segunda-feira, maio 09, 2005

Boa noite, maralhal.

O Silêncio


Quando a ternura
parece já o seu ofício fatigada,

e o sono, a mais ncerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.


Eugénio de Andrade, Obscuro Domínio.

79 comentários:

amok_she disse...

Então, boa noite!... e faça-se Silêncio...

Lost In Portugal disse...

Para mim o silencio é por vezes uma companhia maravilhosa, que nos deixa sossegados com os nossos pensamentos... nao se chateia se tamos stressados, assiste a todos os nossos momentos sem nunca nos julgar................
Outra vezes chega a ser uma companhia barulhenta que so queremos que se cale... mas sera que o que disse tem alguma lógica!?!?.

Lost In Portugal disse...

P.S. O Sporting ganhou :( pfffffffffffffffffffffffffff

Lucília disse...

E porque não...antes da ternura se tornar fadiga,Professor??
Boa noite

Ana disse...

Eugénio de Andrade é uma excelente escolha :-)

jotakapa disse...

Há momentos em que precisamos do silêncio e outros em que só nos apetece gritar. Há silêncios de paz, calma, serenidade e equilíbrio... mas outros são ruidosos, mortíferos, cruéis e medonhos.

Eugénio é sempre uma excelente escolha! Boa noite... com silêncios reconfortantes!

Joaninha disse...

ERROS GENETICOS!
O Tejo passa tão sujo
de lavar humilhações,
que o olho com tristeza
mas sempre com rasgos de esperança...
Os pássaros fazem voos razantes
e quando piam eu fujo:
Tenho medo das ilusões
Ou de ver com clareza
a vida e a morte em dança.
Acasaladas as nuvens, são castelos
de sonhos fechados em prisões
onde não há reis reinantes...

Os lírios navegam no Tejo
como barcos à deriva;
Transportam insectos à toa
e meus sonhos e tormentos
até chegar a Lisboa...
e aí, olho em redor e não vejo
quem me ocupa os pensamentos
e se ilude ao pensar
que não percebo essa angustia
escondida nos castelos d’ilusão
e que toda esta apatia
faz de conta que acreditar
é parte integrante do coração...

A Humanidade é incapaz
de aceitar, compreender e perdoar
os erros genéticos que marcam
os quantos vagueiam perdidos
procurando em vão uma paz
que a guerra de ódios ateia
e sulcando trilhos sem parar
riem e choram desiludidos
e esperançados nos que lhes tragam
a luz ilusória duma paixão
para reganharem alento
e ficarem de novo confundidos...

Gostei da escolha para "Boa Noite!"
Os meus olhos apenas navegam... silenciosamente...

circe disse...

Pronto, já desliguei a televisão.
Partihemos com o nosso Murcon um
chá de maçã com canela e esperemos
um soninho acolhedor, enquanto ouvimos, cada vez mais baixinho, um dueto de Keith Jarret com a chuva lá fora...

Bons sonhos, poetas! :)

m8 disse...

;))))) m8,

What a glorious way to say: Shut off your filthy mouth. ;))))))))

Anónimo disse...

Receita de mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental.
É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível.
É preciso
Que tudo isso seja belo.
É preciso que de súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como no âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Sejaleve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas.
Nádegas é importantíssimo. Olhos então
Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca húmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável.
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. É aconselhável na axila uma doce
relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!).
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso, e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá deum invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar.
Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher de sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas.
Que ela surja, não venha;
parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida.
Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave;
e que exale sempre
O impossível perfume;
e destile sempre
O embriagante mel;
e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão;
e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero;
e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação imunerável.

Vinícius de Moraes

Anónimo disse...

Descobri o seu blog à pouco tempo, mas já é obrigatório nas minhas navegações matinais.

Partilhamos um sofrimento... o de ser benfiquista...sim, porque às vezes não é mesmo nada fácil...:)

Um grande bem haja, e até amanhã.

Mitsou disse...

Bela escolha, Professor. Um abraço :)

Tão só, um pai disse...

Umas vezes, vazios de ternura e silêncios de afastamento. Outras, as palavras ficam de fora num abraço e num olhar que pedem súplicas e se falam com amor.

Silêncios, no amor, podem ser tudo, ou podem ser nada.

Compreendidos e incompreendidos, quem sabe lidar com os silêncios do outro? Haverá, também, compatibilidades no silêncio? ou o silêncio é incompatível com tudo aquilo de que é feito o amor?

