segunda-feira, julho 25, 2005

A propósito de heterossexualidade.

"Heterossexual"(como "branco", "macho" ou "robusto") é sempre um termo silencioso.
...
Os termos "heterossexual" e "lésbica" não são simétricos; as consequências de os aceitar são diferentes, como o são as consequências de desistir deles. Rótulos seguros e incontestados e pertença a grupos dominantes podem ser dispensados como não tendo importância; a pertença a um grupo oprimido tem de ser reivindicada, e tenazmente, apesar das contradições.
...
"Heterossexual" e "lésbica" não são extremidades opostas do mesmo contínuo. Porque "lésbica" é uma identidade intrinsecamente politizada, e a heterossexualidade não é, os dois termos não são proporcionais, não pertencem ao mesmo espaço conceptual.

Kitzinger e Wilkinson.

98 comentários:

Carlos Sampaio disse...

Caro Prof Machado Vaz

E não andaremos ultimamente a confudir o direto à diferença com as exigências sem direito?

Julio Machado Vaz disse...

Carlos,
Eu ando cá há tanto tempo e sou tão rezingão que nada me satisfará "abaixo" do direito à indiferença:).

Carlos Sampaio disse...

Caro Prof Machado Vaz

Acabei de colocar no meu sítio (glosa-crua.blogspot.com) um texto sobre o que eu acho serem os actuais exageros dos "direitos das diferenças". Estará acima ou abaixo do direito à indiferença??

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras disse...

Viva a indiferença e o direito à mesma....se bem, que de facto, tenho dúvidas se este direito está a ser exercido.

Zero disse...

Ó Professor. Eu nessas coisas da sexualidade considero-me um lésbico. Também devo reinvidicar tenazmente a pertença a este grupo?

PS- E fique a saber que me deixou acordado até perto das 3 da manhã para o ouvir indignar-se. Diga-me lá. Aquilo são horas? O professor não tem uma mulher como a minha, de certeza. Se eu lhe dissesse que ficava a trabalhar até àquela hora ela ficava lá fora à espera.
Tem que usar os seus super-poderes para mudar aquela hora, pelo amor de Deus.
:))))

Julio Machado Vaz disse...

Carlos,
Para mim todos os "direitos à diferença" estão abaixo, ou melhor, a caminho do direito à indiferença:). Aceito que, estrategicamente, sejam úteis acções que dêem visibilidade a um grupo e ajudem a atingir metas "intermédias". Com uma condição não negociável: os membros do grupo que decidam não participar nelas são tão válidos como os "militantes".

Julio Machado Vaz disse...

Zero,
O programa é gravado e eu não mando nos horários:). Mas tem razão: eu não sou casado:).

Zero disse...

Sei isso tudo... mas eu sou. E assim não posso cumprir as minhas obrigações matrimoniais. Percebe? Mande. Além de que desta vez ouvi esta frase extraordinária " e tu trocas-me pelo Psi?" A sério, só a parte do psi é que é invenção minha.
Vê? Coloca as pessoas que gostam de o "ouver" numa posição... chata.

Zero disse...

Quanto ao direito à diferença, e no caso concreto da diferença de e à escolha/orientação sexual, tenho uma posição contraditória. Custa-me ver o exibicionismo da (ou de alguma) comunidade gay, mas sei que se não fosse essa forma de despertar consciências, estariam hoje ainda mais distantes dessa igualdade (que é um logro. O que é afinal a liberdade? desde quando é que somos livres? ou temos esta propensão inata para a ingenuidade?).

Julio Machado Vaz disse...

Zero,
Diga que não a troca por toda a psiquiatria portuguesa:). Parte do seu comentário encaixa bem no meu, não acha? Quanto à liberdade, receio que seja sempre mais superficial do que desejaríamos:(

Zero disse...

Encaixa sim. E isso é que me deixa indignado... comigo. Não será essa uma forma, ainda que mais subtil, de homofobia? Porque raio é que me hei-de indignar por aquilo que eu considero os exageros de afirmação das pessoas?
E não, não a troco pela psiquiatria. Ela não permitiria e eu sou fisicamente cobarde (:))

andorinha disse...

Zero (10.48)
Não sei se esse exibicionismo da comunidade gay será uma forma de despertar consciências. Penso que poderá ter o efeito contrário.
Eu própria confesso que começo a ficar farta de tanto folclore e espalhafato. Sou de opinião que haverá outras formas mais eficazes de lutarem pelos seus direitos. Assim, continuam a ser motivo de "gozo" para muita gente.

Li um dia destes um artigo que referia que os homossexuais não podem ser dadores de sangue.
Não fazia a mínima ideia de que isso se passasse e as justificações apontadas para isso, são, no mínimo, pouco convincentes.
São um grupo de risco ( são promíscuos, praticam sexo anal, etc, portanto...).
Porque não perguntam aos heterossexuais se são promíscuos, que tipo de sexo fazem?
A única solução será mentir sobre a orientação sexual, aí já estará tudo bem e a mesma pessoa já pode dar sangue sem problemas.
Não é isto de um ridículo atroz?

Paula disse...

A propósito de direito à diferença e homossexualidade, vejam 'uma preciosidade' que foi publicada hoje no "1º de Janeiro" por um 'erudito' médico e professor universitário.

Link:
http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=9bf31c7ff062936a96d3c8bd1f8f2ff3&subsec=&id=b69138debb4f03789503deed1d546576

Um extracto:

"Ah! Mas eu, mesmo sem ser psiquiatra, e sobretudo porque não sou psiquiatra, aprendi da Medicina, do treino médico que me foi dado e do que a prática me ensinou, que a homosexualidade é um “desvio” de comportamento, é um estado de doença comportamental. E não vejo sumidades de sexólogos a defenderem que a homosexualidade deva ser instalada como uma forma normal do existir social do homem, e até instada. Os psiquiatras, que bem sabem que não tive nunca nenhum acto de menor consideração para com eles, sabem , e direi, sabemos, que perante um seu doente que se lhes vai queixar das suas tendências homosexuais evitam naturalmente rotulá-los de doentes, mas antes ajudá-los a tentarem identificarem donde terá vindo, ou quando terá surgido, tal tendência, e apaziguam-nos, e não me parece que não tentem, até onde se imponha a prudência e o realismo clínico da situação, estimulá-los a preferirem a heterosexualidade. Dir-me-ão, por certo, que isso já se não faz muito, porque não dá sucesso, o mesmo é dizer que é incurável. Seja isso, não discuto, como não discuto a incurabilidade doutras doenças. Mas o que não deixo é de dizer que a homosexualidade é uma doença do foro psiquiátrico."

Julio Machado Vaz disse...

Zero,
A diferença confunde e assusta, mesmo muitos dos que juram o contrário. É preferível reconhecê-lo e evitar-lhe as consequências do que ter a boca cheia de palavras igualitárias e o coração a abarrotar de azedume xenófobo. Boa noite a todos:).

Zero disse...

Mas por outro lado dizem "nós estamos aqui, não nos escondemos, não temos medo das vossas indignações". Não é Andorinha?
Ou deviam ser politicamente correctos e viver, ainda que humilhados e descriminados, sem fazer barulho? É contraditório e este sentimento de contradição, por muito que custe intelectualmente a aceitar, é homofobia.

Sexologia Bipolar disse...

Por falar em promíscuidade...

"O transtorno afetivo bipolar é uma doença incurável, e os primeiros sintomas aparecem entre os 24 e 30 anos e não tem cura, segundo a medicina.

Em fase de mania, o sujeito apresenta uma elevação do humor fora de proporção e uma agitação completamente descontrolada. Existe também um aumento da energia que leva o sujeito à hiperatividade. Ele não consegue mais ficar parado, sentado por mais do que alguns minutos ou relaxar.

