quinta-feira, novembro 30, 2006

Em Cantelães, lembrando Pearl.

ENTRE COLEGAS

JANIS JOPLIN


Meu caro Dr. Machado Vaz,


A sua carta despertou-me sentimentos contraditórios, o passado invade o presente nesta profissão e – espero eu! – ajuda a preparar um futuro melhor para os nossos clientes. Mas certos passados, dolorosos, enterrei-os por baixo da carpete do meu gabinete. (Nem sequer corro riscos desnecessários, é a mesma há trinta anos e proíbo a empregada de a afastar quando ataca o pó, as caixas de Pandora têm a forma que a imaginação lhes empresta, não é verdade?). Perdoará a verborreia e os desvios, escrevo à noite, a lareira adormece e o nível do whisky na garrafa torna duvidosa a empresa de partir à aventura pelo tapete para a sacudir e reavivar, a casa vibra, de tão silenciosa. Grato pelo amável convite para visitarmos Portugal, o plural já não existe, minha mulher morreu no Verão – em Setembro, para ser mais exacto -, vitimada por uma daquelas doenças (preguiçosas, de tão confiantes) que os jornais teimam em apelidar de prolongadas para não assustar os leitores casuais; deixando aos outros, gulosos de notas obituárias, o prazer de resmungar enquanto se rebolam em saúdes de ferro, “cancro, foi o que foi”! A morte assim, pressentida, anunciada, vivida longamente, deixa um sabor agridoce. Uma tristeza suave, composta, as lágrimas ficaram para trás, o alívio ganha quase todas as discussões com a culpa, os olhos fecham-se à palidez e a cemitérios, são benévolos para recordações, de corpo e alma, “antes de…”
Tudo foi diferente com Janis. Um dia o telefone tocou e ali estava uma hora vaga nessa mesma tarde, acabei por aproveitar e ver um caso “urgentíssimo” enviado por um colega maçador, seguramente conhece o género. O homem fazia justiça ao meu mandante, odeio estes executivos que pedem para os mantermos na corrida, aterrorizados por jovens impiedosos que lhes cobiçam os lugares, em boa forma física, íntimos da última geração de computadores. Já os havia naquele tempo, hippies convertidos a uma certa forma do principio da realidade, yuppies ainda não baptizados, todos certos de terem Deus a seu lado, como cantava – ou gemia? – Bob Dylan. A última frase, a julgar pelo tom da sua carta, deve parecer-lhe uma heresia, mas confesso que os meus quarenta e dois anos me impediram a conversão para além dos Beatles e Simon e Garfunkel, pese embora os esforços bem intencionados de meus filhos, sempre prontos a exaltar os méritos de grupos com nomes tão prometedores como Grateful Dead e Mothers of Invention.
Pode imaginar a curiosidade com que acedi a receber Janis pela primeira vez, que se esconderia por trás daqueles uivos lancinantes? Caro colega, a resposta seria evidente após uma ou duas consultas para qualquer interno pouco dotado - ela sofria de medo em estado terminal. Cuspia impropérios com desespero, não me lembro de a ver utilizar uma cadeira, Janis agonizava pela sala até parar frente ao espelho e dizer baixinho que os bastardos tinham tido sempre razão. “Eles” – como também lhes chamava – podiam ser os colegas de escola em Port Arthur, da universidade em Austin ou de cama na noite anterior, o traço comum era a rejeição, imaginária ou real. É mentira dizer-se que não existem crianças feias, elas encarregam-se de o lembrar umas às outras. Janis não procurou os rapazes durante a infância, na adolescência fugiu das raparigas, dos espelhos, das festas em que via outras dançar. Vestidos cobiçados e de repente baços no corpo sem graça, alcunhas cruéis que se mantinham, apesar do seu riso estalar antes de todos os outros, como se pode pedir mais tragicamente desculpa a chefes de claque e rainhas de bailes por não ser como elas? Os rapazes eram mais fáceis, primeiro joelhos esfolados e palavrões, depois o sexo quando devia ter descoberto as mãos dadas. Janis despia-se para melhor tapar o medo, debochava o riso para evitar as lágrimas, quando a dor se tornava insuportável fazia saltar a rolha de garrafas sem rótulo, a anestesia não obriga a hesitar entre marcas. Quanto à Universidade, bastará dizer-lhe que foi nomeada para o prémio de homem mais feio do ano, mas nunca chegou a saber se tinha ganho, já estava a caminho de S. Francisco.
