domingo, maio 14, 2006

Eles também são Igreja.

António Rilo

Os católicos pecam, confessam-se e tentam corrigir-se. Em relação ao preservativo, contudo, é a própria noção de pecado que está ausente
O uso do preservativo com o objectivo de obter prazer sexual sem procriar é um pecado para a Igreja Católica mas não para a esmagadora maioria – 84,2 por cento, ou seja, mais de oito em cada dez – dos católicos praticantes inquiridos no âmbito da sondagem realizada pela Aximage para o Correio da Manhã.
Embora não tão expressiva é ainda uma maioria clara de católicos praticantes – 70,7 por cento – a afirmar que a Igreja deveria deixar de ser contra a utilização do preservativo em todas as situações e não apenas em algumas circunstâncias, nomeadamente quando um dos membros do casal é seropositivo ou doente de sida, hipótese que merece actualmente a reflexão de um grupo de teólogos do Vaticano.

A diferença, constatada na sondagem, entre o sentimento dos católicos e a doutrina da Igreja acerca do uso do preservativo, não surpreende Maria João Sande Lemos, do movimento católico internacional ‘Nós Somos Igreja’, que reclama a possibilidade de as mulheres serem ordenadas sacerdotes.

“As pessoas seguem a sua consciência com o objectivo de evitar um mal maior. O uso do preservativo evita infecções, a propagação da sida ou uma gravidez.” No entender de Maria João Sande Lemos, “a nossa consciência é o último juízo e, em consciência, as pessoas decidem que não podem ter mais filhos sobretudo por razões económicas e não por egoísmo”.

Fernando Castro, presidente da Associação das Famílias Numerosas, também usa a palavra “consciência”, mas para sublinhar o dilema de católicos praticantes em oposição às directrizes da Igreja, que “devem resolver com os respectivos directores espirituais”. Reconhecendo a “enorme distância” entre o que fazem os católicos e determinadas leis da Igreja “inspiradas no Espírito Santo”, Fernando Castro observa que “por isso existe a noção de pecado”.

Uma noção que, no caso do preservativo, é inexistente para a esmagadora maioria dos católicos praticantes. “Estão errados”, diz Castro.

Uma maioria ainda mais absoluta – 94,1 por cento – de inquiridos autodenominados católicos não praticantes entende que não é pecado usar o preservativo, embora menos entre eles – 86,3 por cento – reclamem o fim da interdição em qualquer caso.

OS NOVOS PECADOS

Que passar tempo demais a ler jornais, a ver televisão ou na internet diminua a fé cristã, como recentemente declarou o cardeal do Vaticano que tem o cargo de penitenciário-mor, merece aprovação de apenas 29,1 por cento dos católicos praticantes inquiridos, enquanto 67,5 por cento discorda. Trata-se contudo de uma diferença menos expressiva do que a observada em relação ao uso do preservativo.

Também são menos os católicos não praticantes – 71,3 por cento – que entendem não ser pecado ler jornais, ver televisão e navegar na internet em comparação com a percentagem dos que aprovam o preservativo sem reservas. O método do ritmo – que consiste em evitar relações sexuais no período fértil do ciclo da mulher e envolve uma série de cálculos – é o único (embora não infalível) compatível com as orientações da Igreja Católica em matéria de contracepção.

Ontem, num congresso dedicado à família e ao casamento, o Papa Bento XVI defendeu mais uma vez a família tradicional baseada no casamento, distinguindo-a das uniões civis, de homossexuais ou heterossexuais. “A necessidade de evitar a confusão com outros tipos de uniões fundadas num amor fraco assume actualmente uma urgência especial”, disse.

PECADO E A COR POLÍTICA

Todos os inquiridos do Bloco de Esquerda e do PCP afirmaram que usar o preservativo não é pecado. Entre os eleitores do PS, 90,1 também recusou a ideia do pecado, enquanto 84,7 e 84,2 por cento dos que votaram respectivamente no PSD e no PP disse o mesmo. De uma análise por regiões conclui-se que a associação do preservativo ao pecado ‘colhe’ mais no Interior. Entre os inquiridos são as mulheres, as pessoas mais idosas e com menos escolaridade que aceitam o pecado com mais facilidade.

