terça-feira, maio 10, 2005

Como prometido

Aqui está o texto que li na apresentação do livro coordenado pela Professora Lígia Amâncio:

É um prazer colaborar no lançamento de um livro organizado por uma pessoa que sempre me despertou simpatia pessoal – facto de vantagem curricular muito duvidosa… - e o respeito que me leva a citá-la com frequência, pela importância de que o seu trabalho se reveste no nosso panorama científico. Prazer reforçado pelo facto de se tratar da resultante de um esforço de equipa, hábito obrigatório que ainda encontra incríveis dificuldades em país cioso das suas capelinhas e invejas. Erro tremendo, só a multiplicidade dos olhares constrói objectos de estudo mais nítidos ou até, sejamos megalómanos!, quase verdadeiros.
Permitam que confesse um favoritismo descarado por palavra do sub-título: masculinidades. Porque são os plurais a aflorar o real, todo o singular acarreta a generalização que transforma pessoas em números e estereotipos. Que aprendemos a ser homens masculinos começa a ser - finalmente… - consensual. Nem sempre foi assim. A masculinidade, constitucional, imutável, indiscutível - quando não invisível… -, tem sido ponto de referência padrão e símbolo milenar de poder fálico e patriarcal. E isto apesar da constante obsessão em a provar, o que só pode traduzir a fragilidade e insegurança de quem, consciente ou inconscientemente, se teme e confirma efémero, no seu exibicionismo especular e competitivo.
Os estudos sobre a masculinidade surgiram a reboque dos de género, centrados sobre as mulheres, seres estranhos e imprevisíveis, definidos em relação à norma, em teoria assexuada mas silenciosamente masculina. E, por arrastamento, de uma libertação feminina que punha em causa valores e práticas simbolizadas pelo cow-boy da Marlboro e por um John Wayne omnipresente nos meus queridos westerns da adolescência. Sim, porque oficialmente todos éramos – ou seríamos no futuro… - como eles: monolíticos, pétreos, seres racionais que escondiam e calavam o amor e se orgulhavam disso. Lembremos esse Shane, desempenhado por Alan Ladd, desaparecendo no horizonte, aterrorizado pela presença – nem sequer a exigência… - dos afectos de mulher e criança. Só faltava no argumento de tão mítico filme que também um homossexual fosse rejeitado, para que os critérios major da construção da masculinidade estivessem completos…
Como bem salienta a Professora Lígia Amâncio, os problemas permanecem ao nível das relações de poder, de produção e emocionais. E ao nível da comparação e opressão das masculinidades, veja-se o artigo do Expresso da semana passada sobre Forças Armadas portuguesas e homossexuais. Quase admirável, na sua honestidade paleolítica e cruel, sublinha o que outros calam por estratégia: aprendemos a ser um determinado tipo de homem, lançando os outros para a cumplicidade ou marginalização. O destino dos primeiros, sob certos aspectos, não é melhor. Tornam-se vitoriosos à custa da auto-mutilação…
Os processos discriminatórios surgem, por exemplo, no local de trabalho, como exemplarmente demonstra o Dr. António Marques. A quem reencontro com satisfação, depois de ter tido o privilégio de acompanhar no passado as suas provas académicas, que suportou com inegável brilho. Das áreas referidas, permito-me salientar a Cirurgia. Porque a comparação diária não é apenas com as mulheres que nela se aventuram ou com uma futura cirurgia “feminizada e descaracterizada”. Mas também com as outras especialidades médicas, vistas como secundárias e de apoio. O cirurgião goza de um estatuto fantasmático de prima dona que até no comportamento predador heterossexual se verifica, a “intimidade desculpabilizante” do bloco operatório é famosa na Medicina.
E se em Antropologia Médica chamamos a atenção para o estreitar do fosso entre as chamadas doenças de género, salientando as consequências da adopção pelas mulheres de estilos de vida considerados mais “masculinos”, seria ingénuo negar a associação risco/masculinidade que muitas vezes conduz a verdadeiros comportamentos ordálicos. A Dra. Ana Laranjeira tem razão, e o povo também: um homem que não é homem não é nada. Nem homem, nem par do grupo, cuja rejeição é mais temida que tudo o resto. Incluindo todo o género de rituais de passagem, sejam eles ridículos, sádicos ou dolorosos.
