sábado, dezembro 02, 2006

Espero que no Murcon se discuta sem resvalar para a ofensa pessoal...

As polémicas do referendo

Marina Costa LoboPolitólogamarinacosta.lobo@gmail.pt

Cavaco Silva cumpriu o prometido na campanha eleitoral anunciando na quarta-feira passada que convocaria o referendo sobre o aborto para 11 de Fevereiro de 2006. Este anúncio foi feito no seguimento da aprovação pelo Tribunal Constitucional da pergunta tal como ela vai ser formulada aos portugueses, nomeadamente se concordam com a interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas num estabelecimento de saúde por livre vontade da mulher. Esta pergunta encerra pelo menos quatro polémicas que poderão ser cruciais na decisão dos portugueses. Em primeiro lugar, discute-se a despenalização do aborto. Desde o último referendo sobre o mesmo tema, realizado em 1998, temos assistido a alguns casos mediáticos de julgamento de mulheres. Neste aspecto da questão reside o maior apoio ao "sim". Existirá um alargado consenso de que julgar e condenar mulheres em tribunal depois de terem realizado um aborto é errado. Em segundo lugar, discute-se a questão sobre quando é que um feto se torna um ser humano. Ao propor que a mulher tem soberania sobre a vida que tem dentro de si até às dez semanas, a pergunta remete para questões éticas e filosóficas sobre o início de um ser humano, tema que dá azo a explicações religiosas, já que os critérios científicos não conseguem dar resposta cabal a esta questão. Aqui joga-se a cartada mais forte do "não" ao referendo. A terceira polémica que a pergunta encerra e a que os portugueses vão ter que responder é a questão do papel do Estado neste assunto. A proposta do PS é que seja o Estado a financiar as interrupções voluntárias da gravidez. Esta cláusula parece importante para evitar que as mulheres com menores rendimentos continuem nas mãos de pessoas sem escrúpulos nem condições sanitárias para levar a cabo a realização de um aborto. No entanto, também aqui há acesos debates. Já li e ouvi comentários de partidários da despenalização mostrarem o seu repúdio pelo facto de serem os contribuintes do Estado português a arcarem com esta responsabilidade. Devemos promover um Estado providencial que "resolve" todos os problemas ou responsabilizar quem teve maturidade suficiente para engravidar? A quarta polémica que esta pergunta encerra reside no facto de o aborto ser realizado livremente a pedido da mulher. Esta expressão abre uma porta para que se advogue que, com a vitória do "sim", o aborto passa a estar liberalizado, isto é, transforma-se em mais uma forma de contracepção que pode passar a ser usada indiscriminadamente pela mulher.A partir de agora todos tentarão moldar eficazmente o discurso dos meios de comunicação sobre o tema, puxando a análise para a polémica que mais favoreça a sua opinião. Com a relativa descoordenação e falta de unidade dos partidos e a multiplicidade dos movimentos associativos, as probabilidades de que o debate se faça estrategicamente diminui. E a de que sejam grupos mais radicais de ambos os lados a tomar conta do discurso público aumenta. O resultado desta radicalização poderá ser um alheamento e consequente abstenção da população em geral. Daí que seja fundamental o empenho dos partidos na campanha por forma a garantir a estruturação do debate.Não teria sido possível aos autores da pergunta formular uma questão que abrisse menos polémicas e valorizasse mais a questão da despenalização? De facto, para que o "sim" ganhe será necessário que o debate se faça em torno desta questão. Apesar de tudo, existem razões objectivas para que assim seja. No dia seguinte ao referendo, se o "sim" ganhar haverá um efeito directo sobre o processo penal em Portugal: deixarão de ser julgadas mulheres em tribunal. Essa é uma certeza. Já os efeitos sobre o aborto em si resultantes de uma vitória do "sim" não são certos. Estes não dependem essencialmente da legislação, mas sim de uma série de complexas circunstâncias sociais, económicas, físicas e psíquicas em que a mulher se encontra.Se o ser humano começa a partir da concepção, os partidários do "não" deverão assumir-se contra o aborto em qualquer circunstância, incluindo a violação e outros casos extremos. Nos Estados Unidos, tem-se verificado não haver um apoio maioritário entre a população em geral a esse posicionamento, embora haja muitos eleitores contra o aborto nas fases mais tardias da gravidez. A ser assim também em Portugal, isso significaria que afinal o que divide a maioria dos portugueses não é o sim ou o não à intervenção voluntária da gravidez, mas em que condições esta deve ser realizada, o que também pode levar a concordar com a despenalização.

46 comentários:

CêTê disse...

Bom dia!, o texto é longo e o sono ainda é Rei. Contudo, e numa leitura diagonal ocorre-me tecer os seguintes comentários:
No terreno escolar continua tudo na mesma- não existem gabinetes médicos e os psicólogos são escasso. Não se investiu o suficiente em formação de professores- e eu sou de acordo com formação obrigatória em campos importantes.
Campanhas de sensibilização e informação sobre métodos contraceptivos, houve?
Continuam a ser abordados os assuntos em telenovelas e séries televisivas nem sempre da melhor maneira. Impõem-se ordem na mesa.
Por exemplo, muita gente ÑÃO SABE, usar o preservativo masculino. E isto é absolutamente verdade e corre todas as fauxas etárias- GRAVE! Preservativo feminino... ausente em muitas farmácias. Pena!
Com um povo desinformado e com conceitos poluídos que validade terá um referendo? Espero que daqui até lá se intensifiquem campanhas e debates.
Mas sou de opinião que a serem pagos abortos que se investa (no mínimo o mesmo valor) em contraceptivos apoiados com campanhas esclarecedoras.
abraços.
(haverá muito para analisar mas o soneco não permite)
bjnhs
N.B- gostei da sua recomendação, prof!;]]]]

CêTê disse...

Não percebendo nada de Leis, há uma coisa que me parece justa mas não sei...
É assim: Quando a informação é disponibilizada e trabalhada quem "facilita" ou transgride" deveria ter um tratamento diferente de quem não teve esses privilégio/ direitos satisfeitos.
Não sei se me faço entender...

zzzzzz ;¨

PAH, nã sei! disse...

Boa tarde!

Para já, ainda sem ler na integra, o titulo do "post" ...
Professor :) vai passar a ser: "chefinho precavido"

Aspásia disse...

BOA TARDE

A PROPÓSITO DE DISCUTIR SEM OFENSA.

FEZ ONTEM 1 ANO, DIA 1 DE DEZEMBRO, QUE, PELA PRIMEIRA VEZ COMENTEI NESTA CAIXA.
ALIÁS COMO ANÓNIMA PORQUE NEM TINHA AINDA BLOG.

JÁ SEGUIA O MURCON DESDE O SEU INÍCIO, MAS NÃO FREQUENTAVA AINDA A CX DE COMENTARIOS A NÃO SER ESPORADICAMENTE.

COMECEI A FAZÊ-LO NESSE 1 DEZEMBRO D 2005.

POR SINAL O DIA DA ESTREIA DE UM FAMOSO PROF. PARDAL QUE MUITA CELEUMA LEVANTOU. É EVIDENTE (PARA Q O CONHECEU) QUE ESSE PERSONAGEM QUASE OFENDEU O PROF.... E QUE PODERIA TER EXPOSTO OS SEUS PONTOS DE VISTA, MUITAS VEZES FUNDAMENTADOS COM INTELIGÊNCIA E ATÉ BRILHANTISMO E COM QUE MUITOS DOS QUAIS ATÉ ESTIVE DE ACORDO, DE UMA FORMA REBELDE E INCONFORMISTA MAS MENOS CONTUNDENTE.

RELEMBRO TAMBÉM A AMOK_SHE, QUE ABANDONOU ESTA CAIXA DEPOIS DE SE TER ENVOLVIDO EM ALTAS DISCUSSÕES COM O DITO PROF. PARDAL DIABRETE. TANTO UM COMO O OUTRO REVELARAM SER PESSOAS EXTREMAMENTE INTELIGENTES.

