domingo, março 11, 2007

Honra lhes seja!

Médicos pelo "sim" querem equipas formadas para IVG nos hospitais e centros de saúde 11.03.2007 - 10h13 Joana Ferreira da Costa

A Associação Médicos pela Escolha defendeu ontem a necessidade de criar nos centros de saúde e hospitais equipas de profissionais especializadas no atendimento das mulheres que queriam fazer uma interrupção voluntária da gravidez.
Dezenas de médicos e profissionais de saúde debateram durante a tarde de ontem no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a forma como deve ser posta em prática a lei que permite a interrupção voluntária da gravidez (IVG) até às dez semanas, aprovada quinta-feira na Assembleia da República. Os clínicos defendem que é ao centro de saúde que as mulheres que desejem interromper a gravidez ao abrigo da lei se devem dirigir para uma primeira consulta. E que devem ser essas equipas a fazer o acompanhamento da mulher durante o período de reflexão e após a prática do aborto, por exemplo, ao nível do planeamento familiar. A associação defende que as equipas de profissionais tenham formação específica no acompanhamento e esclarecimento das mulheres. “A formação em técnicas e boas práticas não se deve limitar apenas a ginecologistas e médicos de clínica geral, mas a todos os outros profissionais envolvidos neste processo”, explicou ao PÚBLICO a psicóloga Cecília Costa. Os membros do movimento querem a definição de boas práticas sobre a condução deste processo, quer ao nível da consulta prévia de informação e esclarecimento da mulher, quer de técnicas de aborto cirúrgico ou terapêutico. O Ministério da Saúde tem já a trabalhar dois grupos de especialistas para definirem as boas práticas que nortearão a condução deste processo e a forma como as unidades se devem articular no acompanhamento dos casos. A forma como os profissionais de saúde poderão exercer a objecção de consciência deverá também ser regulamentada ao abrigo da nova lei, defende a associação. “Em caso algum o direito à objecção de consciência deve ser permitido de forma casuística”, explica Cecília Costa. “Até agora, nos hospitais, havia médicos que eram objectores para certas situações de IVG previstas na lei, mas não noutras.” Os médicos querem também alargar a estabelecimentos privados que no futuro pratiquem a interrupção voluntária da gravidez o registo anónimo dos casos de aborto, para fins estatísticos. Este registo já é obrigatório nos hospitais públicos.

P.S. Como vêem, não é só cá o chato a defender equipas muldisciplinares, formação e acompanhamento continuado. E fico satisfeitíssimo por este discurso exigente vir de quem vem. Sabem porquê? Porque ensino Sociologia Médica e muitas vezes sou obrigado a alertar os alunos para ideologias e práticas na área da Saúde que denunciam muita (abençoada) tecnologia, mas pouca meditação sobre aspectos ético/relacionais. Que a Associação Médicos pela Escolha se mantenha em actividade e com tal grau de exigência qualitativa mostra que muitos profissionais recusam a tentação de se tornarem meros técnicos e assumem com orgulho os seus direitos e deveres de cidadãos.

31 comentários:

Fora-de-Lei disse...

O pior é que, normalmente, a correcta visão dos técnicos é perversamente distorcida pela frieza dos gestores de cifrõe$...

CêTê disse...

Muito sensato. Será que vai ser assim a nível de todo o país? Que pena não ser lei...
Não há dúvida (na minha opinião, claro;)) que os médicos são os que melhor podem tornar a lei mais justa (como vinham a fazê-lo certamente, à margem da lei). Pena que essas medidas, como disse, não possam ser regulamentadas.

abraços e bfds

fiury disse...

cêtê

de facto, mas não vai ser fácil:(

pof disse...

Caro Professor,

Gostaria de voltar ao seu post de 07.03. e que alguma controvérsia provocou.

Queria dizer que sou de direita, enquanto o Prof. é de esquerda; sou adepto do F.C.Porto enquanto o Prof. apoia o Benfica. Em comum temos o facto de termos nascido na Invicta Cidade do Porto e, se não me engano, o gosto pelo ténis de mesa e o apoio ao Mocidade Invicta (isto foi-me dito pelo meu Pai que terá privado com o seu Pai).