Afinal as mesmas águas em que se move a Dra. Teresa Martinho, cujo título me trouxe à memória uma velha canção dos Eagles, dedicada a James Dean: “Too fast to live, too young to die”. Não será a minimização do risco uma visão compensatória megalómana da insegurança de que falava atrás? E se o risco é minimizado na estrada e ao volante, como o não seria na pedra de toque da masculinidade, o sexo? Minimizada é também por muito boa gente a sobrevivência do duplo-padrão, condicionado ou não, assente no “constitucional e tirânico” desejo masculino. A pressão é tão forte que os comportamentos de risco resistem à melhoria dos conhecimentos. O que não acontece nas raparigas. Ou, na maior parte dos casos, não aconteceria!, pois conhecimentos e boas intenções de pouco lhes valem, face à assimetria de poder ainda existente em muitas relações.
O meu bom amigo Vasco Prazeres prossegue, de certo modo, o tema da Dra. Ana Laranjeira, ao abordar as vertentes da Prevenção e Promoção de Saúde. Sempre desvalorizadas na ideologia médica, fortemente curativa, intervencionista, espectacular, numa palavra – masculina. E chama a atenção para as diferenças nas taxas de mortalidade e morbilidade e para o perigo de considerarmos constitucionais diferenças que relevam dos comportamentos. Bastará recordar os acidentes de viação que enchem serviços de urgência e traumatologia, para não falar dos cemitérios. Ou as doenças sexualmente transmissíveis, que por factores biológicos e sociais penalizam mais as mulheres. E foi com deleite que o vi citar o meu estimado Laqueur, sempre lúcido a discorrer sobre a facilidade com que Ciência e Medicina “ignoram o entrave dos factos”. Também importante a verificação por Choquet e Ladoux do aumento nos dois sexos dos problemas “tipicamente masculinos”, ao contrário dos “tipicamente femininos”. Não admira, o metro-padrão da liberdade e cidadania veste calças…
Os Serviços, esses, perpetuam as diferenças, pouco sensíveis às relações entre Cultura, Género e Saúde. E não só Género!, as mulheres, minoria maioritária, partilham com outras as desvantagens ao nível dos Sistemas de Saúde. Ouçamos Eisler e Hersen, no prefácio da obra colectiva que dedicam ao tema: “Diferentes grupos de pessoas percebem, avaliam e lidam com os tópicos da Saúde a partir das suas próprias perspectivas culturais. Assim, a qualidade e a eficácia das actividades de Prevenção e Promoção da Saúde dependem da nossa compreensão da forma como o género, a etnia, a idade e a orientação sexual estão relacionadas com as práticas de saúde e os seus resultados”. Quantos Serviços, melhor!, quanta Medicina pensa a relação entre o seu agir e as assimetrias do imaginário cultural que acarretam as da morbilidade? A resposta não é reconfortante…
E o círculo fecha-se na juventude, em que tudo começa. Não raras vezes por responsabilidade materna, também a feminilidade, além de submissa, é cúmplice, costumo dizer que muitos machismos são como a hemofilia – habitam os homens, mas foram transmitidos pelas mulheres. O poder é por definição relacional e a violência não passa de um bilhete de identidade extremo, sobretudo em espaços públicos e contra as mulheres e os homens “não alinhados”, tentativa absurda de ser alguém pela humilhação de um “outro” considerado inferior. “Outro”, que se for rapaz, tem grandes hipóteses de se tornar cúmplice, que mais não seja por recear a rejeição do todo-poderoso grupo. As instituições educativas não podem ficar indiferentes à perpetuação de tais comportamentos, sobretudo por a violência ser considerada “natural”, até no seio das relações afectivas, Koss e Hoffman escrevem que “a violência por parceiro íntimo é um problema de saúde global para as mulheres, pois estudos em 35 países demonstram que entre 25 e 50% das mulheres foram vítimas dessa violência”. Para cúmulo, e como o Dr. Carlos Barbosa sublinha, trata-se de uma “violência imperfeita”, que só demonstra a artificialidade das hierarquias sustentadas, a Escola é um caso particular da tragédia que subjaz a toda a violência de género.
A Professora Lígia Amâncio regressa a Simone de Beauvoir nas conclusões e com justiça. Porque os homens também não nascem, tornam-se. E muitas mulheres confundem até liberdade com adopção dos comportamentos do sujeito masculino, por ser quase impensável inventar outros trajectos além dos conhecidos. É realmente preciso tomar consciência do problema e adquirir instrumentos para o resolver. Quanto à esperança da Professora Lígia Amâncio sobre esta obra, ela denuncia excesso de modéstia. Se o livro não lhe transportasse o nome, estou certo que não hesitaria em reconhecer-lhe – como o faço eu! – o indiscutível valor.

