domingo, março 18, 2007

Com a autorização de quem enviou e não é murcónico praticante:).

Sou apologista da ideia da livre escolha e discordo veemente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida que diz expressamente:
que não há nenhum argumento ético, social, moral, jurídico ou da deontologia das profissões de saúde que justifique em tese vir a tornar possível por lei a morte intencional de doente (mesmo que não declarado ou assumido como tal) por qualquer pessoa designadamente por decisão médica, ainda que a título de "a pedido" e/ou de "compaixão";
que, por isso, não há nenhum argumento que justifique, pelo respeito devido à pessoa humana e à vida, os actos de eutanásia;
que é ética a interrupção de tratamentos desproporcionados e ineficazes, mais ainda quando causam incómodo e sofrimento ao doente, pelo que essa interrupção, ainda que vá encurtar o tempo de vida, não pode ser considerada eutanásia;
que é ética a aplicação de medicamentos destinados a aliviar a dor do paciente, ainda que possa ter, como efeito secundário, redução de tempo previsível de vida, atitude essa que não pode também ser considerada eutanásia;
que a aceitação da eutanásia pela sociedade civil, e pela lei, levaria à quebra da confiança que o doente tem no médico e nas equipas de saúde e poderia levar a uma liberalização incontrolável de "licença para matar" e à barbárie;
É absurdo e um elogia à falta de bom-senso que o doente em fase terminal seja obrigado a viver contra a sua vontade expressa de modo livre e consciente. O problema embate no art. 24º n.1 da Constituição da Republica Portuguesa (C.R.P.) quando afirma: A vida humana é inviolável. Todavia o art. 1º da C.R.P. refere que Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária. O que significa que o valor da dignidade e da solidariedade, na minha perspectiva, colide com o Valor de Ordem Publica expresso no art. 24º n.1.

Já Platão na "República e Tomas More na "Utopia", parecem concordar com a mesma; alias a palavra "EUTANÁSIA" é composta de duas palavras gregas ― eu e thanatos ― e significa, literalmente, "uma boa morte".

45 comentários:

lobices disse...

...concordo plenamente
...eu e thanatos = a uma boa morte
...
...a morte com dignidade
...
...talvez o que eu escrevi no post anterior o "golpe de misericórdia"

thorazine disse...

Como disse o Dr. House num dos primeiros episódios: Ninguém morre com dignidade. A morte nunca será digna. Mas as vida sim..

Apesar de parecer que entre em confronto com o texto, não entra.. :)

PS- Sempre pensei que eutanasia signii«ficasse "uma morte normal" já que o prefixo "eu" significa mesmo "normal"! Mas estamos sempre a aprender..

thorazine disse...

"que a aceitação da eutanásia pela sociedade civil, e pela lei, levaria à quebra da confiança que o doente tem no médico e nas equipas de saúde e poderia levar a uma liberalização incontrolável de "licença para matar" e à barbárie"

Uma questão difícil. Penso que num sistema bem estruturado é possível cirar estruturas para não haver espaço para tais situações.

Sei que na Holanda um médico já foi condenado por persuadir toxicodependente e idosos há eutanásia. Falha do sistema, penso, não da eutanásia em sim! :|

José Manuel disse...

Caro Dr.J.M.V.

Antes de mais gostaria de voltar ao problema do anonimato, que parece que ainda não foi totalmente esclarecido.
Não conheço o caro Dr. De lado nenhum, nem qualquer dos habituais comentadores que por aqui escrevem, e não acho que seja relevante para a discussão das ideias, pois só do contraditório poderá sair luz.

Parabéns, caro Dr por este post. E como dizia a Dnª. Filomena ter muitas certezas na vida é mau sinal.
O problema não é só jurídico, é muito mais, por isso deixo outros comentários e estudos, para poderem analisar convenientemente.

Há em muitas cabeças uma noção da vida que é chocantemente pobre, desagradavelmente rasteira, tristemente vazia. Consiste em olhar para a vida de uma forma utilitária, com base numa concepção egoísta e em critérios apenas económicos: se uma vida não é útil - se não é produtiva, se não proporciona todo o prazer - então não tem razão de ser.

«Se uma pessoa sadia apresenta tendências suicidas, recebe ajuda, e, inclusivamente, concedem-lhe um tratamento psiquiátrico até que passe a crise. O objectivo é procurar que essa pessoa recupere sua auto-estima para poder viver com dignidade. Mas quando se trata de um doente incurável ou um deficiente, a discussão automaticamente gira em torno de expressões como "morte digna", "liberdade de escolher a própria morte" ou "acto final de autonomia e autodeterminação".
«Qual a razão desta diferença?»

(...) Felizmente para mim, no ambiente hospitalar e familiar em que vivo considera-se que é preciso fazer por um doente tudo aquilo que for razoável para o manter com vida. Possivelmente, a grande carência que possuem aqueles que perdem o entusiasmo de viver é a de companhia, a de solidariedade em momentos de angústia e medo, de falta de sentido de uma existência - a própria - que, erradamente, julgam ser inútil sem ninguém que lhes faça ver o incalculável valor e a transcendência de ser pessoa.
Uma ampla pesquisa de 1987 mostrou que 68 por cento de todos os cidadãos holandeses idosos têm medo de serem mortos sem o seu consentimento ou mesmo sem o seu conhecimento. O número de asilos na Holanda diminuiu mais de 80 por cento nos últimos 20 anos...
Pesquisadores médicos têm realizado numerosos estudos para determinar quantas pessoas no denominado «coma irreversível», de facto, voltaram desse estado.
Um estudo de 84 pessoas a quem os médicos consideraram estar em «estado vegetativo persistente» mostrou que 41% recuperaram a consciência dentro de seis meses, e 58% recuperaram a consciência dentro de três anos. Um segundo estudo de 26 crianças em coma que durava mais de doze anos, constatou que três quartos eventualmente, recuperaram a consciência. Um outro estudo constatou que um terço dos 370 pacientes em «EVP» por até um ano teve recuperação suficiente para voltar a trabalhar.
Cumprimentos

andorinha disse...

Boa noite.

Plenamente de acordo.
Extrapolando um pouco, não será uma boa morte o que todos pretendemos?

É fundamental haver dignidade na vida e na morte.
Por isso não concordo com o Dr. House, trazido aqui pelo Thora:)
"Ninguém morre com dignidade. A morte nunca será digna."
A morte faz parte da vida. Nunca me esqueci das palavras de João Amaral que sabendo que tinha um cancro e portanto a vida a prazo, disse com toda a tranquilidade: "A morte é apenas mais um dia na nossa vida."
Por que não poderá/deverá esse último dia ser digno?

