade feminina parece-me muito mais ligada à insatisfação. Quer seja pelo efeito devastador que o orgasmo tem na mulher (deixa muito mais "efeito de memória" do que no homem) quer seja por escolhos sociais ainda presentes, os 3% de mulheres alemãs com maior nro de orgasmos por semana estão nos .3% de mulheres mais fieis. Com os homens passa-se precisamente o inverso. Os homens com maior nro de orgasmos dividem-nos por uma média de 4,5 parceiras, o que os afasta de qualquer campeonato de fidelidade ; ))))

Tendo isto em consideração, penso que é fundamental perceber que este nervosismo masculino tem muito mais a ver com a insegurança do "gender role", do que propriamente com uma actividade feminina específica. A redistribuição social de papeis criou (especialmente nos rapazes urbanos) mecanismos de integração afectiva (ou então poderíamos dizer "competências afectivas") que não encontram software informativo de suporte espalhados na sociedade.

Dou o exemplo dos encontros regulares (e felizmente cada vez mais concorridos) que tenho com grupos de jovens da Região Porto. O grau de curiosidade dos rapazes, quando se encontram num ambiente livre de chacota e blindado à ignorÂncia é atroz!!!!!!!!!!!!!!!! Atropelam-se nas perguntas sobre como lidar com o "bicho-fêmea" e o "bicho-fêmea" agradece. E nada melhor do que mostrar isto do que passar para aqui um pedacito de um email que recebi à cerca de um mês de um rapaz presente num desses primeiros encontros, há 2 anos:

"Tão man? Kria agdcerte por aquelas conversas, n pescava nada de gajedo e todas as portas onde batia me davam merdas que so complicavam a coisa, qpramim jaera muito complicda. Contino com aquela chavala das tranças, a Lena. Claro que não é nada sério, ainda na passagem de ano ela malhou com outro dread e eu 'deixa-te tar na tua qeu fico na minha' e mais o caraças mas pronto, é naquela, eu curto-a e pronto, la pq ela deu uns pinotes com outro n e carta branca para eu deitar abaixo umas garinas 1/2bêbadas numa discoteca n achas? E mesmo assim o gajo n devia ser grande coisa pq ela voltou aos saltinhos pra mim, parecia uma cadelinha abandonada, disse que n sabe pq fez aquilo e tal e coisa mas eu sei que basica/te foi pra ela se armar e pronto, na boa, na pura, volta aí e vamos mas é dar uma pra casa dos teus pais e pronto, n se fala + disso. Engraçado que a maior parte das amigas dela ja nao malham quase nada com os namorados. Tipo... no início andavam tipo coelhas a foder até parecia que o mundo ia acabar e agora népia, é naquela de fds e mais nada, discutem se engolem ou nao e as merdas que os gajos lhes dão mas falar de foder népia, é tudo a mesma merda para elas. Eu pódescrer q se desse era todos os dias, ás vezes nem podemos fazer de tão inflamado que aquilo está : ))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))) mas arranja-se logo maneira de dar a volta à coisa, se há uma coisa que eu sei é que dar ao stick não é o major, o major é passarmos um bom tempo e nisso n temos nada a ver com o ppl lá da escola, que tudo tem de acabar numa boa sticadela. Acredita que montes de vezes nem tirámos roupa nenhuma, é naquela mesmo de toque, feeling, e ela desfaz-se toda, invejadocaraí que eu tenho deas chavalas por darem TILT! daquela maneira(...)"

Quantos rapazes em Portugal é que seriam capazes de escrever assim, no anonimato de um mail, sobre a sua primeira experiência sexual? (já agora o nome da rapariga foi alterado, como devem ter percebido)

alice disse...

Na minha qualidade de dinossaura (foi o que o Noise teve a lata de me chamar ontem) quero aqui partilhar convosco a minha total falta de jeito e vocação para bela adormecida. Se não me tivesse declarado a qualquer dos meus ex-maridos (foram só dois, também não se ponham a fantasiar) ainda hoje estava solteira ( o que, diga-se de passagem, não teria sido muito má ideia, mas de qualquer modo os divórcios já estão pagos!), portanto o mito da passividade feminina - é mais o mito.

uma Dinossaura, embora Excelentíssima

a sol disse...

a propósito de magicar… ou, como Melo Neto, ‘não recorrer ao pathos para criar uma atmosfera poética’, mas sim ‘uma construção elaborada e pensada da linguagem e do dizer‘:

ANTIODE
(contra a poesia dita erudita)

A

Poesia, te escrevia:
flor! conhecendo
que és fezes. Fezes
como qualquer,

gerando cogumelos
(raros, frágeis cogu-
melos) no úmido
calor de nossa bôca.