Existe um desejo muito grande de falar e uma redução muito grande da necessidade de sono. Não conseguem manter a atenção, e existe uma grande distração em seus pensamentos. O sujeito apresenta freqüentemente um aumento de sua auto-estima com idéias de grandeza e um aumento muito grande de suas capacidades. Em alguns casos há perda das inibições sociais que pode levar a condutas imprudentes, irrazoáveis, inapropriadas ou deslocadas.

Mesmo estando “alegre demais”, as chamadas “ euforias descontroladas”, explosões de raiva e muita agressividade podem acontecer, geralmente provocadas por algum motivo externo, ou por nada, mas da mesma forma como aparece se desfaz, só que deixa uma grande dor emocional, um sentimento enorme de arrependimento e vergonha de se redimir.

Os episódios de mania ainda podem vir seguidos de e idéias delirantes (em geral de grandeza) ou de alucinações ou de muita agitação, de atividade motora excessiva e de fuga de idéias de uma gravidade tal que o sujeito se torna incompreensível ou inacessível a toda comunicação normal. Esses são os sintomas maníacos psicóticos. E para entender melhor esses quadros dessa doença que vem atingindo um grande número da população, vamos explicar como o paciente se sente.

Em geral ele se sente muito bem, invencível e não tem limites para suas capacidades e energia, podendo ficar dias sem dormir. Em fase de mania ele tem mil idéias, planos, conquistas e se sente frustradísssimo se a incapacidade dos outros não deixar ele ir além. Ele não consegue acabar de expressar uma idéia e já está falando de outra numa lista interminável de novos assuntos. Em alguns momentos ele fica muito furioso e não se intimida com nada, nem com ameaças. Não reconhece autoridades ou posições superiores às suas, e com a mesma rapidez com que se zanga, esquece o ocorrido como se nunca tivesse acontecido nada. As coisas que antes não o interessava mais, causam-lhe agora prazer. Mesmo as pessoas com quem não tinha bom relacionamento, são para ele agora muito especiais.

Nessa fase, o doente, pode muitas vezes rir da própria desgraça e pode ainda de considerar-se um escolhido por Deus, uma celebridade, um líder nato. Inicialmente quando os sintomas ainda não se aprofundaram o paciente sente-se como se fosse ou pudesse ser uma grande personalidade, e com o aprofundamento do quadro essa idéia torna-se uma convicção delirante.

Continuando a falar sobre os sintomas dessa doença, em alguns casos, o senso de perigo fica comprometido, e ele pode envolver-se em atividade que apresentam tanto risco para integridade física como patrimonial. O comportamento sexual fica excessivamente desinibido e mesmo promíscuo tendo numerosos parceiros num curto espaço de tempo.

Peixedomar disse...

Sou homossexual e os exibicionismos de que fala a Andorinha são uma coisa que também me incomodava. Neste momento confesso que me é indiferente. Nunca participei em nenhuma manifestação. Não sei o que é isso de comunidade gay, nem acredito que haja algum loby gay. Mas sei que as televisões e fotógrafos só focam as imagens de folclore. Mas acreditam mesmo que esse carnaval é o dia-a-dia desses personagens? E as imagens exibicionistas do carnaval do Rio de Janeiro? já não chateiam? E aqui o raciocínio desemboca no texto "A propósito da heterossexualidade" e da necessidade do meu discurso.
Mas lembro-me de ter lido num livro do pedopsiquiatra Pedro Strech de que a homossexualidade não era uma doença mas devia ser vivida na intimidade e não em exibicionismos (cito de cor). Como sabem um beijo na boca, um abraço, umas mãos dadas são exibicionismo se for entre pessoas do mesmo sexo, pelo que se deve estimular a auto-repressão dos afectos...
E voltamos a cair no texto que colocou.

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras disse...

Se bem que...o meu sonho é que...nem reparassemos nas diferenças....Será uma utopia? É mais um dos meus sonhos não é?

gonçalo disse...

Caro Prof. JMV,


O conceito da heterossexualidade tem o silêncio que é próprio das palavras neutras. Aliás, num certo sentido, a heterossexualidade é neutra, não só porque não tem uma ideia que seja o seu oposto, como sobretudo pela indiferença que recebe.

noiseformind disse...

Éme,

lá para as 4 da manhã comentarei este artigo mais a sério, mas sinceramente não percebi esta posta. Eu sei que o Só Uma Opinião verberou ontem que seria nojento para uma mulher hetero mamar no clítoris alheio, mas ficaste a pensar nisso TODA A NOITE DE ONTEM?????????? E TODO O DIA DE HOJE??????????????????? Não achas que se pode chamar a isso um recalcamento? Ou tavas só a disfrutar da imagem? Ai ai ai, para quê pecar por pensamentos e palavras quando se pode pecar por actos? ; ))))))))))))))))))

Té já maralhos colegas

Sergio Figueiredo disse...

O exibicionismo é à partida uma demonstração de irreverência à sociedade que não aprecia a sua existência. Deste modo, é inevitável a sua vertente hostil, como que uma corrida às armas perante as apresentadas pelos homófobos. E todos sabemos que da "violência" não se colhe nada, é originado apenas cada vez mais ódio entre as facções.
Pior, existe manifesta vontade em declarar diferença, quando se luta tão ferozmente pela indiferença. É óbvio que guerrear ao invés de procurar uma solução pacífica é intelectualmente mais fácil, mas duvido que desta batalha saia um "vencedor", perpetuando-se o conflito.
Mas este tipo de comportamento já é característica da sociedade ocidental (de lembrar as manifestações feministas em sociedade machista - porque ainda o é, infelizmente).
Tendo em conta que não se procura atingir uma sociedade gay, e sim uma neutra, este género de batalhas é lesivo para a sociedade e para as facções que participam na guerra.

Anónimo disse...

The Girl In The Other Room

Porque custa mesmo muito não a poder beijar na rua, dar-lhe a mão, abraçá-la ou ter que fingir que somos apenas boas colegas e eu ter que me encaixar na vida dela como posso (e respeitar isso).

Uma das vantagens de ser mulher no ocidente. Sempre lhe posso segurar o braço, obtendo a indiferença de quem passa.

Porque custa mesmo não poder assinar com o meu nick usual. Quer dizer... poder posso... Aqui e em qualquer lado. Mas há consequências que não mereço e evito-as, é verdade.

Paula disse...

Para os que referem o exibicionismo das manifestações GLBT, se calhar é melhor observar uma por olhos mais neutros e não pelo que a maioria dos media nos mostra que é apenas a componente exibicionista (5% das pessoas que participa?!).

Para ter uma ideia mais aproximada da marcha gay, p.e. ver:
http://portugalgay.pt/news/marcha2005/

"A maioria das pessoas presentes é como o nosso vizinho do lado!" Com cartazes, como em toda a amnifestação, só isso.

Anónimo disse...

The Girl In The Other Room

A minha luta pela indiferença passou por contar aos meus amigos, todos eles heterossexuais, e que vêem que a homossexualidade é mais do que desfiles, ou plumas ou pinturas em dias marcados. Tem a ver com os afectos, com o amor e o prazer.

Se a maioria dos heterossexuais fizessem uma mínima ideia do que se sofre cada dia... Elevado ao quadrado.
Como dizia alguém no outro dia na televisão, num programa que muito estimo, "é tão bonito estar-se na primavera, ficar apaixonado, ter 16 anos e ser-se heterossexual".

andorinha disse...

Zero (11.14)
Dizerem "... não nos escondemos, nós estamos aqui" é uma coisa, exibicionismo à toa é outra.
Às vezes a sensação que me dá é que querem chocar por chocar e qual é a vantagem disso?
Não vejo nenhuma, a não ser criar repulsa em muita gente.
Claro que não devem viver escondidos e discriminados mas eu nunca defendi isso.
Aliás refiro mais essa discriminação ( em relação a dádivas de sangue) que eu desconhecia....
Há tanto ainda a fazer, só questiono o método que alguns escolhem.
Não me podes acusar de homofobia, não vejo nenhuma contradição no que digo.
Sou e sempre fui, contra qualquer forma de discriminação.

Julio Machado Vaz disse...

