domingo, janeiro 22, 2006

Presidenciais.

Pela segunda vez em pouco tempo não abordei um tema que me interessava para não ser mal interpretado. Vamos então a isso:):

1) Imediatamente a seguir ao Dr. Manuel Alegre afirmar que não dividiria a Esquerda, fui contactado para integrar a Comissão de Honra do Dr. Mário Soares. Não tive dúvidas em aceitar. Sendo embora suspeito, por existir uma velha amizade entre os Soares e os Machado Vaz, era para mim evidente ser ele quem mais se aproximava do perfil que defendo para um Presidente da República.

2) E no entanto preferia que não se tivesse candidatado. O "efeito Soares" já estivera ausente nas europeias e nas internas do PS. Além disso, não se pode gritar "basta de política!" e depois esperar que as pessoas o esqueçam. Muitos portugueses continuam a aceitar tudo a Mário Soares, mas não já no registo de Pai da Pátria, e sim no ternurento de Avô. Acresce que, visto de fora, todo o processo de escolha de candidato pelo PS cheirou a esturro. E a inversão da "ordem natural" das coisas, a candidatura à Presidência da República deve ser uma iniciativa pessoal e não uma resposta ao apelo de Partidos. (De resto, toda a gente desconfiou que o não fora:)).

3) Pouco tempo depois da campanha se iniciar fui solicitado para nela participar activamente. Recusei, explicando porquê. Com um candidato à Direita mudo, quedo e ansioso por se vitimizar, a estratégia escolhida pareceu-me suicidária. À primeira pergunta de um jornalista seria obrigado a dizê-lo. Mário Soares tinha passado, longínquo e próximo, mais do que suficiente para apresentar as suas propostas e intenções e deixar as pessoas julgá-lo por elas. "Presentear" Cavaco com insinuações sobre o que os líderes europeus diziam dele e Alegre com um adjectivo como "patético" são passos certos a caminho do desastre. Que aconteceu...

4) Dito isto, votei Soares. Porque o considero o melhor dos candidatos na corrida, para me despedir em termos políticos e para lhe expressar a minha admiração pela energia que pôs no combate. Mas voltaria a recusar participar neste tipo de campanha.

5) Simpatizo com Manuel Alegre como pessoa. E agradeço ao poeta momentos mágicos no passado. Confesso que me desiludiu como candidato, esperava mais e melhor. Em contrapartida, aqueceu-me o coração o movimento que à sua volta surgiu em tão pouco tempo. Ainda há gente capaz de se mobilizar por ideias e bater-se com denodo e isso é bom. (Eventuais "réplicas" no interior do Partido Socialista não me dizem respeito.)

6) Quanto a Cavaco, a situação do País não permite devaneios e ele sabe-o. Esta raquítica maioria, com tudo a seu favor, também não. Espero que a coabitação funcione e desconfio que durante um par de anos será quase idílica. As pessoas que fizeram dele - com a sua colaboração... - o novo Messias vão ter um despertar amargo, não está nas suas mãos resolver os problemas que as afligem. Mas o que seria de Portugal sem o Sebastianismo? Sem esta convicção de que um homem austero meterá na ordem os malandros dos (outros) políticos? Sem a esperança de uma noite de nevoeiro no CCB:)?

48 comentários:

cris disse...

Alegre começou por ser o meu candidato. A campanha foi decepcionante, de facto. Mas estou feliz por ter sido um movimento cívico que ficou em 2º lugar.
A melhor campanha foi, creio, a de Louçã, q sai penalizado pela desorientação da esquerda.

Quanto ao resto, fico-me pelo voto que li no Farol das Artes:
"Um país que sobreviveu a Santana Lopes como Primeiro ministro, saberá sobreviver a Cavaco Silva como Presidente"...

Que irritação.

GONÇALO disse...

Votei em Cavaco Silva, por me parecer o melhor candidato para a situação actual do país, como aquele que melhor compreende a necessidade de controlar a despesa pública e as reformas que tem sido anunciadas pelo governo. No fundo, como o candidato que melhor pode entender a acção do governo. Não foi, por isso, movido por qualquer ideal messiânico que votei CS. Admito, no entanto, que muitos o fizeram, tal como o haviam feito em Fevereiro com José Sócrates, considerado o rosto da mudança. Esse é indiscutivelmente um mal português, e digo um mal porque acreditar no sebastianismo implica delegar no outro algo que, em parte, deveria partir de nós. Mas, adiante.

Não me surpreenderam os resultados, pelo menos a vitória à primeira volta de Cavaco. Já não consegui prever que Alegre ficasse à frente de Soares com uma vantagem tão clara. Pensava que o prestígio de Soares ainda o colocaria num "honroso" 2.º lugar. Estas eleições mostraram, uma vez mais, que a ideia de proximidade afectiva cede facilmente perante o pragmatismo cada vez mais comum, que faz com que a 3(!!!) meses de distância as eleições estejam já decididas, tornando irrelevante a campanha eleitoral e os debates na televisão.

O 2.ºlugar de Alegre pode dar-lhe algum peso no PS ou fora dele, mas é de uma flagrante demagogia dizer que está aberto o caminho para os cidadãos poderem participar na política, sem os partidos. É uma ideia romântica, de resto à imagem
de Alegre, mas que esbarra na força da democracia representativa.

