terça-feira, novembro 14, 2006

Aposto que o outro Nuno Grande está de acordo:).

"... Rui Rio mete todos os criadores - os bons e os maus, que também os há - no mesmo "saco" de subsídio-dependentes ingratos, e militantes desse odioso partido que é o "cultural". Num anacronismo incompreensível, a sua acção populista procura ressuscitar uma retórica neo-conservadora, insistindo em ver, como "desperdício", o que outros países, bem mais liberais do que Portugal, consideram ser absolutamente estratégico - o incentivo à criação artística contemporânea."

Nuno Grande, Arquitecto e Docente Universitário, Público.

32 comentários:

lobices disse...

...o "nosso" Porto está a tornar-se uma cidade insípida
...este "corte" à Cultura mais não é do que um machado sobre a raiz do pensamento (ainda que não haja machado que corte a raiz ao pensamento, corta a acção do mesmo)

blogico disse...

sou um produtor ocasional de teatro e audiovisual e sou o primeiro a dizer que o subsídio (principalmente o subsídio regular) é o que mais prejudica e atrofia a cultura.
quem tem tudo pago, não tem motivação para fazer um espectáculo de qualidade que chame público. Acabam por fazer espectáculos para o próprio umbigo. Quem não tem subsídio e precisa de ter público pagante na plateia, esforça-se mais por ter qualidade.

acredito que se deva subsidiar as PRIMEIRAS obras, mas apenas as primeiras. Seria um processo de selecção natural mais "justo".

de qualquer forma, estes pequenos projectos subsidiados nunca deveriam ser exibidos em espaços como o rivoli. existem espaços mais pequenos óptimos para esse efeito.

CêTê disse...

Lobices,
(desculpe a minha brincadeira...;]]])


Essa do "machado"...;P

Fora-de-Lei disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Fora-de-Lei disse...

Depois de Fernando Gomes, qualquer "artista" poderia ser presidente da CMP.

Mas o Porto ainda não bateu no fundo... à semelhança de Lisboa, ainda lhe falta sair na rifa um Santana Flopes qualquer!

Julio Machado Vaz disse...

Blogico,
Longe de mim negar a necessidade de uma avaliação caso a caso, é com o corte cego que não estou de acordo. Para não falar da degradante "cláusula da rolha".

Angie disse...

Pois eu insisto na minha.
Especialmente na cultura, o Estado NÃO tem de o dever absoluto de ser promotor.
Especialmente na cultura, repito (e acho eu).

O Estado tem o dever absoluto, sim, de pagar o leite nas escolas, fazer o saneamento, dar cuidados de saúde à borla aos que de facto nada têm, pagar na íntegra a faculdade aos que não podem mesmo fazê-lo, perseguir implacavelmente os fraudatários que não pagam os impostos, etc, etc, etc.
Não, não se pode mesmo meter tudo no mesmo saco...
Esse é o Estado que eu queria. E que me haveria de tratar com justiça financeira a mim, (falo de justiça proporcional) que defendo o que defendo (“et pour cause”...) mas não nado em dinheiro e trabalho para ter o que tenho, sem pregar partidas a ninguém.
A lógica “estado que subsidia tudo sem piar” é a mesmíssima que fez os estádios de futebol que todos pagámos (rigorosamente sem podermos).
E o que o Estado paga, todos pagamos. Ou não?!

Como alguém dizia (e juro que não era a Mª Filomena Mónica, que por acaso é anti subsídios culturais mas tb é insuspeitamente anti Rio!)... “A velha ideia que obrigava o homem de bem a educar o povo já não faz qualquer sentido...”

E mesmo que o dito Estado queira promover por si próprio a cultura, dá-nos então Mozart em vez de Marco Paulo; Bob Dylan em vez de Ricky Martin., Beckett em vez de La Feria.
Nem outra coisa lhe seria permitida!
Depois, choveriam as críticas nos jornais: porque Verdi é melhor que Mozart, Ionesco mil vezes superior a Beckett, etc.etc.
Mas cá para mim, o seu a seu dono: se o Estado paga, o Estado põe e dispõe. Dentro dos seus limites (e são muitos!). Mas sempre pelo interesse público.
E nós cá estamos para vigiar, discordar, desancar, tirar do posto quem manda. Felizmente.

andorinha disse...

Boa noite.

Incentivar a criação artística para quê?
Já somos um país em que existe tanta oferta a nível cultural que não são precisos mais subsídios. Quem quiser que puxe os cordões à bolsa.:)))) Loool

Concordo que não se deve subsidiar tudo sem excepção, terá naturalmente que haver critérios.