Gonçalo,
Gostava de acreditar nessa "neutralidade", mas não consigo. A heterossexualildade é silenciosa por ser a norma, o "natural" ou divino que dispensa justificação, explicações e - sobretudo:) - discussão!
P.S. Estava com insónias:).

andorinha disse...

Zero,
Só mais uma achega.
Espero que chegue a altura em que os homossexuais possam viver de uma forma natural, nem escondidos nem com necessidade dessas manifestações.
Aí serão pura e simplesmente pessoas; pessoas que fazem sexo com quem lhes apetecer sem que isso seja motivo de discriminação.
Se isto é ser homofóbica....

Zero disse...

Andorinha
todas as minorias e nisto incluo todas as pessoas com direitos diferenciados, como já foram, por exemplo as mulheres, precisam de se expor e lutar e... para conseguir a igualdade. Também com as mulheres aconteceu, quando começaram a manifestar-se, haver vozes que diziam que era inapropriado aquele tipo de luta. E isso, era ou não, descriminação? Vês alguma diferença substancial?

Paula disse...

Andorinha,

Será que @s homossexuais e outr@s devem ficar ficar sensibilizad@s pela atenção? "Aliás refiro mais essa discriminação ( em relação a dádivas de sangue) que eu desconhecia...."
A cretinice às dádivas de sangue tem décadas.... Sim, deviam indagar da multiplicidade de parceiros duma pessoa e não da sua orientação sexual. Aliás, nos últimos anos, o aumento de DSTs como a SIDA tem sido bastante mais marcada em heterossexuais. Que tal proibir os heterossexuais de dar sangeu?! :-)


The Girl In The Other Room

Não será melhor não nos vitimizarmos? É verdade, as coisas às vezes podem ser difíceis, mas não é escondemo-nos que vamos conseguir 'ter uma vida como toda a gente'....

Anónimo disse...

Quem não tem mail à vista habilita-se a comentários que de comentários ao post têm pouco, mas não consegui resistir a pedir-lhe se esta coisa, escrita por quem puxa dos pergaminhos de médico, não lhe faz um bocadinho de cócegas. A si e ao colégio da sua especialidade na Ordem, bem entendido:
http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=9bf31c7ff062936a96d3c8bd1f8f2ff3&subsec=&id=b69138debb4f03789503deed1d546576

Pamina disse...

Concordo inteiramente com o ponto de vista do Prof. JMV(10.37).
Acho muito importante a "condição não negociável" por ele referida. Veja-se o testemunho posterior do Peixedomar(11.32)relativamente a este aspecto. Penso que uma militância forçada, ou a culpabilização em caso de não adesão, poderão ser tão ou mais terríveis do que a própria discriminação.
Gostaria ainda de destacar as seguintes frases deste comentário:"Como sabem um beijo na boca, um abraço, umas mãos dadas são exibicionismo se for entre pessoas do mesmo sexo..." Quando deixar de ser assim, julgo que estaremos "lá".

gonçalo disse...

Caro Prof. JMV,

De acordo.

Quando fiz referência a uma certa ideia neutral na heterossexualidade, foi por entender que se trata de uma palavra sem antagónico. Se a qualificamos como a norma, podemos falar em excepção, mas nunca numa palavra que se defina por oposição à heterossexualidade. Como refere o texto que "postou", a homossexualidade faz parte de outro espaço conceptual.

PortoCroft disse...

Caro Prof. m8,

Quem é hetero, se sente uma necessidade premente de manifestar a sua sexualidade, quando ela é considerada a "norma", não estará inconscientemente a revelar insegurança sobre a sua própria sexualidade?

Tem-se aqui falado muito de homofobia, por parte dos heteros. Nunca se falou de homofobia , nem de heterofobia, por parte de homossexuais. Para quando? ;)

RAM disse...

Zero (e Caríssimos de mais), a questão que aqui está em causa não é a do direito à luta pela igualdade de direitos e deveres.
Essa ninguém coloca em causa.
(penso eu de que :)
É o "modus operandis" que é questionado pela Andorinha (certo?), ou, pelo menos por mim.

Já que estamos em maré de citações, deixo-vos este excerto do livro de um dos mais brilhantes sociólogos franceses da actualidade (Alain Torraine). Diz ele:

"... graças à Aides, associação criada por Daniel Defert. A sua acção, orientada para objectivos concretos, foi eficaz: prevenção, mas sobretudo ajuda aos doentes e luta contra a discrminação e contra as reticências de uma parte do próprio corpo médico. Todavia, as limitações que impôs a si própria impediram-na de se tornar um instrumento de airmação homossexual, objectivo relativamente ao qual se manteve sempre muito resevada.
Essa afirmação homossexual operou-se simultaneamente sob o efeito da estratégia mais agressiva da Act Up, fortemente difundida pelos meios de comunicação, e através de acções espectaculares e de manifestações mais festivas e comerciais.
A acção da Act Up em França, como nos Estados Unidos, é um exemplo de vanguardismo cujas provocações atraem grande apoio, MAS CONTRIBUEM MUITO MENOS DO QUE A ACÇÃO MAIS INSTRUMENTAL DA AIDES PARA FORJAR UMA CONSCIÊNCIA DE ACTORES COLECTIVOS. [...]
O Gay Pride foi, durante alguns anos, o princuipal local de expressão dessa consciência homossexual reivindicada, antes de se transformar numa operação mais comercial.
O resultado final é positivo. Os homossexuais obtiveram direitos - continuam a lutar para obter outros - e adquiriram uma consciência cultural colectiva.
MAS OS DIVERSOS ELEMENTOS DO SEU MOVIMENTO CONTINUAM SEPARADOS UNS DOS OUTROS: A AIDES TRABALHOU AO MÁXIMO NA FORMAÇÃO DE UMA CONSCIÊNCIA DE SI PRÓPRIOS; a Act Up combateu sobretudo adversários, ENQUANTO ACÇÕES MENOS ORGANIZADAS (MAS MUITO APOIADAS DO EXTERIOR, EM PARTICULAR NO PARTIDO SOCIALISTA) CONSEGUIRAM UM CERTO RECONHECIMENTO DOS DIREITOS CULTURAIS DOS HOMOSSEXUAIS.

gonçalo disse...

Portocroft,

O seu comentário suscita uma questão importante e interessante que é o medo, por vezes irracional, da heterossexualidade. Talvez seja boa ideia fazermos um dia essa discussão aqui.

Até amanhã.

Paula disse...

Caro PortoCroft

É claro que sendo toda a gente 'humana' nunca está a salvo de discriminar outros, por muito irracional que isso seja. Mas já agora, os heterossexuais, se se podem considerar 'um grupo' ;-), não se discriminam entre si? É claro que idealmente, os grupos minoritários 'deveriam' ser mais unidos.... Mas sendo a natureza humana o que é..... Mas já agora, acredita que a 'fobia' dos homossexuais em relação aos hetero seja percentualmente maior (ou muito significativa) do que a dos heterossexuais em relação aos homossexuais?

"Just asking..."

PortoCroft disse...

Gonçalo,

Também me parece que sim. ;)


Paula,

Não me parece importante, para o debate proposto, a avaliação quantitiva. O importante é olhar o prisma por vários ângulos. Isto é, se realmente se querem construir pontes.

PortoCroft disse...

corrigenda: Quantitativa...

Paula disse...

PortoCroft

Concordo que é "importante é olhar o prisma por vários ângulos". Mas devo confessar que me custa ver tanta gente a opinar sobre homossexualidade quando parece ter 'tão pouco contacto 'com esse mundo''. Um pouco cansada de estar sempre à defesa, talvez....

PortoCroft disse...

Paula,

Para isso servem os debates. E não é a ignorância a causa maior das discriminações? ;)

Orange disse...

Eu acho que, no que toca à não-discriminação, há uma separação entre o que se pensa, o que se racionaliza e depois o que se sente à flor da pele. Os debates são um bom início, mas muitas vezes é pelo coração que se derruba o muro.

Paula disse...

