quinta-feira, maio 19, 2005

Esclarecimento

No Sábado passado, o meu nome era citado no Expresso a propósito de uma reportagem sobre Educação Sexual. Desconheço se o Professor Doutor Duarte Vilar e a Dra Susana Cardoso tiveram - ou vão ter… - alguma reacção à pequena parte do texto que nos dizia respeito. Eu não posso evitar fazê-lo, pois fui abordado por um Jornal on line e por uma rádio. Assim:
1) Em 1994 ou 1995 a Universidade Aberta pediu-me que coordenasse um livro sobre Educação Sexual. Tendo aceite, convidei para colaborarem comigo o então Dr. Duarte Vilar e a Dra. Susana Cardoso, pela reconhecida competência de ambos na matéria.
2) O livro foi publicado em 1996.
3) Na nota prévia pode ler-se: “Este texto pretende ir ao encontro de necessidades de formação de professores ou outros profissionais a quem caiba a tarefa de implementar programas de educação sexual para crianças e jovens, fornecendo oportunidades de reflexão e sugestões de actuação em domínio controverso e não imune a sistemas de valores diferentes, que abrem margem a opções variadas”.
4) Não se tratava, portanto, de um Manual de Educação Sexual destinado ao “terreno”. Devo acrescentar que, se neste momento existem livros desse tipo da responsabilidade do Ministério da Educação, os desconheço. Ficaria surpreendido, mas o meu afastamento de anos da área da Educação Sexual na Escola pode estar na raiz de tal ignorância.
5) O capítulo 5 tinha por título “Objectivos e conteúdos de educação sexual nas diferentes fases do desenvolvimento psicossexual”.
6) A dada altura, nele se escrevia (página 84): “A actividade de auto-estimulação também não tem a intencionalidade erótica que progressivamente vai adquirindo e assume na pós-puberdade. É, no entanto, fonte de prazer e por isso também de culpabilidade, pela associação, na educação tradicional, de mensagens negativas sobre o prazer sexual e a masturbação em particular. Esta é mais precoce nos rapazes e mais dissimulada, e não consciencializada, nas raparigas, as quais, também por razões anatómicas, exploram menos frequente e directamente os órgãos sexuais”.
7) O parágrafo poderia ser meu. Quem me conhece, sabe que, pela diferença referida no primeiro período em relação à pós-puberdade, prefiro falar de auto-estimulação infantil e não de masturbação, palavra demasiado “adultomorfa”. À época a minha posição era claramente minoritária e não me admiraria se continuasse a ser. De qualquer forma, o texto não deixa a mínima dúvida sobre o carácter exploratório da auto-estimulação.
8) Na página 88, aparece a frase polémica, para quem não leu o livro. Num sub-capítulo dedicado a “Expressões de Sexualidade”, e que segue em linhas gerais Lopez Sanchez do país vizinho, enumeram-se “Conteúdos específicos/objectivos específicos”. O segundo ponto da alínea 1 (“Comportamentos sexuais”) reza o seguinte: “Aprender a realizar a masturbação, se existir, na privacidade”.
9) Ou seja: se não existir…, não existiu! (O que constitui, de resto, a excepção, atendendo à enorme frequência do comportamento, como qualquer adulto que acompanhe o crescimento de crianças sabe). Se existir, será necessário explicar à criança que tal actividade não deve ser pública. Muitos de nós, aliás, já se depararam com diálogos difíceis. Por exemplo, quando a criança nos dispara um “se não tem mal por que não o posso fazer em casa de X?”.
10) As duas linhas referidas, mesmo descontextualizadas!, não abrigam nenhuma intenção, aberta ou encapotada, de ensinar a auto-estimulação às crianças. As quais, de resto, dispensam qualquer tipo de ensino ao nível da exploração do corpo na infância...
11) Posso compreender a perplexidade e preocupação de muitos, perante o alarido que lhes foi depositado no colo. Esses, são o motivo do meu esclarecimento. E não outros, que deliberada e desesperadamente procuram turvar as águas de uma discussão que agradece as mais diversas contribuições, como salientado no ponto 3.
12) Fui sensível à gentileza com que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa abordou o artigo e as pessoas nele mencionadas. Não se tratou de uma surpresa, mas é reconfortante verificar que se pode colocar reticências sem ferir a idoneidade pessoal e científica de outrem.
13) No que me diz respeito, o episódio terminou aqui.