"NÃO É A IDEIA QUE TENHO. O RESULTADO SURPREENDE-ME "

D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz de Braga e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), manifestou-se “surpreendido” com o resultado desta sondagem do Correio da Manhã.

“Do contacto com as comunidades, essa não é a ideia que tenho, por isso, esse resultado surpreende-me”, disse o prelado, sublinhando, no entanto, que “sondagens são uma coisa e a realidade outra, por vezes bem diversa”.

No final da última reunião plenária da Conferência Episcopal, há duas semanas, a Igreja Portuguesa admitiu, pela voz do bispo de Bragança-Miranda, D. António Montes, o uso do preservativo, segundo a teoria do mal menor.

O facto foi entendido como um passo “progressista” da Igreja nesta matéria, apesar de nada alterar ao nível da posição de princípio.

Nessa altura, D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, disse ao CM que “a teoria do mal menor não é nova e que, para todos os efeitos, é sempre preferível o látex ao aborto”.

Apesar destes avanços, a Igreja Católica Portuguesa continua a defender os princípios do casamento e da fidelidade como a “única forma eficaz e moralmente aceitável” de evitar doenças graves como a sida.

O padre João Alberto Correia, professor de teologia, diz que “a Igreja não pode vacilar nos princípios, sob pena de arruinar toda a estrutura moral”.

TESTEMUNHOS

"CORRIGIR O PECADO" (FERNANDO CASTRO)

“Estão errados os que se dizem católicos praticantes e defendem exactamente o contrário do que postula a Igreja Católica. Quanto ao pecado, o que há a fazer é confessá-lo e tentar corrigi-lo.”

"NÃO É EGOÍSMO" (MARIA JOÃO SANDE LEMOS)

“O uso do preservativo para evitar uma gravidez não pode ser visto como uma atitude egoísta. As pessoas têm toda a razão quando evitam ter um filho, porque não têm dinheiro para concretizar a gravidez. A nossa consciência é o último juízo.”

"É PRECISO COERÊNCIA" (MARINA MOTA)

“Fui educada dentro da Igreja Católica e abandonei-a precisamente por causa por causa do que defende em matérias como o uso do preservativo, a homossexualidade ou a interrupção voluntária da gravidez. É preciso ser coerente.”

"PREVENIR DOENÇAS" (MIGUEL VIEIRA)

“Sou católico e penso que usar preservativo não é pecado. A postura da Igreja contribui para a propagação de muitas doenças e pode vir a ser uma catástrofe.”

BISPOS ACEITAM

No final de Abril, os bispos portugueses aceitaram o uso do preservativo para evitar o contágio da sida.

VATICANO RECUA

Já este mês, o cardeal Alfonso Trujillo disse que o Papa não alterou a sua posição sobre o uso do preservativo.

SONDAGEM: FICHA TÉCNICA

OBJECTIVO: Utilização do preservativo e posição da Igreja Católica.

UNIVERSO: Indivíduos inscritos em cadernos eleitorais em Portugal em lares com telefone fixo.

AMOSTRA: Aleatória e estratificada por região, habitat, sexo, idade, instrução e voto legislativo, polietápica e representativa do universo, com 550 entrevistas efectivas (289 a mulheres).

COMPOSIÇÃO: Proporcional por reequilibragem amostral.

RESPOSTAS: Taxa de resposta de 83,1 por cento. Desvio padrão máximo de 0,022.

REALIZAÇÃO: 4 e 5 de Maio, para o Correio da Manhã pela Aximage, com a direcção técnica de Jorge Sá e Luís Reto.
Isabel Ramos/João Saramago com S.C.C./Secundino Cunha

26 comentários:

CêTê disse...

Boa tarde!

Deixei de ser praticante há muito tempo. Não sei se sou agnóstica. Não deixo contudo de reconhecer a importância dos valores mais nobres que os cristãos podem veicular, por isso o meu filho mais velho frequenta a catequese. Cultivo contudo o espirito crítico nele que alías existe em qualquer (pré-)adolescente. Sei que quem acompanha o grupo ao qual ele pertence é uma pessoa bem formada- critica-interventiva ao nível social- jovem- ....

