Enquanto ela teve uma vida, todos os dias eram seus - porque minha Mãe era a coluna vertebral da família, o seu farol e timoneiro.
P.S. Eu sei que o Benfica não merece ficar nos três primeiros e ponto final. Mas ofereço alvíssaras a quem me explicar por que razão é Di Maria suplente de Nuno Gomes; Maxi Rodriguez joga noventa minutos e Nuno Assis dez; Makukula passou à clandestinidade; o treinador adianta como justificação, para além do clássico "a bola não quis entrar", o facto de "o adversário estar mais tranquilo por ter assegurado a manutenção". Nem no mês de Maria teremos direito ao milagre de um pingo de lógica?:).
domingo, maio 04, 2008
quarta-feira, abril 30, 2008
Cantelães, here I come!
Toledo teve o efeito habitual sobre mim - desfez as pernas e arejou a alma. Quanto aos moinhos do Quijote, abrigavam os festejos de comunhões. Já a Casa de Dulcineia, em Toboso, perdia-se no meio de romaria a abarrotar de azeitonas, "embutidos" e machos latinos rondando as belezas da terra. Acima de tudo, que Deus abençoe o polícia que me mandou em paz, apesar do excesso de velocidade:).
Nada na manga: a manter-se o actual estilo de alguns comentários, voltarei a activar a moderação dos mesmos. Como adoram anunciar certos deputados - disse:).
Nada na manga: a manter-se o actual estilo de alguns comentários, voltarei a activar a moderação dos mesmos. Como adoram anunciar certos deputados - disse:).
sexta-feira, abril 25, 2008
25 de Abril sempre:).
O menino guerreiro está de volta, depois do período de nojo mais curto da história:). Alberto Joao Jardim, se conseguir que todos desistam a seu favor, suponho que exigirá que o Presidente da República seja coerente com os elogios que lhe prodigalizou e assuma a responsabilidade de primeiro proponente do seu nome.
Quanto ao código de trabalho, mesmo no estrangeiro e mal informado, concordo com as reservas de Carvalho da Silva às medidas contra o trabalho precário, parecem-me torná-lo legal a troco de uns cobres.
Quanto ao código de trabalho, mesmo no estrangeiro e mal informado, concordo com as reservas de Carvalho da Silva às medidas contra o trabalho precário, parecem-me torná-lo legal a troco de uns cobres.
terça-feira, abril 22, 2008
A afilhada.
Meu Pai era padrinho de Manuela Ferreira Leite, filha de um seu querido amigo. Já dei umas boas gargalhadas com o irmão, advogado e sportinguista apaixonado da nossa praça:). Curiosamente, nunca aconteceu conhecê-la "ao vivo e a cores". Mas uma coisa posso afiançar: no período de tempo em que chefiei o CAT de Cedofeita, ela não fez favores à Instituição, mas regeu-se por um código ético e de justiça laboral irrepreensível, que permitiu o suspiro de alívio há muito merecido por grande parte dos meus técnicos. Não lhe invejo a decisão de avançar, embora compreenda as razões. Desejo que ganhe e ponha fim ao descrédito do maior partido da oposição, suspenso do "até breve" que acabo de escutar ao Dr.Pedro Santana Lopes. Para bem do PSD, do Governo e do País.
P.S. O Gaspar faz amanhã sete anos:).
P.S. O Gaspar faz amanhã sete anos:).
sexta-feira, abril 18, 2008
Boletim meteorológico.
Agravamento das condições atmosféricas em todo o continente. Possível vaga de fundo anti-elitista no PSD, que levará o Dr. Luís Filipe Menezes a reconsiderar o seu auto-proclamado afastamento da liderança.
quarta-feira, abril 16, 2008
No Dragão há mais!
As defesas do Sporting e do Benfica disputaram o privilégio de serem trucidadas pelo ataque do F.C.P. Há no entanto uma diferença: com menos 48 horas de descanso, o Sporting positivamente atropelou um Benfica que na segunda parte seguiu a famosa táctica do "quanto tempo falta?". Resultado? O melhor plantel dos últimos dez anos sofreu cinco golos em vinte minutos:). Explicação do bom homem que o treina? - o Sporting meteu os avançados todos e é futebol. Fiquei elucidado! O mais deprimente é que nunca cheguei a pensar que ganharíamos...
terça-feira, abril 15, 2008
A tribo.
O Tiago afirmou solenemente adorar o Yellow Submarine! É uma boa notícia, afinal adormeci-lhe pai e tio ao som do velho refrão - "in the town were I was born...; we all live...". Não por acaso, depois das minhas pindéricas histórias, quando ele e o Gaspar se entregam pouco a pouco ao João Pestana, arrisco a lenga-lenga que atravessou gerações da família - "nã, na, ni, nu, nã, o menino é da Mamã...". Nem só as cartas de amor são ridículas; ternurentas; indispensáveis ao contínuo tecer da lenda familiar:).
domingo, abril 13, 2008
A náusea. Sartre que me perdoe o roubo do título:).
A FERNANDA CÂNCIO É PRÉ-SOCRÁTICA Ferreira Fernandesjornalistaferreira.fernandes@dn.pt
Foi na sede do PSD a conferência de imprensa. E foi o vice-presidente Rui Gomes da Silva a falar. Ontem, ele disse que a RTP não devia contratar a jornalista Fernanda Câncio porque esta tem "um relacionamento com o primeiro-ministro". E concluiu: "Em política o que parece é." Aquela conferência de imprensa pareceu-me tola. E, como mais política não podia ser (na sede do PSD e com o vice-presidente), parecendo tola, foi. E tendo sido tola porque sendo política o parecia, foi tola também porque os argumentos de Rui Gomes da Silva foram tolos. Pequenez sobre a qual eu era capaz de generosamente deitar um manto, não fosse ela também uma pulhice. Quando dei por Fernanda Câncio, lendo-a, eu não saberia dizer quem eram, politicamente, três dos actuais líderes dos cinco partidos nacionais: José Sócrates, Luís Filipe Menezes e Jerónimo de Sousa. Quem?!!... Só de raspão teria ouvido falar deles. Conhecidos, só Paulo Portas (e como jornalista) e Francisco Louçã, com quem eu tinha andado num mesmo pequeno partido. Já Fernanda Câncio, jornalista, eu conhecia pelo seu trabalho - reparem na palavra, vou voltar a ela - no Expresso e Grande Reportagem.A RTP contratou Fernanda Câncio para ela fazer aquilo que faz há anos com mérito: reportagens sobre questões sociais. A Câncio é repórter, já trabalhou em televisão (na SIC) e as questões sociais são a sua área de especialização. A RTP não a contratou para um cargo, mas para um trabalho. Por chicana política, por julgar que ganha pontos sobre o partido do Governo, um partido da oposição não se importou de insultar uma trabalhadora, enquanto trabalhadora. Rui Gomes da Silva insultou-a dizendo que a RTP a foi buscar "única e exclusivamente por razões que são de todos conhecidas". E que essas razões são "um relacionamento com o primeiro-ministro". Pois a mim mais natural me parece que se contrate Fernanda Câncio como repórter do que Rui Gomes da Silva para dizer coisas em nome de um partido. Leio o que ainda esta semana Fernanda Câncio escreveu no DN, leio a conferência de imprensa de Rui Gomes da Silva, e se há que suspeitar de alguém por andar às cavalitas de alguma cunha, não é na jornalista que penso.Fernanda Câncio tem "um relacionamento com o primeiro-ministro". Tem? Pois aí está outro mérito: conhecem fotos dela com o primeiro-ministro? Há-as, mas só tiradas à socapa. Conheço mais fotos de Rui Gomes da Silva com ex-primeiros-ministros. Num país de apêndices militantes, gente que se baba por frequentar os poderosos - e faz gala de o mostrar -, haja alguém como a Câncio que, se anda com o primeiro-ministro, não aparece. Essa é que era a frase, Rui Gomes da Silva: se não aparece, é. A Fernanda Câncio é.
Nota - Não conheço Fernanda Câncio pessoalmente, apenas os seus trabalhos. De há muito. Como seria inevitável, apreciei alguns, brindei outros com reservas, não me revi num par deles. Todos me pareceram intelectualmente honestos e capazes. Por isso considero que esta Direcção do PSD conseguiu atingir o grau zero de um discurso que - como é óbvio! - não chamarei de político. E, por elementar dever de justiça, desejo acrescentar o seguinte: por mero acaso, desempenhei funções dirigentes na área da Toxicodependência sempre sob a égide de Governos PSD, o que implicou muita "pedra partida" com figuras destacadas do Partido; em duas campanhas referendárias sobre o aborto colaborei em iniciativas da JSD que proporcionaram debates enriquecedores; como todos vocês, tenho amigos militantes do PSD e outros que se limitam a dar-lhe o seu voto nas eleições. Lembrando faces e palavras de todas essas pessoas, não acredito que alguma se reveja nesta baixeza latrinária.
P.S. Alguns de vocês referem algum desconforto da minha parte no programa do Malato. É verdade. Mas não gostaria de permitir alguma dúvida quanto às razões - fui tratado como um príncipe por duas pessoas com quem tenho boas relações de amizade, O Malato e a Helena, e com fidalguia pelo Professor Mário Andrea. Acontece que a homenagem a minha Mãe me deixou de rastos. Se o programa fosse gravado, pediria uns minutos para me recompor. Assim, tive de sobreviver:). Um pedido de desculpas a quem possa ter desiludido.
Foi na sede do PSD a conferência de imprensa. E foi o vice-presidente Rui Gomes da Silva a falar. Ontem, ele disse que a RTP não devia contratar a jornalista Fernanda Câncio porque esta tem "um relacionamento com o primeiro-ministro". E concluiu: "Em política o que parece é." Aquela conferência de imprensa pareceu-me tola. E, como mais política não podia ser (na sede do PSD e com o vice-presidente), parecendo tola, foi. E tendo sido tola porque sendo política o parecia, foi tola também porque os argumentos de Rui Gomes da Silva foram tolos. Pequenez sobre a qual eu era capaz de generosamente deitar um manto, não fosse ela também uma pulhice. Quando dei por Fernanda Câncio, lendo-a, eu não saberia dizer quem eram, politicamente, três dos actuais líderes dos cinco partidos nacionais: José Sócrates, Luís Filipe Menezes e Jerónimo de Sousa. Quem?!!... Só de raspão teria ouvido falar deles. Conhecidos, só Paulo Portas (e como jornalista) e Francisco Louçã, com quem eu tinha andado num mesmo pequeno partido. Já Fernanda Câncio, jornalista, eu conhecia pelo seu trabalho - reparem na palavra, vou voltar a ela - no Expresso e Grande Reportagem.A RTP contratou Fernanda Câncio para ela fazer aquilo que faz há anos com mérito: reportagens sobre questões sociais. A Câncio é repórter, já trabalhou em televisão (na SIC) e as questões sociais são a sua área de especialização. A RTP não a contratou para um cargo, mas para um trabalho. Por chicana política, por julgar que ganha pontos sobre o partido do Governo, um partido da oposição não se importou de insultar uma trabalhadora, enquanto trabalhadora. Rui Gomes da Silva insultou-a dizendo que a RTP a foi buscar "única e exclusivamente por razões que são de todos conhecidas". E que essas razões são "um relacionamento com o primeiro-ministro". Pois a mim mais natural me parece que se contrate Fernanda Câncio como repórter do que Rui Gomes da Silva para dizer coisas em nome de um partido. Leio o que ainda esta semana Fernanda Câncio escreveu no DN, leio a conferência de imprensa de Rui Gomes da Silva, e se há que suspeitar de alguém por andar às cavalitas de alguma cunha, não é na jornalista que penso.Fernanda Câncio tem "um relacionamento com o primeiro-ministro". Tem? Pois aí está outro mérito: conhecem fotos dela com o primeiro-ministro? Há-as, mas só tiradas à socapa. Conheço mais fotos de Rui Gomes da Silva com ex-primeiros-ministros. Num país de apêndices militantes, gente que se baba por frequentar os poderosos - e faz gala de o mostrar -, haja alguém como a Câncio que, se anda com o primeiro-ministro, não aparece. Essa é que era a frase, Rui Gomes da Silva: se não aparece, é. A Fernanda Câncio é.
Nota - Não conheço Fernanda Câncio pessoalmente, apenas os seus trabalhos. De há muito. Como seria inevitável, apreciei alguns, brindei outros com reservas, não me revi num par deles. Todos me pareceram intelectualmente honestos e capazes. Por isso considero que esta Direcção do PSD conseguiu atingir o grau zero de um discurso que - como é óbvio! - não chamarei de político. E, por elementar dever de justiça, desejo acrescentar o seguinte: por mero acaso, desempenhei funções dirigentes na área da Toxicodependência sempre sob a égide de Governos PSD, o que implicou muita "pedra partida" com figuras destacadas do Partido; em duas campanhas referendárias sobre o aborto colaborei em iniciativas da JSD que proporcionaram debates enriquecedores; como todos vocês, tenho amigos militantes do PSD e outros que se limitam a dar-lhe o seu voto nas eleições. Lembrando faces e palavras de todas essas pessoas, não acredito que alguma se reveja nesta baixeza latrinária.
P.S. Alguns de vocês referem algum desconforto da minha parte no programa do Malato. É verdade. Mas não gostaria de permitir alguma dúvida quanto às razões - fui tratado como um príncipe por duas pessoas com quem tenho boas relações de amizade, O Malato e a Helena, e com fidalguia pelo Professor Mário Andrea. Acontece que a homenagem a minha Mãe me deixou de rastos. Se o programa fosse gravado, pediria uns minutos para me recompor. Assim, tive de sobreviver:). Um pedido de desculpas a quem possa ter desiludido.
quarta-feira, abril 09, 2008
Pé no estribo.
Pela primeira vez, o Gaspar lendo, perante os nossos olhos embevecidos. Laborioso, claro, mas de uma correcção surpreendente para a sua idade. A memória do pai a fazer o mesmo, anos-luz atrás. O João descrevendo uma aula, olhos brilhantes de prazer, o engenheiro competente descobre o gozo da psicologia. Chris de Burgh no carro, há quanto tempo o não ouvia? Amanhã, de novo a estrada, de novo um Congresso, de novo o ancião receio - conseguirei interessá-los? Sexta o Malato. Em directo, o que odeio, temo sempre uma palavra, um gesto, uma gargalhada que não se encaixe no puzzle feito de adrenalina. Mas quem diz não ao bom do Malato? Noites de hotel, o silêncio que costumava achar confortável antes de conhecer o de Cantelães. Que espero reencontrar para a semana, amuado por quinze dias de ausência. Terei de me fazer perdoar, enroscado em amigos, à volta da lareira depois de longo almoço à longa mesa. A Casa do Vale nunca resiste a esse tipo de sedução:).
domingo, abril 06, 2008
Bessa a partir do sofá.
Com a paz de espírito de quem aqui zurziu várias vezes os jogadores do Benfica, digo hoje que cumpriram o seu dever - esfarraparam-se e jogaram bem. Se o tivessem feito no tempo de Camacho, o segundo lugar estaria assegurado há muito. O que levanta questões curiosas, não acredito que esta clara melhoria se deva apenas à mudança do sistema de jogo. Parabéns ao Boavista, que se bateu com bravura, e sobretudo ao miúdo que lhe guarda as redes. Quanto ao árbitro, e como acabo de dizer a um órgão de comunicação social, o adjectivo mais caridoso que me ocorre é "desinspirado", afinal não viu uma grande penalidade contra o Benfica - embora precedida de fora-de-jogo - e duas contra o Boavista. Fora uns livres... Mas depois de pousar o telefone, ocorreu-me uma hipótese verosímil - o homem é um dos milhares de portugueses que esperam - e desesperam! - por uma consulta de oftalmologia:).
sexta-feira, abril 04, 2008
Em tournée.
Évora. Uma visita guiada deliciosa à Universidade. Reencontro com velhos alunos e amigos. A surpresa - ser reconhecido por três taxistas no mesmo dia! Um espasmo muscular nas costas que me inferniza qualquer movimento brusco. Conferência longa por me sentir no comprimento de onda do público. E o desaguar no Luar de Janeiro, para um porco preto divinal e um tinto da herdade de Henrique Granadeiro que despertou o meu decantado talento poético - era porreiro! Amanhã vou mancar devagarinho por esta brancura na terra pousada:).
segunda-feira, março 31, 2008
Tac-tac-tac...
Em Cantelães os pássaros bicam os vidros da casa. Narcisos alados ou namoradeiros enganados:)?
sexta-feira, março 28, 2008
Em resposta ao Nuno:).
O telefone toca, é o jornalista da Lusa. Desesperado no engarrafamento... Pede um depoimento sobre os dez anos do Viagra, eu respondo que apenas posso falar como psi e ele diz ser isso que pretende. Eu debito um par de banalidades e - como de costume! - divago. Saliento que sou contra a utilização desse tipo de medicamentos como placebos, têm indicações médicas precisas. Que não desejo menosprezar, claro! E lanço-me numa dissertação sobre a melhoria da qualidade de vida para homens e casais que antes não podíamos ajudar. Não li as declarações publicadas, mas daí a frase - coloquial, risonha, mas - sublinho! - não off record. Eu e a minha big mouth:). Uma vez o Independente citava a seguinte pérola: "Só Deus sabe como é difícil uma relação sexual a dois, quanto mais a três" (ou algo de muito semelhante...). Autor? O desbocado JMV! "Só Deus sabe..." Os meus neurónios, distraídos e de formatação católica, não resistem a divertir-se à minha custa:).
P.S. Acho que lembrei, era menos "libertária" - qualquer coisa do género, "Sabe Deus como é difícil a intimidade física, quanto mais a psicológica".
P.S. Acho que lembrei, era menos "libertária" - qualquer coisa do género, "Sabe Deus como é difícil a intimidade física, quanto mais a psicológica".
quarta-feira, março 26, 2008
Jantar.
A tribo reunida no Franganito. Devoro aquele bife há quase quarenta anos. Entretanto o senhor Manuel reformou-se e o Sebastião, seu filho, abriu outro restaurante. O bife definhou, mas eu não gosto de trair rituais, continuo a ir. E de repente o Sebastião apareceu e o je agarrou-se a ele como ao Redentor - "Sebastião, salve o bife do antigamente!". Ele sorriu. Foi à cozinha e regressou com o sorriso cúmplice que sempre me deliciou - "peço desculpa, mais dez minutos". Esperei, descarregando a fome de cão nos "moletes" e no Montevelho. E de repente - ó milagre! - bifes gémeos dos avós:). A algazarra, a ternura, os abraços de despedida que o não são, esta certeza que me conforta, empurra, mantém vivo - as amizades verdadeiras sobrevivem ao ritmo alucinante das nossas vidas, a telemóveis silenciosos, a promessas de encontros não cumpridas. Porque não albergam a dúvida que enferruja...