Elsa,

Sim, claro, pelos afectos pode-se 'derrubar' barreiras inantigiveis pela razão. Mas isso tem efeito na nossa vida pessoal, com a família, os amigos, os colegas. Embora muitas vezes demore meses ou anos. Mas, e para mudar as leis? E para evitar insultos e agressões? Será que apenas a vivência do dia a dia chega?

Orange disse...

Talvez não chegue. Sobretudo a vivência do dia a dia dos legisladores.

Rosebud disse...

"Anónimo",
não se sinta ignorado. Ninguém parece ligar à sua referência ao artigo d'O Primeiro de Janeiro porque o mesmo já foi amplamente comentado no decorrer do post 'O Álibi', de domingo 24.
:)

noiseformind disse...

Cá estámos, postas de pescada para aqui... postas de pescada para ali... a Net não revolucionou verdadeiramente as pessoas ou as convresas que acontecem entre elas, não se tentam verdadeiramente compreender um assunto, a vontade automática (e pq não autonómica) em opinar sem outra fonte que não um processo químico no cérebro ganha claramente à procura de informação. Informação que hoje é virtualmente ilimitada via online. Tenho pena que ainda não tenha acontecido aqui uma única citação científica, e são milhares as que podem ser feitas. Afinal, toda esta conversa que cá estámos a ter vem de uma citação científico-social específica. Mas as mentalidades mudam muito mais lentamente que os meios técnicos, tás a ver o que eu disse Zero? Temos aqui a revolução da mente, saber instantâneo para fundamentar as nossas palavras, mas fazer uso dele, da pequena busca, parece proibido. Se fosse posta dada a poemas, já estava isto inundado de palavras alheias. O que mostra tb a grande ileteracia inglesa que grassa em Portugal, COntinental ou Bananeiro. Mas pronto, são 3 da manhã, quero ir dormir.

Já agora, fica a achega: as lésbicas que se assumem passam por um conjunto de alterações integracionais de grupo, como se pode ler no artigo "The Impact of Group Membership on Lesbians' Physical Appearance" de Ilana D. Krakauer.



"Most participants indicated making distinct but modest changes in their physical appearance after coming out as lesbians. These changes were in the direction of their pre-coming out conceptions of lesbians as being butch or androgynous in appearance. A majority reported cutting their hair shorter, wearing more comfortable shoes, or adopting a less traditionally feminine appearance after coming out. Participants also said they significantly less often wore dresses, used makeup, and shaved their legs and underarms. A significant decrease in body weight concern also occurred after coming out. Other changes in physical appearance are discussed. Participants believed that the changes were influenced by the opinions of other lesbians, their desire to signal prospective partners, and by becoming more comfortable with themselves. Implications of these results are discussed in terms of peer group norms, group identity, and sexual signaling."

Ou seja!

A pertença a um grupo e a possibilidade de expressar a sua pertença, mesmo que por mdanças subtis, faz toda uma diferença na qualidade de vida de uma pessoa. Se estes gestos tão simples referidos no estudo mudaram tão revolucionariamente a vida as participantes, imaginemos o estado mental em que vivem os que de entre nós partilham carência por correspondência afectiva de outros que são seus iguais genderisticos. Obviamente quem pertence a um grupo oprimido tem tendência a expressar-se de forma mais exuberante, tentando vencer a barreira "oficial" que cada um coloca entre o seu grupo, os "normais" por acaso, e a "comunidade gay", que dá ideia que estão ali todos numa ilha identificados e com luzes à volta.

Gust A Yep é claro no seu estudo da "hetero-normalização" como perocesso que afecta a própria construção erótica e cuja definição é

"HETERONORMATIVITY (heteronormative): Those punitive rules (social, familial, and legal) that force us to conform to hegemonic, heterosexual standards for identity. The term is a short version of "normative heterosexuality."

Heterossexual não está marcado à partida em nenhum debate como questão detractora, não é veiculada informação contra se ser heterossexual, nem se perde tempo a discutir se se é heterossexual por opção ou por causa genética nem se coloca a lógica biológica da heterossexualidade em causa. Desde o nosso nascimento, inclusivé os que de nós são homossexuais, somos bombardeados por elementos normativos de tal ordem que poucos são os homossexuais que não se julgam estarem do lado errado na altura das primeiras afirmações, como a questão de até meados dos anos 90 as fases de convivência com a homossexualidade serem PARA OS PRÓPRIOS HOMOSSEXUAIS obedientes ás curvas de convivência com a doença e lá estávamos a falar de aceitação, recusa, raixa e bla bla bla. Não era uma doença, mas como o processo de assumpção se enquadrava no de uma doença então esse enquadramento era bom e nada de o questionar. Só no fim dos anos 90 se passou para um enquadramento não-discriminatório À partida, que obviamente ainda não chegou a Portugal.

Pessoalmente, as senhoras que tão bem referiste Éme, gosto mais delas pelo debate acesso que tivem com a Boyd sobre a questão de qual o posicionamento discursivo em relação aos direitos dos homossexuais: direitos humanos ou saúde mental? Para mim esta questão, um pouco já demasiado dentro da própria comunidade homossexual é determinante para a compreensão de uma dupla evolução que me parece evidente. Por um lado a legalidade da homossexualidade e igualdade de direitos ajudam a libertar as pessoas, por outro este enquadramento em quadros legais pré-existentes cria debates sobre um vitória a longo prazo da heteronormalização ao serem enquadradas as relações homossexuais em contextos legais heterossexuais.


; )

Time to go count sheep guys

; )

Beijos farfalhudos


Peter

Paula disse...

noiseformind,

Não vejo porquê o espanto de as opiniões não serem baseadas 'em fontes' científicas. Que eu me tenha apercebida este não é um espaço para profissionais.

Quanto ao artigo referido, causa-me alguma estranheza. De que data é? O que me tenho apercebido é um pouco o contrário. Nas últimas 2 décadas, muitas das mulheres homossexuais têm deixado de assumir atitudes/aparências mais masculinas (ou menos femininas, o que quer que isso seja) sobretudo quando se assumem. Variações individuais à parte, parece-me que a recusa 'duma' feminilidade deixou-se de ser obrigatória para se 'reivindicar/viver' uma vida 'fora da norma'.

Mas, como em tudo, só levantamentos com validade científica podem nos dar a 'fotografia' da realidade, não? De resto são um pouco opiniões, ou versões parciais da realidade.

Zero disse...

Noise
"Mas as mentalidades mudam muito mais lentamente que os meios técnicos, tás a ver o que eu disse Zero?"

Não. Não percebi puto, pêva, niente, zug!
Estou na dúvida se esse andar de caracol das mentalidades me é destinado. Faça favor de colocar o código postal, que é o mesmo que dizer... O quê?

yulunga disse...

Bom dia maralhal.
Eu gosto de ter amigas lésbicas.
A sensação que tenho é a mesma de quando se partilha meio frango com um amigo que nos diz logo: Eu fico com o peito!

lobices disse...

...bom dia maralhal
...et vive la diferrence!...

lobices disse...

...retirado do blog da Maria
putadevida.weblog.com.pt
.................................
A física no amor:
...
Se você achava as aulas de Física perda de tempo, saiba que parte do sucesso e do prazer depende da Física. Há mais Mecânica e Electricidade entre os lençóis do que sonha nossa anatomia. Descubra agora como a ciência e o sexo se unem entre quatro paredes.

Hermodinâmica
É a circulação sanguínea, sem a qual nada dá certo. A tesão aumenta o fluxo de sangue para o pénis e a pressão comprime as veias de retorno. O sangue, impedido de sair na mesma velocidade em que chega, se acumula, mantendo a rigidez do leão.

Atrito
Está presente em todos os momentos. Tenha cuidado com ele: em excesso acaba esfolando. Por isso são importantes as carícias iniciais, pois estimulam a lubrificação vaginal mantendo a máquina em funcionamento. Será que é por isso que dizem "trocar o óleo"?

