domingo, fevereiro 17, 2013
O talento sempre actual de um velho amigo:).
Cantiga da velha mãe e dos seus dois filhos
Ai o meu pobre filho, que rico que é
ai o meu rico filho, que pobre que é
Nascidos do mesmo ventre
Um vive de joelhos pró outro passar à frente
E esta velha mãe para aqui já no sol poente
Um dia há muito tempo, vi-os partir
levando cada um do outro o porvir
Seguiram pela estrada fora
Um voltou-se para trás, disse adeus que me vou embora
Voltaremos trazendo connosco a vitória
De que vitória falas, disse eu então
Da que faz um escravo do teu irmão?
Ou duma outra que rebenta
como um rio de fúria no peito feito tormenta
quando não há nada a perder no que se tenta?
Passaram muitos anos sem mais saber
nem por onde passavam, nem se por ter
criado os dois no mesmo chão
eram ainda irmãos, partilhavam ainda o pão
E o silêncio enchia de morte o meu coração
Depois vieram novas que o que vivia
da miséria do outro, se enriquecia
Não foi para isto que andei
dias que foram longos e noites que não contei
a lutar pra ter a justiça como lei
Às vezes rogo pragas de os ver assim
Sinto assim uma faca dentro de mim
Sei que estou velha e doente
Mas para ver o mundo girar de modo diferente
Ainda sei gritar, e arreganhar o dente
Estou quase a ir embora, mas deixo aqui
duas palavras pra um filho que perdi
Não quero dar-te conselhos
Mas se é teu próprio irmão que te faz viver de joelhos
Doa a quem doer, faz o que tens a fazer
Sérgio Godinho, in "os sobreviventes", 1971
domingo, fevereiro 10, 2013
Um tropeção previsível.
Quem entrega, vou repetir - entrega!, - um jogo destes dificilmente pode ser campeão. Por isso, responsabilidade total do resultado para o Benfica e para quem ainda não entendeu que as grandes equipas se constroem a partir da defesa (e não estou a falar de Jesus...). Quanto à arbitragem, Pedro Proença continua incapaz de controlar a sua sede de protagonismo.
"Nos teus olhos altamente perigosos" é um verso do caraças:).
Um Adeus Português
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
Alexandre O’Neill.
terça-feira, fevereiro 05, 2013
Meditação do dia.
“Dentro de cinco ou dez anos eu e a minha família também podemos ser sem-abrigo”. Fernando Ulrich.
Meu Deus, protege-os! Com eles sem-abrigo não estarão os Machado Vaz agarrados ao rebordo de alguma sarjeta?
quinta-feira, janeiro 31, 2013
E de quantas cervejas precisarei eu para tão ciclópica tarefa?:).
Júlio Machado Vaz vai tentar fazer António Costa e António José Seguro ultrapassarem os seus problemas
Por Vítor Elias
António Costa deu a António José Seguro o prazo limite de 10 de Fevereiro para unir o PS, mas o IP sabe que a relação entre os dois ainda pode ser salva.
Para tal, o casal político mais bipolar da actualidade vai recorrer ao famoso sexólogo Júlio Machado Vaz, que lhes vai ensinar que apenas com diálogo, compreensão, respeito e duas cervejas logo ao pequeno-almoço os casais conseguem ultrapassar as suas divergências. Caso o divórcio aconteça, António Costa fica com o cão e António José Seguro com o Marcos Perestrelo. VE
Inimigo Público.
domingo, janeiro 27, 2013
Preocupante, mas não surpreendente.
A venda de medicamentos antidepressivos em Portugal bateu um novo recorde em 2012, ao registar uma subida de 7,6 por cento. Os portugueses compraram, em média, 20.500 embalagens por dia.
Os dados, fornecidos ao jornal «i» pela consultora IMS Healt, mostram que as vendas de antidepressivos em Portugal aumentaram 7,6 por cento ao longo do último ano, num total de 7,5 milhões de embalagens vendidas.