Não tenho qualquer formação profissional na sua área, sendo a minha a da Economia e Gestão de Empresas.

Mas sou apaixonado pela net e pelos Blogs. Como era/sou seu ouvinte na Radio (Radio Nova, Antena Um) e leitor dos seus livros, entendi que no seu blog poderia encontrar algo de novo e que me cativasse.

E assim aconteceu. Gosto de o ler e procuro acompanhar os seus pensamentos. Nem sempre concordo consigo, mas de o ler resultam sempre duas coisas: reafirmo ainda mais as minhas opiniões, ou, aumentam-me as dúvidas e procuro cimentar ainda mais as minhas opiniões.

Na "questão" do Aborto estivemos em campos opostos. Eu apoiei e votei Não. Defendo a despenalização das mulheres, mas entendi que este referendo caminhava na liberalização total do aborto.

Mas o que me trás aqui é diferente: a intolerância total do círculo de amigos que o acompanha aqui.

Este Blog parece que é de acesso limitado. Aqueles que são seus amigos (ou conhecidos) sentem-se no direito de impedir o acesso a qualquer "estranho", numa manifestação total de intolerância. Essas pessoas. apesar do conhecimento que possuem, não são as detentoras da verdade.

A abertura do Professor contrasta com esta corte de servidores, autêntica guarda pretoriana, que se sente exclusiva dos seus pensamentos.

Para não ser acusado de anonimato informo que me chamo Paulo Ferreira e o meu e-mail é paulo.jorge@netcabo.pt

AQUILES disse...

Eu sempre falei aqui que os problemas do aborto estão a montante. Resolveu-se há um mês uma mera questão de texto juridico. Não se resolveu a problemática que leva ao aborto. Agora vão surgir com mais acutilância os problemas existentes a montante. Com muito mais acutilância.

andorinha disse...

Boa tarde.

Correndo o risco de também ser chata:), subscrevo o post e o P.S. (este, não o outro):) na íntegra.

Pof,
O dia 7 já lá vai há tanto tempo, não é saudável ficar-se ancorado no passado.
Segue em frente:)
E comentários ao post, não há?
Para quem gosta de confrontar opiniões é, no mínimo, estranho!

andorinha disse...

Cêtê,
Para o caso de ainda não teres reparado,:))) o fds está a acabar.

Julio Machado Vaz disse...

Pof,
Gratíssimo pela sua lisura:). Não seja tão severo para com o maralhal, olhe que às vezes moem-me a paciência! Agora a sério: o referendo foi um bom exemplo, o Murcon esteve dividido e sobreviveu. E se aprecio enormemente a cortesia, garanto-lhe que não tenho pachorra para cortesãos:). Um abraço, Júlio.

JFR disse...

Confesso que não tinha grandes expectativas em relação aos vários movimentos criados durante o referendo (quer pró SIM, quer pró NÃO). Desapareceram, mesmo durante a discussão do projecto de lei na AR. Fico satisfeito por essa Assoc. Médicos pela Escolha continuar activa. Defendendo tudo aquilo que possa minimizar os efeitos negativos do aborto (legal e clandestino).
Infelizmente, o mais provável é que a sociedade portuguesa já esteja no patamar da indiferença. Para a maioria o jogo acabou. Uns, querem rápido esquecer a derrota. Outros, nada fazem que justifique a vitória.

AQUILES disse...

Andorinha
Não subscrevi nem o post nem o P.S.
E o meu comentário é bem provocatório. Mas vou acrescentar.
Aqui no burgo, durante a campanha, houve médicos locais que escreveram artigos na imprensa local, para ambos os lados. E houve um médico, melhor inserido no meio do que eu, que escreveu que esperava que os médicos que eram a favor do não e se anunciavam publicamente como objectores à execução de abortos no serviço público, o fossem também quando exercem na privada.
A algum lado ele queria chegar.
E insisto que os problemas estão a montante e muito associados a carências económicas. Embora haja mais carências que enclausuram as pessoas nas soluções.

AQUILES disse...

JFR
Concordo com este seu comentário.
Mas no patamar da indiferença não é o mais provável. Estão mesmo na indiferença, onde sempre estiveram.

