domingo, janeiro 21, 2007

Estou de acordo. Se o Sim ganhar há precauções a tomar, em prol da livre opção da mulher.

Referendo sobre o aborto Anselmo BorgesPadre e professor de Filosofia

Numa questão tão delicada, com a vida e a morte em jogo, não se pretende que haja vencedores nem vencidos, mas um diálogo argumentado, para lá da paixão e mesmo da simples compaixão. Ficam alguns pontos para reflectir. 1. O aborto é objectivamente um mal moral grave. Aliás, ninguém é a favor do aborto em si, pois é sempre um drama.2. A vida é um bem fundamental, mas não é um bem absoluto e incondicionado. Se o fosse, como justificar, por exemplo, o martírio voluntário e a morte em legítima defesa?3. Para o aparecimento de um novo ser humano, não há "o instante" da fecundação, que é processual e demora várias horas.A gestação é um processo contínuo até ao nascimento. Há, no entanto, alguns "marcos" que não devem ser ignorados. É precisamente o seu conhecimento que leva à distinção entre vida, vida humana e pessoa humana. O blastocisto, por exemplo, é humano, vida e vida humana, mas não um indivíduo humano e, muito menos, uma pessoa humana.Se entre a fecundação e o início da nidação (sete dias), pode haver a possibilidade de gémeos monozigóticos (verdadeiros), é porque não temos ainda um indivíduo constituído.Antes da décima semana, não havendo ainda actividade neuronal, não é claro que o processo de constituição de um novo ser humano esteja concluído. De qualquer modo, não se pode chamar homicídio, sem mais, à interrupção da gravidez levada a cabo nesse período.4. Sendo o aborto objectivamente um mal, deve fazer-se o possível para evitá-lo. Tudo começa pela educação e formação. Impõe-se uma educação sexual aberta e responsável para todos, que, não ficando reduzida aos aspectos biológicos e técnicos, tem de implicá-los, fazendo parte dela o esclarecimento, sem tabus, quanto à contracepção.5. O aborto é uma realidade social que nem a sociedade nem o Estado podem ignorar. Como deve então posicionar-se o Estado frente a essa realidade: legalizando, liberalizando, penalizando?6. Não sem razão, pensam muitos (eu também) que, se fosse cumprida, a actual lei sobre a interrupção da gravidez, permitida nos casos de perigo de morte ou grave e duradoura lesão para a mãe, de nascituro incurável com doença grave ou malformação congénita e de crime contra a liberdade e autonomia sexual (vulgo, violação), seria suficiente. 7. De qualquer forma, vai haver um referendo. O que se pergunta é se se é a favor da despenalização do aborto até às dez semanas, em estabelecimentos devidamente autorizados, por opção da mulher.Por despenalização entende-se que, a partir do momento em que não há uma pena, a justiça deixa de perseguir a mulher que aborta e já não será acusada em tribunal. Aparentemente, é simples. Mas compreende-se a perplexidade do cidadão, que, por um lado, é a favor da despenalização - despenalizar não é aprovar e quem é que quer ver a mulher condenada em tribunal? -, e, por outro, sente o choque de consciência por estar a decidir sobre a vida, realidade que não deveria ser objecto de referendo. O mal-estar deriva da colisão dos planos jurídico e moral.8. Impõe-se ser sensível àquele "por opção da mulher" tal como consta na pergunta do referendo, pois há aí o perigo de precipitações e arbitrariedades. Por isso, no caso de o "sim" ganhar, espera-se e exige-se do Estado que dê um sinal de estar a favor da vida.Pense-se no exemplo da lei alemã, que determina que a mulher, sem prejuízo da sua autonomia, deve passar por um "centro de aconselhamento" (Beratungsstelle) reconhecido. Trata-se de dialogar razões, pesar consequências, perspectivar alternativas. A mulher precisará de um comprovativo desse centro e entre o último encontro de aconselhamento e a interrupção da gravidez tem de mediar o intervalo de pelo menos três dias. As custas do aborto ficam normalmente a cargo da própria.O penalista Jorge Figueiredo Dias também escreveu, num contexto mais amplo: "O Estado (...) não pode eximir-se à obrigação de não abandonar as grávidas que pensem em interromper a gravidez à sua própria sorte e à sua decisão solitária (porventura na maioria dos casos pouco informada); antes deve assegurar-lhes as melhores condições possíveis de esclarecimento, de auxílio e de solidariedade com a situação de conflito em que se encontrem. Sendo de anotar neste contexto a possibilidade de vir a ser considerada inconstitucional a omissão do legislador ordinário de proporcionar às grávidas em crise ou em dificuldades meios que as possam desincentivar de levar a cabo a interrupção".