Edith.
Por mero acaso, tropecei no filme sobre Piaf quando me ia deitar. Fiz meia-volta, a sua voz é chave de baú atafulhado de recordações. "Je ne regrette rien" como cena final. Muitos o dizem, poucos o sentem. Mas não duvido que Edith se imolou pelo amor e nunca se arrependeu.
domingo, março 23, 2008
Páscoa.
Madalena, com surpresa envergonhada,
- Venceste a morte, Senhor, voltaste para junto de nós.
E Ele, sorrindo com doçura,
- Madalena, o Filho de Deus morreu na cruz por todos. Espero que tenha valido a pena, embora duvide, o futuro o dirá. É justo que o Filho do Homem viva o presente, até agora não lhe sobrou tempo para isso - voltei para junto de ti.
Nunca mais foram vistos, mas reza a lenda que não sentiram saudades da vida pública.
- Venceste a morte, Senhor, voltaste para junto de nós.
E Ele, sorrindo com doçura,
- Madalena, o Filho de Deus morreu na cruz por todos. Espero que tenha valido a pena, embora duvide, o futuro o dirá. É justo que o Filho do Homem viva o presente, até agora não lhe sobrou tempo para isso - voltei para junto de ti.
Nunca mais foram vistos, mas reza a lenda que não sentiram saudades da vida pública.
terça-feira, março 18, 2008
Ámen:(.
Um amigo chega e pede uma opinião, já tendo escolhido o que deseja ouvir. Um tipo sabe que não pode trair a amizade, mas fala com o entusiasmo de quem caminha para o cadafalso. As lágrimas em olhos que reflectem e acusam os nossos. E a oração cá dentro prostra-se frente a vários altares: "Deus, vida vivida, as outras escutadas, livros devorados, intuição errática, sorte caprichosa, fazei com que me tenha enganado e não sofra!".
quinta-feira, março 13, 2008
Cinema.
Vi o filme dos irmãos Cohen. Devo dizer que tendo ganho o óscar para melhor filme de 2007 faz-me pensar que a colheita não foi das melhores. O que não significa desilusão. Pela obra perpassa uma surpresa amedrontada e nostálgica em face do presente, corporizada num discurso idealizado sobre os "bons velhos tempos", em que os xerifes não usavam armas. (O que não deixa de ser divertido, se pensarmos no velho Oeste.) Tommy Lee Jones tem dois momentos magníficos, "à custa" do argumento: a extraordinária descrição de assassinos que matavam velhos casais para lhes receber as reformas, não sem os torturarem primeiro, "talvez a televisão estivesse avariada...", adianta ele, à laia de explicação:); e o sonho final, quando já reformado conta que viu o Pai, carregando uma luz e à sua espera. Diria que preferi de longe a interpretação dele à rigidez facial permanente do psicopata. Jones exibe uma perplexidade comovente, que desagua numa reforma que pressentimos já angustiada e que justifica a nostalgia da figura parental. (Coincidência curiosa - assinei hoje os papéis para a reforma, espero não me ficar pelo seu dilema: ando a cavalo ou arrumo a casa?:)).
terça-feira, março 11, 2008
Durmam bem.
O PSD parece empenhado em roubar aos portugueses uma alternativa credível ao PS, o que em Democracia é trágico. Esta caça às bruxas pífia, com Rui Rio e António Capucho na berlinda, desafia a imaginação. Em geral, o Governo perde as eleições e a oposição limita-se a colher os frutos, Menezes arrisca-se a inverter a tendência. Quanto ao PS, já ouvi a palavra "flexibilidade de posições" pronunciada por um responsável do Ministério da Educação. Sei o que tal eufemismo significa:))))))).
domingo, março 09, 2008
Breves.
Muito satisfeito com a vitória do PSOE. Vi os dois debates entre os líderes e achei que Rajoy destilava ressentimento e intolerância. Mas não foi apenas ele a perder, a Igreja Católica - desnecessariamente... - acompanha-o, de tal forma investiu no "mundo temporal".
Camacho fez o que devia. Quando um treinador diz após um jogo que não sabe o que se passa com a equipa e se declara incapaz de motivar os jogadores, fica-lhe bem assumir tal impotência. Alguns de vocês dirão que deixa o clube numa posição periclitante nas várias frentes. É verdade. Mas não creio que pudesse acrescentar algo aos desempenhos lamentáveis a que vimos assistindo.
A ideia do PS de reunir as hostes no Porto é infeliz, cheira a ridículo desagravo. O artigo de António Barreto no Público coloca bem a questão: não se trata de decretar que nada do que o Ministério fez tem valor, mas de salientar os erros e - diria eu... - sobretudo um estilo. A "febre explicativa" de que vem sofrendo a Ministra nos últimos dias não escamoteia um passado próximo de evidente arrogância.
Camacho fez o que devia. Quando um treinador diz após um jogo que não sabe o que se passa com a equipa e se declara incapaz de motivar os jogadores, fica-lhe bem assumir tal impotência. Alguns de vocês dirão que deixa o clube numa posição periclitante nas várias frentes. É verdade. Mas não creio que pudesse acrescentar algo aos desempenhos lamentáveis a que vimos assistindo.
A ideia do PS de reunir as hostes no Porto é infeliz, cheira a ridículo desagravo. O artigo de António Barreto no Público coloca bem a questão: não se trata de decretar que nada do que o Ministério fez tem valor, mas de salientar os erros e - diria eu... - sobretudo um estilo. A "febre explicativa" de que vem sofrendo a Ministra nos últimos dias não escamoteia um passado próximo de evidente arrogância.
quarta-feira, março 05, 2008
Breves.
No Algarve, para falar a colegas de Clínica Geral. Com enorme prazer:). Nesta época de super-especialização desenfreada, eles tornam-se cada vez mais a base da Medicina que acolhe de braços abertos cada nova descoberta tecnológica, mas para a aplicar à relação médico-doente, às narrativas de vida, à visão holística da pessoa que sofre, e não à Doença que habita - por capricho:) - aquela pessoa azarada.
É obsceno que se mantenham os preços das portagens da A1 com quilómetros e quilómetros em obras.
Gosto de Camacho, embora discordemos amiúde a respeito de tácticas e substituições. Também sei o que é pensar de manhã se o nosso Pai sobreviverá mais um dia. Não deve ter sido fácil estar no banco em Alvalade. Daqui lhe mando um abraço.
É obsceno que se mantenham os preços das portagens da A1 com quilómetros e quilómetros em obras.
Gosto de Camacho, embora discordemos amiúde a respeito de tácticas e substituições. Também sei o que é pensar de manhã se o nosso Pai sobreviverá mais um dia. Não deve ter sido fácil estar no banco em Alvalade. Daqui lhe mando um abraço.
God forbid!
Tudo indica que Obama será o candidato dos Democratas em Novembro. E o psi balança entre a saliva e a preocupação: como resistirá este pregador brilhante da mudança aos corredores do poder, se for eleito? E se a chama se acinzentar, como reagirão os americanos que abraçaram um movimento de fé, mais do que um projecto político? Com toda a franqueza, achei Hillary mais sólida nos debates e creio que o género e as "dinastias" contaram mais do que a cor de pele. Mas como se resiste a um sonho de regeneração, desenhado sobre o pano de fundo de Kennedy e Luther King? Afinal, assisti a uma entrevista de uma senadora que apoiava Obama e não conseguia apontar uma só medida significativa lançada por ele! Ná, isto foi mais do que experiência vs. mudança; foi uma catarse colectiva, a nostalgia de um recomeço do sonho americano à revelia dos "jogos políticos", do Pentágono, dos lobbies. Que, todos o sabemos, irão sobreviver a esta eleição... Como lidará Obama com tal espartilho? Espero bem que não abane a cabeça, descoroçoado, e suspire - "That's life!". Palavra que o acuso de plágio:).
sábado, março 01, 2008
A propósito.
O PS depara-se com dois erros básicos a evitar: o primeiro, a tentação de se crispar, arrogante, muralhas adentro, decretando prenhas de segundas intenções críticas e queixas. Seria injusto e afastaria Partido e Governo do povo que servem. Erros de substância e forma aconteceram, é preciso admiti-los, corrigi-los e seguir adiante, sem manobras de esquiva para salvar a face, nada a enobrece tanto como olhar os outros de frente. O segundo, ceder a uma qualquer deriva eleitoralista, que tornaria inúteis os sacrifícios e mereceria aplausos momentâneos, mas nunca o respeito duradouro. Acontece que só o respeito dos eleitores, mesmo eivado de algum amuo, poderá levar o PS a uma vitória nas próximas eleições que não se baseie, melancólica - eu diria envergonhada! -, na falta de qualidade da alternativa. Paradoxalmente, bicéfala, e no entanto incapaz de nos brindar com ao menos uma ideia sólida de e para Portugal.
Na minha intervenção sobre a lei da paridade nas Novas Fronteiras, senti-me na obrigação de deixar este recado ao PS. No que à Educação diz respeito, com toda a franqueza, acho que é demasiado tarde para corrigir o primeiro erro. Esta Ministra, na sua timidez agressiva, foi longe de mais no autismo. Mesmo as propostas mais justificadas e a recente disponibilidade para o diálogo - forçado... - serão, creio, incapazes de pacificar a situação. Partir seria o melhor serviço que poderia prestar ao País.
Na minha intervenção sobre a lei da paridade nas Novas Fronteiras, senti-me na obrigação de deixar este recado ao PS. No que à Educação diz respeito, com toda a franqueza, acho que é demasiado tarde para corrigir o primeiro erro. Esta Ministra, na sua timidez agressiva, foi longe de mais no autismo. Mesmo as propostas mais justificadas e a recente disponibilidade para o diálogo - forçado... - serão, creio, incapazes de pacificar a situação. Partir seria o melhor serviço que poderia prestar ao País.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Trinta e seis anos depois...
Iniciei o processo burocrático para a minha reforma antecipada. Mantive-me atento a variáveis fisiológicas e estados de alma e nem um sobressalto. Tinha razão - é tempo; preciso dele.
domingo, fevereiro 24, 2008
E porque não a polícia de choque?
Lojas inglesas instalam repelente para crianças e adolescentes
Dispositivo emite som de alta freqüência que afugenta só menores de 20 anos de idade. Entidades de defesa dos direitos humanos se unem para banir o aparelho do mercado.
Da Associated Press
Um grupo de defesa dos direitos das crianças e outro de defesa dos direitos humanos se uniram na Inglaterra em uma campanha para banir um aparelho de alta freqüência projetado para afastar crianças e adolescentes com mau comportamento de lojas, shoppping e outros estabelecimentos comerciais. O "repelente de crianças" chamado Mosquito emite um som desagradável em alta freqüência que normalmente só é escutado por ouvidos jovens, com menos de 20 anos. "Esse aparelho é uma medida provisória e não ataca a verdadeira causa do problema", disse Al Aynsley-Green, do English Children Commissioner. Em entrevista à rádio BBC, ele disse que as crianças não têm um lugar onde possam se reunir, a não ser as ruas.
"Acho que isso é um sintoma poderoso do que eu chamo de verdadeiro mal no coração de nossa sociedade", disse ele. "Estou muito preocupado. Vejo um imenso buraco entre os jovens e os velhos, o medo, a intolerância, até mesmo o ódio da geração mais velha pelos jovens." Shami Chakrabarti, diretor do grupo de direitos humanos Liberty, apóia a campanha. "Imagine a indignação que seria provocada se fosse introduzido algo que causasse desconforto a pessoas de uma determinada raça ou gênero, em vez de ser algo com as nossas crianças", disse. "O Mosquito não tem espaço em um país que valoriza suas crianças e procura ensinar a elas dignidade e respeito." O inventor do Mosquito, Howard Stapleton, foi chamado para dar informações sobre como usar o aparelho. "Informamos aos proprietários das lojas para usar o aparelho quando tiverem algum problema. Eu ficaria mais que feliz de estabelecer um contrato que estipulasse como ele pode ser usado", disse ele ao jornal "Western Mail".
Dispositivo emite som de alta freqüência que afugenta só menores de 20 anos de idade. Entidades de defesa dos direitos humanos se unem para banir o aparelho do mercado.
Da Associated Press
Um grupo de defesa dos direitos das crianças e outro de defesa dos direitos humanos se uniram na Inglaterra em uma campanha para banir um aparelho de alta freqüência projetado para afastar crianças e adolescentes com mau comportamento de lojas, shoppping e outros estabelecimentos comerciais. O "repelente de crianças" chamado Mosquito emite um som desagradável em alta freqüência que normalmente só é escutado por ouvidos jovens, com menos de 20 anos. "Esse aparelho é uma medida provisória e não ataca a verdadeira causa do problema", disse Al Aynsley-Green, do English Children Commissioner. Em entrevista à rádio BBC, ele disse que as crianças não têm um lugar onde possam se reunir, a não ser as ruas.
"Acho que isso é um sintoma poderoso do que eu chamo de verdadeiro mal no coração de nossa sociedade", disse ele. "Estou muito preocupado. Vejo um imenso buraco entre os jovens e os velhos, o medo, a intolerância, até mesmo o ódio da geração mais velha pelos jovens." Shami Chakrabarti, diretor do grupo de direitos humanos Liberty, apóia a campanha. "Imagine a indignação que seria provocada se fosse introduzido algo que causasse desconforto a pessoas de uma determinada raça ou gênero, em vez de ser algo com as nossas crianças", disse. "O Mosquito não tem espaço em um país que valoriza suas crianças e procura ensinar a elas dignidade e respeito." O inventor do Mosquito, Howard Stapleton, foi chamado para dar informações sobre como usar o aparelho. "Informamos aos proprietários das lojas para usar o aparelho quando tiverem algum problema. Eu ficaria mais que feliz de estabelecer um contrato que estipulasse como ele pode ser usado", disse ele ao jornal "Western Mail".
terça-feira, fevereiro 19, 2008
O horizonte a vinte metros.
Maria,
Domingo, quando me preparava para deixar Cantelães depois do jogo, o céu a caminho de Vieira parecia benfiquista, de tão vermelho. Mas o fogo ao longe tem algo de televisivo e plastificado. Só quando cheguei ao pomar me apercebi das chamas à direita, por trás da casa; vizinhas. Fiquei especado, repetindo um "não" supersticioso. (Como as crianças, que fecham os olhos perante evidências desagradáveis e esperam já não as ver ao abri-los.) A encosta ardia, alguns ramos do lado de cá do caminho iam-se juntando à procissão. Falei à D.Irene, que chegou num ápice, o marido a reboque. E foi ele a espancar as chamas mais atrevidas, eu fiquei bloqueado, mangueira na mão, à espreita do primeiro assalto ao muro. A GNR irrompeu antes dos bombeiros e cumpriu o seu dever - registou a ocorrência antes dela se dar, "é o proprietário? Onde mora? Rua João de Barros...". E o fogo rondava. Esotérica cena... Susto engolido, a D.Irene resumiu tudo numa frase - "estivesse o vento contra e não havia safa!". Já pensaste, Maria? Imagina que tinha partido mais cedo, ver a bola no Porto, como em geral faço. Ninguém teria reparado naquele foco do incêndio, os outros foram em zonas povoadas. Até hoje, o medo era teórico, agora tornou-se um aperto que não mais me deixará. Estou preparado para a minha precariedade. Para a daquela casa, não:(.
Domingo, quando me preparava para deixar Cantelães depois do jogo, o céu a caminho de Vieira parecia benfiquista, de tão vermelho. Mas o fogo ao longe tem algo de televisivo e plastificado. Só quando cheguei ao pomar me apercebi das chamas à direita, por trás da casa; vizinhas. Fiquei especado, repetindo um "não" supersticioso. (Como as crianças, que fecham os olhos perante evidências desagradáveis e esperam já não as ver ao abri-los.) A encosta ardia, alguns ramos do lado de cá do caminho iam-se juntando à procissão. Falei à D.Irene, que chegou num ápice, o marido a reboque. E foi ele a espancar as chamas mais atrevidas, eu fiquei bloqueado, mangueira na mão, à espreita do primeiro assalto ao muro. A GNR irrompeu antes dos bombeiros e cumpriu o seu dever - registou a ocorrência antes dela se dar, "é o proprietário? Onde mora? Rua João de Barros...". E o fogo rondava. Esotérica cena... Susto engolido, a D.Irene resumiu tudo numa frase - "estivesse o vento contra e não havia safa!". Já pensaste, Maria? Imagina que tinha partido mais cedo, ver a bola no Porto, como em geral faço. Ninguém teria reparado naquele foco do incêndio, os outros foram em zonas povoadas. Até hoje, o medo era teórico, agora tornou-se um aperto que não mais me deixará. Estou preparado para a minha precariedade. Para a daquela casa, não:(.
Literalmente na merda...