44 comentários:

m8 disse...

Show de bola, m8. ;)

PortoCroft disse...

Prof.,

De tudo o que refere, aquilo que chamou, para além de outros aspectos - alguns sob o 'jargon' cliníco - mais à atenção, foi esta frase que conidero relevante:

'E muitas mulheres confundem até liberdade com adopção dos comportamentos do sujeito masculino, por ser quase impensável inventar outros trajectos além dos conhecidos.'

Ó Prof. estamos na fase da pescadinha de rabo na boca não é? ;)

peciscas disse...

Deixe-me, desde logo, reter a referência inicial no seu texto, da importância do trabalho em equipa.
É que, há longos anos batalhando por novas práticas educativas nas nossas escolas, sempre defendi com arreganho, o chamado "trabalho cooperativo" como forma de habituar os nossos jovens a discutir, a criticar, a argumentar, a justificar raciocínios.
Mas a realidade é bem diversa. A nossa Escola é inibidora da convivência ( e indissociável conflitualidade)dos saberes. Quer os alunos muito arrumadinhos em filinhas de mesas e cadeiras, com um mestre na frente a debitar arengas mais ou menos desinteressantes.
Porque, afinal, vamos sempre bater ao mesmo - a Escola. Que pode reproduzir estereótipos, eternizando comportamentos, atitudes, procedimentos.
Aliás o Júlio desenvolve, depois, no seu texto, essa ideia, a propósito da masculinização dos valores sociais que se transmite como a hemofilia.
Vivo neste momento uma experiência de tratamento da chamada "Educação sexual", numa turma do 6º ano de escolaridade, na disciplina de Área de Projecto (título do projecto "Há muitos caminhos para o Amor"). E o que estou a constatar é que esta modesta contribuição para a formação dos jovens que estão a trabalhar comigo, esbarra com muitos obstáculos. E os mais pesados são, certamente, os que se prendem com as "heranças" que os alunos transportam consigo.
Na aula, têm contacto com a informação, o debate, o confronto de ideias que os levam a concluir pela necessidade de abandonarem preconceitos e pressupostos erróneos. Designadamente, põem em causa, a inevitabilidade de determinados papéis que a sociedade atribui às mulheres; supostamente, ganham consciência de que. há longos anos, as mulheres são tratadas de modo desigual, são muitas vezes desrespeitadas ou mesmo violentadas.
Mas, terminada a aula, assistimos, nos recreios, a atitudes dos rapazes, reveladoras de uma postura de tal modo ofensiva da dignidade das suas colegas, que nos pomos em dúvida se estaremos, de facto no caminho certo, quando tentamos lutar contra uma maré que é muito forte.

Julio Machado Vaz disse...

Ajcm,
Pois... Agora imagine o trabalho de equipa com médicos, nada predispostos a dialogar em termos de igualdade com outras profissões.

Julio Machado Vaz disse...

Portocroft,
É uma questão para a qual não tenho resposta. O ideal seria uma libertação por trilhos não necessariamente masculinos, pelo menos alguns. Uma terceira via? Credo!, cheira a Blair:). De uma coisa estou certo: o mesmo comportamento pode ser liberto ou não. Refiro-me, por exemplo, a colegas minhas, que em determinada altura decidiram suspender ou aligeirar a carga profissional para serem mães mais tempo. Porque lhes apeteceu, e não para assegurarem a carreira dos maridos ou satisfazerem as fantasias dos pais, dos sogros ou do super-ego. Certo feminismo recusa este tipo de comportamento - como outros a nível sexual... - por considerar que reforça o estereotipo. Não estou de acordo, a liberdade vem de dentro e não pode ser definida a partir de um comportamento descontextualizado.

PortoCroft disse...

Prof.,

Sem dúvida. Também me parece que todas as opções, tomadas em liberdade e de forma consciente, não colidem nem reforçam estereotipos nenhuns.

Mas, olhe Prof. que uma terceira via Blairiana talvez fosse positiva, no sentido de macerar alguns estereotipos. Digo eu de que...Claro. ;)

Julio Machado Vaz disse...

Portocroft,
PC não diria melhor:)

PortoCroft disse...

;)))))

Prof.,

Perfeito exemplo dum cow-boy monolítico e pétreo. ;))))))

Orange disse...

A masculinização das mulheres... :)No Carnaval quase toda a gente quer ser o maior, o mais poderoso, o mais eficaz. Acham que, tendo a mulher o poder de se transfigurar, iria assumir o quê? ... As características, os trejeitos, os gestos da criatura mais poderosa de todos os tempos: o homem! Eu apoio a via Blairiana... :)
Um beijinho, Professor

andorinha disse...

Júlio,
Ufa! Fica-se sem fôlego! Queixei-me que o outro post era muito fácil de comentar e resolveu vingar-se.:))
Falando a sério - é um post riquíssimo com tanto por onde pegar, que o difícil é seleccionar o que mais nos marca.

Numa primeira leitura também a mim me chamou a atenção a frase que o Portocroft já destacou.
Da sua resposta ao Portocroft saliento a afirmação de que "... o mesmo comportamento pode ser liberto ou não; a liberdade vem de dentro e não pode ser definida a partir de um comportamento descontextualizado."
Concordo plenamente - desde que as mulheres façam as suas opções conscientes dos vários caminhos
possíveis e não condicionadas por factores exteriores a elas, qualquer opção será válida.