Diariamente, são mais de 1.469 do que em 2011 (6,9 milhões de embalagens), nota o diário, acrescentando que esta subida poderá não estar relacionada apenas com o aumento de depressões, embora estes casos sejam frequentes.
P.S. Manda a verdade dizer que há mãos demasiado leves a receitar...
sábado, janeiro 12, 2013
Um episódio triste:(.
"Médicos pelo Sim" banidos da Universidade Católica
A Universidade Católica suspendeu a pós-graduação em Serviço Social na Saúde Mental, que deveria começar em fevereiro. A decisão surge após um dos grupos que defendeu a criminalização das mulheres no referendo de 2007 ter contestado a participação de personalidades que fizeram campanha pela despenalização do aborto.
ARTIGO | 12 JANEIRO, 2013 - 01:01
A Universidade apenas respondeu por escrito à Rádio Renascença a informar que o curso já não irá arrancar no próximo mês, alegando que "constatou entretanto ter havido um lapso de tramitação formal no processo de aprovação interna, pelos órgãos legalmente competentes da Faculdade, do mesmo". Sem fazer comentários sobre a escolha dos docentes que convidara para lecionar a pós graduação, a Universidade Católica Portuguesa afirma apenas que "o curso já não está a ser oferecido pela Faculdade, e não irá sê-lo até que a proposta científica seja aprovada nos termos correctos."
A decisão surge depois do grupo 'Mulheres em Ação' ter contestado a presença de personalidades que apelaram ao 'Sim' no referendo que permitiu o fim da pena de prisão para as mulheres que fizessem uma interrupção voluntária da gravidez nas primeiras dez semanas em estabelecimento de saúde legalmente autorizado. O comunicado citado pelo 'Público' defende que dado tratar-se de “uma instituição da Igreja” na Católica devem “ser escolhidos docentes e investigadores que, além da idoneidade profissional, primem pela integridade da doutrina”. Entre os nomes banidos da Universidade Católica estão António Leuschner (presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental e do Hospital Magalhães de Lemos), Álvaro de Carvalho (coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental), José Miguel Caldas de Almeida (diretor da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa) e Francisco George (director-geral da Saúde, o único dos quatro que não fez parte dos 'Médicos pelo Sim' no referendo mas igualmente apoiante da mudança na lei portuguesa).
“Uma atitude de ayatollahs no mundo muçulmano”
“Estava tudo preparado para avançar, com financiamento assegurado e os convites feitos e aceites”, afirmou Álvaro de Carvalho ao 'Público'. O médico que coordena o Programa Nacional de Saúde Mental diz ainda que apesar da "justificação formal", a Universidade Católica tomou uma “decisão profundamente ideológica”, comparando-a a “uma atitude de ayatollahs no mundo muçulmano”. “Lamento que uma instituição universitária que respeito confunda de forma grave posições pessoais com perspectivas ideológicas e religiosas e com a actividade científica”, acrescentou.
Também António Leuschner foi surpreendido pela decisão da Católica. “Tomei conhecimento através de uma noticia numa rádio e pelo email da pessoa que me convidou a dar conta da decisão da universidade”, disse ao Correio da Manhã, lamentando que “ainda existam pessoas que não conseguem conviver no mesmo planeta com outras, que têm opiniões diferentes”. O médico que preside ao Conselho Nacional de Saúde Mental e é professor catedrático convidado no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar informou a Universidade que deixará de participar na pós-graduação em Psicogeriatria.
Carvalho e Leuchner eram responsáveis por dois dos três módulos do início do curso, dedicados à lei de saúde mental, internamento compulsivo e ao sistema e as políticas nacionais de saúde mental. Francisco George e José Miguel Caldas de Almeida iriam participar nas Conferências de Abertura do Curso. A página com o programa do plano curricular foi retirada do site da Universidade Católica, mas ainda pode ser consultada aqui.