Fui muito acusado de falar pouco. À refeição, numa viagem ... sempre fui introspectivo ao lado da pessoa que amei. Silêncios incompreendidos, passava a mensagem de estar amuado ou muito preocupado com algo escondido. Quando, afinal, só me sentia bem, numa ternura imensa, de estar ao seu lado.

amok_she disse...

quando referi, no post anterior, "mulheres, ñ há quem as entenda" era a "coisas" destas q me referia...

«Fui muito acusado de falar pouco. À refeição, numa viagem ... sempre fui introspectivo ao lado da pessoa que amei. Silêncios incompreendidos, passava a mensagem de estar amuado ou muito preocupado com algo escondido. Quando, afinal, só me sentia bem, numa ternura imensa, de estar ao seu lado.»

...mas os homens tb cometem este "pecado"...

...um bom dia, de trabalho ou de lazer...para todos...;-)

Jessie disse...

Caro Professor,

Apos varias tentativas (endereços e-mail obsoletos...) consigo fazer passar uma pequena mensagem... ou assim o espero...

Antes de mais, parabens pelo seu blog: Um comunicador nato nao pode deixar de estar a par das novas tecnologias de comunicaçao! :-D

Estando agora no estrangeiro, e mais dificil acompanhar todas as suas publicaçoes, intervençoes e programs TV (tenho mesmo de arranjar TV cabo por satelite). O ultimo contacto foi "Olhos nos Olhos". Delicioso o fim-de-semana em Barcelona...
Espero que continue sempre com esse dom da palavra
(oral e escrito), com esse sorriso (e riso) encantador
e com essa energia contagiante!
Muito obrigada por ser quem e!

Um beijinho,
Lieveheersbeestje

Curto_Mal_Teso disse...

de bloger para bloger: gostava que espreitasse o aleixo.taf.net.

lobices disse...

...BOM DIA a todos!...
...está a chover
...ahh, e viva o Sporting!...
:)

Anónimo disse...

NOISEFORMIND,
Sobre a tua combersa cum essa cota sempre co-Amoque tu deste-le feio!!! É pá tu stás cada vez melhore! E olha lá: tu pergunta-le, já que conhece tão bem o Portugalito real e se marimba prós teus estudos técnicos porqué qu'a gaja tem um email br e não pt como nós todos cá da marailha?

Katz disse...

Professor, já tive o "prazer" de conhecer este senhor em carne e osso, devo confessar que a abordagem não foi nada simpática (ou seria por estarmos numa livraria conceituada e, na altura, não haver o livro dele a dar no olho mas exposto no recanto dos poetas??)fosse por que fosse a impressão que ficou não foi das melhores. No entanto, confesso que o que sai daquele intelecto me apraz, e que essa imagem menos positiva é apagada por belíssimas palavras como as que publicou....

Para quem gosta do género deixo um endereço interessante:
http://bideflash.blogs.sapo.pt

Um abraço (aos sportiguintas) e aos da minha cor... ainda não está tudo perdido, pois não professor? ;))

Bjs

lena disse...

júlio, parece-me haver duas gralhas no poema... será? :)

deve ser do seu ofício fatigada
e incerta barca
(esta é óbvia)


claro que não, katz >;)

tataranha disse...

Bom dia a todos!

adorei o poema.
adoro o silêncio.
o silêncio do respirar.
adoro a partilha do silêncio com a ternura.


obrigado Prof.!!!

Julio Machado Vaz disse...

Minha cara Laura,
Gralhas confirmadas. Era o sono:). Obrigado.

Viuva Negra disse...

Blog interessante , no entanto fiquei surpreendida com algo , os comments davam apra fazer outros blog !!!

Viuva Negra disse...

Ma isso é algo que não sou eu que vou explicar a minha area é outra ...

lobices disse...