Depois agrada-me saber que nesse grande universo que é a instituição há quem faça ouvidos moicos às idiotices de desiquilibrados superiores e que fazem o que está certo ser feito. Felizmente que os povos que mais precisam são aquleles que mais bem servidos estão a este nível.

abraços

noiseformind disse...

Pois somos ; ))))) e estámos tramados se um dia destes a Igreja passar a condenar o Ky-Gel e o uso do vibrador loooooool loooooooooooool loooooooooooooooooooool looooooooooooooooooooooooooooooooooool looooooooooooooooooooooooool

noiseformind disse...

E tanto somos que até temos o nosso site e tudo ; )))))))

noiseformind disse...

; ))))))

CêTê disse...

Noise, ?????????
(lol: quando houver promoção do pack avisa ;P)

noiseformind disse...

Boss,
Mas afinal a culpa dos falhanços nas campanhas para a sensibilização do uso do preservativo está na Igreja? Então se os próprios católicos dizem que não concordam com a posição oficial da Igreja QUE PRESSÃO afinal pesa sobre um português médio colocado diante da escolha de usar ou não preservativo? É culpa que os anúncios de sensibilização para o uso do preservativo passem ás 2 da manhã, como ainda hoje me mailaram (passou na SIC ontem ás 2h21)? É??????????? 86% dos católicos, os que são católicos, não concordam com a posição oficial da Igreja, e 100% (imagino) dos outros tb não concordam. Então o que não é mais a Igreja do que um bode expiatório????????????????????? Sim, pura e simplesmente um bode expiatório!!!!!!!!! Se estivessemos a falar de África, se estivessemos a falar de um México, de uma Venezuela... ainda vá lá que não vá. Mas em Portugal, com estes resultados, que taxa de penetração tão grande tem a mensagem do Vaticano para a malta aqui na caixa de correio se preocupar tanto e atirar tantas pedras? Só tenho uma explicação: desviar os olhos do umbigo. Pq têm uma desculpa para as suas próprias práticas e insegurança. Como se pode ver na DSS de 2005 temos que Portugal, Polónia e Espanha são os países da Europa com maior taxa de relações sexuais protegidas!!!!!!!!!!!!!!!! Desculpa lá, mas isso não é um sinal claro de que o mal das gravidezes indesejadas e DST não vêm ao mundo pela mensagem Vaticana??????? Brincámos ou q? No mesmo estudo 79% dos portugueses escolhiam uma das seguintes áreas em relação a áreas onde o Governo deveria investir: planeamento familiar, educação sexual e acesso aos preservativos. Tipo, que é que o Governo tem feito nestas áreas? Desinvestir... desinvestir... desinvestir. Reduziram-se os anti-concepcionais comparticipados, a verba para psicólogos nas escolas, criou-se no papel uma disciplina para a aducação da saúde com 8 temas em que, dividindo pelas 3 horas semanais dá 17 minutos por semana a falar de sexualidade, da qual ainda não há manuais, para a qual não há preparação. Tipo. E isto é resultado do discurso da Igreja? Então por aí, em Espanha não se dava nem a legalização do aborto nem a legalização das uniões homossexuais.

No caso a educação sexual, se for para fazer uma coisa destas... nem vale a pena.. Gostava de saber pq é que só encontrei como portal de informação sobre educação sexual este link de uma escola secundária? Será que o Governo anda a ouvir demasiadamente a Igreja Católica?

Cá está... o único recurso estatal que consegui encontrar online. E mesmo assim, dentro desta página supostamente de sexualidade, só há duas paginazitas de informação, e mesmo assim repetem até à nausea "tens é de te sentir bem". Quase mais nada!

Exemplos?

UM
dois
três
quatro
cinco
seis


Terá sido isto escrito em conluio com a Santa Madre Igreja?


"O que é que rapazes e raparigas têm em comum?