JFR disse...

pof:

Não sou um "alinhado" com muitas das opiniões que aqui são expostas. Aliás, não sou um "alinhado", ponto. Por ocasião do referendo, deixei claro, em vários comentários, por que razão iria votar em branco. Nunca fui maltratado por qualquer comentário. Fui contestado. Fui apoiado. Fui ignorado. Tudo normal.

Aliás, todos sabem o grande espírito de tolerância do autor do blog, pelo que terão de seguir o exemplo.

Sou apenas um e só me represento a mim próprio, mas desejo que fique. É preciso aqui quem tenha ideias, opiniões, críticas e sugestões. E que as saiba exprimir.

JFR disse...

Para continuarmos activos, lembro que continua em aberto o tema no Post-It "Causas do Aborto Clandestino".

Este problema não desapareceu, nem desaparecerá. Há muito que aprofundar e propor. Venham de lá os artigos.

andorinha disse...

Aquiles,
O teu comentário das 6.00 está na linha do que sempre pensaste.
Quanto a esses exemplos que dás, péssimos profissionais há em todas as profissões.
Quanto a médicos objectores de consciência no público e não no privado, é "natural" que surjam; gente sem escrúpulos há em todo o lado.
Esses casos terão que ser severamente punidos. Se calhar estou a ser ingénua ao dizer isto, mas pronto...
Quanto às causas do aborto já foram por demais dissecadas, não percebo por que razão tem que se andar sempre a falar no mesmo.
Agora há que tentar cada vez mais combater essas causas.

Jfr,
Muita gente estará no patamar da indiferença, onde sempre esteve.
Agora dizer-se que "...Outros nada fazem que justifique a vitória" parece-me uma afirmação totalmente extemporânea.
Ainda não decorreu o tempo suficiente para se poder afirmar isso, há pessoas que estão seriamente empenhadas em que as coisas mudem.
Visões tão pessimistas e negativistas como a tua e a do Aquiles não são o melhor contributo para que alguma coisa se faça.
É a minha opinião, frontal e sincera, como sempre.

AQUILES disse...

Sr Paulo Ferreira
Eu sou o José Grave

Costumo comentar por aqui. Não diáriamente.
Mas quero dizer-lhe que este espaço não tem donos. Há pessoas mais frequentes a comentar. Muitas pessoa passam aqui para ler e nunca comentam. Devo dizer-lhe que já houve picardias por aqui, e até zangas em que algumas foram sanadas ao telefone, e outras nunca. Há algumas pessoas mais dadas e encómios e outras que não. Há diversidade nas pessoas. Uns feitios aturam-se e outros nem tanto. Mas cada um faz a sua selecção. Nunca vi qualquer censura neste blog.
Acrescento que não pertenço a nenhuma corte. Não sirvo o autor deste blog.Não faço parte de nenhuma guarda pretoriana. Não sou dono de nenhuma verdade absoluta.E como vê pode sempre dar a sua opinião, como deu, e eu posso sempre contestar se acaso achar que é caso disso.

Respeitosamente, que tenha uma boa semana e continue a vir aqui opinar. Será sempre bem vindo e a sua opinião será sempre apreciada, mesmo que dela discorde.

AQUILES disse...

Andorinha
Minha cara amiga.
Sabes bem que sou um pessimista militante. E nunca um pessimista foi bom alento.
Mas eu gosto mais de me classificar como realista.

AQUILES disse...

E Andorinha
A minha realidade não consegue ver severamente punidos. Aqui em Portugal? Médicos? É nunca.

andorinha disse...

Jfr(11.22)
"É preciso aqui quem tenha ideias, opiniões, críticas e sugestões. E que as saiba exprimir."

Totalmente de acordo e parece-me que é isso que sempre aqui se tem feito. Opiniões diferentes são respeitadas e é sempre bem-vindo quem vem por bem.

Não sei se será o caso do Pof; se for, óptimo.
Mas vir aqui "insultar" o maralhal dizendo que somos intolerantes, ao fim e ao cabo, uma cambada de seres mais ou menos acéfalos que prestamos diariamente vassalagem ao dono do blog foi algo que me irritou.
Se se quer fazer parte de uma tertúlia, a melhor maneira não será atacar os seus membros, pois não?