...Bendigo o silêncio que me envolve; há tão-somente o chilrear dos pardais que no meu quintal fazem os tais voos palermas; são imensos e, neste momento, com o vento norte que sopra um pouco forte, esse piar dilui-se porque o som vai para sul deste meu canto. Me encanto, sem espanto, neste doce manto de paz e de solidão. Não estou triste nem a mágoa me consome apesar de tal estado ser enorme. Me entrego a ela em paz e com muita serenidade; não faço alarde nem a tento afastar. Aguardo apenas; aguardo o que houver para aguardar; não vou apressar o passo para passar em frente o que tenha de vir ainda a passar; não sei o que está para vir mas sei que algo virá. Bendigo, pois, o silêncio que me envolve. Sinto-me nele como dele fosse parte e não existisse sem que ele me deixasse; penso mesmo que, presentemente, eu deixaria de ser o que sou se o silêncio me abandonasse; no entanto, grito e desejo que tal aconteça, grito e anseio que ele desapareça, que algo surja para eu rir às gargalhadas. Porém, me assalta uma dúvida: que outra paz e serenidade poderei ter se este silêncio me abandonar? Será que a luta e o movimento será uma outra paz? Será que quando o actual silêncio me abandonar eu irei ter novamente um outro silêncio? Há muito já que ele faz parte de mim, ou se calhar não tanto tempo assim; todavia, a contagem até nem é importante, nós é que damos a importância que se sente deva ser dada, ou talvez não, talvez nem mereça ser assim tão doce ou mesmo breve; é que não sei se o estado de alma que sinto é doce e longo se amargo e curto, se amargo e longo ou doce e curto; sei apenas que me sinto bem e ao mesmo tempo sei que não o posso aguentar muito mais tempo. Tragédia esta a minha que de tão simples a faço tão complicada. Mas não seremos nós os complicadores que de tanto complicarmos as coisas, estas se tornam mesmo complicadas? Se calhar assim é. Resta-me, por isso, a esperança de que seja eu que esteja a laborar num erro e não que seja o erro um erro em si mesmo. O nevoeiro que nos cobria há 48 horas dissipou-se; o sol está novamente brilhando; pode ser que seja um bom augúrio, ou talvez apenas uma mudança de vento; que seja o que tiver de ser; nada mais simples que aceitar o que nos for dado vivenciar. Bendigo, portanto, o silêncio que me envolve. No entanto, espero apenas (nem que seja um grito) que algo me acorde.

Zero disse...

Mestre, mestre! andamos a falhar da mona!

Citações avulsas no seu blog chamam-se, nesta nossa blogosfera, abruptar! O mestre abruptou!

Deve ser o cansaço que a idade já não ajuda!

Então mestre. Hoje não lhe posso dizer

dá-lhe com força lampião!

Anónimo disse...

Ó Lobices, com esta agora é que a Woelfin te cai nos braços, homem! A mulher tá caidinha de todo, chiça!

Pinóquio

PortoCroft disse...

Prof.,

Lamento informá-lo que o tempo que passar a aturar as 'confusões' no seu blogue, não contam para a reforma. ;)))

Ainda assim, gostaria de o ver, partindo da sua especialidade e sob o ponto de vista de Saúde Mental, lançar mão de assuntos, infelizmente, actuais, na sociedade portuguesa. Imponha regras, se necessário. Mas, não desperdice esta oportunidade de pôr as pessoas a falar sobre aquilo que é realmente importante na sociedade portuguesa. Seria mais um dos muitos serviços que prestou aos seus concidadãos.

Tão só, um pai disse...

... contra mim, falo. Faço um intervalo:

Tenho um problema com o corrector ortográfico do Word.
A cada vez que escrevo "Benfica campeão", ele pergunta-me:

"Tem a certeza que quer manter as duas palavras juntas?"

Clico no "Sim" e o computador continua:

"Um momento...

A instalar o Word 1.0, versão 93/94."

yulunga disse...

Já tinha deixado no Lobices, e lá me vou repetir.
"Le silence c`est l`ami tout au fond d`un regard, que nous crie ce qu`on ne veut pas voir..."

Tão só, um pai disse...

Yul,
Essa afirmação é demasiado redutora, porque um silêncio pode ser tudo ... ou, verdadeiramente, nada ...

yulunga disse...

TSUP, desde que consigamos quantificar o tudo e o nada.

yulunga disse...

Será que conseguimos?
Uma vez num chat de conversação alguém disse algo parecido com isto:
"Eu não consigo imaginar o que é tudo; o nada talvez seja mais fácil. Mas a partir do momento que tomo essa consciência já nada me resta."

Até mais logo.

Tão só, um pai disse...

Yul,

Pois, o tudo ou o nada, do que se sente em determinado momento, do que se diz sem ser necessário dizer ... e há os silêncios quase puros, do silêncio pelo silêncio, a hipnose do mar que nos leva a olhar o vazio, esvaziando a mente ... e haverá, quiçá, o nada demente ... por aver muitos tudos e muitos nadas, porquê reduzi-lo ao amigo que nos grita o que não qeremos ver?

yulunga disse...

Porque somos nós próprios o amigo que nos mostra o que não queremos ver.
Não se diz que o silêncio nas dá as respostas?
E se calhar as certas são as que não queremos ver.

Woelfin disse...