Thora,
O teu último post é pertinente.
Há que evitar excessos e atrocidades, cometidos, eventualmente, a coberto da lei.

thorazine disse...

José Manuel,
«Se uma pessoa sadia apresenta tendências suicidas, recebe ajuda, e, inclusivamente, concedem-lhe um tratamento psiquiátrico até que passe a crise. O objectivo é procurar que essa pessoa recupere sua auto-estima para poder viver com dignidade. Mas quando se trata de um doente incurável ou um deficiente, a discussão automaticamente gira em torno de expressões como "morte digna", "liberdade de escolher a própria morte" ou "acto final de autonomia e autodeterminação".

Só por um ponto de vista muito redutor é que se pode considerar alguém que consciênte da sua pelna consciência decide morrer como um insano. Estar vivo não é imperativo, mas sim ter uma "boa vida"!

Andorinha,
esse último dia pertenece ainda à vida, ou seja, à parte digna da coisa. Morrer, em si, é que não é digno! Apesar de necessário é tenebroso! E por isso ter dignidade até ao último momento de vida é preciso. E se para isso for preciso morrer antecipadamente, então que assim o seja! :|

andorinha disse...

Thora,
Estamos a dizer precisamente o mesmo, embora por palavras diferentes.
Não sabes interpretar?!:)))))
(just kidding, kid) :)

José Manuel disse...

Cara Thorazine
Estou plenamente convencido que é contra a pena de morte, partilhamos o mesmo sentimento. Contudo, concordará comigo que um dos principais fundamentos para a oposição da pena de morte, será que os juizes poderão cometem erros, que podem causar sentenças injustas, que por sua vez levam à morte injusta.
Então porque será que os médicos(qualquer que seja), não poderão errar, diagnosticando mal. Sou defensor do Conselho Nacional de Ética, que me parece ponderado, e com bom senso.
Entretanto deixo outro testemunho, que reforça a minha posição.
«Num caso dramático, os médicos atestaram a «morte cerebral comatosa» de um avô de 79 anos de idade, Harold Cybulski, de Barry's Bay, Ontário. Estavam prontos para desligar os sistemas que o mantinham vivo enquanto a família dava seu último «adeus». Mas, quando o seu neto de dois anos de idade correu para dentro do quarto e gritou «Avô!», Cybulski acordou, sentou-se e pegou o netinho no colo!
Seis meses depois, levava uma vida completamente normal, inclusive conduzindo o novo carro que planeara comprar antes de ter entrado em coma.
Os médicos de Cybulski não conseguiram dar «nenhuma explicação» para a sua recuperação instantânea.»
Cumprimentos

JFR disse...

Ao ler o post, fico com a ideia de que, quem escreveu o texto, tem uma perspectiva demasiado simples de um assunto deveras complexo. Ou seja, assume a sua veemente discordância quanto ao que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida define sobre este assunto mas, não põe em causa aqueles argumentos. Limita-se - que me perdoe o termo, mas resulta da utilização do veemente - dizer ser apologista da livre escolha e de que, na sua opinião, há colisão entre preceitos constitucionais.

Quanto à livre escolha, terá de ter - numa sociedade de direito - os limites que a própria lei determine. E esta, deverá ter em conta a vontade soberana do povo e a defesa das suas minorias. E a livre escolha de uns - no caso concreto da eutanásia - pode colocar dificuldades à livre escolha de outros. Logo, exige regulamentação jurídica. Enquadrada pela Constituição.

Quanto à colisão entre preceitos constitucionais creio existir um erro de perspectiva. Os princípios fundamentais são de carácter genérico. São as ideias gerais. E aí se enquadra “a sociedade livre, justa e solidária” constante do artº 1º da Constituição. Os direitos liberdades e garantias definem a forma como a Constituição regula uma parte desses princípios fundamentais e onde se define o direito à vida. Assim, o particular descreve o modo como se terão de respeitar os princípios fundamentais. Nem de outro modo poderia ser. Pegue-se no seguinte exemplo: Se não existisse o primado do art.º 24 (Direito à vida), sobre o artigo 1º , poderia existir amanhã um Governo que considerasse que a sociedade seria justa se um criminoso fosse condenado à morte. Mas, como existe o primado do artº 24º e lá se consagra que “em algum caso haverá pena de morte”, estaremos defendidos de um retrocesso social grave.

Neste assunto, não podemos ficar pela sensibilidade. Ela é necessária, mas de uma enorme insuficiência. Uma vez mais, uma discussão séria tem de deixar os lugares comuns. Tem de usar as experiências pessoais como base para um tipo de caso - esse. Tem de trazer um número tão elevado quanto possível de casos e de hipóteses que permita ver a multiplicidade de problemas que a eutanásia motiva. Para que a eutanásia, ela própria, não seja o maior problema.

Fora-de-Lei disse...

Porque será que aqueles que tanto se preocupam com o aborto e/ou com a morte das pessoas nada se preocupam com as pessoas enquanto elas estão vivas ? Exemplificando: já alguém viu a Igreja Católica verdadeiramente preocupada com a actual taxa de desemprego ?

Para a Igreja Católica de Portugal, os camelos (dos desempregados) podem passar à vontade pelo buraco da agulha...

thorazine disse...

andorinha,
mais uma confirmação que a linguagem é uma cabala! :)))

josé manuel,
primeiro quero só deixar a nota que sou do género masculino. Sei que o prefixo "thora" tende para "outro lado", mas na verdade o meu discurso é andrógino (ou assim o espero!). ;))

Penso que não será erro dos médicos. É erro de Deus que não fez os homens perfeitos. A medicina foi feita pelos homens e, por isso, também ela não é perfeita. Cada um dá o que tem..

O caso que refere está distante dos casos que se falava de insentivo à falta de confiança na classe médica ou utilização da eutanásia como uma forma de higiene social. Esse caso que apresenta, como outros que acontecem todos os dias, fazem parte da percentagem que está fora do controlo humano.

No fim do ano passado aconteceu um caso idêntico; numa mulher após um acidente foi declarada morta. Não registava qualquer vestígio de actividade cerebral. Mas, devido à insistência de sua mãe, as máquinas não foram desligas. A mãe esperou, esperou esperou.. e após 10 anos, se a memória não me trai, ela acorda. Vivaça!


Neste caso, na minha prespectiva, não existiu erro médico. O médico fez o que pode, dentro do que sabia. Não é normal o ser humano conseguir retomar a actividade cerebral. E não é exigido aos médicos terem fé..

