quinta-feira, abril 28, 2005

Contra factos não há argumentos, mas...

... há interpretações:). Como já disse, é para mim óbvia a existência de diferenças constitucionais entre os sexos. (Embora a minha ignorância na área seja admirável, julgo lembrar estudos que indicam, por exemplo, melhor orientação temporo-espacial nos homens e maior capacidade de discernir sentimentos a partir da expressão facial nas mulheres. NÃO GARANTO QUE FOSSE EXACTAMENTE ISTO:).) Sobre esse património inicial exerce-se um processo de aculturação violento, mas que em cada momento histórico nos parece "natural".
Regressemos às diferenças. Quase todos os anos surge mais um artigo sobre a origem genética da homossexualidade. (Não empregar o plural é, desde logo, optimista, existem homossexualidades como existem heterossexualidades.) Seguem-se polémicas terríveis, como já devem ter reparado. Primeiro ponto: se for descoberta uma área genética que influencia, em maior ou menor grau, a orientação sexual, o facto ajudará também a explicar a heterossexualidade (acontece que nunca nos ocorre explicar o "normal"). Segundo ponto: a descoberta, em si mesma, não é "má" nem "boa", tudo dependerá da sua interpretação. Suponhamos que a orientação sexual é encarada como uma variação semelhante à cor dos olhos ou - ai, ai...:( - a altura na idade adulta - a diferença genética não conduzirá a um procedimento "correctivo". Admitamos agora que é assimilada a doenças, como a Psicose Maníaco-Depressiva ou outras em que a hereditariedade desempenha um papel - à descoberta seguir-se-á, mais tarde ou mais cedo, a manipulação genética que "curará" a(s) homossexualidade(s).
Ou seja: uma atitude mental anterior aos factos determina a sua valoração.
O mesmo processo influenciará os comportamentos em face de diferenças biológicas entre os sexos - servirão para cavar mais o fosso e reificar a velha máxima dos "sexos opostos"? Ou uma cultura de igualdade de direitos e deveres - e não de corpos e espíritos... - limará as diferenças que se revelem prejudiciais a esse equilíbrio, às vezes apoiada na própria Ciência?
A bela frase de Vergílio Ferreira regressa sempre: "O mais importante não é o que fizeram de nós, mas o que fazemos do que fizeram de nós" (não garanto palavra por palavra...).

55 comentários:

Ale (mestressan) disse...

Vou comentar o texto, mas de novo comento que fui o primeiro...heheh ;-)

Anónimo disse...

Não me levem a mal este meu pensamento, mas não seremos todos homosexuais desde a nascença?
beatriz

lobices disse...

...contra factos não há argumentos
...verdade perfeita?
...como saber, amigo Profe?
...até que ponto se pode inferir que uma verdade é um derivado de um facto, ou seja, quando e como podemos admitir que um facto é uma verdade (para dizermos que contra ele, facto, não há argumentos)?...
...não sei
...no entanto (e como costumo dizer), porém, todavia e contudo, a diferença existiu, existe e existirá sempre (mesmo sem ser apenas no plano físico e mental)
...a diferença entre os sexos (porque estes sim como verdade porque são um facto real -os sexos sáo desiguais- )ditará sempre uma diferente atitude entre eles e qualquer tipo de "tentativa" de aproximação face à propalada igualdade sairá gorada apenas e só (se outras razões não houvesse) pelo simples facto de que tal diferença é NECESSÁRIA à "parceria" como na "tese" que defendo de que só existe uma entidade, o Par (que é, como lõgico, formado pela dualidade distorcida e não espelhada, de dois seres diferenciados a todos os níveis...
...não se trata nem nunca se deverá tratar de tentar
diferenciar a sujeição da pseudo superioridade de um sobre o outro: AQUI, somos todos iguais com as diferenças que nos compõem...
...abençoadas diferenças!...
...

Ale (mestressan) disse...

Acredito que o fator genético é sim um grande impulsionador na escolha da opção sexual! Mas a escolha é individual, ou seja, mesmo com "ferramentas", digamos assim, mesmo que a pessoa tenha uma aparência com atitudes e jeitos específicos do sexo oposto, ela só torna-se homossexual se quiser, pode perfeitamente manter-se hétero até o final de sua vida. É óbvio que estará em constante auto-afirmação, mas tudo depende somente do querer individual! Assim creio eu, também ignorante no assunto.