Vejo que a vitória de Cavaco começa a ser desvalorizada por ter "apenas" conseguido 50,6%, ignorando-se que ganhou à primeira volta. Que desonestidade! O peso político de Cavaco está mesmo aí, na vitória à primeira volta contra 5 candidatos de esquerda.

Deixo para o fim duas notas negativas:

1) O discurso de Louçã. Foi incapaz de admitir a derrota, só conseguir falar na esquerda em abstracto e a sua intervenção foi mais um comício, com demagogia a rodos, quase uma manifestação de "autismo político". Confesso que não suporto a figura, o problema está, como VPV tem referido, no destaque que a televisão lhe dá, inaceitável para quem representa 5% do eleitorado. O BE é uma aberração política, onde estalinistas e trotskistas convivem em paz))). Inimaginável...

2) A ideia de Sócrates falar ao mesmo tempo que Alegre para lhe retirar a cobertura mediática devida ao candidato que ficou em 2.º Foi um golpe rasteiro, uma vingança ao jeito de Santana Lopes, quem sabe pior, que diz muito sobre a personalidade de Sócrates e dos tempos que vêm aí no PS.

Joao disse...

Oh homem, com essa é que você me desiludiu... :) Estava longe de o imaginar simpatizante de soares. Ou leio mal os sinais, ou não os li de todo, ou ando muito desatento. Enfim, a perfeição não existe.

CêTê disse...

Cada vez entendo menos de política e de futebol. Ora bolas e urnas, professor! Já não bastava ser benfiquista, caramba? Não sabia que era apoiante do Sr. Dr. Mário Soares!? Não há duas sem três... ;]]]]]]: qual é mesmo o outro tema? ;]]]]]- vá lá, professorzinho*** (RESPEITINHO!- esta era a voz da educaçã0)
Mas não há como a diversidade da espécie- fica tudo mais interessante.
Mas olhe que, convenhamos, o novo casal presidencial é bem mais português: magros, feios e secos!
Eu, como não fui convidada (;]]]]) para porta-bandeira, não vou dizer em quem votei mas que achei uma grande falta de inteligência política e uma candidatura de rancor e prepotência na campanha do Sr. Doutor Mário Soares, achei. Saber abdicar da sua candidatura teria sido sim (mas quem sou, eu') uma prova de lucidez. (predoem-me a leitura). Mas porque raio desistir de uma luta há-de ser entendida como fraqueza? E por que raio havemos nós de poupar os que consideramos amigos, e por quem temos estima, da verdade?


Agora é que me vou!

Apartidarimanete: Ó professor quando eu estiver a abusar do tempo de antena.. silencie-me. ;]

Faça isso que e vai ver!
Enquanto não tocar no outro assunto Tabu... vou chatea-lo todos os dias: NÃO VAMOS MARALHAL?

O Sical disse...

“Mas o que seria de Portugal sem o Sebastianismo?”

Permito-me hoje, e por esta frase, discorrer um pouco sobre o meu passatempo, que não é a História de Portugal, mas a História dos portugueses. Eu julgo que, no fundo, todos nós temos um imenso amor por Portugal. Mas não convivemos bem com isso. Unamuno, em carta a Pascoaes, diz que o sarcasmo de Eça mais não é do que lágrimas vertidas de amor pelo país. Somos um povo que “geneticamente” tem a necessidade de ser conduzido por um guia. É generoso, empolgado e labutador, desde que alguém o guie. Somos Sebastiânicos, sim. Pessoa afirma nos seus textos de pensamento político que há falta de um escol em Portugal. Que desde que o escol se foi com as caravelas pelos mares abaixo, nunca mais se recompôs ou regenerou um escol no país. Isto daria pano para mangas. Mas um facto hodierno é que as pessoas que vão andando pelas áreas de liderança do país não são as melhores. É um problema de qualidade. E isso desorienta a população nacional.
O dar-se mérito à mediocridade, provoca um agudizar do problema, empurrando a população para um descrédito nas instituições e no país que redundará em desespero.
Quando as leis são feitas para legitimar a corrupção, conforme diz hoje o António Barreto no Público, a doença já é grave e as terapias disponíveis escassas.
Ou um qualquer Sebastião, ou o euromilhões, esse imposto do desespero.

Cêtê no seu pior disse...

(esta esteja à-vontade para censurar: a intenção é pô-lo a sorrir) ;]]]]


loooooooooooooooooooool
OLhe professor, se for para se confessar Homofílico eu sou sua simpatizante.


Apesar se não ser ninfomaníaca (LOOOL) ENTENDA-SE Não sei que graça pode ter uma mulher.


MAIS VALE ESTA NÃO PUBLICAR! mas não resisto a mandá-lha.

Lusco_Fusco disse...

João
Eu vou ser mais directa, realmente senti-me desiludida. Mas enfim! Não há ninguém perfeito.

Angie disse...

Não tendo qualquer dúvida sobre a área em que recairia a sua decisão, sempre suspeitei que a sua inclinação fosse, entre as 2 hipóteses possíveis, para "essas bandas", Professor! Essas que aqui assumiu.
Mas alguém me tinha afiançado que não, que estava com Alegre.
De tudo achei possível.
Soares pela lealdade à figura, ou Alegre pela personificação do sentido cívico, ou simplesmente pela alternativa ao desastre previsível.