Não o maçarei com a trajectória profissional, o êxito em Monterey e Woodstock fala por si, a subida meteórica era inevitável, ela cantava-lhes as angústias e fingia desesperadamente ser feliz investindo contra regras e tabus. Sexo, drogas e rock’n’roll, a canção podia ter sido composta para ela. Homens, álcool, heroína, sempre a fuga ao espelho e a costas voltadas, o sucesso fê-la desistir para sempre de acreditar nas pessoas, repetia constantemente que era a “outra”, a do palco, que amavam, não a ela, como a conhecia. Porque cheguei a conhecê-la bem, sabe? A pouco e pouco foi-se abrindo, como uma flor que temesse ser arrancada. De vez em quando experimentava-me para ter a certeza que estava ali e entendia, faltou a sessões sem conta, desafiou-me sexualmente, riu da minha apregoada competência, mas – que faço eu? – o colega conhece tudo isto por experiência própria - batem e fogem para terem a certeza que não os abandonamos, em Portugal como aqui. Poderia dizer-se que a ajudei a sobreviver, com poucas esperanças de poder fazer algo mais. Janis não perdoava o passado e o presente só fazia crescer uma imagem que detestava. Em períodos mais confusos dizia “a outra, porca e suja”, é fascinante como os juízes mais severos se acoitam dentro de nós e sobrevivem a todos os excessos, cada vez estou mais convencido que a verdadeira liberdade é tranquila; ritualizada; solene.
E depois surgiu Seth Morgan na sua vida e ela aplicou-lhe o tratamento completo à base de obscenidades, provocações, tudo o que possa imaginar. Ele não se deixou enganar - era um tipo calmo, olhos azuis, quase cândidos, chamava-a carinhosamente pelo apelido, “Joplin, por que me castigas?” E ela ria como eu nunca ouvira, até uma tarde especial em que me fitou com os olhos rasos de lágrimas e murmurou baixinho – “e se ele gostasse mesmo de mim?” Durante uns tempos o paraíso morou ao virar da esquina, deixou as drogas e telefonava-me do estúdio a pedir desculpa por faltar, o álbum estava quase pronto e era diferente - melhor, mais doce; para ele. Planos de casamento, filhos, um rancho longe de tudo, a música por prazer e não para exorcizar fantasmas. Como sabe, a causa de morte foi uma overdose de heroína, supostamente fatal por o seu organismo se ter tornado mais sensível ao produto após meses de abstinência. Digo-lhe o que nunca disse a ninguém – não acredito. Uma semana antes tive-a no meu consultório em pânico, era feliz e não suportava a ideia de perder esse comboio, tinha sonhos horríveis em que Seth a deixava, pediu-me a certeza que os demónios não a voltariam a atormentar, repetia incessantemente “vou ser boa e tudo vai correr bem”. Nada justificava o regresso à heroína naquela altura, quanto a mim Janis matou-se por medo de ver desbotar as tintas do quadro em que vivia. Tinha espreitado pela porta entreaberta, não suportaria vê-la fechar-se de novo, morreu para não correr o risco de definhar, Deus me perdoe, talvez tenha tido razão, os fantasmas pareciam-me vencidos mas não convencidos.
No enterro, Seth disse uma frase estranha, “pecámos por ambição”. E partiu, nunca mais o vi, tenho a certeza que não esqueceu. Às vezes penso-a como um patinho feio que, como Ícaro, partiu rumo ao sol e não quis esperar pela degradação das asas, queda, vertigem, o regresso a este mundo. Janis preferiu morrer fitando o paraíso depois de o ter vivido, na esperança de o sonhar para sempre. Ah, Dr. Machado Vaz, sou um velho, receio que tudo em mim já tenha a morte como ponto de referência, até o faro clínico. Não sei. Perguntou-me como ela era e eu respondo-lhe que continuo a não ouvir os seus discos – a “outra” -, mas tenho saudades de sorrisos fugidios ao cerrar da porta e ainda me pergunto se não poderia ter feito mais qualquer coisa por ela. Dúvidas que o colega conhece bem, a psiquiatria é um ofício de aprendizes de feiticeiro, logo, de pesadelos frequentes. Mas, verdade seja dita, nunca me aconteceu invejar os bancários ao longo de todos estes anos.

