segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Consequência de se pensar em "grupos de risco" e não comportamentos de risco...

SIDA: Heterossexuais infectados aumentam em PortugalQuase metade dos casos de infecção por VIH/SIDA são toxicodependentes, seguidos dos heterossexuais - cuja transmissão da doença está a crescer em Portugal - e dos homossexuais, de acordo com os dados referentes a 31 de Dezembro do ano passado.
Segundo o relatório do Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis, em 31 de Dezembro do ano passado estavam notificados em Portugal 30.366 casos de infecção VIH/SIDA «nos diferentes estados de infecção».
O maior número de casos notificados («casos acumulados») corresponde à infecção em «toxicodependentes», constituindo 45% (13.684) de todas as notificações (30.366).
O segundo grupo de infectados é composto por heterossexuais (37,5%), enquanto os homossexuais masculinos representam 11,9% dos casos.
O documento alerta para o facto dos casos notificados de infecção VIH/SIDA, que referem como forma provável de infecção a transmissão sexual (heterossexual), apresentarem «uma tendência evolutiva crescente importante».
As restantes formas de transmissão correspondem a 5,6% do total.
O total acumulado de casos de SIDA em 31 de Dezembro de 2006 era de 13.515, dos quais 449 causados pelo vírus VIH2, e 189 casos que referem infecção associada aos vírus VIH1 e VIH2.
Segundo este relatório, «os casos de SIDA «apresentam a confirmação do padrão epidemiológico registado anualmente desde 2000: verifica-se um aumento proporcional do número de casos de transmissão heterossexual e consequente diminuição (proporcional) dos casos associados à toxicodependência».
Diário Digital / Lusa
26-02-2007 16:12:00

24 comentários:

thorazine disse...

Algo que me espanta é muita gente da minha idade ainda acreditar que o "grupo" dos homosexuais constituem a maior percentagem dos portadores de HIV/sida! ;(((

Espanta-me mais pois foi mesmo esse o mito que há 30 anos atrás mais influencia teve na propagação do vírus..

Pearl disse...

Há cerca de quatro anos, uma colega, Brasileira, dizia-me que achava estranho não ver em Portugal qualquer campanha de alerta e prevenção da SIDA, uma vez que no Brasil até os pacotinhos de açúcar que acompanham o café servem de meio para chamada de atenção. Há cerca de dois anos, de férias em Cabo Verde, apercebi-me das mesmas chamadas de atenção em outdoors, assim como de serviços de informação e atendimento sobre a doença, e distribuição de preservativos. Pois... mas esses são países em vias de desenvolvimento onde as taxas de infectados é elevadíssimo, daí maior premência de intervenção - poderá dizer-se. Ok... assim sendo, Portugal enquadrar-se-á em que paradigma? A verdade é que desde 1997 o Brasil vem reduzindo o número de novos casos, sendo conhecido enquanto caso de sucesso, também pela distribuição gratuita de medicamentos aos doentes. Agora impõe-se questionar: no que à SIDA diz respeito, em que é que se traduzem as políticas públicas de saúde em Portugal? E para quando educação para a sexualidade??

thorazine disse...

E mesmo os comportamentos de risco são fomentados pela sociedade. Para não falar na falha na distribuição de Kits de injecção e de preservativos pelos centro de saúde há o enorme preconceito social.

Só para dar um exemplo: Há cerca de um mês atrás tive de ir comprar uma seringa aqui à farmácia local. A primeira pergunta do farmacêutico foi: " Para que é?"!
A senhora que vinha atrás lançou-me logo um olhar de compaixão. ;((

Imagino eu o que passam os toxicodependentes cada vez que tentar previnir comportamentos de risco. Ou não passam, pois desenvolvem aquela capa dura para se defenderem dos "sermões" da sociedade.

andorinha disse...

O título do post diz tudo.
Enquanto se continuar a pensar que a sida é um problema de homossexuais e toxicodependentes as coisas não melhorarão.
Os heterossexuais continuam impávidos e serenos a fazer sexo desprotegido porque não fazem parte dos tais "grupos de risco"...
Até quando durarão a ignorãncia e o preconceito?

Thora,
Tens que ser mais cauteloso, miúdo:)
Não podes andar por aí a chocar as pessoas...
Que ideia a tua de ires a uma farmácia comprar uma seringa...:))))))))

"E mesmo os comportamentos de risco são fomentados pela sociedade. Para não falar na falha na distribuição de Kits de injecção e de preservativos pelos centro de saúde há o enorme preconceito social."

