terça-feira, fevereiro 13, 2007

Esclarecimento.

Sobre um artigo hoje publicado no Público referente ao que aconteceu com O Amor é... de Sexta-Feira, cumpre-me esclarecer o seguinte:

1 - No programa de Quinta-Feira não "fizemos veladas críticas à actual lei sobre a IVG", discordámos dela abertamente e explicámos porquê.

2 - Também as críticas às posições de Marcelo Rebelo de Sousa foram assumidas de forma explícita.

3 - Não houve qualquer crítica a posições do Daniel Sampaio, por uma razão simples: ele defendia o Sim - ao contrário do afirmado no Público - e de uma forma com que ambos concordávamos.

4 - Nunca disse a ninguém que a CNE me tinha referido o programa de Marcelo Rebelo de Sousa como alvo de queixas. Bem pelo contrário, escusei-me a indicar programas em concreto nas conversas que mantive com vários jornalistas, por uma questão de lisura para com a minha interlocutora.

5 - É verdade que na Sexta o programa se debruçava sobre o que apelidávamos de Sim exigente, razão pela qual o repetiremos, pois o consideramos agora mais justificado do que nunca e já não estamos em campanha eleitoral.

36 comentários:

Fora-de-Lei disse...

Neste momento pergunto-me sobre como evoluiria esta questão se, por acaso, o NÃO tivesse ganho. Mas como assim não foi, lá vão eles ter que gramar a pastilha que é por causa das tosses...

lobices disse...

...o caos está instalado neste País, nos seus mais pequenos pormenores
...está a começar a faltar-me a esperança de ver o sonho realizado
...bastou ver, por exemplo, ontem o programa da Um os Prós e Contras e, na verdade, pergunta-se com clareza: quem julga a justiça?
...se um dos bastiões do tal sonho está numa Justiça Justa, ontem, mais uma vez, o meu sonho perdeu mais pontos
...por isso, já nada me admira e começo a ficar cansado
...que fiz eu ao longo destes anos todos para que o sonho se realizasse?... Na verdade, pouco; talvez devesse ter feito mais do que o que fiz... mas ao fim de quase 33 anos (o 25 de Abril deu-se qunado eu tinha 28) eu vejo o meu País num colchão de água: tudo a balançar num doce enleio esquecidos do momento em que esse colchão possa rebentar
...tenho medo de não ver o que pensei vir a ver quando sonhei que ele poderia tornar-se realidade
...o Homem não está em paz consigo mesmo e a sua própria luta agudiza-se e tenho medo que o estertor se aproxime
...talvez seja do cinzento do dia mas hoje sinto-me triste com o meu País
...desculpem

me disse...

julinho:
- deixe lá isso, já não há paciência, venceu o SIM - isso é o que interessa! - agora vamos trabalhar para operacionalizar aquilo que ganhámos!

bj

Ameninadalua disse...

Bom dia!

Quando um amigo meu que muito considero, intelectualmente falando, me dizia que toda a sociedade em geral está a ser varrida por um "tsunami fascizante" eu sorria e não acreditava...mas cada vez mais me vejo a concordar com ele.

Este comportamento aqui descrito referente ao Público é bem significativo de espírito suspeitoso e manipulador, que não olha a meios para atingir fins que se situam em objectivos dum certo obscurantismo que é contrário a uma sociedade aberta e responsável...

Tambem já me passou pela cabeça a mesma interrogação do Fora-de-Lei:

"Neste momento pergunto-me sobre como evoluiria esta questão se, por acaso, o NÃO tivesse ganho."

A democracia é importante e serve tambem para isso; não só para garantir direitos como para impedir que a mancha da intolerância e do obscurantismo se espalhe pela sociedade ou que pelo menos que não tenha a força do tal tsunami...

Fora-de-Lei disse...

Ameninadalua 11:51 AM

É um tsunami sim senhora, mas um tsunami algo difícil de identificar porque - por enquanto - ainda vem sobre a forma de brisa traiçoeira. Nunca mais substime a opinião desse seu amigo pois ele está carregado de razão. E, já agora, aproveite o lapso para pôr o seu "sexto sentido" mais alerta... ;-)

Fora-de-Lei disse...

lobices 10:58 AM

Lobices, para a vampirada o 25/4 não passou de um necessário (e aborrecido) compasso de espera.