52 comentários:

noiseformind disse...

Boss,
Desculpa mas a prática na Alemanha não é essa. O que a lei diz é que os abortos realizados sem o certificado dos Beratungsstelle são ilegais MAS NÃO PODEM SER PUNIDOS, o que os (aos certificados) torna meramente opcionais para maiores de 16 anos, alias tal como na Suiça onde em vez de ser o 219º é o 120º que regulamenta esta matéria. Isso até na Wiki está, mas imagino que o Senhor Padre n se meta nessa depravação da Ineternete. O que a Igreja quer é uma coutadinha na nova lei. Centros de aconselhamento com financiamento estatal... miam, miam... até eles já estão de olho no lucro... perdoai-lhes senhor, pois eles sabem muito bem o que fazem.

thorazine disse...

Bem...gostei de ler! Um discurso muito sóbrio para um padre!

Mas falando de outra coisa, alguém por acaso já viu o documentário que anda a passar na Sic Notícias sobre o "bullying" praticado pelos pais sobre os filhos? Foi uma realidade mais ou menos nova para mim...nunca tinha visto tamanha violência levada com tanta naturalidade. O mais engraçado (ou não) é que todos os casais que aparece eles próprios tiveram uma educação muito rígida e severa por parte dos pais que criticam, achando que o que elas fazem agora com os filhos deles é completamente diferente.. :|

Julio Machado Vaz disse...

Noise,
Só digo que na Suiça, por exemplo, há muitos anos, vi raparigas que não tinham liberdade de escolha. Uma vez, os pais de uma até me chamaram negro por não ter alinhado com eles:).

andorinha disse...

Boa noite.

Também estou de acordo.
Um artigo que aborda de uma forma sensata e sem tabus a problemática da despenalização da IVG.
Depois de já ter visto, ouvido e lido tantos disparates, é consolador ler um artigo deste teor, ainda para mais vindo de um padre:)
Concordo também que o Estado tem um papel importante a desempenhar neste contexto, tanto apoiando as mulheres que decidam abortar como aquelas que apesar de muitas dificuldades não o queiram fazer.
Aí reside o exercício pleno de liberdade por parte da mulher, o de poder optar sem se sentir pressionada por circunstâncias exteriores.
Em princípio, concordo com os centros de aconselhamento; resta saber em que moldes é que irão funcionar.

andorinha disse...

Thora,
Ainda não vi...mas gostaria de ver.
Mas já que nos trazes essas informações, o que é de aplaudir, podias dar a informação completa.
A que dias e a que horas?
Ou pensas que tenho o dia todo para estar a olhar para a Tv como tu?:))))))))))

Xelim disse...

GUIA PARA O REFERENDO PARA A DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO

Autor: Xelim at murcon.blogspot.com

1. A questão legal. A verdadeira questão (em termos práticos) do referendo para a despenalização do aborto:

Onde está

“É a favor da despenalização do aborto até às dez semanas, em estabelecimentos devidamente autorizados, por opção da mulher”

ler,

“É a favor da despenalização do aborto em Portugal, até às dez semanas, em estabelecimentos devidamente autorizados, por opção da mulher, para mulheres com poucos recursos económicos”

2. A questão económica.

a) Se o aborto for despenalizado. A despesa do Estado, se este decidir pagar o aborto para mulheres com poucos recursos económicos.

b) Se o aborto não for despenalizado. As despesas dos julgamentos. Caso a mulher seja presa, a despesa do Estado com a reclusão da mulher. A despesa do Estado (também através do parlamento) e dos cidadãos no tempo que se perde (e se tem perdido) com a discussão da questão. Os subsídios de alimentação que o Estado decidir pagar para os filhos dessas mulheres com poucos recursos económicos, que não façam aborto por ser ilegal.

