domingo, abril 30, 2006

Exactamente, o essencial da fé cristã nunca poderia estar à mercê de tal facto.

Maria Madalena nos textos apócrifos



Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

As mulheres têm motivos para uma boa relação com Jesus. Ele, durante a vida, com escândalo de muitos, teve para com elas uma atitude e comportamento de muita simpatia e ternura. Se a Igreja histórica nem sempre lhe seguiu o exemplo, havendo mesmo um forte contencioso das mulheres com a Igreja oficial, isso deve-se a muitas razões, como heresias que desprezavam o corpo, o sexo e o feminino, questões ligadas ao poder e ao machismo.

Para lá dos textos canónicos - aqueles que a Igreja aceitou como regra de fé -, há também os apócrifos, que a Igreja não recebeu, não significando isso que não possam ter importância. Entre eles encontram-se os textos gnósticos, de que tanto se tem falado e acessíveis sobretudo com a descoberta, em 1945, da biblioteca de Nag Hammadi, no Egipto (o Evangelho de Judas insere-se nesta tradição).

Ora, o que dizem os apócrifos sobre Maria Madalena?

A tradição apócrifa, sobretudo gnóstica, tem textos muito controversos sobre a relação entre Jesus e Maria Madalena. Assim, no Evangelho de Filipe, pode ler-se: "A companheira do Salvador é Maria Madalena. O Salvador amava-a mais do que a todos os discípulos e beijava-a frequentemente na boca. Os outros discípulos disseram-lhe: 'Porque a amas mais do que a nós?' O Salvador respondeu-lhes, dizendo: 'Porque não vos amo a vós como a ela?'"

No Evangelho de Maria, Pedro, com animosidade, reconhece que o Mestre a apreciava mais do que às outras mulheres, perguntando inclusivamente: "Falou com uma mulher sem que o soubéssemos, e não manifestamente, de modo que todos devemos escutá-la? Será que a preferiu mais do que a nós?"

Segundo o apócrifo Perguntas de Maria e outros escritos, alguns gnósticos admitiam que Maria foi parceira sexual ou esposa de Jesus. É uma posição exagerada, contestada por outros.

No entanto, é destes textos que deriva o debate à volta da relação matrimonial de Jesus e Maria Madalena.

O que é facto histórico é que Jesus amou as mulheres - isso é testemunhado tanto pelos textos canónicos como pelos apócrifos - e, evidentemente, amou-as como homem, portanto, com a sua sexualidade, não necessariamente genital. Como explica o exegeta Jacinto de Freitas Faria, "os gnósticos viam a união entre o masculino e o feminino numa esfera espiritual de superação da divisão corpórea. Jesus e Madalena eram vistos como exemplo dessa integração. O beijo entre eles era a expressão desse desejo espiritual. Por isso se diz que o beijo comunicava o saber. Um transformava-se no outro". Consequentemente, diz-se que Madalena transmitia os ensinamentos do Amado/Mestre. Assim, embora haja textos em que se afirma a relação matrimonial de Jesus e Maria Madalena, não se pode esquecer o carácter mais tardio desses textos, nem que gnose significa conhecimento profundo e também desprezo pelo corpo e procura da purificação da alma na busca do espírito. O feminino normalmente era considerado negativo. Pode ler-se no Evangelho de Tomé: "Simão Pedro disse-lhe: 'Que Maria saia de entre nós porque as mulheres não são dignas da vida.' Jesus disse: 'Olhai, eu mesmo a impulsionarei para que se torne varão, para que chegue também a ser um espírito vivente semelhante a vós, os varões; porque qualquer mulher que se torne varão, entrará no Reino dos céus.'"

De qualquer modo, a discussão será sempre complexa e não há elementos para solucioná-la de modo definitivo. Concretamente, não se pode ignorar que houve várias correntes na gnose, tendo até algumas delas admitido mestras e sacerdotisas. Por outro lado, nas disputas pelo poder e pelo estabelecimento da ortodoxia nas diferentes tradições do cristianismo, as mulheres foram sendo subalternizadas e marginalizadas.