Nem um médico nem outra pessoa tem a obrigação de prever as capacidades extraordinárias que certos seres humanos têm, ou que as condições externas lhes concedem.

A morte é definida, tanto por um médico como por um juiz, no cessar da morte cerebral (felizmente as 3 marteladas papistas sairam de uso:). Até então, é o método mais eficaz de determinar o momento da morte.

Se nos guiar-mos pela fé ou pela esperança, é preciso cirar mais hospitais do que casas para viver, já que hoje em dia é possível manter o corpo vivo por tempo indeterminado, mesmo que o cérebro/consciência já tenha socumbido.

Julio Machado Vaz disse...

Thora,
Sou um fanático do House, mas também não concordo com a frase. Prefiro a visão antiga da morte, que Ariès tão bem descreve - a parte final da vida, sem soluções de continuidade, acto público de despedida. Ao contrário desta morte sentida como uma derrota pela medicina e quantas vezes selada por um repsoteiro que se corre. Compreendo perfeitamente que haja mortes consideradas indignas das vidas que se viveram e vidas consideradas indignas de serem chamadas vidas. Querer partir não pode ser sempre considerado um acto de cobardia, pouca fé, desespero, depressão, etc..., basta lembrar os Antigos e a recusa de viver sem honra. Sem ser um tipo optimista, amo a vida apaixonadamente, mas não a qualquer preço, não se ela for uma caricatura... da vida:).

José Manuel disse...

Caro Thorazine

Desde já as minhas desculpas, pelo erro cometido, mas como pode verificar(“O andrógino é aquele(a) que tem características físicas e, em aditivo, as comportamentais de ambos os sexos. Assim sendo, torna-se difícil definir a que gênero pertence uma pessoa andrógina apenas por sua aparência.”), talvez não tenha sido o único a cometer.

Não leu com atenção o post, pois não é isso que defende o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, não é o prolongamento indefinido da vida(que é ética a interrupção de tratamentos desproporcionados e ineficazes, mais ainda quando causam incómodo e sofrimento ao doente, pelo que essa interrupção, ainda que vá encurtar o tempo de vida, não pode ser considerada eutanásia;
que é ética a aplicação de medicamentos destinados a aliviar a dor do paciente, ainda que possa ter, como efeito secundário, redução de tempo previsível de vida, atitude essa que não pode também ser considerada eutanásia;)
Portanto, não vão ser necessários mais hospitais do que casas.
Cumprimentos

andorinha disse...

Se nos vamos basear apenas em "testemunhos", vai verificar-se o mesmo que se passou aquando da discussão sobre a IVG.
Há-os para todos os gostos e feitios:), depende apenas do ponto de vista que se adopte e que se queira defender.

JFR (9.21)
Não sei se quem escreveu o texto tem uma perspectiva demasiado simples de um assunto complexo.
Somos sempre peritos a julgar as perspectivas dos outros.
Já disse em cima que concordo com o post; referi que é necessário muito cuidado para que tudo seja bem enquadrado legalmente e não se cometam simples assassinatos.
Diz também a Comissão de Ética que: "...não há argumento que justifique, pelo respeito devido à pessoa humana e à vida, os actos de eutanásia".

Eu digo precisamente o contrário: a eutanásia para mim faz todo o sentido, precisamente pelo respeito à pessoa humana e a uma vida com dignidade.
Como já aqui várias vezes foi referido, "estar vivo" nem sempre significa "ter uma vida".
Sou totalmente pela liberdade de decisão da pessoa.
Respeito de igual forma quem numa fase terminal ou numa outra situação grave/sem retorno prefira aceitar e levar esse sofrimento até ao fim. Aí a eutanásia está fora de questão, a escolha é da pessoa.

"E a livre escolha de uns - no caso concreto da eutanásia - pode colocar dificuldades à livre escolha de outros. Logo, exige regulamentação jurídica. Enquadrada pela Constituição."
Aqui totalmente de acordo. A regulamentação jurídica é indispensável.

P.S. Deixo-te aqui um reparo, se me é permitido.
Já ontem "chamaste a atenção " ao Lobices a propósito de um comentário que ele fez, dizendo que tal afirmação era perigosa.
Hoje dizes que quem escreveu este texto tem uma visão simplista e não fundamentada.
Não será melhor um pouco mais de humildade, que tinhas quando começaste a comentar aqui?
Para o bem ou para o mal, não consigo deixar de dizer o que penso.:)

andorinha disse...

Fora de lei(9.30)

Uma discussão não invalida a outra.

Thora,
"Se nos guiar-mos pela fé ou pela esperança, é preciso cirar mais hospitais do que casas para viver, já que hoje em dia é possível manter o corpo vivo por tempo indeterminado, mesmo que o cérebro/consciência já tenha socumbido."

:)))))))))) Loooooool
"guiarmos" e "sucumbido", pá!:)

Júlio(9.58)
Em sintonia total:)

José Manuel disse...

Caro Dr J.M.V.

O problema não está«(Sem ser um tipo optimista, amo a vida apaixonadamente, mas não a qualquer preço, não se ela for uma caricatura... da vida:)».

A vida é vida ponto. Nunca a qualquer preço.

Quem já teve filhos sabe perfeitamente que muitas das vezes, em bébé eles não funcionam por si próprio: não fala, não entende nada do que lhe dizem, sofre terríveis depressões, acessos incontroláveis de choro, que às vezes duram minutos ou até horas, com grandes espasmos de dor. Incontinente do aparelho urinário e dos intestinos, precisa que lhe mudem continuamente a roupa. A sua digestão é problemática e é rara a vez que não termina em vómitos.

Mas nós Pais, damo-lhes amor, carinho, toda a atenção sem grandes estigmas.

Agora pense que em vez dum bébé, seria qualquer pessoa, nas mesmas condições, atrás descritas.

Vamos decretar a eutanásia "por decreto", onde a vontade do doente é ultrapassada pelo seu representante legal ou por um juiz que assume um poder decisivo sobre a vida e a morte. Naturalmente, uma vez destruída a verdadeira noção de Direito, pode-se afirmar que dar de comer e beber a um doente é "manter artificialmente" a sua vida (o que legitimaria matar tetraplégicos, doentes de alzheimer, ou crianças recém-nascidas com malformações), ou aceitar como prova irrefutável a palavra de um familiar que se assume (sem qualquer documento ou testemunha que o acreditem) pretenso depositário da vontade da vítima.

Cumprimentos

thorazine disse...