MAS ENQUANTO O DITO PARDAL ROÇAVA AS RAIAS DO MAU GOSTO E DA OFENSA, A AMOK_SHE SEMPRE SE MOSTROU ABERTA E TOLRANTE COM ELE E COM TODOS DESTA CAIXA.

QUANDO A AMOK-SHE FOI ACUSADA - CURIOSAMENTE, A MESMA CALÚNIA DE QUE EU FUI ALVO RECENTEMENTE POR UM CONHECIDO EX-COMENTARISTA DESTE BLOG - DE TER ELA PRÓPRIA INVENTADO O PERSONAGEM PARDAL, COMO EU FUI ACUSADA DE TER INVENTADO O PERSONAGEM, BUFÓLOGO, A AMOK_SHE ENTENDEU POR BEM RETIRAR-SE DESTA CAIXA. POIS FOI PENA. FOI UMA PERDA PARA TODOS NÓS.

BASTA VER O BLOG QUE A AMOK_SHE (CURIOSAMENTE TEM A MINHA IDADE) MANTEM ATÉ HOJE.

QUANTO AOS PERSONAGENS PARDAL E BUFÓLOFO... É CLARO QUE SÃO DUAS ROUPAGENS PARA UMA MESMA PESSOA... PARA QUEM AINDA NÃO TINHA PERCBIDO...

MAS ENFIM SÃO ÁGUAS PASSADAS...

ERA O FIM DOS "DIFÍCEIS AMORES".

O MEU COMMENT FOI PRECISAMENTE O ÚLTIMO DESSE DIA, EM QUE OS COMENTÁRIOS ATINGIRAM OS CENTO E TAL.

DE ENTÃO PARA CÁ, SEMPRE TENTEI AQUI NÃO OFENDER NEM MELINDRAR NINGUÉM;
IGNOREI ALGUMA PIADAS A MEU RESPEITO; RESPONDI À LETRA QUANDO ME CONSIDEREI OFENDIDA;
TENTEI AJUDAR, NA MEDIDA DO POSSÍVEL ALGUMAS PESSOAS.

ESPERO CONTINUAR AQUI A SER O QUE SEMPRE FUI.
FIEL A MIM PRÓPRIA E a`S MINHAS CONVICÇÕES E TENTANDO SEMPRE ENTENDER O OUTRO.
MAS NÃO PERMITINDO QUALQUER AGRESSÃO, QUER DIRECTA OU INDIRECTA.

É ASSIM QUE ENTENDO A VIDA.

BOM RESTO DE FIM DE SEMANA PARA TODOS.

(ACONSELHO VIVAMENTE O "CORRIGINDO BEETHOVEN" A QUEM AINDA NÃO VIU; PROF.? PAH?)

CêTê disse...

de saída...

Noise, fazes cá falta. Ainda que nem sempre te leia, ainda que por vezes discorde ou não tenha se quer opinião formada sobre o que opinas, a diversidade enriquece.
Tenho pena que alguns comentadores habituais desapareçam ainda que isso possa ter um significado positivo.
bjnh
Ainda bem que muitos voltam aqui...sem rancores, pelo livre prazer de comentar.

noiseformind disse...

Boss,
A 28 de Junho escrevi:
"É consensual em países como a FinlÂndia, a Espanha e a França, pq é que me haveria de preocupar? A irritação do útero para expulsão do blastócito é um processo perfeitamente natural que ocorre em qualquer coisa como 70% das fecundações de uma mulher por um homem e os mecanismos ligados a esse despoletar são os mesmos que levam a pílula anti-concepcional a funcionar com uns assinaláveis 99,2% de eficácia. Abortar não é complicado pq é algo para que o corpo está preparado, é uma possibilidade fisiológica tão natural como a concepção. Se se trata de uma gravidez surgida no âmbito de uma sexualidade não reprodutiva é natural que seja uma gravidez que não se queira levar até ao fim. Esta "naturalidade" do aborto é estatisticamente relevante. Por exemplo a Finlândia tem tido uma variação méida de 1% no nro de abortos. Porém, os nascimentos têm caído à taxa de 5% ao ano. Ou seja, a longo prazo e em países em que o aborto está legalizado a taxa de abortos mantém-se constante. Dirá o JFR "sinal que as gajas não se sabem controlar e estão mal-educadas em termos de bem ajuizar as quecas". Mas eu direi apenas que o recurso ao aborto é constante pq é, no longo prazo, encarado como mais uma forma de contracepção, e ainda por cima uma com 100% de eficácia. Claro que em Portugal dizer isto acabava logo com qualquer projecto-lei fosse do que fosse. Mas não é nada que preocupe a Suécia, a braços com a mesma inelasticidade da curva de prática de abortos em relação à natalidade. Espanha vive nos últimos 5 anos o maior boom na sua natalidade desde os anos 80 e a taxa de abortos está a galopar 20% aos ano. Não é o aborto que vai afectar a natalidade, passem os olhos pelos dados do Johnston's e comprovem, se por acaso não acreditam em mim. Portanto, se no longo prazo a natalidade não é afectada pela possibilidade de abortar não vejo que outra razão que não seja a adoração ao Grande Falo o motivo que mantém cativas as mulheres em relação ás suas escolhas."

E limito-me a reiterar. Estamos tão, mas tão atrasados em relação aborto que n é esta lei que nos vai meter a par com ninguém. Esta lei vai-se limitar a colocar um pouco mais de dignidade ao dispôr das mulheres. Compreender que o aborto é um direito de quem tem um corpo que é seu é algo demasiado avançado para a lusa mentalidade.

Cleopatra disse...

Ora bem, Lei e ciência à parte, moral e religião de fora, fica uma pergunta:
E o Sr. Professor?
O que responderá??

É que o que disse aqui, já todos nós pensámos.
O que disse aqui, já todos nós sabemos.
O que não conseguimos é decidir qual a melhor opção.
~
Eu por mim ainda não fiz nenhuma postagem sobre o assunto.

É que como mulher respondo-lhe uma coisa.
Como Mãe respondo-lhe outra.
Como filha agradecida por ter nascido, respondo-lhe outrassss.
E como Juiz respondo-lhe de certeza outra.

É complicado Professor.
Mas diga-me professor: - Que responde o Senhor?

Aspásia disse...

PROF:

COMO NÃO GOSTO DE DEIXAR COISAS MAL ESCLARECIDAS:

EU FUI ACUSADA PELO NOISE DE TER INVENTADO A PERSONAGEM "BUFÓLOGO".

A AMOK_SHE FOI ACUSADA PELO NOISE, NO PRINCIPIO DE JANEIRO E NO BLOG DELA, NÃO AQUI, DE TER INVENTADO A PERSONAGEM "PROF_JOSÉ_PARDAL_DIABRETE_JR".

EU FUI ACUSADA SEM EXIBIÇÃO DE PROVAS E NEGUEI. NUNCA ATÉ PODERIA TAL FAZER, POIS PARA QUEM TEBNHA VISTO O BLOG QUE O DITO "BUFÓLOGO2 ME DECICOU E QUE JA APAGOU, EU NEM TINHA CONHECIMENTOS INFORMÁTICOS DE TAL MONTA, PARA FAZER AS BRINCADEIRAS Q LÁ ESTAVAM.
ALÉM DO MAIS JA ME VEJO BEM AFLITA CO O PROBLEMA OCULAR QUE TENHO PARA GERIR OS MEUS BLOGS E LER OUTRA MEIA-DÚZIA, MUITAS VEZES POR INTERMÉDIO DE UM PROGRAMA LEITOR DE ECRAN EM VOZ ALTA.

A AMOK_SHE, NA ALTURA, JANEIRO DE 2006. DISSE, INDIGNADA, AO MESMO NOISE, QUE MAIS TINHA ELA QUE FAZER DO QUE ANDAR A FAZER BLOGS INVENTADOS E COM NOMES FALSOS.