Lobices,
É só o Porto que se está a tornar uma cidade insípida?
Eu acho que é o país:(

Angie disse...

Professor:

Para não ficar com a impressão errada (de que discordo só para chatear) e de qualquer maneira para me redimir da dita discórdia...deixo-lhe aqui um seriíssimo e interessante "case study"sobre os pequenos dramas ( e também discórdias) da vida de casal.
Na forma de Diário (que não da Bridget Jones...)

DIÁRIO D' ELA:
Ele ficou esquisito a partir de sábado à noite. Tínhamos
combinado encontrarmo-nos num bar para beber um copo
antes de jantar. Andei às compras a tarde toda com as amigas e
pensei que o seu comportamento se devesse ao meu atraso de
vinte minutos. Mas não. Nem sequer fez qualquer comentário,
como lhe é habitual. A conversa e o sítio não estavam muito
animados, por isso propus irmos a um lugar mais íntimo para podermos conversar mais tranquilamente.
Fomos a um restaurante caro e elegante. A comida estava
excelente e o vinho era de reserva. Quando veio a conta, ele nem refilou e continuava a portar-se de forma bastante
estranha. Como se estivesse ausente. Tentei rodar os assuntos
para fazer com que se animasse mas em vão. Comecei a pensar
se seria culpa minha ou outra coisa qualquer. Quando lhe perguntei, disse apenas que não tinha nada a ver comigo. Mas
não me deixou convencida.
No caminho para casa, já no carro, disse-lhe que o amava. Ele limitou-se a passar o braço por cima dos meus ombros, de
forma paternal e sem me contestar. Não sei como explicar a
sua atitude, porque não disse que me queria como faz
habitualmente. Simplesmente não disse nada. Começo a ficar cada vez mais preocupada. Chegámos por fim a casa e, nesse
preciso momento, pensei que ele me queria deixar. Tentei fazer
com que falasse sobre o assunto mas ele ligou a televisão e
ficou a olhá-la com um ar distante, como que a fazer-me ver
que tudo tinha terminado entre nós. O silêncio cortado pelo
filme era sufocante. Por fim, desisti e disse-lhe que ia para a
cama. Mais ou menos dez minutos depois, ele entra no quarto
e deita-se a meu lado. Para enorme surpresa minha,
correspondeu aos meus beijos e carícias e acabámos por fazer
amor. Não foi tão intenso como normal mas ele pareceu
gostar. Apesar de continuar com aquele ar distraído que tanto
me aflige.
Depois, ainda deitada na cama, resolvi que queria enfrentar a
situação e falar com ele o quanto antes. Mas ele já tinha
adormecido. Comecei a chorar e continuei a fazê-lo pela noite
dentro, até adormecer quase de manhã.
Estou desesperada, já não sei o que fazer. Estou praticamente
convencida que os seus pensamentos estão com outra. A
minha vida é um autêntico desastre!
DIÁRIO D'ELE:
O Benfica perdeu. Pelo menos dei uma queca...


Para se rir se não conhecer ainda!!!

chato disse...

Tirado do blog ablasfémia.blogspot com a devida vénia:
--------------------------
A ser assim, parece que afinal aí no Porto há cultura!
--------------------------
«Porto, um deserto cultural»
Hoje, terça-feira:
###
Ópera:
- «O Trovador», de Giuseppe Verdi, pelo Círculo Portuense de Ópera, Orquestra Nacional do Porto, Teatro Comunale di Bologna e Teatro Delle Muse de Ancona, no Coliseu;

Teatro:
- «O Saque», de Joe Orton, Teatro Nacional de São João;
- «A máquina de escrever», pela Companhia As Boas Raparigas, no Estúdio Zero;
- «Começa a acabar», de Samuel Beckett, pelo ACE, Teatro do Bolhão;
- «Debaixo da cidade» de Gonçalo M. Tavares, Balletteatro Auditório;
- «Um sorriso na sala Bébé», de António Pedro e Miguel Ribeiro, no Cinema Batalha;
- «Estórias do dia e da Noite», de Jorge Constante Pereira, no Teatro Rivoli;
- «Problema? Qual problema?», de Margarida Fonseca, Teatro do Campo Alegre;

Música:
- «Steve Reich and Musicinas synergie Vocals», na Casa da Música;
- «Harmos Festival», no Teatro Helena Sá e Costa
- «Rent», de Francisco Santos - Famous Produções, no Teatro Sá da Bandeira;