To Pinóquio:
...caidinha de todo!!??

Just a kind of loving

Tão só, um pai disse...

... mas às vezes não queremos ver ... não queremos ouvir ... queremos dizer ...

Zero disse...

Para o "tão só, um pai"

Já agora também podia dizer que roubou descaradamente esse belo comentário deste blogue http://engenheiro.artedoengenho.net/weblog/

Ficava-lhe bem e toda agente ficava feliz.

É no que dá dizer alguma coisa com interesse, alguém se lembra que o deveria ter dito primeiro!

yulunga disse...

TSUP, isso é naquela fase salivar do amor em que a boquinha está sempre aberta. Ou se saliva ou se fala.

AJFRM disse...

Caro Prof,
o que apetecia era
"Ouvi-los a Todos, no Silêncio"
como dizia Raúl Brandão;

mas mesmo assim...


Nós Nunca Nos Entendemos

Após uma boa hora de conversa, entendemo-nos perfeitamente. Amanhã vem ter comigo com as mãos na cabeça, gritando:
- Como é possível? O que é que você percebeu? Não me disse isto e isto?
Isto e isto, perfeitamente. Mas o problema é que você, meu caro, nunca saberá nem eu lhe poderei nunca dizer como se traduz, em mim, aquilo que você me disse.
Não falou turco, não. Eu e você usámos a mesma língua, as mesmas palavras.
Mas que culpa temos nós de que as palavras, em si, sejam vazias? Vazias, meu caro.
Ao dizê-las a mim, você preenche-as com o seu sentido; e eu, ao recebê-las, inevitavelmente preencho-as com o meu sentido. Pensámos que nos entendíamos; de facto, não nos entendemos.


E conto velho também é o facto de o sabermos. Eu não pretendo dizer nada de novo. Apenas volto a perguntar-lhe:
- Porque continua, então, a proceder como se não o soubesse?

Porque continua a falar-me de si se sabe que para ser para mim como é para você mesmo e para eu ser, para si, como sou para mim, seria preciso que eu, dentro de mim, lhe desse a mesma realidade que você dá a si mesmo, e vice-versa, e isso não é possível?

Infelizmente, meu caro, faça o que fizer, dar-me-á sempre uma realidade à sua maneira, mesmo acreditando de boa-fé que é à minha maneira; e será, não digo que não; talvez seja;
mas um «à minha maneira» que eu não conheço nem poderei nunca conhecer; que apenas você, que me vê de fora, conhecerá: portanto, um «à minha maneira» para si, não um «à minha maneira para mim».

Luigi Pirandello

Daí que o melhor é Relativizar e não Absolutizar,

Absolutizar e Relativizar

Uma grande tentação nossa é a de absolutizar. Pegar num acontecimento negativo e dizer: «é tudo assim». Olhar um problema sério e não ser capaz de ver mais nada para além disso. Absolutizar cega e escraviza. O caminho é, pois, o de relativizar, não tirar do contexto, ver também o resto dos acontecimentos e, depois, relacionar com outras exigências. Relativizar e relacionar. Começa aí o caminho de paz.

Vasco Pinto de Magalhães

Tão só, um pai disse...

Ó meu caro Zero,

Pois fique sabendo:

1) Não roubo seja o que for a ninguém, nem reclamei a autoria da brincadeira.

2) Que a história do corrector do word, tal como acontece com todas as piadas que tenho "armazenadas", me chegou via e-mail

3) Que visito apenas alguns blogues e não tenho e nem tive o prazer do visitar o seu, da mesma forma que, práticamente ninguém, por aqui, terá visitado seja o que for meu.

4) E que, não obstante você poder publicar o que quiser, terá de provar que a história é da sua autoria, para reclamar o roubo de seja lá do que for.

Zero disse...

Ou isso! V.Exa saberá o que é roubo ou não. Fica na sua consciência. Usa disso, não usa!?

Tão só, um pai disse...

... ou isso o quê? V. Exa. quem? Consciência de quem? Quantos são? O que é que isso quer dizer?

Zero disse...

É por estas coisas que sou agnóstico!!

Dá Deus inteligência a quem não a sabe usar!

Tão só, um pai disse...

... pelos vistos, há por aí consciências que atrapalham os dedinhos ...

Zero disse...

Admito. Fui excessivo. Pelo menos que fique claro que, embora tenha usado essa brincadeira de forma inocente, não lhe pertence como pareceu e não lhe ficava mal dizer que não é da sua autoria. Podendo ou não provar-se o contrário!