QUEM QUISER VER O DITO BLOG DO PROF. PARDAL E QUE TAMBÉM REVELA DOMÍNIO ELEVADO DE SCRIPTS INFORMÁTICOS - ALIÁS CONFESSO QUE MUITO APRENDI QUER COM OS BLOGS QUER DO PARDAL QUER DO BUFÓLOGO - BASTA IR A HTTP://PROFPARDALDIABRETEJR.BLOGS.NO.SAPO.PT

NOISE

VISTO QUE VOLTASTE, OLHA NADA MAIS ME RESTA DIZER QUE ESPERO QUE O QUE ME DISESTE E à AMOK_SHE SOBRE A INVENTARMOS "PERSONAGENS" (OU PERSONAGEM...) TENHA SIDO O QUE REALMENTE PENSASTE... E NÃO A SUGESTÃO DE OUTRÉM. MAS QUNDO VOLTARES A FAZER INSU«INUAÇÕES DESSAS, APRESENTA PROVAS. POR EXEMPLO OS IPS DAS PESSOAS ENVOLVIDAS - OS "PERSONAGENS2 E OS SEUS ALEGADOS "INVENTORES".

NÃO PRECISAS DE RESPONDER, MAS SE O FIZERES, OU SE M FIZERES ALGUMA PERGUNTA, RESPONDEREI QUANDO PUDER.

ESTOU COM MUITAS DORES NOS OLHOS E TENHO MESMO DE DESCANSAR AGORA DO PC.

FIQUEM TODOS BEM.

noiseformind disse...

Em relação ao texto da senhora politóloga é um texto feito de "não sei" "não compreendo" e "se isto..." e "se aquilo...". Alguém lhe terá pago para ao escrever? E depois faz uma comparação final que mostra bem o grau de googleização a que chegaram os nossos cronistas, ao comparar a situação americana (em que o aborto é legal em certos casos até ás 24 semanas) à situação portuguesa, em que o aborto é autorizado desde que se tenha dinheiro para o ir fazer a Espanha. Comparações de tal modo absurdas que mostram bem o grau de inquinação que o debate sobre o aborto atingiu, degradando-se desde 1998. Por exemplo: o Governo ainda n tem um plano pós-referendo, o que previsivelmente irá atrasar a entrada em vigor da medida. Haveria mais apoio da parte do PS do que dizer "e se o Som ganhar temos este projecto na calha e poderá ser feito aqui e aqui desta e daquela maneira". Penso portanto que a pudícia eleitoral desta vez é maior do que na anterior chamada. O "Sim" pensa que é natural que ele ganhe, o "Não" aposta nos corredores do poder para adiar a regulamentação para as calendas gregas.

Pelo meio disto tudo perdeu-se a Lei da Educação Sexual. As escolas que deviam ter arrancado este ano com os projectos piloto defendem-se que não têm verba nem professores, afinal estão todos a dar aulas de substituição em que os alunos se ambientam nessa importante arte social lusa da bisca lambida e da sueca. Daniel Sampaio virou-se para outras honrarias sociais e pregará a outros peixes recebendo daí outras benesses e publicando mais uns livros baseados no seu sólido currículo. Tudo muito natural... tudo muito lamentável...


Portanto depois do referendo ficará tudo na mesma. A obtenção de um aborto será um labirinto burocrático, a questão social empurrará as mulheres para a gravidez sob medo que nas permeáveis paredes dos centros de saúde se saiba que fizeram o desmancho. Não é o referendo que me faz recear, é a aplicação da lei numa sociedade tão estigmatizada pelo síndroma do "vizinho do lado" como é a portuguesa.

Aspásia disse...

CORRIJO O LINK Q DEIXEI ACIMA, PORQUE ATÉ NAS PEQUENAS COISAS NÃO GOSTO DE SER INEXACTA OU DO POUCO MAIS OU MENOS.

http://josepardaldiabretejr.blogs.sapo.pt/

CLARO QUE O PROF. PARDAL APAGOU O BLOG E O PERFIL BLOGGER... MAS DEIXOU ESTA PÁGINA PESSOAL TALVEZ PARA RECORDAÇÃO E ATÉ COM BONS EXEMPLOS DE SCRIPTS INFOIRMÁTICOS... COMO BOM PROF... COMO SE INTITULAVA...

SÓ QUE A SUA COMPAIXÃO PELO SEU SEMELHANTE NÃO IGUALA O SEU ELEVADO INTELECTO.

SE ELE UM DIA O CONSEGUIR TORNAR-SE-Á ENTÃO UM VERDADEIRO HOMEM. E CREIO BEM QUE É ISSO QUE VAI ACONTECER PORQUE EU ACREDITO NO BEM E NO SER HUMANO.

ATÉ BREVE A TODOS.

thorazine disse...

"Se o ser humano começa a partir da concepção, os partidários do "não" deverão assumir-se contra o aborto em qualquer circunstância, incluindo a violação e outros casos extremos."

Realmente é uma questão que ja tinha reflectido! Então se os pró-vida defendem a vida a humana, ignorando os factores económicos, sociais e psicológicos dos pais não percebo como é que no caso da violação ou da deficiência isso possa mudar! Então qual é a diferença (do ponto de vista do observador) de um puto concebido numa noite de alcool e um de uma penetração forçada? Qual é a difenrença entre um puto saudável e um com trissomia 21? Não são vidas humanas? Não percebo! Uns são filhos outros enteados...

thorazine disse...
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thorazine disse...

"Compreender que o aborto é um direito de quem tem um corpo que é seu é algo demasiado avançado para a lusa mentalidade."

Subscrevo! E distorço! Um gajo quer-se "drógar" com dignidade e nem pode.. LOLOLOLOL

lobices disse...

...gostaria de ter o poder da palavra e da argumentação para poder discorrer sobre o assunto do post em apreço
...mas não tenho... não sou juiz para julgar, nem sou mãe, nem sou mulher, nem consigo engravidar
...porém, vou ser chamado a dar o meu voto num referendo popular sobre a despenalização da mulher que faça a IVG até às 10 semanas por sua escolha e em estabelecimentos próprios para esse efeito
...não sou juiz para julgar o acto de abortar
...não sou mulher para sentir, ou não, dentro do meu corpo o evoluir de um novo se
...não sou cientista para saber se e a partir de que momento um embrião é um ser humano, uma vida, etc
...não sou mãe para saber o que é ter, ou não ter, filhos
...porém, vou ser chamado a dar o meu voto num referendo popular sobre a despenalização da mulher que faça a IVG até às 10 semanas por sua escolha e em estabelecimentos próprios para esse efeito
...não sou juiz para julgar ou não a mulher que abortou e se isso foi ou é um crime
...não sou nem faço parte duma entidade religiosa pela qual possa reger a minha atitude face âs eventuais normas dogmáticas sobre o que é a vida e sobre se ela deriva da vontade de um ser superior ou não
...não tenho absolutamente nada que me permita discernir correctamente sobre o tema "aborto" ou mais complacentemente conhecido por IVG (voluntária ou não)
...porém, vou ser chamado a dar o meu voto num referendo popular sobre a despenalização da mulher que faça a IVG até às 10 semanas por sua escolha e em estabelecimentos próprios para esse efeito
...possuo apenas a minha consciência
...e vai ser com ela, com a minha consciência, que eu me vou debater até tomar uma decisão para votar
...porém, essa decisão já está tomada há muito
...vou votar sim como votei sim em 98
...e voto sim apenas e unicamente porque entendo que a IVG é uma decisão que diz respeito à Mulher
...apenas este o meu argumento
...errado? Aceito até que os defensores do "não" o digam
...mas para votar tenho de ter um (pelo menos) argumento que sirva a minha consciência e esse, único e vital para mim, é o argumento da Liberdade pela qual sempre lutei
...sermos livres e assumirmos as consequências dos nossos actos, mas livremente, sem coacções
...voto "sim" na esperança que a Mulher que um dia faça uma IVG seja livre para o fazer e saiba assumir as consequências desse seu acto
...que seja ela própria a advogar e a julgar a sua opção!...

a disse...

Irritam-me os discursos à volta do referendo. Irrita-me as argumentações fundamentalistas de ambos os lados, que se afastam das questões verdadeiramente importantes relativas a este assunto.

Irrita-me o "não à despenalização, sim à vida"! Tanto quanto "O corpo é meu, eu é que escolho"!