Seja como for, a pergunta que muitos se colocam e cuja resposta gostariam de saber é se Jesus poderia conhecer uma experiência sexual. Parece evidente que, se era verdadeiramente homem, não se lhe pode retirar a experiência humana do desejo sexual. Se satisfez esse desejo ou não com uma mulher, é questão que historicamente não pode ser decidida. Todos os dados históricos indicam que Jesus não casou. Mas, se isso tivesse acontecido, a fé cristã não ficaria abalada.

Como escreveu o abbé Pierre, fundador dos irmãos de Emaús e a figura mais popular de França, Jesus tanto pode ter satisfeito o desejo sexual num amor partilhado, como não ter satisfeito esse desejo, "o que o não impediu de ser plenamente homem".

"Num e noutro caso, creio que isso nada muda ao essencial da fé cristã."


DN.

24 comentários:

Fora-de-Lei disse...

Não sei se algum dia Jesus chegou, ou não, a "afiar o lápis"... mas de uma coisa tenho eu certeza: se Jesus fosse vivo, seria adepto do Glorioso !!!

Angie disse...

Exactamente. Nunca poderia!
De facto, hei-de sempre pasmar com a incompreensão sistemática dessa dualidade básica que enforma toda a filosofia cristã: a natureza divina latente em Jesus, mas a Sua condição humana. Está aí toda a chave da questão, toda a razão de ser do “edifício”. Mas confundem-se sempre as 2 coisas, não é?
Admitir a relação com Maria Madalena só O aproxima mais de nós. E, de resto, esse “vestir da nossa pele” não foi o objectivo todo da sua passagem por cá?! O caso da concepção de Jesus tb precisa de idêntica leitura... O que dirão os gnósticos?!

PS- Dogma e símbolos: durante séculos, a doutrina da Igreja desvalorizou a mesmo a mulher (apesar de ela ser a maior parte das vezes o bastião religioso familiar, em género “low profile). – E a propósito, quem se lembra que o culto mariano (de Maria, Mãe de Jesus) é coisa bastante recente, sendo ele uma dos principais sinais do emergir dessa valorização feminina? Mas não tão recente assim que nos possamos lembrar disso…

Mário Santos disse...

Muito bom este texto do Pe. Anselmo Borges.

De facto, não vejo como é que um eventual casamento de Jesus pudesse pôr em causa a fé, embora me pareça pouco provável.

Outra coisa que me parece importante é a desmistificação dos gnósticos. Estes, contrariamente ao que muitos querem fazer crer hoje em dia, tinham uma ideia muito negativa do corpo e, inclusivé, consideravam que a criação era responsabilidade de uma divindade menor. Convenhamos que aquela passagem do evangelho apócrifo de Tomé não é nada edificante.

Hoje em dia temos um bocado o hábito de pensar que tudo o que foi rejeitado pela Igreja é uma maravilha, mas esta atitude parece-me pouco madura. Uma da heresias combatidas pela Igreja tinha justamente a ver com a ideia que Jesus não era verdadeiramente Homem, era uma espécie de Deus com roupa humana. Teríamos neste caso um Jesus bem longe da nossa realidade e cuja vida teria muito pouco interesse.

Acho mais sensato estudar um pouco de história, ler o que os peritos na área escrevem agora (católicos e protestantes), perceber os pontos actuais de discórdia e formar então as nossas próprias opiniões. Mas por amor de Deus, que as nossas fontes não sejam o Dan Brown e afins!

Henrique Doria disse...

O padre Anselmo, pessoa inteligente e que muito prezo, apesar de não conhecer, tenta salvar a Igreja das contradições em que assenta. E a maior delas é dizer que somos filhos de Deus enquanto somos portadores do mal e do sofrimento. Num blog em que colaboro, se-if.blogspot.com, tenho um texto que sugiro que leia. Um abraço.