Se pensares no teu grupo de amigos onde se encontram misturados rapazes e raparigas aproximadamente da mesma idade, verás que existe uma enorme diversidade de actividades, experiências e expectativas no campo da sexualidade e das relações íntimas. No entanto, possuem em comum o desenvolvimento gradual e ordenado da sua sexualidade, isto é, ao longo dos vários estádios de desenvolvimento na adolescência dá-se uma maturação gradual, tanto a nível físico quanto psicológico, que é comum quer a rapazes quer a raparigas."

(...)

"Sim, é mesmo, as decisões também implicam saber ouvir sim e não....

Passemos para um cenário diferente. Percebes que chegou o momento de dizer que sim. Sentes-te compreendido/a, amada/o. Depois de muito conversar, de acertar algumas agulhas e limar outras tantas arestas, uma simples troca de olhares, um beijo mais caloroso fazem soar as campainhas..sim!sim!!sim! Sentes aquela vontade de murmurar baixinho, sim!
_Topo
Aceitarás o amor como eu o encaro?

...Azul bem leve, um nimbo, suavemente

Guarda-te a imagem, como um anteparo

Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro



Vive em teu corpo nu de adolescente,

A perna assim jogada e o braço, o claro

Olhar preso no meu, perdidamente.



Não exijas mais nada. Não desejo

Também mais nada, só te olhar, enquanto

A realidade é simples, e isto apenas.



Que grandeza...a evasão total de pejo

Que nasce das imperfeições. O encanto

Que nasce das adorações serenas.



Mário de Andrade"

(...)

"As relações amorosas

As primeiras relações amorosas podem ser muito intensas.

São experiências inigualáveis.

Aquela é a pessoa.

Quando finalmente conseguiste conquistar o tal rapaz...

Chegaste à fala com aquela rapariga... a tal!!!

Tiveste a coragem de a convidar para ir ao cinema, ou vais sair com ele no sábado à tarde.

Perdeste a timidez por uns instantes, apanhaste as amigas dela ausentes por um minuto e lanças um sorriso bonito, carinhoso e inventas um irónico e simpático: "Olá!, as tuas amigas abandonaram-te... é tão difícil falar contigo sozinha"."

Já agora fica tb os recursos disponibilizados pelo portal psicologia.pt. Uma horda de católicos descontrolados.

Meus caros, Portugal é o que é em termos de sexualidade não pela Igreja Católica mas por causa de uma máxima muito mais perniciosa. A ignorância, ao contrário do conhecimento, dá sempre menos trabalho ;( apesar de no longo prazo estar comprovado que sai sempre mais cara.

Fora-de-Lei disse...

“Estão errados os que se dizem católicos praticantes e defendem exactamente o contrário do que postula a Igreja Católica.”

FERNANDO CASTRO


Não poderia estar mais de acordo!

Fora-de-Lei disse...

“Fui educada dentro da Igreja Católica e abandonei-a precisamente por causa por causa do que defende em matérias como o uso do preservativo, a homossexualidade ou a interrupção voluntária da gravidez. É preciso ser coerente.”

MARINA MOTA

Não poderia estar mais de acordo!

Julio Machado Vaz disse...

Noise,
Já não sei como te hei-de explicar, homem:)))). Nos países mais industrializados - porque em África, por exemplo, acho que dentro de quinhentos anos a Igreja acabará a pedir perdão... - o que me pesa é que a hierarquia não ajude. Porque a Fé talvez não mova montanhas, mas move pessoas e junta gerações em causas comuns. Quanto à "rebelião" dos católicos em áreas de ética sexual, por favor, meu velho, todos sabemos que vem de longe e às vezes abertamente, basta recordar os inquéritos que se seguiram ao anti-clímax do Vaticano II.

Fora-de-Lei disse...

“Sou católico e penso que usar preservativo não é pecado.”

MIGUEL VIEIRA


És católico ?! Tu és é católico de meia-tijela. Deves pensar que ser-se católico é o mesmo que ser-se do Benfica ou do Sporting...

Lusco_Fusco disse...

Boa tarde
(beijito Noise :p)
Discordo da tua posição de defesa acerrima dos representantes da igreja, mas "tas" perdoado!

