segunda-feira, julho 11, 2005

A palavra aos sócios fundadores.

A Pamina pediu e eu transcrevo o poema. Contudo..., não o fiz já aqui no blog? A palavra aos sócios fundadores:).

Conta-mo outra vez


Conta-mo outra vez, é tão formoso
que não me canso nunca de escutá-lo.
Repete-mo de novo, os dois da história
foram felizes até vir a morte,
ela não foi infiel, ele nem
se lembrou de enganá-la. E não esqueças,
apesar do tempo e dos problemas,
todas as noites sempre se beijavam.
Conta-mo mil vezes, se faz favor:
é a história mais bela que conheço.

Amalia Bautista.

31 comentários:

RAM disse...

Terei de me abster aqui!
Não sou sócio, muito menos fundador.

Descriminação no blog??????

ts, ts, ts, ts, ts

Anónimo disse...

É verdade! É só ir ao mês de Março, depois dia 1 e lá está ele! Entre outros, também muito bonitos, claro:)

PortoCroft disse...

Caro Prof. m8,

Ainda não recebi o cartão. Sequer sei qual é o meu lugar cativo. E será que sou sócio? Onde está o meu Kit? ;)

Mas, que já foi publicado, foi.;)

Pamina disse...

Boa noite JMV e maralhal,

Eu não me lembrava. Deve ter sido mesmo "antes do meu tempo".

Maralhal(esp.novo): Por favor comentem, senão deixam-me ficar mal.
Acho os versos "apesar do tempo e dos problemas, todas as noites sempre se beijavam" lindíssimos. Mas... este idílio será possível? Os contos de fadas, com que crescemos, acabam sempre com as palavras "casaram e foram muito felizes", mas o resto da história nunca nos é contado.
Eu acredito que só é possível construir uma relação amorosa duradoura, exactamente, quando não idealizamos esta relação/o outro e estamos preparados para o facto de que a construção do amor no quotidiano não é uma tarefa fácil. Na minha opinião, é necessário ter o fôlego de um corredor de fundo.

andorinha disse...

Boa noite Júlio e maralhal,

Realmente foi mesmo muito no início. Já confirmei:) - dia 1 de Março.

É uma bela história, sem dúvida, com muito de utopia.

Perguntas bem, Pamina - este idílio será possível?
Não sendo impossível, acho difícil.

Concordo contigo quando dizes que a construção do amor no quotidiano não é uma tarefa fácil.
Um amor assim, será a excepção que confirma a regra - dificilmente o amor resiste à usura do tempo.
Lamento não ser mais optimista.:)

RAM disse...

Pois bem, deixo comentário:

O rio corre no seu leito maternal
Rumo a mar de estado incerto
E ao encontro tumultuoso
Nos interstícios onde se reclamam espaços,
Gerando agitação que
Salpica teu rosto de gotas de água salgada
Que escorrem pela face que tantas vezes percorri com meus lábios.

Então bebo esse água
Nos teus lábios e nos teus olhos
E apercebo-me que não vêm do mar
Mas da profundidade da tua alma.

Pergunto: Porque chora o mar?
Dizes: Chora sempre que encontra terra firme ou rio que correu de longe ao seu encontro.


Rui Amaral Mendes

RAM disse...

Material já publicado, elsewhere!
Desculpem...

Orange disse...

Histórias para ouvir mil vezes e viver uma. Todos os dias.

noiseformind disse...

Já que andamos todos a dar para os lados do prazer cá fica o link para sacarem o último album da tal banda de putos que o Porty (e eu e muita gente) tanto aprecia.

Não se trata de pirataria, ao fim de 24h não se esqueçam, cuidadosos e civilizados cidadãos Tugas, de eliminar os ficheiros ; )

; )

noiseformind disse...

Ou seja... estou a fazer aqui um verdadeiro Live Aid, neste caso ajudando-vos a ouvirem o CD ; )

PortoCroft disse...

Noisy,

Estás é a sacar-lhes o "1/3 do seu vencimento para associações que promovam ajuda humanitária em países em desenvolvimento." És pior que o Fisco.;)))

Jessie disse...

Bom dia!

Mesmo nao sendo 'membro fundador' agradeço o poema: Muito bonito!!
Como alias, tudo o que nos proporciona Professor.... e PortoCroft. A musica esta fantastica: Ja tenho o 'X&Y' (nada de piratarias) e acho-o excelente!

Beijinhos,
Joaninha

yulunga disse...