O que é certo é que, como Pedro Magalhães previa,
(e mais uma vez se viu "quem é quem" no ofício das sondagens, algumas das empresas bem podiam arrumar as botas)
Manuel Alegre demonstrou que o povo não é estúpido e que as pessoas estão de facto fartas e desconfiadas de quem lhes gosta de "ensinar a bíblia" e ditar o bem e o mal.
E foi mesmo o que ele traduziu, quanto a mim: a desmontagem dessa coisa necessária, de que toda a gente se começa a fartar: os partidos políticos...

Pessoalmente, não tenho dúvidas em achá-lo muito mais impreparado que Soares.
Mas, embora ele evoque em todos (acho que quase todos nós) aquele encantamento que vem de quem viveu, em que posição fosse, alguma coisa da resistência, não vou alinhar naquela ladaínha da direita que lhe dispensou uma indulgência condescendente de duvidosas intenções...porque não viu nele senão o "milagre divisor" dos votos da esquerda.

Não é nesse sentido obscuro que eu gosto do homem.
E gosto mesmo, juro que gosto. De um gosto antigo que sinto desde o tempo daqueles dois livros clandestinos que, em miúda, circulavam em surdina lá por casa, (já meio desfeitos e desconjuntados, dada a baixa qualidade da brochura).Era um "canto" e um "encanto" a quem ninguém podia ficar indiferente. Uma força irresistível.
Num tempo em que a palavra Pátria tinha um sentido estafado, de tanto dita, ali parecia emergir assim, magicamente, como se da primeira revelação do mundo se tratasse.Libertadora.
Daí me ficou a simpatia enorme por ele. Pelo poeta que li ainda antes de ser permitido, nos livros que eram do meu pai (embora este não fosse nem alinhado, nem opositor, mas acima de tudo, um devorador de boa poesia).

Quanto ao resto...faço como como a "Euronews"...
NO COMMENT.
(Nem pensar em vir abrir hostilidades em casa alheia, logo eu, que passei a noite eleitoral no meio de um grupo alargado de amigos, de variada representação política ...)
Mas não rebater o seu post, nem exprimir as minhas muitas discordâncias, não significa nem sucumbir à (aqui tão falada) "bajulação", nem muito menos sucumbir à tentação da indefinição política...ou da ocultação da escolha.
Só significa não querer misturar o que não tem de ser misturado.

Sempre "me pelei" por assumir tudo na vida e nunca, mas nunca fui de meias tintas no que quer que fosse. Por isso, só acrescento que estou contente.
Oh, yeaaahhhh!

L'homme en question não é o ideal, não faz o pleno das virtudes necessárias, mas tem todas, simplesmente todas aquelas que, para mim, são absolutamente essenciais e imprescindíveis.
Desta, foi... it was about time!

M em Campanhã disse...

raquítica esta maioria? oh professor, não me desiluda. e o que chama a 13%? osteomalácia? ou o purgatório?

a sol disse...

'....visto de fora, todo o processo de escolha de candidato pelo PS cheirou a esturro...'
e chegou, para amargurar quem não está por dentro.

Pra já vou arranjar um capote pro cacimbo.

a sul disse...

'...Ainda há gente capaz de se mobilizar por ideias e bater-se com denodo e isso é bom...'
Fui e vou por aí

lobices disse...

...temos apenas aquilo a que temos direito...
...tirei destas eleições, 3 básicas conclusões:
...1...Soares "era" fixe, agora é avô
...2...Alegre congregou em pouco tempo um movimento cívico importante
...3...dos cinco candidatos, claro que ganhou o mais óbvio (mas sempre pensei que houvesse uma 2ª. volta com alegria...)
...
...por isso, temos apenas aquilo a que temos direito
...não me posso queixar; votei com alegria; adormeci com tristeza...

ana disse...

:)

às vezes quase acredito que há povo a meter uns troquitos no bolso à custa de eleições, como se de uma corrida de cavalos se tratasse. enfim...

Maite disse...

Penso que no meio disto tudo, quem ganhou foi Portugal, por muito que custe a muitos aceitar. E concordo com o Gonçalo. Depois, penso que o mais esperto de todos foi Sócrates. De um só golpe matou "dois coelhos", o soarismo, que continuava a a ser uma sombra no PS (que se extinguiu ontem)e Manuel Alegre (o dissidente;) (diga-se de passagem que eu o admiro muito como poeta). Pelas caras dos ministros percebeu-se qual foi a estratégia do governo. Queria o professor Cavaco Silva em Belém, obviamente.

Bom dia

fora-de-lei disse...

Sócrates será, neste momento, um dos homens mais felizes com a vitória de Cavaco Silva. Para além de passar a ter em Belém um homem que - tal como ele - se está cagando de alto e de repuxo para o social, Sócrates não vai ter que tomar qualquer decisão sobre o voto em Manuel Alegre.