Professor,
eu concordo com o House porque não acho que morrer seja digno, seja em que situação for. Não acredito que mesmo uma pessoa com uma capacidade enorme de racionalização consigua aceitar na plenitude a morte, quer a sua quer a dos seus. Pode lidar melhor ou pior com isso..mas compactuar com ela não.
Morrer é tenebroso. Perder alguém ainda mais. Não posso considerar algo assim como digno.

Mas com isso não quero dizer que a excluo de uma hipótese válida numa situação em que a vida é menos digna que a própria morte.


Andorinha,
só por estas merecia 20 réguadas...em cada mão! ;)))

José Manuel,
se eu não errasse é que estranhava! :))

JFR disse...

Andorinha (10:22)

As opiniões que aqui deixo não traduzem nem arrogância, nem humildade. Apenas indicam o que penso sobre o conteúdo dos post's e dos comentários. E não tens - nem julgo que queiras ter - o poder de decidir como devo comentar. Também não julgo que tenhas - ou queiras ter- o poder de representação de qualquer dos nossos colegas murcónicos. Respeito o Lobices - pelas razões que deixei escritas num comentário ao post anterior - a ponto de estar à vontade para lhe dizer o que penso sobre um seu comentário e aceitar a reciprocidade da sua crítica.

O que deixei escrito sobre este post é uma opinião. Que procurei justificar com argumentos. De forma directa e simples. Sem deixar de respeitar quem o escreveu.

Corrijo, também, a tua seguinte frase "Hoje dizes que quem escreveu este texto tem uma visão simplista e não fundamentada."

Não disse isso. Mas sim isto: "Ao ler o post, fico com a ideia de que, quem escreveu o texto, tem uma perspectiva demasiado simples de um assunto deveras complexo. Ou seja, assume a sua veemente discordância quanto ao que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida define sobre este assunto mas, não põe em causa aqueles argumentos."

Há uma diferença grande. No que escrevi, incluí a possibilidade de um erro de interpretação minha. No que escreves aplicas-me um juízo definitivo.

Não te precipites a julgar-me. A tertúlia é mais interessante quando esgrimimos argumentos e nos sujeitamos ao julgamento do seu conteúdo. Não das pessoas que os sustentam.

Fora-de-Lei disse...

andorinha 10:32 PM

"Uma discussão não invalida a outra."

Mas isso é para quem é sempre da sua opinião... ;-)

andorinha disse...

JFR (11.38)
As opiniões que aqui deixas não traduzem nem humildade nem arrogância, não pus isso em causa.
A forma como as apresentas ou como interpelas outros murcónicos é que já me parece traduzirem uma certa arrogância.
Se é a palavra que causa engulhos, não me ocorre outra.
Estou a falar contigo de uma forma cordial e porque te respeito, senão ignorava pura e simplesmente o teu último comentário.

Dar a minha opinião é querer decidir por ti como deves comentar????
Eu, ter o poder de representar qualquer um dos nossos colegas murcónicos??????
A deturpar as coisas não se pode conversar:(

Não te estou a julgar, mas toda a gente é passível de crítica. Se esta for construtiva, não vejo qual é o mal, pelo contrário.

"Respeito o Lobices - pelas razões que deixei escritas num comentário ao post anterior - a ponto de estar à vontade para lhe dizer o que penso sobre um seu comentário e aceitar a reciprocidade da sua crítica."

Não se aplica aqui o mesmo princípio?:)

Julio Machado Vaz disse...

Meu caro José Manuel,
Não fui claro. Estou a falar da vontade expressa por alguém na plena posse das suas capacidades mentais e não de uma decisão vinda de outros.
Thora,
Não estou a glorificar a morte, a minha costela hipocondríaca até se arrepia perante tal hipótese:). Mas você diz tudo - às vezes a vida é menos digna do que a sua ausência, por já não termos uma vida. Estamos simplesmente "vivos"...

JFR disse...

Andorinha:

Claro. Claro que se aplica. Por isso não fiquei calado. Como poderás verificar o meu contra-comentário, dirige-se ao teu P.S.. Aí, não argumentas quanto ao conteúdo mas, sim, quanto à forma. Até sugeres, que "um outro caminho" - um caminho inicial que, porventura registáste - seria mais adequado. E, dás-me "um puxão de orelhas" despropositado em representação do Lobices. Que não sei se o aprova.

E, quando dizes "A deturpar as coisas não se pode conversar:("
não estás a ser correcta. Como uma nova leitura te demonstrará eu disse: " E não tens - nem julgo que queiras ter - o poder de decidir como devo comentar. Também não julgo que tenhas - ou queiras ter- o poder de representação de qualquer dos nossos colegas murcónicos.

Dizes o que pensas. Óptimo. Eu também. É a falar que a gente se entende.

andorinha disse...

JFR,
"E, dás-me "um puxão de orelhas" despropositado em representação do Lobices. Que não sei se o aprova."

Em representação do Lobices????!!!
Isto não é deturpar?
O Lobices por acaso precisa que o "representem"?
Não o "metas ao barulho":)
Apenas o mencionei porque foi a ele que tu dirigiste esse comentário. Tê-lo-ia feito em relação a qualquer outra pessoa.

"Dizes o que pensas. Óptimo. Eu também. É a falar que a gente se entende."

E assim se encerra esta mini-polémica com chave de ouro.
Assino por baixo.

Até amanhã, malta.

JFR disse...

Andorinha

A representação deveria ter aspas. Que me desculpe o Lobices.

Até amanhã.

José Manuel disse...

Caro Dr J.M.V.

Mas quando é que um doente em estado terminal, está na plenitude das suas capacidades mentais?

Está em sofrimento, com muitos problemas, e os maiores são de origem psicológica, cuide-se isso, como preconiza o Conselho de Ética para as Ciências da Vida.

Direito a uma morte digna? Não é uma contradição? Como pode ser digna a morte se não o é primeiro e principalmente a vida? Por outro lado, quem é que determina os graus de dignidade na vida? Há alguma escala, algum termómetro ou balança que pese e controle os gramas de qualidade?

O fundamento ético reside na pessoa. A vida física não esgota em si mesma todo o valor da pessoa, mas constitui o valor "fundamental". Precisamente porque sobre a vida física se apoiam e se desenvolvem os demais valores da pessoa. Portanto, a inviolabilidade do direito à vida do ser humano, desde a sua concepção até à sua morte, é um sinal e uma exigência da própria inviolabilidade da pessoa. E a própria vida situa-se por cima da decisão arbitrária da vontade própria ou alheia.

Cumprimentos

thorazine disse...

Professor,
percebo o que queria dizer com visão da morte sentida como uma derrota pela medicina. Há uma propensa para este tipo de prespectiva pois a função desta ciência é mesmo prolongar a vida do ser humano ao máximo.