3. A questão ética.

(A ética é uma projecção da vontade pessoal.)

Se uma mulher pratica um aborto então comete ________ (a)

Escolha (a) ao seu gosto,

(a1) homicídio grave
(a2) homicídio menor
(a3) apenas um aborto

A pena que deve ser aplicada a uma mulher que pratica aborto é _________ (b)

Escolha (b) ao seu gosto,

(b1) 3 anos de cadeia efectiva
(b2) julgada em tribunal com pena suspensa ou sem pena
(b3) nenhuma

Notas:

1. Se você escolheu (a3), mas não gostar de mulheres, pode escolher (b1).
2. Se você escolheu (a1), mas não quiser condenar mulheres, pode escolher (b3)

4. As questões humanitárias

4.1 A questão demográfica

Em termos demográficos, com o excesso populacional no planeta os abortos acabam por ser bem vindos.

4.2 A questão do desenvolvimento equilibrado

Forçar uma mulher a ter um filho é contra-natura, e por isso indicia que tal deve ser evitado.

Finalmente, praticar um aborto é mau para a saúde física e psicológica da mulher, daí a necessidade de facilitar a distribuição e uso dos anticoncepcionais ao máximo.

Xelim disse...

(hoje ganhei ao noise)

Fora-de-Lei disse...

Pela 2ª vez consecutiva, na esperança qua alguma alma caridosa me possa esclarecer, deixo aqui a seguinte pergunta:

- se o SIM vencer, continuará a existir uma pena para as mulheres que fizerem um aborto - por exemplo - às 12 semanas ? Ou é ilegal mas não haverá pena ? Ou é ilegal mas toda a gente fecha os olhos ? Ou às 10 semanas não é crime mas às 12 semanas já é ? Como será ?

Paulo disse...

Bem… Grande texto… Dos poucos que não me deixou com vontade de ironizar ou criticar (muito pelo menos :-)), especialmente vindo de quem vem… Antes, deixou-me a pensar…
Também concordo que a poder realizar-se o aborto, as pessoas que o pretendam seja dirigidas a um “centro de aconselhamento” primeiro…
Quanto às despesas que acarretar esse aborto, mantenho a minha opinião… Devem ser os interessados a paga-las…
Mas gostaria muito também de ver resolvido um problema a montante da necessidade de se abortar… Que tem tudo a ver com a educação para a sexualidade…
Cumprimentos,
Paulo

Paulo disse...

Fora-de-Lei…
Não é por nada, mas acho que já lhe tentei responder a essa pergunta aqui
A não ser que não tenha gostado da resposta… Aí, eu não tenho nada a fazer :-)
Cumprimentos,
Paulo

andorinha disse...

Paulo,
Assim, sim...já estás a tertuliar:)

"Antes da décima semana, não havendo ainda actividade neuronal, não é claro que o processo de constituição de um novo ser humano esteja concluído. De qualquer modo, não se pode chamar homicídio, sem mais, à interrupção da gravidez levada a cabo nesse período."

Esclarecidas agora as tuas dúvidas?
Era essa a questão que te preocupava, não era?
Não há a morte de nenhum ser humano, portanto...

Paulo disse...

Andorinha,
Sim estamos a tertuliar :-)… Até a inventar novos “verbos”… ;-)
Esclarecido?! Infelizmente não… E passo a explicar… Em algumas pesquisas (defeito profissional :-)) que tenho feito (e não é d’agora) sobre o tema, entre especialistas as opiniões dividem-se quanto a isto… Cheguei a ver alguma informação sobre isto, onde alguns cientistas punham o problema de não ter sido ainda possível estudar “mais de perto” alguns desses embriões/fetos, por isso essas medições de actividade neural nunca poderem ser confirmadas nem “desconfirmadas” (refiro-me claro a períodos antes das 10 semanas)… Mas também sejamos claros… Que pais aceitariam que lhes manipulassem directamente um filho??? não é???… Por isso ou a tecnologia de “monitorização à distancia” melhora muito, ou então vamos mesmo ficar na dúvida e decidir na base do que temos…
Agora o que eu pelo menos espero que tenha ficado claro para os defensores do não, é que nos primeiros estágios de gestação não existe nenhum Ser Humano… Achei piada, porque para argumentar isso mesmo, foram expressos pelo Pe. Anselmo Borges alguns dos argumentos que eu já expus aqui e noutros locais a esse respeito: “… É precisamente o seu conhecimento que leva à distinção entre vida, vida humana e pessoa humana. O blastocisto, por exemplo, é humano, vida e vida humana, mas não um indivíduo humano e, muito menos, uma pessoa humana. Se entre a fecundação e o início da nidação (sete dias), pode haver a possibilidade de gémeos monozigóticos (verdadeiros), é porque não temos ainda um indivíduo constituído…”… Como sempre disse nos “fanáticos” do não existe muita confusão entre vida humana e um Ser Humano… E vida humana existe em coisas tão simples e ao mesmo tempo tão complexas, como um espermatozóide, um ovócito, ou um óvulo…
Cumprimentos,
Paulo