Estou convencido que até mesmo a triste e paupérrima votação em Mário Soares é para o primeiro-ministro um outro motivo de alegria. Ou seja, Sócrates vai limpando - paulitanamente - tudo o que ainda tenha um cheirinho a esquerda dentro do PS. Qualquer dia, a alcunha dele é o Tony Blair da Covilhã...

No meio disto tudo, há - talvez - um único senão: pese embora a azáfama dos últimos dias, desconfio que já ninguém irá a tempo de exercer qualquer ‘vendeta’ sobre o Procurador-Geral da República.

PS: eleitoralmente, Mário Soares não merecia a patifaria que Sócrates lhe fez. Admira-me é como é que um maduro de 81 anos, que tem a escola toda, se deixou indrominar desta maneira...

CêTê disse...

"Pela segunda vez em pouco tempo não abordei um tema que me interessava para não ser mal interpretado. Vamos então a isso:)"

Então "bamos" lá... ;]

Eu disse que ia chatear...
Vá lá, professor, provoque-nos.


Bom dia para todos (e perdoe-me a falta de juízo, maior ontem que noutros dias) ;]

Contador disse...

Só-
a-
res-

ponsabilidade de não dar
Cavaco
responde às injustas interpelações.

50,6% = 350%
de
14,3%!!!


Alegre-
mente-
falando?
Não!!!

Lusco_Fusco disse...

Prof JMV
Todos sabemos que um presidente no contexto da política portuguesa é uma figura emblemática.
Tenho pena que tenham usado o Dr. Mário Soares e o tenham deixado cair tão baixo (mas tudo previa isto, foi premeditado).
Ele tinha uma imagem que por si só era uma bandeira e incomodava muita gente.
Faz parte da nossa história recente e, para alguns, é parte positiva dela. Pois que assim fosse, sem esta mancha.

MJ

UmEco disse...

[Infelizmente] somos um povo de heranças pesadas e ainda não conseguimos alcançar a maturidade, a respeito de Sócrates admito que fiquei desiludido não pela sua escolha mas pela razão da escolha Presidencial mostrando ao contrário do que pensava, sangue novo no PS, é bastante mais parecido com Soares, ou assim pensava. Acredito que Alegre irá movimentar grandes alterações no PS, pelo menos assim espero...
As eleições mostraram claramente um cartão amarelo a Sócrates, apesar da sua esperteza politica, esperemos que não venha um vermelho, por todos nós e pelo futuro deste país de história tão pesada...
Um abraço a todos.

noiseformind disse...

Boss,
Acompanhei a noite eleitoral no melhor sítio possível: nos Cinemas AMC do Arrábida. Fui ver (pela segunda vez em 24 horas) Match Point, de Woody Allen ; )))
Em relação ao apoio a Soares pareceu-me (tu dirás se a parecença faz sentido) que o fizeste com alguma inveja da espontâneadade da candidatura de Alegre. E não me parece que tenha sido só por questões da "estratégia" a seguir. O Gusto tb andou muito escondido e ele não é homem para se afastar das ruas nesta coisa de campanhas. E Sócrates andou muito distante da campanha, por demais ficou evidente que nunca quis que "os seus" ficassem ligados a uma tão anunciada derrota.
Mas lá está, tb não fizeste o crossing até Alegre, afinal este movimento está condenado a perder-se nos corredores do poder conquistados pela maioria socrática ; )))))

E assim ficou-se-me a dúvida. Se não és homem nem de poder nem de querer para ti poder, pq tiveste tanta dificuldade em aproximar-te de alguém que pareceu tão distante de vontade de chegar ao poder, de tão voluntarioso???
Só me ocorre a amizade que te liga a tantos dentro do PS, afinal a política e a amizade estão, desde o embrião, entrelaçadas ; ))))) mas isto posso ser só eu a macambuziar...

Quanto ao meu voto... CA-VA-CO, CA-VA-CO, CA-VA-CO, CA-VA-CO ; )))))))))) loooooooooooool loooooooooooool loooooooooooooooooooool loooooooooooooooooooooooooooooooooool

Não como salvador da Pátria. Apenas e só como garante de que isto não desce ainda mais ; )

Maze disse...

Boa tarde,
Não sei o que se passa na mente de alguns. Finalmente cumpriu-se outra das pormessas de Liberdade de Abril, finalmente os portugueses terão possibilidade de ter outra maneira de estar na Presidencia da Republica para poderem aferir. Isto independentemente da personalidade Cavaco Silva. Só depois desta possibilidade seremos livres para podermos escolher no futuro. Algumas vozes que tenho ouvido parecem-me pouco mais do que "grandes educadores".... E por agora me fico.
PS: Professor, o ser do Benfica, acontece aos melhores.... mas hoje soarista? ( e o Dr. Mario Soares foi fundamental no cumprir Abril... claro que falo de politica não de afectos).

matilde disse...

"MAIORIA RAQUÍTICA"
É efectivamente o sumário destas presidenciais. Achei a sua análise excelente, Professor. Só acrescentaria umas pinceladas de sarcasmo ao nosso "sebastianiosmo" de 2006. É que este "cavaquismo" é matreiro e nada tem a ver com as "Trovas do Bandarra".
Sabem quem ganhou estas eleições em Gondomar, em Felgueiras, em Oeiras? Adivinhem..
Posto isto, digamos que o nosso "messianismo" actual está mais do lado do "cretinismo".