É um conflicto de sentimentos. Por um lado acreditamos na medicina porque, em alguns casos, é a única forma de nos irmos mantendo vivos mas ao mesmo tempo também temos de enraizar bem a ideia da inevitabilidade da morte, ou como diriam os filosofos dionísicos, a tenobrosidade da vida humana (o adjectivo tinha de vir de algum lado!).

Resumindo, o que queria dizer é: temos de a aceitar...mas também não exageremos ao atribuir-lhe um adjectivo como "digno"! :))

José Manuel,
"Por outro lado, quem é que determina os graus de dignidade na vida? Há alguma escala, algum termómetro ou balança que pese e controle os gramas de qualidade?"

Penso que a escala é ditada por cada um. O que é uma boa vida para mim poderá não ser para si. A vida do Stephen Hawking (o génio da física que sofre de uma doença degenerativa) não é a mesma vida de alguém que tenha a mesma doença mas que por acaso não encontra o estímulo para viver em teorias físicas (que pouco carecem do corpo para serem trabalhadas).
Era absurdo se eu, você ou o representante legal deles pudesse decidir se cada um deles devia morrer ou viver. Eles deveriam ser livres de optar, consoante o que consideram bom ou mau.

"E a própria vida situa-se por cima da decisão arbitrária da vontade própria ou alheia."

Pelo que percebo o importante é o coração bater e pouco mais. Não importa o que essas pessoas sentem? Se querem ou não viver?

Ou prefere que elas vivam para vocês dormir melhor à noite? :|

lobices disse...

...não "entrei" na discussão do tema por considerar que nunca haverá 2acordo" entre as partes
...daí que, tal como na regionalização (lol), tal como no aborto (sem lol), chegará um dia em que terá de haver um Referendo sobre a Eutanásia
...um bom dia do Pai, hoje dia 19
...assisti ao momento da sua partida para o Hospital onde viria a falecer (depois de 2 anos de sofrimento dele e de minha mãe); porém, jamais esquecerei o seu olhar de súplica a mim dirigido que nunca consegui interpretar
...lembro já o caso do momento da morte do meu avô (descrito num texto no meu blog) que considero um dos momentos mais belos que já vivi (ao ver naquela face o mais belo sorriso no momento em que partia depois de ter pedido um abraço da minha avó)
...não discutam a morte como algo indiscutível; a vida é que não tem discussão!...

José Manuel disse...

Caro Thorazine

É exactamente isso, quem padroniza a vida, são os favoráveis da eutanásia? Os padrões de vida ocidental são os que o ditam? Os povos da Etiopia do sudão etc..., com todos os problemas, económicos, sociais, porque têm uma vida miserável, segundo os nossos parâmetros, seguirão para um processo de eutanásia?

«Pelo que percebo o importante é o coração bater e pouco mais. Não importa o que essas pessoas sentem? Se querem ou não viver?»

A vida é vida ponto.

No meu primeiro comentário, escrevi «Se uma pessoa sadia apresenta tendências suicidas, recebe ajuda, e, inclusivamente, concedem-lhe um tratamento psiquiátrico até que passe a crise. O objectivo é procurar que essa pessoa recupere sua auto-estima para poder viver com dignidade. Mas quando se trata de um doente incurável ou um deficiente, a discussão automaticamente gira em torno de expressões como "morte digna", "liberdade de escolher a própria morte" ou "acto final de autonomia e autodeterminação".
«Qual a razão desta diferença?»

Temos obrigação de humanizar a vida. A vida é uma dádiva, nunca um embaraço, empecilho etc...

Cumprimentos

lobices disse...

...não resisto, caríssimo anónimo assinado como "José Manuel"
...
...o seu estilo de escrita demonstra à saciedade que se trata de alguém com um certo nível de cultura e de conhecimentos a todos os níveis (ainda que só tenha lido nestas "bandas" elementos referindo o problema da discussão sobre o tema vida/morte - tal como muita gente discutiu, ao tempo, o problema do sim ou não ao Aborto
...aqui, parece-me que se está a "definir" uma nova discussão estilo aborto ou não aborto: eutanásia ou não eutanásia
...definido este pequeno preâmbulo, permita-me Sr. José Manuel aventar (aventar apenas) a hipótese de, um dia (que nunca venha a existir) vossa excelência se encontrar num leito há anos, sem qualquer tipo de qualidade de vida, ligado às máquinas, sem falar, sem se mexer, dependente de tudo e de todos, tendo apenas a presença dos seus familiares (esgotados também eles pela sua situação) com os trejeitos de bem querer, de afagos, de olhares condescendentes, de ditos de circunstãncia, etc
...e o prezado senhor José Manuel, sem nada poder fazer, excepto sofrer, sem viver, sem exercer qualquer acto normal de vida, desesperado por não poder sair dali, desesperado por se ver dependente de tudo e de todos, desejando COM TODA A CERTEZA acabar com tudo aquilo
...nesse caso
...senhor José Manuel
...pediria para morrer?
...ou deixar-se-ia ser e continuar a ser um vegetal e não um ser humano?
...agora, na sua vez, é o seu pai, por exemplo, ou um filho, ou a sogra, ou um amigo:
...que fará, senhor José Manuel?
...bem prega Frei João
...não olhes para o que faço, olha para o que digo
...defenda-se a vida mesmo que essa defesa (nos mais nobres princípios da nossa civilidade) signifique o sofrimento atroz de quem está naquela situação
...defenda-se a vida num acto de civilidade em nome duma civilidade em nome de não sei quê mesmo que isso signifique a dor do outro
...a dor dos outros mantida nestas circunstâncias define um acto de boa civilidade a quem o permite?
...só para que o que está ao lado da cama se sinta como um grande defensor dos cânones do sagrado acto de VIVER, permita-se que o outro sofra, ou seja, para defendermos uma ideologia de defesa da vida, permita-se o sofrimento alheio (desde que não seja o nosso, não é?)
...pois
...é que quando nos toca por perto, as "coisas" mudam de figura, não é?
...

Filomena disse...

Sr. José Manuel
Em relação ao seu comentário “A vida é vida ponto”:
Permita-me que discorde mais uma vez: Nesta vida nada é ponto. Nem a morte, se cá soubermos deixar raízes suficientes para que quem gosta de nós se encarregue de as fazer crescer. Creio ser esta a única forma da imortalidade.
Peço-lhe, uma vez mais, que deixe certezas de lado. Assim, volte, por favor, ao post e ao comentário iniciais e pense nas perguntas sem recorrer a certezas. Olhe, responda-lhes com a imaginação:
Porque não posso decidir sobre o sentido da minha dor e do meu sofrimento? Porque não teria o direito de os considerar inúteis, se não acredito na sua vocação redentora?
Porque não se aceita que alguém considere "estar vivo" diferente de "ter uma vida"?
Porque se chega ao ponto de considerar essa caricatura de vida, só possível à custo dos avanços tecnológicos, como vida "natural" que deve seguir o seu curso..., até ao fim "natural"?