Delicado, escrevia:
flor! (Cogumelos
serão flor? Espécie
estranha, espécie

extinta de flor, flor
não de todo flor,
mas flor, bolha
aberta no maduro).

Delicado, evitava
o estrume do poema,
seu caule, seu ovário,
suas intestinações.

Esperava as puras,
transparentes florações,
nascidas do ar, no ar,
como as brisas.

B (…)
C (…)
D (…)

E

Poesia, te escrevo
agora: fezes, as
fezes vivas que és.
Sei que outras

palavras és, palavras
impossíveis de poema.
Te escrevo, por isso,
fezes, palavra leve,

contando com sua
breve. Te escrevo
cuspe, cuspe, não
mais; tão cuspe

como a terceira
(como usá-la num
poema?) a terceira
das virtudes teologais.

JCMN 1946

a sul disse...

ah
fora-da-lei
mts mulheres ñ nascem com o tal de selo

a sul disse...

ah
fora-da-lei
pois claro,
magicando para toda a vida
é possível

Anónimo disse...

Professor pode recomendar-me algum ou alguns filmes sobre a adolescência que foquem a questão da iniciação sexual (do rapaz)?
Sugestões dos frequentadores do blog serão igualmente bem vindas :)

Obrigada!

fora-de-lei disse...

a sul 12:51 PM

Será defeito de fabrico ? Assim não passam no controlo de qualidade... ;-))

Cinderela woman disse...

ò Noise essa coisa dos orgasmos é real? Quero dizer, existem mesmo???? Eu ouço falar muito mas ver nunca vi nenhum... E está-me a parecer que não sou a única!!!!!!!!
Porque é que não existem à venda nas farmácias? Estou frustrada. Também quero um!!

a disse...

n há príncipes, nem princesas encantadas! Lamento imenso desiludir-vos a todos, mas somos tomos humanos defeituosos. Ainda bem!

noiseformind disse...

Boss, tu sabes que eu sei que sabes que eu sou totalmente anti-copy/paste, mas não consigo resistir a passar esta notíciazinha do Correio da Manhã de hoje... ; ))))
Peço-te apenas que me respondas a uma coisa: quantas vezes, na tua pia vidinha (curta mas bem interessante), leste estas parangonas nos jornais??? ; ))))))))))))

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, admitiu ontem a possibilidade de os gabinetes de apoio ao aluno nas escolas secundárias, no âmbito da educação sexual, dispensarem preservativos aos alunos.



“Normalmente os gabinetes têm um responsável, as crianças têm tutores que as acompanham e, em circunstâncias particulares, concretas, explicadas, que envolvam as associações de pais, admito essa possibilidade”, afirmou a ministra, questionada pelos jornalistas à saída da cerimónia de assinatura de um protocolo entre os ministérios da Educação e da Saúde.

O protocolo de Promoção da Educação para a Saúde prevê a criação de programas de formação destinados a professores e técnicos de saúde e entrou ontem em vigor. A ministra recordou que “Portugal é um dos países com a mais elevada taxa de gravidez precoce, o que tem de ser combatido por diversos meios, envolvendo a escola e as famílias”.

Os alunos do Ensino Básico terão actividades de rastreio e os currículos sobre educação para a saúde, incluindo a educação sexual, serão revitalizados, sendo adequados aos diferentes níveis etários.

O CM tentou saber mais informações sobre o funcionamento dos gabinetes de apoio junto de escolas que já dispõem destes espaços e que abordam a temática da educação sexual (ver caixa). O conselho executivo da EB23 Telheiras (Lisboa) referiu “não estar interessado” em falar sobre o tema e a direcção da EB23 André de Resende (Évora) esteve em reunião e não autorizou uma conversa com a psicóloga.

CONTRA OS BOLLYCAOS

Na mesma linha de promoção da Saúde, a Direcção Regional de Educação do Centro está a sugerir às escolas o encerramento dos bares à hora do almoço e a retirada de máquinas de venda de produtos alimentares. A campanha ‘Comer Saudável’ é apresentada hoje e pretende travar a obesidade infantil.

O Governo quer implementar um modelo de sensibilização similar a nível nacional. “Temos um problema com a alimentação escolar, relacionado com o controlo de grande parte dos alimentos que são fornecidos na área do ‘buffet’”, reconheceu Maria de Lurdes Rodrigues.

O objectivo é que as crianças adquiram “determinadas rotinas alimentares que não têm. A tentação pelos Sugus e pelos Bollycao é enorme, preferem um Bollycao a um pão com manteiga”, alertou a ministra.

