sexta-feira, janeiro 13, 2006

De alguém que não conheço, mas faz parte do maralhal:).

Brisa


Se, sozinho
O corpo cansado a alma inquieta
Sentires um afago, uma carícia
Uma brisa que ao ouvido é sussurro
Palavra de conforto, calor.
Sou eu.
Rasgando o tempo
Atravessando o espaço
Tornando-me
Brisa, carícia,
Possibilidade de abraço
Palavra, amor.

Encandescente, in Encandescente, Colecção Polvo, Edições Rui Brito.

40 comentários:

O Sical disse...

Este poema é óptimo para ser sussurrado à Maria

Ana Afonso disse...

Mas isto hoje é muito ... como diz a rapaziada mais nova é muito love!!
Lindo :)
Abraços e sorrisos
Ana Afonso :)

gatonima disse...

Lindo poema. Ofereço um que também começa por "se":

SEQUÊNCIA

Se tu me fosses entregue

nu e adormecido num chão de suores quentes
eu obrigaria o silêncio a poisar na tua pele escura
e junto aos lábios carnais
os teus lábios são vinhas
recolheria o sopro respiração ofegante de animal
e dobrada sobre o teu corpo
entregaria aos teus sonhos a seiva
que me inunda de dentro

Se tu fosses vinho

e me fosses dado na taça das mãos
derramar-te-ia nos seios far-te-ia
correr no terreno muscular
até entrares no monte negro
e te perderes no desfiladeiro
onde plantas línguas de vento
e ser-me-ia dado o mundo
para te viajar

Se tu fosses um menino acabado de nascer

e de mim fosses parido
lamberia os restor do meu ventre
na tua primeira pele
o meu colo aquecer-te-ia nu
e logo o meu seio se derramaria na tua boca
o meu sangue correria das pernas louco
por te levar outra vez à gruta mãe


e se fosses um gato

um bicho nas minhas rochas
dar-te-ia a secura da pele
onde anotarias pássaros selvagens
novelos de terra e eu
cobra na tua sombra gritaria
à lua correria
e atiraria contigo
às sobras florestais do meu corpo
até ser um sulco na fúria das tuas garras

Mas se fosses o que és

e me fosses dado eu queimaria papiros
far-te-ia um ninho e não sei
que poemas alegres cantaria aos teus ouvidos

Ou se fosses o último

homem do meu tempo uma tempestade de estrelas anónimas
um rio sinuoso do paraíso
um rei moreno eu abriria
o coração à faca comeria baratas
abateria a família a tiro e subiria à pata os degraus para o inferno

arfando no fogo
mastigando humilhações e vertendo
um animal saciado

L.R.

Louco de Lisboa disse...

Bom dia, boa tarde ou noite, conforme a hora em que estiver a ler estas palavras!

Tenho vindo aqui mas nunca comentei, vai ser hoje mesmo, nesta sexta feira dia 13 e de Lua Cheia.

Claro que como louco que sou nada de jeito tenho para dizer, apenas que muito do que diz me encanta e descubro muito de vida em todas as suas palavras!

Bom, por aqui me fico, vou continuar com as visitas, até outro momento...

PS: Desinibi-me a deixar umas palavras porque estava a zeros em comentários!!!

Olhar disse...

A beleza das palavras como quase só os poetas sabem confeccionar, para deixar derreter, na língua.
Contos incluídos.

http://encandescente.home.sapo.pt/index.htm

cris disse...

O blog da Encandescente - o eroticidades - consta das minhas visitas diárias desde há muito. Admiro-lhe o dom poeta, a frontalidade, a coragem e a convicção profunda acerca da auto-determinação sexual.
Bom fds a todos/as!

Manolo Heredia disse...

A "fauna" deste sítio mudou por completo.
É agradável, mas pouco estimulante.

Angie disse...

Isto não é poesia.
É, como se diz por aqui, o
KRAMER CONTRA KRAMER:
Ou seja, o Benfica X Académica...

Desculpem a interrupção.
O blog segue dentro de momentos.

CêTê disse...