55 comentários:

@zul disse...

Tenho acompanhado com alguma estupefacção esta questão.
Por isso, agradou-me ler a sua explicação sobre este assunto que tantos mal-entendidos tem provocado.
(por ex., em http://faccioso.blogspot.com/2005/05/chegou-o-momento-de-dizer-no-extractos.html.

Urge mudar algumas mentalidades.

jotakapa disse...

Não tenho acompanhado de perto a discussão, e pelos vistos ainda bem porque parece que existem formas deturpadas de se verem as coisas.
Obrigado pelo esclarecimento, e não posso deixar de concordar com o que tão bem nos explicou (como é hábito).

E não vale a pena "esconder o sol com uma peneira" nem "enterrar a cabeça na areia" sobre aquilo que todos sabemos que existe e tem de ser tratado com a maior naturalidade que nos for possível.
Salvaguardando sempre as diferenças de educação e mentalidade de cada um.

Maite disse...

Professor, quanto ao ponto 3 deste seu post posso dizer que existem alguns livros como por exemplo "Educação sexual em meio escolar" publicado em 2000, da responsabilidade do Ministério da Educação e da Saúde onde é referido e passo a citar " A educação sexual...não se pode limitar a aspectos meramente informativos. Ela exige um debate de ideias sobre valores pessoais e deve facultar aos seus destinatários (os alunos)os dados necessários para que construam o seu próprio quadro de referências, definidor das suas opções individuais...".
É claro que este campo é muito controverso e por isso mesmo dificil de implementar nas escolas, mas penso que se começam a dar os primeiros passos. E para que avance de forma consistente e sistemática, os professores deverão ter acesso a formação (que não seja apenas auto-didatismo) e aí penso que, o papel dos médicos, psiquiatras, sexólogos, psicologos... seria de um valor crucial.

madeira disse...

O que é verdade hoje, amanhã é mentira !
O Professor tem todo o dever de salvaguardar a sua imagem e a sua linha de pensamento de forma a evitar deturpações em relação à sua linha de raciocínio e/ou perspectiva sobre a temática em questão.

Maite disse...

errata: onde se lê do Ministério, deve ler-se dos Ministérios

mantenh disse...

Sinto-me tão triste e perdida com está matéria. Há tanto, mas tanto tempo que este assunto emerge, assim ... tipo monstro de Lock Ness, abana tudo, menos estruturas,e emerge com o seu lado tabu.

E as nossas crianças continuam a crescer e a formar-se a bel prazer de tantas todas as mentalidades que se conhecem e das outras que não sabemos.

Presentemente, tenho a sensação que muito atabalhoadamente e sem rigor querem á força implementar no sistema educativo uma matéria, tão cara ao ser humano, que me arrepio de pensar nas consequências.

E a impotência de nada saber ou poder fazer com os pseudoeducadores a quem ´depositamos' a educação, e aqui genericamente, dos Homens do Futuro.

O post de hoje deixa-me assim

Mantenhas

Sofia disse...

"Os outros amavam-no demais para lhe perdoar", escreveu no post anterior. É por essa razão, por amar demais as suas causas, que fica zangado quando o interpretam mal, certo?
Deixo-lhe aqui este lembrete hoje. Nunca comento o seu blog, pois me parece uma sala de chat, mas visito-o regularmente. Com estima e consideração.

Anónimo disse...

GRANDE HOMENAGEM DA RIAPA AO SPORTING E AO FABULOSO RICARDO!

www.riapa.pt.to

PortoCroft disse...

Prof.,

Queira me desculpar mas, porque não li a notícia ou comentário, um pequeno pormenor não ficou, completamente ou de todo, esclarecido: O comentário (ou artigo) foi feito pelo Prof. Marcelo Rebelo de Sousa? Ou ele estaria a comentar um artigo onde se punha em causa a sua imagem e bom nome?