Matilde

matilde disse...

O PS português é, não um partido socialista, mas sim social democrata.
O PSD pertence ao centro-direita e não tem nada que se intitular social-democrata. Basta de nomenclaturas e guarda-chuvas hipócritas, que não correspopndem aos grupos parlamentares europeus.
Com o fenómeno "Alrgre", não seria de repensar a questão?

Os conservadores bem agasalhados e o povo pouco politizado que se riem do resultado do Louçã, não se lembram que muita gente BE votou "útil#" no Alegre, para permitir uma 2.ª volta. Não sabiam?

Superapiiiita disse...

Eu acho que o Cavaco está à altura sim sr!!! Nunca duvidei!!, deve ter, no mínimo, 1,80m.
Para além disso, prof. JMV, o tipo deve perceber da "poda"! (atenção que não useo o "h"...ihihih)
Não acredito que poetas, nem velhinhos contadores de histórias, possam desempenhar, em pleno, as funções de um Presidente da República.
Eu sou uma leiga nestes assuntos, no entanto, na minha modesta opinião, (ponham modesta nisto, porque eu sou realmente a mais modesta de todas as criaturas racionais...ihihih), Portugal precisa de alguém capaz de dar uns puxões de orelhas ao "filósofo". Chega!!!, de presidentes acomodados em gabinetes, que não pescam nada da gestão dum país, que nunca estiveram no activo, que nunca desfolharm um dossier deste ou daquele assunto. Por isto e por muito mais, que não interssa para aqui, contribui para a "minorca" da maioria. Arrepender-me-ei??...50% das hipóteses apontam, desde já, para isso :)
Ok!...mandem-me embora!!!
Boa tarde a todos!!!

nascitura disse...

temos o casal ideal para a maioria dos portugueses
Socrates/Cavaco
ou seja
promessas/económicas
como se só os sonhos euróticos bastassem para alcançar a felicidade

noise,
bem me parecia que havia aí qualquer coisa...

O Sical disse...

Permita-me mais um comentário.
Verifico que as pessoas olham para a política com paixão futebolistica. Nada analiticas. Sobre temas ninguém debate. Radicalizam-se posições. Não se foca questões.
Não sei porque é que alguém apoiar determinado candidato é uma desilusão. Novamente paixão futebolistica. Depois resta a irracionalidade e a mediocridade.
Por isso não se debate temas. A mediocridade em evolução levando alegremente o país para a exiguidade.

JG disse...

concordo em quase tudo o q disse prof..só não estou de acordo com essa de dizer q o manel alegre deveria ter feito mais..mas como????para quem tivesse duvidas..n se pode fazer nada sem a maquina partidária..fiquei muito triste pelo manuel alegre, pq acho q era o homem para tal cargo..mas como sempre perdemo-nos nas brumas de memórias...fica a obra do poeta

fora-de-lei disse...

matilde 2:19 PM

"Basta de nomenclaturas e guarda-chuvas hipócritas, que não correspopndem aos grupos parlamentares europeus."

Totalmente de acordo. E, assim sendo, o BE é o quê ? Um partido socialista ? Marxista ? Comunista ? Leninista ? Anti-comunista ? Trotskista ? Maoista ? Dos UDPs/PCRs e/ou PSRs/LCIs envergonhados ? Da esquerda caviar ? Pró-casamento dos gays ?

a disse...

cá em casa:

2 pessoas votaram louçã, 1 cavaco, 1 alegre e eu em branco!

Felizmente somos todos diferentes e podemos tornar pública essa diferença.

Pamina disse...

Boa tarde.

Também achei que Mário Soares não se deveria ter candidatado e também não gostei do seu processo de candidatura, contudo inicialmente, apesar de todos os "mas", era ele o meu candidato preferido e não digo isto para bajular ninguém.
Houve, aliás, uma troca de impressões animada aqui em casa, na qual expus as minhas razões e que acabou com o meu filho Viktor a dizer "ok, ok, I can see your point" (o intuito não era evidentemente convencê-lo "à força", mas defender as minhas ideias e o inglês não é por snobismo, mas porque estamos habituados a misturar várias línguas). Contudo, mudei de opinião e, embora também tivesse ficado um pouco desiludida com Manuel Alegre, a minha preferência acabou por ir para ele. Assim, acho que posso dizer que subscrevo o final do ponto 3 e o ponto 5.

Queria ainda referir o comentário da Nascitura(3.24). Gostei dos sonhos euróticos.:)

Também saliento as últimas palavras de A(4.12):
"...podemos tornar pública essa diferença." Isto parece-me realmente o essencial.

mariamaria disse...

Tb votei Soares. "Porque o considero o melhor dos candidatos na corrida, para me despedir em termos políticos e para lhe expressar a minha admiração."
Não consigo desligar da TV nestes dias e nem o Woody Allen me fazia ir ao cinema. Confesso que foi com uma lagriminha no canto do olho que ouvi Mário Soares a discursar, pensando que, para os mais jovens, o passado deste Homem não importa. Valeu a expressão carinhosa do olhar da sua Maria (Barroso, professor ;)). Por detrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher!
E não invejo nada a espontaneidade de Alegre! Prefiro pensá-lo como poeta...
Soares é mesmo fixe! Só ele para aceitar com toda a sua bonomia este final!