ACORDO ENTRE MINISTÉRIOS

TABACO E VIH

A Promoção da Saúde abordará as áreas da saúde mental, educação alimentar, educação sexual, prevenção do consumo de tabaco e outras substâncias lícitas e/ou ilícitas, prevenção do VIH/Sida e outras DST.

PROGRAMA

O Ministério da Educação deve implementar nas escolas do Ensino Básico e Secundário um programa de educação sexual, desenvolvido numa perspectiva interdisciplinar e nas áreas disciplinares não curriculares

EXAMES

Os centros de saúde terão equipas de saúde escolar. Os alunos terão exames globais de saúde, aos 6 e 13 anos, para detectar problemas de saúde que exijam apoio à inclusão de alunos com necessidades de saúde especiais.

CLUBE DE SAÚDE ENSINA SEXUALIDADE A ALUNOS

A Escola D. Dinis, em Coimbra, tem um clube de saúde, que funciona há quatro anos, onde os alunos podem colocar dúvidas sobre a sexualidade a uma professora. Tem também um projecto de educação sexual. Eugénia Lemos, coordenadora deste projecto, sublinha que o gabinete vai ser reformulado para se enquadrar nas recomendações do psicólogo Daniel Sampaio e que os alunos, sempre que o assunto em estudo nas aulas envolve a sexualidade, são confrontados com o tema. O jornal da escola tem uma rubrica sobre educação sexual e as próprias peças do grupo de teatro tratam temas relacionados com a matéria. Eugénia Lemos diz que “as preocupações à volta do corpo, a primeira vez e a gravidez não desejada” são os assuntos “que mais preocupam os jovens.”

ACONSELHÁVEL ESCLARECER A PARTIR DA PRÉ-ESCOLA

Chega amanhã às livrarias o ‘Guia de Educação Sexual e Prevenção do Abuso’, da autoria de Maria Manuela Pereira, com a chancela Pé de Página Editores. A responsável pelo Gabinete de Prevenção do Abuso Sexual de Menores/Educação para a Saúde da Direcção Regional de Educação do Centro defende que “a educação sexual é necessária muito antes da puberdade”, sendo até “aconselhável” esclarecer as crianças a partir da pré-escola. “Fazem mais perguntas sobre sexualidade que os adolescentes”, afirma. O livro contém fichas de trabalho, que abordam temas ligados ao conhecimento do corpo, direitos da criança, questões do género, reprodução e abuso sexual.

Pamina disse...

Boa tarde.

O Noise (11.29) tem razão quando diz que, neste jogo, a mulher não é completamente passiva, pois se embeleza para atrair o "macho", e quando liga isto ao facto de haver mais mulheres do que homens. Contudo, uma vez embelezada, a atitude tradicional feminina é de expectação e não de acção (há sempre excepções, como refere a Alice, 12.39).
O que me parece que o post advoga é uma "mistura" dos papéis que me parece desejável. Para irmos para um caso simples, por ex., que à saída da escola, no cinema, no centro comercial, seja normal que tanto um rapaz possa dar o primeiro passo e agarrar na mão duma rapariga/beijá-la, etc. como seja a rapariga a fazê-lo. Sem que ele se sinta agredido e sem que o comportamento dela seja penalizado e considerado impróprio.
Não sei exactamente como é que as coisas se passam entre a maioria dos jovens. Espero que de modo diferente do que quando eu era adolescente. Para se caminhar para esta indiferenciação de comportamentos, parece-me que a atitude das raparigas é fundamental. Como eu verificava, quando tinha 13 anos, conforme escrevi ontem, por vezes, é mais cómodo ser-se o objecto. Quando se passa de passivo a activo correm-se sempre mais riscos, aqui, como em outros aspectos da vida, mas é assim que se sai dum estatuto de menoridade e se atinge a autonomia.

noiseformind disse...

"ACORDO ENTRE MINISTÉRIOS

TABACO E VIH

A Promoção da Saúde abordará as áreas da saúde mental, educação alimentar, educação sexual, prevenção do consumo de tabaco e outras substâncias lícitas e/ou ilícitas, prevenção do VIH/Sida e outras DST."

ORA PORRA!!!!!!!!!!!! MAIS VALE DIZER LOGO QUE É PARA PREVENIR O SEXO, SE TODAS AS OUTRAS MATÉRIAS SÃO PREVENTIVAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!

CêTê disse...