Ale (mestressan) disse...

Quanto às diferenças elas são fundamentais para uma aproximação...é visto inclusive em casais homosexuais que um é completamente difernte do outro no aspecto "fisico-sexual" ou aparência, não sei ao certo definir...sempre há um "macho" e uma "fêmea"!

Ale (mestressan) disse...

Anonimus (Beatriz) - Eu não sou, mas se tu és, tudo bem, não tenho preconceitos! ;)

lobices disse...

...amigo Profe JMV:
...no post anterior aflorei ao de leve a posição "macha" de força para penetrar e a posição "fêmea" de aceitação de penetração...
...parece-me que somos todos iguais e que é apenas na fase da "pseudo" pocriação, acto facto (artefacto) para a sobrevivência da espécie, que os sexos se diferenciam, ou seja, até num casal homossexual um é "macho" e outro é "fêmea" (ainda que ambos possam exercer as duas acções)...
...em face "disto" a diferença entre os sexos só existe.... no sexo?...
...

Anónimo disse...

Eu também não sou, nem se trata aqui, de eu ser ou de tu seres.
Tão somente saber se não somos compostos pelas duas partes, macho e fêmea, só que uma parte sobrepõe-se à outra.
beatriz

Anónimo disse...

Mesmo que se provasse uma base genética na homossexualidade duvido que existiria uma procura de mudança. Falo por mim como homossexual, sofro bastante por não me poder revelar, pela discriminação mas se pudesse de alguma forma alterar não o faria.
Sobre o comentário da beatriz que diz :"Não me levem a mal este meu pensamento, mas não seremos todos homosexuais desde a nascença?"
Eu acho que nasci hetero aliás acho que o fui até à adolescência... mais tarde veio o período a que eu chamo "fez-se luz" e descobri realmente a minha preferência.
Isabel

PortoCroft disse...

Que me perdoem os pudícos(as) mas, estou convencido de que todos nascemos bissexuais. A acentuação duma ou outra sexualidade, conforme o Prof. sugeria no 'post' anterior, é muito mais socialmente construída que genética. No entanto, ainda continuo a pensar que há uma predisposição de género que apenas espera por esses 'gatilhos' sociais para se desenvolver.

Ale (mestressan) disse...

Mas sermos compostos pelas duas partes não caracteriza homosexualidade. Posto que, na homosexualidade há a definição precisa, em outro caso chama-se "BISSEXUALIDADE"

Rosa disse...

Eu não sei se nascemos hetero, homo ou bi, e , sinceramente, I couldn't care less, mas, em termos puramente físicos, são o homem e a mulher que se completam, que se preenchem, que encaixam um no outro. O côncavo e o convexo... :)
De resto, parafraseando uma amiga em discussão hoje no meu blogue, não há como negar que a Angelina Jolie é "altamente comestível"... ;)

PortoCroft disse...

Rosa,

Essa é a teoria do 'puzzle' não é? ;)))))))))))))

Mas, olha que a Angelina Jolie é mesmo "altamente comestível"... ;))))))))

lobices disse...

...o lobo diria:
auuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

lobices disse...

...hei maralhal:
...leiam o último comentário da ELISA no post anterior
...ela desistiu
:(

PortoCroft disse...

Sem comentários lobices. Sem comentários.

Rosa disse...

Não gosto lá muito de teorias, Portocroft, mas acho que fomos feitos uns para os outros :) Agora que a Angelina Jolie era capaz de me fazer pensar duas vezes nessa questão anatómica, lá isso era! :))

Talvez não chegasse a uivar, Lobices :) mas lá que pensaria no assunto, com certeza!

PortoCroft disse...

Rosa,

Gostava tanto que tivesses dito isso no singular. ;)))))

Deixa lá, uivava eu por ti. eheheheheheheheheheheheheheh

lobices disse...

...ó Rosa:
...também tu?
...olha o que "fizeste" ao PortoCroft!...
LOL
:)

PortoCroft disse...