Funcionária gostou de praxe com "estrume na cara"
joão girão
Alunos julgados em Santarém por praxe violenta
Helena Silva"Sempre achei as praxes divertidas e pedi para ser praxada. Eles fizeram-me a vontade e diverti-me muito". O depoimento de Maria Arlete Miranda encerrou a sessão de ontem do julgamento de sete alunos da Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS), acusados de praxe violenta a uma aluna, em 2002. Funcionária daquela escola há 22 anos, a mulher contou que os alunos mais velhos a praxaram com "estrume na cara", o que não achou "nada de extraordinário". "Desde que estou na escola que ouço dizer que 'quem não mexe na bosta não se pode considerar um bom engenheiro'", afirmou perante o tribunal, assegurando nunca ter assistido, por parte dos alunos, a qualquer tipo de excesso nas praxes. Foi também isso que alegaram, ao tribunal, outros seis alunos daquela escola. As brincadeiras com bosta de vaca eram, na opinião de todos, uma prática vulgar nas praxes, decorrendo há décadas e que ainda se mantêm. Desta forma, disseram, "os caloiros são confrontados com o seu futuro porque, no fim do curso, é nesse ambiente que vão trabalhar". Sónia Silva, actualmente já formada, contou que a sua praxe foi "ter que empurrar bolas de bosta com o nariz". Uma situação que, de início, a chocou. "Mas estava numa escola agrícola e a tradição era essa por isso, entrei na brincadeira", explicou. A ex-aluna afirmou ainda estar convicta de que qualquer caloiro que se recusasse a cumprir tal tradição não viria a ser penalizado por isso. O mesmo afirmaram os restantes alunos. Sobre a aluna que, em 2002, foi praxada com bosta de vaca - e que veio a apresentar queixa - duas das testemunhas alegaram tê-la ouvido dizer que pretendia declarar-se anti-praxe por vontade da sua mãe. Respondendo às sucessivas perguntas dos advogados e do Procurador do Ministério Público, os jovens foram contando que "ninguém obrigava os caloiros a fazer o que não fosse da sua vontade", que "os veteranos tratavam cordialmente" os recém-chegados à escola (mesmo que o código da praxe dissesse o contrário) e que "os caloiros não tinham autoridade para praxar outros caloiros". O julgamento prossegue no dia 13 de Março.
joão girão
Alunos julgados em Santarém por praxe violenta
Helena Silva"Sempre achei as praxes divertidas e pedi para ser praxada. Eles fizeram-me a vontade e diverti-me muito". O depoimento de Maria Arlete Miranda encerrou a sessão de ontem do julgamento de sete alunos da Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS), acusados de praxe violenta a uma aluna, em 2002. Funcionária daquela escola há 22 anos, a mulher contou que os alunos mais velhos a praxaram com "estrume na cara", o que não achou "nada de extraordinário". "Desde que estou na escola que ouço dizer que 'quem não mexe na bosta não se pode considerar um bom engenheiro'", afirmou perante o tribunal, assegurando nunca ter assistido, por parte dos alunos, a qualquer tipo de excesso nas praxes. Foi também isso que alegaram, ao tribunal, outros seis alunos daquela escola. As brincadeiras com bosta de vaca eram, na opinião de todos, uma prática vulgar nas praxes, decorrendo há décadas e que ainda se mantêm. Desta forma, disseram, "os caloiros são confrontados com o seu futuro porque, no fim do curso, é nesse ambiente que vão trabalhar". Sónia Silva, actualmente já formada, contou que a sua praxe foi "ter que empurrar bolas de bosta com o nariz". Uma situação que, de início, a chocou. "Mas estava numa escola agrícola e a tradição era essa por isso, entrei na brincadeira", explicou. A ex-aluna afirmou ainda estar convicta de que qualquer caloiro que se recusasse a cumprir tal tradição não viria a ser penalizado por isso. O mesmo afirmaram os restantes alunos. Sobre a aluna que, em 2002, foi praxada com bosta de vaca - e que veio a apresentar queixa - duas das testemunhas alegaram tê-la ouvido dizer que pretendia declarar-se anti-praxe por vontade da sua mãe. Respondendo às sucessivas perguntas dos advogados e do Procurador do Ministério Público, os jovens foram contando que "ninguém obrigava os caloiros a fazer o que não fosse da sua vontade", que "os veteranos tratavam cordialmente" os recém-chegados à escola (mesmo que o código da praxe dissesse o contrário) e que "os caloiros não tinham autoridade para praxar outros caloiros". O julgamento prossegue no dia 13 de Março.
domingo, fevereiro 17, 2008
:). Sem dúvida!
Profs....a culpa é deles!(Texto de Ricardo Araújo Pereira)
Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou oensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode serdeles, aliás. Os alunos estão lá acontragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos osanos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm temposuficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vãoconseguindo escapar com vida.É evidente que a culpa é deles.E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é umaacusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam osprofessores.Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas queescolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão sercolocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano deum aluno ou de qualquer um dos seus familiares.O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se elespossuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveitopróprio.. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas comesta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não.A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta porpassar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro ea ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater.Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofrode quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivareste contacto entre crianças e adultos masoquistas.Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo deescola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agorao há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomandosempre novas qualidades, este mundo.Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povocigano.Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bemdas escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iampedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é aminha proposta.Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menosesperança.Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de seragredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressoresvivem, claramente, não está preparada para o mundo.Ricardo Araújo Pereira in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão
Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou oensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode serdeles, aliás. Os alunos estão lá acontragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos osanos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm temposuficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vãoconseguindo escapar com vida.É evidente que a culpa é deles.E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é umaacusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam osprofessores.Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas queescolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão sercolocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano deum aluno ou de qualquer um dos seus familiares.O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se elespossuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveitopróprio.. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas comesta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não.A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta porpassar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro ea ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater.Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofrode quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivareste contacto entre crianças e adultos masoquistas.Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo deescola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agorao há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomandosempre novas qualidades, este mundo.Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povocigano.Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bemdas escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iampedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é aminha proposta.Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menosesperança.Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de seragredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressoresvivem, claramente, não está preparada para o mundo.Ricardo Araújo Pereira in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Cegueira, mecanismo de defesa, resposta politicamente correcta?:).
O amor é realmente cego, comprovam cientistas dos Estados Unidos
Apaixonados tendem a não reparar em outras pessoas atraentes ao seu redor.É como se o sentimento servisse de tapa-olho, diz pesquisadora.
Da Reuters
O amor é realmente cego, ao menos quando uma pessoa apaixonada olha para outro alguém que não o objeto de seu amor, afirmaram pesquisadores dos EUA.
Estudantes de faculdade que afirmam estar apaixonados possuem chances menores de notar a presença de outros homens ou mulheres atraentes, descobriu uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e do site de encontros amorosos eHarmony.
"Sentir amor por seu parceiro parece tornar todas as outras pessoas menos atraentes, e esse sentimento parece trabalhar de forma bastante específica, permitindo que essa pessoa elimine de sua mente os pensamentos a respeito do outro alguém atraente", afirmou Gian Gonzaga, do eHarmony, cujo estudo foi publicado na revista Evolution and Human Behavior.
"É quase como se o amor colocasse um tapa-olho nas pessoas", acrescentou Martie Haselton, professora associada da UCLA nas áreas de psicologia e estudos da comunicação.
Gonzaga e Haselton pediram que 120 universitários heterossexuais e compromissados avaliassem fotos de membros atraentes do sexo oposto tirados do site eHarmony.
Os voluntários eram instados então a escolher as fotos mais atraentes, e escrever um texto sobre ou o atual parceiro deles ou sobre um assunto qualquer.
Enquanto escreviam, os pesquisadores pediam que os estudantes esquecessem os "bonitões" e as "gatinhas" do site e que, no entanto, colocassem uma marca às margens do texto caso acontecesse de pensarem nas fotos com as pessoas atraentes.
Os voluntários que escreveram sobre seus parceiros apresentaram chances seis vezes menores de admitir que pensavam nas fotos do que os voluntários que escreveram sobre um assunto qualquer.
Mais tarde, quando instados a lembrar das pessoas bonitas presentes nas fotos, os universitários que escreveram sobre seus parceiros citaram um número menor de detalhes físicos daquelas pessoas.
"Essas pessoas conseguiam lembrar-se da cor da camiseta ou se a foto tinha sido tirada em Nova York, mas não se lembravam de quase nada de atraente a respeito da pessoa", afirmou Gonzaga.
"Ou seja, não é toda a memória que fica prejudicada. É como se esses estudantes tivessem pré-selecionado as coisas que os fariam pensar sobre o quão atraente aquela outra pessoa era."
Apaixonados tendem a não reparar em outras pessoas atraentes ao seu redor.É como se o sentimento servisse de tapa-olho, diz pesquisadora.
Da Reuters
O amor é realmente cego, ao menos quando uma pessoa apaixonada olha para outro alguém que não o objeto de seu amor, afirmaram pesquisadores dos EUA.
Estudantes de faculdade que afirmam estar apaixonados possuem chances menores de notar a presença de outros homens ou mulheres atraentes, descobriu uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e do site de encontros amorosos eHarmony.
"Sentir amor por seu parceiro parece tornar todas as outras pessoas menos atraentes, e esse sentimento parece trabalhar de forma bastante específica, permitindo que essa pessoa elimine de sua mente os pensamentos a respeito do outro alguém atraente", afirmou Gian Gonzaga, do eHarmony, cujo estudo foi publicado na revista Evolution and Human Behavior.
"É quase como se o amor colocasse um tapa-olho nas pessoas", acrescentou Martie Haselton, professora associada da UCLA nas áreas de psicologia e estudos da comunicação.
Gonzaga e Haselton pediram que 120 universitários heterossexuais e compromissados avaliassem fotos de membros atraentes do sexo oposto tirados do site eHarmony.
Os voluntários eram instados então a escolher as fotos mais atraentes, e escrever um texto sobre ou o atual parceiro deles ou sobre um assunto qualquer.
Enquanto escreviam, os pesquisadores pediam que os estudantes esquecessem os "bonitões" e as "gatinhas" do site e que, no entanto, colocassem uma marca às margens do texto caso acontecesse de pensarem nas fotos com as pessoas atraentes.
Os voluntários que escreveram sobre seus parceiros apresentaram chances seis vezes menores de admitir que pensavam nas fotos do que os voluntários que escreveram sobre um assunto qualquer.
Mais tarde, quando instados a lembrar das pessoas bonitas presentes nas fotos, os universitários que escreveram sobre seus parceiros citaram um número menor de detalhes físicos daquelas pessoas.
"Essas pessoas conseguiam lembrar-se da cor da camiseta ou se a foto tinha sido tirada em Nova York, mas não se lembravam de quase nada de atraente a respeito da pessoa", afirmou Gonzaga.
"Ou seja, não é toda a memória que fica prejudicada. É como se esses estudantes tivessem pré-selecionado as coisas que os fariam pensar sobre o quão atraente aquela outra pessoa era."
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Isto é que é protecção!
Romeno reclama de gemido de boneca inflável e sex shop é multado
Boneca havia parado de 'gemer' e esvaziava muito rápido.A loja foi multada em 600 libras e o homem recebeu um novo produto.
Autoridades de proteção ao consumidor da Romênia receberam uma reclamação inusitada: um consumidor estava indignado pois sua boneca inflável havia 'perdido o gemido', noticiou o site Ananova nesta semana.
Confirmado o defeito na boneca, o sex shop de Brasov, na Transilvãnia, foi multado em 600 libras (cerca de R$ 2 mil) e obrigado a dar uma nova boneca ao comprador. O homem, que segundo o site tinha por volta de 40 anos, também reclamou que o produto esvaziava muito rápido. Iulian Mara, chefe do centro de proteção ao consumidor, disse que "não importa o quanto a reclamação pareça estranha, nós fomos ao sex shop onde o homem comprou o objeto e vimos que ele estava certo." Segundo Mara, "a boneca estava perdendo ar rapidamente e devido a falhas no sistema elétrico não fazia os sons específicos esperados."
Boneca havia parado de 'gemer' e esvaziava muito rápido.A loja foi multada em 600 libras e o homem recebeu um novo produto.
Autoridades de proteção ao consumidor da Romênia receberam uma reclamação inusitada: um consumidor estava indignado pois sua boneca inflável havia 'perdido o gemido', noticiou o site Ananova nesta semana.
Confirmado o defeito na boneca, o sex shop de Brasov, na Transilvãnia, foi multado em 600 libras (cerca de R$ 2 mil) e obrigado a dar uma nova boneca ao comprador. O homem, que segundo o site tinha por volta de 40 anos, também reclamou que o produto esvaziava muito rápido. Iulian Mara, chefe do centro de proteção ao consumidor, disse que "não importa o quanto a reclamação pareça estranha, nós fomos ao sex shop onde o homem comprou o objeto e vimos que ele estava certo." Segundo Mara, "a boneca estava perdendo ar rapidamente e devido a falhas no sistema elétrico não fazia os sons específicos esperados."
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Porto.
Maria,
Céu aberto a um azul tão longo que se misturava com o de águas já curvas e as gaivotas em terra. Como estátuas, Pena Ventosa acima - que tormenta as perseguia? E porque se encarniçavam naquela invocação feroz do meu olhar? Maria, montavam guarda. Não viradas para fora da cidade, mas para dentro; não receosas da ira da Natureza, mas compungidas pelo desleixo dos homens. Cada uma velava, acusadora, um telhado desfeito do meu Porto. E são tantos...:(. Clandestinos; escarranchados sobre águas-furtadas que apenas adivinhávamos quando íamos pelas ruelas ao Domingo de manhã; margens feridas do céu que espreitava para lá da roupa a secar; cascos esventrados fugidos para os mastros de navio macambúzio em doca seca; cicatrizes que já nem recordam o sangue esvaído. Subi a um terraço da Rua das Flores, Maria, e vi cascata em ruínas jorrar de uma Sé lívida de asco, vergonha e espera inúteis. E as lágrimas que me turvaram os olhos serviram de tiro de partida ao voo das gaivotas. Que não as confundiram com promessa de chuva, mas tomaram como testemunhas de que eu percebera - a tempestade em terra não abrandará com uma simples mudança de vento...
Céu aberto a um azul tão longo que se misturava com o de águas já curvas e as gaivotas em terra. Como estátuas, Pena Ventosa acima - que tormenta as perseguia? E porque se encarniçavam naquela invocação feroz do meu olhar? Maria, montavam guarda. Não viradas para fora da cidade, mas para dentro; não receosas da ira da Natureza, mas compungidas pelo desleixo dos homens. Cada uma velava, acusadora, um telhado desfeito do meu Porto. E são tantos...:(. Clandestinos; escarranchados sobre águas-furtadas que apenas adivinhávamos quando íamos pelas ruelas ao Domingo de manhã; margens feridas do céu que espreitava para lá da roupa a secar; cascos esventrados fugidos para os mastros de navio macambúzio em doca seca; cicatrizes que já nem recordam o sangue esvaído. Subi a um terraço da Rua das Flores, Maria, e vi cascata em ruínas jorrar de uma Sé lívida de asco, vergonha e espera inúteis. E as lágrimas que me turvaram os olhos serviram de tiro de partida ao voo das gaivotas. Que não as confundiram com promessa de chuva, mas tomaram como testemunhas de que eu percebera - a tempestade em terra não abrandará com uma simples mudança de vento...
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Terça-Feira de Carnaval.
Velório, enterro, abraço aos amigos, um frio na alma que se ri das boas-vindas no termómetro de parede. A minha geração cumpre os rituais de morte com rostos cada vez mais fechados. Por solidariedade firme e triste e crescente aversão ao cinzento de lápides, jazigos e impermeáveis. Mas não só. Uns exorcizam-no, outros calam-no, todos o sentem - há um vento gélido e caprichoso que faz uma gincana, obscena por divertida, enquanto o cortejo arrasta os pés. E zune, ameaçador. Como se cantarolasse a ladainha de infância: "pim-pam-pum, cada bola mata um, prá galinha e pró peru, quem se lixa és tu". Por isso nos abraçamos com angústia, prometemos jantar próximo, actualizamos números de telemóvel. E outra voz longínqua se faz ouvir, à medida que os automóveis arrancam: "mais uma voltinha, mais uma corrida!". Quem entrará na box a seguir?
quinta-feira, janeiro 31, 2008
A pedido:).
O silêncio dele não a pareceu surpreender. A cadeira voltou a um equilíbrio precário mas não quieto, disfarçou-se de prima de baloiço. Ela cruzou as mãos na nuca, gesto que permitiu a fuga da blusa ao cinto e pôs em realce a firmeza do busto - pequeno mas desafiador, os gostos variam, se lhe perguntassem a ele diria que...
(Ninguém lhe perguntou nada, foi uma ordem seca a surgir).
- Faça o quatro.
Fazer o quatro? Mas até onde podia chegar o amadorismo e falta de equipamento das forças de segurança portuguesa? E a seguir? - mandá-lo-ia caminhar em linha recta? É claro que o registo artesanal da investigação podia favorecê-lo, já não ansiava pelo balão, números são números e indiscutíveis, o mesmo não se pode dizer do equilíbrio em uma só perna, por definição instável, mesmo em abstémios furiosos.
(O que não era o seu caso...).
Fez um quatro hesitante. Não entre o cinco e o três, mas entre o chão à esquerda e à direita, sentia-se como um flamingo da Camargue que tivesse emborcado uma garrafa de Châteauneuf du Pape.
Ela abanou a cabeça, mas por vontade própria.
- Não o aconselho a guiar nesse estado.
Para o breu atrás de si,
- Lena, chama um táxi para o cavalheiro, se tem tanta massa para subornos é porque não está habituado a transportes públicos, muito menos de madrugada. Entretanto eu vou organizando os meninos para a toma da metadona.
E saiu.
Das curtas profundezas da carrinha surgiu uma rapariga frágil, saia travada negra, blusa branca, rosto menineiro emoldurado por cabelo de um loiro escorrido de tão fino.
- Sim, doutora.
Diligente, empunhou o telemóvel.
Doutora? Metadona? A pergunta a medo,
- Mas então ela não é polícia?
A garota, aparelho ensanduichado entre madeixa e face,
- Polícia?
Com evidente escândalo,
- Médica das melhores! E não lhe caem os parentes na lama por trabalhar numa equipa de rua.
Equipa de rua... Metadona... Os "meninos" à volta da fogueira, perdão!, da carrinha... Mas evidentemente - os mafiosos não passavam de toxicodependentes à espera de droga oferecida pelo Estado.
(Enquanto a praça de táxis não despertava, a miúda metera a segunda.)
- Bem lhe pode agradecer. No estado em que você estava, sem a injecção que lhe deu só acordava amanhã. Ou hoje na Urgência...
Uma raiva crescendo dentro.
- Perfeitamente, fui salvo pela Madre Teresa da medicina. Estou-lhe gratíssimo. E suponho que também a si, senhora enfermeira, presumo que me tenha desinfectado o rabo, o braço ou o raio do sítio em que me picou.
Ela disse o nome de uma rua e agradeceu. Depois baixou a voz até um sussurro doce e mortífero,
- O seu táxi é o 24. Não lhe desinfectei nada, só a vim buscar; não sou enfermeira, sou puta.
E também saiu.
(Ninguém lhe perguntou nada, foi uma ordem seca a surgir).
- Faça o quatro.
Fazer o quatro? Mas até onde podia chegar o amadorismo e falta de equipamento das forças de segurança portuguesa? E a seguir? - mandá-lo-ia caminhar em linha recta? É claro que o registo artesanal da investigação podia favorecê-lo, já não ansiava pelo balão, números são números e indiscutíveis, o mesmo não se pode dizer do equilíbrio em uma só perna, por definição instável, mesmo em abstémios furiosos.
(O que não era o seu caso...).
Fez um quatro hesitante. Não entre o cinco e o três, mas entre o chão à esquerda e à direita, sentia-se como um flamingo da Camargue que tivesse emborcado uma garrafa de Châteauneuf du Pape.
Ela abanou a cabeça, mas por vontade própria.
- Não o aconselho a guiar nesse estado.
Para o breu atrás de si,
- Lena, chama um táxi para o cavalheiro, se tem tanta massa para subornos é porque não está habituado a transportes públicos, muito menos de madrugada. Entretanto eu vou organizando os meninos para a toma da metadona.
E saiu.
Das curtas profundezas da carrinha surgiu uma rapariga frágil, saia travada negra, blusa branca, rosto menineiro emoldurado por cabelo de um loiro escorrido de tão fino.