Posologia:
* *
* *

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
~~~~~ ~~~~~ ~~~~ ~~~~
CCCCCCCCC))))))))))CCCCC))))))


« « « « « « « «
« « « « « « « «

Na pegada das gaivotas!

silvianozelos disse...

professor será este poema um incentivo para perder algumas calorias?

Pamina disse...

Boa tarde.

Também não conheço a Encandescente, mas tal como a Cris, passo regularmente pelo blog Erotismo na cidade (eroticidades.blogspot.com). A home page não conhecia tão bem. Para além dos "poemas de amor", também gosto muito dos poemas satíricos dela. Neste registo, às vezes, faz-me lembrar a Adília Lopes.
Quando se abre a home page aparece um título "Da ausência", com uma temática semelhante, embora relativamente ao poema do post a palavra que me tenha ficado na ideia tenha sido "dádiva" e, depois de ler o outro, "saudade".
Vou copiar esse (se alguém já o fez antes, as minhas desculpas), pois acho que ficam os dois muito bem juntos:

Da ausência

Talvez fosse vento a voz que me chamava
Mas a palavra era a tua
Talvez fosse brisa o sussurro que ouvia
Mas o nome era o meu
Talvez fosse sol o calor que me tocava
Mas o desejo era de ti
Talvez fosse sombra o vulto que via
E que a tua forma tomou
E do solo surgiste e guiaste os meus passos
E no vento soprando me chamaste até ti
E da distância me disseste
E da saudade me contaste
E do mundo pequeno quando vazios os teus braços
Tamanha é no teu corpo
A ausência de mim.

Bom fim-de-semana para todos.

-Stardust- disse...

Caro Sousa,

se ler este post, faça uma surpresa à Gertrudes... é fim-de-semana, homem! Apareça-lhe à frente no seu melhor físico, com uma bela vinhaça do Douro e sussurre-lhe este belo naco de poesia... ou sibile-o, pode ser que a arrepie! :)))


Caro Prof,

Bela escolha!

Caros Prof. e Maralhal,

Bom fim de semana, que eu cá vou a Portugal ver um duendinho lindo que nasceu esta semana! Oba oba! Diz que sou a madrinha!!! :)))

Lusco_Fusco disse...

Bonito poema.
Tudo o que uma mulher sabe ser. Companheira, discreta, meiga, amiga e destemida amante.
Tudo num corpito frágil que é o nosso :-)

CêTê disse...

Têm poemas lindíssimos essa Encandescente!

O manolo de heredia toca num ponto curioso: cadê os habitues deste café?
Já estão tratados????
Estarão a receber medicação em casa como ratos priveligiados?
As tantas estão já felizes e contentes a estourar os euros em compritas. ´Só se abriu outro café, e nós não sabemos?
Ou será... que o professor os recebe pela porta do cavalo? LOOOL (mail)?
Eu acho que isto aki deveria ter chamada! (eu cá só sou assistente- o meu caso é um caso perdido...)
e não deveriam andar por aí a montar negócios por conta própria! Mai nada! Tenho dito.
;]

Su disse...

palavras....o poder das palavras

gostei ... da brisa

jocas maradas

Anónimo disse...

Hoje apetece-me escrever uma história de amor.
Uma história com um final feliz.
Melhor, uma história de amor interminável...

Um amor daqueles que nos acontecem uma vez na vida, que chegam de mansinho e se instalam sem darmos conta.
Uma história de carinho e de desejo, de entrega e de partilha.
Uma história de paixão envolta em mistério.
Uma história de ternura e palavras doces, de dúvidas e esperas.

Hoje apetece-me escrever que te amo, encher o meu ecrã com o teu nome.
Queria gritar alto este amor que sinto para que o ouvisses aí, onde estás...

FONIX RENASCIDA disse...

São tantos
os silêncios da fala

De sede
De saliva
De suor...

Silêncios de vento
de mar
e de torpor

De amor...

Maria Teresa Horta

andorinha disse...

Boa noite.

Lindo!
Que bom sentirmos estes afagos e estas carícias no final de uma árdua semana de trabalho.:)))

Sical(3.17)
Também acho. E se calhar já foi, quem te disse que não?:)

manolo(4.53)
"A "fauna" deste sítio mudou por completo.
É agradável, mas pouco estimulante."
Mudou e ainda bem!
E o que será para ti estimulante?
As ordinarices de taberna?

silvianozelos(6.34)
Quem sabe, quem sabe...:)

Zante disse...

é bom sentir protecção,
saber que gostam de cuidar de nós
só assim se aprende a cuidar
dos outros

Lusco_Fusco disse...

Prof JMV
Recebi um e-mail muito interessante :)))) Com o nosso anfitrião na foto (parece um recorte de jornal). Pena não poder fazer cópia do texto. Já ri bastante :)))))

FONIX RENASCIDA disse...

Enroscada em mim mesma, sozinha, presa ao passado, com lágrimas a verter, assim me sinto nesta noite com a chuva na janela a bater! Ela bate, mas parece que é em mim, que a dor se vai repercutir, pois sou eu que choro, e é angustia o que estou a sentir.
Boa noite a todos!

Sousa disse...

- Sr. Doutor! Acorde: já chegámos.
O tempo não me permitiu andar mais depressa, desculpe. Fique descansado que eu levolhe as tralhas para cima e a Gerturdes vem amanhã ajudar nas roupas.
Fique bem!

matahary disse...

Não a conhece? Então parte de ti quer conhecê-la, afinal de contas, esta já é a 2ª vez que citas um poema da Encandescente (se não estou em erro - já não leste em público o "Pai Nosso" numa nova versão?)