Prof.,

Este maralhal, realmente... Parta donde se partir, as conversas vão dar sempre à 'cuequinha'. Imperdoável. ;))))))

Rosa disse...

Eu, Lobices??
Eu não fiz nada a ninguém, ora essa! Estou inocente :)

Anónimo disse...

Tudo o que façamos consciente ou inconsciemente vai tudo no mesmo sentido "cuequinha" e quantas mais melhor.....rs
beatriz

Ale (mestressan) disse...

Concordo com Rosa em todos os argumentos, do encaixe e principalmente da Angelina Jolie! :o)

PortoCroft disse...

Rosa,

Fazer não fizeste mas, a Angelina que se cuide porque, não sendo lobo, és uma linda raposa matreira. ;))))

Ale (mestressan) disse...

Lobices, vejo que não leu todos os comentários, mas a desistencia de Elisa não se deu pelo fato de TS ter comentado a seu respeito, mas principalmente pelos comentários de Maite, que a meu ver também não os fez por mal. No debate estavam Maite X Andorinha e Elisa e pelo teor dos coments Elisa sentiu-se ofendida! Peço que o Prof. Julio faça algo em seu post!

Anónimo disse...

Só quero dizer o seguinte e tenham, por favor, respeito pela decisão que tomei e pelos argumentos que utilizei para sustentação da mesma: ao tomar a decisão e ao torná-la aqui pública (erro crasso, agora vejo) não pretendi que intercedessem por mim junto de quem quer que seja ou que encontrassem contra-argumentos para que eu a revogasse. Creio que está tudo dito. Não quero altares de qualquer espécie. Boas tardes.
Elisa

PortoCroft disse...

Ale,

Por muito que goste e admire a elisa, não li nada que possa configurar ofensa para ninguém.

Aliás, o debate de ideias, normalmente, gera controvérsia. Se não estamos dispostos ou preparados para isso, a melhor solução é nem debater nada.

Há que respeitar as liberdades de cada um.

Pela minha parte, quando não estiver disponível para estar aqui, não estarei. E isso, sem que me sinta na obrigação de justificar publicamente a minha decisão. Ainda que houvesse fundamento para isso, qualquer que fosse a minha justificação pública para deixar de o fazer, seria sempre patética.

Anónimo disse...

Vejam o que acabo de receber por email:

"

"Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer"



Ah Camões

Se vivesses hoje em dia

Tomavas uns anti-piréticos

Uns quantos analgésicos

E Xanax ou Prozac para a depressão

Compravas um computador

Consultavas a página do Murcon

E descobririas

Que essas dores que sentias

Esses calores que te abrasavam

Essas mudanças de humor

repentinas

Esses desatinos sem nexo

Não eram feridas de amor

Mas somente falta de sexo."

*risos*

Andreia

Ale (mestressan) disse...

Concordo contigo Portocroft, mas compreendo Elisa!

Ale (mestressan) disse...

Mesmo tendo sido tão maltratado por ela nesse último comentário eu a compreendo! E pra mim é uma pena sua ausência!

Rosa disse...

Portocroft,

Magoei... eu não tenho nada de matreira. Sou o mais possível "What you see is what you get" :p
Será que isso me tira alguma feminilidade? Será genético? Será cultural? ;)

Anónimo disse...

No contexto deste post, o seu autor referiu que “ uma atitude mental anterior aos factos determina a sua valoração.”

A propósito, reconheço que ainda que cultive a igualdade de direitos e deveres, vivo no fosso cavado pela tradição, pela crença e pelo preconceito relativos às diferenças biológicas entre os sexos.

Face aos acontecimentos recentes que Espanha protagonizou, tenho vindo a realizar - compreender - que a feitura do mundo começa com uma versão e termina com outra, ou como alguém dizia “começamos, em qualquer ocasião, com alguma velha versão, ou mundo, que tenhamos à mão com a qual ficamos encravados até termos a determinação e a habilidade para a refazermos numa nova.”

Determinação e habilidade que, no debate actual da matéria que estamos a analisar, tem sido apanágio dos que lutam para alterar os enunciados de asserção e de crença sobre a dicotomia homossexualidades - heterossexualidades e cuja semântica provoca uma série de problemas e de perplexidades que, apesar dos debates entre linguistas, lógicos e filósofos da linguagem, não chegou a nenhum consenso.