Olhar disse...

Jg
a obra do poeta e a prosa! "Cão como nós" simplesmente..., uma delícia, para quem deles gosta:) quanto ao homem, espero que ainda muito vá dar, nem que seja que..., e mais não seja ainda que, falar:)))

andorinha disse...

Boa tarde.

Em relação a méritos ou deméritos das campanhas dos diversos candidatos não me posso pronunciar muito, porque não as segui com atenção. Essas campanhas, para mim, são mais fantochadas e folclore do que outra coisa, confesso que já perdi a paciência para seguir comícios e debates onde não se diz nada de novo.
Gostei da votação expressiva em Manuel Alegre por ser demonstrativa de que realmente a política não se esgota nos partidos e de que há espaço para uma participação cívica a outros níveis. Sem uma máquina partidária por detrás e tendo conseguido congregar tanta gente à sua volta em tão pouco tempo, Alegre está de parabéns.
Tal como o Lobices, digo - votei com alegria, adormeci com tristeza (já esperada).
Em relação à coabitação também penso que será pacífica; Sócrates tem na Presidência quem ele queria, portanto...

Queria também dizer que concordo totalmente com o comentário de Sical.
"Não sei porque é que alguém apoiar determinado candidato é uma desilusão."
Lida-se com esta matéria como se de uma paixão futebolística se tratasse e as questões de fundo ficam por discutir.
Não estou a dizer isto por bajulação, como é evidente, mas porque é aquilo que realmente penso. Somos todos livres e racionais para podermos fazer as nossas escolhas em consciência.
Subscrevo o que diz A (4.12) "Felizmente somos todos diferentes e podemos tornar pública essa diferença".

Termino parafraseando a Cris lá em cima: "Um país que sobreviveu a Santana Lopes como primeiro ministro, saberá sobreviver a Cavaco Silva como Presidente..."

Polux2 disse...

O ANO DO NÃO

Soa como caos.
A dica é ácida.
Erro comum ocorre.
O Cavaco,
o ânimo domina-o.
Até o poder do povo é ovo podre do poeta.
Até o poeta!



As eleições são isso mesmo: palíndromos. Um chega e outro diz adeus. A mudança incessante das mesmas coisas. A renovação imutável. Princípio e fim na harmonização dos contrários. Já o dizia Heráclito de Éfeso. Já o dizia Xenófanes.

P.S.: O que mais me preocupa é se, de repente, ficamos sem comendadores. Tal não teria perdão!

O Grão–Mestre

Já Sampaio aparelha, acolhedor,
Com rútila cruz de colar pendente,
Um novo aspirante a comendador,
P’los altos feitos do nobre valente.
Guterres ovaciona com fervor,
Quando alguém perto diz, quase silente,
Que são já novecentos os senhores
Que Jorge elevou a comendadores.


Ao medalhar o Nobel camarada
Cedeu a Saramago o Grão Colar
Da Ordem de Sant’Iago e Espada
Que só reis e presidentes deve honrar.
Desobrigou-se bem de tal maçada
Dizendo que a Lei teria que mudar.
E nesse dia, já cansado e ofegante,
Faixou dezenas de Ordens do Infante.


E chovem cruzes, oficiais, cavaleiros
E Ordens de Cristo, Avis, Torre-e-Espada,
P’ra militares, políticos, banqueiros,
Dos quais pouco se ouviu falar ou nada.
Agora, dos lusos são os primeiros,
E ostentam na peitaça engalanada
Brilhantes símbolos de heróicos feitos,
E são aclamados, saem satisfeitos.


Por serem mais as comendas que os feitos,
Negou João Soares tal distinção;
Tengarrinha abdicou de iguais preitos,
E Jorge Silva ao outro Jorge disse não,
Por estar banalizada nos efeitos
Tão elevada mercê da Nação.
Mas se crescerem assim os negadores,
Como viveremos sem comendadores?


– É a vida! – diz Jorge – paciência!
Também Mário abusou de tais favores
E ninguém negou benevolência.
Continuarei sempre a dar louvores
Enquanto estiver na presidência
E fá-lo-ei com todos os rigores.
É assim meu dever pôr na história
Os lusos eleitos p’la fama e glória.

peciscas disse...