Tão só, um pai disse...

... engraçado, eu sou crente ... hoje, todos se reclamam como agnósticos ... deve ser dos riscos que cada um assume na vida ... não conheço pescador ou aviador que seja agnóstico ...

Tão só, um pai disse...

... meu caro, diga-me quem é o autor, e republicarei o comentário, com o devido esclarecimento ... ou julgava-me o Herman José?

Zero disse...

Já lho disse. E já identifiquei o autor de quem não conheço cara ou nome, só o sítio onde rumina.

E eu conheço aviadores que não são crentes. Pelo menos um!

Tão só, um pai disse...

... calculo que sim, que conheça tantos aviadores agnósticos quantos os autores da piada ... desta e de outras ...

woelfin disse...

...today silent it is
...and silence can really make you feel or think
...think about the thrill of love again
...timid, troubling
...today silent it is
...and I love you enough to let you run
...after all
...loving is the only sure road out of darkness

Zero disse...

Para um crente, como escreve ser, deixa transparecer alguma animosidade na relação com o próximo! Quer um conselho que é grátis? Não se enerve. olhe que isso não lhe faz bem ao coração. Mantenha a calma e a elevação que essas "coisas dos quantos são" já não são para a sua idade (é verdade, escreve como um cota!).

Sabe contar, não sabe? Então antes de ficar aqui a falar sozinho conte até dez... Pronto, eu ajudo...

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10...

está mais calmo!? Fico feliz (mesmo) por ter ajudado!

Tão só, um pai disse...

... caro amigo,

"Quantos são", porque a isinuação inicial não partiu de si que, de repente, surgiu do nada, qual atirador furtivo.

Não percebo porque terá pensado que estaria a contar as cabeças a abater - o que só passa pela cabeça de cotas em corpo e espírito ... no mínimo.

Tão só, um pai disse...

Já agora, este é meu, não veio pela Net e, se está publicado em mais algum lado, foi-mo roubado. Talvez o amigo das insinuações e o seu ajudante tenham, lá nos seus bloguinhos de escárnio e mal dizer, qualquer coisa sobre o assunto em discussão


"Silêncio

Oiço. Agora, é o tempo de ouvir.

Oiço o silêncio de estar.

Não me leves a mal, por não falar.

Tenho tempo, fala, quero ouvir-te, do que sentes, sabes, que gosto de ficar aqui. Sem ilusão ou desilusão, de viajar em palavras que alcanço, momento de ser, não ter-te, sem tormento.

Deixa-me ver-te, gestos e braços do agora passado, presente que adoro por não estar magoado, silêncio preguiçoso, olhar infinito, poisado no corpo que já olhei desesperado e hoje abraço,

Como gosto de ti. E de mim."

woelfin disse...

by Otso Leloup-Auban
In honour of Jean Genet

"Souffrir pour être belle ?"
Mais non: il faut
s'ouvrir pour être beau.

by Alfred de Vigny

Seul le silence est grand;
tout le reste est faiblesse.

frosado disse...

Magnífico, não conhecia ese poema. Obrigada Professor!

andorinha disse...

Júlio e maralhal,
Boa tarde com ou sem silêncio.
Gosto do silêncio, são momentos em que falo comigo e que me são indispensáveis.

Laura e Katz,
Claro que não.:)

lobices disse...

"...the silence is the noise of my crying soul..."
lobices dixit

andorinha disse...

Why is your soul crying, Lobices?

woelfin disse...

sometimes
in silence
I cry too

circe disse...

Enquanto o Murcon anda a ver Braga por um canudo, aí vai, oportunamente (mais uma vez!) uma

FEIRA NA ALDEIA
É dia de feira na aldeia, com as suas barracas, carrinhos de choque e outras diversões. Durante a tarde
dá entrada um homem todo partido, que não sabiam por onde lhe pegar.
A médica:
- Mas que lhe aconteceu, homem, esta perna tem uma fractura exposta
- Ai Dra, não me diga nada, isto foi o hipopótamo!
- Então e o braço partido?
- Foi o leão, isso foi o leão!
- Mas e a testa, toda aberta?
- Foi a girafa, ai, ai...
- Você é caçador de caça grossa,caramba, já percebi
- Caçador qual quê, se eles não parassem o carrossel...matavam-me!!!


PS: com especial carinho para a E&E

lobices disse...

"...the soul does not cry nor laughs but it feels the crying and the laugh..."

E&E disse...

Oh circe das 4:56

as palavras são ricas de significado, para alguns sábios, enquanto que, para outros, são pobres.