andorinha disse...

Paulo,
Eu li o que escreveste no Fórum sobre esta temática e reparei que focas estes aspectos.
Em relação aos "fanáticos" do Não, não sei se estas notícias terão algum efeito; penso que poderão ser oportunas e eficazes em relação a uma franja de indecisos, cuja principal preocupação fosse precisamente a questão de saber a partir de que momento existe um ser humano.
E temos que nos basear nos dados actuais da ciência, não pode ser de outro modo.

Temos-te, portanto, definitivamente cá deste lado?
E não precisas de me estar sempre a cumprimentar:)))))))))))))))))

noiseformind disse...

Boss,
Felizmente, há muito tempo atrás ; ))))))

E, no entanto, porém, 30 anos passados ( e tendo tu agora 50 e muito poucos...) aí estão os Tugas a decidir um referendo que depois dará origem a uma lei, que depois dará origem a um quadro normativo, que depois terá de ser posto em prática pelo horrendo e depauperado Ministério da Saúde. E cheira tudo a falta de pressa, a desrespeito pelas pessoas. Imagino uma mulher a pedir um aborto na médica de família no Centro de Saúde e, não sei pq, mete-me nojo e cheira-me a nova missão fatela confiada aos senhores médicos que se vão eximir dela até à última. Como se chamará o impresso para pedir isenção de pagamento na clínica? nº666/IVG? Espanha continuará a ser o destino dos que tiverem meios, com o pormenor que passará a ter embaixadas por estas bandas. E começo a suspeitar de novos desenvolvimentos. Olha, até pode ser a solução para o país. Queremos boas escolas? No problemo, abrem as Dinamarquesas aqui umas filiais. Queremos empresas eticamente responsáveis? Pedimos aos finlandeses. Queremos um sistema de Saúde que funcione? Olha, que os catalães abram aí extensões dos deles, que são excelentes. O caso começa a fazer sentido e já não apenas como anedota. Pq é que se acredita que cegos liderado por cegos hão-de levar a alguma coisa? 23.000.000.000 de euros? Eh pá, tanta nota!!! Há que a gastar. Todinha, todinha. Caso não tenham reparado feitas as contas 23.000.000.000 de euros dava para pagar um curso superior e doutoramento a TODOS os portugueses vivos, actualmente. E, com um canudo daqueles das "novas" tecnologias a malta já se podia pôr na alheta para um país de jeito.

Mas isto sou eu que estou a ser pessimista, é a larica no estômago a dar horas para jantar tardio. Um Pappardelle com beringela e pasta de azeitona vai-me remediar este ardor... ; )))

FDL,
É isso que me desencanta nesta coisa toda referendária e já aqui o disse. Tenho aqui na alma esta dor de reumatismo de velho que me diz que mesmo depois do mais enérgico SIM virão os senhores deputados interpretar e adequar a lei ás capacidades do Estado. E o Sócrates ou outro gajo qualquer vão dizer que, dadas as condicionantes imperativas de lutar contra o horrendo défice a coisa terá de ser entregue à iniciativa privada e toda a gente que ganhe mais que o ordenado mínimo que poupe, e é preciso um impresso do médico de família e um atestado não sei de quem mais, e entretanto o SIM passa para um sim-em-clínica-privada-regulamentada-para-tal-com-apresentação-de-declaração-do-médico-de-família-e-declaração-de-centro-de-reflexão-e-após-4-ou-5-filas-de-espera-minha-gradessíssima-parva-pq-é-q-n-foste-a-Espanha-que-já-estavas-despachada?
...