Pamina, não quero que fiques mal e vou comentar.
Neste poema vejo a relação dos meus pais tal e qual assim descrita; em poucas palavras que dizem uma vida.
Infelizmente a infidelidade meteu-se pelo meio, e a vida foi infiel a um deles antes daquilo que seria de "esperar".
Neste momento a mãe está de novo a viver um grande amor.
O discurso de repente inverteu-se e dou por mim a dizer: Já não quero mais nada na vida, já tenho a mãe orientada, encaminhada e feliz ;-)

Maite disse...

Este poema remeteu-me para uma passagem da Insustentável leveza do Ser em que se fala do Mit-gefuhl(co-sentimento) e que é muito mais forte que a paixão que muito vulgarmente é confundida com amor. "Mit-gefuhl é poder viver com o outro não só a sua felicidade mas sentir também todos os seus outros sentimentos: alegria, angústia, felicidade, dor. ...designa, portanto, a mais alta capacidade de imaginação afectiva, ou seja, a arte da telepatia das emoções. Na hierarquia dos sentimentos, é o sentimento supremo". Acredito que será este tipo de sentimento que torna uma relação duradoura e ambicionada por todos (mesmo por aqueles que dizem que não "que horror!"

JoanicaPuff! disse...

Depois de "viveram felizes para sempre":

ADEUS

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.
Eugenio de Andrade

O meu poema preferido.Um contra-senso , já que acredito no "para sempre".E é por acreditar na hipotese de um dia poder vir a ouvir/dizer estas palavras, que todos os dias dou tudo de mim...Vivo o meu Amor "para sempre", na esperança que o "Adeus" fique "para nunca"

andorinha disse...

Yulunga (9.55)

:)

noiseformind disse...

Joanicapuff, lá está... a ausência de realismo é pregorrativa dos poetas ;), para o infinito ou para o presente ; )

noiseformind disse...

Porty,

se 1/3 do vencimento dos Coldplay resulta do ppl que sacar o album daquele site, então espero que os rapazes tenham um day-job ; )

JoanicaPuff! disse...

noiseformind,
não sou poeta ;)
talvez uma realista muito optimista :).Acima de tudo com muita esperança!

JoanicaPuff! disse...

...no presente e no "para sempre".

Cuca disse...

Magnifica repetição.
Não me canso de o ler... é dos poemas mais belos que conheço. :)

yulunga disse...

Andorinha, podes crer. Ando assim :))))) até às orelhas

ouriço-cacheiro disse...

PALAVRAS NÃO

Palavras não me faltam
(quem diria o quê?)
faltas-me tu poesia cheia de truques.
De modo que te amo em prosa,
eis o lugar onde guardarei
a vida
e a morte.

De que outra maneira poderei
assim te percorrer até à perdição?
Porque te perderei para sempre como
o viajante perde o caminho de casa.

E, tendo-te perdido, te perderei
para sempre.
Nunca estive tão longe e tão perto de tudo.
Só me faltavas tu para me faltar
tudo,
as palavras e o silêncio,
sobretudo este.


Manuel António Pina, 1969

escrevinhador disse...

Bastaria o «todas as noites sempre se beijavam» para fazer deste um par feliz. E um belo Poema tembém.

blimunda disse...

Poema para o júlio (ou talvez não)

a árvore abriu-te os braços e eu despi-te
o verde como se eu fosse a mão do outono
e dei-te o suco branco da inquietude
e amor como palavra fome


deixa que o verbo rebente
como tu dentro do eu
língua de terra gramática de onda
nascemos da espuma de uma frase

(pedro sena-lino, biofagia)

assim mesmo como se fosse um corpo
peninsular
este desejo de adentrar-te como língua de terra descendo
no espaço vazio entre os teus braços
construo jangada que nos há-de levar

ou apenas a imperceptível água no rio de semén
que te nasce aí venho saindo de ti como adivinhada fecundação

há qualquer coisa de muito misterioso em nascer assim

como se fora demais este suco
este branco inquieto que me morre na boca e se
transmuta em palavra
eu soletro o teu nome
sílaba a sílaba não se acaba nunca esta longa
metáfora
a tua carne traspassada pela minha língua
um abismo entre olhos e olhos

a maré beija o sexo
em golfadas arrasta consigo essas velas
essas asas de imenso navegar
as mãos nuas os dedos escavando

as profundezas de mim as profundezas de ti
assim devassadas pelo significado outro de fome