P.S. Tenho amigos na Universidade Católica. Se isto é verdade, imagino a sua consternação perante uma atitude que transforma a aceitação da diferença que pautou a vida de Jesus numa perigosa heterodoxia.(Devo salientar que na única e longínqua vez que fui convidado da Universidade Católica me trataram principescamente…). Tenho muita pena. Como universitário aposentado e antigo aluno de um Colégio dirigido por padres. Que seriam incapazes de assim ostracizar o Outro pelas suas opiniões…
domingo, janeiro 06, 2013
Porque surgiram na imprensa escrita nacos da minha intervenção na iniciativa Fazer ouvir o Porto, aqui a deixo sem “corte e costura”.
Há cerca de dois anos, a pedido de um jornal, escrevi o seguinte:
“Vacinemos o Porto… contra si mesmo! O cinzento austero do casario e o nevoeiro, que pelas manhãs sobe das águas, parecem ter invadido os espíritos. Assim toldados, procuram o aconchego da auto-piedade, dedos acusadores rumo ao Terreiro do Paço. Chega! O Porto deve diagnosticar os sintomas de terrível doença, o centralismo, mas reconhecer a indolência depressiva que alimenta. É preciso endireitar a coluna vertebral, que tantas vezes garantiu as costas direitas do país, e mirar o espelho sem contemplações: por que se esgota a edilidade na louvável busca de rigor nas contas, mas teimosa, vê na Cultura a Mãe de todos os inúteis?; por que não consegue esta área metropolitana construir um projecto televisivo que a honre?; por que desagua em Lisboa – e não a prazo… - tanto portuense, cuja voz seria preciosa ao reforçar da tripeira?; por que não desafiamos a nortada e caímos em fraternos braços galegos, que pela mão da autonomia esqueceram tempos de peseta a quarenta e nove tostões?
Porquê, carago? O Porto guarda, orgulhoso, os versos do Eugénio, os esquissos de Siza, a prosa de Agustina, Serralves, a Casa da Música, o Dragão que me habita pesadelos benfiquistas, o Douro, a Pena Ventosa…, onde a aventura começou. E esta gente, a minha gente!, leal, hospitaleira, trabalhadora; que pressente o declínio e hesita entre a resignação e o sobressalto cívico. O tempo urge. Falo da alma, não de relógios.”
Um par de anos volvidos, não retiro uma linha. Pelo contrário!, sublinho-as a negro carregado, quando vejo amigos abraçados à Casa da Música para a salvar. Fazer ouvir o Porto é frase triste mas verdadeira, admite que não somos ouvidos. O que, de resto, nada garante, os Governos aperfeiçoaram a arte do pseudo-diálogo - todos ouvem e ninguém escutam; mas por todos decidem.
Fui, sou e serei um defensor da regionalização. Apesar da pequenez deste jardim ressequido à beira-mar plantado, não duvido das suas vantagens. Nem lhe nego os riscos… Não foi a minha primeira derrota, não será a última. Aceito-as pesaroso, mas grato pelo privilégio que traduzem. Nascido e criado em Anselmo Braamcamp, visita assídua das suas “ilhas” por vontade expressa de Mãe lisboeta – “anda, vai brincar para a rua” -, recordo o silêncio de meu Pai na Junta do Bonfim, ao consultar resultados que eternizavam na Presidência o inefável Américo Thomaz. E em silêncio regressávamos. Diferente só o esgar de desprezo que vincava o seu rosto. Nunca em outra situação, mesmo na cidade que os absolve e celebra!, lhe ouvi fímbria de vernáculo. Mas quando esbirros zelosos concediam ao excitante marinheiro vitórias de cento e dez por cento, os lábios deixavam-lhe escapar um “sacanas”, os olhos ficavam rasos de água revoltada. Os mesmos que vi chorar de alegria quando Humberto Delgado, na nossa Avenida dos Aliados, fez sonhar a cidade e o país.