Quanto ao 'post', e pela minha experiência de pai, concordo em absoluto com tudo o que o Prof. diz. E ainda que, a qualquer passo do livro, defendesse o ensinar a auto-estimulação às crianças. Sempre me pareceria menos grave que isso se verificasse com assistência cliníca e base científica, do que a absoluta ignorância que, as mais das vezes, leva-las a cair em mãos ignóbeis.

Não ligue. O Prof. é grande. Grande demais para o país, as mentalidades, os nacionais-porreirismos e os idiotas que têm acesso à máquina manipuladora da opinião pública.

Tão só, um pai disse...

Há mais aqui:

http://www.forumdafamilia.com/noticias/Mai2005/140505a.htm

Lá no fundo da página,

"Um dos livros aconselhados - «Educação Sexual na Escola», de Júlio Machado Vaz e Duarte Vilar, da APF - propõe como conteúdos para o pré-escolar e o 1.º ciclo: aprender a realizar a masturbação, se existir, na privacidade; conhecer diferentes tipos de família; adquirir um papel de género flexível e reconhecer comportamentos sexuais como carícias, beijos e relações coitais."

PortoCroft disse...

tsup,

Obrigado pelo 'link'. Já dá para acompanhar e ter a noção da origem da polémica.

Maite disse...

Tão só, um pai
Penso que o programa de educação sexual ao ser implementado nas escolas, de forma séria, será uma grande ajuda para que as nossas crianças tenham uma relação saudável com o próprio corpo e se autoprotejam de eventuais abusos, ao saberem reconhecer práticas sexuais nocivas para elas.

PortoCroft disse...

Subscrevo em absoluto, Maite.

E, para nem ir mais longe, deixo apenas uma questão:

Estaríamos perante um Caso Casa Pia, se houvesse uma séria educação sexual em Portugal?

Uma boa educação sexual não cria depravados, como alguns sectores conservadores pretendem. A sua ausência ou omissão, já todos sabemos que sim.

Maite disse...

Portocroft
Não sei se não haveria um caso Casa Pia. Eu sou absolutamente contra instituições (onde são "despejadas" crianças), que devido às suas proporções e relações de poder, são muitas vezes incontroláveis. Mas acho que muitos casos de abuso seriam evitáveis, com certeza, através da educação sexual

PortoCroft disse...

Maite,

Num mundo ideal, Instituições como a Casa Pia, não teriam razão de ser.

O meu falecido pai foi educado na Casa Pia. E, se outros motivos não houvessem, este bastaria para estar grato à sua existência. ;)

Maite disse...

Hoje em dia, quando se fala de Casa Pia tem-se uma tendência enorme para ver o lado negro (admito), mas não podemos esquecer que,de facto, por não vivermos num mundo ideal, essas instituições são, muitas vezes, o único lar para tantas crianças e onde há grandes educadores também.

Boa noite Portocroft e também para todo o maralhal ...e para o Professor

PortoCroft disse...

Maite,

Mas, eu concordo consigo: ...devido às suas proporções e relações de poder, são muitas vezes incontroláveis. Não tome o que disse, anteriormente, como uma crítica.

Resto de boa noite para si.

E&E disse...

JMV
Parabéns pelo modo como pensa e pela forma como sabe defender a sua idoneidade pessoal e científica.

Lobo muito Mau ... Aúúúú disse...

No que respeita à educação sexual das crianças dos 5º e 6º anos, sou cuidadoso.

Não acho que elas "devam" saber seja o que for.

Acho, outro sim, que elas "devem" ser incentivadas a perguntar, e a falar seja do que for. Incluindo a anatomia da sexualidade, o orgasmo, a masturbação e a homosexualidade. Como espaço de discussão e curiosidade.

Deverá ser essa a função dum programa escolar sobre a matéria. Deixando aos pais o espaço suficiente para intervirem nesta matéria, em casa.

anônimo disse...

Caro Professor

Gostei muito da sua defesa e darei toda a atenção ao que quiser desenvolver sobre o tema da educação sexual de crianças.