Isto parece significar q ninguém se entende. Significará?

Grata pela mensagem pq adoro carrocéis e carrinhos de choque.

AVISO DE FRADE disse...

Na estrada, alguns metros antes de uma curva, dois frades seguravam um cartaz que dizia: "O Fim Está Próximo! Arrepende-te e Volta Para Trás!..."
Passou um automobilista e mostraram-lhe o cartaz. Este deu uma gargalhada, mandou-os à fava e seguiu em frente. No momento seguinte, ouviu-se um grande estrondo para lá da curva e um dos frades disse para o outro:
- E se puséssemos antes um cartaz a dizer: - "Atenção! A Ponte caiu. "?

Ale (mestressan) disse...

Bom dia gente amiga! Cheguei tarde, mas aqui estou para fazer barulho, mesmo o poema saendo o Silêncio! Beijo a todos!!! ;o) (ALE)

woelfin disse...

is it the silence by yourself
that doesn't heal the wounds?
then let me do your crying
and you can make my smiles for me

E&E disse...

Porque me pareceu indelicado ter-me dirigido a um convidado sem cumprimentar o anfitrião aqui vai, JMV, o q penso do poema: como poesia tem transcendentes subtilezas que cada um lê como quer e pode, mas (diria que), como aporia não colhe.

Isto pq não me parece q as palavras fiquem desamparadas, ou desertas, ou tão pouco fascinadas pelo silêncio, mas, sim, o contrário.

São opiniões ou, como diz o engenheiro, aquilo de que não se pode falar (o transcendente) deve calar-se.

Anónimo disse...

Sr E&E

Quem é o engenheiro? Algum político da nossa praça?
Desculpe a ignorância mas gostava de saber.

Curioso

woelfin disse...

"A verdadeira amizade chega quando o silêncio entre duas pessoas parece ameno."

Autor desconhecido

Maite disse...

Nos teus olhos busco o silêncio
Que me tráz palavras ternas
De conceitos inefáveis
De momentos indizíveis.

(o meu humilde contributo para este post)

lobices disse...

"...I have been out of me
...but inside myself
...doing the same
without knowing how to do that..."
...

woelfin disse...

...I came to love you
...I wonder if you knew or know
...anyone who's given in to loving
...will know and understand you
...don't worry
...I'll love you all the same

woelfin disse...

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,
Pourtant quelqu'un m'a dit que...

(Carla Bruni)


J'aime bien cette chanson...
Bj

Anónimo disse...

Anónimo Curioso
O Engenheiro é Wittgstein. E a frase pertence ao final do Tratado Lógico-Filosófico. E o Anónimo que agora lhe responde não é o mesmo a quem você Anónimo Curioso se dirigiu. Onde se prova que há anónimos & anónimos...

Anónimo disse...

Tropa Anónima: O único não anónimo deste blog é o Professor Júlio Machado Vaz. Honra lhe seja feita!

Anónimo disse...

Anónimo Curioso: Enganei-me a escrever Wittgenstein

E&E disse...

Sr “Curioso”, caro convidado de JMV

Estive a tratar do jantar para a família e não o ouvi a tempo. Daqui da minha horta, esta outra convidada envia-lhe a explicaçãozinha, da melhor maneira que consegue, mas sem querer maçá-lo muito:

Com uma melhor tradução de Tiago de Oliveira, a frase será esta: “Acerca daquilo de que se não pode falar, tem que se ficar em silêncio” e pertence ao engenheiro e filósofo L. Wittgenstein que a escreveu no “Tractatus Logico-Philosophicus” 6.54.

Para amenizar, e ainda a propósito de palavras, disse o mesmo Ludwig em “Investigações Filosóficas”, 203:

“A linguagem é um labirinto de caminhos. Vindo de um lado, conheces o caminho, vindo de outro lado, mas para o mesmo ponto, já não conheces o caminho.”

Resta-me dizer que, para os que não apreciam citações do século passado, haja paciência.

E&E disse...

"Onde se prova que há anónimos & anónimos..."

"Onde se prova" lembra-me qq coisa!

E, de facto, há até os
anónimos&anónimos.blogspot.com

Agradecendo ao diligente comentador que tem vindo a esclarecer os nomes dos poemas e dos livros, desejo-lhe um grande bem haja por tão elegante cavalgada.

amok_she disse...

eh lá!, este post ñ precisa de amok's, nem de barulhentos para a guerrilha diária!...já cá chegou outra trupe!...fraquinha, ainda, mas leva bom caminho...:->