Xelim,
Ai foi? ;)))) à Sueca ou ao Stud Poker?

noiseformind disse...

Entrementes sugiro-vos que comprem o album novo de Carla Bruni. Já o ando a ouvir à 2 semanitas e, apesar de ser apenas a tradução para francês do album debutante não consigo deixar de fazer replay no Winamp. É aquela voz rouca, é aquela voz rouca...

AQUILES disse...

Vi hoje no TJ que uns apoiantes do não vão começar uma campanha de recolha de apoios, de vária ordem, para uma associação que dá apoio a mães solteiras, normalmente jovens adolescentes. Como eu venho dizendo não se discute nem se aborda o essencial sobre o aborto. Tudo cheira a hipocrisia. Após o referendo a campanha e os apoios serão de imediato esquecidos. Mas a associação, que já existe há muito, vai continuar, bem como os problemas que a associação tenta amparar.
Também vi uma manifestação em França em que falavam da queda da natalidade em Portugal, devido ao aborto, ou que seria incrementada devido ao aborto. A queda da natalidade em Portugal tem quase tudo a ver com a economia, com a capacidade económica de sustentabilidade das famílias, e quase nada a ver com o aborto.

Ameninadalua disse...

Noise

"comprem o album novo de Carla Bruni. Já o ando a ouvir à 2 semanitas e, apesar de ser apenas a tradução para francês do album debutante..."


Neste último album a Carla Bruni canta em inglês! mas acho que aquela voz rouca:) resulta bem melhor em francês...

AQUILES disse...

Noise (10:44)

Na mouche, amigo, na mouche.

noiseformind disse...

Aquiles,
Olha o caso da Polónia. Em 1993 proibiram o aborto mas o nro de nascimentos passou de 513.000 no ano prévio da ilegalização para 356.000 em 2004 ; )))

Ameninadalua,
Bem... Promises like pie crust e If you Were Coming in the Fall estão excelentes ; ))))). E mesmo se Ballade at Thirty Five é uma cópia inglesa da gaulesa Regard Moi do primeiro album, ouço e ouço e ouço...

Promise me no promises,
So will I not promise you:
Keep we both our liberties,
Never false and never true:
Let us hold the die uncast,
Free to come as free to go:
For I cannot know your past,
And of mine what can you know?

You, so warm, may once have been
Warmer towards another one:
I, so cold, may once have seen
Sunlight, once have felt the sun:
Who shall show us if it was
Thus indeed in time of old?
Fades the image from the glass,
And the fortune is not told.

If you promised, you might grieve
For lost liberty again:
If I promised, I believe
I should fret to break the chain.
Let us be the friends we were,
Nothing more but nothing less:
Many thrive on frugal fare
Who would perish of excess.

by Christina Georgina Rossetti
(1830-1894)

SIM, escrito no Séc. XIX!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E ainda actual!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

andorinha disse...

Aquiles,
Também vi essas notícias.
Irrita-me imenso que pessoas de outras nacionalidades venham dar palpites sobre algo que não lhes diz respeito.
Aqui diria o mesmo se fossem apoiantes do Sim.
Nós é que temos que decidir, não são eles, detesto estas atitudes paternalistas.
E também registei essa, da quebra da natalidade ser devida ao aborto!
Perdoai-lhes, Senhor, que eu já não consigo:)

Quando li o post do Noise pensei logo que ele nos estava a "roubar" o posto de pessimistas de serviço:)
Faz-lhe mal comentar de estômago vazio:)
E se fossemos todos pensar assim, fazia-se o quê? Nada?
Se esse quadro catastrófico se vier a verificar, então desisto de vez deste país.
Acho que já é tempo de se encararem as coisas de frente...

andorinha disse...

Noise,
Onde descobres essas relíquias, miúdo?
Ainda actual, não; sempre actual!!!!!!!!!!!!!!!!!

É lindo, não vou salientar nada em particular porque todo o poema me tocou.

noiseformind disse...