Acho que ninguém é a favor do aborto, chateiam-me as pessoas que se gabam dos abortos que fizeram, não é um anticonceptivo. O aborto é uma violência para o corpo, mesmo quando é espontâneo é traumatizante. As pessoas fazem abortos porque não vêem alternativa melhor, sempre se fizeram, sempre se hão-de fazer. Que se façam com condições, para garantir que não há complicações na intervenção, que a pessoa é acompanhada médica e psicologicamente depois de o fazer, para que não repita.

E não me venham com a história que é preferível dar o filho para adopção, que é muito pior abandonar um filho, muito mais traumatizante, do que fazer um aborto, aí sim, é que o "gajo" está vivo! E a quantidade de crianças que existem sem pais, os miúdos não pediram para nascer, se não os querem não os façam. Um bebé é uma pessoa, não se pode tê-lo de ânimo leve.

Sinceramente, eu não faço ideia se faria um aborto, ser pela despenalização não quer dizer isso. Sei que não quero filhos agora, por isso tomo a pílula, mas se engravidasse agora ia ponderar a situação e sendo crime, seria duplamente penoso. Por isso é uma estupidez ainda não se ter resolvido este assunto, mas porque raio é que vai a referendo, que anormalidade! Somos um país de atrasados mentais. Em Reading há montras na rua, women support, para as pessoas que abortaram, porque raio é que nós em vez de ajudar julgamos? Somos mesmo estúpidos!

Não é porque a mulher tem direito à escolha (claro que tb é, mas n é principalmente por isso), não é porque o embrião não é pessoa (até pode ser). É porque quem nasce deve ser desejado, e as mulheres que engravidam e não querem filhos devem ser ajudadas (para não correrem o risco de morrer por tal decisão) e informadas (para que não se repita).

Mas há dúvidas?

andorinha disse...

Boa noite.

Como já várias vezes aqui disse, sou totalmente a favor da despenalização do aborto e portanto o sentido do meu voto está mais do que decidido.
Agora há questões pertinentes, algumas delas já levantadas pela Cêtê. No campo escolar permanece tudo na mesma, a educação sexual nas escolas é coisa que não existe e em meios mais remotos também há ainda muita falta de esclarecimento; aí dominam os caciques e os padres que na missa farão as suas homílias alertando os seus fiéis para o facto de o aborto ser um pecado...
"Com um povo desinformado e com conceitos poluídos que validade terá umm referendo?"
Pergunta muito pertinente, sem dúvida.
Invista-se mais na (in)formação dos jovens e no planeamento familiar.

Cêtê (12.46)
Entendi perfeitamente...e concordo.

Noise(4.15)
Também já aqui o disse e repito, sou totalmente contra o facto de o aborto poder ser encarado como mais um método anti-concepcional.
Se existem formas de evitar uma gravidez não desejada e as pessoas têm essa informação, não vejo por que razão não hão-de ser responsáveis pela sua sexualidade e agir em conformidade.
Quando as coisas falham, aí sim devem ter a possibilidade de abortar.

Quanto ao segundo e terceiro parágrafos do teu último comment subscrevo na íntergra, miúdo.
Educação sexual nas escolas?
Adiada para as calendas gregas...
E depois sobretudo nos meios pequenos o medo de que se possa saber. Com a hipocrisia reinante neste país até é compreensível.

Só mais um ponto: não continuem os partidários do "Não" a bater na estafada tecla de que quem é a favor do "Sim" é contra a vida. Acho isso ridículo.
Esta lei não vai obrigar ninguém a fazer abortos, vai simplesmente permitir que as mulheres ou os casais tenham a liberdade de decidir em função das circunstâncias.
E, por agora, fico-me por aqui...

thorazine disse...

"Só mais um ponto: não continuem os partidários do "Não" a bater na estafada tecla de que quem é a favor do "Sim" é contra a vida."

Há malta contra o aborto que apoia o aborto "in vivo" dos que defendem tal acto! LOLOL

andorinha disse...

Lobices(6.27)
Não me espanta nada esse post vindo de ti, mas tenho que dizer que cada vez te admiro mais, Quim:)

Su disse...

eu decido----

valeu "lobo"

jocas maradas

Xelim disse...

Como é que seria tratada a questão do aborto se cada casal decidisse ter quatro filhos?

thorazine disse...

xelim,
teria de ser como na Ásia: fazia-se adubo para a relvinha dos cemitérios! :)))))

marialascas disse...

Nunca consegui entender como é que o Professor ainda não resolveu esse "complexo" que o faz ser benfiquista!

PAH, nã sei! disse...

"Pessoal",

Professor,

este assunto, tal como muitos outros, nunca deixarão de ser polémicos.
Terão sempre ambas as faces da moeda, os prós e os contra, os favoráveis e os nem por isso...

Assuntos destes são como tentar agarrar um "polvo"... além de escorregadios, quando achamos que nos "safamos" de um tentáculo, já temos outro para tratar...

Discutir o "sexo dos anjos"? (belos tempos...;)

Pelo menos neste caso, temos uma data marcada para "decidir"...

Entretanto, tal como no futebol, prognósticos só no final :)

(desculpem o tom jocoso, apesar da seriedade do assunto... mas já há demais quem faça disto o seu cavalo de batalha...)

AQUILES disse...

Aqui dei a minha visão do tema:
http://divagan.blogspot.com/2006/11/j-ando-irritado-com-esta-discusso-do.html.
Mas sobretudo quero dar destaque ao início desse post:
«Desde logo porque se fala em despenalização e não em descriminalização. Tiram a pena e mantêm o crime. Ridículo. Patético.»

AQUILES disse...

Noise

Cuidado com as estatisticas. Em Espanha quem aborta e quem contribui para o aumento da natalidade são grupos diferentes, uns espanhóis, outros imigrantes.

noiseformind disse...

Aquiles,
What?????????????????????????????????????????????

:( e :( homem... tinha-te em melhor consideração. Pensava que só dizias uma coisa quando a sabias mesmo... afinal... mas pronto. Afinal o nível da discussão é tão baixo que a tua proposição nem sequer é estranha. Confirma-se apenas que havendo condições para dizer barbaridades qq pessoa cai na tentação, e quantas vezes não preferi ficar em silêncio para me juntar aos comentários de ocasião. Uma opinião contrária infundada é sempre mais prática e menos trabalhosa que uma opinião fundamentada e esclarecida, até pq essa raramente consegue fazer total oposição. E a certa altura este blog até tinha malta que se dava ao trabalho de opinar a sério, mas esses já partiram à muito. Hoje em dia a coisa flutua entre as vozes que concordam plenamente e que discordam, mas sem substância, sem complexidade. No fundo no fundo o Murcon passou de tertúlia nocturna de cultos tugas para o café em que se desfiam os lugares comum e os comuns preconceitos do saber de malta com pose mas sem acesso (sem acesso pq escolhem n aceder) ao conhecimento. Se até tu te achas na contingência de afirmar lapidarmente as coisas sem as fundamentar, quem resta?

As estrangeiras, como em todos os países do mundo sem excepção, têm uma natalidade superior aos indemnes do país. Mas em Espanha, e proporcionalmente à sua percentagem na população, têm taxas de aborto muito superiores a essa ponderação na sociedade. O que acontece é que MESMO com essa maior participação percentual em termos de abortos o não uso de qualquer método contraceptivo por 50% das emigrantes a residir em Espanha as faz participar com mais crianças no total da fecundidade em relação ao seu peso relativo. Além disso o aborto é um resultado marginal do funcionamento social enquanto que a natalidade é um resultado natural portanto mesmo uma taxa muito mais elevada de abortos nas estrangeiras não impede nem entra em contradição que sejam elas também os motores da fecundidade espanhola. Além disso o crescimento de nascimentos de mulheres estrangeiras em Espanha acontece no meio de uma explosão de emigrantes, sendo Espanha o país da União Europeia com mais emigrantes há já 8 anos. Portanto, se a população emigrante cresce 20% aos ano é natural que a taxa de nascimentos cresça de acordo com essa estatística. Aliás, cresce bastante menos, cresce 15%. Portanto o acréscimo de fecundidade trazido pelas populações emigrantes para Espanha é em grande medida explicado pelo aumento dessa emigração e n por acréscimos significativos de reprodução dentro dessa mesma comunidade. Obviamente para explicar isto n me pude deixar ficar por uma frase tão lapidar como a tua, mas pronto... o conhecimento raramente é lapidar, resumível a soundbites ou mesmo definitivo.