Poesia:
- «Tudo gira», recital de poesia com textos de Jorge de Sousa Braga e interpretação de Margarida Mestre, no Teatro Campo Alegre;

Exposições recomendadas:
- «As pequenas coisas: recordações de mulheres - 1910-1950», Bibliotca Pública Municipal;
- «O Douro sentido de Emilio Biel», fotografia, na Casa do Infante;
- «Suggia, o violoncelo», na Casa-Museu Guerra Junqueiro;
- «Pacífio inédito - 1862-1866», fotografia, relativa à última expedição científica espanhola à América, no Centro Português de Fotografia;
Hoje, terça-feira:



Ópera:
- «O Trovador», de Giuseppe Verdi, pelo Círculo Portuense de Ópera, Orquestra Nacional do Porto, Teatro Comunale di Bologna e Teatro Delle Muse de Ancona, no Coliseu;

Teatro:
- «O Saque», de Joe Orton, Teatro Nacional de São João;
- «A máquina de escrever», pela Companhia As Boas Raparigas, no Estúdio Zero;
- «Começa a acabar», de Samuel Beckett, pelo ACE, Teatro do Bolhão;
- «Debaixo da cidade» de Gonçalo M. Tavares, Balletteatro Auditório;
- «Um sorriso na sala Bébé», de António Pedro e Miguel Ribeiro, no Cinema Batalha;
- «Estórias do dia e da Noite», de Jorge Constante Pereira, no Teatro Rivoli;
- «Problema? Qual problema?», de Margarida Fonseca, Teatro do Campo Alegre;

Música:
- «Steve Reich and Musicinas synergie Vocals», na Casa da Música;
- «Harmos Festival», no Teatro Helena Sá e Costa
- «Rent», de Francisco Santos - Famous Produções, no Teatro Sá da Bandeira;

Poesia:
- «Tudo gira», recital de poesia com textos de Jorge de Sousa Braga e interpretação de Margarida Mestre, no Teatro Campo Alegre;

Exposições recomendadas:
- «As pequenas coisas: recordações de mulheres - 1910-1950», Bibliotca Pública Municipal;
- «O Douro sentido de Emilio Biel», fotografia, na Casa do Infante;
- «Suggia, o violoncelo», na Casa-Museu Guerra Junqueiro;
- «Pacífio inédito - 1862-1866», fotografia, relativa à última expedição científica espanhola à América, no Centro Português de Fotografia;

chato disse...

Desculpem: o texto saiu em duplicado. Chatice.

Ameninadalua disse...

Angie :)))))

Eu já conhecia os "diários" mas de facto são uma boa caricatura dos desfazamentos possíveis entre os géneros, desfazamentos e "desfaçatezes" :))

Quanto aos subsídios tambem me parece que existem outras prioridades a ter na gestão do país mas o problema não é esse.

A questão é que muitas das instituições culturais estão inteiramente suportadas e comprometidas com os subsídios e se eles desaparecerem de repente entram numa situação incomportável relativamente aos compromissos já assumidos e ficam em falência absoluta.

alquimista disse...

blogico

“quem tem tudo pago, não tem motivação para fazer um espectáculo de qualidade que chame público.”
Bom, não é líquido que ausência de dificuldades financeiras e qualidade artística sejam incompatíveis. Há inúmeras grandes produções cinematográficas, teatrais e outras de qualidade.
Por outro lado, nunca as audiências foram o único e decisivo aferidor de qualidade. Ou será que a TVI e o 24 HORAS, por exemplo, são paradigmas de qualidade?
Abraço murcónico

j.b.mendes disse...

Do Porto para Lisboa...

O fundador da Casa do FcPorto no Luxemburgo, Dragão de Ouro, em outras nupcias, e sócio EXPULSO do Dragão, o penteadinho do slb Don Veiga, colou-se ao clube com mais sócios de pacote e a retalho do mundo, para fazer valer a sua condição de perseguido tal qual o presidiário Vale Azevedo, por ser do clube do Regime dos supostos 6 milhões de atrofiados mentais, (HEIL) todos com o sindrome da mania da perseguição por parte dos duendes da floresta Estrumpfe. A culpa do arresto dos bens do Sr Veiga é do Pinto da Costa, até mencionou que não traficava marfim, mas esteve por um fio, mencionar o nome do seu pior inimigo J.N.P.C. como o mentor de tão diabolico saque. No FCPorto este senhor foi escorraçado, de certeza absoluta ( para prefazear o próximo a bater com o focinho na pildra)que não foi por ser um servidor do clube, mas sim por se querer servir do clube. E como não´há 2 sem 3 o próximo não estará longe de entrar e de colocar o benfica como o clube com mais mafiosos, caloteiros, corruptos, etc. do mundo dos records para o Guiness.

andorinha disse...