Cordialmente,

Sam Watson

27 comentários:

Fora-de-Lei disse...

Pearl's a singer, she stands up,
When she plays the piano in a night club
Pearl's a singer, she sings songs
For the lost and the lonely
Her job is entertaining folks,
Singing songs and telling jokes
In a nightclub

Pearl's a singer, and they say,
That she once was a winner in a contest
Pearl's a singer, and they say,
That she once cut a record
They played it for a week or so,
On the local radio
It never made it

She wanted to be Betty Grable
But now she sits there at that beer-stained table
Dreaming of the things she never got to do
All those dreams that never came true

Pearl's a singer, she stands up,
When she plays the piano in a night club
Pearl's a singer, she sings songs
For the lost and the lonely
Her job is entertaining folks,
Singing songs and telling jokes
In a nightclub

Pearl's a singer, she stands up
When she plays the piano in a night club
Pearl's a singer, she sings songs
For the lost and the lonely
Her job's entertaining folks
Singing songs, telling jokes
In a nightclub

CêTê disse...

Tão bonito!!!!

(Onde posso eu encontrar estes seus textos?- alguém me diga em que livro, pf)

abraços

andorinha disse...

Boa noite.

Que posso eu dizer?:)

"Tinha espreitado pela porta entreaberta, não suportaria vê-la fechar-se de novo, morreu para não correr o risco de definhar".

O texto todo ele é soberbo, mas há passagens que ficam instantaneamente gravadas em mim e esta foi uma delas.

Cêtê,
Estes textos estão no livro Domingos, Sábados e Outros Dias.
O livro é de 1993; lê que vale a pena:)

CêTê disse...

ANDORINHA, obrigada.;]

Klatuu o embuçado disse...

Bom! isto é real? A carta, quero dizer... Incrível, se sim, e que documento! Se não, é o que já lhe disse: a literatura tem perdido um escritor!

P. S. Invente aí uma cena marada... tipo o Freud raptado por OVNIS nos states e submetido a traumatizantes experiências científicas alienígenas! É o que está a dar! As gajas compram e o livreiro engorda! ;)

Abraço.

iuri disse...

Nem de propósito, um canal de música passou agora uns segundos de Janis Joplin à capela...
Sempre gostei muito dos discos dela, mas acho que agora alguns timbres e expressões vão ganhar outro efeito.

Andorinha, obrigada pela dica. Parece que já tenho livro para ler depois do exame ;)

iuri disse...

Nem de propósito, um canal de música passou agora uns segundos de Janis Joplin à capela...
Sempre gostei muito dos discos dela, mas acho que agora alguns timbres e expressões vão ganhar outro efeito.

Andorinha, obrigada pela dica. Parece que já tenho livro para ler depois do exame ;)

Lusco-Fusco disse...

Boa tarde!
Muito bonita a carta "...matou-se por medo de ver desbotar as tintas do quadro em que vivia." Uns por excesso outros por defeito... :(
O ser humano é um "bicho" imprevisivel.
A psiquiatria deve ser uma profissão desgastante a nível emocional, mas enriquecedora, a todos os níveis, em cada pequena/grande conquista.
Força, Mahatma, as pequenas conquistas, neste campo, são grandes compensações pessoais e, nem falo em profissionais, porque o envolvimento paciente/psiquiatra é demasiado intenso para que não se envolvam.
Tudo de bom.
Bom fim de semana para todos.
Um abraço
MJ

Julio Machado Vaz disse...

Klatuu,
Como diria o velho Sartre: imaginei-o, foi a minha verdade:).

alquimista disse...

Julio Machado Vaz 3:56

Com verdades destas nos engana, com enganos destes vamos descobrindo verdades (cruéis) do nosso quotidiano.
Minta doutor, minta que o seu mentir tem graça :)))

Ameninadalua disse...

É verdade!...com enganos destes vamos descobrindo tantas verdades:))


O triste é que muitas vezes se sofre e se tem medo mas nem sempre se consegue saber de quê ou o porquê...
Contudo ao lermos estes textos encontramos algumas dessas respostas...em figuras às quais nos vamos carinhosamente ligando...

thorazine disse...

"Who lives longer? the man who takes heroin for two years and dies, or a man who lives on roast beef, water and potatoes 'till 95? One passes his 24 months in eternity. All the years of the beefeater are lived only in time"
Aldous Huxley

www.heroin.com

A tristeza e o sofrimento fazem parte da condição humana..! Impossível viver sem eles. Agora, há que os negue, há quem se tente alienar deles e há quem escolha por vivê-los e integra-los no "todo"...

Opções!, e cada um as faz como pode ou, numa melhor situação, como sabe.. :))

thorazine disse...

Do blog psisalpicos.blogspot.com retirei isto:

"Um psicanalista em pleno exercício das suas funções deverá ser:

Um cientista em busca da verdade
Um místico em permanente estado de fusão com a verdade incognoscível
Um artista para captar o sentido estético das comunicações, sabendo-as comunicar eficazmente
(...)
"

A parte mais interessante da descrição foi o "místico". O místico é aquele que aceita como verdade aquilo que está longe se ser provado pelos seus orgãos dos sentidos. Tal qual os pensamentos e os desejos de outrem. O psi precisa de saltar constantemente entre o que é real para si e o que é real para o paciente..o que julgo não ser nada fácil!

andorinha disse...

Boa noite.

Cêtê e Iuri,
Não têm nada que me agradecer...
What are friends for?:)

Li o livro há muito pouco tempo e só vos digo, é delicioso.