Um livro a ter saempre à mão.
www.eroticidades.blogspot.com

Ameninadalua disse...

Professor

Que Bela e tocante forma de querer comunicar emoção!...

Pelos vistos conseguiram-no consigo!...e não só...

Que bom! ver que alguem nos quer sentir "atravessada" por essa Brisa de ternura carinho e quem sabe até de amor...

lena b disse...

Boa noite:
Pronto, Professor, já vi que não gosta de Machado de Assis (deixei um excerto das "Memórias póstumas..." e nada!)...
Está bem, hoje vou deixar aqui uma coisa da minha gaveta mesmo:

NU

aqui dentro não há heróis

deixei a roupa pela escada
quando subia

(espero que tenhas feito o mesmo)

habitam-nos agora murmúrios de seda
sobre a pele alada
e os corpos desenham no ar
uma dança de origens
sempre igual
sempre renovada
abandonados em vertigens

balouçam infinitos
num espasmo saciado

e lentamente se recolhem
os restos do dia espalhados
pela escada

hão-de servir para amanhã

Lena b

(nota: o blog que aparece no meu perfil não é para ler. Está lá porque não consigo eliminá-lo. O meu blog é outro: http://bocadosdazul.blogspot.com/)

noiseformind disse...

Se o Polvo for com molho verde ou panado ponderarei comprar o livro ; )

Claro que ela faz parte do Maralhal, Boss. Basta ler as vezes que nos poemas dela se pode ler "fazer amor" para se inserir logo na média de idades aqui do pessoal ; )

CêTê disse...

Sentei-me no puf, ao quentinho. A chuva exigia todo o silêncio e eu fi-lo. O cansaço vencera todos, um por um, menos a mim. Peguei, então, numa folha branca para me provocar mas não consegui alinhar mais do que duas palavras… e nem um esboço saiu. Era como cá dentro houvesse um guardião cansado desta guerra determinado agora a não ceder. Não tive acesso às memórias recentes, não tiveram consistência as minhas dúvidas, e nem aquele sorriso que aflorava a toda a hora se te recordava demorou mais do o pingo que descia na vidraça. Só o teu olhar dócil, triste mas profundamente magoado suspenso nos relógios que compras para descobrir os segredos do tempo, me ocorreu como censura.
Maquinalmente dobrei a folha e fiz com ela o avião que o mais pequeno me pedira antes de adormecer.

Maite disse...

Um poema muito bonito da Encandescente.

Votos de um bom fim de semana para si e para o maralhal :)

O Sical disse...

No último verso, se se tirar a virgula, ou se se esquecer, manda-se o sentido do poema para a frieza dos monólogos surdos

Julio Machado Vaz disse...

Lusco,
É uma montagem com piada:)))).

lena b disse...

Correcção a:

(nota: o blog que aparece no meu perfil não é para ler. Está lá porque não consigo eliminá-lo. O meu blog é outro: http://bocadosdazul.blogspot.com/)

Referia-me a um outro título, que aparecia antes. Agora já está tudo bem. Isto é só no caso de haver alguém interessado em dar uma espreitadela, não é obrigatório ;););)

Lena b

LolaViola disse...

Muita gente na blogosfera conhece a poesia e os blogues da Encandescente. A sua aventura pela blogosfera já passou, felizmente para as publicação em livro.
A propósito, o que pensa dos milhares de blogues femininos de poesia erotica ou amorosa ou intimista que existem na blogosfera? Somos um país de marinheiros de poetas e de mulheres envergonhadas?

Gotinha disse...

A Encandescente é un nome grande da poesia portuguesa.
É uma grasnde honra para mim conhecer tal personalidade!
:-)

encandescente disse...

Obrigada professor

Fatyly disse...

Não conheço pessoalmente a encandescente, mas conheço bem a sua vasta obra, que merece destaque na poesia portuguesa!
O seu blog é fantástico bem como este seu livro! Faço votos que outros surjam porque é bem talentosa!

Fatyly disse...

Não conheço pessoalmente a encandescente mas conheço bem a sua vasta obra, quer no seu blog, que no livro editado que já o tenho e é de facto uma grade poetisa portuguesa. Espero que surjam mais livros!

São Rosas disse...

Pois... ultimamente ela não me tem é ligado nenhuma... e nem me deixa um postalinho no blog porcalhoto...

teu-olhar disse...

Encandescente, e uma grande poetisa. Os seus poemas sao verdadeiramente de encantar. Adoro-os todos, Poemas/Textos. Este 1o livro e apenas o comeco de um grande sucesso, de muitos outros livros que irao surgir. Encandescente alem de uma grande poetisa es uma grande mulher. Parabens.

philosophos disse...

O "murcon" deve ser insecto da família da vareja. Por isso o estimo como estimo as moscas e as varejas que me mordem, lentamente.
Foi assim que nasceu um poema, um hino aos insectos, dos que mordem para provocar a irritação cutânea suficiente e dizer quanto valem esses difíceis amores dos que se tornam imunes, não às picadas dos insectos, mas ao veneno mortal da viúva negra que nos persegue ao virar de cada esquina. Porque as mordidas dos insectos são o sal que tempera a vida e as viúvas, o pranto da morte na sua estocada final.
Parabéns pelo seu talento e já agora dê uma voltinha no meu blog: deliriospoeticos.blogspot.com
Abraço.

os115454 disse...

Júlio. Do que se está a recordar?