Quem é grande incomoda muita gente.
Só é preciso não esquecer que os homens passam e as Instituições ficam.

j.b.mendes,
mais um mentecapto, cuja felicidade na vida advém destas notícias.
Triste figurinha, Santo Deus!

Fora-de-Lei disse...

j.b.mendes 10:56 PM

"... o próximo não estará longe de entrar e de colocar o BENFICA como o clube com mais mafiosos, caloteiros, corruptos, etc do mundo dos records para o Guiness."

Mas até lá, ainda vais acordar montes de vezes com a almofada espetada na tampa do açucareiro. Se assim for, aproveita bem a faena porque sempre é uma hipótese de também ires parar ao livro do Guiness...

PAH, nã sei! disse...

Bem me parecia que, para terminar "a ronda", me cheirava mal... começam em Rui Rio, passam pelo Pinto(inho) sem casca e eu acabo no boss cá da terra, Luís Menezes (desculpe quem do senhor gosta mas, já lhe aturei traumas grandes à custa do "sitiozinho" onde trabalho...)

Boa noite a todos!!

Tenho cá dentro o "bicho" a uivar... dói...
(para os que não percebem quem uiva, azar!! Ups!! Lá estou eu a ser má ;))


Beijos e tratem bem da "coltura" da loja do Professor...

alquimista disse...

Não há nada como o futebol na sua versão clubistica para nos tirar do sério. Mas convenhamos que depois de ouvir esse senhor dizer que “…Portugal não é um país de construção mas sim um país de destrução…” não temos outra hipótese senão dar uma gargalhada!
Quanto aos outros fait-divers, eu, como profissional do desporto, prefiro chutá-los para canto…A essência da prática desportiva está nos seus praticantes e nos seus técnicos, ao cabo e ao resto os que têm menos protagonismo, porque fogem à polémica e é esta que faz as notícias. E sem notícias não se vende…e sem vendas a economia definha.. e se a economia definha não há empregos… e sem empregos…

JFR disse...

Não estou de acordo com a decisão de Rui Rio em eliminar os subsídios a fundo perdido, concedidos pela Câmara do Porto, aos organismos culturais e recreativos da sua cidade. Menos, ainda, com a forma como a decisão é tomada. Demasiado abrupta. Demasiado radical.. Pouco reflectida. E, por tudo isso, pouco inteligente.

De uma forma geral e em todo o país, a forma como os subsídios têm sido concedidos é pouco escrupulosa. Sabe-se que há subsídios, concedidos a entidades sem actividade comprovada, geradora de bem-estar à colectividade. E, isto tem de ser contido. Se não puder ser eliminado.

Daí que, o que se me afigura como razoável, será criar um suporte legal e nacional capaz de controlar a concessão de subsídios, sejam a fundo perdido, ou de outro tipo. Não eliminá-los, pura e simplesmente! No fundo, será colocar à disposição dos agentes investidores em actividades culturais e recreativas, um mecanismo que permita que bons projectos sejam apoiados. Assim, temendo ser “culturalmente incorrecto”, entendo necessário que se use a economia para apoiar a cultura.

De facto, complementarmente ao já existente POC - Programa Operacional da Cultura, poder-se-iam criar programas específicos para enquadrarem os projectos, a serem apresentados, aprovados e controlados pelas autarquias. Tais programas poderiam cobrir várias áreas de expressão cultural e recreativa. Como, por exemplo:

· Projectos Piloto relativos a Produtos, Processos e Sistemas Culturalmente Inovadores;
· Dinamização da Fileira da Cultura;
· Fundo de Apoio ao Investimento Cultural no Interior;
· Parcerias com Iniciativas Públicas;
· Programas Integrados com o Desenvolvimento Turístico;
· Programa de Formação e Desenvolvimento Cultural;
· Programas Recreativos para a Mobilização de Jovens.

Neles, será possível definir um conjunto de indicadores-objectivo a que os promotores se obrigam. Bastará, para tanto, que governo, autarquias e agentes culturais se juntem para os definir. E, para eliminar um dos problemas que se colocam com a atribuição actual dos subsídios - a falta de público -, poderá existir um desses indicadores que torna variável e dependente do número de bilhetes vendidos o respectivo nível de apoio.