Caso a imaginação não funcione, recomendo-lhe o filme “Million Dollar Baby”, mas aviso desde já que lá, como na vida, certezas não há, apenas muitas perguntas.

José Manuel disse...

Caro Lobices

Voltando à questão do anonimato, queria de uma vez por todas, esclarecer definitivamente a situação.

Que adianta saber que o sr é fulano ou sicrano, que mora em Lisboa no Porto ou em cascos de rolha, se é o Presidente da Republica o primeiro ministro ou juiz, médico, professor, pedreiro, desempregado, reformado... o que interessa e para mim é fundamental, é discutir-se ideias, opiniões, independentemente, de quem escreve, não se importar com sintaxe, se é menos iletrado ou mais, culta ou menos, ser mais mentecapto ou menos, mais acéfalo ou menos, mais erudito ou menos, o que interessa, é que o receptor perceba a informação.

O meu nome é José Manuel(Zé Manel, como sou conhecido), quer o sr acredite ou não.

O não conhecer ninguém, é uma vantagem, pois escrevo, o que me vai no pensamento(haverá maior liberdade que o pensamento), sem subserviência, sem procurar unanimismo, nem elogio fácil. Se eventualmente o conhecesse, se calhar estaria com mais cuidado, poderia ferir susceptibilidades, intelectualmente estaria a prestar um mau serviço ao debate, que se pretende sério responsável, mas com a frontalidade de carácter.

O que faria em qualquer das situações a que o sr refere?
Se ler com atenção o que o Concelho Nacional para as Ciências da Vida diz, aliás transcrito no post, verificará que está respondida as suas questões. Todavia acrescento, que devem ser acompanhados, sempre em qualquer circunstância de doses industriais de muito amor e carinho.

Quando se discute se uma vida merece ou não ser vivida, se esquece que a qualidade de vida não é algo fixo, um conceito imutável, definido a priori.

Cumprimentos

prof disse...

O comentador José Manuel escreveu sobre alguns casos fantásticos que possivelmente existiram, mas de que eu, realmente não tinha ouvido falar. No entanto, acredito que aconteçam casos desses. Da mesma forma que acredito noutros que têm surgido nas notícias e que revelam o desespero dos envolvidos e merecem ser atendidos doutra forma. Aconselhava, por exemplo, a ver o filme "Mar Adentro" que, sendo um filme, não deixa de retratar uma situação real e que se fartou de passar nas notícias. Será que temos o direito de obrigar uma pessoa a viver anos e anos, naquelas condições, depois do próprio, perfeitamente lúcido, pedir ajuda para pôr fim àquele amostra de vida?

José Manuel disse...

Dnª. Filomena
Discorde à vontade, aliás é da discordância que se enriquece o debate.
Quanto às questões que coloca, praticamente foram respondidas em anteriores comentários. Contudo gostaria de introduzir mais alguns pormenores para o conceito de vida, que para mim é um autêntico milagre:
O mais importante é que a única certeza que temos é que tudo que nasce morre e a isso chamamos ciclo da vida.
Não será porque é mais fácil e eventualmente cómodo, solicitar a um doente terminal, desistir da vida, do que proporcionar-lhe todo o amor e carinho que necessita para levar a vida até ao fim?
Termino com um poema de Albert Einstein que gostaria de partilhar com todos, apesar das nossas divergências.
O Milagre da Vida
Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.
Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.
Cumprimentos

lobices disse...

(só um comentário: apraz-me verificar que para quem havia dito não mais colocar aqui as teclas, não mais escreveria aqui, está tendo uma profícua actividade neste quadrado deste lado da vida)

Filomena disse...

Sr. José Manuel,
Em primeiro lugar, peço-lhe, largue lá, por favor, o Dª. Não sou dona de nada, nem dos dois gatos que tenho em casa.
Em segundo, que viva a diferença de opiniões. Se toda a gente pensasse como eu, o Mundo seria muito chato e não redondo.
Em terceiro, agradeço o poema porque também eu acredito que a vida é um milagre e que por isso deve ser respeitada “em toda a sua plenitude”.
Em quarto, lamento, mas li e reli os seus comentários com atenção e em nenhum li resposta às questões colocadas não por mim mas pelo Professor JMV no post inicial sobre este tema. Li, isso sim, as suas opiniões sobre o assunto que, para o caso, são tão válidas quanto quaisquer outras.
Em caso algum me verá defender que se “solicite” “a um doente terminal, desistir da vida”. As questões sobre as quais lhe pedi que reflectisse “sem certezas” são colocadas na primeira pessoa do singular. Certo? E já agora, muitíssimo bem colocadas.
Pondo aquilo que defendo de outra forma: Se eu fosse Imaculada teria pedido o mesmo que ela pediu.
Cumprimentos e até à próxima.

José Manuel disse...

Cara Filomena

Se entendo bem o que questiona, mesmo em relação ao post anterior, verificará que defendo a posição do Concelho de Ética para as Ciências da Vida, que parece-me ponderada e com bom senso. Mas isto claro em relação à eutanásia. Se não estiver em equação a morte, não vejo qualquer problema em tirar as dores a um doente, aliás os cuidados paliativos, segundo julgo saber, têm evoluído muito, acompanhados como refiro sempre com muito amor e carinho.

Gostaria de sublinhar, caso esteja a falar da eutanásia, o que escrevi em anterior comentário(«O fundamento ético reside na pessoa. A vida física não esgota em si mesma todo o valor da pessoa, mas constitui o valor "fundamental". Precisamente porque sobre a vida física se apoiam e se desenvolvem os demais valores da pessoa. Portanto, a inviolabilidade do direito à vida do ser humano, desde a sua concepção até à sua morte, é um sinal e uma exigência da própria inviolabilidade da pessoa. E a própria vida situa-se por cima da decisão arbitrária da vontade própria ou alheia.»)

Caro Lobices

Se porventura, sentir que estou a mais, verificará que sou o primeiro a reconhecer.

Cumprimentos

andorinha disse...

