sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Por uma questão de lisura.

"A Direcção de Programas da Antena 1 informou ontem os autores de “O amor é…”, Júlio Machado Vaz e Ana Mesquita, sobre a decisão de não transmitir a edição de hoje do referido programa.
As posições aí tomadas pelos autores sobre o Referendo do próximo dia 11, colidem frontalmente com o princípio de neutralidade a que a rádio pública está obrigada e com o imperativo de independência que caracteriza o próprio conceito de serviço público.
O programa retomará as suas emissões habituais, nos mesmos horários, a partir do próximo domingo, dia 11 de Fevereiro."

P.S. Não publiquei a declaração porque não ouvi a emissão da manhã e o não possuía. Seria deselegante da minha parte não a citar. Escusado será repetir que dela discordo em absoluto.

39 comentários:

thorazine disse...

É o "crayon" azul.. :|

alice disse...

e já escreveram ao senhor provedor da antena1? (mal empregado Zé Nuno!)

blogico disse...

já lá está o protesto.

é o que dá voltarem a chamar o salazar à rtp... deixam-no lá à solta e ele volta a fazer das suas...
ou então foi algum seu seguidor, entusiasmado com a estadia do seu mestre entre os 10 grandes portugueses...

a disse...

Acabei de ouvir o seu debate com Freitas Gomes na TSF (que deu dia 5 de fevereiro)... BRUTAL!

lobices disse...

...e não se pode reclamar?
...
...vai mal o meu País que senta no banco dos réus os jornalistas (16) que transmitiram o que de dentro do sistema da justiça veio cá para fora como violadores do segredo de justiça e não os "funcionários" que lidam com o processo e que deram com a língua nos dentes
...se a sua prestação, Profe, fosse depois de acabar a campanha ainda teriam razão; durante a campanha, bolas, é apenas a sua opinião e não vincula a fonte emissora...
...então, e os programas dos Prós e Contras na Rtp Um ? Um serviço de utilidade pública a emitir opiniões dos presentes? Que horror, né?...
...está mal o meu País que (re)começa assim a (tentar) calar a nossa voz
...

fiury disse...

já havia a contra-informação agora há o faz de contra-birras. há imaginação para tudo.

Pamina disse...

Boa tarde.

Também não concordo. Como alguém já disse num dos posts anteriores, por esta ordem de ideias a RTP não deveria ter transmitido os programas do M.R. de Sousa, mas diferentes directores de programa, diferentes critérios e, a propósito do "Caso Ritornello" da Antena 2, o Sr. Provedor já explicou que, em última instância, o director é soberano...

Abraço de solidariedade a si e à Ana Mesquita:). Estaremos mesmo em 2006?

Pamina disse...

e 7.

peciscas disse...

Ontem, ouvi o seu programa na Antena 1 e disse cá para os meus botões: hum!acho que isto vai ter consequências.
E, hoje de manhã, preparando-me para ouvir a continuação da conversa com a Ana Mesquita, sobre a tão importante questão que está na ordem do dia, confirmei a minha previsão.
Ainda vivemos numa terra em que determinados temas são de um delicadeza tão frágil, que basta um ligeiro sopro para que haja logo estilhaços.
E agora, terá de se perguntar:o que se poderá e o que não se poderá abordar num programa como " O Amor é..."?
Quando se fala de amor e de sexualidade, não há neutralidades. Há valores que se defendem há concepeções que se assumem.
Por exemplo, há quem respeite os direitos dos homosexuais e quem os conteste totalmente.
Há quem defenda o planeamento familiar, mas há, ainda, posições muito poderosas e influentes que o combatem.
Estas posições, não são obviamente, neutras.
Será que a direcção da Antena 1, vai passar, a partir deste precedente, a determinar o que é ou não é ofensivo do tal "princípio da neutralidade"?
Neutralidade? Uma ova!Neste caso, nem o silêncio é neutro!
Um abraço aos dois, pela coragem e o meu incentivo para que continuem a ser coerentes!

Fora-de-Lei disse...

Não é verdade que o Rui Pego veio da escola radiofónica da RR post 25/4 ? Então do que é que estava à espera, Professor ?!

dm disse...

Curiosos critérios editoriais estes...
Um abraço solidário de um admirador de sempre e ouvinte fidelíssimo,
Duarte Moral

DarkViolet disse...

Quando ouvi essa declaração hoje de manhã pensei logo no programa do Marcelo Rebelo de Sousa...Enfim...

me disse...

medo!...medo!...medo!...

andorinha disse...