Julio Machado Vaz disse...

Mário,
É verdade, os meus queridos cátaros tinham uma visão demoníaca da sexualidade, apesar do que os relatos da Inquisição tentaram fazer crer:))))).

andorinha disse...

Boa tarde.
Concordo que o facto de Jesus poder ter amado as mulheres como homem, portanto, com a sua sexualidade, não muda nada ao essencial da fé cristã.
Como já disse a angie, admitir a relação com Maria Madalena só O aproxima mais de nós.
"Os outros discípulos disseram-lhe:'Porque a amas mais do que a nós?' O Salvador respondeu-lhes dizendo:'Porque não vos amo a vós como a ela?'
Tocou-me:)

CêTê disse...

Jesus- que lhe "pintem" o retrato sociólogos e psiquiatras. Para mim foi alguém sobredotado a nível relaccional, inteligente e nascido num tempo atrás de si. Com traços de desiquilíbrios de vária ordem- ou não???- e que foi conduzido pelas circustâncias ditadas por povos expectantes. Ainda bem que o resíduo moral da História acentua o Bem- muito embora o uso frerquentemente errado, e em nome dele, que fazem muito dos seus mais próximos seguidores e que se dizem representá-lo. Quantas vezes me apetece dizer: "Ó Cristo anda cá baixo ver isto!"- De resto acho que foi uma morte dignificante - já viram que "piada" teria ter morrido de velhice, já tonto, ou de ataque cardíaco num ritual com a M. Madalena? É claro que haveria interpretações surrealistas de qualquer "morte mortal" que tivesse tido- mesmo que se tivesse enforcado. Resta para mim a mensagem de Paz e de Bondade e outras que tais.
Quanto à minha blasfémia- JC teria de certo sentido de humor para entender esta comum mortal.
Fiquem bem ;]

Lusco_Fusco disse...

Sou católica. Ensinaram-me que Jesus era um ser humano dotado de poderes divinos, ou antes, (depois de muita discussão) um "revolucionário" muito para além da sua época. Tive como professor de moral alguém com uma visão acima do padrão que tenho de padres, alguém que aceitava as nossas dúvidas sobre os dogmas, incluindo o da virgindade de Maria. Da boca dele ouvi algumas vezes que a pureza dos actos pode ser imagem de virgindade. Assim sendo, Jesus como homem virgem que era traduziu os seus actos para além de tudo que a bíblia nos ensina, na dedicação, no afecto, atenção, cumplicidade de acção, companheirismo e partilha que deu á companheira Maria Madalena. Esta, por sua vez, seguia-o e tornava-se sua porta-voz, correspondendo-lhe e venerando-o como o seu eleito. A inveja de Pedro desta relação mostra-o bem. Reinava o patriarcado e esta atitude de Jesus talvez fosse um ensinamento demasiado arrojado para a época.
Jesus era justo. Em Madalena Ele demonstrava, diplomaticamente e sem frontalidades, que o patriarcado não era justo e caminho qual a seguir.
A bíblia, feita bem mais tarde, baseada em escritos dos apóstolos e em escritos de escritos dos mesmos ou outras fontes menos fidedignas (e quem conta um conto cresce um ponto) veio denegrir o papel da mulher num paraíso desigual. É um paraíso masculino e um inferno feminino, já que Eva passou a ser a imagem do "mal" e Adão o desgraçadinho que se deixou seduzir (tadinho!!!!).
Sou uma católica crítica e gosto de andar informada. Acredito num homem de carne e osso como eu que além de saber amar o próximo como a ele mesmo amou uma mulher. Isto só o valoriza a meus olhos.
Gostei do que li neste site
http://www.bibliaeapocrifos.uaivip.com.br/historiaefe.htm
MJ

AQUILES disse...