Ele não pôde demitir Salazar, as derrotas não me fazem desejar demitir ou suspender a Democracia. Mas confesso que ainda me surpreendem as rasteiras que lhe passam. Como essa ideia peregrina de retirar competências às autarquias e entregá-las, de mãos e euros beijados, a dezenas de novas chefias intermédias. Eis o pesadelo da regionalização ao vivo, a cores e a solo - dos sonhos dela nem vestígio. Apenas a multiplicação de cargos e funcionários tentaculares, fiéis ao Poder e pagos por todos.
O Porto tem de ser ouvido. E ouvir-se cuidadosamente, sobretudo em ano de autárquicas. Na área da política stricto sensu através de escrutínio de malha fina. Os candidatos afectos à coligação brindar-nos-ão com inevitáveis equilibrismos circenses, afirmações recentes sobre a Casa da Música não permitem dúvidas. Mas os outros partidos devem-nos a recusa da demagogia e a resistência à gula de transformar eleição local em mero degrau para legislativas. Porque os portuenses já demonstraram que não hesitam em julgar e punir até os que amam e lhes merecem gratidão.
Fazer-nos ouvir, sim; a todo o custo. Mas lembrando o velho Eugénio:
“Que fizeste das palavras?
Que contas darás tu dessas vogais
de um azul tão apaziguado?
E das consoantes, que lhes dirás,
ardendo entre o fulgor
das laranjas e o sol dos cavalos?
Que lhes dirás, quando
te perguntarem pelas minúsculas
sementes que te confiaram?”
Ele tinha razão. Palavras que nada semeiem serão levadas pelo vento norte; as que traírem colherão tempestades; às genuínas, os tripeiros abrirão alas, braços e sorriso escancarado, mal conhece esta cidade quem a decreta sorumbática por granítica e austera. Sussurremos-lhe ao ouvido, desencantado mas esperançoso, as palavras certas; ofereçamos ao seu olhar vigilante as obras correspondentes; e o Porto inundará as ruas.
Sem pedras no sapato. Mas pronto a assentá-lo no fundo das nossas costas se o desiludirmos!
segunda-feira, dezembro 31, 2012
Com passas. Uvas, claro:).
Vocês sabem que não acredito em alegria ou mudanças com data marcada, mas acredito na gratidão - obrigado por tudo e um 2013 o melhor possível, gente.
domingo, dezembro 23, 2012
For murconics only. Bom Natal:).
Os Amigos
Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.
Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"
domingo, dezembro 16, 2012
Sorte a dele, se é fitado por um olhar que apaga neblinas:).
Noite
Até de madrugada falámos e bebemos,
não interessa onde nem quais os assuntos.
Sobre as nossas palavras calado o firmamento
e querer desvendá-lo era mais do que um capricho.
Para quê tanta frase desdobrando uma ideia?
Para quê tanta citação tirada dos livros?
Bastava o teu olhar para apagar a neblina
e as nossas intuições profundas de sentido.
Se tal noite calada era noite de nós dois
e o amor, água escura de um saber infinito.
José Mateos.
domingo, dezembro 09, 2012
Toda a gente satisfeita?
Fontes geralmente bem informadas afirmam que a declaração do Dr. Miguel Relvas, segundo a qual não se limitará a votar no Dr. Fernando Seara, mas fará campanha por ele de manhã à noite, foi recebida com indizível entusiasmo pelo Dr. António Costa.
terça-feira, dezembro 04, 2012
Mas o que é isso da maioria dos alemães? A senhora considera-os menos produtivos e ponto final.
Angela Merkel Casamento gay
A chefe do Governo alemão, Angela Merkel, é contra a equiparação fiscal dos casais homossexuais aos heterossexuais casados.
“Pessoalmente, sou defensora da manutenção dos privilégios fiscais para os casados, já que a nossa Constituição estabelece uma protecção especial para eles e para a sua relação com a família”, disse a chanceler numa entrevista publicada ontem pelo Bild am Sontag.