Anónimo disse...

"– Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso"

Julio Machado Vaz disse...

Minha cara Sofia,
É verdade, há quase trinta anos que digo às pessoas "se calhar" e lhes ouço todas as objecções, sugestões, críticas e recomeço a partir daí. Pesa que utilizem palavras de um livro coordenado por mim como arma de arremesso.
Meu caro Portocroft,
Tem toda a razão. O Professor Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se ao tema no Domingo e expressou preocupações, ressalvando a consideração que lhe mereciam alguns dos nomes envolvidos.

PortoCroft disse...

Prof.,

As reticências do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, só são compreensíveis à luz dos constrangimentos políticos e do meio onde as proferiu. A ressalva feita à idoneidade dos autores do livro, só demonstra vir dum homem inteligente e educado.

Enfim, desconfio que o tema ainda verterá muita tinta. Esperemos que haja a coragem de dar o grande salto no sistema educativo português, também no que respeita à educação sexual. E isto, claro, sem prejuízo do papel que os pais têm, obrigatoriamente, que desempenhar.

Julio Machado Vaz disse...

Errata:):
Obrigado pelo esclarecimento, Maite, tudo isso já é posterior à minha reforma da área, fascinado pelos aspectos históricos da sexualidade que hoje constituem o meu "jardim" predilecto:)

Anónimo disse...

Caro Professor Murcon

Pela parte que me toca excomungo-o.

Mistura a palvra reza e masturbação no mesmo ponto(8)!!!!

Excomungo-o.....

caiacaina disse...

Caro Professor Júlio Machado Vaz

..E o episódio acabou aqui... Muito bem! Adorei o seu esclarecimento.
Creia que lamento profundamente, que uma grande maioria dos meus patrícios continue com preconceitos sobre assuntos que deviam de deixar de ser tabu. A ignorância é atrevida e se adicionada aos tais “tabu” e preconceitos "falsos", porque à socapa vão lendo coisas em revistas cor-de-rosa, que não esclarecem, mas sim aguçam o mau entendimento do que a ciência vai revelando com estudos abalizados e conscientes.
Abraço grande!

Tão só, um pai disse...

Caro Júlio,

Acredito que o episódio acabe aqui, mas não irá acabar agora. Todos os dias recebo, por e-mail, pedidos de subscrições contra o ensino da educação sexual na escola, tal como o nos estão a vender.

Maite disse...

Tão só, um pai
E como é que lho estão a vender?
Prefere que as crianças conheçam o assunto através de revistas "cor de rosa", de amigos mais atrevidos e muitas vezes mais velhos, de investigarem por sua conta e risco de uma maneira desadequada à sua idade?
É claro que o papel dos pais é indiscutível mas será que muitos pais não se demitem dessa sua função de educadores? por imensas razões, como por exemplo: falta de tempo, de paciência, de acharem que isso é um assunto para mais tarde, etc.
Mas, também penso, que a educação sexual nas escolas deve ser um assunto para levar muito a sério por parte dos educadores, caso contrário, seria contraproducente e até prejudicial.

Bom dia para todos

Maite disse...

"fascinado pelos aspectos históricos da sexualidade que hoje constituem o meu "jardim" predilecto:)" A sério Professor?!!!!;)E nada o fará mudar de posição?

Tão só, um pai disse...

Bom dia, Maite.

O problema está aí, o de receber petições contra a educação sexual nas escolas, e não contra o programa.

Faço minhas as palavras do comentário acima:

"No que respeita à educação sexual das crianças dos 5º e 6º anos, sou cuidadoso.

Não acho que elas "devam" saber seja o que for.

Acho, outro sim, que elas "devem" ser incentivadas a perguntar, e a falar seja do que for. Incluindo a anatomia da sexualidade, o orgasmo, a masturbação e a homosexualidade. Como espaço de discussão e curiosidade.

Deverá ser essa a função dum programa escolar sobre a matéria. Deixando aos pais o espaço suficiente para intervirem nesta matéria, em casa."

Beijinho.