Já há dias atrás, algures aqui, fiz referência aos Evangelhos Apócrifos e Aos textos Apócrifos do Antigo Testamento (5 Vol.). No Porto sei que na Rua da Cedofeita, Livraria das Paulistas, segundo a minha memória já falha. Mas são em Castelhano. E boa edição.

Xelim disse...

«Todos os dados históricos indicam que Jesus não casou. Mas, se isso tivesse acontecido, a fé cristã não ficaria abalada.»

Parece-me que Jesus era hebreu e de pele bem branca, pelo menos pelo que se vê nos filmes!

Ora se Deus disse que João Paulo II tinha "garganta funda" e por isso lhe enfiou um tubo na garganta, e mesmo assim a fé cristã fez dele um mártir... Mesmo que Jesus fosse um garanhão... who cares... Jesus é uma construção da fé cristã e do original resta pouco mais!

Mário Santos disse...

Bom dia malta!

Prof., entre os cátaros e a inquisição, venha o diabo e escolha :))))

Mário Santos disse...

O Catarismo foi uma das maiores heresias da época medieval, tendo sido, entre as maiores, a última. Manifestou-se principalmente durante os séculos XII e XIII, com uma forte incidência em França (onde se designavam cátaros ou albigenses) e na Itália (aqui chamavam-se patarinos ). O Languedoc, no Sul de França, foi o principal centro desta heresia. Os cátaros surgiram numa região onde confluíram, historicamente, resquícios do arianismo visigótico remanescentes e certase correntes maniqueístas, como a dos bogomilos bizantinos, que se tornaram activas no Languedoc durante as Cruzadas. Etimologicamente, o termo catarismo provém da palavra grega Katharos , que significa "puro". Os que aderiram a este movimento de reforma religiosa, que depois redundou em heresia, pretendiam, de facto, atingir esse estado de pureza absoluta.
A doutrina baseava-se, na sua essência, num dualismo maniqueísta, assente na existência de um princípio bom, o Bem, que tinha criado o mundo espiritual, e um princípio mau, o Mal, que estivera na origem do mundo material. A ritualidade cátara era, por oposição ao Cristianismo romano, constituída por um número muito reduzido de ritos. Um destes, o consalamentum , por exemplo, era uma cerimónia de iniciação que implicava uma oração dominical e consistia essencialmente na imposição das mãos e do Evangelho sobre a cabeça do iniciado, sendo normalmente usado em vez do baptismo e da confirmação. Este rito, também usado como extrema unção, era muito importante para o conceito de pureza cátara, pois não só retirava o pecado como fortalecia a presença do Espírito Santo no indivíduo, fazendo de um simples crente um indivíduo "perfeito" e um ministro da "Igreja" cátara. Dentro dos perfeitos existia uma hierarquia que era constituída por bispos, filhos maiores (principais coadjutores dos bispos) e filhos menores , que podiam ascender mais tarde a filhos maiores . Muitos diáconos cátaros, ou filhos menores , assumiram tarefas semelhantes às do clero paroquial.
A moral cátara era extremamente rigorosa. Aqueles que se dedicavam ao trabalho manual eram obrigados a absterem-se para sempre de certos alimentos tidos como impuros, como as carnes de animais e seus derivados. O rigor da moral tendia para a destruição do corpo por intermédio de jejuns. Para os cátaros, podia ser digno colocar um fim à vida de qualquer ser humano, pois era o mesmo que unir matéria e espírito. As práticas como a endura , ou iniciação da morte (observância do jejum por um doente, o que o enfraquecia e aniquilava), ou outras formas de suicídio, eram aconselhadas a qualquer membro depois de ter feito o consolamentum. Os cátaros condenavam a hierarquia eclesiástica e os sacramentos, bem como o direito de propriedade, para além de negarem o purgatório e a ressurreição dos mortos. A sexualidade, o casamento e a procriação eram um "mal menor", excepto para os perfeitos , que os podiam praticar sem objecções.
A Igreja, em meados do século XIII, começou, no entanto, a preocupar-se com o catarismo, o qual condenava veementemente. Em 1206, o cónego castelhano Domingos de Guzmán, da Sé de Osma, começou a pregar no Languedoc contra os Cátaros: viria a santificar-se depois com o nome de S. Domingos e com a fundação, em 1215, de uma ordem religiosa destinada ao combate das heresias em nome da Fé: a Ordem dos Pregadores, ou Dominicanos. Entretanto, em 1208, Pierre de Castelnau, legado papal, foi assassinado pelos cátaros. Assim, em 1209, o rigoroso e dinâmico Papa Inocêncio III organizou uma cruzada contra os promotores e fiéis da heresia cátara. Simão de Montfort coordenou esta cruzada, realizando assim uma série de saques em Béziers e Carcassone e noutras cidadelas cátaras no Languedoc. A tomada de Béziers ocorreu a 22 de Julho de 1209, tendo ficado marcada por uma autêntica carnificina, onde cristãos fiéis a Roma (20 mil) e hereges cátaros (222) foram confundidos: "Matai-os a todos. Deus reconhecerá os seus", pregou Arnauld d´Amalrie. A protecção que o Conde de Toulouse, Raimundo IV, havia garantido aos Albigenses não lhes serviu de valia, pois em 1213 foram derrotados em Muret. Passados cinco anos, morria, em Toulouse, o cúpido Simão de Montfort. Em 1215, a doutrina albigense foi, por seu lado, condenada teologicamente no 4º concílio de Latrão, convocado por Inocêncio III.
A heresia foi destruída de forma gradual com a Inquisição, instituída em 1233, em boa parte devido ao Catarismo. De resto, desde o século XII que os bispos eram os principais defensores da criação da Inquisição; esta seria confiada aos Dominicanos, em 1233, com o objectivo primaz de salvaguardar a Fé. Mas, através da tortura, levou muita gente à morte. O último cátaro queimado na Europa foi Guilhem Bélibaste, em 24 de Agosto de 1331, na região de Aude, no Sul de França. Entretanto, o neocatarismo pretendeu, no século XX, refundar o conceito salvífico cátaro, através de uma associação espiritual e de uma série de iniciativas culturais, históricas e espirituais