Também ouvi ontem o programa e ao contrário do Peciscas nunca pensei que desse azo a tanto alarido e muito menos que "revoltasse"!!!!!!! tantas boas consciências neste país.
Só posso concluir que continuo a ser ingénua...

Renovo o meu abraço de solidariedade ao Júlio é à Ana:)

Lobices (5.03)
Por que razão se o programa fosse transmitido depois de terminar a campanha, a Antena 1 teria razão?
Como assim????
Não é uma pergunta de retórica, não te entendo mesmo:)
Não existe liberdade de expressão?

lobices disse...

Andorinha:
...se fosse depois de terminar a campanha (ela termina hoje às 24 h. e daqui até à votação, é o chamado período de reflexão; daí que aceitaria mais facilmente essa posição, pois ela até é proibida pela CNE) até ao voto, aceito o silêncio...
...não tenho razão (apenas neste sentido estricto da questão)?

Rui Trindade disse...

Parece que este chorrilho de regulações e regulamentações, ao estilo Entidade Reguladora para a Comunicação Social e Princípios da Neutralidade, tem tido o benéfico efeito de não apoquentar o nosso povo em demasia. Porque, na verdade, demasiada informação faz mal ao cérebro e as pessoas até podem começar a confundir as coisas. Já falta pouco para estarmos, de novo, “orgulhosamente sós”. Vão para casa, agasalhem-se; criem couves nos quintais e votem no Salazar como o melhor português de todos os tempos. Será possível reeditar as “Conversas em Família” com o Senhor Presidente do Conselho? A bem da neutralidade, claro!

andorinha disse...

Lobices,
Tens toda a razão, claro.
Li mais uma vez a "correr" e interpretei como se dissesses "depois do referendo", por isso não entendi.

No chamado período de reflexão, sim, seria de todo inaceitável e seria infringir a lei.
Mais uma vez, tens toda a razão, hombre:)

maria estrela disse...

Mais actual do que nunca a rábula de Ricardo Araújo Pereira dos Gato Fedorento de domingo passado. O pluralismo tende a ser riso forçado...é por isso que Salazar está no top ten?

vmiranda disse...

A democracia é aceitar os argumentos dos outros e não usar de meios que os OUTROS não têm para combater os seus argumentos,
assim sendo discordo completamente da posição do Dr. J. Machado Vaz concordo a 110% com a posição da Antena 1.

Votem pelo sim ou pelo não mas votem!

vmiranda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
vmiranda disse...

se impedissem um programa qq que fizesse o mesmo pelo Não, caia o Carmo e a Trindade, Temos que ser HONESTOS e não como alguns pseudo- democratas, como a arquitecta Helena Roseta, que mesmo que o Não ganhasse entende que o governo deveria liberalizar o Aborto.
Ser Democrata é respeitar a opinião dos outros e aceitar as decisões da maioria.
E acima de tudo respeitar os OUTROS.

José Cavalheiro disse...

Foi com desagrado que soube através do RCP data triste situação de atitude censória que pensava ter acabado com o 25 de Abril de 1974.
Professor continui com a sua coragem de instruir este "País de Socrates" falando de tabús com é ainda hoje a sexulogia.
Fique bem

António Reis disse...

e discordando dela, concorda que estamos perante um caso de censura?

mp disse...

relmente passam o dia em vários programas a falar a favor r contra a despenalização do aborto só o amoré é que não pode' naõ dá para entender , tenho ouvido verdadeiras deturpações ao bom gosto há moral aos bons costumes ,tudo vale , e quando uma pessoa faz uma abordagem séria ao assunto é censurada , o meu bem haja pelos programas que tem feito e que a sua língua não se trave para que possamos ouvir ao longo de mais 30 anos a dizer o que pensa dos factos da vida , há muita gente que não costuma ouvir o programa que certamente vai passar a ouvi-lo depois deste lírico episódio, bom fim de semana

João disse...

Bom, já vi que não irei acrescentar muito à boa prosa que por aqui impera, pelo que irei apenas dizer que não posso deixar de concordar com 90% das muitas linhas que já foram aqui colocadas, porque estamos de facto a falar de censura, pura e dura.
O grande mal da Democracia é este mesmo: a maioria acaba por ter sempre razão... ainda que manifestamente não a tenha!
Ou seja, quaisquer opiniões contra a corrente tendem a ser neutralizadas e silenciadas.
Não estivéssemos ainda em fase de campanha - faltam 2 horas e pouco -e seria de pensar que assistiria razão à Direcção da Rádio... Sempre quero ver as cenas dos próximos capítulos desta novela. Amanhã, dia de reflexão, e Domingo, dia de votação!
Quantas paróquias por esse país fora serão encerradas pela CNE por violar a Lei e fazer campanha indevidamente?