P.S. Esperei mais de 12 horas para que desses substância à tua frase antes de responder ; )))))))))) se por algum motivo não pudeste complementá-lo por motivos de indisponibilidade em relação ao computador é óbvio que a primeira parte do meu comentário, com excepção dos links, não é carapuça que devas enfiar, meu amigo ; ))))) e se te respondo é pq tenho elevada estima por ti e de certa forma choro pelas "cebolas do Egipto" em que este blog era mais (e já foi muit mais) que a soma de comentários de passagem e de circunstância de quem vem picar o ponto.....................

AQUILES disse...

Eu só disse que há que ter cuidado com as estatisticas. As suas interpretações nunca podem ser lineares. Tão simplesmente isso. Julgo não ter cometido nenhum crime de lesa-magestade.
Mas vou passar o serão a analisar a estatistica espanhola. Vou ver os números com muita atenção.

noiseformind disse...

E n foi, nem sequer de lesa-Sócrates, quanto mais de majestade ; )))))))))) mas pronto... sempre podias ter dado uma vista de olhos pelo El país antes do comentário. Ou dar-lhe mais substÂncia homem. Sabes que eu sou um cadito sôfrego nessas coisas. De que me adianta queimar tanta pestana a ler e a ver os livros e relatórios que fazem deste mundo por esse mundo fora se depois só sei que nada sei? ; )))))))))))))

AQUILES disse...

Continuo a cruzar parâmetros.
O problema das estatisticas é o cruzamento de vários parâmetros para se retirar a ilação.

AQUILES disse...

17.5% dos nascimentos são de filhos de imigrantes.
No El País:
«Esa es una de las conclusiones de un estudio presentado hoy por la secretaria de Estado de Inmigración y Emigración, Consuelo Rumí, que deja claro la extraordinaria importancia que ha tenido el fenómeno migratorio en el crecimiento de la población española. De hecho, hace sólo diez años, cuando la natalidad tocó fondo, la proporción de niños cuyos progenitores habían nacido fuera del país era cuatro veces menor.»

noiseformind disse...

Sim, e eu disse que:

"As estrangeiras, como em todos os países do mundo sem excepção, têm uma natalidade superior aos indemnes do país. Mas em Espanha, e proporcionalmente à sua percentagem na população, têm taxas de aborto muito superiores a essa ponderação na sociedade. O que acontece é que MESMO com essa maior participação percentual em termos de abortos o não uso de qualquer método contraceptivo por 50% das emigrantes a residir em Espanha as faz participar com mais crianças no total da fecundidade em relação ao seu peso relativo."

Em português e tudo! ; ))))))))))

Mas são elas que contribuem para mais fecundidade e elas que contribuem para mais abortos, ao abortarem muito mais do que proporcionalmente do que o seu peso demográfico. A leviandade do teu comentário n está no que eu próprio defeni como uma consequência de uma qualquer emigração para um país desenvolvido por nasciturnos de um país sub-desenvolvido. Está na outra premissa: que são as espanholas que contribuem mais para os abortos. O que n é, sopesando as diferenças demográficas, verdade.

AQUILES disse...

Já tenho dados do aborto em Espanha, com todos os parâmetros menos o das nacionalidades.

Paula disse...

Faço parte da estatística das mães adolescentes. Tinha 15 anos quando o meu filho nasceu. Hoje é um jovem que está no último ano da sua licenciatura.

Hormonas em rebuliço, ausência de cumplicidade familiar para as conversas adultas após o aparecimento da primeira menstruação sobre os cuidados a ter, ausência completa de educação sexual na escola onde o aparelho reprodutivo feminino e masculino eram dados muito por cima da rama, a correr por ser tema embaraçoso. Actos impensados, impulsos, ingenuidade de ambos. Uma gravidez.
Uma amiga mais velha? A mãe ou o pai? Uma professora? Um médico? Uma assistente social? Uma enfermeira? A tia, aquela que era a mais afastada da família.
A confirmação, a revelação. A expulsão de casa. A exclusão da escola. O estigma social, o burburinho, o apontar de dedo, o falatório na aldeia, a vergonha. A solidão.
O Pai? Adolescente como eu. A família dele? Não era o seu problema. Iniciar um processo judicial para responsabilizar os pais do pai adolescente com a celeridade da justiça que temos? Sem dinheiro? Sem informação de onde e como? Sozinha com a minha tia já velhota?
O seu primeiro movimento cá dentro: o deslumbramento. O cerrar dos dentes, a convicção de não desistir.
Trabalho? Adolescente rotulada de promíscua e ainda por cima grávida? Não muito obrigada. Caridade, da tia.
Ausência de consulta na aldeia, hospital a 50 km. Um autocarro com saída ás 7 da manha e vinda ás 7 da noite. Apoios? Pois, lamentamos mas não temos. Onde os pode pedir? Dirija-se ao guiché da assistente social e a resposta , pois, lamentamos mas aqui só mesmo encaminha-la para a “Caixa de Previdência” da sua área e solicitar uma reunião” com a assistente social da sua zona….. Caixa de previdência da área de residência….pois foi chato o que lhe aconteceu, preencha todos estes formulários, entregue no guiché nº.2 e temos que aguardar que seja dado deferimento ao seu pedido.
2 meses à frente mais 2 meses depois …. Sabe estas coisas são assim…demoradas…. mas com este papel que vai preencher agora… sendo dado deferimento pela Caixa de Previdência Mor” …. Talvez consigamos acelerar o processo…… mas não é tudo mau….ainda assim tem as consultas no hospital e as vitaminas de graça. ENA.
Aos 9 meses, ambulância, hospital, nascimento, primeiro choro, dele e meu, o meu encantamento e promessa: nada será mais forte que tu e a minha vontade. Visita e capitulação dos avós maternos, aceitação, retorno a casa, éramos dois. Nada seria como dantes. Nada mais foi como dantes.
Esperei pela celeridade do Estado 10 meses, contados a partir dos 3 meses de gravidez – o primeiro pedido de apoio que nunca chegou durante a gravidez e depois de ele nascer esperei por uma resposta que chegou tinha ele 4 meses . Apoio na gravidez? Que é isso? E o depois “lamentamos mas não tem direito a abono de família”.
O mundo ao contrário – cedo demais para ter um filho logo responsabilidades a mais para que fosse aceite num qualquer emprego – adolescente a dias, os primeiros dentes, o infantário, aos 18 anos empregada fabril e o estudar á noite quase por osmose, a escola primaria, mudança de emprego para assistente administrativa, o ciclo preparatório dele, depois a licenciatura quase por correspondência com os colegas de curso da faculdade em simultâneo com a secundaria dele e a sua adolescência, a minha mudança de emprego graças à licenciatura tirada nas madrugadas sem dormir e alcançando assim algum desafogo financeiro, a sua entrada na universidade longe e todas as despesas inerentes, recusa da bolsa devido ao meu ordenado. O Pai? Sem domicílio profissional e em parte incerta, lamentamos mas assim nada pode ser feito, só iniciando um lento e laborioso processo.

Onde esteve o Estado? Aquele Estado Providencia? Aquele Estado solidário?
Temos pena, lamentamos, mas não esteve. Em nenhum dos percursos feitos por nós os dois.

Por isso o meu voto no próximo referendo ao aborto será igual ao de 1998. Pelo NÂO. E se é não, não é simplesmente porque esteja contra quem o pratica mas simplesmente porque não posso, não devo, contribuir para que este Estado continue a desresponsabilizar-se das suas obrigações sociais e cívicas, mandatado pelo meu voto. E dói-me ver mulheres que apregoam o sim sem terem antes equacionado todas as variáveis, sem terem antes lutado com a mesma garra para que o Estado Providência o seja de facto – quer na Educação que possibilita a prevenção logo a responsabilidade – quer na Solidariedade Social que possibilita uma sociedade ter qualidade de vida.