- Sim, doutora.
Diligente, empunhou o telemóvel.
Doutora? Metadona? A pergunta a medo,
- Mas então ela não é polícia?
A garota, aparelho ensanduichado entre madeixa e face,
- Polícia?
Com evidente escândalo,
- Médica das melhores! E não lhe caem os parentes na lama por trabalhar numa equipa de rua.
Equipa de rua... Metadona... Os "meninos" à volta da fogueira, perdão!, da carrinha... Mas evidentemente - os mafiosos não passavam de toxicodependentes à espera de droga oferecida pelo Estado.
(Enquanto a praça de táxis não despertava, a miúda metera a segunda.)
- Bem lhe pode agradecer. No estado em que você estava, sem a injecção que lhe deu só acordava amanhã. Ou hoje na Urgência...
Uma raiva crescendo dentro.
- Perfeitamente, fui salvo pela Madre Teresa da medicina. Estou-lhe gratíssimo. E suponho que também a si, senhora enfermeira, presumo que me tenha desinfectado o rabo, o braço ou o raio do sítio em que me picou.
Ela disse o nome de uma rua e agradeceu. Depois baixou a voz até um sussurro doce e mortífero,
- O seu táxi é o 24. Não lhe desinfectei nada, só a vim buscar; não sou enfermeira, sou puta.
E também saiu.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Aviso à navegação.
Li em dois jornais que estaria hoje à noite presente numa iniciativa da imPORTO-me, para falar do namoro no tempo da outra senhora. Trata-se de um engano. Quando o Carlos Magno me convidou para tal iniciativa, aceitei, por se realizar amanhã. Com a mudança de data, a disponibilidade esfumou-se e do facto informei o Carlos. Imagino que o primeiro programa tenha sido transposto, ipsis verbis, de Quinta para Quarta, e daí o erro. Claro que o Manuel Pina, o César Príncipe e o próprio organizador colmatarão sem qualquer dificuldade a minha ausência, mas não gostaria que ela fosse relacionada com qualquer capricho meu de última hora.
segunda-feira, janeiro 28, 2008
A outra escrita.
Não lanço ao rosto do coração o rali todo-o-terreno em que tornou a minha vida nos últimos anos. Pelo contrário, estou-lhe grata, nunca invejei os que chegam ao fim do caminho sem nódoas negras, afectivamente puros. Mas preciso de o colocar entre parênteses na escrita. Ele não o consegue ou deseja fazer, "apenas" exige ao texto que persiga a arte. Eu, que tenho uma relação bem menos íntima com as palavras, espero mais delas - uma lucidez crua, sem os véus da interpretação, do significado inconsciente, da metáfora. Sim, mais; porque ambiciono a compreensão do que me rodeia e acontece, não acreditando em revelações à la estrada de Damasco. Resta o trabalho árduo. E as palavras no papel são ferramentas indispensáveis, mesmo uma folha rasgada com desânimo traduz o esforço de aproximação às verdades dos factos, estados de alma leva-os a brisa.
domingo, janeiro 20, 2008
Relendo.
Releio-me e vejo que mudei. Também eu cultivo a palavra, intérprete privilegiada que é de sentimentos, raciocínios, fantasias. Privilegiada mas insuficiente, algo se perde no processo de exteriorização, discurso ou escrita ficam sempre aquém da realidade interna. (Não falo dos poetas, que dão às palavras um mote e as deixam inventar mundo próprio em que mergulham o deles.) Porque desde a primeira letra reconheço a inevitabilidade de maior ou menor derrota, emprego-as com parcimónia e rigor, tento mantê-las a salvo da interferência das emoções. Ele é diferente, não lhes pede contas, escreve poesia envergonhada.
Mas contagiosa..., releio-me e vejo que mudei - por entre neurónios e papel esgueirou-se muito coração:(.
Mas contagiosa..., releio-me e vejo que mudei - por entre neurónios e papel esgueirou-se muito coração:(.
sexta-feira, janeiro 18, 2008
From London with love:).
Vai continuar a escrever-me. Não - vai continuar a escrever. A minha ausência é dolorosa, mas aceitável; a das palavras seria fatal. Foi com elas que me seduziu, serão elas a permitir-lhe sobreviver-nos. (Maria, não sejas hipócrita, decidiste que te seduzisse ainda antes de ele se decidir a tentar...). Vai continuar a escrever. E enquanto o fizer, pertence-me. Porque ninguém escreve sobre o Amor e sim sobre os amores. Os intelectuais diriam que Petrarca suspirava por Laura e desancava as mulheres reais. Estou-me nas tintas! Ouvi-o vezes suficientes para saber que Abelardo foi um sacana para Heloísa, Romeu e Julieta talvez se odiassem depois de uns anos de casamento, Cyrano era um cobarde que não teve a grandeza de levar o seu segredo de Polichinelo para o túmulo. Fui um público atento e deliciado das palavras, das palavras dele..., mas a beleza encantatória do espectáculo não me fez levitar, a minha alma permanece com os pés bem assentes no chão - é do nosso amor que fala na sua escrita. E eu - que o deixei e não me arrependo! -, em verdade vos digo: maldito seja, quando conseguir embainhar a pena.
terça-feira, janeiro 15, 2008
O roubo.
O teu sorriso… Agora posso admitir que o roubei, querida. Uma noite adormeceste com ele vestido e o meu foi-se apagando, à medida que este hoje invadia aquele na minha cabeça e o futuro se desenhava, inexorável. Era terrível, sabes? Terrível pensar que de ti apenas restariam o cheiro alucinado, as roupas não exigidas, as fotografias oficialmente rasgadas. Cerrei-te os lábios com um beijo hipócrita de boa-noite e meti-o na caixa de anéis que minha Mãe te ofereceu. Saí, a coberto desse dormir profundo, feito de consciência tranquila e corpo saciado. O homem da loja das chaves partiu a lima, o joalheiro gastou a lupa, o pintor gemeu por novas cores, o poeta zangou-se com as palavras ao decretá-las de um cinzento impotente. Derrotado, entrei numa igreja. Não pedi nada, por curta fé e longo remorso – onde já se viu? -, negar-Lhe a existência e exigir-Lhe cumplicidade em falsificação… O silêncio. A voz de minha santa Mãe, que nunca precisou de altares - “abre a nossa caixa”. (Assim te abraçava mais uma vez…). E os dois sorrisos lá estavam, tão gémeos como fomos no amor e no seu luto, querida. Voltei a casa e devolvi-te um, na secreta esperança de guardar o original. Que tolice!, o verdadeiro seria sempre o dos teus lábios. Que afloraram os meus, numa pergunta silenciosa que transformava o sono em crime de lesa-vida:).
domingo, janeiro 13, 2008
De quarentena.
Maria,
A amarga liberdade de escrever não te escrevendo.
E assim bordar a tristeza nas palavras,
sem receio que calem o teu sorriso.
A amarga liberdade de escrever não te escrevendo.
E assim bordar a tristeza nas palavras,
sem receio que calem o teu sorriso.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
O meu reino pela resposta certa:).
- Quero dizer, provavelmente foi o que parece, mas garanto-lhe que existem atenuantes…
(para o facto de a ter confundido como uma puta?)
- Mas mais importante é pedir-lhe desculpa pela minha inqualificável confusão de há pouco, que obviamente só o consumo exagerado de álcool pode justificar…
(se houvesse um balão por ali sopraria de bom-grado, talvez as agravantes na estrada se transformassem em desculpas no sexo pago)
Ela franziu o sobrolho e ele carregou nas tintas,
- Justificar, justificar não, uma tal grosseria não tem desculpa, mas a senhora Inspectora concordará que acordar em tão sórdido contexto baralha qualquer um!
Pela primeira vez fitou-o nos olhos sem piedade. A cadeira abandonou o equilíbrio precário e pousou as quatro pernas no chão. Solene, como irmã mais nova do módulo que levara Armstrong à Lua – “um pequeno passo para mim…”. A voz exibiu uma doçura gélida,
- Presumo, então, que foi arrastado para aquele quarto contra a sua vontade, meu caro.
Estaria enganado ou por baixo do gelo espreitava o sarcasmo? E que responder? Contra princípios, educação e medo de doenças sexualmente transmissíveis sem dúvida, mas contra a vontade… Explorou-lhe o rosto em busca da resposta certa, mas sem eco. Excepto aquele verde inacreditável, que parecia envergonhado por brilhar paredes- meias com castanho plebeu e o penetrava sem caridade ou perdão anunciado. Jesus!, como era bela a sua inquisidora.
(para o facto de a ter confundido como uma puta?)
- Mas mais importante é pedir-lhe desculpa pela minha inqualificável confusão de há pouco, que obviamente só o consumo exagerado de álcool pode justificar…
(se houvesse um balão por ali sopraria de bom-grado, talvez as agravantes na estrada se transformassem em desculpas no sexo pago)
Ela franziu o sobrolho e ele carregou nas tintas,
- Justificar, justificar não, uma tal grosseria não tem desculpa, mas a senhora Inspectora concordará que acordar em tão sórdido contexto baralha qualquer um!
Pela primeira vez fitou-o nos olhos sem piedade. A cadeira abandonou o equilíbrio precário e pousou as quatro pernas no chão. Solene, como irmã mais nova do módulo que levara Armstrong à Lua – “um pequeno passo para mim…”. A voz exibiu uma doçura gélida,
- Presumo, então, que foi arrastado para aquele quarto contra a sua vontade, meu caro.
Estaria enganado ou por baixo do gelo espreitava o sarcasmo? E que responder? Contra princípios, educação e medo de doenças sexualmente transmissíveis sem dúvida, mas contra a vontade… Explorou-lhe o rosto em busca da resposta certa, mas sem eco. Excepto aquele verde inacreditável, que parecia envergonhado por brilhar paredes- meias com castanho plebeu e o penetrava sem caridade ou perdão anunciado. Jesus!, como era bela a sua inquisidora.
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Para esfriar os ânimos, prometo que não volto a escrever sobre "aquilo":).
Nem naquilo, nem em nada, ela continuava muda e ele atrás, sem coragem para tentar fugir ao pesadelo, as pernas bambas não lhe permitiriam escapar aos operacionais da organização, que a deixavam passar com respeito e o benziam com olhares turvos. O interior era ascético e mal iluminado – meia-dúzia de cadeiras, mesa, copos de plástico, cinzeiro a transbordar, paredes nuas. E a temida secretária, mas órfã de inquilino. Não por muito tempo, ela sentou-se e com um gesto de cabeça mandou-o fazer o mesmo. Está habituada a ser obedecida, pensou, enquanto seguia o cone de luz de um candeeiro caquético e grevista intermitente, forte candidato a curto-circuito. A inscrição na margem da mesa, letras minúsculas - “não consigo, merda, é o que dá não assumir a miopia!” -, meia-dúzia de palavras mais crescidas – “mas que Diabo…” -, a confirmação - Governo Civil do Porto.
A realidade atingiu-o como um raio – a fulana era polícia! À paisana e rota, mas polícia. O respeito que imaginara lá fora chamava-se medo, os “cúmplices” dela não passavam de peixe miúdo que o antecedera nas redes da lei. Gemeu baixinho. Transformar-se-ia no primeiro cliente da história da humanidade a ser chamado à pedra? Ainda por cima sem recordar o crime? Já se via a trocar uma carga de porrada por um telefonema a um dos pais, “estou? Vens-me buscar à esquadra? Não, não fui apanhado em excesso de velocidade, depois explico”. Credo!, tivesse a certeza que só apanhava uns tabefes e preferiria a versão filme de gangsters. Mas a súbita revelação teve o mérito de lhe despoletar a veia sabuja, habituado como estava a mendigar perdões por estacionamentos infames e pé pesado.
- Senhora Inspectora, isto não é o que parece…
(frase tipo de quem é apanhado na cama por marido ciumento, seria preciso fazer melhor...)
A realidade atingiu-o como um raio – a fulana era polícia! À paisana e rota, mas polícia. O respeito que imaginara lá fora chamava-se medo, os “cúmplices” dela não passavam de peixe miúdo que o antecedera nas redes da lei. Gemeu baixinho. Transformar-se-ia no primeiro cliente da história da humanidade a ser chamado à pedra? Ainda por cima sem recordar o crime? Já se via a trocar uma carga de porrada por um telefonema a um dos pais, “estou? Vens-me buscar à esquadra? Não, não fui apanhado em excesso de velocidade, depois explico”. Credo!, tivesse a certeza que só apanhava uns tabefes e preferiria a versão filme de gangsters. Mas a súbita revelação teve o mérito de lhe despoletar a veia sabuja, habituado como estava a mendigar perdões por estacionamentos infames e pé pesado.
- Senhora Inspectora, isto não é o que parece…
(frase tipo de quem é apanhado na cama por marido ciumento, seria preciso fazer melhor...)
terça-feira, janeiro 08, 2008
Intermezzo.
Maria,
Parece que os prosadores lusos se queixam de dificuldades no que à escrita do sexo diz respeito. Problema deles, querida, não sou escritor. E por isso me atrevo a falar deste desejo que só foi obsceno enquanto secreto; e foi-o tempo de mais… O teu ventre. Ao qual não farei a injustiça de chamar liso, seria torná-lo um entre muitos. Recordo a sua doce ondulação, atravessada pela proa matreira e preguiçosa da minha língua, abandonado que foi o porto inundado da tua. Sentir esses olhos cravados no meu navegar entre bosque e montes, os dedos acariciando-me o cabelo em falso abandono, prontos a evitar que vagabundeie por países menos acesos. Descer. Exigir-te a prisão das coxas, antes de fazer desabrochar as margens desse rio, cujo caudal depende tanto do desmaio das tuas barragens como da vigília marota da minha boca. Ficar atento, sem me distanciar milímetro ou fantasia: os rins desprezando o solo, o gemido risonho, o grito abafado. Parar. O teu protesto, que esconde aprovação gulosa. De novo à estrada e aos degraus, até ao espasmo que me deixa maravilhado por te sentir longe, longe e mais perto do que nunca.
Maria, tenho a certeza que o prazer das mulheres é o quebra-cabeças favorito de Deus.
Boa noite.
Parece que os prosadores lusos se queixam de dificuldades no que à escrita do sexo diz respeito. Problema deles, querida, não sou escritor. E por isso me atrevo a falar deste desejo que só foi obsceno enquanto secreto; e foi-o tempo de mais… O teu ventre. Ao qual não farei a injustiça de chamar liso, seria torná-lo um entre muitos. Recordo a sua doce ondulação, atravessada pela proa matreira e preguiçosa da minha língua, abandonado que foi o porto inundado da tua. Sentir esses olhos cravados no meu navegar entre bosque e montes, os dedos acariciando-me o cabelo em falso abandono, prontos a evitar que vagabundeie por países menos acesos. Descer. Exigir-te a prisão das coxas, antes de fazer desabrochar as margens desse rio, cujo caudal depende tanto do desmaio das tuas barragens como da vigília marota da minha boca. Ficar atento, sem me distanciar milímetro ou fantasia: os rins desprezando o solo, o gemido risonho, o grito abafado. Parar. O teu protesto, que esconde aprovação gulosa. De novo à estrada e aos degraus, até ao espasmo que me deixa maravilhado por te sentir longe, longe e mais perto do que nunca.
Maria, tenho a certeza que o prazer das mulheres é o quebra-cabeças favorito de Deus.
Boa noite.
domingo, janeiro 06, 2008
A céu aberto.
A noite, já de meia-idade e frescota. Retesou os músculos, pronto a desembestar rumo à esquina mais próxima. Duas ou três sombras masculinas, rondando penduradas em priscas ténues, arrefeceram-lhe o ímpeto; seriam figurantes – ou seguranças… - daquele filme de série B? Ela dirigiu-lhes um aceno familiar, o que em definitivo lhe paralisou pernas e vontade. Seguiu-a até à carrinha estacionada em frente, tão escura como os pensamentos dele. A porta das traseiras abrindo-se à aproximação dos dois. De repente os mânfios ao ar livre pareciam quase amigáveis, imaginou psicopata com os pés sobre a secretária, outros dois à ilharga, a porta a fechar-se-lhe nas costas e o silêncio acusador da rapariga fazendo sobressair a voz rouca de um Soprano paroquial - “então é este o menino da mamã que deu problemas?!”. Ai…
(Todos temos um preço.)
- Cem euros e não se fala mais nisto?
(Nisto o quê e porquê?)
O sacudir quase imperceptível e humilhante dos ombros dela não enganava – a oferta só lhe aguçara o riso…
(Todos temos um preço.)
- Cem euros e não se fala mais nisto?
(Nisto o quê e porquê?)
O sacudir quase imperceptível e humilhante dos ombros dela não enganava – a oferta só lhe aguçara o riso…
sábado, janeiro 05, 2008
Enquanto os jogadores do Benfica se tentam alegremente esmurrar:).
Rés-do-chão, porta da rua ao fundo. E se arriscasse uma corrida? Metia-lhe as notas na mão de passagem, melhor ainda!, espalhava-as pelo chão; enquanto ela recolhesse o pão seu de cada dia, punha-se ele ao fresco. Olhou em volta, receoso de eventual chulo veterano de clubes de fitting. À esquerda, dois sofás de cor indefinida escoltavam mesinha engalanada por uma jarra com flores artificiais. À direita um simulacro de recepção, onde dormitava mulher de idade indefinida, decote generoso mas deprimente e fio de saliva escapulindo-se pelo canto da boca. O olhar dele, talvez de tão angustiado, despertou o Cerbero – a matrona verteu um esgar sardónico e deixou cair sentença definitiva: “não aguenta o vinho quem quer, meu janota, só quem pode. A morte e a garrafa marimbam-se para o dinheiro dos paizinhos.” E da meditação filosófica regressou à catatonia vigilante. No balcão, que a julgar pelo trajecto da cabeça em breve lhe serviria de travesseiro, papel escrupuloso informava os clientes dos preços - por quarto e por hora.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Dead man walking...
Cabeça encostada ao ombro da soleira, mirou-o com olhos pouco dispostos a nova pergunta sobre o bem-estar dele. Girando cento e oitenta graus,
- Venha comigo.
Seguiu-a com a obediência culpada e temerosa de um cachorrinho que acabasse de pecar no tapete da sala. De rabo entre as pernas, sim. Mas não de orelhas murchas! Sintonizou-as e aos olhos, estudando as margens de um corredor interminável; que afinal terminava numas escadas, apenas para reaparecer no andar de baixo. As portas que foi ladeando não eram monótonas: desta emanava um silêncio ameaçador, daquela espreitava uma cabeça desgrenhada, de uma outra subiam gemidos de cama e gente que, pese embora a delicadeza do momento, realçavam no seu espírito a elegância provocante do andar dela. Um tipo em camisola interior, que procurava um armistício entre as fraldas da camisa e calças sufocadas por imponente barriga, saiu com estrondo de um dos quartos e passou por ele a correr, “chiça, que é tarde. E nem sequer valeu a pena!”. Ambas as afirmações lhe pareceram muito adequadas…
- Venha comigo.