Acho que, depois destas eleições há coisas que não vão ficar como dantes.
Por muito que se diga que o M. Alegre era apenas .. poesia e retórica (e bem vistas as coisas não seria muito mais do que isso) fez despertar por aí muita gente que andava a "ver passar os combios".
Dei conta de pessoas, das mais diversas, que nunca andaram metidas na chamada "política", a angariar assinaturas para a candidatura e depois de bandeira na mão nos comícios.Vi, de longe, pois não fiz parte desse movimento.
Mas, abriu-se um precedente, quanto a mim perigoso, para os aparelhos partidários "tradicionais"; houve alguém que lhes perdeu o respeito e que levou atrás de si mais de um milhão de pessoas.
E isso, independentemente da continuidade ou esvaziamento deste movimento (talvez o destino mais provável a médio prazo),fará com que os profissionais dos tais aparelhos, no futuro, talvez tenham um pouco mais de cuidado, antes de procederem aos habituais jogos de imposição das suas "soluções". Passando por cima de tudo e de todos.
Entretanto, penso que a interpretação que aponta a Socrates a secreta intenção de se livrar definitivamente de Soares, talvez não seja de todo descabida.
O que, a ter-se, de facto, verificado, seria a mais ignóbil das manobras e uma prova de que a baixa política nunca vai bater no fundo. Haverá sempre um nível inferior a atingir.
Quanto à eleição de Cavaco, a esquerda "oficial" ofereceu-lhe um penalty e mesmo assim, ele só marcou na recarga e com a bola a bater no poste.
Mas o coabitação não vai ser fácil. Porque, provavelmente o Sócrates é capaz de pôr o Professor Presidente à prova, com algumas pequenas provocações para experimentar como reage. Mas também o PSD e o PP vão lidar com uma situação não muito cómoda: quando criticarem rudemente o Governo como terão de fazer para não se esvaziarem como oposição, e se Cavaco mantiver o silêncio, irão criticar o Presidente ou serão coniventes com esse silêncio? Ou deixarão cair o discurso da estabilidade que foi a pedra de toque do Professor de Boliqueime durante a enfadonha campanha que levou a cabo?
Os desenvolvimentos, como é costume, já a seguir...

Sperapiiiiita disse...

"Tb votei Soares. Porque o considero o melhor dos candidatos na corrida..."
isto é hilariante!!!, do melhor que já li nos últimos tempos!!! LOOOOOOOOOOOOOOOOOOL

Angie disse...

Noise?!!
Ó Noise!!!
Estou pasmada contigo!:O) :O)
Não é contente, nem desiludida, é só pasmada!
Não que alguma vez me passasse pela cabeça especular acerca das inclinações políticas de cada um dos participantes, neste local. Não me passou mesmo nunca.
Noutros sítios, sim. Tratei de travar "razões" (passe a conotação bélica) sobre as escolhas possíveis no dia 22. E o bem e o mal de cada uma.
Ainda sou da geração para quem a política significa alguma coisa de superiormente importante.
Geração de causas, em vias de extinção (?)

Mas achei uma infinita piada (no bom sentido do termo), confesso que achei!
Depois de ter visto tantos amigos e conhecidos da soit disant direita a votar em branco, ou a votar noutro que não CS, tamanha a sanha que lhe têm, por esta não esperava!

Ora aí tens tu a boa família portuguesa e os bons costumes no poder!!!
Com a tua ajuda e com a minha, mas que coisa tão engraçada!!

CêTê disse...

Eu gosto de dormir de meias. Não consigo adormecer com os pés frios. Antes de adormecer, às vezes, descalçam-se um ao outro e enrolam-se trocando mimos. Depois afastam-se conquistando espaço. Mas quase sempre encontram outros... ;]]]]... uns atrevidos outros só irrequietos.

CêTê disse...

A superpita pensa que estamos a falar de Ginásios ou quê? LOOOOOL

(bjucus oh... superpita)


Mas agora que "hansaplasto" ;]... na tua parvónia não escolheram o retatin ?

matilde disse...

-As pessoas pouco informadas,e que não têm acesso â reflexão, não são livres pois reajem de acordo com a sua estreiteza de horizontes.

-Exprimir a desilusão perante a eleição de uma figura de quem não apreciámos, no passado, a orientação económica, a forma de comunicação,etc, o presidente de TODOS os portugueses (frase inventada por Mário Soares, faz tempo) nada tem de futebolístico,muito pelo contrário.

-Regra de ouro da democracia: o voto é secreto.
Não entendo por que será louvável o contrário.

-Toda a gente sabe que o Bloco de Esquerda se assemelha, pelas teorias ecoilógicas e económicas aos "verdes" alemães e a outras formações europeias congéneres. Não sendo apoiante do dito partido, acho de algum primarismo, alguém vir logo com os caviares e os matrimónios gay...Reafirmo que as siglas PSD e PS, partidos de governo, não são adequadas nem à sua prática, nem aos restos de ideologia (?)
de que descendem.

Saúde!
Mat.

Eduardo Leal disse...

Júlio Machado Vaz...
Estou literalmente em estado de choque!!!!
Acabo de descobrir que depois da vitória esmagadora (porque ridiculamente tangencial) de Cavaco Silva, há uma coisa pior que ver o homem presidente por 5 anos (10?! - Tenham dó!).
Essa coisa, é descobrir que o Professor (o JMV) é coo-responsável pela desgraça que se abate sobre nós todos - votantes no Prof (o ACS), inclusivé.
Já sei... irá continuar a argumentar que o nosso ex-fixe Presidente foi isso mesmo, fixe enquanto presidente.
Poderá ainda argumentar que o Manuel Alegre teve tudo menos Alegria na campanha.
Mas, mesmo que a campanha de Alegre tivesse sido um milagre da mobilização e das ideias novas de uma nova esquerda, teria servido para mudar o seu sentido de voto?!
Aprecio a fidelidade... é aliás um dos atributos que mais admiro nos meus Amigos, mas... será que Soares foi fiel a todos os que acreditaram nele nos finais do século passado?
Aprecio ainda mais o pragmatismo político... essa lógica do possível que evita a condenação a médio prazo da minha lógica dos ideais.