Entretanto, peço que desculpem o lapso disléxico que me fez escrever no post anterior “aos tretapeutas infecto-cosmopolitas “ quando queria dizer “aos terapeutas info-cosmopolitas”.

Continuando a agradecer a permissão de anonimato, justificável se necessário, lamento deveras a desistência da Elisa, que decerto reconsiderará a atitude, como mulher sábia que é.

Esoen

Ale (mestressan) disse...

Caro anonimo Esoen - Deus lhe ouça e que Elisa volte! Mas então, me justifique o seu anonimato, se lhe for possível! ;o)

Anónimo disse...

o meu 6º. sentido diz-me que a Esoen é a Elisa.
Parecem as palavras delas...
beatriz

PortoCroft disse...

"What you see is what you get"

;)))))

Rosa,

Essa frase soa-me estranha na boca de dama com tamanha formosura. Lembra-me aqui uns anúncios do MFI (companhia que vende móveis). Serás uma escrivaninha ou um sofá? ;)))))))))))))))))

Anónimo disse...

Caro ale

Mto spam, mta virose, mta desilusão informática, justificam usar actualmente 2 email onde constam apenas siglas e postar em blogs anonimamente, pq julgo ser este o novo mundo da comunicação, embora virtual, falso, cómico, depravado, se quiser, mas mto, mm mto essencial, embora acredite como W.Allen que "never mind mind, essence is not essential and matter doesn't matter".

Esoen

Ale (mestressan) disse...

Onde está Lobices? Diga-me algo a respeito de Elisa. Tu que és um homem experiente e de semblante pacificador!

Rosa disse...

Portocroft,

:p :p : p: p e mais :p

E agora vou-me!
Bons debates para vocês e até amanhã!

Anónimo disse...

Não, Esoen não é Elisa.
ponto final)

Esoen

Elisa volta

PortoCroft disse...

;))))))

Até amanhã, Rosa dos sorrisos. ;)))))))))

Ale (mestressan) disse...

Explicado Esoen, agora terás o trabalho de traduzir o comentário de W.Allen, infelizmente ou quem sabe, felizmente não falo Inglês! ;o)

Anónimo disse...

ale, eis

"Não se preocupe com a mente, a essência não é essencial, e a matéria não interessa." (1)

(1) o humor do trocadilho perde-se em português, como refere o tradutor António Duarte em relação à célebre frase de Woody Allen, citada por Nelson Goodman em "Modos de fazer Mundos", Asa, 1995, p 147

Até,

Esoen

Ale (mestressan) disse...

Grato Esoen, vejo que é atencioso(a)! De qualquer forma senti um ar de humor sim, na frase, então significa que não se perde por completo! ;o)

lobices disse...

...to Esoen das 6.20 PM:
...
...cito:
Não, Esoen não é Elisa.
ponto final)

Esoen

Elisa volta

...
...questiono:
...Elisa volta, é uma afirmação ou um pedido?
:)

Anónimo disse...

Lobices

Elisa, volta
é um pedido
reiterado

E, já agora,
Elisa, volta, com ou sem foto
de qq maneira

Esoen

circe disse...

Que me perdoem os impúdicos,
mas, na minha opinião, não nascemos
uni, bi ou tri, mas antes, multissexuais. E, antes que me
considerem depravada (e corram o
risco de acertarem), eu sugiro que
a expressão "sexos opostos" dê lugar a "sexos complementares", pois que o adjectivo faz toda a
diferença!

Vejamos o infeliz termo SOBREDOTADO
: a mim soa assim como um realizador porno, mirando cada um
dos candidatos que responderam ao
"casting"...

andorinha disse...

Nem comento agora o post ( faço-o mais logo) quando estiver mais calma.
Tudo isto tem a ver com a (como vocês chamam) desistência da Elisa.
Mas isto é um concurso? Ou será um casting? Ou um campeonato? E porque "desistiu" ela?

Já me dirigi pessoalmente à Elisa no post anterior do Júlio por isso não o vou fazer aqui novamente.