E também porque na minha humilde opinião a palavra despenalização encobre a palavra liberalização. É mais fácil estar presente na eliminação de um problema – e eu não acho de todo que uma gravidez seja um problema – do que estar presente na prevenção do mesmo ou estar presente para quem - assumindo o seu acto impensado - nem sequer coloque a questão de se “livrar” da consequência.

Se estivéssemos mais “civilizados” quanto à educação sexual nas escolas e universidades e de gabinetes de informação e de aconselhamento nas mesmas preservando a privacidade dos jovens que a eles recorressem, acesso totalmente gratuito aos métodos contraceptivos, ao livre acesso à informação pois se o fosse de igual forma para todos os portugueses as revistas cor-de-rosa e afins não teriam o espaço de perguntas respostas com tantas perguntas sobre relações sexuais e sobre duvidas inerentes à sexualidade, à facilidade de aquisição de preservativos masculinos já que os femininos nem se houve falar ou da pílula do dia seguinte totalmente gratuita, se nas aldeias do Portugal profundo não fosse ainda criticável socialmente uma jovem ser encontrada numa consulta de planeamento familiar – quando as há -, onde se pode cruzar com a tia ou a prima ou o irmão mais velho ou tão simplesmente com a alcoviteira lá da aldeia ou vila…se….se…se…
equacionaria a hipótese de votar sim aceitando que à adolescente, à jovem mulher, à mulher casada, solteira, viúva, divorciada, lhe fosse dadas mais opções por parte de um Estado responsável social e civicamente se a sua opção for assumir a responsabilidade do seu acto impensado, acidente de percurso ou infeliz acidente.
Votar sim só porque sim? Sempre ensinei ao meu filho que nunca devemos fazer nada, seja o que for, só porque sim
Votar não só porque não? Também lhe ensinei que não devemos deixar de fazer alguma coisa, seja o que for, só porque não.

Confuso? Para mim não é. E sei que o meu filho é um adulto responsável.

E já agora: será que quem decidir fazer um aborto encontrará um Estado mais célere? Ou por outras palavras… está a administração pública mais célere? Serão os médicos na hora a decidir? Se o forem porque não o podem ser também se a mulher quiser ter o seu filho? Não poderá o médico desencadear todos os mecanismos que possam ajudar essa mulher a ter e a criar o seu filho da mesma maneira que irá decidir o dia e a hora a que a intervenção cirúrgica, leia-se, o aborto, irá ter lugar?
Ou irá também a mulher perder-se em corredores, instituições e guichés? Se o sim ganhar, terão um prazo de 9 semanas e pelo menos mais 6 dias, o restante dia será o derradeiro após o qual não há retorno.
Eu esperei 6 meses, desde o primeiro pedido de ajuda , até o meu bebé nascer por um qualquer tipo de apoio que nunca veio e depois esperei mais 4 meses até receber um resposta tão simplesmente a informar-me de que não tinha direito a abono de família.

E para não perguntar qual o papel do homem no meio disto tudo? Se hipoteticamente a mulher decidir abortar por razões económicas, sociais, de beleza, ou seja outras quaisquer, não poderá o pai ter todas as condições que a mãe alegar não ter e querer que o seu filho nasça?
Poderá a mãe tão simplesmente alegar que é a dona do seu corpo? Mas não poderá o pai por sua vez alegar que é dono de pelo menos “metade” do bebé que ajudou a conceber?
Haverá na Lei a protecção legal da vontade do Pai? Se a houver, teremos uma justiça célere a julgar estes casos? O tempo de decisão terá em atenção o tempo permitido por lei para a realização do aborto? São perguntas do senso comum. Mas terão resposta?
Ou nós mulheres seremos de tal forma soberanas que passaremos, sozinhas, a ter o total comando da perpetuação da espécie?

Acima de tudo o que acima escrevi, assola-me uma certa agonia porque sinto que estamos a tratar um assunto tão delicado, pois de uma vida humana se trata, como se se tratasse de um mero objecto, uma “coisa” banal, sem significado, sem expressão, sem valor.

Para mim e friso bem, para mim, tudo na vida é uma questão de força de vontade e não de sacrifícios, sejam os nossos, de outrem, ou daqueles que não pediram para ser concebidos. A mim, pela parte que me toca, e por tudo o que a vida me tem ensinado, sou dona e senhora da minha vontade de conceber ou não. Mas a partir do momento que concebi, terei o direito de decidir se mato ou deixo viver?

Quando olho para o meu filho e lhe vejo aquele sorriso maravilhoso, quando vejo este ser humano que continua a derreter-me o coração como quando senti o seu primeiro movimento dentro de mim, sinto um nó na garganta e penso: tudo o que passámos juntos nos tornou fortes, mais fortes, infinitamente fortes. Não me arrependo de nada: da solidão, da fome, do medo, da angustia, do terror do desconhecido, das noites sem dormir, das borgas a que não fui, dos sonhos sonhados não perdidos mas adiados e concretizados a uma velocidade diferente, do desencontro entre duas gerações já que era demasiado jovem perante os outros pais dos colegas do meu filho e com demasiada “idade” devido á responsabilidade assumida para viver de acordo com as colegas da minha idade, das humilhações passadas nos empregos que me permitiam alimentar-nos e serviram de alavanca até á concretização da minha licenciatura, dos primeiros dentes, da primeira palavra dita pelo meu filho, das suas gargalhadas, de o levar comigo para todo o lado e só ir a lugares onde o pudesse levar, de ouvir as suas primeiras confusões sentimentais de “amores” juvenis não correspondidos, das conversas sobre sexualidade que tivemos quando entrou na adolescência, das borgas que fizemos e fazemos juntos, de o ouvir falar da experiência do primeiro charro e do medo que isso me causou, das nossas discussões pois também as tivemos, das suas birras, das minhas lágrimas, dos meus sustos, dos seus medos, dos jantares maravilhosos feitos por ele enquanto eu estudava, do seu cortejo de caloiro pelas ruas de Coimbra, de o aconselhar nas suas duvidas de jovem namoradeiro, de chorar agarrada a ele quando o peso da vida se tornava menos suportável, das risadas dele face ao meu desconcerto de lhe falar do meu namorado, de tudo o que vivemos, juntos, de menos e de bom e de muito bom.

Posso ter muitas razões racionais para votar não. Mas confesso que são as razões emocionais, e mais estas até que as outras, que incondicionalmente, me levam a votar não.

Perdoem-me pela extensão do texto. E obrigada pela vossa paciência se me leram até ao fim.


E Dr. Júlio Machado Vaz, permita que lhe expresse a minha profunda admiração. E dizer-lhe que o seu livro “Muros” é uma referencia para mim. Quase que o sei de cor e não resisto a citá-lo …..

“Quando descobri que não vinha entrei em pânico e descobri saída de emergência, não pelas traseiras, para a frente e de olhos fechados……”


Paula

noiseformind disse...

Aquiles,
Estão nos links do meu primievo comentário, meu caro... estão nos links...

"anidad estima que un 40-50% de los interrupciones voluntarias del embarazo (IVE) notificadas en España se habrían practicado a mujeres no españolas, principalmente inmigrantes.

Así lo informó este jueves la ministra de Sanidad, Elena Salgado, al presentar un estudio cualitativo sobre el tema (pdf) y recordar que en el 2004 se notificaron 84.985 IVES, lo que supone un 8,94 por mil mujeres de entre 15 y 44 años."

Angie disse...