Andorinha,
Este poema é tão actual que é precisamente uma música do último album de Carla Bruni, com o mesmo título do poema... : ) descobri o poema ao ouvir a música...

Paulo disse...
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Paulo disse...

Andorinha,
Sim o prazo é realmente o meu maior problema nisto do aborto (no caso do referendo é também a pergunta, mas isso é o menor dos males)… Como já disse em tempos neste blogge, “Quem me dera não saber nada disto, pois na ignorância sempre tinha a desculpa de que não sabia nada disto… E não entrava a minha consciência em conflito…” :-)
Sim… Para os fanáticos, mesmo fanáticos, isto é praticamente nada… Com um pouco de jeito ainda começam a chamar o Pe. Anselmo Borges de “padre vermelho” :-), mas a outros pode ser que, no mínimo, “abra” um pouco mais a cabeça…
E sim, eu sei, que infelizmente na falta de melhores e mais concretos dados, temos que nos basear nos dados actuais da ciência… O problema é por qualque motivo vir-me a arrepender mais tarde…

Essa dos cumprimentos… culpa a minha mãe… lolololololololol Que me chagava de tal modo em miúdo, “cumprimenta as pessoas, anda lá, se educado”… Que agora se tornou instintivo… :-)


Noiseformind
Para essas mulheres/casais mais pobres e de parcos rendimentos, talvez o correcto fosse serem as/os únicas(os) a ter acesso livre ao serviço nacional de saúde e embora eu não concorde que a intervenção seja de graça, pagariam apenas a intervenção… Agora de graça e pelas razões que já referi é que acho que não… mas isso é a minha opinião…

andorinha disse...

Noise,
:)))))))))))
Descobriste o poema ao ouvir a música, claro. Loooooooooooool
Mas como não conheço e fiquei bem impressionada pela amostra, posso-te fazer mais uma requisição?:)))
Junta-a à Aimee...

noiseformind disse...

Andorinha,
No meu comentário das 10h56 tens tudo o que precisas... ás vezes Deus (ou mesmo um cd completo) está nos mais pequenos pormenores (e sinais de pontuação, já agora...)

noiseformind disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
andorinha disse...

Noise (1.05)
Primeiro li e não percebi nada...Deus, Cds, sinais de pontuação...pensei que já devia ser o sono:)))))))))

Voltei ao teu comentário das 10.56 e só depois de ler e reler é que me apercebi que está lá um pontinho a azul.
Não é uma desculpa "esfarrapada", é mesmo verdade, já sabes que tenho problemas de visão e se não falasses em pontuação eu nunca lá chegava:)))))
Vou ver se me desenrasco...
Depois conto-te a minha odisseia:)))

Até amanhã, gente:)

noiseformind disse...

E para terminar a produtiva noite cá fica um comentário final:

In principle, the Qur'an condemns the killing of humans (except in the case of defense or as capital punishment), but it does not explicitly mention abortion. This leads Islamic theologians to take up different viewpoints: while the majority of early Islamic theologians permitted abortion up to day 40 of pregnancy or even up to day 120, many countries today interpret these precepts protecting unborn children more conservatively. Although there is no actual approval of abortion in the world of Islam, there is no strict, unanimous ban on it, either. Islam has not given any precise directions with regard to the issue of abortion. Hence it is not a matter, which has been clearly stated in the Shari'ah (Islamic Law) but rather an issue pertaining to the application of our knowledge of the Shari'ah. Such application may vary in conclusion with a difference in the basic premises of one's arguments.

Até os corãonenses (a malta que segue o Corão) deixam ao Estado a decisão. Isso e o tamanho das pedras com que as mulheres devem ser lapidadas, mas isso já é outra história...

massacrador de floribellas disse...

o nao so tem argumentos falaciosos. votar sim nao é ser favoravel ao aborto, apenas a despenalizaçao. o aborto é o ultimo recurso e pensar que uma mulher o faz so porque lhe apetece é ser estupido. uma mulher que o faz fica com marcas fisicas e psicologicas.

saiam da idade media

e visitem

http://porradadecriarbicho.blogspot.com o melhor espaço de humor da net em portugues

Marx disse...