Por isso, o que se calhar é mesmo preciso é que o tal colchão de água rebente. Caso contrário, eles lá continurão deitados e - usando a sua expressão - a balançar num doce enleio, não se importando que haja cada vez mais gente a ter que dormir em podres colchões de palha pejados de percevejos.

PS: desculpem lá qualquer coisinha pelo eufemismo de um certo mau gosto, a necessitar urgentemente de algum DDT.

goncalo disse...

Prof,

Deixou o Canal Porto?

thorazine disse...

Professor,
no "amor é.." dominical a Ana Mesquita comparou as amizades eróticas ao totoloto. Não estará mais relacionado mais com a maturidade das duas pessoas (e se realmente é amizade, ela é reconhecida) do que com jogos de azar?

fiury disse...

não se esqueça que o que não mata fortalece. defenda-se sempre:a si e à causa nobre que defende.

andorinha disse...

Boa noite.

Relativamente ao post, penso que o mais importante é o último ponto; agora mais do que nunca são importantes todas as contribuições nesse sentido.
Se o Não tivesse ganho como seria?
Não me interessa, não vou especular. Não ganhou e ponto final.

Quanto ao desencanto que por aqui vai, Lobices e Fora de lei, é um reflexo do desencanto que varre este país.
No 25 de Abril eu tinha vinte anos e tal como o Thora:) agora, um mundo de sonhos e muito poucos pesadelos.
Hoje, essa situação relativamente ao país, inverteu-se.:(
Esses sonhos foram ficando pelo caminho e hoje sobra uma frustração grande por ver que muito do que eu tinha sonhado para o país não se concretizou.
Acho que este sentimento é de certa forma generalizado na nossa geração.
Tento não perder de todo o optimismo, mas confesso que é complicado...

thorazine disse...

andorinha,
obrigado por me reduzires novamente à minha inocência! ;(((

Mas pronto..a inocência e a ingenuidade podem ser vistos por alguns olhos como características benignas! ;))))))))

MAS vês vês, isso é "ageism"! E desta vez eu nem disse nada.. :P
É tipo o racismo..é com piadas "inofensivas" de pretos que se vão criando os racistas! :P :P :P

Pro último,
na página inicial do Murcon os links do lado direito sofreram uma mutação. A Silvia Alberto está com nome de erva dos espíritos! :)

É giro! :)

Migmaia disse...

Boa noite,

Antes de mais, gostaria de felicitar a grande maioria (neste espaço) de apoiantes do Sim pela vitória no referendo. Em especial o Prof. JMV, pela cereja da Invicta. Comparando com os resultados de há 8 anos, é notório que houve dedicação e empenho. Por vezes deturpado, como penso ter sucedido no caso da Antena 1. Mas penso que aqui, o efeito produzido terá sido precisamente o contrário. A sensação de injustiça perante a censura ao programa, terá acrescido motivação para votar Sim. (“Pedras no caminho, apanho-as todas. Um dia farei um Castelo”) Por vezes, o feitiço vira contra o feiticeiro! Agora lembrei-me do recente reencontro com o Minguinhos, de perder a Paciência! 
Li o artigo do público e suspeito que, o autor da notícia, deve ter feito estágio na TVI. Com todo respeito pelos critérios editoriais, mas a mim repugna-me a manipulação da informação. E nesta situação, o que raramente acontece, é conhecida a fonte. Não podia ser mais fidedigna. Convenhamos que o Murcon tem sido privilegiado nesta matéria.

Quanto ao “day after”, e após uma noite de justo descanso, fiquei satisfeito com a evolução do debate. Da ambiguidade da(s 4) pergunta(s) colada(s) no referendo, começou por se detalhar as consequências de cada uma delas. O que, penso teria contribuído para reduzir a abstenção, a benefício do sim, se tivesse sido feito antes. E responsabilizo essencialmente a maioria pela falta de coragem ou ambição, se não mesmo pela hipocrisia. A falta de orientação manifestada nas variadas declarações de responsáveis do PS, revela o muito que há a fazer. Começaram por dizer que, até ao final do ano a lei seria aplicada, para ainda no mesmo dia, afirmarem que a aplicação seria imediata. Isto quanto à despenalização. Mas não se faz a mais pequena ideia de como o SNS poderá ajudar estas mulheres. O Ministro da Saúde já perspectivou mais uma receita com a taxa moderadora a cobrar pelo serviço. Não sei quem são os Profissionais e respectivas Instituições com que conta, pela que entendi da posição do Bastonário da Ordem dos Médicos. E clínica dos arcos não será seguramente para todas. A carroça vai lançada, e os bois ainda não se mexeram.

