Maria,
A queixa, entre o cansaço e o riso – “és um velho”. E eu invocava o BI para concordar sem me pôr em causa, tu enterravas mais fundo a adaga – “sempre foste”. Acusação à míngua de rigor científico, embora pobre existiu vida antes de ti. Que uma vez por outra despertava a tua irritação, o meu silêncio nada tinha de saudoso, pedia segurança ao ciúme que fantasiava (?), “se o passado a assombra, o amor de agora é de carne e osso”. Nada o garante, mas um tipo agarra-se a tudo quando receia perder quase nada na multidão que nos oprime, uma pessoa que planta uma clareira solar à nossa volta.
Era a rotina a escandalizar-te. E no entanto, desta vez comecei bem, sabes? Na portagem o homem escancarou sorriso e disse-me que um dia enviara graça para O Amor é..., eu tinha-a papagueado e depois agradecido, somos “amigos” no Facebook. Apeteceu-me provocar um engarrafamento, sair do carro, dar dois dedos longos de conversa e em número pífio de ilusionismo fazer desaparecer as aspas, tornadas inúteis por bitoque, imperial, bica e arroz doce, mas que língua falam os lisboetas, meu Deus?
Foi sol de pouca dura em fim de tarde que não lhe pôs a vista em cima. O hotel, o carro nas mãos de quem mo acolhe há anos e anos, a reprimenda carinhosa na recepção – “pensei que estava zangado connosco!”. O quarto. Uma última vista de olhos pela comunicação de amanhã, a gentileza do “meu menino” anfitrião – “precisa de alguma coisa?”. (Tu sugeririas dose dupla de genica...). Eu quase me senti orgulhoso por não chamar o room service, sabia a resposta – “o costume, doutor?”. Que desconfio semelhante no restaurante ao lado, como as mesmas coisas nos mesmos sítios, tu respeitavas a fidelidade às gentes, mas pedias uma réstia de coragem face à lista. Em honra da tua sombra comi frango e não bife no hotel mas não no quarto – vinte e três andares de distância, querida! -, juro que vi um suspiro desalentado espreitar nos olhos do chefe, não admira, tu divertes-te a habitar os ecrãs que me rodeiam, no filme de terror que é o teu vazio.
O puto que me serviu era gentil, protegeu-me da corrente de ar, aproveitei para falar do internamento do McCartney no Japão e ele foi peremptório – “não são do meu tempo, mas adoro a música deles”. Imaginas o que se seguiu – ele aguentou, estóico, o meu desfiar de recordações longínquas e medos actuais, não estou pronto para chorar outro Beatle. Muito menos sem o teu colo a olhos de semear, envelhecer é navegar entre lutos reais e temidos, até que outros sejam obrigados a lidar com o nosso, quantas vezes me pergunto se já aliviaste o teu...
Descansa em paz, querida.
11 comentários:
Resta saber se justa ou injustamente:))))))))
Uma delícia! Como sempre que escreve à Maria. As pinceladas de humor são fascinantes!
Comentei no Face, não tinha visto aqui...
Lá vai a Anfy dizer que ando a correr de cá para lá ou vice versa:)
Who cares???
Fique bem:)
Bom descanso ao senhor professor que está muito alto. Quanto amor a um grupo musical! Não conheço ninguém assim. Pronto, tá bem, também não conheço o professor.
Porém,as cartas a Maria são uma ternurinha. Nem que a senhora esteja a aliviar luto do canário, há-de gostar.
O humor brilhante e corrosivo de RAP
http://entreostextosdamemoria.blogspot.pt/2014/05/visao-2252014-p106.html
"Nem que a senhora esteja a aliviar luto do canário, há-de gostar."
Tu és tão tolinha, Bea:)
Bom soninho.
Bea? Não te irrites! Que o juiz de caminha. Absolve sempre...
Bea? Vou ver! Se os encontro. Que façamos bons caminhos...
A POLUIÇÃO TEM LIMITES https://www.nimh.nih.gov/news/science-news/2010/effectiveness-of-long-term-use-of-antipsychotic-medication-to-treat-childhood-schizophrenia-is-limited.shtml 1998-
https://www.bing.com/search?q=eondoic+news&form=EDGHPT&qs=PF&cvid=f5ac8baa8b574ab79554a1b7d10c587d&cc=PT&setlang=pt-PT&PC=ASTS
成人a片
免費交友聊天室
夜未眠成人網
玩美女人
台灣線上遊戲
中部人聊天室
色情漫畫
黃片下載
本土自拍
免費視訊
The Portuguese Literacy Is Poor To Have Opposite Meanings And If Anyone Think About English Language As Easy Will Find A Meaning Full Idioma
Enviar um comentário