Seguiu-a com a obediência culpada e temerosa de um cachorrinho que acabasse de pecar no tapete da sala. De rabo entre as pernas, sim. Mas não de orelhas murchas! Sintonizou-as e aos olhos, estudando as margens de um corredor interminável; que afinal terminava numas escadas, apenas para reaparecer no andar de baixo. As portas que foi ladeando não eram monótonas: desta emanava um silêncio ameaçador, daquela espreitava uma cabeça desgrenhada, de uma outra subiam gemidos de cama e gente que, pese embora a delicadeza do momento, realçavam no seu espírito a elegância provocante do andar dela. Um tipo em camisola interior, que procurava um armistício entre as fraldas da camisa e calças sufocadas por imponente barriga, saiu com estrondo de um dos quartos e passou por ele a correr, “chiça, que é tarde. E nem sequer valeu a pena!”. Ambas as afirmações lhe pareceram muito adequadas…
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Isto pode sair-lhe caro...
Teve um sobressalto. O “inho” final dispensava apresentações, BI, juras ou confissão arrancada a ferros – era galega. De novo a recordação do Avô lhe surgiu, amante das touradas em Badajoz, de onde regressava com a alma lavada pela hombría de la faena e os sentidos exasperados por espanholas de saia bailadora, sinal na cara e um leve cheiro a suor que jurava não suportar em mais nenhuma mulher no mundo, incluindo a sua! E ali estava ele, tantos anos depois, por sua vez com uma espanhola na lapela. É verdade que galega… Fazia a sua diferença, irmãos que vivem na outra margem do rio e se divertem a falar com os portugueses enquanto os madrilenos não entendem peva, mas não interpretara as palavras dela num registo fraternal. Como agir? E a pergunta regressava – antes ou depois de?
Decidiu-se pelo antes de. E estendeu o ramo de oliveira sob a forma de cinquenta euros, dos quais bem lhe custava separar-se, mas decidira sair daquela enrascada o mais depressa possível e o dinheiro faz milagres em sociedade capitalista de consumo.
- Aqui tem. Foi o álcool. Não precisa, perdão!, precisamos de fazer nada, mas compreendo perfeitamente que o seu tempo é precioso, espero que considere o preço justo…
(leve sonoridade televisiva…)
- … se não, fará o favor de mo dizer sem embaraço de qualquer espécie…
(agora inventara uma puta envergonhada…)
- e eu…
(a carteira escancarada.)
Decidiu-se pelo antes de. E estendeu o ramo de oliveira sob a forma de cinquenta euros, dos quais bem lhe custava separar-se, mas decidira sair daquela enrascada o mais depressa possível e o dinheiro faz milagres em sociedade capitalista de consumo.
- Aqui tem. Foi o álcool. Não precisa, perdão!, precisamos de fazer nada, mas compreendo perfeitamente que o seu tempo é precioso, espero que considere o preço justo…
(leve sonoridade televisiva…)
- … se não, fará o favor de mo dizer sem embaraço de qualquer espécie…
(agora inventara uma puta envergonhada…)
- e eu…
(a carteira escancarada.)
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Ah, ela é isso...
Deixou-se ficar encostada à soleira da porta, esgar ao de leve trocista, em silêncio observador. Que ele aproveitou para a estudar também e pensar que o mundo pós-moderno anda perigoso, sem fronteiras entre profissões, morais e até sexos! Não era o caso, mesmo em coma alcoólico tê-la-ia reconhecido como filha de Eva, apesar do cabelo curto e arrapazado. E ruivo… (Por um desses preconceitos que fazem as pessoas garantir que os ciganos vendem drogas e os padres pecam - e não com a rata que limpa a sacristia… - estranhou a ausência de sardas.) Os olhos saltitavam entre o castanho normal de catálogo e um outro, esverdeado, conforme a inclinação da cabeça, que ora repousava na soleira da porta, ora ameaçava refugiar-se no peito, escondendo o riso. Era alta, embora tal opinião fosse tristemente influenciada pelo metro e setenta rafado dele. Vestia um blusão de couro negro, desabotoado no morrer das mangas e em pescoço moreno debruçado de camisa branca. Mãos longas, coroadas de unhas não menos longas que exibiam pequenas lantejoulas (?), talvez úteis no exercício da profissão ao ar livre e de noite, sempre eram mais discretas do que um triângulo de automóvel. Busto esbelto, mamas discretas, cintura fina por baixo de cinto largo. Jeans muito justos que deixavam adivinhar coxas robustas, com muito trottoir por baixo, como diria o Avô, sempre pronto ao francesismo que lhe recordasse Paris. Os inevitáveis remendos e rasgões. À pressa, não conseguiu perceber se eram honestos ou semelhantes aos que as suas amigas faziam nos delas. (Quando os não compravam já esfarrapados e por isso mais caros, enigma que jamais conseguira decifrar.) Sapatilhas anónimas e sujas de lama. Por entre o nevoeiro neuronal fantasiou noite chuvosa, apanhara-a – ou fora por ela apanhado… – a meio do turno. Coitada!, blusão e cabelo também estavam molhados, só os chulos praticam a prostituição a seco e com boa música nos automóveis.
Foi quando…
- E como se sente agora o meniño?
Foi quando…
- E como se sente agora o meniño?
terça-feira, janeiro 01, 2008
Tcham, tcham, tcham, tcham!
Deu dois passos rumo à porta, pé ante pé, receando despertar algum vespeiro assassino de putas e chulos, “agarrem-no, que foge sem pagar!”. E haveria com que pagar? Arrepiado, meteu a mão no bolso (deixando a consciência para mais tarde…) - a carteira estava lá. Em contrapartida, nem sinal de preservativos, que outros preços se arriscava a pagar pelo que não sabia se acontecera? Parou. Bolso, logo calças… E o resto, amarrotado mas de guarda à pele, galinácea e não de frio. Estava portanto vestido. Porque se não despira ou por alguém lhe ter coberto a nudez, tão pecaminosa como flácida e inútil? A julgar pelo profundo desconsolo adormecido que reinava entre pernas a segunda hipótese… tinha pernas para andar!
Como ele fazia, até a mão direita afagar a maçaneta da porta, com gentileza temerosa de rangido atroador naquele silêncio afiado. Em silêncio e sobressalto a retirou e deu um passo atrás, mais depressa não o faria se queimasse. Não era o caso. Simplesmente girava, cúmplice de dedos que não os seus. Sem dúvida à míngua de óleo, mas sobretudo com uma lentidão exasperante. Preparou-se para desculpa apressada ou murro optimista, mas não porquês. As respostas que se danassem, precisava sair dali e atropelaria quem lhe atalhasse o caminho. Mesmo em teórica passadeira para peões!, o medo que crescia dentro de si preparava-o para tudo.
Menos para ela…
Como ele fazia, até a mão direita afagar a maçaneta da porta, com gentileza temerosa de rangido atroador naquele silêncio afiado. Em silêncio e sobressalto a retirou e deu um passo atrás, mais depressa não o faria se queimasse. Não era o caso. Simplesmente girava, cúmplice de dedos que não os seus. Sem dúvida à míngua de óleo, mas sobretudo com uma lentidão exasperante. Preparou-se para desculpa apressada ou murro optimista, mas não porquês. As respostas que se danassem, precisava sair dali e atropelaria quem lhe atalhasse o caminho. Mesmo em teórica passadeira para peões!, o medo que crescia dentro de si preparava-o para tudo.
Menos para ela…
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Private investigations.
Examinou o bidé em busca de respostas. A primeira era evidente, mas não dissipava o nevoeiro - casa de putas sim, mas longe de França, país avesso à existência de lavatórios especializados para vergonhas prazenteiras. Acordara em prostíbulo nacional. Mas antes ou depois de? A relativa limpeza de tão útil acessório, que significava? Ainda nada acontecera de espasmósdico? Ou, findo o acto, a profissional – hipótese masculina era demasiado monstruosa! – deixara-o cozer a bebedeira, enquanto preparava o palco para o actor seguinte? O pêlo solitário que namorava a margem do ralo era seu, dela ou de transacção antiga? Associação de mau-gosto injectou-lhe na alma versos favoritos dos pais - despidos de grandeza; brejeirotes; heréticos: “e o bidé cala a desgraça, o bidé nada me diz…”.
domingo, dezembro 30, 2007
Ó Diabo:(.
A memória não acompanhara a ressurreição dos sentidos – o olfacto protestava em altos berros… -, impossível dizer como desaguara naquele hino à decadência, mas não seria a falta de compreensão a impedi-lo de se pirar. E rapidamente. Porque no meio de tanta decrepitude, junto à porta, reinava, qual pia baptismal…, um bidé! Escoltado por toalha de um branco razoável e sabonete virgem, indicando atendimento personalizado e esboço de serviço de quartos. Não, não sabia como ali chegara, mas apostava singelo contra dobrado que tal pocilga, embora caquética e merecendo reforma, fazia parte da indústria do sexo (expressão politicamente correcta que procurava incorporar no discurso falado, mas que com muita dificuldade lhe ocorria quando dava rédea solta ao do imaginário:().
sábado, dezembro 29, 2007
O tipo não está numa nice:(.
Olhou em volta. Devagar, devagarinho, pois o raiar da lucidez trazia consigo pedras intra-craneanas, cada movimento gerava um chocalho assassino. Rendeu-se à evidência - desancar o papel de parede era injusto, o resto do quarto pertencia ao mesmo filme de terror: a cadeira de três patas, num equilíbrio precário; o guarda-vestidos, porta de espelho sujo e presa de um só gonzo, lembrava saloon do velho oeste; a cama, de colcha suja e à sombra de Última Ceia cujos agravos às figuras dos discípulos sugeriam que se tinham antecipado ao Senhor no martírio; o sofá com numerosas feridas e respectivas hemorragias de espuma; o lustre, outonal, tantos os pingentes desaparecidos; a alcatifa, viúva de aspirador há uns bons anitos...
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Será um personagem que chega?
Foi o papel de parede a esfiar o denso nevoeiro que se lhe interpunha entre os neurónios e o mundo em redor. As listas brancas não eram chocantes, apenas sebentas. Mas as verdes…; as verdes exibiam ramagens de uma luxúria biliar, entrecortada por anjinhos nédios e róseos; verdadeiros leitões da Bairrada, humanizados por uma qualquer divindade grega, tão bebida como ele... A visão produziu um efeito explosivo, como se tivesse emborcado um shot quádruplo de guronsan, chá preto, speed e cafeína destinada a futebolistas pelintras sem acesso a doping mais sofisticado.
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Era uma vez dois putos e a Avó fazendo castelos na areia.
Minha Mãe e meus filhos na praia do Molhe, há cerca de 25 anos. Quando todos nos abrigávamos nos braços dela...
segunda-feira, dezembro 24, 2007
24/12.
De regresso ao Porto para as festividades. Com alguma pena, quando saí de Cantelães o espectáculo era soberbo - sol a rodos e o campo teimosamente branco:). Resta a consolação da ponte de fim de ano.
Para todos vocês, um abraço fraterno, ups!, paternal (não quero ofender essa pletórica juventude...). O Murcon permanece parte importante da minha vida, e o tempo decorrido permite decretá-lo mais do que efémera paixoneta tecnológica. As zangas, abandonos, regressos e discussões provam que a tertúlia sobreviveu à idealização inicial e ao inevitável luto, sem o fazer ninguém constrói uma relação duradoura. Desejo o melhor a quem partiu, agradeço a quem ficou, sei que abriremos os braços a quem chegar.
Boas Festas, maralhal.
Para todos vocês, um abraço fraterno, ups!, paternal (não quero ofender essa pletórica juventude...). O Murcon permanece parte importante da minha vida, e o tempo decorrido permite decretá-lo mais do que efémera paixoneta tecnológica. As zangas, abandonos, regressos e discussões provam que a tertúlia sobreviveu à idealização inicial e ao inevitável luto, sem o fazer ninguém constrói uma relação duradoura. Desejo o melhor a quem partiu, agradeço a quem ficou, sei que abriremos os braços a quem chegar.
Boas Festas, maralhal.
sábado, dezembro 22, 2007
Hora(s) de decisões.
Finalmente Cantelães! O trimestre foi alucinante e nas próximas duas semanas terei de decidir como será 2008: regressar à televisão após o fim do Serralves fora de Horas?; escrever?; abrandar? Não sei. Há coisas que ainda gostaria de fazer, sobretudo para sacudir o rótulo de sexólogo em full-time, afinal ensino com enorme gozo Sociologia Médica. Mas pensar a Medicina, com a ajuda de amigos mais competentes do que eu, será uma tarefa cansativa, mesmo no "colo" que Serralves se tornou para mim. Não sei. E não creio que o Pai Natal me ofereça uma decisão "pronta-a-vestir":).
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Notas breves.
Novo link, um dos amigos que tornou possível o Murcon entrou no ramo dos - abençoados... - primeiros socorros:).
Mão gentil fez-me chegar CD-ROM com algumas das intervenções de minha Mãe na televisão. Aquela voz... A timidez espreitando a cada frase. E a consciência social aprendida no quotidiano e não nos livros - "Sabe você, Herman, no país em que vivemos o meu filho é mais importante do que eu." Uma saudade imensa. A sensação que me acompanhará até à morte - a sua força sempre me assustou, mas foi também a inspiração para vencer as minhas próprias inibições em face de uma vida pública que nunca previra.
The Queen is not dead, who knows how long will live the future king?
Mão gentil fez-me chegar CD-ROM com algumas das intervenções de minha Mãe na televisão. Aquela voz... A timidez espreitando a cada frase. E a consciência social aprendida no quotidiano e não nos livros - "Sabe você, Herman, no país em que vivemos o meu filho é mais importante do que eu." Uma saudade imensa. A sensação que me acompanhará até à morte - a sua força sempre me assustou, mas foi também a inspiração para vencer as minhas próprias inibições em face de uma vida pública que nunca previra.
The Queen is not dead, who knows how long will live the future king?
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Vocês mandam!
A culpa afrodisíaca parece-me compatível com a frieza "não deliberada" que caracteriza a inocência, entendida como desconhecimento do amor. Também as crianças misturam culpa e crueldade na sua descoberta da vida...
domingo, dezembro 16, 2007
O amante.
Amou-a com a tenacidade do remorso, a volúpia da culpa, a frieza da inocência. Como seria de prever, acabou por a sufocar. Literalmente...
sábado, dezembro 15, 2007
Talvez peque por defeito...
Ninguém aqui leu uma crítica à equipa do Benfica quando perdeu com o Futebol Clube do Porto. Não seria justo, fizeram o que puderam e sabiam contra um adversário superior. Por isso não tenho qualquer rebuço ou dúvida em escolher o adjectivo para a exibição de hoje contra o Belenenses - vergonhosa.
quinta-feira, dezembro 13, 2007
Quase, quase em auto-piedade:).
A tristeza é, muitas vezes, um apeadeiro inevitável a caminho da lucidez. Acho que percebo a razão. Mas preferia que a paragem fosse menos demorada...
terça-feira, dezembro 11, 2007
Fim de ciclo.
Amanhã gravarei o último Serralves fora de Horas e, sem ofensa para nenhum dos convidados, não tenho dúvidas quanto ao momento mágico da série - o diálogo com Siza Vieira. Aos 58, cada vez mais me apetece ouvir e aprender. Intervindo, claro!, mas com a reconfortante sensação de os holofotes, por trás de mim, apontarem na mesma direcção que tomam as minhas perguntas e ouvidos:).
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Stress deprime o msistema imunitário (da Agência Lusa para os murcónicos).
Mas claro que ando stressado. Pois se até vos desejo as boas noites da Covilhã!
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Finalmente no lugar adequado!
Um furúnculo traiçoeiro fez-me o ninho atrás da orelha. O Octávio, peremptório - "Só vai de antibiótico oral. E mesmo assim, não sei, talvez seja preciso abrir." Perante o meu desânimo - "Sebo!, tudo se junta" -, recorreu às virtudes terapêuticas de um bom Callabriga. O antibiótico vem fazendo o seu trabalho e, com cruel displicência, pelo caminho trucida-me a vesícula. Hoje, à entrada do Instituto, a pústula decidiu rastejar até à luz do dia pelo meu pescoço abaixo. Na portaria, a solução foi imediata - "Fala-se ao Professor Mário Sousa!" E lá fui eu chatear um antigo aluno... Diagnóstico reafirmado com evidente alívio - "Óptimo, abriu espontaneamente." Dez dias de antibiótico para prevenir eventuais complicações. Dez... Apeteceu-me ajoelhar e pedir-lhe um desconto, mas o bom do Mário já se angustiava, "como te faço o curativo, para dares a aula?" A hesitação, "importas-te de ir...?" Mas claro que não, é o destino e a sua renomada sageza! Lá fui. A colega, lutando bravamente contra a minha purulência - "quer ver, professor?" Nem pensar!, conheço a podridão de que sou capaz... Penso feito, o uivo doloroso de um cão emoldurou-me a saída grata e o sorriso gentil dela. Corredor fora, envergonhado pelo atraso e esbaforido por dois lanços de escada, compreendi o protesto e pedi em silêncio desculpa pela cunha que me permitira "roubar-lhe" a atenção da colega. E assim se passou a minha primeira consulta de medicina veterinária:))))))).
quarta-feira, dezembro 05, 2007
The bitch is back ( yet again!).
Ida e vinda ao Algarve em 24 horas pelas melhores razões, mas com o cansaço a fazer valer os seus direitos. Quando tentava sobreviver ao nevoeiro da A1, sms de um velho amigo a anunciar golo do Benfica. Desaguei em sua casa, grato pelo carinho que derramara sobre um arroz delicioso. E ficámos à conversa, cúmplices de tantos anos. Não me entendam mal, não se trata de machismo que transforma as mulheres em objectos que saltitam de mão em mão (masculinas) - à medida que lhe ouvia a ternura, pensava que não hesitaria em o "recomendar a viúva minha". E sendo eu ciumento - mesmo à posteriori! -, é este o maior elogio que lhe posso fazer:).
domingo, dezembro 02, 2007
Boa semana, que a minha vai ser alucinante:(.
"Mais do que um aristocrata, o burguês é muito sensível a estas tonalidades. Até à hora da morte, o burguês precisa de se afirmar. O aristocrata, logo ao nascer, já mostrou quanto vale. O burguês está condenado a acumular, ou a conservar."
Sándor Márai, A mulher certa.