Eis um genuíno exemplo de como a Igreja pode intervir nesta discussão sem acenar com os seus papões. Canônes, excomunhões, recusa de enterros, comparações com enforcamentos e todas as baboseiras que se têm ouvido. Isto não apenas respeitabiliza a Igreja e os seus pensadores, como também o debate sobre a IVG. Que não se esgota, naturalmente, na discussão meramente moral ou religiosa. Por se tratar de uma fenómeno essencialmente civilizacional. Para a qual seria exigível um melhor contributo da Igreja. Realidade que, não raras vezes, finge não entender.

lobices disse...

...há muito que "conheço" o Padre Doutor em Filosofia e não só, Anselmo Borges
...admiro-o muito e permito-me concordar com "tudo" o que ele escreveu até aqui e que eu tenha lido
...neste tema, e mais uma vez, ele está cheio de saber e de razão

Fora-de-Lei disse...

Agora que estamos à porta de novo referendo sobre a IVG, é altura de recordarmos um certo poema de Natália Correia.

“O acto sexual é para ter filhos” - disse na Assembleia da República, no dia 3 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João Morgado, num debate sobre a legalização do aborto.

A resposta de Natália Correia, em poema - publicado uns dias depois pelo Diário de Lisboa - fez rir todas as bancadas parlamentares, sem excepção, tendo os trabalhos parlamentares sido interrompidos por isso.

Já que o coito - diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

noiseformind disse...

FDL,
Há, da parte das mulheres, muito má fé em relação ao acto sexual e a tomarem medidas preventivas do espermatozóide fermentar o óvulo. Como se pode ver neste vídeo didáctico evitar a concepção é tudo uma questão de imaginação da parte delas, que eles colaboram sem hesitar. A heroína desta película consegue evitar o assédio ao seu útero não de uma mas de DUAS descargas de sémen. E pensar que tantas há por aí que com uma engravidam ;(((( comodistas...

noiseformind disse...

Boss e Maralhal,
Ainda os tais Beratungsstelle. Os dados que consegui foram de 1997. Nesse ano, segundo o próprio site religiosa Zenit:

"During its last plenary assembly, the German Episcopal Conference did not find a common solution to resolve the problem in practice. Given that Catholics categorical commitment to life is clear, there is no wish to deprive women of the help the consultation centers have provided to date, thanks to which many lives have been saved. Of a total of 20,000 German women who consulted the Catholic centers in 1997, it is certain that 5,000 decided to give birth after the consultation. 1,700 aborted, and the rest have not reported their decision to the centers."

Ora houve nesse ano 133317 abortos.

E, segundo o The New York Times: "organizations linked to Catholic Church run 264 of Germany's 1,685 abortion counseling centers" em 1997.

Se extrapolarmos das 20.000 mulheres em 264 centros para o nro total de centros temos 108.000 mulheres nesse ano a consultar esses centros sem ser da Igreja. 108.000 + 20.000 dá 128.000 visitas a centros (nessa altura o certificado ainda era obrigatório, não tinha saído a decisão do Supremo em relação às refutações do estado da Baviera). Houve 133.000 abortos nesse ano. Por algum motivo o certificado se tornou obsoleto ; )))))

peciscas disse...

Na blogosfera pululam os textos sobre o referendo.
Mas, a maior parte deles, "benza-os Deus e não os lamba o gato" (como dizia a minha mãe), não vale um chavo.
Porque ou são demasiados superficiais e infundamentados, ou são meras expressões de emoções descontroladas.
Ora o que esta questão menos quer é a irracionalidade e a desinformação.
É por isso que textos como aquele que aqui se transcreve, são de realçar e de ler com a devida atenção.
Mesmo que, com ele não se concorde a 100%

andorinha disse...

Boa noite.

Fora de lei,
Já conhecia, claro, mas esse poema é o máximo. Não admira, sabendo quem o escreveu:)

Noise,
Tu vais ser excomungado, miúdo:)
Isso é lá video que se apresente aqui?
E perdi eu 25 minutos do meu tempo...Looooooooooool

Em relação ao resto, como disse em cima, em princípio concordo com a existência de centros de aconselhamento, mas não sob a égide da Igreja e mesmo assim, será esperar para ver como funcionam.

noiseformind disse...