Enveredar pela igreja católica não foi escolha minha.Apenas me limitei à orientação dada e com a idade conservar o que valorizo largando pelo caminho amarras poderosas de medos e ameaças a que me sujeitaram.
Comungo de muitos dos valores transmitidos pela da sua essência. Tento manter-me com espírito crítico, usando a razão e a fé, não as dissociando e tentando criar para mim e para quem me rodeia o sentido de ética que valorizo nas duas vertentes - um conjunto de regras, princípios ou maneiras de pensar que guiam e
a argumentação sobre como devemos agir apoiados nelas.

Um mundo racionalizado como até aqui, deu como fruto egoísmo e egocentrismo despidos de moral e ética para atingir objectivos.
Como alguém diz, hoje, "Valoriza-se não só a razão, mas também o coração, o sentimento, o que dá prazer ao indivíduo. Foi superada a era da razão absoluta. O racionalismo aparece como um esqueleto, necessário mas não suficiente para viver e viver bem. Neste sentido, a doutrina é necessária na Igreja, mas não suficiente para educar novas gerações. Urge a vivência do amor. Ao olharmos para o campo social e político, constatamos um grande divórcio entre a doutrina da Igreja e a realidade."

Um abraço
MJ

Lusco_Fusco disse...

Pelo que expus, é urgente criar uma doutrina da igreja adequada ao tempo e ao espaço. Pensar em repôr a doutrina da igreja da Idade Média é um erro.
MJ

andorinha disse...

Boa tarde.

Não me vou alongar, prometo.:)

Concordo totalmente com Maria João Lemos "...a nossa consciência é o último juízo."

"Os católicos pecam, confessam-se e tentam corrigir-se."
Não me façam rir, todos sabemos que uma esmagadora maioria não o faz.

CêTê disse...

Em defesa daqueles que deixam o conforto e em missão partem para o fim do mundo com um saco de preservativo e a vontade de mudar a sorte das crianças que ajudam a nascer a propósito do que escreveu o prof:



"Nos países mais industrializados - porque em África, por exemplo, acho que dentro de quinhentos anos a Igreja acabará a pedir perdão... - o que me pesa é que a hierarquia não ajude."

A Igreja deve um pedido de perdão sim mas ao Mundo inteiro tal com nós descendentes de outros portugueses do tempo de grandes feitos (descobrimentos). Muito embora não me recorde dos nomes das terras onde se encontram posso (se bem que a amostra que conheço possa ser pouco significativa) dizer que acredito que os missionários praticam melhor o cristianismos que a maioria dos padres e bispos que conhecemos. Alguns dos quais figuras já mediáticas que ganham balúrdios (muito mais que o prof. nos seus programas televisivos) na tv e rádio a fazem figuras lamentáveis.

1OO +

fiury disse...

(atolle)
há conclusões cruas demais para se tirar de semelhantes posiçoes toamadas pelas cúpulas da igreja católica.há coisas que de tanta contrariedade com pensadores notaves e católicos que apenas se explicam pela manutenção do grande poder.talvez seja melhor que continuem a existir para que o mundo se indigne com os verdadeiros poderes que nos governam a todos.

fiury disse...

(atolle)
noise

como podes duvidar do peso dessas posições?
( por favor não me respondas em termos de preservativos, sexo oral e vibradores). não tenho nada contra nenhum deles mas descomplica miudo!
tás a ver os toxicodependentes, os passadores de droga, os intermediários, as forças policiais e outras e as grandes plantações de droga?? pois...é por aí....

noiseformind disse...

Boss,
Eu já percebi a tua posição ; )))))) e tu já percebeste a minha. Mas isto de estar na Córsega via Barcelona inspira actos terrotista de opinião. Ainda acabo a pedir independência para o Porto e minagem do rio Douro se não volto para aí depressa ; ))))))))))

andorinha disse...

Noise,
Até que enfim! Looooooooooool

noiseformind disse...