Pamina, sobre o que escreveu: "Para quem não se lembra, o personagem interpretado pelo B. Stiller, embora ame a Mary, tenta reuni-la a um antigo namorado que a tinha deixado devido a intrigas dum rival e que ele julga que ela ama e que será bom para ela. " Não vi o filme mas posso dizer que sempre o faço.;] Em "garota" punha as paixões à prova utilizando as melhores amigas como isco. (sim porque então perder o namorado para as melhores amigas é que não!) ;)]]]]Por muito que doa ou possa custar a perda mais vale no início, antes de tudo começar. É que quando se perder o que não se tem resta a fantasia e essa pode se substituir sen danos de maior.

Pamina disse...

Cêtê,

O sentido não era bem esse. O Ben Stiller gostava da Mary quando andavam na escola, mas perdeu-a de vista durante bastantes anos. Quando a consegue reencontrar, ela vive sem companheiro, com um irmão deficiente, e conta-lhe que teve uma relação muito boa com um homem que parecia amá-la e que se dava sem problemas com esse irmão deficiente, mas que, de repente, ele tinha acabado a relação, sem ela perceber muito bem porquê. Para além do Ben Stiller, há mais 2 pretendentes que fazem jogo sujo para a conquistar. A certa altura, o Ben Stiller descobre que o tal namorado se tinha afastado devido a intrigas dum destes pretendentes e, mesmo sabendo que se esclarecesse as coisas entre a Mary e esse namorado provavelmente a perderia, fá-lo, porque, ao contrário dos outros, não quer jogar sujo e porque pensa que é esse o homem que ela quer. Assim, reune-os. Claro que a sua honestidade é recompensada, porque a Mary acaba por o escolher a ele. Como diria o Woody Allen, o filme tem um "Hollywood ending":), embora seja realizado pelos pouco convencionais irmãos Farrelly.
O ponto da discussão com o meu amigo era o seguinte: ele afirmava que o Ben Stiller não amava a Mary, pois se a amasse não seria capaz de "desistir" dela. Under the motto: "in love and war everything is allowed", o meu amigo defendia que os pretendentes que jogaram sujo não se tinham comportado mal e também que eram eles que verdadeiramente a amavam.

Sandra Feliciano disse...

pois é...

... mas a verdade é que a maioria dos nossos "belos adormecidos" bem que fantasiam com o papel, mas na prática, quando se deparam com uma "cavaleira branca" com iniciativa para os despertar, metem o rabinho entre as pernas e fogem a sete pés, entre o ofendido e o horrorizado!...

... estou em crer que ainda vai levar uns anos valentes a criar uma sociedade em que os homens não se sintam ameaçados por dividir o poder e a iniciativa com uma mulher.

Eu vem os vejo a todos a dizerem (e com sinceridade) que admiram as mulheres "fortes", mas a verdade é que também os vejo a todos casados e acasalados com as submissas ou com as "gertrudes", que escondem habilmente a sua força no âmbito da técnica "mandar neles sem que eles percebam". Quanto às tais das "fortes" que eles admiram, essas ficam como as amigas a quem telefonam a pedir conselhos e com quem conseguem desabafar de "homem para homem". E admiram-nas e gostam imenso delas, agora lá dividir uma vida com, isso já é outra conversa! Demasiado intimidatório, vá-se lá perceber porquê!

andorinha disse...

Se calhar já ninguém vai ler, mas eu escrevo na mesma.:)
Penso que a Pamina focou um aspecto importante e com o qual estou de acordo sobretudo quando se refere ao filme "There's something about Mary". Concordo que amar e desejar são coisas diferentes.
Eu penso que algumas vezes as pessoas julgam que amam, mas na realidade estão agarradas à sua necessidade de possuir o outro. É como se dissessem:"Amo-te enquanto estás ao meu lado, mas se te fores embora é certo que te odiarei."
O amor passa por poder pensar no que o outro necessita e ter prazer em que o outro esteja bem, tudo isso de forma totalmente independente do estar ou não ao nosso lado.
É isto uma utopia? Penso que não.
Díficil de conseguir? Sem dúvida, mas possível na minha opinião.
Amar alguém é querer que esse alguém seja feliz. Se nós fizermos parte dessa felicidade, melhor; se não...

Sandra Feliciano disse...

Concordo a 300% com a andorinha. mas acho que só acreditamos nisso quando um dia o sentimos. Até lá, achamos que amor é outra coisa - paixão, entusiasmo, desejo, por aí...

Ou então temos é todos formas diferentes de sentir e pronto. Mas eu passei pelo percurso que descrevi acima e mudei internamente as minhas definições. Mas não sei se será assim com toda a gente.

Anónimo disse...

Em resposta à sandra feliciano:
não posso estar mais de acordo!!! só mostra que há para aí muito macho inseguro da sua masculinidade!
A propósito deste assunto, veio-me isto à cabeça: "as boas raparigas vão para o céu, as más vão para todo o lado".