Movimento circulatório
É como um êmbolo num cilindro. A amplitude do movimento depende do tamanho do êmbolo (e do cilindro). Esqueça o êmbolo e mantenha o movimento harmónico simples ritmado e em frequência constante. O cilindro irá à loucura.

Tensão eléctrica
Ela surge no final. Nessa hora, já se pesquisou, a energia térmica e mecânica que seu êmbolo fez acumular se converte em tensão eléctrica. Não dá choques, mas activa muitos neurónios.

Checando resultados
Você não precisa de um voltímetro para verificar se ela chegou ao orgasmo. Use a hermodinâmica, que também funciona nos mamilos dela. Se eles murcharem é sinal que o tesão dela já passou.
(Leonardo Mourão)


...
alguma pergunta?
:)))

yulunga disse...

Lobices, perguntas não, mas um áparte sim.
Voltimetro é essencial sim.
Que eu saiba a única marca de pilhas que têm auto-teste de voltagem são as Duracell.
Afinal viva a diferença de poder escolher outras marcas.

zzzzzzzzzzzzzzz disse...

dorme bananeiro dorme zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

yulunga disse...

Lobices
Essa descrição fez-me lembrar um programa de rádio que havia salvo erro com o Carlos Cruz, que se chamava Sexo no Ar ou então era uma das rubricas que tinha esse nome, onde eles faziam a descrição duma relação sexual, e que diferia de tecnica em todos os programas.
A parte que mais gostava era quando chegava ao movimento do vai-e-vem e onde ele terminava desta forma: e prossiga assim até ao final.

noiseformind disse...
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noiseformind disse...

Paula, é precisamente a ideia de pertença e a exteriorização que permite ás pessoas assumirem uma vivência nao-martirizada que permitam a sua integridade emocional. Quando alguém se assume tende a deixar de "rectificar" o seu comportamento em função da heteronormalização.

Zero, tens toda a razão em não ter percebido, essa adenda inseria-se na discussão que já trago há alguns posts com o Ram sobre a primazia da revolução, ideia da psique e do indivíduo ou resultado da associação da turba ; )))))))))))) as desculpas pelo lapso, afinal... eram quase 4 da manhã ; )))

Paula, em relação à cientificação dos discurso, o post refere autores, autores que podem ser perfeitamente ser inseridos no google ou outro qq motor de busca. A completa ausência de justificação cientifica mostra o grau de academização que estas questões têm na sociedade portuguesa, da qual nós somos uma amostragem ; ))))))))))))) daí que ainda aparecem pessoas a falarem em homossexualidade como escolha ou a pugnarem pelo direito À indiferença, ou a compararem a luta pela igualdade de direitos das mulheres, essencialmente resultado de duas guerras mundiais, com a luta pela diferença homossexual. Com tal amplitude de pensamento, pode-se perfeitamente dizer uma coisa e o seu contrário sem qualquer problema, ao não estar comprometido com fontes avalizadas. Tá a ver? (Estilo Cascais ; ))) )

O bananeiro vai dormindo e o mundo pedalando, Espanha, como referi já algumas vezes em termos de evolução social e normalização de direitos passaram de atrasados em relação a nós para a anos-luz de nós. E ainda dizem que os países pequenos tendem para mundaças sociais estruturantes mais facilmente... FOSGA-SE ; ))))))))))))))

noiseformind disse...

Dou um exemplo bastante simples de expressão sexual. Há pouco mais de 10 dias foi anulada a lei que no Texas proibia (!!!!!!!!!!!!) o sexo anal entre homossexuais, a sodomia (outra chaveta escondida) concensual. Durante todos estes anos os homossexuais texanos viviam a sua vida de forma incompleta, sendo a sua actividade sexual motivo de prisão (e foi durante dezenas de anos). Ora obviamente este factor não é exógeno a comportamentos correctivos na conduta homossexual, existindo um factor de legalidade associado áquilo que ele irá fazer na sua maior intimidade. Este é um exemplo extremo de politização de uma expressão pública, como os ainda há pouco apedrejados rapazes no Irão. É, obviamente, uma forma extrema de castigo social de uma orientação, mas o exemplo texano sendo menos extremo para mim é tb muito mais interessante, na medida em que era uma "panaceia" legal em que se podia acusar e esperar que o arrastar da pessoa na lama fizesse o resto em relação à sua condição. E foi revogada à apenas poucos dias...

E já agora, não existe nenhuma lei no Texas que proiba o sexo entre mulheres. Lá está, como dizia ali o Éme à Leonor na piada dos pescadores das Caxinas: "Oh pá, então apanhaste-as juntas e deste-lhes uma coça? Pra q? Mulher não enfia...". E não esquecer que os valores de orgasmicidade nas relações homossexuais femininas são alucinantes comparados com a orgasmicidade das mulheres em relações heterossexuais. O preconceito face ás lésbicas, na minha opinião pessoal, tem muito mais a ver com orgulho ferido macho do que propriamente dano à "ordem natural". Um medo atemorizador pq via banco de esperma o homem é excluído da procriação... mas isto dá pano para fazer um vestido de lantejoulas travado até aos calcanhares... ; )))))))))))) mas se puxarem para aí... a ver vamos maralhos friends

yulunga disse...

"não esquecer que os valores de orgasmicidade nas relações homossexuais femininas são: ALUCINANTES??????"
Cavalheiros, vistam saias, vistam saias.
Peter és escocês?

Orange disse...

Se o preconceito masculino hetero relativamente às lésbicas tem a ver com o orgulho ferido de macho, o preconceito feminino hetero terá a ver com o quê?
É que no primeiro caso surgem sentimentos ambíguos entre a fantasia da participação e a condenação.
No segundo, haverá alguma fantasia de participação? Ou será só repulsa mesmo?

noiseformind disse...

Yullie, 75% dos homens heterossexuais atingem o orgasmo em 100% dos actos sexuais, as mulheres heterossexuais em 28% e as mulheres lésbicas a atingir sempre o orgasmo são quase 90% ; ))))))))))))))))) o que andam tantas meninas a perder... tantas tantas tantas... têm de passar a escolher mais serem lésbicas, diria o SóUmaOpinião loooooooooooooooooool

Elsa Curado, excelente questão. Mas pelo nros ali em cima eu diria, como boa drag queen que ainda espero vir a ser... é inveja rapariga... é invejaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

; )))))))))

noiseformind disse...

Atenção!!!!!!!!!!!! Estes nros são para a Austrália!!!!!!!!!!!!! Nada de comparar com Portugal, onde as mulheres nos perguntam alegremente como se fosse a pergutna mais natural do mundo: "o que é um orgasmo ao certo?"

Até logo à noite maralhenses colegas de labuta

yulunga disse...

Noisy
Eles com elas em 75%.
Elas com elas em 90%.
Elas com eles em 28% :(
Por nós a coisa dá-se.
Pergunto: O que é que vocês não andam a fazer?

Orange disse...

Numa sociedade onde a diversão e o prazer do outro são altamente controlados, limitados e invejados, o preconceito e a legislação que temos fazem sentido.

Orange disse...

E eles com eles?

Pooha disse...

Concordo com o Zero! Essas altas horas da madrugada não são compatíveis com o chamado serviço publico! E depois, uma pessoa ainda vai para a cama a pensar no que ouviu, nem que seja na diferença entre clitóris e clítoris! ;)

Noiseformind: atrevo-me a dizer que essas mulheres que nao sabem o que é um orgasmo sejam na sua grande maioria (e so para deixar um espaço à duvida!) heterossexuais. Provavelmente (e é interessante pensar nisso) mulheres lesbicas têm mais á-vontade com a sua sexualidade: caramba, pelo menos pensam sobre ela nem que seja porque a sociedade obriga! e seguem aquilo que lhes dá efectivamente prazer...
Ou sera que estou a ver mal e a discriminar pelo outro lado?

yulunga disse...

Noisy se calhar o desconhecimento do orgasmo também parte do tabu na falta de conhecimento do próprio corpo, na falta de lhe mexer de o explorar.
Masturbação soa mal?