Agora quero simplesmente deixar uns breves comentários.
Para além de mim, só o Lobices, o Ale e um/a anónimo é que lamentaram essa decisão.
Curioso, não será?

Portocroft,
"Sem comentários." Ora essa!!!Porquê?
Se gostas de ver baixar o nível dos comentários, então estamos conversados.

É inaceitável que uma das pessoas (atrevo-me a dizer) mais brilhantes aqui, seja escorraçada por "gentinha" que nem aos calcanhares lhe chega!

Ale diz - "Peço que o Prof. Júlio faça algo em seu post." Subscrevo.
Mas é preciso ver que para o Júlio é uma situação complicada, penso eu, envolver-se directamente.
Será ter que tomar partido por uma pessoa em detrimento doutras e temos que compreender o melindre da situação. Agora penso que até para bem do blog alguma coisa deveria ser feita.


E depois não é sobretudo a "desistência" da Elisa mas sim tudo aquilo que lhe está subjacente.

Querem ver o nível dos comentários baixar e por consequência o nível do blog?
Querem "destruir" o blog por dentro? Mesmo que digam que não, o efeito é o mesmo.
Aliás os diversos comments de hoje são como diria o outro, intelectualmente estimulantes. Até dá gosto lê-los! ( estou a ser irónica para o caso de não terem percebido...)

Não tenho procuração da Elisa para a defender, até porque ela já provou que não precisa, mas tinha que dizer isto.
Lamento imenso, pelo Júlio e por alguns tertulianos que as coisas estejam a tomar este caminho.

PortoCroft disse...

Andorinha,

Não é nada disso. Por favor, não tires conclusões extemporâneas.

Anónimo disse...

Acho que as nossas preferências sexuais são-nos inculcadas desde a infância- com a educação que nos dão - e só mais tarde, e quantas vezes tarde de mais, é que as nossas preferências sexuais se nos revelam, fazendo-nos assumir ou não uma postura diferente.Ainda hoje, e já sou bem crescidinha, ainda fantasio um possível relacionamento homosexual.Acho que se um dia me surgir a pessoa certa, ainda me atrevo a experimentar.

susy disse...

Eu sei q vou cometer plágio, mas o Pedro de certeza que me perdoa, e como não sei usar tags, cá vai,

"O fétiche, o pénis, a falta dele e como as mulheres já não são quem eram no tempo de Freud
Written as FREUD



“Organisation particuliére du désir sexuel, ou libido, telle que la satisfaction complete ne peut pas être atteine sans la presence et l’usage d’un object determine, le fétiche, que la psychanalyse reconnâit comme substut do pénis manquant de la mere, ou encore comme significant phallique…”