Assino por baixo.

Lusco_Fusco disse...

Boa noite!
Li a notícia e já "falamos" neste tema antes. Grupo de risco somos todos.
"Completando" o raciocínio do Thorazine, estamos num país onde quem não tem vida (e infelizmente é a grande maioria) se dedica a criticar, ainda que com semblantes, o procedimento alheio. Não pensam que, muitas vezes, esses procedimentos, a que dão ares de "dores" fingidas, os pode salvar a eles ou a um dos seus de possíveis dores reais.
É neste assunto como em muitos outros...
O povo é um espelho do sistema em que se insere.
MJ

Fora-de-Lei disse...

Tenham mas é juizinho, sigam os conselhos da Santa Mãe Igreja e vão ver que nada vos acontece...

blogico disse...

Este próprio relatório divide os casos por grupos, ainda por cima não mutuamente exclusivos... Ou os toxicodependentes não podem ser heterossexuais ou homossexuais? Não sei como obtiveram os dados, se perguntando às pessoas se são toxicodependentes e qual a sua preferência sexual, ou então se tentaram descobrir a forma de contágio e o "agrupamento" resultar daí.
De qualquer forma, para além da pouca relevância estatística resultante da não exclusividade dos grupos, é o próprio relatório que faz a divisão em grupos de risco.
Quando deixaremos de tentar pôr pessoas dentro de caixotes bem arrumadinhos?

a disse...

A maior parte das pessoas que conheço (digo-o porque lhes perguntei) não tem a certeza de que não tem sida. Porque nunca fizeram o teste e porque já tiveram relações desprotegidas. mas não se mexem para o ir fazer.

É estranho, há um medo, que tem por consequência um recalcamento e um confortável "não quero saber". Porque se n fizerem o teste, n têm de se preocupar... este é o raciocínio da maioria dos jovens.

a mim faz-me confusão, já fiz o teste 2 vezes, porque tinha de ter a certeza.

Fora-de-Lei disse...

a 12:26 PM

"... já fiz o teste 2 vezes, porque tinha de ter a certeza."

Quando a cabeça não tem juízo...

PS: Não sigam os ensinamentos da Santa Mãe Igreja, não... Depois queixem-se.

fiury disse...

fora de lei

:))))

a disse...

fora-da-lei: a cabeça tem juízo, o preservativo é que rompe.

Quanto aos ensinamentos da Igreja, nunca concordei com eles, sabia que segundo o catecismo a masturbação é pecado?

maria estrela disse...

E os nossos adolescentes/jovens?
Conscientes do modo de transmissão parecem alhear-se do perigo.Neste momento em que não se pode alegar ignorância nem desconhecimento como vencer a inconsciência e o preconceito?
Nas escolas contactamos com eles e verificamos que sabem todos os princípios teóricos,no entanto, não vale a pena...acham...
Não só vale a pena como vale a Vida!!!

Marx disse...

Como em muitas outras coisas, a banalização de certos conceitos ou comportamentos só acresce para lhes retirar importância. Isso sucede com a SIDA, como sucederá com alguns dos ensinamentos da igreja quanto ao sexo. Banalizaram-se de tanto dizer, que já não se lhes liga importância. O que cria algumas situações medonhas, quando confluentes. Durante algum tempo trabalhei no Minho profundo. O que está longe das principais cidades e permanentemente rodeados de igrejas. A banalização da prostituição, nas diferentes conversas, "entre homens" e "entre mulheres", espanta os que se considerariam mais "urbanos". Essencialmente, pelo inesperado liberalismo da coisa. Quer nas conversas entre homens, onde, aparentemente, todos "lá vão". Quer nas conversas entre mulheres, onde, aparentemente, todas sabem que os respectivos lá vão. Em nenhum destes "grupos" percebi qualquer preocupação com a protecção. Dos que "lá vão" e das que "sabem que lá vão". No que considero um comportamentos típico dos "flechas". Os guerreiros africanos que se atiravam contra os tiros, porque havia sempre um feiticeiro que os catequizava estarem ungidos pela sorte.

andorinha disse...

Boa noite.