PortoCroft disse...

Yulunga,

Sua devassa. A falar de masturbação num blogue sacro. A tua penitência é te ajoelhares e rezares muito, toda a tarde. Mesmo que o teu chefe não esteja pelos ajustes. ;))))))

yulunga disse...

Portocroft, devassa?
Queres ver que a unica pessoa normal aqui sou eu, não?

Anónimo disse...

Para o Mr. Noise:
Eu disse (conforme reitero aqui) que há muitos homens heteros que refreiam o desejo de experimentarem fazer um fellatio a um outro homem, da mesma maneira que há muitas mulheres heteros que refreiam o desejo de experimentarem fazer um cunnilingus a outra mulher.
Isto, para dizer que não existe "medidas" no desejo sexual; isto para dizer que a grande maioria das frustrações, das depressões e outras coisas terminadas em ões, são provocadas pela inibição de sermos livres e de fazermos o que tivermos vontade de fazer.
Falta-nos a coragem de assumir que seríamos capazes de um acto homossexual apenas pelo desejo da líbido em tal o fazer.
Provavelmente, uma lésbica é capaz de sentir a vontade de experimentar sentir um pénis dentro da sua vagina ainda que sinta que a sua escolha seja a vagina e o corpo da sua companheira;
O que eu quero (ou quis) dizer é que todos nós temos uma varidedade de apetências que não podem ser catalogadas; o facto de eu ser e me considerar um heterossexual, ou seja, apenas gostar de estar com mulheres (na medida em que sou do género masculino), isso não significa que não fosse capaz, se a ocasião se proporcionasse de experimentar um acto sexual com outro homem. É algo que faz parte da líbido e do desejo e não das tendências ou das escolhas. Logo, o prazer sexual será sempre a última escolha que se fizer nesse sentido; nada disto oprime ou vai decretar que por ter cometido um acto homossexual possa ser considerado um ser homossexual; daí o saber-se que existem muitos homossexuais que também são heterossexuais, ou seja, tanto se satisfazem com um ser do mesmo género como com um do género contrário.
A sexualidade é muito mais simples do que o que nos "ensinaram". O ser humano, melhor dizendo, a Sociedade, criou os mitos e o Homem "sofre" por causa deles, porque não é livre de escolher ainda que, dentro de si mesmo, saiba de antemão que a "coisa" mais valiosa que possui é a capacidade de escolha.
Mas, infelizmente, é-lhe coartada essa mesma escolha.

-
Isto foi o que eu escrevi:
Já alguém se deu ao trabalho de tentar ser honesto (uma vez na vida) consigo mesmo em matéria de procura de novas formas de prazer e, imaginar um homem hetero o que seria ele mesmo, hetero que é, fazer um fellatio? Imaginar uma mulher hetero, perfeita vagina a desejar um pénis, mas imaginar o que seria ela experimentar o que será fazer um cunnilingus?

apenas uma opinião disse...

este anónimo é o
"apenas uma opinião" de ontem

apenas uma opinião disse...

Yulunga:
MASTURBAÇÃO é óptimo; não soa nada mal. Masturba-te sempre que te apeteça; qual o problema?

Tangas disse...

o post do senhor carlos sampaio é perfeitamente extraordinário... até tremo de pensar na sandice que se segue.
senhor julio machado vaz, eu faço aqui o meu acto de contrição, porque sempre achei que o senhor é o último dos machistas, disfarçando genialmente, claro, mas m-m-m. só que tenho de lhe tirar o chapéu, porque consegue fazer a distinção entre muita coisa que, por experiência própria, sei ser difícil explicar (quanto mais entender) à maioria das pessoas.
e tiro-lhe também o chapéu pela oportunidade com que lança os conceitos dos senhores kitzinger e wilkinson.
caro zero: o exibicionismo idiota é dos meios de comunicação, não é da comunidade gay. porque, se reparar bem, quem escolhe os takes e as imagens que ilustram habitualmente os lgbt, são os chefes de redacção, editores e directores dos média. a sua crítica devia, pois, dirigir-se a eles. acha que a presença discreta de um casal de namoradas que não esteja pintada, mascarada ou aos guinchos interessa alguma coisa a um repórter fotográfico? desde quando a normalidade é notícia?

PortoCroft disse...

Yulunga,

Mais que devassidão, isso é egoísmo. Deve-se sempre partilhar as carnes do cozido.;))))

Já volto.

yulunga disse...

apenas uma opinião
Depois de uma exposição tão bem arrumadinha sobre a homo e a heterossexualidade, esse "Masturba-te sempre que te apeteça; qual o problema?" soa-me no minimo a desrespeito pelo meu comentário.

apenas uma opinião disse...

Olha que não, olha que não
querida comentarista Yulunga
bem pelo contrário
respeito tudo e todos
e é esse respeito que tenho pelas pessoas que faz com que escreva o que escrevi.
Abomino a hipocrisia.
Se me faz bem e sinto prazer em me masturbar, qual é o problema? Faço-o; foi isso que eu quis dizer.
Não tomes isso por desrespeito.

yulunga disse...

Apenas uma opinião
Se foi um comentário sério ao meu achei-o despropositado.
Se foi uma tentativa de levar a conversa para a malandrice, coisa a que não fujo, achei-o fácil demais.
Resumindo: Seco.
Tens a noção que essa palavra tem a magia de mexer com as pessoas tanto no bom como no mau sentido, de direccionar uma conversa tanto no bom como no mau sentido também.
Disse-a num sentido, senti o comentário noutro.
Quando não gosto, digo-o.
Tal como peço desculpa se interpreto mal.
Tá-se bem!

yulunga disse...

Ah...
E claro também tem o dom de retrair

yulunga disse...

Noisy
E que respondes ou perguntas tu quando te perguntam "o que é um orgasmo ao certo?"

Anónimo disse...

Ó Prof Murcon já telefonou aos seus netos, hoje?

Stardust disse...

Yulunga (10:07 AM)

looooooooooooooooool...

Lindo!
(e eu que pensei que a maioria preferia a perna! ;))

andorinha disse...

Zero(12.37)
Desculpa não te ter respondido ontem, mas já estava a cair de sono.:)
"...todas as minorias precisam de se expor e lutar para conseguirem a igualdade".
Isso não contesto, é evidente que é assim.
Penso é que há outras formas de o fazer, continuo na minha.

ram(1.02)
Exacto. É o "modus operandi" que questiono.
Até que enfim que há alguém que me compreende!:)))))

Paula (12.44)
Não percebi patavina do teu comentário ao meu comentário.:)
"Será que os homossexuais devem ficar sensibilizados pela atenção?"
Estás-te a referir concretamente a quê?!!!
O que dizes a seguir corresponde em muito ao que eu penso, portanto não entendi.

andorinha disse...

Yulunga (1.42)
Não querias mais nada, não? :)))))

Stardust disse...

Em relação ao tema, não tenho tempo para ser mais que sucinta no comentário:
mais do que ser uma classe, minoria, grupo, bla bla bla... não é a homossexualidad apenas mais uma variabilidade menos frequente?!
Claro que há demasiado preconceito... e ainda estamos a anos-luz de o ultrapassar (se bem que Espanha, sendo um país tão profundamente religioso, me surpreendeu com a atitude face a este tema!); claro também que há que fazer-se ouvir e nem sempre se concorda com a maneira de o fazer.
O que eu sei é que os amigos que tenho e que se encaixam nessa essa "frequência" ignoram o chamado "associativismo da classe". O que também sei é que sofrem ter de viver cada dia numa mentira (mesmo saindo do armário!).

Raquel V. disse...