Os Cátaros. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2006.

Angie disse...

Os gnósticos, evangelho de Judas, os primeiros cristãos…
Tudo na National Geographic deste mês.
(Afinal a National Geographic Society co-financiou a descodificação dos manuscritos…)

Tudo com o rigor habitual.
E as belas fotos de sempre.

PS- Professor: foi inaugurada a FNAC/Coimbra, em Santa Clara. Lançando umolhar fiscalizador, lá descobri o seu livro, devidamente destacado. Só tive pena de não o ver na "rampa dos lançamentos"...(como está por exº o do João Aguiar, o do Rodrigo Guedes de Carvalho e até o "Couves e Alforrecas" do João Pedro George - o do blog Esplanar -...Este último não perco eu, deve ser 1 momento de elevado humor inequecível...)
Enfim: uma FNAC à mão de semear! E é ENOOOOOORME!
Quem me diria a mim, quando pisei pela 1ª vez uma FNAC (rue de Rennes), com a verdura exigente dos 17 anos, que iria ter de esperar 31 anos para ter uma filial ao pé da porta!!

Fora-de-Lei disse...

Não sei se algum dia Jesus chegou, ou não, a "afiar o lápis"... Mas de uma coisa tenho eu certeza: se Jesus fosse vivo, seria adepto do Glorioso e estaria a esta hora a caminho da manifestação do 1º de Maio !!!

PS: é um facto insofismável que a História está a ser revista. Ainda por cima, o poderoso lobby judeu não brinca em serviço. Um dia destes ainda transformam o judeu Judas num gajo muita baril e descobrem, de entre os 12 Apóstulos, um deles que seja Palestiniano para - enfim - o poderem tornar o mau da fita. Conclusão à posteriori: foi a OLP que matou Jesus Cristo, hehehehehe.