A exemplo do que acontece na concessão dos apoios às PME os apoios poderão e deverão ser concedidos, de acordo com os documentos de despesa apresentados, podendo existir um adiantamento inicial. A totalidade do apoio, só será concedida após finalização do projecto e, sempre, dependente da análise quanto ao cumprimento dos objectivos.
Dirão alguns: “Que complicação”. Outros: “Os agentes culturais não têm meios para isso”. Não é verdade e, mesmo que o fosse, valeria a pena. Pela transparência. Pela seriedade. Pela cultura.

Lusco_Fusco disse...

Boa noite!
Parece que se divaga parao futebol. E recebi este conteúdo num e-mail
" É por não gostar de futebol que sou do* **Benfica* . Tal como compreendo
como é que há portugueses que conseguem ser de outros clubes.
O Sporting, o Porto podem jogar bem, e o Belenenses e a Académica podem
calhar bem em sociedade, mas* **só o Benfica, como o próprio nome indica, é
o próprio Bem. Que fica. *

*Só o Benfica pode *jogar mal sem que daí lhe advenha algum mal. Basta
olhar para os jogadores para ver que sabem que são os maiores, que não
precisam de esforçar-se muito, porque são intrínseca e moralmente a maior
equipa do mundo inteiro. Ninguém sabe. Mas sente-se. Quando perdem, não se indignam, não desesperam.

Eusébio só chorou quando jogou por Portugal. Quem joga no* **Benfica* tem o
privilégio e o condão de estar sempre a sorrir.

Não conseguem resistir.* **O Benfica, a bom ver,nem sequer é uma equipa de
futebol. É um nome. É como dizem os brasileiros, uma "griffe".
*Têm uma cor. Antes de entrar em campo, já têm um mito em jogo, já estão
a ganhar por 3-0, graças só à reputação. Quando o *Benfica* perde, parece
sempre que quis perder.

Essa é* **a força inigualável do Sport Lisboa e Benfica *- faz sempre o que
lhe apetece. O problema é que lhe apetece frequentemente, perder.

Qual é o segredo do ***Benfica* ? São os benfiquistas. São do* **Benfica*como
são filhos de quem são. Ninguém "escolhe" o* **Benfica *, como ninguém
escolhe a Mãe ou o Pai. Em geral, aliás, os benfiquistas odeiam o* Benfica* e
lamentam-no no estádio e em casa, mas pertencem-lhe.
Quanto mais pertencemos a uma entidade superior, seja a Família, a
Pátria, Deus - ou o* Benfica* , mais direito, temos de criticá-la e
blasfesmá-la.
Não há alternativa.

Em contrapartida, os sportinguistas e portistas parecem genuinamente
convencidos que apoiam as equipas deles porque são as mais dignas ou as
melhores.

Desgraçados!

Se fossem coerentes, seriam todos adeptos do REAL MADRID, AC MILAN, etc, etc.

No* **Benfica* , não se exige qualquer lealdade. Só se pede, em relação aos
adeptos de outros clubes, caridade e comiseração. O Sporting, por
exemplo, tem a mania e a pretensão de ser "rival" do* **Benfica* , um pouco
como o PSN se julga crítico parlamentar do PSD. Mas, se se tirasse o *Benfica* ao Sporting, o Sporting deixaria de existir.

*O Benfica é um grande clube *porque tem história e talento suficientes
para não dar importância aos resultados. Tem uma tradição de "nonchalance" e
de pura indiferença que não tem igual nos grandes clubes europeus.

O* **Benfica* não joga - digna-se jogar.
Não joga para vencer - vence por jogar.

Odeio futebol. Mas amo o *Benfica* .

As opiniões de quem gosta de futebol são suspeitas.

Claro que os sábios são do *Benfica* . Mas a força deste grande clube está
nos milhões que são benfiquistas apesar do* **Benfica* , apesar do futebol,
e apesar deles próprios. Em contrapartida, aposto que a totalidade de pessoas
que são do Sporting ou do Porto, por infortúnio pessoal ou deficiência
psicológica, são sócios.

*A força do Benfica, meus amigos, está em quem não paga as quotas, que
não vai a jogos, quem não sabe o nome dos avançados - isto é, no resto do
mundo.

O Benfica, é o Benfica.

E o que tem de ser - e é - tem muita força.
*
Miguel Esteves Cardoso

UM abraço a todos os benfiquistas ou não :)
MJ

blogico disse...