E tb aqui já disse que a cúpula (não confundir com a outra, com a cópula) da Igreja representa muitos milhões de cristãos que não estão na Europa. Estão na América do Sul, estão em África. E as vocações nesses países é que são florescentes, portanto é para esses auditórios que a Igreja fala quando fala desta forma. Para mim, que sou cristão, este fds em Fátima o fundamental foi a memória de JP2. Que estendeu a influência da Igreja muito para além do Vaticano e a re-centrou em termos políticos e no âmago do poder secular. Mas lá está, confunde-se não raras vezes poder com obstinação e terá sido por aí que Karol Józef Wojtyła falhou. Afiou os dentes ao Colégio Cardinalócio e da Cúria romana com a sua amiúde intervenção no mundo mas pagou (e se calhar concordou) com a bagagem reaccionária em relação ao Vaticano II que entretanto se deu. Pq não tenho dúvidas que Vaticano II foi uma possibilidade como foi um risco. Logo após o Concílio foram extintas diversas ordens religiosas por todo o mundo pois a obrigatoriedade de as ordens religiosas entregarem um determinado valor aos seus membros foi vista como uma afronta pelos religiosos ao voto de pobreza. E portanto moldaram-se as palavras num crivo de abrangência para que não se perdessem os fiéis. Que o problema não está em que a mensagem não seja compreendida por quem está de fora. Usando nros do último censo que a Diocese do Porto fez, em 1995, só 8% dos residentes é que frequentam a Igreja em média. Ou seja, 8% dos residentes. E é vital para a Igreja que esses 8% não se sintam traídos nas suas convicções para que a Igreja não deixe de fazer sentido. O próprio casamento de padres, que tanto alarido provoca, não é ponderado por quem está de fora em termos do problema de que a maior parte das vocações são missionárias e são precisamente esses jovens que são os mais ortodoxos. Não vejo a malta a voltar a correr para as Igrejas tomando ela estas duas medidas. A Igreja é firme nos seus valores, que vão muito para além da ordem sexual. Não percebo é como os 92% que vivem longe dela lhe atribuem tanto valor e fazem dela a causa de tantos males.

Desajustada secularmente? Sem dúvida...
Sem papel no mundo secular? Totalmente falso...

O problema vai ainda mais fundo na própria Igreja com a questão das comunidade ortodoxas americanas. Não esquecer que a Igreja Católica na América do Norte foi introduzida em grande parte pelos emigrantes irlandeses e italianos e tem tremenda importância no Vaticano.

Como é que se faz malta com estas ideias continuarem dentro da Igreja adoptando uma posição de abertura em relação à sexualidade e contracepção? Nos cirrculos em que bispos católicos adoptaram maior abertura em relação a estas questões (Vermont e MAssachussets) foi a total debandada e desagregação nas comunidades católicas, sob pressão de um cristianismo multi-facetado e com um fortísimo espírito missionário.

Tou como o outro: "não cá vamos andando..." mas não é possível manter a Igreja UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA e ao mesmo tempo aceitar a nível central o preservativo no espaço dos próximos 20 anos. Não é! Pura e simplesmente não é possível, e isto não é nada contra a tua posição, é fruto da própria orgânica das comunidades. Por exemplo, em África o facto de os padres serem celibatários encaixa em grande parte das culturas locais onde o conselheiro do Chefe tribal é o curandeiro, pessoa cuja sexualidade está funcionalmente ligada à virginddade feminina. Foi um dos factores de expansão dos combonianos, por exemplo, como podes ler no livro Daniel Comboni - Corajoso e Provocador.
Portanto lamento, mas para termos a Igreja que temos tem de haver uma posição central que te vai desagradar ainda por muitos anos. Aceita essa contrariedade com espírito de sacrífício, cada um carrega a sua cruz, tá bem? ; ))))))

Mário Santos disse...

Penso que estamos a falar de várias coisas diferentes:

1- o uso do preservativo na prevenção das DSTs
2- o uso do preservativo com método anticoncepcional
3- a ideia que temos do que é o pecado

Em relação a 1, nunca percebi porque é que a Igreja se deu ao trabalho de se opôr:

* se estamos a falar de relações sexuais esporádicas, para a Igreja o problema começa logo precisamente no esporádico; a partir daí é óbvio que a responsabilidade obriga a que cada faça tudo ao seu alcance para não ser infectado e para não infectar outros.

* se estamos a falar de relacionamento sexual dentro de um casamento em que um está infectado com uma DST, o preservativo entra, obviamente, na categoria dos cuidados de saúde e, portanto, a questão também está resolvida.