Outro excerto prendeu-me também particularmente a atenção - "...aprendemos a ser determinado tipo de homem, lançando os outros para a cumplicidade ou marginalização. O destino dos primeiros , sob certos aspectos, não é melhor. Tornam-se vitoriosos à custa da auto-mutilação..."
A mutilação dos afectos será realmente um preço demasiado alto a pagar por esses homens.
Para uma primeira abordagem fico-me por aqui; amanhã tentarei pegar noutros aspectos que achei também bastante pertinentes.

Maite disse...

Tudo o que se pode inventar para além desta dicotomia (masculinidade e feminilidade e desculpe lá professor eu gosto de usá-las no singular) serão um desvio que talvez num futuro mais ou menos distante seja considerado uma norma (os trangénicos) que não têm nada de um nem de outro, são seres com uma filosofia própria e alheia à tradição humana (mas talvez a tradição humana seja algo para colocar de lado hoje em dia...) Eu sei que estou a "extrapolar" :) mas enfim...
Agora falar de comportamentos... e gostei especialmente desta sua afirmação "De uma coisa estou certo: o mesmo comportamento pode ser liberto ou não... Porque lhes apeteceu,...Certo feminismo recusa este tipo de comportamento - como outros a nível sexual... - por considerar que reforça o estereotipo."
Aí estou completamente de acordo consigo

andorinha disse...

Ajcm,
O teu comment é um retrato fiel do que se passa na generalidade das nossas escolas. Mesmo quando se está envolvido num projecto, como é o teu caso, depois constata-se que fora dele os tais comportamentos seculares se perpetuam. Existe aquele oásis e depois volta-se ao deserto.:(
Isto quando existe um projecto.
Em muitas escolas isso nem sequer existe, o que existe é uma série de entraves a todos os níveis e a escola demite-se do seu papel de lutar comtra a perpetuação de todos os comportamentos retrógrados que já aqui foram referidos.

PortoCroft disse...

Maite,

Cuidado consigo. Se se apanha numa auto-estrada ao volante dum Porche, como o do Prof.;), é um perigo.

Já vai em transgénicos? Tenha calma consigo. Só se estava a aflorar as diferentes formas dos comportamentos de género e a sua possível 'evolução'. ;)

Maite disse...

O professor tem um porsche???
O que eu aprendo aqui!!!

oh Portocroft eu só me adiantei umas milhas, só isso ;)

E sabe que mais estou desejosa de ler o livro da professora Lígia Amâncio

PortoCroft disse...

;)))

Falando sério, Maite,

Se lhe derem um dedo indicador para vc. fazer um comentário, quase que adivinho que vc. pegaria no dedo e após descrever as origens anatómicas, em jeito de conclusao diria que: Foi, possivelmente, com aquele dedo ou similar, que o Vasco da Gama apontou o caminho marítímo para a India. ;)))))))))))))

E&E disse...

JMV

Deste artigo honesto e sábio mto aproveitei. Quer do q disse o próprio JMV, quer do q cita de L.Amâncio, de A.Marques e de mtos outros estudiosos.

A propósito da frase "as mulheres, minoria maioritária" e em contraponto a uma sua breve referência à Cirurgia, permita-me acrescentar as excepções de que são exemplo as magníficas e inúmeras Cirurgias q fazem as obstetras, diariamente.

A propósito do que salienta admiravelmente a Professora Lígia Amâncio, sobre os problemas permanecerem ao nível das relações de poder, de produção e emocionais, atrevo-me a acrescentar que esse raciocínio, parece configurar (como todos os raciocínios), uma “retenção da crença”, tal como é definida pelo estudioso P. Cabral, que considera a “retenção da crença” como “a forma pela qual as crenças dependem de outras crenças, constituindo assim uma tessitura ambiental”.

Sobre a impossibilidade de nos libertarmos de todas as crenças, colocaria assim a questão, citando novamente alguém:

Se perante mim vejo
a nervatura da vida passada
numa imagem, logo penso
que isto tem que ver
com a verdade. Afinal, os nossos cérebros
estão sempre a trabalhar nos tremores
de auto-organização, por rarefeita que esta seja,
e é daqui que surge
ordem, em lugares bonitos
e consoladores, e mais cruéis também,
do que o anterior estado de ignorância.
Até onde, todavia, necessitamos recuar
Até encontrarmos o princípio? Talvez...

W. G. Sebald, 1944-2000
Citado por João de Pina-Cabral na sua intervenção no Seminário
“O Processo da Crença”, 2002, Gradiva, 2004, p 238

Mais uma vez desculpe ter-me alongado, mas foi o resultado do seu esplêndido texto. Agradeço a possibilidade que nos dá a amigos e anónimos de estar consigo, por aqui.

