domingo, fevereiro 04, 2007

Estou de acordo, mas 36 acho cedo:).

"Quando um romancista que se preza atinge os trinta e seis anos, já não traduz a experiência para a fábula, está a impor a sua fábula à experiência."


Philip Roth, Traições.

14 comentários:

andorinha disse...

Gostaria de dizer alguma coisa desde que me "traduzisse" a frase.:)

Não percebo o que estão os 36 anos aqui a fazer...não concebo que a ficção tenha forçosamente a ver com a experiência...normalmente não é a fábula de cada um que é imposta à experiência?
Então porquê a idade aqui?
So many questions...to be answered:)

Marx disse...

Prof., creio que o nosso Grande Lobo Antunes começou bem antes dos 36...

me disse...

...mas alguém com 36 anos tem experiência suficiente para ser um romancista que se preze? - agora fizeram-me lembrar aqueles anuncios de meprego do expresso que têm cebas do tipo: "gestor de produto", licenciatura, mestrado, experiência minima de 5 anos na função,idade até aos 27 anos de idade...lol

beijetas e abracetas:
me

Aspásia disse...

NÃO SEI O QUE TENHAM 36 ANOS A VER COM ISSO... A IDADE MENTAL DO AMADURECIMENTO, QUER PARA SE SER ESCRITOR OU NO CASO GERAL, PARA SE VIVER, NÃO SE CORRELACIONA DIRECTAMENTE COM A IDADE FÍSICA...

36, COMO QUADRADO PERFEITO, FICA SEMPRE BEM, DEVE TER SIDO ESSE O MOTIVO DA ESCOLHA DE ROTH...

BOM INÍCIO DE SEMANA.

Migmaia disse...

Bom dia,

Andorinha,
Just one more question, please: gostaria se saber o porquê de “estar a mais”, pois não entendi…com todo o respeito, mas a (minha 37 ª) primavera ainda nem começou! Thank you!
Um boa semana a todos!

Cristina GS disse...

Acho que o escritor queria dizer 35...abordagens mais místicas dividem a vida humana em ciclos de 7 anos e 35 é a meio caminho para os 70 que andam perto da esperança média de vida, já não sei é se é para eles ou para elas. Bom dia a todas(os), estou a brincar para ver se me esqueço de que é 2ªfeira e das voltas que tenho que dar ao Processo de Bolonha

Ameninadalua disse...

Bom dia!


"Estou de acordo, mas 36 acho cedo:)"

Eu decididamente tambem acho:)

Mas e como muito bem sabemos depende dos 36 anos que temos...

Assim como as "alturas não se medem aos palmos" tambem as experiências podem divergir em muito dos anos que se tem... e por vezes vimos pessoas a passar pelo mundo sem nunca francamente se terem dado à vida...

A experiência ganha-se com o estar virado e atento aos outros, o saber ouvir, o dar-se às situações mesmo que difíceis e vividas com "medo","o cair e o levantar" e saber aprender com isso mas principalmente e apesar disso conseguir e ter prazer em amar a vida...

As idades é algo muito relativo; aos vinte pensamos que aos quarenta somos velhos mas aos cinquenta pensamos que afinal ainda temos uma criança dentro de nós...:)

A experiência dos 36 parece-me que está um pouco longe de poder criar fábula e ainda muito menos de se impor como fábula à experiência...pois penso que nessa idade tudo ainda está em aberto...

andorinha disse...

Migmaia,
Se reparares no meu comentário, no final aparece destacado "migmaia" porque eu ia escrever mais , mas depois desisti e esqueci-me de apagar "migmaia".
Daí eu ter dito logo a seguir,( a hora é a mesma), que migmaia está a mais.

Só isso, não te quero "expulsar" daqui. Vocês já lêem o que eu escrevo de pé atrás:)))))))

Agora vou almoçar, mas fica aqui a explicação:)

Nelson disse...

A idade depende da experiência e vida de cada um, será mais uma idade subjectiva do que uma idade temporal.
Mas quantas vezes não é a fantasia (fábula) que comanda a vida? Se calhar também é por isso que depois existem tantas desilusões...

thorazine disse...

É isso andorinha! Gosto de te ver a defender os mais novos!! ;))))))

andorinha disse...

Thora (7.06)

Tá muito espirituoso, o menino!:))))
A defender os mais novos, onde?
O Migmaia pediu-me explicações e eu dei-as, é tudo. Sou uma pessoa educada.

Já sabes que não discrimino ninguém, portanto a idade também não é factor discriminatório.
Tenho que me estar sempre a repetir?:)))))))))))

fiury disse...

mas isso é bom sinal!e mais vale tarde que nunca... depende do roamancista, das suas fábulas e da sua experiência:)

APC disse...

Eheheheheheh. Eu também, e ainda não os tenho! lol

Paulo disse...

Algures pelo meio dessas duas formulações, deve situar-se aquela parte do livro em que o personagem rothiano considera existirem dois tipos de homem (pessoa?): os que falam para foder e os que fodem para falar. Nunca interpretei este segundo "falar" no sentido do «kiss and tell», mas no das palavras que se trocam entre o cigarro e o suor arfado.