A. Binet



Um amigo meu insiste que tenho um fetiche por mamas grandes. Pensando bem na minha vida sexual, as parceiras das últimas semanas eram bastante avantajadas mas aquela com quem comecei um relacionamento de características mais monogámicas tem uma linha assustadoramente esbelta. E não é que tenha feito nenhuma escolha particulamente decidida por ela. O nosso encontro foi tão violento e tão súbito que é quase impossível imaginar que tivesse existido qualquer interesse entre nós que não fosse o prazer de partilharmos os mesmos espaços e vivermos dentro do espírito um do outro... enfim...
O fetichismo tem uma susceptibilidade tremenda que é o facto de tentar compensar uma qualquer ausência evocada directamente por uma qualquer impotência. Aquilo que é fétiche é também fraqueza, porque expõe a líbido da pessoa a um elemento que, quando não é aceite pelo parceiro pode susceptibilizar imenso a vida do indivíduo. Se o parceiro não aceita que lhe chupem os dedos dos pés ou os sapatos ou que lhe cheirem os sapatos então o indivíduo entra em desiquilibrio emocional, que era mantido por esse tímido desejo. Classicamente temos a ideia de que as pessoas desejam os genitais. Eles são os elementos reprodutores, no homem são o único elemento erógeno e nas mulheres só temos além deles os peitos. Então porque o desvio pra ritualizações excitativas com outras partes do corpo sem qualquer utilidade sexual? Em mim, assim como em A. Binet nos anos 30 tenho a convicção de que ao nos desviarmos da sexualidade entrámos num domínio da não satisfação sexual e portanto eliminam-se as necessidades de corresponder a um desempenho. Normalmente o fetichista reduz-se à masturbação enquanto executa o elemento-fetiche. O seu desempenho depende apenas do seu prazer e não do outro ( duvido que haja muitos parceiros fetichista a desejar receber massagens nos pés ou que lhes lambam os sapatos) e assim eliminando esta tensão o fetichista pode-se concentrar apenas no seu desempenho. Vejam bem que o fetichismo é uma tendência extremamente moderna e só muito muito muito recentemente surgiram os fetichismos actuais ( no final do sec XIX pra ser mais concreto) com as motivaçõe smodernas. Anteriormente, os fetichismos eram elemantos desviantes no sentido em que o acto sexual poderia ter consequências graves em relações adúlteras e portanto era necessário existir uma colmatação destas com elementos díspares. Além disso, a ausência do orgasmo feminino ou sua diabolização faziam com que o fetichismo fosse mais interessante para as mulheres como forma de se superiorizarem momentaneamente aos homens, de os ver por momentos passivos, sendo que o fetichismo foi até essa altura associado ao masoquismo, mas estando o elemento doloroso ausente. A falta de desempenho sexual dos fetichisas modernos mostra-nos que é muito complicado associar elementos do passado com o presente das motivações.
Outra questão é a necessidade de exteriorização da actividade fetichista. Os fetichistas modernos gostam de se travestir no elemento que tem o fétiche, normalmente em roupas de tipo sado-maso. Ou seja, a encarnação de outra personagem em vez da assumpção plena do seu desejo mostra a auto-culpabilizaçao que emana, o desejo reprimido que encontra na roupa uma forma de auto-identificação e auto-punição ao mesmo tempo... Payne definia muito claramente o fétichismo como uma forma de prevenção de uma verdadeira perversão, mostrando que as crianças, ao fazerem associação de Mau/bom nos objectos que as rodeiam exibiam a incapacidade de féichar as sua relações de carácter fálico e portanto o valor do fétichismo era mais como valor preventivo. Mas olhando de relance prós estudos recentes de Dryer e Marks Ollen os fetichistas adultos são pessoas extremamente tímidas, iniciaram tarde a sua vida sexual, sofrem de uma baixa auto-estima ou de deformações físicas auto-impostas tais como a obesidade e não conseguem evitar a ejaculação precoce. Ou seja, o fétichismo como elemento sexual é univocamente associado aos homens, e as mulheres muitas vezes justificam a sua participação nestas invocações por “amor” ou para agradar ao parceiro, mas sem verdadeira satisfação sexual. O próprio facto de os fetichistas não desejarem assumir-se na sua “pele” como fetichistas e só sentirem desejo de prácticas fetichistas com as roupas próprias nas ocasiões em que pretendem comsumar o fétcihe em si mostra a dificuldade em assumir a necessidade-fétiche fora de um contexto de expurgação do mal...
Outra questão é que o fetichismo descontrolado parecia nos tempos de Dreud apanágio das mulheres e não dos homens. Freud deixou, no volume 4 das suas notas várias referências a casos de fétiches em mulheres que hoje em dia associámos quase inteiramente aos homens, como o fétiche de cheirar e lamber e massajar pés. Esta reversão desde o início do Sec XX e o início do Sec XXI mostra como evoluiram as necessidades sexuais e os confrontos de pressão sobre a performance entre os sexos. Hoje em dia é o homem que está a sofrer com esta constante pressão da mulher pra obter o orgasmo, mas é sobre orgasmo que versa o próximo texto portanto não me vou alongar muito sobre ele... digámos apenas que Freud referia o desejo que a mulher tinha de que lhe lambessem os pés como forma de compensar o pénis ausente mas hoje em dia, em tempo de maior liberdade e igualdade, é surpreendente que a mulher já não sinta falta deste orgão-fantasma. E cada vez mais jovens as mulheres começam a masturbarem-se e a desejar dos seus parceiros mais e mais orgasmos, iguais aos que sentem precisamente quando se masturbam... e eles claro... vão-se sentindo mais e mais impotentes pra fazer valer as suas vontades, os seus desejos... as suas tendências... e assim com este desvio tentam repescar um pouco daquele pénis perdido quando as mulheres passaram a ser iguais e até rivais dos homens. Assumindo que lhes falta o “membro” social passam para a perspectiva de “escravos”, que atinge o seu apogeu com o masoquismo, em que a mulher provoca dor física e privações várias no seu corpo e mente.
Quanto ao meu fétiche, ele sem dúvida quem vem de um associação de peito grande-inteligência superior que cultivei até aos dias de hoje. As mulheres mais inteligentes que conheço têm o peito grande portanto foi com naturalidade que esta associação associada a um desejo crescente de conhecimento fez com que me atraisse com muita maior frequência por mulheres com essa característica mas sem descuidar o elemento sexual. Continuo a adorar fazer sexo com elas, especialmente sexo anal e que me façam oral com afundanço portanto não houve um qualquer desvio nos elementos de satisfação associados. Mas gosto de sentir um bom par de mamas na boca, e nas mãos já agora, de puxar o leite ao mamilo e de o chupar, numa fantasia que partilho com 99.99999% dos homens e cuja explicação dispensa aprofundamentos ; )"