Paula: antes de mais tocada pelo seu testemunho.
Depois, 100% de acordo com o que sente. E pela VISÃO que tem do problema,tal como pela MISSÃO que reclama para o Estado de todos nós.
A lei não pode ser um instrumento das conveniências de momento, hipócritas e falsamente "amigas" do sofrimento, descartando, no fundo, aquilo que deve ser: o menos desorientadora e "poluente" possível.
Porque se confundem as coisas, nesta "grande discussão"? Ou, aliás, naquilo que é a patética e lamentável ausência dela....
Mas isso dá trabalho...essa coisa de "pegar" o assunto até ao fundo dos fundos, assumindo as dificuldades, as ratoeiras. E não fugindo às esquinas, às ruelas esconsas...às contradições. Contradições, claro que sim, como não? O tema toca demasiadas coisas para que não as tenha, para que tudo funcione facilmente com 1 espécie de instantânea plenitude lógica.
Afinal, é isso é o que o torna tão vital.
Também não não me sensibilizam nada os sinuosos critérios de oportunidade que se convocam para focar a atenção na onda utilitária da solidariedade com as "pobres mulheres", etc, etc.... Como se não estivéssemos todos solidários! E pior, como se esta matéria (só) fizesse parte da agenda política,com as suas pequenas-grandes praxes de caserna.
A questão do sim ou do não transcende o mero teatro das "camisolas", quer sejam da religião, quer dos partidos, quer mesmo do terreiro(zito) dos palácios do poder.
Adorei o seu testemunho:pôs o dedo na ferida!

sete e picos disse...

Eu conheço experiências muito diferentes da da Paula e voto Sim, pelo direito a uma vida com dignidade, com amor e uma vida desejada por quem a concebeu. Ainda bem que a Paula teve o seu filho e está feliz com isso.

E porque há-de essa ser a unica opção? porque há-de correr o risco de ir parar à prisão quem opte por não ter um filho não desejado?

A questão é o da poder escolher quando os azares nos acontecem, sem ter que ir parar à cadeia por isso. Para mim, o direito à vida vai muito mais além do direito a nascer, o direito à vida tem de estar associado ao direito a ser desejado/a.

Por isso, emuito mais, votarei sim
ver em http://oitoecoisa.blogspot.com/2006/11/sim-pelo-direito-vida.html#links

thorazine disse...

"E para não perguntar qual o papel do homem no meio disto tudo? Se hipoteticamente a mulher decidir abortar por razões económicas, sociais, de beleza, ou seja outras quaisquer, não poderá o pai ter todas as condições que a mãe alegar não ter e querer que o seu filho nasça?
Poderá a mãe tão simplesmente alegar que é a dona do seu corpo? Mas não poderá o pai por sua vez alegar que é dono de pelo menos “metade” do bebé que ajudou a conceber?
Haverá na Lei a protecção legal da vontade do Pai? Se a houver, teremos uma justiça célere a julgar estes casos? O tempo de decisão terá em atenção o tempo permitido por lei para a realização do aborto? São perguntas do senso comum. Mas terão resposta?
Ou nós mulheres seremos de tal forma soberanas que passaremos, sozinhas, a ter o total comando da perpetuação da espécie?"

Completamente de acordo! Se num caso em que a mulher opta por ter o filho o homem é chamado às suas responsabilidades quando este quiser e tiver condições de assumir o filho o argumento de "a mulher ser dona do corpo" não deve ser válido. Assim como numa hipotetica condenação de uma mulher devido ao aborto o homem ser seu cumplíce!

:))

Paula disse...

Angie:
De toda a discussão, ou a ausência dela, sobre esta matéria, o que me deixa não direi revoltada, mas deveras arreliada, é o facto de que os “movimentos” que agora se pavoneiam em demandas gloriosas nada tenham feito de forma a tornar o Estado, um Estado comprometido com os seus cidadãos. Por exemplo a lei sobre a introdução de educação sexual nas escolas ainda está por aprovar e longe de ser colocada em prática. Os nossos políticos, ao longo dos tempos até ao momento presente, são exímios em copiar tudo o que é bom “lá fora” mas reincidem sempre e somente nas matérias económicas, fiscais e pouco mais. Existem países onde a liberalização do aborto é uma realidade mas em paralelo existe uma politica de família, de maternidade, de educação, que também deveríamos copiar, de forma a criar opções.
Mas isso dá realmente trabalho, requer políticos empenhados, responsáveis, requer empenho na elaboração de projectos e na apresentação de soluções e de alternativas. Também aqui se capitula ao caminho mais fácil: recorre-se às bandeiras partidárias que possam desviar as atenções da actualidade, aos slogans aventados por movimentos quase que extremistas como se desses slogans surgisse a resolução de fundo do que apregoam, dá-se projecção pública a movimentos que não o precisavam só nestes momentos mas em todos os interregnos entre os mesmos. Tomam-se decisões num ministério que passam a condicionar outros ministérios como se os ministérios pertencessem a Países diferentes. Sem se equacionar as consequências, sem se ponderarem todas as variáveis.
Resume-se a discussão a um sim ou não. Quando o que está em causa vai muito, mas muito para além da opção tomada.
Este assunto encerra em si tantas situações vitais de futuro que deveria merecer de todos nós, em especial de quem nos governa, o espaço sério, honesto e responsável, para que as gerações futuras não venham a herdar mais um imbróglio que no presente empurramos para a frente. E Portugal está a sofrer hoje, as consequências de politicas instantâneas do passado.
Sofremos de um mutismo atroz, e sem querer ofender ninguém, que nos remete quase que para uma imbecilidade colectiva, rendidos ao imediato. Prefere-se o atalho ao caminho das pedras. E Portugal tem sido um Pais de atalhos sem um único caminho das pedras percorrido: na educação, na economia, no ambiente, na justiça, na saúde, no estado, na sociedade civil. E tudo sempre feito ao arrepio de tudo o que é vital.

Sete e picos:
também conheço experiências diferentes da minha, umas também felizes como considero a minha e outras deveras infelizes. Crianças que nascem sem serem desejadas, depois abandonadas em orfanatos e afins ou então condenadas a vidas miseráveis no seio familiar sujeitas ás mais atrozes barbáries e pergunto, não será aqui também importante o papel de intervenção do Estado? Todos sabemos o deficit que existe de Técnicos Superiores de Serviço Social e não porque não se formem nas várias faculdades por este Pais fora, mas porque o Estado corta sempre, mas sempre onde deveria estar mais presente. Também todos conhecemos ou devíamos conhecer, o tipo de instituições estatais de acolhimento de crianças, assim como a quase total ausência do Estado nos apoios ás varias associações de solidariedade social que sobrevivem por dedicação, a maior parte das vezes abnegada, de pessoas anónimas que permitem a sua existência. E já agora, o nosso regime de adopção? Já está melhorado, senão perfeito pelo menos um pouco menos burocrático e um pouco mais célere que permita adoptar sem desespero de quem decida faze-lo? E porque não melhorá-lo? Incluindo de uma forma clara a possibilidade de uma mulher cuja gravidez indesejada seja um fardo, decidir e informar, de sua livre vontade, entregar o fruto da sua não desejada concepção? Será assim tão complicado, tão difícil, desencadear estes mecanismos salvaguardando o anonimato de ambas as partes?
E porque há-de essa ser a unica opção? porque há-de correr o risco de ir parar à prisão quem opte por não ter um filho não desejado?
“parar à prisão “ essa é, para mim, outra falácia, porque os casos de julgamento que conheço foram precisamente devido ao “excessivo” tempo de gestação das mulheres em questão e por outro lado também existem casos que a mulher que aborta não é condenada mas sim quem executou o aborto, o caso de Coimbra. Ou então o caso de Aveiro que nunca se percebeu muito bem o quê ou quem. Alguma mulher foi presa? Que eu conheça, não. Penas suspensas, sim. Até porque, se é crime tem que ter a devida sanção. E porque é que tem que ser prisão? Não poderá ser comutado por exemplo trabalho comunitário? Não sairiam todos mais “engrandecidos”?
Às 10 semanas e 1 dia continua a ser crime. Onde está a diferença? Será que o bebé com 9 semanas, 6 dias e poucas horas não é nada e às 10 semanas e 1 dia já é tudo? Até aqui, neste espaço de tempo – 1 dia - existe uma profunda incoerência. E toda a discussão à volta do referendo, é profunda, pelo menos deveria ser, por respeito a nós próprios, seres humanos e a todas as outras espécies animais e ás pessoas/associações que as defendem. Afinal, não passamos disso mesmo, animais, com uma pequena/grande diferença: racionais. Seremos?