A equiparação fiscal será um dos temas centrais do congresso do partido de Merkel, a União Cristã Democrata (CDU), que começa hoje em Hannover e termina na quarta-feira. Uma ala dissidente vai apresnetar uma moção a favor da equiparação fiscal, mas parte da direcção do partido é contra.
A lei alemã favorece as pessoas casadas que optam por fazer declarações de rendimentos conjuntas. Neste país, os casamentos homossexuais não são legais. Os casais gay podem registar-se no registo civil no regime de união de facto. Porém, este estatuto não lhes dá uma série de direitos de que os heterossexuais casados usufruem: os fiscais, os de hereditariedade e a possibilidade de adopção.
A maioria dos alemães é favorável à instituição da igualdade legal entre as uniões civis e os casamentos heterossexuais. E a maioria dos partidos no Parlamento também. Mas, além de Merkel, um outro partido é contra a equiparação dos benefícios fiscais, a União Social Cristã, parceiro de coligação da CDU no Governo alemão.
A chanceler disse esperar uma “discussão produtiva” sobre o assunto no congresso de Hannover.
quarta-feira, novembro 28, 2012
A saga continua...:(
Novo suicídio devido a ordem de despejo
A vítima, de 59 anos, tinha uma dívida de 4000 euros por falta de pagamento da renda da casa onde morava com a companheira.
O homem suicidou-se esta manhã no pequeno município de Santesteban, a norte de Navarra. De acordo com a Europa Press, citada pelo jornal espanhol ABC, a vítima teria uma dívida de 4000 euros por atrasos no pagamento da renda do local onde residia.
A ordem de despejo, ditada por um juiz de Pamplona, tornava-se efetiva no dia de hoje. A notícia do suicídio foi revelada pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça de Navarra, Juan Manuel Fernández, que lamentou o suicídio. Esta é já a quarta morte relacionada com ordens de despejo em Espanha.
quinta-feira, novembro 22, 2012
Não acredito que escrevi isto:).
Essa melga faz anos????????????????????????????????????? Ao que eu desci:(((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((((. PARABÉNS, ANDORINHA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
quarta-feira, novembro 21, 2012
Num dia qualquer, mesmo sem nevoeiro.
E ele disse,
- Entardecer como o dia.
Olhou o mar e deu um pensamento atrás.
- Com o dia.
Porque as datas no calendário vão dormir pacificadas, na eterna esperança de ver chegar o raio verde e a consoladora certeza de acordarem na manhã seguinte. E adormece na dúvida - será melhor despertar ponto ou despertar morto? Porque há pessoas a sofrer por terem recebido menos do que mereciam, outras choram o futuro de que duvidam e lhes é devido e todas as lágrimas nascem dele.
El-Rei D. Sebastião era uma besta, afundou Portugal e legou-nos frase cruel e egoísta, atrasados embora é nossa obrigação corrigi-la - morrer, sim, obviamente e depressa!
- Entardecer como o dia.
Olhou o mar e deu um pensamento atrás.
- Com o dia.
Porque as datas no calendário vão dormir pacificadas, na eterna esperança de ver chegar o raio verde e a consoladora certeza de acordarem na manhã seguinte. E adormece na dúvida - será melhor despertar ponto ou despertar morto? Porque há pessoas a sofrer por terem recebido menos do que mereciam, outras choram o futuro de que duvidam e lhes é devido e todas as lágrimas nascem dele.
El-Rei D. Sebastião era uma besta, afundou Portugal e legou-nos frase cruel e egoísta, atrasados embora é nossa obrigação corrigi-la - morrer, sim, obviamente e depressa!
segunda-feira, novembro 19, 2012
É longe, no estrangeiro!
É o terceiro caso no
espaço de duas semanas. Um homem de 50 anos, prestes a ser despejado, morreu
hoje depois de se atirar de uma janela do segundo andar da sua casa, no centro
de Córdoba, em Espanha. Não há, por enquanto, uma explicação segura para o que aconteceu.