Maria estrela,
É terrível esse comportamento que referes em relação aos jovens e que eu também constato quase diariamente.
Um destes dias encontrei-me num café com três ex-alunas minhas, agora já todas a frequentarem o último ano da Faculdade.
No meio da conversa veio à baila o tema sexo.
Quando lhes perguntei se usavam preservativo, disseram em coro, com muita naturalidade que não.
Só fazem sexo com o namorado, não é preciso e para além disso, é uma chatice, nem sempre têm, etc, etc.
São raparigas inteligentes, cultas, que têm toda a informação sobre os perigos inerentes a sexo desprotegido e, no entanto, na prática, como dizes, alheiam-se do perigo.
Não sei, sinceramente, como se poderá contornar esta situação.

andorinha disse...

Marx,
Esse quadro que pintas, tanto deles como delas, é aterrador.
"Em nenhum destes "grupos" percebi qualquer preocupação com a protecção."
É incrível! Que frequentem a prostituição é lá com eles, agora que o façam dessa forma leviana...
E que dizer da atitude dessas mulheres?
Aceitam isso "na boa", sem receio dos riscos?
Isso é só inconsciência, ignorância ou burrice pura e dura?
Assim não vamos lá:(

Marx disse...

Andorinha,

Eu tenderia a apostar na inconsciência, ignorância, burrice e, insisto, flechice. A qual creio ser um mix das restantes...

maria estrela disse...

A questão do não uso do preservativo pelos jovens não é por culpa dos ensinamentos da Igreja. Como é evidente a mensagem da Igreja nada lhes diz. Essa é uma frase feita. Os jovens (alguns)não usam porque o conhecimento que têm do(s) parceiro(s)lhes parece suficiente, como se se notasse pela aparência e porque o pisar o risco parece provocar-lhes mais adrenalina.A ideia de grupos de risco enraizou-se de facto. Quando digo aos jovens que qualquer um de nós é um elemento de risco ficam incrédulos e já ouvi muitas vezes a resposta " nós não somos desses". Só que, como lhes digo " nós SOMOS ESSES".
Esta questão está a tornar-se numa espécie de roleta russa.

andorinha disse...

Marx,
És capaz de ter razão...e essa mistura é explosiva.

CêTê disse...

Ainda não vi mas os miúdos já a notaram "prof: já há publicidade aos preservativos!". Pelos vistos eles gostaram- chegou a eles. (como disse não vi).

Quanto ao futuro próximo não sei. Temo que o preservativo masculino venha a perder pontos enquanto método contraceptivo e as DST estão aí. Esperemos que a nova geração seja mais cautelosa.

abraços

maria estrela disse...

cêtê
O anúncio passa uma mensagem que despertou a atenção dos jovens - é uma manif de preservativos a clamar por trabalho.

CêTê disse...

Seria giro vir uma proposta de concurso dirigida aos estudantes sobre o tema.(mas PARA ESTE ANO É QUE NÃO!) Quanto mais eles se envolverem melhor, não é verdade?
Poderia ser em vários formatos (até parece que já estou a vê-los);]]]. Ficaria tãoooooooooooooooo lindo se fosse uma iniciativa conjunta dos min-edu+saúde!!!

Maria José disse...

"O documento alerta para o facto dos casos notificados de infecção VIH/SIDA, que referem como forma provável de infecção a transmissão sexual (heterossexual), apresentarem «uma tendência evolutiva crescente importante»."

Sem dúvida.
E, se em alguns casos, se pode falar em verdadeiro desconhecimento de causa e falta real de informação, naqueles que me parecem em significativo maior número [e alvo de igualmente maior preocupação], o que constato é um facilitismo e um espírito de "deixa andar a ver se a coisa corre bem", que deveriam não existir por esta altura. Há quem lhe chame a excitação inerente ao risco... na minha cabeça vejo antes a estupidez, a insensatez, a imaturidade. E não apenas nos mais jovens...

fiury disse...

cêtê

é muito mazinha.deixe lá o da saude descansar.nem para contar as favas tem tempo e concentração:)))))
a da educação deve ter um batalhão a ler as cartas das escolas que não têm transportes nem actividades, que têm actividades e não têm transportes, que têm transportes e nâo têm actividades, e a pensar aumentar o nº de km que alunos do primeiro ciclo podem andar a pé, dada a baixa crimilnalidade, pedofilia, etc.
não seja mazinha!

Sandra disse...

Sou prof. de Biologia do 12º ano e esta temática é um dos assuntos que é debaido frequentemente. O que maisme surpreende é que os alunos são jovens informados mas carregados de mitos relacionas com a doença.
Conhecem o filme "Kids" do Larry Clark? O que acham do filme como material pedagógico para um debate sobre formas de contágio e comportamentos de risco?
Sandra Pinho