De qualquer forma, estas acusações são cíclicas, não se lhes deve atribuir mais importância do que aquela que efecivamente têm, mas "quem não se sente, não é filho de boa gente" e eu prezo-me de o ser.
Tenho dito:)

andorinha disse...

Aquiles,
Eu sei que és um pessimista/realista:)

Quanto ao facto de esses médicos poderem vir a ser punidos, eu também disse que se calhar estava a ser ingénua:(

AQUILES disse...

Sem bateria

andorinha disse...

Aquiles,
:)

JFR disse...

Andorinha:

"Outros nada fazem que justifique a vitória"

Esta minha frase não tem nada de extemporâneo em relação a todos aqueles que estão fora dos que referes no teu texto "...há pessoas que estão seriamente empenhadas em que as coisas mudem."

Não sou pessimista. Mas procuro ver a realidade e, esta, enquanto produto social precisa de ser constantemente melhorada. Por isso, ser optimista, é para mim contribuir para "o fazer". Não esperar que ele aconteça. Por isso a minha satisfação pela notícia do post.

Muito menos sou negativista. Não tenho atitudes sectárias, em relação a todas as outras expressões de opinião.

andorinha disse...

Jfr,
Concordo com os dois primeiros parágrafos.

Quanto ao último, não utilizei a palavra "negativista" nesse sentido, não considero que tenhas atitudes sectárias.
Fui mais pelo sentido de, na minha opinião, enfatizares mais a perspectiva negativa das coisas.
Foi só isso:)

JFR disse...

Andorinha:

Eu sei que não.

"A sociedade melhora mais pela análise do que pode ter e tem de negativo do que pelas palmas ao que pode ter e tem de positivo." JFR

andorinha disse...

Jfr,
Penso que ambas as vertentes são necessárias.

Até amanhã:)

lobices disse...

...caro Pof:
...olhe que não, olhe que não...

Klatuu o embuçado disse...

«não é só cá o chato a defender equipas muldisciplinares»
Não. Cá este «chato» defende o mesmo e sempre defendeu... mas quer-me cá parecer que depois da vitória - chocha - no referendo, o Estado já se demitiu de tentar conduzir o processo... ou delegou a tarefa nas clínicas privadas de nuestros hermanos!

Abraço.

mp disse...

está a dar uma música que diz :
te amo
eternamente te amo...
...se tu morreres eu quero morrer contigo...
quando te vi eu vi que estava certo..
que coisa linda esta cançaõ está na cotonete

mp disse...

yolanda se chama a canção

mp disse...

contráriamente ao que alguns do habitués deste blog dizem eu acho que há o antes eo depois do referendo , e já se começa a notar a diferença e a 1ª é a de que todos os julgamentos por aborto foram imediatamente suspensos o que é muito importante
depois há toda esta discussão á volta da regulamentação que tambem é muito importante e depois nos xcentros de saúde os profissionais a quem as meninas , porque muitas delas são pouco mais que crianças chegam ,já são devidamente encaminhadas e já não há aquela impotência de quem quer resolver um assunto e fica com ele em mãos sem poder ajudar pela legalidade da coisa , talvez não notem mas devagar devagarinho as coisas vão indo a bom porto ou pelo menos a um melhor porto que até dia 7 iam.
é bom que as classes se unam na defesa de ideias pois muitas vezes só se unem na defesa de interesses económicos e não é esse o caso agora

Ameninadalua disse...

Bom tarde!

O silêncio por aqui é significativo e desmoralizador...:(

Significativo porque se calhar não foram tão indiferentes assim as críticas do Pof.

Desmoralizador porque julgo que queremos um Murcon aberto e dinâmico nas opiniões mas afável e generoso na comunicação...

Desde há um certo tempo têm sido aqui apresentadas críticas à intolerância de alguns murcónicos e principalmente daqueles que são mais assíduos, nos quais eu tambem me incluo.

Meus caros mucónicos não me parece correcto ficarmos indiferentes. A vida apresenta-nos sinais de não conformidade que nos podem dar sempre a oportunidade de melhoria e desenvolvimento..


Respeito e lamento essas críticas...e da parte que me cabe prometo desde já estar mais atenta e cuidada na forma de aqui me colocar e opinar.