Prof, ainda que sabendo q não está dentro do tema:
POR UM MUSEU DE TODOS E PARA TODOS
http://www.petitiononline.com/AMARTE/petition.html
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A primeira vez que tive contacto com a história foi através de um blog de alguém que habita em Viseu:
Ana Paula Abrantes cancelou todas as intervenções e exposições organizadas pela direcção cessante para o Dia Nacional do Museus, a realizar a 14 de Maio. A explicação que deu é de bradar aos céus. Afirmou que, em início de funções, não queria chocar os visienses.
http://filhosecadilhos.blogspot.com/2005/06/museu-gro-vasco.html

Obrigada pelo tempo de antena.

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PS: se alguém censura a arte de forma "tão simples", parece-me óbvio que ainda estamos a anos luz de aceitar a diferença seja de quem for...

Acho que nada é mais simples: é "suposto" os animais racionais acasalarem fêmea/macho por questões de procriação. O resto é acrescento. Sejam quais forem as razões para a homossexualidade, discute-se demasiado os porquês e pouco a aceitação do "outro" como indivíduo.
Pouco académica a minha opinião... eu sei.

Fiquem bem...

PortoCroft disse...

Raquel,

Já assinei.

PortoCroft disse...

O link é:

POR UM MUSEU DE TODOS E PARA TODOS

Assumida Mente disse...

Há bem pouco tempo tivemos oportunidade de debater conceitos como bissexualidade e homossexualidade no nosso blog.
No fundo, acredito que tanto a heterossexualidade como a homossexualidade são conceitos silenciosos em nós. Tal como não "sonorizamos" a cor dos nossos olhos ou o tom dos nossos cabelos, não nascemos a pensar que orientação sexual teremos.
Por isso concordo que de facto a orientação sexual só se torne tema de conversa quando é questionada pela sociedade!
Não é a heterossexualidade que é silenciosa, é a sociedade que não consegue compreender que o ser humano é muito mais complexo que qualquer conceito!

Quanto à questão do exibicionismo gay que aqui se tem debatido, bom, acreditar que todos os homossexuais são exibicionistas ~seria cair em duas falácias: a primeira a de que todos os Homossexuais são assumidos e andam por aí aos beijos na rua, a segunda aquela que teria o seu correspondente heterossexual no entendimento de que, lá porque um par de namorados (ele e ela) se beija quase pornograficamente na esplanada de um café, todos os heterossexuais têm exactamente o mesmo comportamento!

Ah, meu Deus, o tanto que ainda há para mudar nestas mentalidades!!!

Paula disse...

Andorinha,

Bem, achei o seu comentário um pouco paternalista (ou, sem pretender ser pomposa, mas porque parece uma palavra mais adequada, usando o inglês 'Patronising'), nomeadamente "Aliás refiro mais essa discriminação ( em relação a dádivas de sangue) que eu desconhecia....". Por que isto, é uma que conheço há anos. Mas, como muita da informação das associações GLBT não é divulgada na imprensa, grande parte das pessoas se calhar não dá por isso...

Quanto às manifestações, nomeadamente marchas, não vejo porque hão-de chocar tanto. O que se calhar é chocante é a cobertura que os media lhes dá. Mas já agora, alternativas eficientes para dar um empurração nas mudanças de mentalidades e leis, ou para denunciar perseguições, como tem acontecido em Viseu?

noiseformind disse...

Yulunga, não queria que morresses sem saber (pelo menos teoricamente)o que era um orgasmo ; )))))))) existem duas definições fundamentais de orgasmo, e como os pénis dos homens uma é longa e outra é comprida, mas ambas servem ; )))))))))))))))))

A curta é Kinseyana e, por afecto universitário, a minha preferida, e diz que orgasmo é uma alterção do micro-campo biolelectrico do cérebro em que a corrente electrica passa para 320 micro-joules vinda de 220 ou 260 micro-joules. Descendo após os orgasmo abaixo dos 250 micro-joules não poderá ser repetido sem descer dos 220 (mulheres mono-orgásmicas ou como gosto de chamar neuro-passivas) e o processo estimulatório terá de ser repetido e ficando acima dos 250 micro-joules o estímulo continuado irá provocar outro, e outro e outro e outro orgasmo.

A longa (vulgo africana) é a descrição químico-mecânica do processo de orgasmo que pode ser resumida desta forma (nunca mais saio daqui agora) em que o orgasmo é guiado pela função nervosa compassiva que liberta epinefrina (hormona de tensão emocional) e norepinefrina (hormona de feliz/prazer) de dopamina (hormona de felicidade/boa disposição. Se há intensidade suficiente dos sinais de estímulo transmitindo ao cérebro, o cérebro/pituitária primeiro liberta a oxitocina, hormona de orgasmo, para iniciar a contracção dos músculos vaginais e útero (também o músculo de osso de cauda, dependendo de nível de orgasmo) na cavidade pélvica, e então a prolactina inibidora de orgasmo para parar orgasmo depois da dopamina do cérebro e fazer descer a de testosterona. Para obter um orgasmo vaginal primeiro tens que ereccionar os tecidos esponjosos uretral/vaginais (como o pénis no tecto vaginal) e assim terás orgasmo vaginal. O ereccionar de tecidos esponjosos fará com que estes receberão mais testosterona do fluxo de sangue de hormona e então testosterona de activação com enzima reductase de 5 alfas que farão aumentar a sensibilidade de seus nervos de G e mais ainda: dilata os tecidos de erecção e desencadeia um incremento violento de oxitocina (exigindo o cérebro dopamina química e testosterona masculino de hormona) e a função compassiva para orgasmo. Sem o incremento desta hormona para iniciar a contracção do orgasmo vaginal (cóccix de ou/e), não acontecerá orgasmo vaginal. O orgasmo Clitoriano não exige nenhum oxitocina. Se há um incremento de oxitocina, contracção de orgasmo será estendida à secção exterior da vagina; se não, será limitado ao eixo de clitoriano e para base e a área vaginal de orifício, sem entrar na vagina. A maioria de orgasmos clitorianos é uma reflexão directa dos nervos sexuais compassivos nos L1 de espinhas dorsais e L2 (L2 junta L1) ao estímulo intensivo do clítoris via o Afluência Somático Geral (GSA) de fibras nervosas. Quando o estímulo é intenso demais, o interneural de campo bioelectrico troca entre as fibras de GSA e fibras compassivas estão em, sem despachar ao cérebro para a liberação de oxitocina que exige Dopamina suficiente de neurotransmissor e testosterona. É como um fusível de terra (usado nas tomadas perto da pia e piscina e no banho ou casas de banho) que desliga a corrente eléctrica para prevenir choques eléctricos (semelhante ao orgasmo choca ao cérebro) quando a corrente de circuito esta fora do limite. Ufaaaaaaaaaaaaaa estou farto de escrever sobre o orgasmo feminino, acho que vou bater uam e dar-me a mim próprio um ; )))))))))))))

yulunga disse...

Satisfeita!

e. disse...

Na 1º intervenção, esta frase 'a verdade é que há várias gerações dentro de uma geração' poderá resumir optimamente o que se vai passando nestes anos 90s e 00s.

Por outro lado, não me parece que haja que desconfiar dos preconceitos que todos nós transportamos, actualizamos permanentemente e gerimos, com maior ou menor lucidez.

Os pre-conceitos ou pressupostos, assumidos como regularidades e crenças e traduzidos em atitudes, aparecem como instrumentos para lidar com a realidade e interferem na gestão dos conhecimentos que fundamentam todo o tipo de intervenções (incluindo as que fazemos nos blogues). O conjunto de pressupostos que cultivamos, permitem-nos leituras interpretativas, ao desenvolver antecipações de sentido projectadas pela compreensão prévia.

Cá em casa os jovens masculinos e femininos, desde crianças, faziam a cama, limpavam o que sujavam, intervinham na feitura das refeições, mudavam pneus de carros, pregavam fechaduras desaparafusadas, consertavam fusíveis, apanhavam choques, intoxicavam-se como podiam e tentavam perceber de informática – vivem independentes desde cedo e não me pedem senão pequenas ajudas – que saberei eu dizer dos tais casos de ‘inabilidade’ masculina ou feminina? Nada.