JMV 6:48

Concordo completamente, cada caso é um caso.
Num plano puramente teórico, não gostaria de viver num país em que a cultura dependesse exclusivamente do estado. E preocupa-me o facto de em Portugal o financiamento da grande maioria dos espectáculos ser público.
Basta termos apenas 1 ministro da cultura com uma política semelhante à de Rui Rio, e acaba tudo...
A cultura tem que se manter a si própria.

chato 8:51

o Porto anda bem servido. :) A qualidade pode ser duvidosa, mas a variedade existe. (e são quase todos espectáculos de financiamento público)

atorres 10:29

a qualidade e as audiências não estão necessáriamente em planos opostos.
é facílimo fazer um espectáculo pseudo-intelectualóide que toda a gente diz que tem muita qualidade, mas só os amigos vão ver. (e com convite) :)
também é facílimo fazer um espectáculo de qualidade duvidosa apenas com o intuito de encher uma sala. (normalmente a brejeirice funciona sempre muito bem) :)

o que é difícil, muito difícil mesmo, e que exige verdadeira "arte", é fazer um espectáculo de qualidade, que toda a gente queira pagar para ver.

Ameninadalua disse...

Blogico

"o que é difícil, muito difícil mesmo, e que exige verdadeira "arte", é fazer um espectáculo de qualidade, que toda a gente queira pagar para ver. "

Isso é sem dúvida verdade... mas tambem para as pessoas saberem e serem capazes de gostar para lá se deslocarem é preciso primeiro serem sensibilizadas e educadas para isso e aí o estado tem imensas responsabilidades...

Em alguns países de leste, as pessoas sem terem grandes recursos gastam o pouco dinheiro que têm para assistir a concertos clássicos porque aprenderam musica e foram educadas para gostarem dela...

Ainda ontem no programa "Ritornello" da Antena 2 o Jorge Rodrigues falava nos coros russos não profissionais composto por pessoas que se deslocam às igrejas ortodoxas para cantar que são duma qualidade e dum perfecionismo extremos que deriva apenas do facto de saberem e gostarem de musica porque sempre viveram com ela na alma e no dia a dia...

blogico disse...

ameninadalua

eu acredito que o estado não tem o dever de educar ninguém. (mas isso já nos levaria para posts anteriores sobre educação/enisno) o estado tem a obrigação apenas de defender a liberdade dos cidadãos.

a questão da divulgação não é tão importante como se pensa. o que melhor promove os espectáculos é o "passa a palavra" entre o público. quem viu e gostou, recomenda aos conhecidos, que por sua vez preferem ir a um espectáculo recomendado em vez de escolherem um "às cegas" (lá está... porque a qualidade geral é baixa, e as pessoas já estão "escaldadas")

Não precisa de ir à rússia para isso. Os concertos da igreja da lapa têm sempre casa cheia (e a transbordar) e o coro não profissional da lapa não fica a dever nada aos seus congéneres europeus. :)

Ameninadalua disse...

Blogico

Eu acredito que a criatividade anda a passo com a liberdade sem dúvida... apenas gostei de realçar que o estado tambem deve e pode criar condições para ambas...sob pena de sermos demasiado optimistas relativamente a resultados...

Claro que como compreende eu tambem sei que não é necessário ir tão longe para a Rússia, para se ver bons exemplos ou até melhores, apenas me lembrei deste na altura do comentário. Agora lembrar-me-ía de outros:)

Angie disse...

ameninadalua:
Olá:):)
Eu concordo consigo também, o que afirmo é apenas o princípio.
E acho que é disso que carecemos nós, os portugueses: bússolas. Em vez de casuística e decisões erráticas e sentimentais.

Também concordo com o blogico quando ele diz que por exemplo as primeiras obras deveriam ser subsidiadas. Claro que sim!
Mas isso é outra coisa, ou melhor, é MAIS do que o subsídio à cultura: são políticas transversais.
É a cultura, mas é também o incentivo à iniciativa dos jovens (ou não jovens), o apoio ao empreendorismo, o incremento da marca portuguesa...é o empurrão para depois dar a cana de pesca em vez da sardinha, passe o cliché.
Muita coerência e sustentabilidade numa só medida.
Isso e outras coisas em prol da cultura, sim, porque contribuem de facto para o desenvolvimento económico e social, para a maioridade. Porque anda tudo de mão dada: não nos iludamos!
Isso é é que é visão estratégica.
Agora o que temos em Portugal na maioria dos casos não é isso: são financiamentos desarticulados, sem capacidade de replicação, sem regras nem contrapartidas, sem avaliação, sem rasto nem mais valia nos hábitos do público (ou dos novos públicos).
São sempre os mesmos: os que recebem, e os que assistem.
Em nenhum sítio evoluído o Estado trabalha assim (nem os cidadãos deixam).
Outra nota que me parece importante: o Estado deve é "criar condições". o que pode passar pelos dinheiritos (que são de todos), mas passa seguramente por muito mais.
E depois, no caso vertido, o Rio é 1 eleito local. Não é o ministro da cultura. Os municípios não são mini-governos, clones em miniatura do Terreiro do Paço. Há 1 enorme diferença nos papéis e nas prioridades.
Como não voto nele, tão pouco estou a fazer propaganda eleitoral (sublinhe-se).
Em Portugal somos todos assim: continuamos a comer-nos vivos por causa da camisola partidária, não é? :):) Grande entretém para deixar passar ao lado o que é importante e nunca mais sair da cepa torta!!
No fundo, no fundo, adoramos :):)