P. S.:
Fiquei curioso quanto à referência que Pamina faz ao "Caso Ritornello"... Do que se trata, alguém me poderá esclarecer?

Saudações para todos e especialmente para este autor recém-silenciado que sempre admirei ;)

Pamina disse...

Boa noite.

João (9.58),
Ritornello é um programa diário da Antena 2. Em linhas muito gerais, o director pretendia agora reduzir a sua duração e que este programa deixasse de ter entrevistas. Começaram então a circular mails de protesto e o caso chegou ao Provedor (José Nuno Martins). Este no seu programa disse que, antes de tomar uma decisão, o director deveria ter em conta a opinião dos ouvintes, dado que é um programa de autor que já existe há muito tempo, etc., etc., mas que o director é o responsável e como tal tem o direito de escolher o que passa na estação. É mais ou menos isto.

thorazine disse...

"Saudações para todos e especialmente para este autor recém-silenciado que sempre admirei ;)"

Pelo que sei..não é "recém"! Acho que já o foi, pelo menos mais uma vez, pela RTP.. :((

Todo o tipo de censura é completamente condenável. Neste caso é supor que os ouvintes não conseguem pensar por eles próprios..

JFR disse...

Provavelmente, será pouco o valor acrescentado deste meu comentário, a tudo quanto já foi dito. Mas assim o exige a solidariedade estimado Prof.

Considero inaceitável a supressão da emissão de hoje do “Amor é...”. O argumento invocado não faz sentido num programa de autores, onde, para além de tudo o mais, são estes que dão voz ao programa. Aliás, tenho a mesma posição quanto aos comentários do Prof. Marcelo (favorável ao NÃO) na RTP; aos do Dr. Carlos Magno e do Prof. Carlos Amaral Dias (favoráveis ao SIM), no programa Alma Nostra da RDP e, para falar apenas do órgão público, dos Gato Fedorento da RTP (um programa de humor que não tem, enquanto tal, “filiação” em SIM ou NÃO.

No entanto, não estranho o facto. É grande a pequenez de muitos dos que governam a “coisa” pública ou parapública. E esses, sempre que podem, ou gostam de mostrar o “seu poder”, ou são incapazes de resistirem às pressões de “outros poderes”, ou, ainda, não resistem a uma boa benesse. Infelizmente, ainda não vi governo português que não se aproveite deste tipo de ser. E, se analisarmos o que está a ser preparado na AR, pelo PS (não sei se apoiado por qualquer outro partido), quanto às novas normas que regularão a comunicação social, nomeadamente a TV pública e privada, é caso para se concluir que acontecimentos destes poderão banalizar-se no futuro. Assim queira o poder.

Depois de ter ouvido a emissão de ontem - onde se falou da situação hoje existente, avultando a condenação do aborto clandestino e a não aceitação de processo crime relativo à mulher que aborta - conclui, uma vez mais, da forma séria, honrada, civilizada, profissional, como o Prof. apresenta os seus pontos de vista. A ponto de ter ficado a pensar que muitos portugueses subscreveriam o que então foi dito. Do SIM e do NÃO. Excepto os dos grupos fanáticos.

Fiquei muito entusiasmado com o tema que era anunciado para hoje: qual a regulamentação legal pós referendo caso o SIM ganhasse. Também este, seguramente, um tema que interessaria muito, a muitos portugueses. Do SIM e do NÃO. Excepto os dos grupos fanáticos.

Por isso, mais triste fiquei com a inconcebível decisão tomada. Quem perdeu foram os portugueses que não votam por seguidismo. Os que querem ser elucidados.

Três notas finais:

1 - É público o meu sentido de voto - em branco - por motivos que já expus aqui e no meu blog. Por isso estou à vontade quanto ao que escrevi: não tenho a mesma posição do Prof. JMV; nem sou figura que aumente, com o meu comentário, a projecção do Prof.

2 - O tema de hoje não era muito interessante, também, para a actual maioria. Basta pensar que não há uma única palavra sobre o tema da regulamentação pós referendo até hoje.

3 - Não me admiraria que a posição do Prof. e da Dra. Ana Mesquita (a quem é extensivo tudo quanto disse antes) fosse a de rescisão contratual. Seria uma pena para muitos portugueses, mas compreensível.

Um abraço solidário

andorinha disse...

João (9.58)
"Quantas paróquias por esse país fora serão encerradas pela CNE por violar a lei e fazer campanha indevidamente?"