Saudações.

Fora-de-Lei disse...

andorinha 6:21 PM

"Quanto ao desencanto que por aqui vai, Lobices e Fora-de-Lei, é um reflexo do desencanto que varre este país."

Não é propriamente desencanto, até porque eu sempre soube que estas coisas são mesmo assim, ou seja, feitas de avanços e refluxos. É - isso sim - uma quase certeza que começa a ser tarde para eu ainda ter tempo de ver este país a chegar a algum lado. Mas há-de lá chegar um dia, custe o que custar.

Diria mesmo que é contra-natura as coisas poderem permanecer assim eternamente...

Fora-de-Lei disse...

Migmaia 9:21 PM

"Não sei quem são os Profissionais e respectivas Instituições com que conta, pelo que entendi da posição do Bastonário da Ordem dos Médicos."

Realmente, é capaz de ter alguma razão. Face aos dias que correm, é bem mais fácil um maricas "sair do armário" do que um médico que se disponha a operacionalizar, na prática, a lei da IVG.

andorinha disse...

Thora (8.31)
Eu não te reduzi a nada:))))))
"...a inocência e a ingenuidade podem ser vistos por alguns olhos como características benignas."
E são!
Vês como me começas a compreender?:)
Espero que nunca percas alguma inocência e alguma ingenuidade...mesmo à medida que te fores tornando um homenzinho:))))) Looooooooool

P.S. Só costumo brincar com aqueles de quem "gosto"...:)

Fora de lei (10.24)
Da minha parte há um enorme desencanto.

"Diria mesmo que é contra-natura as coisas poderem permanecer assim eternamente..."

Sei lá...já não digo nada...

Migmaia disse...

Fora de lei:

Há Profissionais, embora penso que em minoria. A minha observação foi no sentido de entender que, essa triagem já devia ter sido feita, assim como os locais onde vão poder “operacionalizar a lei da IVG.” Depois de cumpridos outros requisitos a determinar, como o período de reflexão e respectivos apoios de outros Profissionais, etc. Tudo isto depende da mais da vontade política do que, da coragem que, a título individual, alguns tem manifestado.
Um sem nº de questões que convêm esclarecer o quanto antes…pois, Sem lei não dá! Espero que sejam ouvidos os Profissionais das várias áreas envolvidas, sem receio, como alguém terá dito, de atrasar o processo. Penso que uma Comissão faria mais sentido do que nunca...

andorinha disse...

SIC - Jornal da Noite

"A lei não irá incluir aconselhamento obrigatório para as mulheres"
Alberto Martins

Mais alguém ouviu?
É que eu fiquei sem saber se tinha ouvido bem...
Então o aconselhamento não é essencial, imprescindível, até?
E tanto se falou da Alemanha como um possível exemplo a seguir. Lá há aconselhamento (as tais Beratungsstelle).

E A Martins disse também que a reflexão tem de ser rápida....
E a mulher vai reflectir com quem???????
É que não basta haver um período de reflexão, tem de haver com quem reflectir...
Se estamos a começar assim, estamos mal:(

JFR disse...

Andorinha:

A notícia está reproduzida, via Google, no site da TVI, deste modo:

"Na sessão de abertura das jornadas parlamentares do PS, em Óbidos, Alberto Martins considerou que o resultado do referendo foi também uma vitória da bancada socialista. «Ninguém fará a lei por nós», avisou o líder parlamentar socialista. «A lei será feita na Assembleia da República nos exactos termos desse mandato», acrescentou. Alberto Martins frisou que «não haverá naturalmente aconselhamentos obrigatórios, à revelia do que foi o mandato popular», adiantando que «o período de reflexão naturalmente será curto»."

Infelizmente, este tipo de declarações dá-me razão quanto à minha insistência de que era lamentável o governo e a maioria não definirem, previamente, o normativo legal que sustentaria o SIM. Os objectivos não se pretendiam claros. Nem sequer eram desmentidas opiniões que, vê-se agora, contrastavam com a opinião oficial do partido.