blogico disse...

angie

concordo com tudo que escreveu, apenas acrescento um pormenor:
deve ser a sociedade civil a gerar essas movimentos e não o estado. em Portugal temos (em geral) a mania de empurrar tudo para o estado e sentarmo-nos confortavelmente à espera que as coisas apareçam. em nenhum lugar do mundo pode ser assim. temos que nos juntar e criar fundações, associações, organizações e mecenatos que sejam o motor da nossa cultura. O estado só tem que zelar pela nossa liberdade.


ameninadalua

eu sei que sabe que temos bons exemplos cá. apenas me lembrei de mencionar aquele que me parece ser um bom caso de sucesso, qualidade e boa-vontade

Angie disse...

Blogico
Estimo muito que concorde, mais ainda por ser promotor cultural.
Também eu não disse 1 coisa óbvia: eu sou 150% (!) a favor de iniciativas, hábitos, produtos, consumo cultural.
Acho que é das poucas valências de cidadania que nos dá autonomia, identidade, auto conhecimento, horizontes, crescimento interior, felicidade.
Mas penso aquilo tudo que disse, talvez precisamente por observar bem (ou pelo menos com atenção) essa vertente do nosso sistema.
E digo mais: a maior prova do nosso "défice" cultural é exactamente... a culpabilização do Estado pelo défice orçamental na cultura! E a reivindicação indignada dos subsídios ao paizinho...

Assisto, na minha cidade, às coisas mais incríveis.
Por exemplo:
- um "lobby" potentíssimo e descarado pelas (não todas, mas muitas) companhias de teatro.
Eu gosto de teatro, atenção: mas acho indecente verificar o que se passa com a música, por exemplo: não há nada para ninguém! E é ver as orquestras e os corais a morrer de fome e a fechar por fim as portas (algumas sobrevivem, mas sem pagar oas músicos há mais de 1 ano...) Só que estas não têm cartazes espalhados pela cidade, poucos as conhecem, ninguém os convida, como hão-de ter condições de existir?

Isto é além de tudo concorrência desleal, na minha óptica.
Mas concorrência é lá vocábulo que entre no léxico dos subsidiados?!
Ou nas preocupações do Estado que nós desejamos?!

blogico disse...

angie

mais uma vez concordo consigo, palavra por palavra :)

noiseformind disse...

Boss,
Sejemos honestos: cultura n falta no Porto. Tanta há, que está em muitos casos às moscas. Exemplo disso: a rede de museus da cidade. O Museu romântico está uma vergonha, o do Eléctrico uma desgraça, o da Imprensa se fosse lá uma inspecção fechava-o de uma ponta à outra. As exposições permanentes na Antiga Alfândega, nem falar disso. O problema específico aqui é o Teatro, n é a cultura.

No TNSJ as peças raramente passam dos 30% de audiência, no Rivoli as comédias privadas enchem aquilo mas depois as peças no pequeno auditório nem sequer o conseguem deixar a meio, excepção feita quando a Câmara envia convites para elas (e olha que o ciclo de Steinbeck estava a pouco mais de meio, bem como as peças de autores palestinianos). Resumindo e concluindo: vai daí, como praticamente a produção privada é que vale o Rivoli ter as portas abertas, Rui Rio resolveu eliminar a obrigatoriedade de ser a câmara a arcar com salas vazias. Há precedentes, imensos. Olha, o Teatro da Vilarinha por exemplo, abandonado mas a funcionar. Não dá prejuízo nem lucro, mas a companhia que lá opera produz sem parar e divulga as suas obras. O Helena Sá da Costa, como é que há-de funcionar como âncora de teatro pupeteiro melhor sem que o Estado lhe atribua mais dinheiro do que para o Museu das Matrionetas?



