sábado, abril 02, 2005

Holofotes egoístas?

Também me desagrada este delírio "informativo" dos media, há nele muita exploração e falta de respeito:(.

Quanto às "dicas" dos mesmos media sobre a sucessão: "A Igreja não é apenas uma fé ou uma comunhão, é também um aparelho de poder bastante complexo". Manuel Vásquez Montalbán (Ou César ou Nada).

16 comentários:

Anónimo disse...

Penso que esse "delirio informativo dos media" desagrada a todos e já se falou nisso em tantas situações (relembro o tsunami de dezembro, a guerra do iraque...para citar alguns), mas afinal somos nós, os consumidores dos media, que o alimentamos ao sentarmo-nos em frente de um televisor ou de um pc, etc... buscando avidamente notícias. Os media sabem o que "nós" queremos e dão-nos isso (manipulação?). Actualmente pior que a dita manipulação é a ausência de notícias, o não estar informado.

Eu diria que o Velho Senhor de Branco é um Papa ecuménico e será lembrado sempre como o "Papa peregrino" que arrastou e emocionou multidões.

Um abraço Professor

Maite

maria_arvore disse...

Fazer notícias não é mostrar a morte ao microscópio.
Ou não haverá mais nenhuma informação para dar?
Ou a comunicação social está a fazer publicidade em vez de informação, assim a modos como «Tem aqui o Código de Da Vinci. Não importa que saiba ler. Mas todos o usam debaixo do braço»?

Calvin disse...

O drama que a iminente morte do Papa colocou aos orgãos informativos é o de estarem pendentes da sua morte. Sendo esperada por todo o Mundo, o seu anúncio não será tanto uma notícia como uma confirmação das expectativas. Isto leva a notícias tão patéticas como "O Papa está vivo" (frase de abertura do Telejornal de ontem da RTP 1). Ou seja, a notícia dada é na verdade a ausência da notícia esperada.

FDV disse...

os media são claramente desmedidos.

cumprimentos.

nikita disse...

Absolutamente de acordo. Esta notícia (ou a falta dela) já enjoa. O 'senhor de branco' foi um grande chefe religioso...etc.,etc, mas eu por acaso gostava que a tv me desse outras notícias sobre o que se passa no resto do mundo ...e por cá.

nikita disse...
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jotakapa disse...

Fazendo zapping quase só se fala do mesmo, até mesmo o Trapattoni do Benfica falava do assunto. Isto é um exagero!

O VIZINHO disse...

Boa tarde caro vizinho Julio.
O que me parece resultar evidente nesta sucessão que se prepara é a inevitabilidade de os católicos verem "baixar o nível" carismático do homem que os lidera.
Difícilmente o próximo Papa conseguirá uma tão grande aceitação nos mais diversos quadrantes religiosos, sociais e políticos. Não invejo a sorte do Cardeal a quem há-de sair a fava.

Odete disse...

Infelizmente são estes os media que temos hoje em dia. A luta pelas audiências leva a todo este delírio informativo.
Quando não há nada de novo a revelar, repetem as coisas até à exaustão. Podemos fazer alguma coisa? Podemos. No caso da televisão, desligar; em relação aos jornais, passar por cima.

Discordo totalmente da Maite - a manipulação é algo de terrível, ainda mais porque muitas pessoas nem sequer se apercebem que estão a ser manipuladas. É um incentivo ao "não pensar". Cada vez menos as pessoas pensam pela sua cabeça e cada vez mais adoptam como suas ideias expressa pelos "notáveis" da nossa praça.
Ausência de notícias como? Excesso de notícias sim. Hoje em dia só não está informado quem não quer.

papoila disse...

gostei especialmente da "notícia de última hora", da RTP:
"O papa está vivo!"
um beijinho e parabéns pelo blogue.

Papoila

Circe disse...

Sou agnóstica.
Muito do show mediático me passa ao
lado. Mas uma imagem guardo comigo,
e que nunca esquecerei:
Karol, tentando em vão, falar há dias para a multidão, e pelo microfone apenas o gemido abafado,
o som do sofrimento...
Mais do que vi - e não ouvi - senti : tardou a paz que ele merecia. Respeitemos isso.

JRD disse...

O comportamento dos media é o que é. Pensar que podia ser diferente é para mim tão absurdo, como acreditar na infalibilidade do Papa.
O que eu gostava mesmo de conseguir compreender é o seguinte:
O pontificado anterior, durou menos tempo do que a fase agónica aguda do actual Papa.
João Paulo I faleceu subitamente, da noite para o dia e ainda hoje permanece uma nebulosa acerca da sua morte.
Por outro lado e ao contrário, o seu sucessor foi-se finando lentamente.
Como não sou dado aos mistérios da fé, terei que admitir que se trata de mistérios do acaso. Ou serão acasos misteriosos?…

lobices disse...

...sou ecuménico...do resto faço minhas as palavras da Circe...

PortoCroft disse...
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PortoCroft disse...

Eu sou ateu, desde que me conheço. Com os meus 15 anos escrevi isto e, nunca mudei a minha opinião:

PROFISSÃO DE FÉ

Formas opalinas
Movendo-se dum para outro lado,
Dizem-me: - Pára!
E eu sigo em frente,
Surdo e indiferente.
Contínuo foragido
Existe em mim uma clandestinidade
Que me atrai, aborrece e não pratico.
Por isso, quando me dizem: -Pára!
Eu sigo sempre em frente,
Agnóstico, apóstato,
Mais livre e resistente.
Não me queiram pois submisso
Nem crente das palhaçadas
Dos Oficiais do Santo Ofício.
Eu não vou nisso!
"Deus" não quer isso!
A minha fé é justamente humana:
Germina no coração dos homens
Livres e justos.
As minhas velas,
São cigarros incandescentes,
Omnipresentes,
Nas minhas noites de vigília.
E, o meu terço,
É o dia dez de cada mês.

No entanto, reconheço o magistério de influência que a Igreja pode ter - e teve, com João Paulo II - e respeito. Mais a ele que à própria estrutura eclesiástica.

A Imprensa, numa lógica capitalista, mais do que informar, explora a nossa ânsia de informação e constrói as histórias que, em pescadinha, hão-de alimentar a nossa própria ânsia.

Tão só, um pai disse...

Foi-me contundente a despedida do homem que assomou a uma janela para, num último acto, mar avida e sussurar o amor num último suspiro. Obrigado, televisão.
Sucessão? Interessa-me. JPII foi feito da e para a guerra fria. Demasiado Homem e pouco de Cristo. Rejeitou as causas da justiça, da mudança exigida para que a igreja retornasse às origens. A luta pela dignidade humana e pelo amor ao próximo já não se confunde com o comunismo. Acabou-se o papão político. Que venha a igreja dos oprimidos, dos doentes, dos esfomeados, dos idosos, dos sem abrigo. A igreja que se indigna, que se manifesta e denuncia os que morrem sem um sorriso. A igreja da solidariedade. A igreja para os tempos da globalização. Não o conglomerado financeiro, nem a Igreja das Igrejas, nem a religião das religiões. Pobre seria Deus, se as almas redimidas com lugar no céu, fossem apenas as da Fé cristã.