Andorinha,
Tsc, tsc, tsc... se nem tu consegues pôr-te ao lado de uma educação mais progressista, quem se porá? O verdadeiro saber continua agrilhoado ;((((((((

;)

Paulo disse...

Noiseformind… Com filmes desses, claro… Quem paga depois as “favas” é a minha mulher… lololololololololololololol

andorinha disse...

Paulo,
Essa de pagar as "favas" é subjectiva....quem as paga é ela ou tu, depende do ângulo de visão:)))) Loooooool

Paulo disse...

Andorinha…
lolololololololololololol É que nem comento… lolololololololololololol

noiseformind disse...

Mmm. Tinha em mente malta mais nova, tipo alunos do secundário. Mas o saber não tem idade portanto a instrução nestas matérias preventivas do aborto deve ser algo que até poderia ser feito com o beneplácito da Igreja Católica, por padres e freiras. Aliás, pode ver-se pelo ar angelical dos actores que há ali forte instrução católica e âncoras de valores várias ;) como poderão confirmar neste segundo vídeo, para alunos já mais avançados, de prevenção ao aborto...

Paulo disse...

Noiseformind…
Pões-te aqui com estes filmes, e depois ainda pensa a Andorinha que não será possível ser a minha mulher que pagar as “favas”, huuuuummm… lolololololololololololol

Cumprimentos,
Paulo

andorinha disse...

Paulo,
Loooooooooooooool
Desta vez quem não comenta sou eu:)))))))))))

Noise,
Já sabes que sou apologista de aprender até morrer, mas não precisas de exagerar:))))))))))))))))))))))))))

thorazine disse...

Noise,
pensaste em mim? Que queridooooo ;))))))))))))

Paulo disse...

Eu só gostava de saber onde ele consegue este material todo… lololololololololololololololololololol

noiseformind disse...

Obviamente, todo este material é-me cedido por professoras finlandesas de educação sexual ; ))) Esta lição foi especialmente concebida para miúdas que passam muito tempo a conduzir e tem o título "Se vai demorar 5 minutos, ao menos que sejam 5 minutos de jeito: transforma a alavanca de mudanças do teu carro no teu melhor amante" e penso que, quando chegar a Portugal daqui a 100 anos será um su-ces-so. ISto se os carros ainda tiverem alavanca de mudanças, que os Ferrari e muitos Audis, Mercedes e Maseratis já n têm.

andorinha disse...

Thora,
Tu não vejas estas cenas depravadas, pá!
Isto é só para maiores de 35 e mesmo assim...:))))) Looooooooooooool

Paulo disse...

Bem… bem… Quando for “grande” não vou oferecer um carro com esse tipo de instrumentos à minha mulher… lololololololololololol
E ver este filme é que ela não pode mesmo… :-) Vai que ela começa a achar que a “cabeça” do ”zequina” é estreita demais!!!!!! lololololololololololol

noiseformind disse...

Ora confessem lá se "Meter a 5ª" não passou a ser uma frase muito mais interessante depois desta breve lição?

Andorinha,
Para Maiores de 35? Quer dizer que só o Mandingo pode ver??????????? E os menores de 20, como eu e a maior parte dos habitantes do Murcon?

andorinha disse...

Noise,
Mandingo?
Não sabia quem era e fui ver à Wiki. Assim vou aumentando a minha cultura geral:))))))))))))))
Mas esse, como só tem 32 anos também ainda não pode ver, só pode participar:))))) Loooooooooooooooool

Quando ganhas juízo, miúdo?:)
A corromper a moral da nossa juventude...
Olha e além disso, o Paulo já está a ficar complexado:)
Que raio de compincha és tu?:))))

M disse...

Olá,
Não tenho experiência disto...
Tenho que arranjar um nome?
Sou .... Esperança.Não. Isso é foleiro. Que tal Patinho Feio.
É isso.
Gostei de ler.

Agora o que eu gostava era de perguntar ao Padre Filósofo se seria possível que entrasse em contacto comigo por favor. Não o vou incomodar mas tenho perguntas, questões muito importantes que só ele me pode ajudar.
Mas ele PODE ajudar. Será que tem tempo?

Patinho Feio