Já em relação a 2, é um assunto bem controverso, mesmo dentro da Igreja. Para os cristãos o casamento implica um apelo à geração de vidas novas e, por isso, o regulamento dos nascimentos é um assunto delicado. Na minha opinião pessoal esta questão está ligada com o ponto 3, com a concepção que temos do pecado. Já disse isto uma vez, estar a ligar o que é pecado à materialidade dos actos parece-me extremamente curto e empobrecedor. Só para dar um exemplo, os chamados métodos naturais, que tão má fama têm, chegaram a um grau de sofisticação que permitem que sejam realmente uma alternativa. Ora eu posso usar um "método natural" com a mesma atitude de recusa à abertura à vida que usando outro método qualquer.

A descoberta do nosso pecado tem de ser feito no seio de uma relação afectiva com Deus, que nos acolhe sempre e não percorrendo uma lista de pecados possíveis.

O pecado é algo que nos afasta de Deus e dos homens e estando inseridos numa Igreja, ajuda estar abertos às reflexões que a hierarquia faz, pois podem ajudar-nos a abrir os horizontes e a formar melhor a nossa consciência.

Ao longo destes 18 anos em que estou na Igreja tenho vindo a descobrir que só há uma maneira de ajudar a construir a Igreja - é estando dentro dela, dando de mim e correndo o risco que também me apontem o dedo. Depois de uma tantas vezes reconhecer que também errei, passei a ser bastante mais lento a apontar o dedo :))))))

Vocês imaginam quantas tendências e sensibilidades diferentes há dentro da Igreja? E a todos nós Jesus pede-nos que sejamos um. Parece impossível não parece?

noiseformind disse...

Mário Santos,
Lendo-te é caso para dizer que és uma bela publicidade ao casamento ; )))))))) pena nem toda a gente ficar tão consciente como tu quando casa ; ))))))))))))))

noiseformind disse...

Lusco_fusco,
O alguém que disse foi Urbano Zilles, e eu adoro encontros entre gregos e católicos ; ))))))

andorinha disse...

Noise,
"Que o problema não está em que a mensagem não seja compreendida por quem está de fora."
Não? A Igreja não tem interesse em captar mais fiéis, em aumentar o número das suas ovelhas? Em cativar as tresmalhadas?

"...só 8% dos residentes é que frequentam a Igreja em média (diocese do Porto.)"
A continuar assim, cada vez serão menos, não?

Estive a ler as ideias dessa malta ( li tudo) e apesar de já estar mais ou menos preparada para o que ia ler, mesmo assim ainda consegui ficar chocada.
Algumas ideias-chave:
1 - Mais e melhor educação sexual e mais e melhor acesso a contraceptivos não é a solução
2 - Precisamos de compreender melhor a relação entre sexo, amor, casamento e filhos
3 - Temos que ajudar os jovens a perceber que não estão preparados para o sexo enquanto não estiverem preparados para serem pais.
4 - Famílias numerosas fazem das pessoas melhores cristãos
5 - Os casais que usam os métodos naturais de contracepção entendem-se melhor e respeitam-se mais um ao outro.
6 - O sexo deve ser praticado tendo em vista a reprodução.

Como estas há mais,o artigo é enorme.
Sinceramente não percebo como no século XXI alguém no seu perfeito juízo é capaz de advogar ideias destas.

noiseformind disse...

Adorinha,
Alguém que está numa comunidade onde estes conjunto de vivências resultam e onde há mais pessoas que pensam assim ; )))))) chocas-te com pouco. É de ainda seres jovem. Espera até chegares à minha idade... ; )

noiseformind disse...

Andorinha,
Olha que estás a ir muito pela rama miúda... os católicos nos EUA estão a prevalecer religiosamente precisamente pq são, juntamente com os Mormons, a última religião em que o nro de famílias numerosas não tem acompanhado a média nacional. E há outro tipo de católicos praticantes emergentes, os hispânicos ; )))))) pois é miúda... pois é... quem é que no seu perfeito juízo e tal... ; ))))))

andorinha disse...

Noise,

Sei que me adoras, miúdo, mas não precisas de me chamar Adorinha.:)))))))))))))