quarta-feira, julho 06, 2005

Pois é...

Um colega teve a gentileza de me enviar um artigo do NYT sobre o horror de alguns aos casamentos gay e as modificações da Instituição da "responsabilidade" dos heterossexuais. Que a transformariam numa união de duas pessoas, ponto.

Heterosexuals were the upstarts who turned marriage into a voluntary love relationship rather than a mandatory economic and political institution. Heterosexuals were the ones who made procreation voluntary, so that some couples could choose childlessness, and who adopted assisted reproduction so that even couples who could not conceive could become parents. And heterosexuals subverted the long-standing rule that every marriage had to have a husband who played one role in the family and a wife who played a completely different one. Gays and lesbians simply looked at the revolution heterosexuals had wrought and noticed that with its new norms, marriage could work for them, too.

Não é assim tão simples, como a História prova. Sempre houve casais "unissexuais" - as palavras "homossexual" e "gay" não são aplicáveis a outras épocas - que aspiraram ao casamento. Mas a descrição de algumas das modificações da instituição é correcta e propicia uma boa reflexão.

6 comentários:

new norms disse...

Não sei se percebi a ideia do Prof mas ... "with its new norms, marriage could work for them, too" ou será que essa antiga "sociedade" funcionará melhor, porque nela não existirá tanta desta diferença neuronal homem/mulher? :

"Uma sexta-feira, depois do trabalho, um casal de namorados encontrou-se num café. Depois de terem bebido qualquer coisa, foram jantar e decidiram passar um bocado junto num hotel... O que aconteceu então no hotel? Há duas versões: 1) VERSÃO DELA Ele estava de mau humor quando nos encontrámos no café. Pensei que era porque eu tinha chegado tarde, mas não me disse nada. Do meu penteado novo (tinha cortado 3 dedos na altura e descido um tom na minha cor habitual), nem um comentário. "Não gostou", pensei, mas não disse nada. A nossa conversa era lenta e propus-lhe que era melhor falarmos mais intimamente num restaurante. Ele aceitou, mas quando chegámos continuava muito sério... tentei fazê-lo sorrir, mas não fez efeito. Perguntei-lhe se o problema era eu? e respondeu-me que não. No táxi disse-lhe "amo-te" e ele apenas me pegou na mão enquanto olhava pela janela; Deus, o que se passa!, pensei. Nem sequer me disse "eu também"... Ao chegar ao hotel, pensei que a coisa piorava já que continuávamos sem falar! Tentei perguntar-lhe qualquer coisa e ele respondeu- me, acho que por boa educação, enquanto... via televisão! Depois meteu-se na casa-de-banho. Um pouco zangada, despi-me e meti-me na cama, enquanto pensava que talvez tivesse feito melhor em ir para casa. Dez minutos depois, ele veio para a cama e como tinhamos previsto, fizemos amor, mas acho que com pouca convicção. Poucas carícias e poucos beijos... Ele parecia noutro mundo e eu não queria outra coisa senão ir para casa imediatamente; intrigava-me saber o que lhe estaria a acontecer e já começava a duvidar de tudo... talvez tivesse encontrado outra mulher, ou talvez eu... E agora estou aqui em casa, destruída, a tentar ordenar as minhas ideias e desejando saber como estarão as coisas... 2) VERSÃO DELE Dia difícil no trabalho... mas ao menos dei a minha quecazita!!!

http://www.devaneioslusos.blogspot.com/
2005/06/30

lobices disse...

...não consigo reflectir
...entendo e aceito todo o género de amor, de ternura, de carinho, de afecto entre heteros e homos and so on...
...aceito que os homos possam adoptar crianças como os heteros
...instituir o casamento homo nas mesmas "qualidades" do casamento hetero penso que não colhe de razão excepto se for para efeitos legais; porém, penso que se conseguem os mesmos efeitos legais (testamentos, heranças, etc) com uma união de facto...
...porém, talvez tenha traduzido mal o texto e esteja a falar de alhos sendo bogalhos
:)

Julio Machado Vaz disse...

new norms,
Magnífica descrição dos papéis de género clássicos:).

escrevinhador disse...

Se bem percebi, o autor do artigo lamenta as mudanças ocorridas no bom velho casamento heterossexual (o que quer que isso seja), ainda que com ironia, que, muitas vezes, só serve para atenuar verdades difíceis. Mas há algo que me ocorre: se outras Sociedades tiveram casais homossexuais que aspiraram ao casamento, porque será que não lhes foi reconhecido esse direito? Se em Roma e na Grécia antigas se "tolerava" mais a homossexualidade que hoje, porque será que nessas sociedades também não se reconheceu o direito institucional de união a duas pessoas do mesmo sexo?

Rosebud disse...

Pergunto-me muitas vezes sobre a dificuldade que temos em lidar com a diferença, nas suas mais diversas expressões. Dificuldade que caminha lado a lado com o paradoxal conforto que encontramos na camuflagem da normalidade. No entanto, o que é isso da normalidade não é? Quem de nós é ou conhece uma pessoa normal? Consequentemente, o que podemos entender como diferente, se nem sequer conseguimos definir as balizas da normalidade?

portugalgay disse...

instituir o casamento homo nas mesmas "qualidades" do casamento hetero penso que não colhe de razão excepto se for para efeitos legais; porém, penso que se conseguem os mesmos efeitos legais (testamentos, heranças, etc) com uma união de facto...


Pensa muito mal infelizmente... o que a maioria dos homossexuais procura é apenas e só o casamento civil (i.e. efeitos legais).

Quanto a união de facto não cobre coisas tão básicas como herança, assistência hospitalar, decisão em caso de morte, direito a segurança social, etc, etc... e a união de facto não tem nada de cobrir estas situações: não é por ter um(a) namorado/a durante dois anos que essa pessoa passa a ter direitos legais sobre mim. A instituição do casamento civil está lá para as duas pessoas de forma consciente se comprometerem mutuamente e com isso também requererem direitos legais.

Fica aqui a nota.