Acabei o livro. Que é magnífico. Mas os personagens parecem-me, aqui e ali, soterrados pela análise histórica e sociológica. Em "As velas ardem até ao fim", na minha opinião, Márai atinge o mesmo objectivo sem lhes roubar a boca de cena. Na minha opinião? Já a formiga tem catarro:).
Sándor Márai, A mulher certa.
Acabei o livro. Que é magnífico. Mas os personagens parecem-me, aqui e ali, soterrados pela análise histórica e sociológica. Em "As velas ardem até ao fim", na minha opinião, Márai atinge o mesmo objectivo sem lhes roubar a boca de cena. Na minha opinião? Já a formiga tem catarro:).
sábado, dezembro 01, 2007
sexta-feira, novembro 30, 2007
O horror, a tragédia, a cabala, ARREPIANTE!!!!!!
Dei uma entrevista à Bola sobre o Benfica-Porto. E demonstrando tanto fervor clubístico que até afirmava "só não cantar o hino para não dar ao plantel razão para rescisão por justa causa:)" (a minha desafinação é lendária...). E o texto no jornal assim reza. Mas num dos títulos, algum dragão que me deseja a morte na primeira esquina pôs que eu não canto o hino... do dragão! Face à avalancha de protestos benfiquistas, solto um grito lancinante - leiam o texto antes de me crucificarem. Como diria o Pessa - e esta, hein??????:)))))).
quarta-feira, novembro 28, 2007
O adepto incorrigível.
Como sabem, tenho por hábito ser implacável nas apreciações ao "meu" Benfica. Por isso, é sem qualquer rebuço que digo ter ficado satisfeito com o desempenho desta noite. Bateram-se e honraram a camisola que envergam. Nunca lhes pedi mais.
Back home.
Lisboa tratou-me bem, como de costume. Avancei para a A1 cheio de um alívio culpado, "devia visitar os alfacinhas mais vezes:)". Mas confesso que é pela estrada de Cantelães que o motor do carro suspira...
No hotel comecei "A mulher certa", de Sándor Márai. A expectativa é muito alta, depois desse extraordinário "As velas ardem até ao fim". Um cheirinho:
"A mim educaram-me na ideia de que era preciso viver. A ele educaram-no na ideia de que, acima de tudo, era preciso viver de modo sofisticado e respeitoso, regular e uniformemente, e isso era o mais importante. Eram diferenças enormes. Mas, ao tempo, eu ainda não sabia."
No hotel comecei "A mulher certa", de Sándor Márai. A expectativa é muito alta, depois desse extraordinário "As velas ardem até ao fim". Um cheirinho:
"A mim educaram-me na ideia de que era preciso viver. A ele educaram-no na ideia de que, acima de tudo, era preciso viver de modo sofisticado e respeitoso, regular e uniformemente, e isso era o mais importante. Eram diferenças enormes. Mas, ao tempo, eu ainda não sabia."
sexta-feira, novembro 23, 2007
Voluntariamente...:).
Contrição
Que importa que todos me esqueçam
mesmo sem querer?
Que importa que a humanidade não exista
e apenas haja homens
embora vivendo, nascendo, morrendo, semelhantemente?
Se os homens são tantos que, procurando bem, sempre se encontram mais alguns;
se são tão frágeis que mal podem cair;
e se eu sou tão desgraçado, tão ímpar, tão mental,
que tenho de voluntariamente
desejar amá-los.
Jorge de Sena.
Que importa que todos me esqueçam
mesmo sem querer?
Que importa que a humanidade não exista
e apenas haja homens
embora vivendo, nascendo, morrendo, semelhantemente?
Se os homens são tantos que, procurando bem, sempre se encontram mais alguns;
se são tão frágeis que mal podem cair;
e se eu sou tão desgraçado, tão ímpar, tão mental,
que tenho de voluntariamente
desejar amá-los.
Jorge de Sena.
quarta-feira, novembro 21, 2007
Não importa, é importante que não fique por dizer.
O incrédulo
Diz-me que não estou enamorada,
às vezes apetece-me jurar-lhe
que esqueceria o sol entre os seus braços
ou quereria estar a beijar sempre
seus lábios ou que não me importa o tempo
ao olhar-me escuro, fixo, louco.
Porém de quê me serviria tanto?
Não acreditaria uma palavra.
Amalia Bautista.
Diz-me que não estou enamorada,
às vezes apetece-me jurar-lhe
que esqueceria o sol entre os seus braços
ou quereria estar a beijar sempre
seus lábios ou que não me importa o tempo
ao olhar-me escuro, fixo, louco.
Porém de quê me serviria tanto?
Não acreditaria uma palavra.
Amalia Bautista.
segunda-feira, novembro 19, 2007
No sofá do corredor.
Enrosco-me no avesso de uma noitada. Todos dormem ainda. O prado, esse, acordou vestido de um branco sem piedade. (A não ser para a casinha de plástico dos meus netos, que parece enregelada pela ausência deles.) Imagino-os à janela nos dias de honesto calor estival, a imaginação ao poder de braço dado com a gula por uns euros - "Avô Júlio, queres comprar hamburguers?". Claro que sim, apoio sem reservas as micro-empresas e desconfio das corporações, abro os cordões à bolsa e ao coração em face do riso desavergonhado das crianças, mas fecho a cara à sedução plastificada dos adultos, "há coisas fantásticas, não há?". Há. A geada que se evapora diante dos meus olhos, enquanto os moinhos da Cabreira se espreguiçam e ensaiam um giro preguiçoso. Desligo o candeeiro da mesa do corredor. O espanta-espíritos tilinta surpreendido, quase escandalizado. Obediente, volto para a cama. Cantelães deseja acordar sem testemunhas.
sexta-feira, novembro 16, 2007
A diferença.
Cantelães. Três graus negativos. Lareira acesa. Um céu espantoso. Vejo Serralves fora de Horas. E tenho pena daquele pobre diabo, a gravar à Segunda de manhã e suspirando por Sexta ao fim da tarde:(. Vi-o abrir a porta da Casa do Vale a tiritar. E no entanto com um semblante bem mais descontraído do que o do ecrã, apesar da maquilhagem. Será a lua:)?
quinta-feira, novembro 15, 2007
Esses poetas...
Gilberto Gil falando de Vinicius, revejo o documentário no TVC4: "Ele trabalhava no cerne dos afectos." Bela frase, carago! Ainda por cima verdadeira:).
quarta-feira, novembro 14, 2007
That's what friends are for.
O João Gil pediu, está feito - link para a sua nova aventura:).
Frase e esperança do dia - "E talvez aquilo que sentia de quase agradável naquele momento fosse outra coisa para além ainda do apaziguamento de uma dúvida ou de uma dor: um prazer da inteligência."
Marcel Proust, Um amor de Swann.
Frase e esperança do dia - "E talvez aquilo que sentia de quase agradável naquele momento fosse outra coisa para além ainda do apaziguamento de uma dúvida ou de uma dor: um prazer da inteligência."
Marcel Proust, Um amor de Swann.
segunda-feira, novembro 12, 2007
Late night question.
A greve dos guionistas diz muito acerca desta sociedade - quantos de nós sobrevivem sem "telepontos"?
sexta-feira, novembro 09, 2007
Pois não, não...
"Era alegre, mas não tinha o sentido da ironia. Não é o mesmo."
Manuel Vázquez Montalbán, Galíndez.
Manuel Vázquez Montalbán, Galíndez.
quinta-feira, novembro 08, 2007
Check-ups periódicos:).
Casamentos promovidos pela web duram menos
Os casamentos promovidos pela Internet duram menos que os tradicionais. É a conclusão de um estudo realizado nos Estados Unidos, onde sites de encontro já originaram em torno de 3 milhões de uniões.
Apesar de faltarem estatísticas mais precisas o estudo, citado pela agência Ansa, diz que "pode-se racionalmente julgar que os casamentos gerados pela Internet têm uma possibilidade maior de chegar ao divórcio em relação aos casamentos gerados por encontros tradicionais", baseando-se em opiniões de especialistas do setor.
Uma prova de que uniões começadas online funcionam menos do que as outras é o fato de sites que há dez anos promovem encontros via Internet, como o Mary.com e o eharmony.com, estarem usando novas estratégias para ter certeza de que os casamentos prometidos durem mais do que a simples lua-de-mel.
O site Mary.com, por exemplo, está se especializando em promover "a qualidade e a longevidade" das relações. Já o eharmony.com criou uma espécie de laboratório de relacionamentos: alguns casais são monitorados por pelo menos cinco anos. É uma maneira, segundo o estudo, de tentar prevenir os divórcios. Afinal, como diz o dono de um dos sites de relacionamento, "a química que funciona, mesmo, é aquela dos encontros ofline".
Os casamentos promovidos pela Internet duram menos que os tradicionais. É a conclusão de um estudo realizado nos Estados Unidos, onde sites de encontro já originaram em torno de 3 milhões de uniões.
Apesar de faltarem estatísticas mais precisas o estudo, citado pela agência Ansa, diz que "pode-se racionalmente julgar que os casamentos gerados pela Internet têm uma possibilidade maior de chegar ao divórcio em relação aos casamentos gerados por encontros tradicionais", baseando-se em opiniões de especialistas do setor.
Uma prova de que uniões começadas online funcionam menos do que as outras é o fato de sites que há dez anos promovem encontros via Internet, como o Mary.com e o eharmony.com, estarem usando novas estratégias para ter certeza de que os casamentos prometidos durem mais do que a simples lua-de-mel.
O site Mary.com, por exemplo, está se especializando em promover "a qualidade e a longevidade" das relações. Já o eharmony.com criou uma espécie de laboratório de relacionamentos: alguns casais são monitorados por pelo menos cinco anos. É uma maneira, segundo o estudo, de tentar prevenir os divórcios. Afinal, como diz o dono de um dos sites de relacionamento, "a química que funciona, mesmo, é aquela dos encontros ofline".
quarta-feira, novembro 07, 2007
O Amor é...
Porque alguns de vocês gostam de aparecer - e eu de os receber:) - já posso confirmar o lançamento de O Amor é... no Porto: Terça, 13, às 19, na Biblioteca de Serralves. Em Lisboa será a 26 na Bertrand do Centro Comercial junto à Expo (Atlântico?), mas ainda não tenho a certeza da hora.
P.S. Agora já tenho - 18.30.
P.S. Agora já tenho - 18.30.
terça-feira, novembro 06, 2007
Sem surpresas.
O Benfica abandona a Europa depois de melancólica derrota frente a um Celtic de uma mediocridade confrangedora. Logo, sai bem. Apenas duas notas: acho extraordinário que não alertem aquele esforçado rapaz para o risco de lesionar gravemente um colega de profissão, a jogar assim será apenas uma questão de tempo; pelas substituições efectuadas desconfio que Camacho, perante a segunda parte dos seus pupilos e fiel às suas prioridades..., já pensava no Boavista!
P.S. Verdade que não se pode ter tudo. Como prometera, Santana Lopes inaugurou um novo ciclo na política portuguesa, com a sua heróica metáfora das cinco balas face a trinta. Mesmo a abarrotar de munições, José Sócrates preferiu referir modestamente que tudo vai bem e a Assembleia da República não é o Parque Mayer. (Afirmação de resto, necessária, atendendo aos espectáculos que ali vamos presenciando.) Menezes falou de véspera, com o pretexto de encostar o Governo à parede tentou marcar homem a homem o seu fidelíssimo líder parlamentar. E falhou, claro.
Quem saboreia tais pitéus políticos não pode pedir mais. A menos que seja dragão:).
P.S. Verdade que não se pode ter tudo. Como prometera, Santana Lopes inaugurou um novo ciclo na política portuguesa, com a sua heróica metáfora das cinco balas face a trinta. Mesmo a abarrotar de munições, José Sócrates preferiu referir modestamente que tudo vai bem e a Assembleia da República não é o Parque Mayer. (Afirmação de resto, necessária, atendendo aos espectáculos que ali vamos presenciando.) Menezes falou de véspera, com o pretexto de encostar o Governo à parede tentou marcar homem a homem o seu fidelíssimo líder parlamentar. E falhou, claro.
Quem saboreia tais pitéus políticos não pode pedir mais. A menos que seja dragão:).
domingo, novembro 04, 2007
"Os sexólogos" não existem, toda a generalização se afasta da realidade:).
Os sexólogos
Paulo Moura - 20071104
Do outro mundo
Os sexólogos gostam de fazer afirmações categóricas e normativas, o que é, em si mesmo, uma prova da sua irrelevância. Afirmações categóricas e normativas asfixiam qualquer possibilidade de erotismo e lavariam portanto, se fossem levadas a sério, os sexólogos ao desemprego. Erotismo, acho eu, implica dramatização, ilusão, incursões no desconhecido. Quando nos dizem o que o sexo deve ser, já deixou de dever ser assim, porque já não nos apetece fazê-lo, e portanto já não é sexo.Quando um sexólogo determina o que é saudável e o que não é saudável está apenas a definir as fronteiras das novas perversões. Está a dar-nos ideias. Praticar sexo segundo os conselhos de um sexólogo é como compor um poema segundo o manual de escrita criativa. Ou como pôr o Vasco da Gama a descobrir a Índia com um folheto da agência Abreu. Sem aventura não há arte, nem amor, nem erotismo. Neste sentido, é bom que os sexólogos estejam calados, para se poder manter alguma normalidade na actividade sexual.Uma das afirmações categóricas e normativas que os sexólogos adoram fazer é a de que o ciúme é um sentimento doentio. Tem origem na insegurança, dizem eles. Na falta de auto-estima. O ciumento imagina coisas, acredita em hipóteses improváveis. E, de tanto acreditar, essas coisas que imagina acontecem mesmo, vaticinam ainda os sexólogos. Um amante saudável nunca tem ciúmes. Se há indícios de que o parceiro ou parceira o traiu ou vai trair, deve ignorá-los. São decerto fruto da sua imaginação doentia. Há com toda a certeza uma explicação razoável para esses indícios, por mais gritantes que lhe pareçam. É preciso haver confiança. Se a tivermos em doses adequadas, acreditamos sempre no companheiro ou companheira, mesmo que ele ou ela saia de casa à meia-noite com uma carteira de preservativos nos dentes. Sem dúvida que haverá uma explicação para esse comportamento, não vale a pena pensar muito nisso. O que é preciso é ter confiança. Como se a confiança devesse sempre ser dada, e não precisasse de ser conquistada. Como se não fosse um bem escasso. Os franceses são mais prudentes, ao usarem o verbo "fazer" - faire confiance - em vez de "ter". "Fazer" soa mais como um contrato, implica um comportamento mais activo e responsável. Faz-se confiança, como se faz uma aposta. Ganha-se ou perde-se e a culpa não é de mais ninguém senão nossa. O amor pode ser, na verdade, uma roleta russa e portanto o ciúme é um sentimento tão natural como a sua sede de amor. Há quem o tenha por doença, como também há quem sinta febre sem que isso corresponda a nenhuma infecção. Mas é raro. Na esmagadora maioria dos casos, quem tem ciúmes tem boas razões para os ter. De outra forma não se explicaria este mecanismo do ser humano, numa perspectiva evolucionista. Se acreditarmos que a nossa origem está em Adão e Eva, podemos considerar o ciúme um erro da Natureza, ou uma invenção do demónio, uma vez que não havia, à época da nossa criação, ninguém de quem o ter. Mas se quisermos ser científicos temos de olhar o ciúme com respeito. Quem ama teme perder o objecto do seu amor e tem ciúmes se pressentir que isso vai acontecer. E isso realmente acontece todos os dias. Basta ver a percentagem de casamentos que acaba em divórcio. Não, é melhor não ver. As estatísticas também matam o amor. Jornalista
P.S. Aceito que me considerem irrelevante, mas nunca fiz afirmações categóricas e normativas, excepto contra todas as formas de discriminação. Quanto ao ciúme, recordo alguns anos pós-25 de Abril, em que era considerados politicamente incorrecto. Alguns dos que o diziam, torciam mãos e almas no meu consultório... O ciúme decorre, justificado ou não, da insegurança. E essa, julgo eu, faz parte da nossa natureza. Mas talvez esteja a ser normativo:).
Paulo Moura - 20071104
Do outro mundo
Os sexólogos gostam de fazer afirmações categóricas e normativas, o que é, em si mesmo, uma prova da sua irrelevância. Afirmações categóricas e normativas asfixiam qualquer possibilidade de erotismo e lavariam portanto, se fossem levadas a sério, os sexólogos ao desemprego. Erotismo, acho eu, implica dramatização, ilusão, incursões no desconhecido. Quando nos dizem o que o sexo deve ser, já deixou de dever ser assim, porque já não nos apetece fazê-lo, e portanto já não é sexo.Quando um sexólogo determina o que é saudável e o que não é saudável está apenas a definir as fronteiras das novas perversões. Está a dar-nos ideias. Praticar sexo segundo os conselhos de um sexólogo é como compor um poema segundo o manual de escrita criativa. Ou como pôr o Vasco da Gama a descobrir a Índia com um folheto da agência Abreu. Sem aventura não há arte, nem amor, nem erotismo. Neste sentido, é bom que os sexólogos estejam calados, para se poder manter alguma normalidade na actividade sexual.Uma das afirmações categóricas e normativas que os sexólogos adoram fazer é a de que o ciúme é um sentimento doentio. Tem origem na insegurança, dizem eles. Na falta de auto-estima. O ciumento imagina coisas, acredita em hipóteses improváveis. E, de tanto acreditar, essas coisas que imagina acontecem mesmo, vaticinam ainda os sexólogos. Um amante saudável nunca tem ciúmes. Se há indícios de que o parceiro ou parceira o traiu ou vai trair, deve ignorá-los. São decerto fruto da sua imaginação doentia. Há com toda a certeza uma explicação razoável para esses indícios, por mais gritantes que lhe pareçam. É preciso haver confiança. Se a tivermos em doses adequadas, acreditamos sempre no companheiro ou companheira, mesmo que ele ou ela saia de casa à meia-noite com uma carteira de preservativos nos dentes. Sem dúvida que haverá uma explicação para esse comportamento, não vale a pena pensar muito nisso. O que é preciso é ter confiança. Como se a confiança devesse sempre ser dada, e não precisasse de ser conquistada. Como se não fosse um bem escasso. Os franceses são mais prudentes, ao usarem o verbo "fazer" - faire confiance - em vez de "ter". "Fazer" soa mais como um contrato, implica um comportamento mais activo e responsável. Faz-se confiança, como se faz uma aposta. Ganha-se ou perde-se e a culpa não é de mais ninguém senão nossa. O amor pode ser, na verdade, uma roleta russa e portanto o ciúme é um sentimento tão natural como a sua sede de amor. Há quem o tenha por doença, como também há quem sinta febre sem que isso corresponda a nenhuma infecção. Mas é raro. Na esmagadora maioria dos casos, quem tem ciúmes tem boas razões para os ter. De outra forma não se explicaria este mecanismo do ser humano, numa perspectiva evolucionista. Se acreditarmos que a nossa origem está em Adão e Eva, podemos considerar o ciúme um erro da Natureza, ou uma invenção do demónio, uma vez que não havia, à época da nossa criação, ninguém de quem o ter. Mas se quisermos ser científicos temos de olhar o ciúme com respeito. Quem ama teme perder o objecto do seu amor e tem ciúmes se pressentir que isso vai acontecer. E isso realmente acontece todos os dias. Basta ver a percentagem de casamentos que acaba em divórcio. Não, é melhor não ver. As estatísticas também matam o amor. Jornalista
P.S. Aceito que me considerem irrelevante, mas nunca fiz afirmações categóricas e normativas, excepto contra todas as formas de discriminação. Quanto ao ciúme, recordo alguns anos pós-25 de Abril, em que era considerados politicamente incorrecto. Alguns dos que o diziam, torciam mãos e almas no meu consultório... O ciúme decorre, justificado ou não, da insegurança. E essa, julgo eu, faz parte da nossa natureza. Mas talvez esteja a ser normativo:).
sexta-feira, novembro 02, 2007
A quinta do Vale.