Maite disse...

"Acho, outro sim, que elas "devem" ser incentivadas a perguntar, e a falar seja do que for. Incluindo a anatomia da sexualidade, o orgasmo, a masturbação e a homosexualidade. Como espaço de discussão e curiosidade." Caro Lobo muito mau, pois é isso mesmo que deve ser. Ou achava que a educação sexual nas escolas seria mais uma disciplina em que os professores se limitariam a dar informações pura e simplesmente?! Pelo amor de Deus!!!!

Maite disse...

Bom dia Tão só, um pai :)

blimunda disse...

vou mandar-lhe por mail o texto de um projecto de área-escola sobre sexualidade, feito por um prof. de moral e proposto aos pais para aprovação: a unanimidade foi apenas quebrada por mim - que além de me ter insurgido, vou proibir a minha filha de assistir a essas *aulas*. e não é por discordar da educação sexual na escola, não. é por discordar e vetar a visão de quem, como este prof, quer voltar às trevas. verás como não podes encerrar o episódio. não, enquanto houver *educadores* a *educarem* assim. tens que continuar, p.f. e reeducar adultos

apenas educar... disse...

Não sei a que idade das trevas «blimunda» se estará a referir. Não conheço, até, o programa em questão mas, por favor, considerem:

Faz falta professores competentes na matéria!

Querem um bom exemplo do que se faz na área da educação sexual em Lisboa: vejam o programa, facultativo, da Escola Francisco de Arruda. Além de estar plenamente integrado no área escola teve já o reconhecimento internacional estando presente nos últimos dois Congressos Internacionais sobre Sexualidade.

Tão só, um pai disse...

Sinceramente, não entendo em que situação está este assunto, que, convenientemente, designo como "discussão da sexualidade" nas escolas.

Leio e não entendo se, de facto, já existem programas escolares, se sim, qual o seu conteúdo, de que linhas orientadoras se fala, que experiências educativas foram completadas com sucesso e estão aptas a ser replicadas.

Alguém me diz onde posso obter esta informação?

Tão só, um pai disse...

... ou seja, tantas associações de pais, reuniões de pais, problemnas de disciplina, blá blá blá, mas nada se discute sobre este assunto, mem é reinvidicado. Vou já escrever à representante dos pais da filhota.

Tão só, um pai disse...

... parafraseando o outro ... "estou mesmo chateado" ... bah!

250º a Oeste disse...

Bom dia,

Tive conhecimento da notícia no fds passado, estranhei o vento brando dos dias seguintes mas afinal... Aqui está o sensacionalismo esperado em temas tão sérios!! - nada como ter meios de comunicação previsíveis.

Creio que foi este Professor Júlio MV que há uns anos atrás andou (tb!) de escola em escola e fez um trabalho notável conversando com alunos e professores sobre a vida dos afectos... Feliz e infelizmente o seu nome tem impacto e só lamento que seja usado assim.

Agradeço o seu esclarecimento mas pessoalmente não precisaria dele para ter absoluta confiança na sua competência como técnico e educador.

Obrigada.

Luis Gaspar disse...

É a obrigatoriedade de aprender o que e quando o Estado quer, que critico. O desenvolvimento sexual não é homogéneo, e é perverso impôr que seja. Quando fala em culpa, reconheço a necessidade de a afastar: mas coloco a questão. Afastar, para onde? Queremos tirar a culpa para meter o quê? Se é para um aumento da promiscuidade, e do sexo pelo sexo, tenho sérias dúvidas que isso seja menos perverso que a culpa. Numa idade tão crítica como os 12 ou 13 anos, não faz qualquer sentido não educar para os afectos, e desligar o acto sexual da enorme componente afectiva que carrega - ah, e que, como sexólogo, seguramente sabe existir, até pelo crescente sentimento de culpa de adolescentes que, não querendo, se vêem forçados socialmente a iniciar a vida sexual adulta e a contar e exibir o número de parceiros. A ingenuidade social, acompanhada de sofisticação libertária, é suspeita.

Tão só, um pai disse...