Faz-me uma certa confusão que se tente dialogar com quem não dialoga, apenas repete até à exaustão o que acha ser a suprema verdade.
"A vida é vida ponto" e todos os comentários não passam disto.
Querem maior rigidez de espírito?
Ainda por cima tem a lata de dizer que "o não conhecer ninguém é uma vantagem, pois escrevo o que me vai no pensamento, sem subserviência...".
E continua a bater na mesma tecla..

Filomena (2.03)
"Peço-lhe, uma vez mais, que deixe as certezas de lado."
Não se deve pedir o ímpossível.:)))))))

Lobices (5.22)
Não acho que a actividade seja tão profícua assim.
A pessoa em questão está sempre a repetir-se, torna-se enfadonho.

lobices disse...

Caro (porque se usará o termo "caro"?...) José Manuel:
...
...quando escreve, e cito:
Caro Lobices

Se porventura, sentir que estou a mais, verificará que sou o primeiro a reconhecer.

Cumprimentos

6:17 PM

...
...quem sou eu para sentir que o Caro Sr. José Manuel está a mais ou a menos? O único com esse direito (?) é o dono da casa, o Dr. JMV
...por isso, esteja por aqui o tempo que lhe aprouver que ninguém tem o que quer que seja contra o facto
...outra coisa, porém, é a forma (permita-me o termo: sobranceria) "sobranceira" com que se nos dirige, como se nos estivesse a fazer um "favor" ao dedicar-nos a palavra ou a sua atenção
...ninguém nega a possibilidade de o fazermos e isso depende da capacidade de cada um
...como já, ali em cima algures, disse ao Caro JFR, não possuo qualquer grau académico que me permita almejar chegar aos calcanhares de pessoas que, porventura, ou não, possuam esse grau (nada contra o facto e até gosto de dialogar com quem - presumidamente - saiba mais do que eu em face desse grau que academicamente lhe possa proporcionar...
...há apenas algo que pode diferir entre um grau e um desgraduado (permita-se-me a libertinagem dos termos): é que ninguém é igual e o senhor "A" pode dizer "B" enquanto o senhor "C" pode dizer "D" que ambos possuem razão, a sua própria razão
...cada um de nós tem a sua visão do mundo e é livre de a exprimir (houve tempo em que não o podia fazer...)
...porém, queria apenas fazer lembrar (relembrar) que foi o Caro Sr. José Manuel que, na sua primeira intervenção neste espaço, entrou (como se usa ou ousa dizer-se) de "chancas", ou seja: em tom duro e acintoso pela forma como se dirigiu ao dono da casa (pessoa que reagiu, e bem, a essa sua imtempestiva entrada)
...foi a partir daí que se gerou o "equívoco", a "guerra", a luta insana pela razão das posições (eu pugnei por um dos lados que não o seu, claro)
...aqui ninguém é intocável, nem fazemos parte de um grupo ou clã que possa impedir a voz a quem vier por bem MAS o facto de, na verdade, a grande maioria já se conhecer tão bem fica um pouco "de pé atrás" quando alguém se aproxima de uma forma menos afável logo no chamado "pedido de entrada"
...foi isso que aconteceu
...de resto, é V.Exª. mui e totalmente livre de expressar as suas opiniões, exactamente como todos nós, os outros
...divergir é bom
...é bom ser-se diferente
...é agradável discutir em formas aceitáveis (mas até aqui mesmo se pode colocar a questão de quem será que irá julgar e decidir quais são ou serão as formas correctas...) as diversas posições de cada um
...eu sou a favor da Regionalização
...votei Sim no Aborto
...sou a favor da Eutanásia (claro que depois de ler os pressupostos da lei ou da regulamentação) porque não sou nenhum "tolinho" que embarca em ideias
...mas abarco ideais
...e o da Liberdade é o mais sagrado de todos, para mim, claro!...

...
...já tinha saudades de escrever a bold (isto é um joke que alguns entendem, claro que nem todos mas não estão obrigados a isso...)

Filomena disse...

Sr. José Manuel,
Confesso que a sua afirmação “E a própria vida situa-se por cima da decisão arbitrária da vontade própria” me fez um pouco de dor de cabeça… Assim sendo vou desde já e com a sua autorização (folgo em saber que não vê problema em tirar as dores a um doente) tratar do assunto.
Prometo responder-lhe quando a minha tolerância voltar aos níveis normais.

Andorinha,
Pois é ;-) em certos casos e já começo a acreditar que seja este um deles.

andorinha disse...

Lobices(6.54)

Ganda Quim!:)
Abençoado bold.
Concordo quase em absoluto com o teu post.

"...outra coisa, porém, é a forma (permita-me o termo: sobranceria) "sobranceira" com que se nos dirige, como se nos estivesse a fazer um "favor" ao dedicar-nos a palavra ou a sua atenção."
Claro, Quim, ainda não percebeste?:)
Ele é o único iluminado porque não faz parte do clã, não conhece ninguém, por isso diz o que lhe vai no pensamento sem subserviências!!!:))))))))
Tem piada, mas também isto é cíclico, de vez em quando aparecem por aqui uns/umas armados/as em outsiders que com os seus argumentos brilhantes se distinguem da carneirada:))))


"...aqui ninguém é intocável, nem fazemos parte de um grupo ou clã que possa impedir a voz a quem vier por bem MAS o facto de, na verdade, a grande maioria já se conhecer tão bem fica um pouco "de pé atrás" quando alguém se aproxima de uma forma menos afável logo no chamado "pedido de entrada"
...foi isso que aconteceu."


A quem vier por bem, aí é que está.
Quem vem e insulta o Júlio, nos insulta a nós não pode vir por bem.
Quis que reparassem nele pelos piores motivos( o que não abona muito a favor da sua inteligência).

E sendo os seus posts sempre tão repetitivos não trazem nenhum enriquecimento à tertúlia.
E continuo a dizer, é pura perda de tempo tentar dialogar com quem não dialoga.
É pena que existam tantos Zés manéis neste mundo:(

Agora, Quim, deixa os graus académicos de lado.
Há pessoas com graus académicos que não valem um chavo e o inverso também é verdade, como sabes com a tua longuíssima experiência de vida.
Não vou sequer mais longe, o teu caso é um bom exemplo do que acabei de dizer.
Houvesse mais Quins neste mundo...:)

José Manuel disse...

Conclusão

Este post, foi em complemento de outro anterior, o qual exprimi a opinião, de defesa da posição do Concelho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.

O Dr J.M.V., sabe-se lá porquê(são insondáveis os desígnios de Deus), trouxe a posição do dito Concelho para este post, acrescentando-lhe que discordava veementemente.
Aliás, acho que a resposta jurídica dada pelo Jfr, muito bem sustentada, quebrou a tese do J.M.V..