Maite disse...

Oh Portocroft eu nunca disse que era uma pessoa complicada, sou muito simples como vê.
Mas tenho a certeza que foi com esse dedo que ele apontou o caminho aos nossos corajosos marinheiros :)))))

PortoCroft disse...

Maite,

Ah!... Mas, então, vc. deve ser uma mocinha nova porque, dizem que pelo contrário, quando se vai para a velhice, os grisalhos, aconselham-nos à prudência. ;)))

O livro, resultante dum estudo, coordenado pela professora Lígia Amâncio, deve ser interessante, embora me pareça dirigido mais à comunidade científica (e há disso em Portugal?) que ao público em geral.

Fico a aguardar pelos bitaites do terror das velhinhas. ;))))))))))

Maria Papoila disse...

Caramba, fiquei empaturrada com um post tão longo.
Hoje já não leio mais nada.
:)))

TMara disse...

Gostei de ler esta apresentação de onde o humor não está ausente. E concordo: masculinidades! Boa semana;)

Mitsou disse...

Parabéns pela apresentação, Professor. Um abraço.

lobices disse...

...BOM DIA a todos (agora já é boa tarde, mas não faz mal...)
...levantei-me mal disposto; o filme que ontem vi na um "Os outros" colocou-me uma questão: não será tudo um sonho?...
...o tema do filme (isto nada tem a ver com o post de hoje do Prof), como devem saber, á a história de uma família morta que vive numa mansão julgando esta assombrada
...o saber final que, afinal, os "outros" é que eram os vivos é de um tremendo terror psico (diria quase somático também) somático
...por isso questionei-me sobre a verdade que nos cerca e sobre a verdade que pretendemos dizer aos outros...
...como acreditar em mim?
...como acreditar no outro?
...por isso, decidi e fui até ao barbeiro cortar a lã...
...no regresso apanhei chuva na careca e fiquei mais fresco
...agora vou aos bifes
...até mais logo

Leibniz disse...

A Natureza não dá saltos.

E&E disse...

Maite

Há tempos, numa troca de equívocos entre a Lys e a Maite, q resultou na saída de Lys, sugeri-lhe q regressasse, sem a conhecer, aliás, e apenas pq me confundem as questiúnculas virtuais.

Não estando sempre atenta ao encadeamento dos posts, pq é inviável, vejo, pelos posts de hoje, quem me parece ser a Maite e gostaria de a cumprimentar por isso - por ser a Maite. Isto está sempre a acontecer comigo mas, como diria o Almada "ainda não vimos aquilo que vemos".

Quando tentei ver o seu email descobri o laconismo do seu bloggerperfil o q me impressionou.

E, para me despedir, usarei palavras suas:

"Eu também sou contra conflitos. Pelo menos daqueles que não levam a nada. Mas gosto sempre de esclarecer bem as coisas e por vezes entra-se inevitavelmente em conflitos. Aí, sou de opinião, que não se deve fugir deles, mas enfrentá-los. E depois deixar espaço às pessoas para nos aceitarem ou não."

E acrescento: "Se eu a entendi mal, peço desculpa."

Anónimo disse...

e&e:
Bastaria uma pessoa com a sua qualidade para salvar os comentários deste blog.(Mas há, felizmente, outras pessoas igualmente boas). Todavia basta uma única pessoa com a acrimónia de Amok para estragar o ambiente. Diz ela que há muitos anos que anda nisto e que "é sempre a mesma coisa".Não percebeu e talvez nunca venha a perceber que o problema está dentro dela.
A si e&e os meus cumprimentos pela sua qualidade e boas maneiras.
Anónimo & Anódino

Tão só, um pai disse...

Seja qual for o ponto de partida, ou as razões do "problema" (?), sejam eles a escola da família ou outra, a verdade é que muito tem mudado no que respeita á valorização e ao respeito pela mulheres, nos últimos 40 anos. Tudo indicando que por aí se continuará.

Pelo que poderei concluir que muitos de nós, enquanto membros de uma estrutura social, contemos, cá dentro, o agente dessa mudança.

woelfin disse...

... soul remains a vague but profound question mark at the center of our lives
...I believe
...believe in myself
...this is the only way I have to keep on going
...occasionally somebody's advice is worth listening to
...but most of all
...believe in yourself because you are the Soul

...I've stated my case, now I'll return to my place

See you later

Anónimo disse...

Anónimo & Anódino

Comovida, agradeço a sua simpatia.