É triste!

andorinha disse...

Jfr,
Tens toda a razão. É triste!

"Ninguém fará a lei por nós."
Então já a podiam ter feito há muito tempo.

Infelizmente, começo a ver que tenho que te dar razão quanto ao facto de defenderes que devia ser definido previamente o enquadramento legal que regulamentaria a vitória do Sim.
Tu, o Aquiles, a Lusco_fusco e outros bem alertaram para isso.
Eu ( e aqui digo, ingenuamente) continuei a acreditar nas boas intenções das pessoas.
Já percebi que com políticos isso é impossível.

É triste e é lamentável!

Fora-de-Lei disse...

andorinha 1:40 AM

"Eu (e aqui digo, ingenuamente) continuei a acreditar nas boas intenções das pessoas."

Não tem nada de ingénuo acreditar nas boas intenções das pessoas. O que é ingénuo é acreditar em quem não se deve. E tu já tens idade para saber como diferenciá-las... ;-)

andorinha disse...

Fora de lei (9.43)

Pronto, pronto...não batas mais no ceguinho (neste caso, na ceguinha) :)))))
Vou abrindo os olhos...

Fábula disse...

li a notícia no Público e fiquei estupefacta... acho que fez bem em não aceitar gravar outro para passar naquele dia e creio que todos estamos curiosos e ansiosos para ouvir o programa gravado. venha ele!

noiseformind disse...

Boss,
É assim que dás apoio à malta do Público no arranque do novo grafismo? Snif, snif, snif...

Tão! Novo grafismo, umas petazitas, é só nesta rush de começar, as notícias mais ou menos sérias seguem dentro de momentos...

fiury disse...

tem toda a razão fora de lei,mas há que admitir que há pessoas que têm o "dom" de enganar, manipular,aterrorizar,baralhar por algum tempo.ele há personalidades....do demo, de arrepiar!
vou-lhe dar um exemplo: o meu gato. quando chegou parecia que via mal, havia no seu olhar algo de estranho, impenetravél, mas vê muito bem ao longe. depois conclui que o seu olhar é mesmo gélido e pouco dado a mimos.mesmo assim é a mim que manipula quando mia para ir lá fora aos seus assuntos secretos. mas vai entrar nos eixos porque "para vilão,vilão e meio". não me dá outras armas, o diabo do felino!

Johny disse...

Professor,

Tendo em conta a sua posição em relação ao assunto da despenalização da IVG, gostaria muito que comentasse esta notícia d'O Público: LINK.

É impressão minha, ou isto vai contra tudo aquilo que o Professor defendeu durante a campanha?

noiseformind disse...

Johnny,
Que haja aconselhamento sim... agora nunca li aqui no tasco mensagem do Dono do mesmo dizendo que esse aconselhamento seria compulsivo ;) Nem na notícia em que aquele eminente padre se fazia aos famosos centros de aconselhamento alemães como forma de manter a Igreja na equação.

noiseformind disse...

Eu sou da linha thorazziniana,
Toda a mulher que consuma mais de 20 euros por semana no McDonalds deveria ter direito a um coupon que pudesse trocar numa clínica de emagrecimento ou num aborto.

Johny disse...

noiseformind:

Para que serve um período de reflexão, se não houver aconselhamento?

Como é que querem que as IVG sejam feitas de forma ponderada e racional se não houver aconselhamento em TODOS os casos? O aconselhamento DEVE fazer parte do processo... A mulher tem de ser obrigatoriamente acompanhada, caso contrário, só estarão a dar razão a todos os que (como eu) sempre disseram que este referendo era para aprovar uma "liberalização" e não uma "despenalização".

Mas suponho que nada disto importa agora... De qualquer forma gostava de ouvir a opinião do Professor.

Johny disse...

Aliás, esta posição do PS já está a ir contra as afirmações do Sócrates quando disse que a lei se iria basear nas melhores práticas europeias.

Senão vejamos:

Na Alemanha a mulher que deseje interromper a sua gravidez até às 12 semanas tem de passar por um conselho regulador do Estado que a aconselhará sobre as alternativas ao aborto, a que se segue um período de ponderação obrigatório de três dias.