Luis,
Concordo com a premência da educação sexual no contexto, também, da educação para os afectos. Mas não sob o estigma "da promiscuidade" e do que, por forma repressiva, daí advenha.

alice disse...

É fantástica a quantidade de lixo que se pode encontrar na blogosfera - refiro-me ao link indicado por @zul, no primeiro post. Nem sei porquê, ainda consigo surpreender-me com gentinha que tem aquele pensar (ou falta dele), mas este é o país real. Tenho tido imensas e tristes provas desta realidade em conversas com pessoas do meu serviço que eu julgava de cabecinha arejada e, na volta, não a têm! Por isso é fundamental pôr os pontos nos is - apesar de todas as dificuldades, talvez não seja malhar em ferro frio! Obrigado @zul, por me lembrares a realidade, embora triste e atrasada. Obrigado Prof, por não desistir facilmente de marcar a diferença.

emanuel p. disse...

O senhor machado vaz quer fazer de sodoma o ambicionado paraíso dos humanos. travem o grande masturbador!

Boss disse...

Educação sexual e APF sob ataque

É mesmo importante ler e divulgar este artigo, a bem da verdade! ;)

A mim me parece disse...

O que por aqui vai de comentadores salivando por um nico de atenção do Professor Júlio Machado Vaz! O homem é uma vedeta da comunicação social. As mulheres suspiram por ele e ... alguns homens também. Aposto que ele leu os primeiros comentários e ... se foi masturbar.

Cuca disse...

Verifico que a palavra é a masturbação, o papão... pena a usarem em cenário tão negativo e temeroso - a alguns recomendo a experiência de tentarem se masturbar intelectualmente... pode ser que com o estímulo comece a ocorrer algum raciocínio bom e saudável, sem recurso ao insulto e à mesquinhez...

amok_she disse...

...quer-me cá parecer q a brigada dos bons costumes descobriu este canto e ag é q vai ser o bom e o bonito, quer dizer: preparemo-nos para a defesa da "pátria, família e autoridade"...:->

Pink disse...

Descobri hoje apenas que tinha um blog. E,por coincidência, logo nele se foca/explica algo que despertou a minha atenção, uma vez que sou professora e atenta a estas questões. Gostei imenso de ler as suas explicações sobre o debate que se gerou em volta do dito artigo, uma vez que confirmam a percepção que eu tinha do assunto.

blimunda disse...

O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois?
-espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!

(Alexandre O´Neill)



fui roubá-lo ao @zul... ( a poesia é subversiva, não é?)

pandora disse...

gostei deste seu esclarecimento, que só vem confirmar aquilo que eu já pensava sobre o assunto!

quero ainda dizer a quem pôe reservas à educação sexual em idades mais tempranas, que deviam ir às escolas e ver meninos e meninas de 5º ano aos beijos, e toda a espécie de carícias, sem qualquer pudor... será que os pais sabem disto?
pode ser assustador para alguns, mas é um facto que cada vez eles começam mais cedo, e não é sem informação que o devem fazer!

sou mãe e professora... educo os meus filhos no respeito por si mesmos e pelos outros, nunca deixei de responder a todas as perguntas que me colocaram. o mesmo faço com os meus alunos, e embora não seja especialista, procuro ajudar no que posso. alguma formação neste campo seria bem-vinda, claro.
e mais não digo pq isto ja vai extenso...

Anónimo disse...

Bis Bis Bis!! :)

catarina disse...
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catarina disse...

A educação sexual dá que falar..talvez por ainda não ser encarada com naturalidade pelos pais e professores neste país.Idealmente deveria ser abordada desde sempre,aos poucos e em contexto adequado.Penso que querem implementar uma especie de injecção educacional..o sexo não se ensina,vive-se e aprende-se ao longo de tempo..connosco e com os outros. Aceito que esclareçam as crianças (é ai que tudo tem de começar)para os problemas inertentes a comportamentos de risco..mais nada.Sexo é vida..não se ensina num quadro de escola._)

Roberto Iza Valdes disse...
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Roberto Iza Valdes disse...
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Iza Roberto disse...
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