Aspásia disse...

Pode ler-se no Evangelho de Tomé: "Simão Pedro disse-lhe: 'Que Maria saia de entre nós porque as mulheres não são dignas da vida.' Jesus disse: 'Olhai, eu mesmo a impulsionarei para que se torne varão, para que chegue também a ser um espírito vivente semelhante a vós, os varões; porque qualquer mulher que se torne varão, entrará no Reino dos céus.'

Ora quem diria que Jesus defendeu a transexualidade, embora unidireccional... avant la lettre!...

Bom Feriado para todos.

CêTê disse...

aspasia,
LOOOL- "Ora quem diria que Jesus defendeu a transexualidade, embora unidireccional... avant la lettre!..." também tinha feito essa leitura. ;]
Outras "falas" são igualmente reveladoras da actualidade (para não dizer ainda futurismo) do seu discurso. (ou do pensamento de quem redigiu os evangelhos).
Não li ainda o outro livro da moda ;] mas seria Judas homo ou ter-se-ia apaixonado por Maria Madalena? Hummmmmmm ;]

Bom resto de feriado, a todos!

CêTê disse...

Ai "credo" estou a ficar com o síndrome do post-vassoura.;[[[[[[

Rui disse...

Já parecemos os americanos! Mas o que é que me interessa a mim a vida sexual de Cristo? Bom, mas também a verdade é que eu sou agnóstico! :)))))

Ameninadalua disse...

Rui

A questão não é essa...não se trata de estarmos aqui a devassar a vida de Jesus enquanto "figura pública" a questão é muito mais profunda; a Igreja sempre manteve a ideia da "castidade" de Jesus assim como de sua própria mãe Maria mas levou isso ao extremo de condenar e até castrar quando a ideia de sexo saía fora dos parametros extremamente rígidos impostos por ela.

Ao ser assumida com naturalidade e prova a pratica sexual de Jesus e ainda por cima fora do casamento, em minha opinião, não só choca como tambem pode obrigar a uma reformulação da abordagem que a Igreja ainda hoje sustenta sobre o sexo.

Esta questão é fundamental; a Igreja andou durante séculos a castrar, a condenar e até a enviar para a fogueira, todo aquele que não cumprisse...
Assumir que Jesus teve essa liberdade de comportamentos altera completamente o paradigma de sustentabilidade da própria Igreja...

Quanto a mim seria muito valorativo se houvesse por parte da igreja não só a coragem como a frontalidade de se redimir, conseguindo assim a grande oportunidade de se tornar mais coerente e principalmente mais adequada à dimensão humana...

noiseformind disse...

Lamento o meu herético silêncio Boss, mas a vida tem destas coisas ; )))))))
Gostava de dizer que a figura de Maria Madalena para mim sempre se revestiu de sinal do infinito perdão de Deus. Pecadora dedicada, foi salva por Jesus com um argumento altamente introspectivo: atire a primeira pedra quem não acha que ela tem o melhor par de mamas de Jerusalém (ou qq coisa parecida).
Ou seja, Maria Madalena teve para mim, e desde sempre, lugar nas Escrituras como sinal de que o Outro não deve ser em nós motivo de antagonismo mas de reflexão. A má-língua que tantas vezes fazemos no café sobre as falhas dos que nos rodeiam não nos deve impedir de descobrirmos em nós aspectos menos educados nos recantos da nossa alma para o Perdão e para o Amor. O Outro é sempre oportunidade para nós sermos diferentes de nós mesmos, o Outro é sempre um território desconhecido onde podemos exercer o Perdão em vez da Ira e outros pares mais ou menos piedosos de pensamentos antagonistas.