Cantelães. Fogo na encosta, calor humano em casa. Amigos estiveram, amigos estão, amigos chegarão. A Quinta do Vale foi sonhada assim - um refúgio de portas escancaradas. A lareira dá os primeiros passos; a mesa agradece a invasão; os sofás acolhem gente que se divide entre a televisão e a sesta. Quando chego à porta da sala, invade-me um sentimento de gratidão, a tribo acompanhou-me na aventura da Cabreira. Talvez seja essa a fronteira - se gostamos, dizemos presente se alguém constrói um refúgio. Se não, aproveitamos o pretexto para nos afastarmos. Estou grato aos primeiros, não guardo rancor aos segundos, a cada um o seu caminho, sem hipocrisias.
quinta-feira, novembro 01, 2007
Entradas de leão...
Portas já pediu a demissão da ministra
Estudantes voltam a poder chumbar por faltas
Num recuo inesperado o PS vai reabrir a discussão sobre o artigo 22º do Estatuto do Aluno, que previa a realização de uma prova para todos os que ultrapassassem o limite de faltas.
Pedro Chaveca
16:19 Quinta-feira, 1 de Nov de 2007
António Pedro Ferreira
O governo garante que não houve qualquer recuo
Foi apresentado ontem pelo Partido Socialista, durante a reunião da Comissão Parlamentar de Educação, uma proposta de alteração ao já aprovado Estatuto do Aluno e em particular ao artigo 22º que previa a realização de uma prova para todos os alunos do ensino básico e secundário que ultrapassassem o limite de faltas, independentemente de serem justificadas ou não.
Segundo o avançado pela TSF esta mudança deve-se a pressões feitas pelo governo, que a bancada socialista justificou com o facto de haver uma cortina de fumo para confundir a opinião pública.
A nova proposta apresentada ontem e que deve ser votada durante a próxima semana assegurará que os alunos com faltas a mais vão de facto chumbar o ano, caso o conselho pedagógico da escola assim o decida, sem passarem pela muito falada prova de recuperação.
Medidas "correctivas"
As novas medidas a que o PS chamou de "correctivas" sublinham que os alunos do ensino obrigatório vão poder ficar retidos no caso de ultrapassarem o limite de faltas. Para os do secundário a penalização poderá passar pela exclusão da frequência de algumas disciplinas, que em princípio serão aquelas a que o aluno chumbou por faltas.
Este "recuo" como foi qualificado pela oposição trouxe de volta a polémica à Assembleia da República. E da esquerda à direita os ataques à ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, não se fizerem esperar. "A ministra veio defender a solução da prova de recuperação como a melhor e, agora, o grupo parlamentar do PS vem pôr em causa aquilo que ela disse. É um claro recuo do PS e uma situação que gera incómodo entre o grupo parlamentar e a ministra", defendeu o deputado comunista António Oliveira.
Uma opinião corroborada por Ana Drago do Bloco de Esquerda que insistiu que apesar da rectificação do artigo 22º continua a existir um grave "erro": "Não há diferença entre faltas justificadas e injustificadas. Por muito que se confie no bom senso da escola [para o qual os socialistas remetem], isso não é compreensível".
O CDS sublinha que houve uma desautorização da governante e aponta o dedo às contradições dos socialistas: "O PS defendeu o fim da retenção e da exclusão, dizendo que a escola teria de ser inclusiva e agora apresenta uma proposta que prevê a retenção e a exclusão do aluno", lembrou José Paulo Carvalho da bancada centrista.
PS garante não ter havido recuo
Paulo portas foi mais longe e pediu a demissão da ministra que acusou de ter "três posições diferentes em três meses" e de fazer "propostas irresponsáveis."
O maior grupo parlamentar da oposição pediu o adiamento da votação e está a ponderar apresentar uma proposta própria. O PSD aponta o dedo aos socialistas que acusa de sacudirem as responsabilidades para "os conselhos pedagógicos das escolas, que terão de estar sistematicamente em reuniões para decidir se há prova de recuperação, se há retenção ou se há exclusão", e avisa as escolas de que esta nova proposta do governo é "um presente envenenado".
Do lado do executivo de José Sócrates respondeu, Valter Lemos, secretário de Estado da Educação, que assegurou não ter havido qualquer recuo por parte do governo, sublinhando que a essência da proposta se mantém, contou apenas com melhoramentos por parte dos deputados.
Estudantes voltam a poder chumbar por faltas
Num recuo inesperado o PS vai reabrir a discussão sobre o artigo 22º do Estatuto do Aluno, que previa a realização de uma prova para todos os que ultrapassassem o limite de faltas.
Pedro Chaveca
16:19 Quinta-feira, 1 de Nov de 2007
António Pedro Ferreira
O governo garante que não houve qualquer recuo
Foi apresentado ontem pelo Partido Socialista, durante a reunião da Comissão Parlamentar de Educação, uma proposta de alteração ao já aprovado Estatuto do Aluno e em particular ao artigo 22º que previa a realização de uma prova para todos os alunos do ensino básico e secundário que ultrapassassem o limite de faltas, independentemente de serem justificadas ou não.
Segundo o avançado pela TSF esta mudança deve-se a pressões feitas pelo governo, que a bancada socialista justificou com o facto de haver uma cortina de fumo para confundir a opinião pública.
A nova proposta apresentada ontem e que deve ser votada durante a próxima semana assegurará que os alunos com faltas a mais vão de facto chumbar o ano, caso o conselho pedagógico da escola assim o decida, sem passarem pela muito falada prova de recuperação.
Medidas "correctivas"
As novas medidas a que o PS chamou de "correctivas" sublinham que os alunos do ensino obrigatório vão poder ficar retidos no caso de ultrapassarem o limite de faltas. Para os do secundário a penalização poderá passar pela exclusão da frequência de algumas disciplinas, que em princípio serão aquelas a que o aluno chumbou por faltas.
Este "recuo" como foi qualificado pela oposição trouxe de volta a polémica à Assembleia da República. E da esquerda à direita os ataques à ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, não se fizerem esperar. "A ministra veio defender a solução da prova de recuperação como a melhor e, agora, o grupo parlamentar do PS vem pôr em causa aquilo que ela disse. É um claro recuo do PS e uma situação que gera incómodo entre o grupo parlamentar e a ministra", defendeu o deputado comunista António Oliveira.
Uma opinião corroborada por Ana Drago do Bloco de Esquerda que insistiu que apesar da rectificação do artigo 22º continua a existir um grave "erro": "Não há diferença entre faltas justificadas e injustificadas. Por muito que se confie no bom senso da escola [para o qual os socialistas remetem], isso não é compreensível".
O CDS sublinha que houve uma desautorização da governante e aponta o dedo às contradições dos socialistas: "O PS defendeu o fim da retenção e da exclusão, dizendo que a escola teria de ser inclusiva e agora apresenta uma proposta que prevê a retenção e a exclusão do aluno", lembrou José Paulo Carvalho da bancada centrista.
PS garante não ter havido recuo
Paulo portas foi mais longe e pediu a demissão da ministra que acusou de ter "três posições diferentes em três meses" e de fazer "propostas irresponsáveis."
O maior grupo parlamentar da oposição pediu o adiamento da votação e está a ponderar apresentar uma proposta própria. O PSD aponta o dedo aos socialistas que acusa de sacudirem as responsabilidades para "os conselhos pedagógicos das escolas, que terão de estar sistematicamente em reuniões para decidir se há prova de recuperação, se há retenção ou se há exclusão", e avisa as escolas de que esta nova proposta do governo é "um presente envenenado".
Do lado do executivo de José Sócrates respondeu, Valter Lemos, secretário de Estado da Educação, que assegurou não ter havido qualquer recuo por parte do governo, sublinhando que a essência da proposta se mantém, contou apenas com melhoramentos por parte dos deputados.
terça-feira, outubro 30, 2007
Guerra civil no Murcon!:).
Caro Professor,
O seu último post diz-me muito pois, ao contrario do autor do texto, eu "devorava" essas séries, especialmente o Espaço 1999, que me fazia "voar" para longe do meu planeta, não fosse eu uma fã incondicional de astronomia, astrofísica e de ficção científica.
No entanto, o autor ou autora do texto também comete uma gaffe no mínimo imperdoável:)) Não será sinal de decrepitude, mas talvez de falta de atenção ou paixão pelo tema. É que o Martin Landau era o comandante, não de uma nave espacial, mas da base lunar Alfa, situada na lua, que ao sair da órbita da terra começa a vaguear pelo espaço e a deparar-se com inúmeras aventuras espaciais. Aventuras essas que nada têm a ver com as cowboiadas do espaço dos filmes actuais de ficção científica.
Cumprimentos:)
O seu último post diz-me muito pois, ao contrario do autor do texto, eu "devorava" essas séries, especialmente o Espaço 1999, que me fazia "voar" para longe do meu planeta, não fosse eu uma fã incondicional de astronomia, astrofísica e de ficção científica.
No entanto, o autor ou autora do texto também comete uma gaffe no mínimo imperdoável:)) Não será sinal de decrepitude, mas talvez de falta de atenção ou paixão pelo tema. É que o Martin Landau era o comandante, não de uma nave espacial, mas da base lunar Alfa, situada na lua, que ao sair da órbita da terra começa a vaguear pelo espaço e a deparar-se com inúmeras aventuras espaciais. Aventuras essas que nada têm a ver com as cowboiadas do espaço dos filmes actuais de ficção científica.
Cumprimentos:)
Vocês não deixam passar um único sinal da minha decrepitude:).
Caro Júlio,
Estava há pouco a ouvir o programa de domingo e dei conta de uma gaffe no mínimo imperdoável... :)))))
William Shatner foi comandante da Enterprise no Star Trek, e não no Espaço 1999.
O comandante dessa nave era Martin Landau.
Eu nunca achei piada a nenhuma dessas séries, mas o Martin Landau sempre se safava muito melhor que o William Shatner....
:)))
Estava há pouco a ouvir o programa de domingo e dei conta de uma gaffe no mínimo imperdoável... :)))))
William Shatner foi comandante da Enterprise no Star Trek, e não no Espaço 1999.
O comandante dessa nave era Martin Landau.
Eu nunca achei piada a nenhuma dessas séries, mas o Martin Landau sempre se safava muito melhor que o William Shatner....
:)))
segunda-feira, outubro 29, 2007
Aviso às tropas.
Um de vocês teve a gentileza de mailar, dizendo que o O Amor é... já se encontra na FNAC de Matosinhos. Em contrapartida, informou-me de algo que me pôs de queixo no chão - texto e disco repousam na secção... dos livros técnicos! Ó mistério insondável, será para me tornar mais respeitável?:).
domingo, outubro 28, 2007
A dívida.
Há um ano fiz uma conferência em Santiago. Comecei atrasado e sem possibilidades de me "esticar" um minuto que fosse. Para cúmulo, a tecnologia enlouqueceu, pois o power-point da apresentação era mais recente do que o local e perante os meu olhos aterrorizados as coisas mais estapafúrdias aconteciam no ecrã. Saí de lá passado, as palmadas nas costas cheiravam a cuidados paliativos, não a reconhecimento de que as minhas palavras podiam ter feito sentido para alguém na assistência. Filho adoptivo da Galiza, senti-me em dívida.
Sexta-Feira passada desejava muito pagá-la, mas com a voz em pantanas e a superstição no trono, o receio de a agravar espreguiçava-se cá dentro. Comecei de novo atrasado e houve um soluço de mau agoiro no The needle and the damage done de Neil Young que adicionara às imagens. Mas tudo foi diferente:). Embora me visse obrigado a um contra-relógio enrouquecido para recuperar tempo, tive a enorme satisfação de poder dialogar com o público, na sua esmagadora maioria galego, quase toda a "colónia portuguesa" já demandara a estrada. E tão saboroso naco de conversa, apenas interrompido para o (agradável) anúncio do próximo Congresso no Porto e a protocolar cerimónia de encerramento, pacificou-me. Deixei Santiago noite cerrada e exausto, mas com a esperança de o Santo ter retirado o meu nome da lista dos ingratos e devedores.
Sexta-Feira passada desejava muito pagá-la, mas com a voz em pantanas e a superstição no trono, o receio de a agravar espreguiçava-se cá dentro. Comecei de novo atrasado e houve um soluço de mau agoiro no The needle and the damage done de Neil Young que adicionara às imagens. Mas tudo foi diferente:). Embora me visse obrigado a um contra-relógio enrouquecido para recuperar tempo, tive a enorme satisfação de poder dialogar com o público, na sua esmagadora maioria galego, quase toda a "colónia portuguesa" já demandara a estrada. E tão saboroso naco de conversa, apenas interrompido para o (agradável) anúncio do próximo Congresso no Porto e a protocolar cerimónia de encerramento, pacificou-me. Deixei Santiago noite cerrada e exausto, mas com a esperança de o Santo ter retirado o meu nome da lista dos ingratos e devedores.
segunda-feira, outubro 22, 2007
Estamos todos de parabéns, não é verdade?:).
Poligamia faz mal aos homens
Quanto mais poligâmica é uma espécie, mais rápido os machos envelhecem e morrem
Um estudo da Universidade de Cambridge, da Grã-Bretanha, publicado na última edição da revista «Proceedings of the Royal Society», sugere que quanto mais poligâmica é uma espécie, mais rápido os machos envelhecem e morrem
As companheiras, por sua vez, vivem durante mais tempo. Os investigadores Tim Clutton-Brock e Kavita Isvaran, que estudaram os padrões comportamentais de mais de 30 espécies, incluindo a humana, concluíram que isto acontece em função da intensa competição sexual.
Traçando uma comparação entre espécies monogâmicas (em que o macho tem uma única parceira) e poligâmicas (em que cada macho copula com várias fêmeas), os cientistas constatam que a competição por fêmeas tende, naturalmente, a ser mais instigada no segundo grupo.
Ou seja, os machos que mantêm uma única parceira vivem de forma mais descansada, enquanto os polígamos precisam de se esforçar nas sucessivas conquistas sexuais.
Quanto mais poligâmica é uma espécie, mais rápido os machos envelhecem e morrem
Um estudo da Universidade de Cambridge, da Grã-Bretanha, publicado na última edição da revista «Proceedings of the Royal Society», sugere que quanto mais poligâmica é uma espécie, mais rápido os machos envelhecem e morrem
As companheiras, por sua vez, vivem durante mais tempo. Os investigadores Tim Clutton-Brock e Kavita Isvaran, que estudaram os padrões comportamentais de mais de 30 espécies, incluindo a humana, concluíram que isto acontece em função da intensa competição sexual.
Traçando uma comparação entre espécies monogâmicas (em que o macho tem uma única parceira) e poligâmicas (em que cada macho copula com várias fêmeas), os cientistas constatam que a competição por fêmeas tende, naturalmente, a ser mais instigada no segundo grupo.
Ou seja, os machos que mantêm uma única parceira vivem de forma mais descansada, enquanto os polígamos precisam de se esforçar nas sucessivas conquistas sexuais.
domingo, outubro 21, 2007
:))))).
SOBRE O QI DOS ESCARUMBAS
Ferreira Fernandesjornalistaferreira.fernandes@dn.pt
O cientista James D. Watson fez escândalo numa entrevista ao Sunday Times. Agora, lamenta: "Não compreendo como pude dizer aquilo que foi citado. Não há bases científicas para tal." E que disse ele na entrevista, publicada no domingo passado? Watson, de 79 anos, prémio Nobel de 1962 por pesquisas sobre o ADN, disse que África não se desenvolvia porque "todas as nossas políticas sociais são baseadas no facto de que a inteligência deles [dos africanos] é igual à nossa - ora as provas não dizem isso". E que provas? Ele diz: "Quem lida com empregados negros sabe que isso não é verdade [a igualdade da inteligência]."Quase concordo com James D. Watson. De facto, também a minha experiência em lidar com empregados quase sempre diz que sou mais inteligente que eles. Acontece, porém, que além da minha experiência de empregador (uma mulher-a-dias aqui, um canalizador ali) tenho uma experiência de empregado. E suspeito que nessa qualidade sou eu quem é quase sempre menos inteligente. Digo "suspeito" porque é o que sinto quando vejo, de cada vez que assino um contrato, o sorrisinho malandro do meu novo patrão. Donde, o que o dr. Watson devia ter dito é que os empregados são geralmente mais estúpidos que os patrões, e por isso não chegaram a patrões.Então, porque leva ele a questão para as diferenças entre brancos e negros? Comprei o último livro de Watson. É um livro para ser lido logo pelo título. Na edição americana, Avoid Boring Other People, o Other é impresso quase transparente, o que, sem esse "Outras", permite duas leituras: uma, "Evite Aborrecer as Pessoas", e outra, "Evite as Pessoas Aborrecidas". Watson gosta de ser irónico. Conta a sua vida, tirando lições no fim de cada capítulo. Lição (no capítulo "Como Fazer Livros Legíveis"), citando Oscar Wilde: "A mensagem do meu primeiro encontro com a aristocracia foi clara. Eu não voltaria a ser convidado se me portasse como ela." Quer dizer, Watson faz da provocação, do ser diferente, a sua divisa. Brincou com o fogo, com a história dos negros e dos brancos. No dia em que ouvi falar da polémica, estava em Nova Iorque e fui ouvir o Requiem, de Mozart, pela Orquestra Sinfónica de Londres. É perigosíssimo ouvir aquilo horas depois de ouvir um cientista falar sobre a superioridade dos brancos. Dois dias depois, na sexta, fui ao Lincoln Center, ouvir a orquestra de jazz dirigida por Wynton Marsalis (um negro) assinalando o centenário do compositor Benny Carter (um negro). E houve um momento em que o gordo e negro Sherman Irby se levantou e, com o seu saxofone alto, tocou Again and Again... Só não me convenci da superioridade negra porque ao seu lado estava Joe Temperley e Ted Nash, ambos brancos.