Entre os 20 dos 27 países da União Europeia onde é permitida a interrupção da gravidez a pedido da mulher, Bélgica, Finlândia, França, Hungria, Itália, Luxemburgo e Holanda adoptaram requisitos semelhantes aos da Alemanha no que toca ao denominado "aborto a pedido".

Na Bélgica, onde a interrupção é permitida nos primeiros três meses de gestação, nos casos em que a gravidez provoca na mulher um "estado de angústia", é obrigatório tanto o aconselhamento sobre as alternativas à IVG bem como o período de reflexão de seis dias. Na Finlândia, um ou dois médicos têm de atestar as razões de saúde mental ou socioeconómicas para um aborto até às 12 semanas e a mulher tem de se sujeitar ao aconselhamento obrigatório sobre contracepção. Na Hungria , a IVG até às 12 semanas também é sujeita a aconselhamento e à consulta de planeamento familiar.

lobices disse...

...na verdade, é grave o que Alberto Martins disse...

noiseformind disse...

Sei que com retórica moralista deste tipo não adianta debater nada mas cá fica, apanágio da Universidade de Harvard e de mais algumas fontes (para o caso da Hungria), o mapa legislacional actual real nos países referidos ali pelo nosso amigo...

Austria,

Sec. 97 (1) An act is not liable to punishment under Sec. 96:

1. where the abortion is performed by a physician during the first three months from the beginning of the pregnancy after a previous medical consultation; or


FINLANDIA,
Law No. 239 of 24 March 1970 on the interruption of pregnancy, as amended by Law No. 564 of 19 July 1978 and Law No. 572 of 12 July 1985.

1. A pregnancy may be interrupted at the request of the woman and in conformity with the provisions of this Law:

1) if continuation of the pregnancy or delivery of a child would endanger her life or health on account of a disease, physician defect or weakness in the woman;

2) if delivery and care of a child would place a considerable strain on her in view of the living conditions of the woman and her family and other circumstances;

França,
Article L. 162-1. A pregnant woman whose condition places her in a situation of distress may make a request to a physician for the termination of her pregnancy. The termination may be performed only before the end of the tenth week of pregnancy.

Bélgica,
Toutefois, il n’y aura pas d’infraction lorsque la femme enceinte, que son état place en situation de détresse, a demandé à un médecin d’interrompre sa grossesse et que cette interruption est practiquée dans les conditions suivantes:

1° . a) l’interruption doit intervenir avant la fin de la douzième semaine de la conception;

b) elle doit être pratiquée, dans de bonnes conditions médicales, par un médecin, dans un établissement de soins où existe un service d’information qui accueillera la femme enceinte et lui donnera des informations circonstanciées, notamment sur les droits, aides et avantages garantis par la loi et les décrets aux familles, aux mères célibataires ou non, et à leurs enfants, ainsi que sur les possibilités offertes par l’adoption de l’enfant à naître et qui, à la demande soit du médecin soit de la femme, accordera à celle-ci une assistance et des conseils sur les moyens auxquels elle pourra avoir recours pour résoudre les problèmes psychologiques et sociaux posés par sa situation.

2° Le médecin sollicité par une femme en vue d’interrompre sa grossesse doit:

a) informer celle-ci des risques médicaux actuels ou futurs qu’elle encourt à raison de l’interruption de grossesse;

b) rappeler les diverses posibilités d’accueil de l’enfant à naître et faire appel, le cas échéant, au personnel du service visé au 1° , b), du présent article pour accorder l’assistance et donner les conseils qui y sont visés;

c) s’assurer de la détermination de la femme à faire pratiquer une interruption de grossesse.

Itália,
2. The family counselling centres [consultori familiari] established by Law No. 405 of 29 July 1975 shall assist any pregnant woman, subject to the provisions of that Law:

a) by informing her of her rights under State and regional legislation and of the social, health, and welfare services actually available from agencies in her areas;

b) by informing her of appropriate ways to take advantage of the provisions of labour legislation designed to protect the pregnant woman;

c) by taking special action, or suggesting such action to the competent local authority or social welfare agencies in the area, wherever pregnancy or motherhood create problems which cannot be satisfactorily dealt with by normal action under item (a);

d) by helping to overcome the factors which might lead the woman to have her pregnancy terminated.