”A questão é o da poder escolher quando os azares nos acontecem, sem ter que ir parar à cadeia por isso”
mas não existe mais por onde escolher! Recorrer ao aborto é a única opção que o Estado dá, abertamente, ás mulheres. Ou eu estou mal informada e o Estado também põe à disposição outras opções como por exemplo apoios psicológicos, materiais, financeiros se a mulher decidir ter o seu filho? Ou ainda a alternativa de o “dar” para adopção de uma forma clara? Tenho consciência que os meus argumentos são tendenciosos, pendem sempre mais para o lado do bebé do que para o lado da mulher, é. Tenho essa consciência. Talvez por pensar que a dependência do primeiro em relação é segunda se sobreponha.
“E não, sete e picos, o meu filho não foi desejado, o meu filho aconteceu ou se preferir, foi um “azar” . “Azar” este que foi muito para além do meu direito de permitir ou não permitir que ele nascesse.
E porque tão simplesmente porque para mim, votar sim, é, permitam-me a analogia, começar a casa pelo telhado, preterindo os alicerces. Capitular ao facilitismo estatal preterindo a responsabilização de um estado comprometido com os seus cidadãos não é realmente, na minha opinião, o rumo que leva qualquer sociedade a tornar-se uma sociedade cada vez mais justa e fraterna.
Mas esta é a minha opinião, de mãe, filha, neta, mulher, ser humano. E não necessariamente por esta ordem.

Thorazine:
Este é só um dos variados aspectos que merece uma discussão séria. Senão caímos no extremo, as mulheres passam de vitimas a carrascas. E ao que sempre foi condenável nos homens: a tomada de posições unilaterais. Isto não é caminhar para a igualdade, é um tremendo passo atrás.

andorinha disse...

Ainda cá voltei.

Paula,
O teu testemunho é comovente, sem dúvida e penso que deves ser uma grande mulher para teres assumido todas essas responsabilidades sozinha e teres sofrido toda a discriminação que sofreste.
Isso não está em causa.

Mas também se conhecem histórias de vida em sentido contrário e não há que fazer juízos de valor, ou só a nossa decisão é que é a correcta?
As outras mulheres não terão o direito de decidir de forma diferente da tua, sem por isso terem que ser alvo de um julgamento na praça pública?
O "sim" não quer dizer que se seja a favor do aborto, ninguém no seu perfeito juízo fará uma afirmação dessas.
Crianças não desejadas há por esse mundo fora aos pontapés com os tristes resultados que todos conhecemos.

E isto não é uma questão de Benfica/Porto, é uma questão de convicções.

Concordo totalmente com o comentário de sete e picos(3.09), é exctamente ao direito a nascer sendo desejado que se trata.

Paula disse...

Andorinha,
Eu não disse que era contra o aborto. Mas também não disse que era favor. Se leu o meu texto encontrará isto mesmo. Eu disse que votaria NAO por razões que não se prendem com o acto em si. Para mim, o problema não se reduz a isso como se de uma qualquer preferência clubista se tratasse. Não faço juízos de valor e muito menos me considero dona da verdade.
A minha opinião resulta de uma ponderação de critérios muito próprios, como aliás presumo que sejam os de todos nós, e de dúvidas tremendas que me assolam. Mas acima de tudo isso pela minha convicção de que uma vida não tem valor e é por isso mesmo inviolável, nunca podendo ser nivelada por nível nenhum, muito menos o mais baixo.
As decisões que tomamos só a nós nos dizem respeito mas quando está em causa terceiros, não dirão respeito a esses também? Porque é assim que eu sinto. Porque não consigo deixar de pensar que ao conceber me torno responsável por uma vida, indefesa.
Instinto primário? Talvez!

Paula disse...

E já agora outra questão ( sou um poço de duvidas):

Se é somente pelo facto de a pratica do aborto ser considerado crime porque não se muda a lei? Legislando somente o tecto ou seja o tempo de gestação até ao qual não é crime, como a pergunta que iremos votar, e se deixa o onde se irá fazer fora disso?
Começo a pensar seriamente nesta questão de se poder mudar a lei para que a liberalização seja uma realidade sem que com isso se caia numa outra injustiça social.
Ou o Estado quando se refere a "estabelecimento de saúde legalmente autorizado" sem especificar se é estatal ou privado, já está a equacionar a hipótese de não ter efectivamente qualquer intervenção no assunto? E tal como o nosso dinheiro, pago com os nossos impostos e contribuições para a segurança social não é canalizado para apoios ás mulheres grávidas com dificuldades e à maternidade também não o seria para a livre pratica do aborto? E como em todas as outras áreas, no sector privado, a regulação seria feita pela lei da oferta e da procura? E entra-se na “especulação abortiva” à semelhança da imobiliária?
Se assim for as mulheres menos favorecidas não continuarão a debater-se com os mesmíssimos problemas económicos? E se recorrerem a um estabelecimento não legalmente autorizado – logo ilegal - mas mais barato, não serão punidas por lei, à semelhança do que já acontece agora?
Até porque, se não estou enganada, ainda não temos muita ou nenhuma informação quais os estabelecimentos a que se poderá recorrer para abortar. E se os médicos nos estabelecimentos de saúde legalmente autorizados, se forem estatais, se escudarem, legitimamente, na objecção de consciência e recusarem a intervenção? Andarão as mulheres de estabelecimento em estabelecimento até que num, finalmente, o poderá fazer? E se para meras consultas existem listas de espera colossais assim como para intervenções cirúrgicas essas listas têm prazos quase intermináveis, uma mulher que quer fazer um aborto tem o direito de passar à frente de quem está em espera, correndo por vezes riscos de vida? Terá o Estado acautelado todas estas situações?

E confesso que as minhas duvidas não se esgotam aqui.

andorinha disse...

Paula,
A comunicação por escrito gera muitas vezes estes equívocos.
Eu vou votar "sim", mas não porque seja a favor do aborto, sou é a favor da sua despenalização.Para mim o aborto é a última solução quando já nada mais resta. O aborto não é uma forma de contracepção como alguns pensam e dizem.
Deve-se é investir numa boa educação sexual em que haja acompanhamento dos jovens em situações de maior risco, esclareçam-se as coisas sem tabus e talvez alguns abortos já não sejam necessários.
Sei que isto está muito simplista, mas depois de um dia cansativo no trabalho, não consigo argumentar melhor.
Esta questão é importantíssima, é necessário que haja um debate sério e não demagógico ou pseudo-moralista de qualquer um dos lados.
Mas como em qualquer campanha já estou a prever que não é isso que vai acontecer e lá teremos que gramar com os argumentos e histórias mais absurdas de um ou de ambos os lados.
Há pessoas que já fizeram a sua opção, mas outras ainda não.
Portanto, o mínimo que se pede é que se discuta com seriedade.

P.S.Isto não tem a ver com o teu post, são considerações gerais que faço:)

Angie disse...

Paula:
A propósito da sua espécie de dúvida final:
-Instinto primário? Não acho!
Primário será o contrário, na minha opinião.
A não ser que seja... pelo chamamento do apelo à sobrevivência: - poupar aqueles que concebemos, tal como nos pouparíamos a nós próprios.
Aí é que está a questão.

Primário, no sentido de não racional e anti-evolutivo, é achar que temos algum direito sobre o filho, desde que é concebido, até que nasce e cresce. Inclusívé o direito de vida ou morte. Primário é não perceber que temos antes deveres, e não direitos, sendo que, de entre estes, um existe maior que todas as outras obrigações assistenciais: que é o dever de deixar existir, opção que não nos cabe legitimamente.
Na minha óptica...

BlahBlahBlah disse...

Marina Costa Lobo é a mãe da Catarina Portas?

Cleopatra disse...

Olá Professor!
Não me respondeu!!!

Cleopatra disse...

"Eu vou votar "sim", mas não porque seja a favor do aborto, sou é a favor da sua despenalização.Para mim o aborto é a última solução quando já nada mais resta. O aborto não é uma forma de contracepção como alguns pensam e dizem.
Deve-se é investir numa boa educação sexual em que haja acompanhamento dos jovens em situações de maior risco, esclareçam-se as coisas sem tabus e talvez alguns abortos já não sejam necessários."

Ora aquilo a que a andorinha chama simplista, eu chamo equilibrio.
Gosto do sentido deste voto.