Boa pergunta, mas para esses há excepção; até no domingo podem continuar com a propaganda:(

Thora (10.56)
Apoiado!

João disse...

Thorazine, o "recém-" aplica-se apenas à situação corrente... :)
Ainda imaginei uma expressão como "multi-silenciado", mas para além de ser incomum, convenhamos que assusta um pouco. Especialmente quem, como eu, teve a sorte de nunca ter de conviver com este tipo de atitudes persecutórias ou censórias...
Mas enfim, nada é de admirar.
Este tipo de interferências de um certo "poder" nas opiniões livres não passam dos resquícios ditatoriais pós-11 de Setembro, um "poder" que se limita a imitar a parte do mundo que ainda permanece esquizofrénica e com vontade de amordaçar a outra parte por pensar diferente...
Como já aqui foi dito, será que estamos mesmo em 2007?
Um obrigado à Pamina pelo esclarecimento. Notou-se que não sou ouvinte assíduo de certas Antenas... ;)

isabel victor disse...

Ai Portugal, Portugal ...

Então, pois SIM !

Su disse...

a bem da nação................
ops os tempos afinal não mudaram...........


jocas maradas com gritos

Pedro disse...

Caro Professor, imagino que o tempo de antena do prof. Marcelo na tv pública, em horário nobre, a explicar o seu não muito especial e totalmente diferente,se paute por normas completamente diferentes. É o que temos. Por enquanto. 1 abraço

W disse...

O mais interessante é que, sendo jornalista (mas não diária), mandei dezenas de emails com a situação a colegas e editores de variadissimos orgaos de comunicação diários e até de onlines, que simplesmente ignoraram ou encolheram os ombros - atitude que me envergonha profundamente. (A unica resposta que obtive foi do bloco de esquerda, que entretanto tomou posição.) Ao menos no tempo do antonio ferro havia resistencia.

Alturense disse...

Estando de acordo com a posição maioritária dos comentadores que me antecederam, não tenho muito mais a acrescentar, a não ser:

1-Vai o Prof. Machado Vaz continuar com o programa na Antena 1, ou manda-os ir dar uma volta como merecem?

2-E que tal se se mudasse para o RCP, cujas manhãs deixam a cinzenta Antena 1 a milhas e que por certo o receberia de braços abertos (e os seus ouvintes também).

Rui Trindade disse...

Não vale a pena ir mais longe! O princípio da neutralidade é perfeitamente justificável. Notem que o programa era "... sobre a regulamentação legal adequada, caso o Sim ganhasse". Pois havia que "neutralizar" essa discussão que, pelos vistos, não interessa a todos aqueles que mandam nas redacções. Não é a apologia do SIM que incomoda, pois o programa anterior fazia essa mesma apologia e, assim parece, foi “neutral”. Não, não é isso... é bem mais grave que isso: é colocar a liberdade de expressão dentro de balizas concretas e definidas. Manifesto, assim, a minha total solidariedade para com os autores do programas e a minha completa e total indignação pela utilização dos meios pagos pelos contribuintes para manipular ou anular toda e qualquer discussão que não interesse ao poder politico. Cabe-nos questionar, seriamente, o caminho que o Pais está a percorrer.

Rui Trindade disse...

Não vale a pena ir mais longe! O princípio da neutralidade é perfeitamente justificável. Notem que o programa era "... sobre a regulamentação legal adequada, caso o Sim ganhasse". Pois havia que "neutralizar" essa discussão que, pelos vistos, não interessa a todos aqueles que mandam nas redacções. Não é a apologia do SIM que incomoda, pois o programa anterior fazia essa mesma apologia e, assim parece, foi “neutral”. Não, não é isso... é bem mais grave que isso: é colocar a liberdade de expressão dentro de balizas concretas e definidas. Manifesto, assim, a minha total solidariedade para com os autores do programas e a minha completa e total indignação pela utilização dos meios pagos pelos contribuintes para manipular ou anular toda e qualquer discussão que não interesse ao poder politico. Cabe-nos questionar, seriamente, o caminho que o Pais está a percorrer.

aife disse...

http://www.laicidade.org/2007/02/11/rtprdp-tomou-partido-no-referendo/

Pedro Morgado disse...

É uma vergonha.
Escrevi ao provedor da RDP sobre este assunto.

Como é possível o Professor Marcelo Rebelo de Sousa dizer o que lhe apetece e o programa "O Amor é..." ser censurado???

É uma censura incaceitável. Esperemos que o resultado de amanhã demonstre que num tudo compensa para ganhar.