Hungria,

Interruption of pregnancy is legal and performed upon request up to 12 weeks of pregnancy, if there is a risk to the woman’s life, a risk of having a disabled child and in case of an unwanted pregnancy. Abortion is performed up to 24 weeks of pregnancy if there is an acute risk for the woman’s life or intrauterine death or suspected genetic defect. An abortion costs about US $ 60. The law on legal abortion stipulates that abortion is not a family planning method.

77.000 abortions are officially induced during one year. 15 % of all abortions in Hungary are performed in adolescent girls (14-19 years) (Annex 2). The method of interruption of early pregnancies (less than 12 weeks) are dilatation and aspiration.

Enfim. Num país com tanto palhaços como Portugal a palhaçada nunca acaba ;))))))))) acabou a palhaçada do referendo, começou a palhaçada do pós-referendo ; )))))))))))

fiury disse...

mais do que as "boas" práticas interessarão os resultados. esta mania de ter que copiar os outros só por que foram pioneiros..... há muitos criativos entre os portugueses e ninguém melhor do que nós nos conhece. a nossa realidade é a nossa realidade e os mapas legislacionais dos outros países não nos reservam adiantos civilizacionais.
toca a trabalhar na prevenção e na educação sexual!pode-se começar em casa mas exigir do estado a sua função, claro.

andorinha disse...

Boa noite.

Noise,
Dizer que não há aconselhamento obrigatório é a mesma coisa que dizer que não há aconselhamento, ponto.
E como já perguntei, sendo assim as mulheres vão reflectir com quem???

E isto não é nenhum discurso moralista, sabes bem que essas coisas passam-me completamente ao lado:)

E não é a palhaçada do pós-referendo; este país é que é uma palhaçada e nós somos os palhaços porque andam a gozar connosco:(
Tenho dito:)

CêTê disse...

Andorinha e JFR,

Surpreendeu-vos? A mim não. Confesso contudo que esperava que as declarações com o teor que foram feitas surgissem num primeiro impasse mas afinal foram antes de qualquer proveitosa discussão.
E não reparam no discurso hermético do nosso primeiro a soletrar- "diminuir o ABORTO CLANDESTINO?"
Não politizaram demasiado antes do referendo porque não lhes convinha e nisso ganhamos todos. Mas aquela socialista convertida ao Não (cujo nome não me recordo) arriscou o escalpe! ;) e está "arrumadinha".



Aposto que as próximas eleições vão ter a mais baixa percentagem de abstenões- eu já ando a dar vitaminas à vizinha para ver se não se perde mais um voto- a mulher está mais para lá do que para cá.
Vou-me deliciar com análises sociológicas sobre o comportamento dos eleitores!!!


abraços

CêTê disse...

Só espero que o nosso Clero não se ofereça para prestar esclarecimentos à mulheres em risco!!!

Viva disse...

Boa tarde/noite

Bem primeiro quanto á Antena 1, a prova é que 32 anos após o 25 de Abril a censura existe. É só ter-se uma opinião diferente do chefe, boss etc (como queiram chamar) e lá vem a censura. Opinar sim mas sem interferir com os moralismos dos anos 40.

Quanto a ser obrigatório o aconselhamento, bem eu discordo, pois nem todas as mulheres precisam de ser aconselhadas nessa matéria pois quanto partem para o aborto sabem muito bem o que querem fazer. Infelismente acompanhei demasiadas mulheres (desde a clinicas topo de gama ás coisas mais rascas onde vi coisas que nunca pensei ser possivel existir) e dessas mulheres a maioria tinha tomada a decisão pois na altura era a "melhor" ou única alternativa, por diversas razões. E o aconselhamento em nada ia ajudar pois não resolveria o porque da tomada dessa decisão.

Por isso o aconselhamento terá de existir mas não numa forma obrigatória.

Eu se tiver de tomar a decisão de fazer um aborto desculpem que vos diga não preciso de aconselhamento, pois sei muito bem os prós e contras (sem publicidade) do meu acto. Eu preciso de ter um serviço nacional de saúde á altura e de carinho , muito carinho, nessa altura como nos tempos seguintes.

Outras na realidade precisam de ser aconselhadas, essas então sim têm de ter á sua disposição equipas de aconselhamento, mas que as ajudem e não que lhes leventem mais problemas.

Bem já escrevi demais.

Bjs