Pois é... pois é... como de costume ouvi nesta caixa de comentários os habituais discursos de cultura/educação/civilização. Pois... esquecem-se é que existe uma coisa chata chamada realidade e normalmente é aí que muito boa gente vive... para o bem ou para o mal ; )))))))))))))))

Por exemplo, não li aqui NENHUM COMENTÁRIO referente ao BUUM de companhias durante a Porto - Capital da Cultura 2001!!!!!! Por acaso nenhum dos presentes foi ao teatro nessa altura? N sabem que a maioria dos projectos que agora se degladiam por uma migalha de subsídios são de facto projectos iniciados para a programação dessa cornucópia passada????? Reparem como os próprios programadores culturais se questionavam sobre a possibilidade de todas estas companhias sobreviverem, isto em 2002!!!!!!:

"Foi neste contexto de multiplicação da oferta de formação que se constituiram grupos como "As Boas Raparigas vão para o Céu, as Más para Todo o Lado", o "Teatro Plástico", o "Teatro Bruto", o "Teatro Só" ou o "MetaMortemFase", para referir apenas alguns. Um período de euforia corolado pela realização da Capital da Cultura, em 2001, que agora entra num momento decisivo de questionamento face ao futuro próximo: quantas destas estruturas estarão preparadas para se afirmar como projectos autónomos e sólidos, tanto mais quando se sabe que os subsídios estatais atribuídos à produção teatral vão inevitavelmente diminuir ao longo deste ano?

Esta questão será tanto mais pertinente quando se sabe que a produção audiovisual - outro dos potenciais mercados para os jovens actores saídos destas escolas de formação - é ainda muito incipiente no Porto. A produção de 'spots' publicitários e a dobragem, por exemplo, só agora começa a despontar, havendo apenas duas empresas a dedicar-se exclusivamente a estas actividades. A única alternativa viável parece ser mesmo o mercado da capital, onde se concentra a produção nacional de televisão e de cinema.

António Capelo, actor e director artístico da Academia Contemporânea do Espectáculo, foi, juntamente com outros profissionais da Seiva Trupe, dos Comediantes e do Tear, um dos principais impulsionadores desta escola e, se assim se poderá chamar-lhe, da "nova vaga" de teatro no Porto. Apesar de se referir a esta 'movida' com algum entusiasmo, considera indispensável começar a questionar os espaços de criação estéticos e artísticos dos diferentes grupos, já que, na sua opinião, estes começam a trabalhar em "universos muito semelhantes"."

Portanto, estas companhias foram obtendo subsídios num mercado cultural que implodia lentamente. O próprio TECA é um survedouro de dinheiro com uma taxa de afluência de 20%!!!!!!!!!!!! E não vamos agora inventar públicos, que nunca existiram e que acorreram aos teatros APENAS em 2001, pq 30 ou 40 pessoas vão ter de se deixar de fazer teatro. As próprias companhias é que deviam, antecipando esta situação sido estruturadas de forma a sair do Porto para a periferia. Reparem no caso do TEP. Foi para Gaia, onde havia um deserto de oferta teatral. Neste momento prospera e a Câmara de Gaia encontra-se receptiva a aceitar mais 1 ou 2 companhias residentes no seu concelho mas FORA da cidade!!!!! Mas estar à espera que lhes cortem os subsídios é algo que considero típico de quem passou pelos tempos guterrianos ; ))))))))))))))))

Perceberam, Malta? Posso sempre fazer um desenhito... ; )))))))))))))

Ameninadalua disse...

Olá:)) Angie
e Blogico

Estou rendidíssima às vossas opiniões:) mas claro e apesar disso ainda não conseguimos resolver o "poblema da coooooooooltura" em Portugal"...

Talvez para o próximo debate:)))

A sério, o que disseram parece-me ser uma muito boa reflexão sobre o tema em que nada é linear e de resolução rápida.

Ameninadalua disse...

Noise

Eu percebi, juro...mas há coisas que mais vale não sabermos e continuarmos na santa ingenuidade:)))

noiseformind disse...

Ameninadalua,
Pois é. Mas eu lamento que tanta gente a falar, sendo alguns da cidade, não conseguissem trazer um pouco de debate sério à coisa. De lições de moral cultural estou eu cheio ; )))))))))) gostava que as pessoas pensassem tipo "eu vou dizer uma grande barbaridade, se calhar é melhor pensar um cadito antes de escrever isto" ; ))))))))))))

Mas n... raramente acontece. Por isso os meus comentários ás vezes são tardios. Eu bem espero que apareça algo denso e bem informado/justificado que possa servir de ponto de partida para uma boa discussãozita na caixa. Mas n se pode fazer omoletes sem ovos, pois n? looooooooooool