Em relação à relação de Maria Madalena e de Jesus acho que não podemos inseri-la de forma simplista numa linhagem opressora da Igreja ás mulheres ou ao sexo. Fez parte, como tantos outros aspectos, mas acima de tudo foi um elemento que estava em sintonia com outros medos, especialmente quando se iniciaram os movimentos de cristianização dos bárbaros. Ser cristão tinha uma marca cultural anexa que tinha de ser diferente de ser romano e portanto a Igreja procurou na diferenciação de Roma um nicho de mercado, que se revelou proveitoso.

Maria Madalena seria uma boa queca? Jesus preferia fazer um minete ou receber um húmido, continuado e intenso felatio? E Jesus teria sido o melhor amante de MAria Madalena ou ela, piedosamente, disse-lhe que O Filho do Altíssimo era o melhor quando um qq anónimo soldado romano a tinha levado a Meca e de volta?????
Não sabemos, não saberemos nunca, provavelmente. Como Gandhi, cristo sempre se rodeou de mulheres. Eram muitas mais as discícuplas feminias do que os masculinos. Em Roma, o Cristianismo entrou pela conversão das mulheres das classes altas que viam no Cristianismo a salvação para um mundo que se tinha tornado hedonista e onde o poder conceopcional das mulheres se tinha perdido por via de uma homossexualidade tão normalizante como é hoje a heterossexualidade. Os homens construiam os seus mundos e as mulheres eram vistas como uma simples correia de transmissão. Devido ao crescente abandono dos leitos foi lançado o édito de 53 em que seria considerado varão todo e qq filho que resultasse do útero da mulher "desde que não se apresente de tez demasiado abastardada", medida que visava lidar com os problema inerentes ao total arredar de muitos homens dos leitos conjugais.

Meus caros, não tenho dúvidas. o Cristianismo triunfou pq fez uma oferta vantajosa em termos sexuais à vida doméstica, ao re-nuclearizar o casal como elemento fundador da dinâmica afectiva numa época em que grande parte das civilizações funcionavam em registos poligâmicos ou em que a situaçao hedonista comprometia a demografia.

Claro, o tempo para esta vantagem passou, a Defesa da Vida é um dos patéticos sinais das limitações tremendas da Igreja em termos de re-invenção ; ))))))))

Mas tb não coloco um texto acima da praxis e da própria dinâmica histórica, quer para defender quer para atacar. E este texto pode ser mais uma pedrinha que atiram à Igreja, mas não a tenho como uma pedra que vá acertar longe de outras bem mais pesadas e bem mais importantes têm sido atiradas

; )))))))

CêTê disse...

Não tardaremos a gritar aos céus:"Cristo, volta, estás perdoado" ;P


(já agora, mais vassoura, menos vassoura)

Ameninadalua disse...

Gostaria de acresentar que para alem de reconhecer que a Igreja teve durante séculos uma orientação muito rígida no que respeita aos comportamentos, tambem e sob ponto de vista histórico reconheço que teve um papel enquadrador necessário ao desenvolvimento social e humano importantíissimo. Imaginem aqueles povos "bárbaros", guerreiros sem um enquadramento religioso para lhes "acalmar" os ânimos de barbarie e selvajaria :))))

Claro que já nem falo sequer do papel da igreja como instituição que orienta e enquadra os que através da fé em Cristo a reconhecem e se identificam com os seus Valores...

Rui disse...

ameninadalua, acha?
Cristo foi sempre tão claro acerca do perdão para todos, principalmente para os mais fracos e desprezíveis e de não julgarmos os outros impiedosamente! Bom, veja-se o que a Igreja aproveitou desses ensinamentos (ou eu estou a confundir a Igreja com os que falam em nome dela? Não sei)

Ameninadalua disse...

Rui

Agora estou perdida:) já não sei o que me está a perguntar se a ideia do meu primeiro ou segundo post...mas tambem não tem importância; as conversas são como as cerejas e por vezes torna-se dificil falar aqui :)

Boa tarde para si.