Klatuu,
"...a literatura tem perdido um escritor."
Em que mundo vives tu???!!!
Lá por andares embuçado não quer dizer que não vás deitando uma vista de olhos às livrarias...

E esses enredos marados são totalmente dispensáveis. Lê os livros e depois diz de tua justiça:)

Alquimista(4.18)
:)))

Thora (8.38)
Agora até uma análise da relação psi/paciente tu fazes?!!!!!!!
Tu não és "normal", pois não?:)))))))))

sete e picos disse...

muito bonito o texto. E lembra que o medo à felicidade é um dos medos mais terríveis e (talvez) mais frequentes do ser humano.

alquimista disse...

Doutor.

Hoje soube por que é tão doloroso ser adepto do seu clube. Fui-o durante cerca de noventa minutos (por esse motivo que está a pensar, naturalmente) e não é nada confortável pensar que é OBRIGATÓRIO ganhar para manter a chama acesa, por mais ténue que seja :)
Um facto, no entanto, ficou a ensombrar a sua alegria, não duvido. A vitória da “Nação” foi partilhada pelo “inimigo”…:)
Parabéns e bom fim de semana!

andorinha disse...

Alquimista,
É doloroso, sem dúvida, mas também muito saboroso ser adepto do SLB!
A tua alegria não ensombra em nada a minha. Amanhã também vou ser tua inimiga:)))
Está tudo relançado!

VIVA O GLORIOSO!

PAH, nã sei! disse...

"...os fantasmas pareciam-me vencidos mas não convencidos..."

Professor,
como se sentirá "lado psi" quando tal acontece?

Boa noite a todos!!
Sonhos embalados por "esperanças" :)

alquimista disse...

Andorinha 10:55 PM

Sempre me fez espécie porque motivo "vocês" terminam invariavelmente os vossos comentários com a frase "VIVA O GLORIOSO".
Penso ter descoberto hoje mesmo o motivo: um apelo tão veemente à vida (passe a cocofonia) só se justifica devido à saúde tão precária revelada ao longo de todos estes anos pós 25-Abril.:))))
Salvo melhor interpretação do DJMV, que esta é a sua área...

Fora-de-Lei disse...

Hoje Benfica, Amanhã Boavista...

Viva o Glorioso !

aquarela disse...

Porque gosta da poesia...

Agora estou entre sombras e sombras
deitado sobre a minha sombra fresca
Já não recordo o abandonado
Durmo no centro vazio do mundo
na estéril matriz

Da entranha da terra saí
e como pálida evidência vivi
Desertei da biografia e dos relógios
Há uma sombra fresca há um olhar que me vê
um olhar que procura na sombra centrar-se nos meus olhos

Eu sou o fugitivo incerto desse olhar
sobre a linha do mar
sobre o cimo das ondas
sobre a alta distância das estrelas

Porque ando e ando esperando em quê
com indecisões de um lado e com pedras do outro
com os involuntários gestos que nada significam
com esperas e encontros que atraiçoei no mais íntimo
com um coração soterrado há muito
sob mil Primaveras?

Qem ouviu tal silêncio
quem viu tal deserto
quem dormiu nesta cama
só poderá desejar
o súbito milagre
do mundo

muito para além dos olhos sujos dos homens

Esta luz súbita
que nasce das raízes
onde o implacável vive

Homens
tímidos passageiros
eu rangerei os dentes
até à violência extrema
em que a paz me aniquilará

de António Ramos Rosa

Su disse...

as caixas de Pandora têm a forma que a imaginação lhes empresta, não é verdade?...


gostei de ler...
muito....

jocas maradas de tempo

aquarela disse...

Ver claro

Toda a poesia é luminosa, até
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.


Eugénio de Andrade, Os Sulcos da Sede.

Cleopatra disse...

Boa carta!
Ou seja, bom texto.
Ou seja, boa reflexão.
Claro... encontro com o próprio...
A psiquiatria é um ofício de aprendizes de feiticeiro....

" A psiquiatria não foi uma vocação mas um enorme suspiro de alívio - desistira da História dos povos e tropeçou na história das pessoas".

APC disse...

Brilhante. Absolutamente brilhante!
Já o tinha lido. Já o mostrei!
Brilhante!
:-)

Cleopatra disse...

Ai Professor... anda sempre a esconder-se!....

Klatuu o embuçado disse...

JAJAJAJA!!! não faça isso muitas vezes, que ainda lhe chamam esquizofrénico virtual como a mim!

Quando meti o Varatojo a falar com o Drácula fartei-me de receber «diagnósticos» anónimos! Esta malta não percebe a liberdade artística... claro, porque não percebem a imaginação, a furiosa, furiosa imaginação, o único imaginário a que dão valor é o do Canal 18 e os «beba Coca-Cola»!

Abraço!