No meu primeiro comentário, apenas referi, noções de vida, para se ter uma perspectiva diferente da eutanásia.

“Há em muitas cabeças uma noção da vida que é chocantemente pobre, desagradavelmente rasteira, tristemente vazia. Consiste em olhar para a vida de uma forma utilitária, com base numa concepção egoísta e em critérios apenas económicos: se uma vida não é útil - se não é produtiva, se não proporciona todo o prazer - então não tem razão de ser.”

No segundo comentário, foi uma resposta ao Thorazine, onde reforço a minha opinião relativa ao dito Conselho e também na eventualidade de se criarem leis injustas comparando-as com a pena de morte.

No terceiro comentário, apenas referi, e apenas a minha opinião, em confronto com a tese do Thotazine da questão demográfica(cada vez mais velhos, e doentes), que não seria necessário mais hospitais, dos que já existem.

No quarto comentário, porque estava em desacordo com o J.M.V., dei uma perspectiva diferente de se olhar para uma pessoa(pelos olhos como bébé e como um enfermo em agonia), e um exemplo de como eventualmente, a eutanásia se tornar lei, o que poderá acontecer(Vamos decretar a eutanásia "por decreto", onde a vontade do doente é ultrapassada pelo seu representante legal ou por um juiz que assume um poder decisivo sobre a vida e a morte. Naturalmente, uma vez destruída a verdadeira noção de Direito, pode-se afirmar que dar de comer e beber a um doente é "manter artificialmente" a sua vida (o que legitimaria matar tetraplégicos, doentes de alzheimer, ou crianças recém-nascidas com malformações), ou aceitar como prova irrefutável a palavra de um familiar que se assume (sem qualquer documento ou testemunha que o acreditem) pretenso depositário da vontade da vítima.).
Respondido pelo J.M.V., que não, que não pretendia isso, mas sim se fosse pela vontade expressa.

No quinto comentário, respondendo novamente ao J.M.V.( Mas quando é que um doente em estado terminal, está na plenitude das suas capacidades mentais?).
Fazendo também, outras considerações de ordem filosófica, que representam a minha opinião, e só a minha opinião.

No sexto comentário, em resposta ao Thorazine, teorizei quais os padrões que irão ditar a eutanásia.

No sétimo comentário, respondi ao Lobices, porque colocou questões directas, acrescentando-lhe, outra opinião(Quando se discute se uma vida merece ou não ser vivida, se esquece que a qualidade de vida não é algo fixo, um conceito imutável, definido a priori.).

No oitavo comentário, novamente uma resposta à Filomena, que me interpelou directamente, acrescentado-lhe outra opinião(Não será porque é mais fácil e eventualmente cómodo, solicitar a um doente terminal, desistir da vida, do que proporcionar-lhe todo o amor e carinho que necessita para levar a vida até ao fim?)

No nono comentário, foi mais uma resposta, à Filomena, em complemento a uma anterior, acrescentando-lhe outro assunto, nomeadamente os cuidados paliativos.

«Faz-me uma certa confusão que se tente dialogar com quem não dialoga, apenas repete até à exaustão o que acha ser a suprema verdade.
"A vida é vida ponto" e todos os comentários não passam disto.
Querem maior rigidez de espírito?»

Mas isto é para levar a sério? Quem é que esteve a dialogar? Foi a Andorinha?
Que ideias trouxe? Opiniões? Zero, zero, zero.

A favor da eutanásia:
« Plenamente de acordo.
Extrapolando um pouco, não será uma boa morte o que todos pretendemos?»

« É fundamental haver dignidade na vida e na morte.

«Eu digo precisamente o contrário: a eutanásia para mim faz todo o sentido, precisamente pelo respeito à pessoa humana e a uma vida com dignidade.
Como já aqui várias vezes foi referido, "estar vivo" nem sempre significa "ter uma vida".
Sou totalmente pela liberdade de decisão da pessoa.
Respeito de igual forma quem numa fase terminal ou numa outra situação grave/sem retorno prefira aceitar e levar esse sofrimento até ao fim. Aí a eutanásia está fora de questão, a escolha é da pessoa.»

Está aqui alguma ideia? Zero, zero zero

Ele é o único iluminado porque não faz parte do clã, não conhece ninguém, por isso diz o que lhe vai no pensamento sem subserviências!!!:))))))))
Tem piada, mas também isto é cíclico, de vez em quando aparecem por aqui uns/umas armados/as em outsiders que com os seus argumentos brilhantes se distinguem da carneirada:))))

O que escrevi(O não conhecer ninguém, é uma vantagem, pois escrevo, o que me vai no pensamento(haverá maior liberdade que o pensamento), sem subserviência, sem procurar unanimismo, nem elogio fácil. Se eventualmente o conhecesse, se calhar estaria com mais cuidado, poderia ferir susceptibilidades, intelectualmente estaria a prestar um mau serviço ao debate, que se pretende sério responsável, mas com a frontalidade de carácter.), este é o meu pensamento, está aqui alguma tentativa de se fazer por aquilo que se não é?

Cada um é aquilo que merece ser.

Cumprimentos

Maroska disse...

Há tantos dias que estou nesta cama que já lhes perdi a conta. Afinal, cessei a minha existência quando soube o mal que me aflige. Tenho pena do que está lá fora e que eu não posso mais alcançar. Condenada a esta cama imaculada, desinfectada, escrupulosamente limpa... Não sei o que haverá para além da morte, mas aqui não vivo...vegeto. Pois se não posso mais abraçar a Primavera e as flores que com ela dançam, se não vejo mais o rosto do Amor...de que me serve esta vida? E haverá vida em mim ainda? Reservo-me o direito de protestar contra este gota a gota que me sustenta, quero ensurdecer para este bip que invade o meu cérebro. Não estou louca, estou saturada de não viver, contando minutos segundos até ao desfecho final...até ao dia en que deixarei a sanidade e a certeza de que não quero vegetar. A certeza de que não quero ficar fechada dentro de mim. Já bastam estas paredes brancas que me ferem os olhos. Tenho direito a morrer, não tenho? A decisão suprema do ser humano devia ser esta, a própria vida.

fiury disse...

espero que não seja este governo a legislar sobre o assunto.

fiury disse...

thorazine

há um episódio do house que retrata a história de um pianista "sobredotado" que mostra bem o que o house de facto pensa sobre o valor da vida.
pelo menos da dos outros:)

thorazine disse...

fiury,
já vi esse tb!
E ele pensa como "nós", o importante não é ter vida, mas sim uma "boa vida"! ;)