The End

Voltando ás minhas próprias palavras,

Bem... o contexto temporal e o equilíbrio de forças sociais parecem-me determinantes para a compreensão dos cambiantes da normalidade e do role-gendering. Acho que se vai muito longe na discussão genética apenas e só para eugenizar o debate e encontrar formas assépticas de condenação do "outro".

HOJE EM DIA JÁ NÃO TEMOS ANEDOTAS COM MULHERES, MAS TEMOS EM GRANDE MASSA ANEDOTAS COM LOIRAS!!!!!!!! QUE SÃO MULHERES NA MESMA!!!!!!!!
MAS A PEQUENA CHAVETA JÁ PERMITE A DESCULPA DOS CABRA-MACHOS OPRIMIDOS.

:)))))

Mais uma vez as minhas xculpas ao Pedro por lhe roubar o texto do site dele, mas pronto, ele traduz quase literalmente o que eu penso nesta matéria.

Obrigada e boa conversa

andorinha disse...

Júlio,

Como o prometido é devido, cá estou eu.:)
A esta altura do campeonato não irei tecer grandes considerações sobre o post porque o cansaço já é muito.:)
Queria só dizer duas ou três coisas porque acho que merece (o post).:)
Para mim também é óbvia a existência de diferenças constitucionais entre os sexos.
"Sobre esse património inicial... nos parece "natural".
Essa aparente naturalidade é um dos maiores obstáculos à aceitação das diferenças, quaisquer que elas sejam.

Até quando será necessário continuar a falar de uma cultura de igualdade de direitos e deveres?


A frase do Vergílio Ferreira é realmente um "must".
O mais importante é a construção que nós vamos fazendo de nós, independentemente de essa construção corresponder ou não àquilo que a sociedade e o tal banho cultural tentaram fazer de nós. O que fizeram de nós pode sempre ser alterado, assim tenhamos força e vontade para isso.
É assim que eu interpreto a frase e é linda.

Anónimo disse...

Os trabalhos científicos feitos pelo Prof. Doutor Freitas-Magalhães no Laboratório de Expressão Facial da Emoção esclarecem bem a diferença de géneros.

Anónimo disse...

E ninguém questiona os pressupostos ou os métodos desses estudos?...

Ana

circe disse...

Ana,
E por acaso já temos conclusões,
computorizadas ou não, do sorriso
da ou do GIOCONDA ?

Anónimo disse...

Saudações ao anonimo das 12:22 AM,
agradecendo o link para:

- Facial Emotion Expression Lab’s website (com tradução em português):
http://afmpsi.planetaclix.pt/feelab.html

Nota: Nas informações da pesquisa no google, sobre a mm matéria deste post, ou seja, sobre a expectativa e a fabricação da notícia televisiva, onde gestos e expressão facial são cruciais, encontra-se um excelente artigo nesta biblioteca online das ciências da comunicação:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/_texto.php3?html2=moretzsohn-sylviavelocidade-jornalismo-2.html

Esoen