Devo contar-lhe, como já o fiz aqui, que não é por tolerância (não sei utilizar a palavra) mas por uma curiosidade que chamaria amor (palavra que sempre troquei por outras) que aprendi a achar fascinantes as abaladas, as aceitações, as alegrias, as asperezas, os azedumes, e, daí por diante até às xingarias e às zombarias, porque me mantêm viva, ao interpelar-me constantemente.

Parecem-se com palavras mas encarnam em gente e gente é sempre empolgante.

A&A, ao apreciar a sua delicadeza perceberá, assim, como aprecio também aquilo que denomina acrimónia.

Atenta e ao dispor

woelfin disse...

Lobices

Cheer up!
Como é que estavam os bifes? :)

Bj

amok_she disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
amok_she disse...
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amok_she disse...

A&A, ao apreciar a sua delicadeza perceberá,(...)

...não, cara, não perceberá nada!:-> ...porque para se perceber a ironia, ainda mais o sarcasmo, é preciso alguma inteligência...no mínimo!...e anónimo(a)s podem possuir tudo, menos inteligência! ...tanto que não percebeu, ainda, nada do q a menina tem andado aqui a fazer...aliás, como a quase maioria dos participantes, aposto:-> ...adoraria ser fantasma para ver as caras de alguns qd a lêem...:->

...qt à minha forma de estar aqui, como em fóruns por onde ando!, será sempre a mesma: a minha!...qt mais não seja pq ñ estou interessada em arranjar nada via net!:-> ...o gozo maior é ler, depois é desmontar as capelinhas q se formam ...inevitavelmente!, tendo em conta esta mentalidadezinha pequenininha, presumida e tacanha q nos invade por todos os poros da nossa sociedade...:->

...para ñ se ir mais longe, veja-se o decréscimo de participações, mais a ausência de certas "inteligências" qd começou a dar-se pra trás com as patranhas da suposta admiração pelo Prof qd, afinal, o q mais lhes interessava era exibirem-se!...mal lhes toparam o truque deitaram às urtigas toda a dita admiração ...repare-se no nr de comentários a este post!...e ñ me venham pra cá com mais patranhas q é pela acrimónia ...q eu ainda ñ tinha botada escritura!!!:->...não q não tivesse preparado um "textozinho" ontem, mas... o raio do blogger pregou-me a partida! , fez aquilo q vcs queriam fazer(me!)e ñ conseguem: barrou-me a entrada!:->, ag ainda vou pensar se me apetece cá metê-lo, ou não!?! ...mas se calhar, para este ñ se ficar pelos 30... talvez seja melhor!...:->

noiseformind disse...

No início de Junho do ano passado, num Fórum Mundial de Sexualidade e Terapia de casal, apresentei um paper que falava da alteração de paradigma presentemente a ocorrer no Ocidente tocando muito ao de leve na questão nipónica. Parte desse paper (mais tarde inserido nos cadernos da Shoham-Salomon) foi publicada no meu blogue e retrata nada mais que a minha posição actual sobre role-gender e posicionamento global do momentum social:

Recentemente um machista qualquer usou do seu entrincheiramento na Ordem dos médicos pra defender quotas para homens no acesso a Medicina. Não sei se o filho deste bastardo ficou por entrar em medicina desonrando assim os pergaminhos da família, mas pra alguém licenciado nos Estados Unidos da América mete-me bastante impressão que uma hipótese tão absurda seja ainda meditativamente ponderada por alguém de tão elevada responsabilidade dentro da hierarquia hipocrateniana, mesmo que seja uma pessoa claramente com disfunções ao nível das funções cerebrais e com urgente necessidade de ser compulsivamente lobotomizada. Claro que isto parecem medidas drásticas mas o progresso civilizacional não se compadece destes mentecaptos. A luta das mulheres por uma igualdade tantas vezes menosprezada, o combate das mulheres pra obterem justiça pró seu trabalho, prá sua inteligência, prá sua produtividade e papéis emergentes na sociedade não se compadece com indivíduos desta índole. Mesmo hoje em dia, é com grande dificuldade que as mulheres tomam a iniciativa dentro das relações, muitas vezes o homem tomamdo todas as decisões face a saídas, face a casar ou não casar e muitas mulheres ainda acham que é apenas suas responsabildiade responder sim ou não. Claro que depois são as mulheres a acabarem grande parte dos namoros e grande parte dos casamentos, mesmo que no papel fique que foi de comum acordo ( muitas vezes os homens só cedem e têm este comportamento civilizado porque não querem que os juízes lhes cerceiem ainda mais os direitos de visita).
Ou seja... vamos ao verdadeiro problema. As mulheres revelam-se cada vez a base da sociedade, e isto está a afectar a longo prazo as elites. Se cada vez mais mulheres acabam os seus cursos nos lugares de topo, se cada vez mais mulheres ocupam cargos de direcção é NATURAL que mais cedo ou mais tarde as elites serão predominantemente femininas, como acontece hoje em dia nos países escandinavos. Ou seja, ao fim de 5000 anos de domínio de sociedade patriercais está-se a preparar o regresso das mulheres ao topo do domínio do mundo, um mundo onde habita o Homem ( expressão absolutamente sem sentido biológico dado que todos os embriões são mulheres, as alterações hormonais no útero é que tornam alguns desses embriões homens), onde o Homem faz as guerras, onde o Homem passa fome, mas estranhamente nunca são fotos de homens a mostrar a fome africana, são sempre mães... e mães com crianças no regaço. Quando queremos mostrar eficiência, quando queremos mostrar excelência lá está o homem de bata, o homem agarrado ao portátil no banco de classe executiva da Brithish Arways. E claro, os políticos são homens, claro, porque a política é um exercício de patrocínio geracional e enquanto as primeiras gerações políticas de mulheres não apadrinharem novas gerações então como gerar elementos políticos femininos? De reprar que os políticos do Governo de Guterres estavam ligados por laços de amizade, o que demonstra o facto de grande parte dos homens não terem amizades com mulheres, ou seja, daí que quando umcherne vá pró Governo não convida enguias, nem maragotas, nem sardinhas. Convida sim o colega de copos bacalhau, o atrevido congro, o excelente salmonete, o sabedor linguado e coisas assim...
Ou seja... o que assistimos neste momento é a uma última e final contra-revolução de poderes instalados, cilindrados a nível geracional e social, um estretor que se fará com maior ou menos eco, mas que não deixará de ficar marcado pela anedota, pela peixeirada : )