Qt ao orgasmo feminino (o das infelizes mulheres ignorantes que precisam de ser catequisadas), incluindo o doseamento de micro-joules, epinefrina, norepinefrina e dopamina, entre muitos outros factores esotéricos, acho que não lhes ensinei isto convenientemente, mas todos eles sabem que se tiverem dificuldades eléctricas e químicas deverão recorrer a um especialista.

Qt ao orgasmo masculino, parecendo-me que todos os homens o acham muito óbvio e isento de subterfúgios, nada será necessário acrescentar.

Tangas disse...

(ainda ninguém reparou que troquei o género à Celia Kitzinger e à Sue Wilkinson. ó senhor júlio: parece que foi o senhor o único que lhes botou o olho em cima - porque eu também só li umas linhas, para não parecer mal...)

andorinha disse...

Paula (12.10)
Só agora vi a tua resposta, desculpa!
Não foi minha intenção ser paternalista, apenas quis referir que já há tanta discriminação em relação aos homossexuais e ainda "descobri" mais essa que desconhecia e que me chocou.
Como dizes, muita da informação das associações GLBT não é veiculada pela imprensa, daí o desconhecimento.
Em relação às manifestações também tenho que concordar que o que mais me choca é a cobertura dos media pegando apenas nos aspectos mais "folclóricos".
Alternativas´que contribuam para uma mudança de mentalidades?
Talvez debates e palestras em escolas secundárias, não sei...
E claro que todas as perseguições e discriminações devem ser imediatamente denunciadas e divulgadas.

om disse...

Tanto se fala, tanto se escreve, tanta opinião...

Heterofobia, existe claro. Mas não se compara minimamente às consequências vividas pela homofobia externa e interna.
E por favor, quando se fala em homofobia não desviem o tópico para 'ah, mas homossexuais também são heterofóbicos'. A solução, não é por aí.


Mas a verdade no dia-a-dia é que:

- homossexuais continuam a ser alvo de discriminação verbal na rua quando demonstram algum afecto.

- homossexuais que são boas pessoas, homossexuais que são más pessoas. Como qualquer heterossexual, mas quando acontece algo digno de referência negativa é quase sempre apontado como 'homem homossexual fez...' qui çá utilizar o mesmo tipo referêncial em notícias para os heterossexuais.

- homossexuais masculinos são discriminados quando querem doar sangue, é-lhes vedado o acesso a esse dever social porque são considerados grupos de risco, sob pretextos mais que ultrapassados.

- homossexuais, pessoas, sabem disso? continuam a não poder partilhar em pleno e a usufruir dos mesmo direitos sociais que heterossexuais, como casamento, adopção, estadias em hospitais quando o companheiro/companheira adoece, um direito pleno à mesma indiferença heterossexual. Imaginem o que era se realmente todos os homossexuais deixassem de pagar impostos... era bonito de se ver, já que os direitos são diferentes e não abrangentes.

- homossexuais têm de viver com as constante piadas, e comportamentos recorrentes de brincar com a ideia de 'ser maricas' por parte de colega de trabalho, amigos, familiares e conhecidos.

- homossexuais que passam tão despercebidos como qualquer pessoas, porque simplesmente não se encaixam em qualquer dos estereótipos mediatizados por televisões, piadas ou sitcoms.

- lésbicas que são constantemente assediadas por homens, que acham a 'o conceito' engraçado.


E o quão aberta está a sociedade nacional?

De notar que só em 2004 o artigo 13º da Constituição Nacional passou a abranger a orientação sexual.
De notar que só em 2005, alguns programas nacionais em horário nobre começam a abordar a temática homossexual.
De notar que grande parte das discussões são desviadas para uma tentativa de contextualização heterossexual. Ninguém gosta de ser chamado de homofóbico, mas os argumentos apresentados por opiniões (científicas ou não) pouco trazem de novo ao panorama de vida de um/uma homossexual nacional...


Mudança de mentalidade precisa-se.

Ofortunatosnimium disse...

om,
Muito bom o seu texto. Apenas duas notas:
- eu preferia que a Constituição não tivesse que se referir à orientação sexual: era sinal de que o problema nem se punha.
- pode, por favor, dizer-me qual o fundamento legal da proibição da adopção por homossexuais?

om disse...

ofortunatosnimium:

Quanto ao artigo 13º, deixo-o por aqui para lerem:

Artigo 13.º
(Princípio da igualdade)
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.


Relativamente à não inclusão da adopção por parte casais homossexuais:

A lei geral da adopção (31/2003, de 22 de Setembro) permite as candidaturas à adopção apenas a pares, com mais de 25 anos, casados há mais de quatro (sendo que a lei portuguesa apenas reconhece o casamento de pessoas de sexo diferente) e a candidatos singulares com mais de 30 anos. A avaliação técnica, que deverá demorar um máximo de seis meses, incide sobre a personalidade, a saúde, a idoneidade para criar e educar, a situação económica e familiar do candidato e as razões do pedido de adopção.

Mais digo, coordenadores e directores que estão à frente da política familiar nacional expressam-se sempre com negatividade para com as familias homossexuais, exemplo disso são/foram Margarida Neto e Luis Villas Boas, com base em estereótipos e sem estudo de situações concretas, pessoais.
Contudo friso que há familias de pais e mães homossexuais que têm filhos, e levam uma vida perfeitamente 'encaixada na norma'. Apenas e muito importante, aos olhos de uma lei social que não os abrange e não os protege na totalidade.

Portanto com isto vê-se que embora o 13º tenha sido renovado, ainda há muito a ser feito para que entre efectivamente em vigor na vida quotidiana, quer social quer familiar. O processo está incompleto.

Ofortunatosnimium disse...

om,
Obrigado pelo esclarecimento. Excluindo a questão do casamento, não existe, portanto, nada na lei que proíba UM homossexual de adoptar. E, se esse homossexual viver com outro, também nada na lei o proíbe. Pelo contrário, ao negar-lhe, na prática, o direito à adopção estar-se-à a violar a Constituição.
Parece, por isso, que estamos perante uma (deliberadamente) má interpretação da lei. O processo de avaliação previsto na lei geral da adopção tem necessariamente que respeitar o sentido da própria lei e a Constituição. Pelo visto não é isso que acontece na prática...

om disse...

ofortunatosnimium,

Relativamente a essa questão, julgo não ter os dados a 100%, mas o que compreendo da situação é que a adopção por parte apenas de uma pessoa heterossexual já é complicado o suficiente, porque a monoparentalidade não é considerada uma familia a 100%, de acordo com os padrões defendidos pela 'norma' quanto mais um/uma homossexual.
Na maior parte das vezes a orientação sexual homossexual é omitida, e os entraves sociais e de 'conceitos de familia' impedem que haja avaliações imparciais.

Basta pesquisares um pouco sobre os comentários proferidos pelo Luis Villas Boas, ou Margarida Neto relativamente à homossexualidade e familia.

E "a lei geral da adopção (31/2003, de 22 de Setembro) permite as candidaturas à adopção apenas a pares, com mais de 25 anos, casados há mais de quatro (sendo que a lei portuguesa apenas reconhece o casamento de pessoas de sexo diferente)" há uma preferência demarcada e defendida pelo matrimónio, como se uma qualquer familia fosse mais sólida com esse factor.
São leis baseadas em conceitos gerais e não abrangentes a todos os casos, e as pessoas que dirigem o sistema ainda estão demasiado às escuras (na idade das trevas diria) no que toca à homossexualidade, onde preferem assimilar a parte 'sexualidade' como um todo e esquecem-se facilmente e convenientemente, que a heterosexualidade também é sexual, mas não exclusivamente.

Ofortunatosnimium disse...

Evidentemente. Creio que a preferência pelos matrimónios vem da noção, hoje ultrapassada pela realidade, de que os ditos eram maioritariamente relações estáveis e duradouras. Para além da modificação da lei da adopção, é desde já possível tentar, por todos os meios, que a lei existente seja aplicada de acordo com os princípios constitucionais - e tudo o que dizes me leva a concluir que não é.