é importante que saibas que o teu sopro corpo
me caminha
por sobre as águas e
que há nesta madrugada reescrita a impalpabilidade
do som
a reverdecida realidade de uma terra
nascendo muito muito mais que sob
a árvore
as minhas pegadas fazem-se de acasos
juntas reinventam-te

há um azul abobadado um marron doirado de pele
uma profundidade avermelhada
de dois lábios secretos
numa interior boca que te espera
para te dizer

lagos em convulsos espasmos a nomeação encontra
finalmente seu lugar

na entrega esboroada da terra ao mar adentro
sobra-nos apenas
um fio de saliva como rasto meteórico no céu
- brilhamos tão intensamente
que tenho medo de nos esvairmos em luz -

soltam-se estas pequenas colinas de nós
pernas braços mãos seios como
pangeias umbilicais onde
o ar se esconde
e os ventres vão amassando a matéria alterada
da fome

( digo de mim como incrustada memória
nesta hora digo de ti como pensamento anterior )

um tronco dois braços
um único fôlego basta para nos suster assim
mesmo
como quem diz península
árvore cravada no peito
desejo de terra desvendada entre a inquietude
branca
dos lençóis e a urgência de um nome novo

enumero meticulosamente todas as formas
desta língua
como rol de pedras e areias galhos e corolas
pequenas gotas de água furtando a cor
reflexivamente

na espessura entre mim e ti não cabe mais que um grão de oiro

e a gramática diz-se em suaves ondas deslizando
da minha
para a tua boca
um cântico de flora num naufrágio de mar

há qualquer coisa de muito maior
muito mais distante
que uma ilha
de um amor assim como quem diz
mesmo
península

não morderemos mais o verde

serão nossos dentes
a inventar outra cor para nascer na espuma
de uma frase

(marta, eu)

Raquel V. disse...

Gosto de que seja "para sempre", é inegável
Recuso que “se viva um dia de cada vez”...
Não me preenche, tem que ser isso e muito mais.
Tenho que escutar que é e será eternamente
Saberei, depois, viver um dia de cada vez...

Não vale a pena lutar contra mim,
Há quem adore a canícula e eu gosto do glacial.
Quem ame a planície e eu… os oceanos e as suas areias.
Quem não viva sem recantos na floresta e eu prefiro a capital.

Revejo-me em “para sempre”.
Não te quero ausente.
Nem que seja utopia.
Diz-mo, diz-me que será “para sempre”.
Concedes-me um dia de cada vez.

(Raquel Vasconcelos)

Pamina disse...

Raquel(8.02),
Depois de ler o seu comentário, ocorreram-me as seguintes ideias:

Quando um par se apaixona e a partir daí resolve começar uma relação (e, eventualmente, uma vida em comum) precisa de acreditar que será para sempre, senão sentir-se-ia derrotado à partida.
Mas o que é que é para sempre? Quando acaba o sentimento de "enamoramento", será que tudo acabou? Penso que aqui é que está o busilis da questão.
Na minha opinião, para que uma relação amorosa possa durar até à morte, é necessário que continuemos a sentir-nos mais "felizes" com o outro do que sem ele MESMO DEPOIS da fase inicial, na qual o ser amado nos parece perfeito, ter dado lugar a um verdadeiro amor pela pessoa "real", defeitos incluídos.

Relativamente ao seu segundo ponto, exprimiu de uma maneira muito poética algumas divergências que podem atrapalhar uma relação. Penso que o importante é saber se preferimos a companhia do outro, mesmo que tenhamos que fazer compromissos ou se preferimos ficar sós a ter que fazer cedências.

Quanto ao último ponto, achei a frase "Não te quero ausente. Nem que seja utopia." muito bonita. Quando gostamos de alguém é realmente difícil suportar a/as ausência/as (de qualquer espécie) dessa pessoa. Mas também aqui é necessário chegar a um compromisso entre os nossos desejos e a liberdade do outro ou arriscamo-nos a asfixiá-lo.

É fácil encontrar satisfação sexual e mesmo viver uns meses ou anos num estado de "enamoramento" não é assim muito difícil, mas construir o AMOR ao longo de uma vida é uma tarefa dos diabos, não é?

CB disse...

Que ternura...sem duvida a história de amor mais bela...

circe disse...

Olá, MM e maralhal,

Depois destes lindos comentários,
perdoem-me relevar dois deles:

Marta (6.25 am) - Belíssimo :)

Andorinha,

Nota-se teres "namorado" o Alberoni, pois que partilhaste connosco esta ideia do "enamoramento"
Que bom saber que não passou de moda - aí vai um abraço, ou melhor,
uma bicada meiga;)

Está lá quase, quase... disse...

... para os trezentos comentários só faltam 170.

Está lá quase, quase... disse...

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