No Japão a situação é muito mais explosiva. A passagem das mulheres pró poder foi tão violenta que a própria sociedade apresenta sinais de cisão. Há 10 anos era com curiosidade que se via rapazes de saia, grupos de Aikodoshiros (miúdos-mulher) a fazerem raides de compras nos estabelecimentos comerciais de Tóquio ou Kawasaki. Hoje a viverem os seus casamentos, estes jovens deixam prá mulher todas as decisões possíveis e imaginárias e até já se vê mulheres estrangeiras a anunciarem a típica bebida escocesa tão apreciada no Império do Sol Nascente pois são as mulheres que escolhem e consomem em maior parte a bebida lá em casa. E nem o Imperador teve coragem pra se separar da sua mulher que lhe deu um herdeiro, como faria em tempos passados, quando ela entrou em depressão, tais as pressões da sociedade nipónica. No Japão as mulheres ocuparam de cima abaixo a quase exclusividade dos cargos empresarias não-herdáveis e estão a chegar ao topo da carreira médica ( neste momento surge pela primeira vez um movimento organizado de mulheres médicas que denunciam que a proibição da pílula só está em vigor por causa dos chorudos ganhos que muitos médicos fazem com clínicas semi-legais de abortos). Em Portugal ainda não vi surgir nenhum movimento desse tipo. Milhares de médicas todos os dias são coniventes com clínicas abortivas de colegas homens e mulheres. Mas pronto... tivemos a primeira mulher-corrupta, já é um começo. Bem haja Fátima Felgueiras pela tua originalidade :)

Então, como lidar com este movimento fortíssimo, em que as mulheres continuam a impor uma horrível igualdade aos homens?
Parece óbvio... os homens estão cada vez mais condenados a mudarem, e talvez isto seja a chave pró fim de todas as guerras, pois as mulheres estão a igualizarem-se aos homens mantendo-se iguais a elas próprias. À medida que executivos femininos tomam conta dos cargos de direcção no Canadá os níveis de absentismos diminuem, as taxas de consomo de alcool descem, os escândalos empresariais vão-se encolhendo... enfim... parece que a revolução afinal vai ser transmitida na televisão, e metade do auditório não está a gostar muito!


Mas rejubilo e exulto que Deus (vulgo Éme) tb pense sobre estes assuntos e até sobre os mesmos cenários:)))))))))

O Post é de 23 de Junho do ano passado

Aliás, e já agora, por uma questão de meditação, a palavra "paper" devolve mais hints no Google do que as palavras sex, love, god, peace e war... será que finalmente começamos a escrever mais e a pensar mais em vez dos velhos mitos publicitários? ;))))))))

Peter

noiseformind disse...

Por mero acaso calhou-me postar depois da Amok_she. Ai estes acasos, estes acasos que são "entredentes, sentidos de pareceres divinos" (vê lá se sabes o autor desta Crofty pal ; ))))) )

Portanto os meus pêsames à Amok_she, que não se dá lá muito bem com as novas tecnologias e como qq barata tonta quando o computador não lhe obedece desata a carregar no "Login And Publish" recorrendo aos centros de saber mais símios que todos carregamos em nós mas que, nestas coisas de "navegar", já temos mais controlados. Isto num texto em que ela nos lembra que muita gente não anda cá a fazer nada. Pois é, ela já tem este esfíngico posicionamento, imaginem quando a rapariga souber mexer num computador!!! ; )))))))))))))))))

Peter

noiseformind disse...