Como poderíamos nós, votantes convictos numa ideia de poder diferente da que ontem venceu as eleições, votar num Homem que corria apenas contra um fantasma do seu passado.

(E agora viveremos todos nós debaixo do seu espectro.)

Reafirmo. Estou em estado de choque!
Mas gostaria de lhe dizer que, apesar de tudo.. se daqui a 5 anos decidir avançar com uma candidatura independente, mesmo que contra a vontade de todos os aparelhos... eu votarei Júlio Machado Vaz!

Julio Machado Vaz disse...

Eduardo,
É isso! E depois passeio-me pelas ruas a acenar ao bom povo português. Conduzido pelo Sousa, que farei comendador quando sair de Belém:).

andorinha disse...

Matilde (9.40)
Gostaria de dizer duas coisas em relação ao teu comentário.
Totalmente de acordo em relação ao primeiro ponto - as pessoas pouco informadas e que não reflectem, não são verdadeiramente livres.
Quanto ao segundo ponto, exprimir-se a desilusão pela eleição de alguém de quem discordamos politicamente é normal e nada tem de futebolístico; mas não foi isso que algumas pessoas aqui disseram.
Algumas pessoas manifestarm-se desiludidas com a opção de voto de outras. Ora isto não tem cabimento e é viver as coisas em termos futebolísticos, um pouco.
Eu fico desiludida com o Júlio por ele ter votado em Mário Soares? Fico desiludida com o Noise por ele ter votado em Cavaco?
Eles ficam desiludidos comigo por eu ter votado em Alegre???
Mas isto faz algum sentido?
Repito o que disse a A - "Felizmente somos todos diferentes e podemos tornar pública essa diferença".

matilde disse...

Gostei de ver há pouco no Programa "Prós e Contras" umas eminências muito grisalhas a constatarem que votaram Cavaco, mas que não podem prever como ele vai funcionar, pois teve o supremo talento de "não se comprometer". Mas isto é HORRÍVEL!!! Os portugas votaram em "não me comprometo". Ou seja o avesso da racionalidade, da democracia séria,da maturidade política. Ensinaram-me que tudo na vida é compromisso. E depois ao ver esta vacuidade de tudo, não havemos de ficar desiludidos? DESILUDIDÍSSIMOS. Até porque metade de Portugal, menos "raquíticas" décimas, não engrenou no self-made-man de boliqueime e vai ter de levar com ele. Mas daqui a uns tempos se vai ver...

Acho muito bem que o Profe tenha votado no MS. Eu é que jamais me confiaria a um psi cavaquista.

Mat.

Anónimo disse...

Com todo o respeito pessoal que lhe é devido, é por essas e por outras ancestrais amizades entre Famílias Soares, Machados Vaz e outros que tais da nossa praça, que esta política à portuguesa mais parece(e é) um " business as usual ", pouco virada para os problemas das Famílias Silvas e Sousas, que se limitam a depositar o seu voto nas urnas, convencidos que estão a servir a Républica, quando afinal continuam a engordar a Fidalgia...
A Fundação Soares é fixe!!...( mas acabou e esperamos que Portugal siga dentro de momentos..)


De um Silva sempre encavacado com todos estes líderes tidos como providenciais, que não passam de bons cobradores de impostos sem fraque.

moon disse...

Votei Cavaco. Tenho dito!
Acredito mais em competência e, acima de tudo, em seriedade do que em boas intenções. E estou plenamente consciente de que ao Presidente da República não compete governar e não pretendia de modo nenhum que fosse esse o papel de Cavaco Silva. Também não tenho má memória e lembro-me dos 10 anos de governo "Cavaco" e dos (muitos) erros...
Agora, assusta-me ter à frente do governo um primeiro ministro com tal falta de visão politica e estratégia para 'apostar' num candidato como Mário Soares (com todo o respeito que me merece como politico). Que outras decisões tão acertadas irá ele tomar de futuro a bem da nação?!...

Anónimo disse...

A BEM DA NAÇÃO?????

Mas onde é que eu já ouvi isto?

inês costa disse...

professor, excelente post! disse exactamente aquilo que penso por metade do número de caracteres que eu utilizaria para me fazer entender.
na verdade, e mais ou menos em resposta ao que li em alguns posts acima, não creio que se possa considerar grande vitória aquela que o professor cavaco silva arrecadou, na medida em que foi o único candidato que antes de o ser já o era (como a pescada!). as décimas que o afastaram da segunda volta traduzem o início de um reconhecimento generalizado por alguns portugueses de que, afinal, este salvador endossado sabe-se lá por que forças protectoras do país dos Fados também não assentaria tão perfeitamente no perfil de presidente que portugal precisa.
votei soares. com algum constrangimento que não preciso justificar, mas com a sensação que do mal... o menos.
penso que entre o candidato-poeta e o professor cavaco, a vitória do segundo é muito mais benéfica para todos (especialmente para o Governo), porque pior do que tudo seria um país de atritos entre poderes (e esses atritos seriam inevitáveis dado o conflito de interesses óbvio que existe entre os protagonistas).

a melhor das notícias é que esta novela das campanhas já terminou!

cumprimentos,
inês.