Ferreira Fernandesjornalistaferreira.fernandes@dn.pt
O cientista James D. Watson fez escândalo numa entrevista ao Sunday Times. Agora, lamenta: "Não compreendo como pude dizer aquilo que foi citado. Não há bases científicas para tal." E que disse ele na entrevista, publicada no domingo passado? Watson, de 79 anos, prémio Nobel de 1962 por pesquisas sobre o ADN, disse que África não se desenvolvia porque "todas as nossas políticas sociais são baseadas no facto de que a inteligência deles [dos africanos] é igual à nossa - ora as provas não dizem isso". E que provas? Ele diz: "Quem lida com empregados negros sabe que isso não é verdade [a igualdade da inteligência]."Quase concordo com James D. Watson. De facto, também a minha experiência em lidar com empregados quase sempre diz que sou mais inteligente que eles. Acontece, porém, que além da minha experiência de empregador (uma mulher-a-dias aqui, um canalizador ali) tenho uma experiência de empregado. E suspeito que nessa qualidade sou eu quem é quase sempre menos inteligente. Digo "suspeito" porque é o que sinto quando vejo, de cada vez que assino um contrato, o sorrisinho malandro do meu novo patrão. Donde, o que o dr. Watson devia ter dito é que os empregados são geralmente mais estúpidos que os patrões, e por isso não chegaram a patrões.Então, porque leva ele a questão para as diferenças entre brancos e negros? Comprei o último livro de Watson. É um livro para ser lido logo pelo título. Na edição americana, Avoid Boring Other People, o Other é impresso quase transparente, o que, sem esse "Outras", permite duas leituras: uma, "Evite Aborrecer as Pessoas", e outra, "Evite as Pessoas Aborrecidas". Watson gosta de ser irónico. Conta a sua vida, tirando lições no fim de cada capítulo. Lição (no capítulo "Como Fazer Livros Legíveis"), citando Oscar Wilde: "A mensagem do meu primeiro encontro com a aristocracia foi clara. Eu não voltaria a ser convidado se me portasse como ela." Quer dizer, Watson faz da provocação, do ser diferente, a sua divisa. Brincou com o fogo, com a história dos negros e dos brancos. No dia em que ouvi falar da polémica, estava em Nova Iorque e fui ouvir o Requiem, de Mozart, pela Orquestra Sinfónica de Londres. É perigosíssimo ouvir aquilo horas depois de ouvir um cientista falar sobre a superioridade dos brancos. Dois dias depois, na sexta, fui ao Lincoln Center, ouvir a orquestra de jazz dirigida por Wynton Marsalis (um negro) assinalando o centenário do compositor Benny Carter (um negro). E houve um momento em que o gordo e negro Sherman Irby se levantou e, com o seu saxofone alto, tocou Again and Again... Só não me convenci da superioridade negra porque ao seu lado estava Joe Temperley e Ted Nash, ambos brancos.
sábado, outubro 20, 2007
A Casa da Rádio.
A RDP inaugurou hoje a Casa da Rádio no Monte da Virgem. Gostava muito de lá ter ido. Porque durante os últimos anos as pessoas que corporizam a Instituição me trataram como amigo e não colaborador, até nos raros momentos de desacordo. Esta maldita asma não deixou, preciso de a controlar, sob pena de não estar em condições para o Congresso que me espera em Santiago de Compostela:(. Aqui fica um abraço apertado para o Luís Marinho, o Rui Pêgo, o Tiago Alves, o António Macedo, o Anacleto e todos os que sempre me fizeram sentir em casa... na Casa da Rádio!
quinta-feira, outubro 18, 2007
O verdadeiro método científico!
Antigo Prémio Nobel da Medicina
James Watson defende superioridade intelectual de brancos sobre negros
O vencedor do Prémio Nobel da Medicina em 1962, James Watson, declarou-se convicto de que os brancos são mais inteligentes que os negros
O também presidente do Conselho Científico da Fundação Champalimaud argumenta que essa é a explicação para a ineficácia das políticas do Ocidente em relação a África.
Por isso, Watson acredita que o pressuposto de que brancos e negros são igualmente inteligentes é errado.
James Watson notabilizou-se pela descoberta da estrutura do ADN, sendo que descobertas posteriores na mesma área desmentem as suas mais recentes declarações.
O Nobel diz que preferia que assim não fosse, mas justificou que «as pessoas que têm de lidar com empregados negros descobrem que isso não é verdade».
Declarações polémicas e tidas como «racistas» pela comunidade científica, depois de o investigador de 79 anos afirmar que, a confirmar-se durante a gestação que o feto seria homossexual, as grávidas deveriam poder abortar.
SOL com agências
P.S. Sem falsas modéstias, devo acrescentar que, com o mesmo rigor metodológico, concluí que também os habitantes de uma determinada aldeia do norte do país - não nomeada para manter em suspense a comunidade científica! - são menos inteligentes que os portugueses em geral, atendendo às dificuldades tidas para lidar com uma empregada de meus pais há quarenta anos. Quanto aos homossexuais, e porque o Dr. Watson alegou que todas as mulheres têm o direito de ser avós, subscrevo-lhe a proposta, mas dando-lhe um âmbito mais geral - quando se descobrir os genes responsáveis pela recuo de muitos heterossexuais perante a parentalidade, o edifício legal deve também prever a interrupção dessas gravidezes.
James Watson defende superioridade intelectual de brancos sobre negros
O vencedor do Prémio Nobel da Medicina em 1962, James Watson, declarou-se convicto de que os brancos são mais inteligentes que os negros
O também presidente do Conselho Científico da Fundação Champalimaud argumenta que essa é a explicação para a ineficácia das políticas do Ocidente em relação a África.
Por isso, Watson acredita que o pressuposto de que brancos e negros são igualmente inteligentes é errado.
James Watson notabilizou-se pela descoberta da estrutura do ADN, sendo que descobertas posteriores na mesma área desmentem as suas mais recentes declarações.
O Nobel diz que preferia que assim não fosse, mas justificou que «as pessoas que têm de lidar com empregados negros descobrem que isso não é verdade».
Declarações polémicas e tidas como «racistas» pela comunidade científica, depois de o investigador de 79 anos afirmar que, a confirmar-se durante a gestação que o feto seria homossexual, as grávidas deveriam poder abortar.
SOL com agências
P.S. Sem falsas modéstias, devo acrescentar que, com o mesmo rigor metodológico, concluí que também os habitantes de uma determinada aldeia do norte do país - não nomeada para manter em suspense a comunidade científica! - são menos inteligentes que os portugueses em geral, atendendo às dificuldades tidas para lidar com uma empregada de meus pais há quarenta anos. Quanto aos homossexuais, e porque o Dr. Watson alegou que todas as mulheres têm o direito de ser avós, subscrevo-lhe a proposta, mas dando-lhe um âmbito mais geral - quando se descobrir os genes responsáveis pela recuo de muitos heterossexuais perante a parentalidade, o edifício legal deve também prever a interrupção dessas gravidezes.
quarta-feira, outubro 17, 2007
Este fosso que se agrava, é considerado um dos factores de risco para a saúde física e mental das populações de um determinado país.
Pobreza ameaça a classe média
Helena Norte
As famílias atingidas pelo desemprego e endividamento são os novos rostos dos dois milhões de pobres que existem em Portugal. A chamada classe média, esganada pelos créditos ou apanhada nas malhas do desemprego crescente, constitui uma nova forma de pobreza, que desafio os estereótipos associados a esse fenómeno. Hoje, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, milhares de pessoas levantam-se para lembrarAs estatísticas do Eurostat revelam que 20% da população portuguesa vive na pobreza. Dois milhões de pessoas, portanto. Na União Europeia, a taxa de pobreza situa-se nos 16%, o que coloca Portugal no top 10 dos estados-membros mais pobres.Os números não são novos. O padre Jardim Moreira, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, diz mesmo que há décadas anos que se fala nessa percentagem. "Com tantos milhões de euros em programas contra a pobreza, porque é que o número de pobres não diminuiu?", questiona.Para perceber, comecemos pela definição técnica de pobre. É considerado pobre quem ganha menos de 60% da mediana dos salários do seu país. Isto é, quem tem rendimentos inferiores a 60% do vencimento auferido por metade da população. No caso de Portugal, corresponde a 360 euros por mês, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística referentes a 2004. O conceito de pobre varia, portanto, de país para país. O que significa que os 68 milhões de pobres que existem na União Europeia têm níveis de vida muito diversos. Um pobre na Suécia viveria confortavelmente em Portugal ou na Lituânia.Ter emprego não significa estar acima do limiar de pobreza. O mito de que só quem não trabalha cai nas malhas da miséria é desmentido pelos números 14% dos portugueses que trabalham estão em risco de pobreza, de acordo com dados da Rede Europeia.Novos pobresO problema é que não ganham o suficiente para pagar as contas. Isabel Jonet, directora do Banco Alimentar (BA), diz mesmo que os novos pobres são aqueles que contraíram créditos ou assumiram responsabilidades financeiras que já não conseguem honrar, seja porque perderam o emprego ou porque o custo de vida está cada vez mais elevado. O BA recebe um número crescente de solicitações , que encaminha para instituições com quem tem protocolos, de pessoas que, vencendo o pudor, pedem ajuda.Estes novos fenómenos desafiam também as classificações tradicionais de classe média. "Se 20% dos portugueses concentram 80% da riqueza, já não há a chamada classe média", explica o padre Jardim Moreira. As desigualdades sociais, em Portugal, são ainda mais chocantes do que no resto da Europa. Segundo dados da Eurostat, referentes a 2004, o grupo com mais rendimentos ganha sete vezes mais do que a franja mais desfavorecida."O que tem sido feito é gerir a pobreza, não resolvê-la", critica o padre Jardim Moreira. Uma das formas de camuflar a real dimensão do problema é aumentar as transferências sociais (subsídios e outras prestações). Se fossem cancelados todos esses apoios, a taxa de pobreza, em Portugal, aumentaria para 38% e na Europa 40%, o que é revelador da "subsidiodependência".Os idosos que vivem sós e as famílias com dois ou mais dependentes apresentam um risco de pobreza substancialmente mais elevado (42%) do que a restante população, de acordo com dados do INE.Para quebrar o ciclo da pobreza, os especialistas são unânimes na necessidade de investir na educação. Neste parâmetro, o nosso país apresenta também indicadores desoladores a taxa de abandono escolar é de 39% (quando na Europa não ultrapassa os 15%).
JN.
Helena Norte
As famílias atingidas pelo desemprego e endividamento são os novos rostos dos dois milhões de pobres que existem em Portugal. A chamada classe média, esganada pelos créditos ou apanhada nas malhas do desemprego crescente, constitui uma nova forma de pobreza, que desafio os estereótipos associados a esse fenómeno. Hoje, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, milhares de pessoas levantam-se para lembrarAs estatísticas do Eurostat revelam que 20% da população portuguesa vive na pobreza. Dois milhões de pessoas, portanto. Na União Europeia, a taxa de pobreza situa-se nos 16%, o que coloca Portugal no top 10 dos estados-membros mais pobres.Os números não são novos. O padre Jardim Moreira, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, diz mesmo que há décadas anos que se fala nessa percentagem. "Com tantos milhões de euros em programas contra a pobreza, porque é que o número de pobres não diminuiu?", questiona.Para perceber, comecemos pela definição técnica de pobre. É considerado pobre quem ganha menos de 60% da mediana dos salários do seu país. Isto é, quem tem rendimentos inferiores a 60% do vencimento auferido por metade da população. No caso de Portugal, corresponde a 360 euros por mês, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística referentes a 2004. O conceito de pobre varia, portanto, de país para país. O que significa que os 68 milhões de pobres que existem na União Europeia têm níveis de vida muito diversos. Um pobre na Suécia viveria confortavelmente em Portugal ou na Lituânia.Ter emprego não significa estar acima do limiar de pobreza. O mito de que só quem não trabalha cai nas malhas da miséria é desmentido pelos números 14% dos portugueses que trabalham estão em risco de pobreza, de acordo com dados da Rede Europeia.Novos pobresO problema é que não ganham o suficiente para pagar as contas. Isabel Jonet, directora do Banco Alimentar (BA), diz mesmo que os novos pobres são aqueles que contraíram créditos ou assumiram responsabilidades financeiras que já não conseguem honrar, seja porque perderam o emprego ou porque o custo de vida está cada vez mais elevado. O BA recebe um número crescente de solicitações , que encaminha para instituições com quem tem protocolos, de pessoas que, vencendo o pudor, pedem ajuda.Estes novos fenómenos desafiam também as classificações tradicionais de classe média. "Se 20% dos portugueses concentram 80% da riqueza, já não há a chamada classe média", explica o padre Jardim Moreira. As desigualdades sociais, em Portugal, são ainda mais chocantes do que no resto da Europa. Segundo dados da Eurostat, referentes a 2004, o grupo com mais rendimentos ganha sete vezes mais do que a franja mais desfavorecida."O que tem sido feito é gerir a pobreza, não resolvê-la", critica o padre Jardim Moreira. Uma das formas de camuflar a real dimensão do problema é aumentar as transferências sociais (subsídios e outras prestações). Se fossem cancelados todos esses apoios, a taxa de pobreza, em Portugal, aumentaria para 38% e na Europa 40%, o que é revelador da "subsidiodependência".Os idosos que vivem sós e as famílias com dois ou mais dependentes apresentam um risco de pobreza substancialmente mais elevado (42%) do que a restante população, de acordo com dados do INE.Para quebrar o ciclo da pobreza, os especialistas são unânimes na necessidade de investir na educação. Neste parâmetro, o nosso país apresenta também indicadores desoladores a taxa de abandono escolar é de 39% (quando na Europa não ultrapassa os 15%).
JN.
terça-feira, outubro 16, 2007
Os alunos, perdão!, os discípulos:).
Querido Professor,
que os anos lhe tragam a liberdade para conquistar, em cada dia, momentos felizes...
que hoje tenha muitos...
que os anos lhe tragam a liberdade para conquistar, em cada dia, momentos felizes...
que hoje tenha muitos...
sábado, outubro 13, 2007
Há vida para além dos 58!:).
Pensioner pulled for sex while driving
A newlywed pensioner has been arrested for having sex with his bride while driving away from their wedding reception.
Traffic cops in Bergamo in northern Italy pulled the Fiat Punto over after watching it veer from side to side down a busy road.
Inside they found a partially naked 70-year-old man behind the wheel and his 59-year-old bride sitting astride him.
Ciampini was arrested for dangerous driving.
A newlywed pensioner has been arrested for having sex with his bride while driving away from their wedding reception.
Traffic cops in Bergamo in northern Italy pulled the Fiat Punto over after watching it veer from side to side down a busy road.
Inside they found a partially naked 70-year-old man behind the wheel and his 59-year-old bride sitting astride him.
Ciampini was arrested for dangerous driving.
quarta-feira, outubro 10, 2007
Uma boa semana.
Segunda, um antigo aluno foi-me dar um abraço no fim da aula. Hoje, um de vocês abraçou-me à saída de um restaurante. São momentos preciosos de ternura, que nenhuma boa audiência pode igualar:).
segunda-feira, outubro 08, 2007
Praga.
Praga continua bela, com tudo o que o adjectivo implica de meditação sobre as insuficiências de palavras como "bonita", "agradável" ou "deliciosa":). O teatro de marionetas nas águas-furtadas, com um D.Giovanni tão hilariante como firme na recusa do arrependimento; o horror dos desenhos das crianças destinadas às câmaras de gás; os concertos em tudo o que é teatro opulento ou igrejinha de esquina, solidários na duração coordenada de uma hora, para melhor seduzirem os turistas; o relógio que faz centenas de pessoas arriscarem um torcicolo na praça da Cidade Velha; o olhar denso e triste de Kafka; o outro, implacável, da loirinha que cobrava meio euro à porta dos lavabos no restaurante; o riso contagioso da recepcionista, que me enfiou dois beijos à despedida, sentinelas de um "good-bye and have a safe journey, mister mexeidu" tão afável que me odiarei se voltar e a trair com outro hotel; e...
E no entanto, como há anos atrás, a saudade que já aperta elege como símbolo primeiro o grupo de Dixieland cuja idade média era superior à minha. O balanço daqueles homens, a voz à la Joe Cocker, sangrando para um altifalante de lata, o meu telemóvel oferecendo-a ao João em Portugal, os pés obedientes ao compasso, a americana que dançava de olhos fechados e sorriso beatífico, certa da gratidão de todas as vítimas por "aquela invasão americana":). Por dez euros trouxe o disco, escrevo na sua moldura - "Some of these days"...
... are blessed, diria eu!
E no entanto, como há anos atrás, a saudade que já aperta elege como símbolo primeiro o grupo de Dixieland cuja idade média era superior à minha. O balanço daqueles homens, a voz à la Joe Cocker, sangrando para um altifalante de lata, o meu telemóvel oferecendo-a ao João em Portugal, os pés obedientes ao compasso, a americana que dançava de olhos fechados e sorriso beatífico, certa da gratidão de todas as vítimas por "aquela invasão americana":). Por dez euros trouxe o disco, escrevo na sua moldura - "Some of these days"...
... are blessed, diria eu!
quinta-feira, outubro 04, 2007
A nossa eternidade é a memória dos outros.
Espero que a vida também! É inútil lutar contra a morte tal como é inútil lutar contra a vida. É inútil porque a morte é uma puta - desculpem o palavrão mas é a única palavra que encontro. Quando o meu pai morreu, o padre que foi rezar a missa disse que detestava aquilo porque nós não fomos feitos para a morte. De facto não fomos... Há pessoas de quem gostávamos e que já não podemos tocar e ver e cuja morte foi tão injusta. Ainda no sábado fui a enterrar um camarada da guerra que morreu num acidente de automóvel. Foi muito comovente ver aqueles homens duros, que fizeram a guerra, a chorar como crianças. Eu chorei também, gostava muito dele e agora quando nos reunirmos ele não vai lá estar. E não faz sentido que o Zé não esteja. Eu tenho que viver pelo meu pai, pelo Cardoso Pires, pelo Melo Antunes, estão dentro de mim até eu acabar.
António Lobo Antunes ao DN.
António Lobo Antunes ao DN.
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