Aliás, como sabem, nos vossos textos como bloggers tâm uma caixinha de lixo, que é para apagar as mensagens quando por engano as multiplicam. Não é giro???????? ; )))))))) ; )))))))
Não estão felizes???????? :)))))))
Eu estou! looooooooooooooooool
Claro que nem todos sabem usar esta função complicadíssima (Carregar na caixa de lixo e a seguir em delete comment), mas sabem como é... a idade não perdoa, tem de se ir um passinho de cada vez, seja pelo próprio pé, com andarilho, de muletas ou na cadeira de rodas ; )))))))))))))))

amok_she disse...

És tão giro,peterzinho!...começo aficar algo alarmada com tanto interesse da tua parte pelas minhas palavras...em todo o caso, o meu ego é mais inteligente q tu...q percebes mt de computadores mas do resto...deus me livre!!!...e ñ te liga nenhuma!:->

...ainda bem q revi esta treta ...ainda fui a tempo de ler a tua última patacoada!....para tua informação: o blogger está mesmo com problemas e o caixotezinho do lixo...q devia ser onde deveria ir parar 99% do q aqui deixas! ...desapareceu de momento! ...sabias?:->

...uopsss...segunda verificação e... pronto!, já lá está o latão do lixo...já lá vou...mas...vê lá se te lembras duma coisita: aqui há uns tempitos apaguei uma série de msgs - qd as "lilis caneças da intelectualidade" se enxofraram muito com a rasqueirice da minha participação, lembras-te...duma coisa e de outra???:-> ...pois...ó puto, tu ñ vês q na "escola" onde andaste eu tb. por lá passei!?...só ñ me agradou as matérias dadas, pelo q debandei mais depressa q do blog do Prof!!!:->

noiseformind disse...

Amokzinha, nem na Primária de Mindelo, nem na Carolina Michaelis do Porto, nem no Colégio Franciscano de S.Diego nem em John Hopkins encontrei marca deixada por ti. Mas lá está, não são escolas da rede Hellen Keller ;))) mas a idade perdoa tudo amiguinha, tudo, sabes que eu sou doce para ti, estarei lá para te dar os medicamentos do almoço, os do jantar e os do deitar e quando toda a gente deixar de te visitar deixarei a vida pública para me dedicar a ti, mesmo quando a senilidade levar os últimos restos da tua jovial personalidade ;)))))

E aí compreenderás o meu sincero, profundo e intenso amor, platónico claro que eu sou do Grupo Anti Erva Púbica Daninha ;)))))))))))))

Stefan Zweig disse...

Se eu fosse vivo quem te dava o amok era eu.

amok_she disse...

...peter,peterzinho!...com essa elite toda...dos colégios, claro!:->...tens de te esforçar mais!...podes começar por dar menos erros...ortográficos, pelo menos!:->, qt mais ñ seja para ñ deixares mal tão ilustres profs q, por certo, tiveste!:->

...qt ao resto...veremos se me mereces mais...:->

...ag deixa-me ir procurar mais O'Neill q é do q este país(zinho), esta gentinha!, precisa...:->

amok_she disse...

vc.s tenham dó!...eu ñ venho aqui pra fazer concorrência ao Prof...nos comentários!:->

E&E disse...

“...não perceberá nada!:-> ...porque para se perceber a ironia, ainda mais o sarcasmo, é preciso alguma inteligência..."

Eu diria que é preciso alguma paciência e por isso lhe respondi por mail.

Até outros carnavais

amok_she disse...

Não, cara E&E, paciência precisa-se para os menos favorecidos pela inteligência, por ex... mas para entender a ironia e/ou o sarcasmo é preciso, mesmo, inteligência...

...e, por vezes, havendo inteligência (e mta!) um pouco mais de concentração ...na leitura!;-)

...e precisamos lá nós de carnavais, caríssima!?...deixe-se disso!;-)

E&E disse...

amok_she

Devidamente esclarecida pelo seu mail, agradeço ter desfeito os equívocos (e a minha paciência).

Para que não restem neste espaço (muitas) dúvidas, aprecio bastante a ideia de citar O'Neill e quejandos.

Deixo-me, então, de mais carnavais

amok_she disse...

...folgo mt ter desfeito, então, os tais equívocos (e a sua paciência!)[ ora a minha vida, heinnnn!?!;-)))]

...qt aos carnavais - esses seus! - seja, então... até outros carnavais!;-)))