Segundo o jornal "El
Pais", familiares negam que o despejo estivesse relacionado com dívidas,
justificando-o por querelas na família, enquanto alguns vizinhos dizem que o
homem atravessava uma fase difícil, na sequência do divórcio recente, acumulando
incumprimentos no pagamento das rendas.
O suicídio coincide com a
entrada em vigor, hoje, de um decreto-lei com alterações às regras dos despejos
e que inclui uma moratória de dois anos quando em causa estejam famílias mais
vulneráveis. O Governo espanhol pretendia ir mais longe na reforma, mas não lhe
foi possível pelas pressões de Bruxelas e da banca.
As medidas aplicam-se a
despejos judiciais ou extrajudiciais que, à data de hoje, ainda não tenham
entrado na última fase, a de "lançamento" (como é conhecida em
Espanha) que, normalmente, coincide com o despejo efetivo.
A moratória é
determinada, entre outros critérios, pelos rendimentos das famílias ou pessoas
envolvidas, que se estabelece num máximo mensal de 1597 euros.
Moratória não abrange classe média
Assim, podem beneficiar
famílias numerosas, famílias monoparentais com dois filhos, famílias com menos
de três anos, com pessoas com incapacidade superior a 30% ou em casos de
violência de género. Pode ainda beneficiar da moratória quem esteja
desempregado e já tenha esgotado o prazo para receber subsídio respetivo.
O problema para o Governo
é que os despejos não estão a afetar apenas a classe mais baixa. Na prática,
nenhuma das três pessoas que se suicidaram recentemente poderia beneficiar
desta alteração.
O primeiro suícidio
registado nestes circuntâncias foi no dia 26 de Outubro, um homem de 53 anos,
desempregado há quatro anos, atirou-se da varanda da sua casa em Burjassot. No
dia passado dia 13, em Amaya Egaña, uma ex-vereadora socialista de 53 anos, que
se atirou também da varanda, quando que ía ser despejada.
Centenas de milhares de
processos de despejo foram iniciados nos últimos anos em Espanha, o que tem
provocado alarme social e motivado a criação de vários movimentos de cidadãos
pedindo mudanças.
Em todas as cidades
espanholas há atualmente equipas de advogados e voluntários que apoiam famílias
alvo de despejo, organizando-se protestos nas casas que são alvo desta ação
para tentar evitar que as pessoas sejam obrigadas a abandonar a sua casa.
Expresso.
Reduzir a vulnerabilidade
a variáveis económicas ou tipologias familiares nunca permitirá aflorar o
processo na sua verdadeira dimensão. Perder a casa, o mais das vezes, provoca
uma ferida narcísica profunda, que mesmo a existência de alternativas a curto e
médio prazo não cicatriza. Sobretudo nos mais velhos? É verdade. Trata-se do
desmoronar do que de mais básico os seus projectos de vida implicaram, de uma
ameaça real e simbólica ao estatuto de protectores dos descendentes, de uma
perda com razão entendida como talvez definitiva. Mas em faixas etárias mais
jovens assisto à ambivalência perante
regressos a casa de pais e até avós, que se traduz numa “gratidão
revoltada”, muito difícil de (di)gerir por todos os envolvidos. Em termos
psicológicos, a nossa casa – e não escrevo lar para não colorir de ainda mais
negro a moldura… - representa uma verdadeira segunda pele. Perdê-la não se
compara, por isso, a um simples (?) adeus ao sobretudo numa noite fria de
Inverno, provoca o aparecimento da carne viva.
O senhor Ministro da
Defesa falou da necessidade de possuir nervos de aço para defender o interesse
nacional. Acredito. (Se calhar temperado por uma ou outra benzodiazepina!).
Durante a visita da senhora Merkel atacou-me a fantasia de que também ajudam colunas
vertebrais de plasticina… Mas no que ao interesse das pessoas diz respeito,
partindo do princípio que ainda fazem parte do nacional, seria bom que o aço
não invadisse os corações.
Porque também há janelas
em Portugal.
terça-feira, novembro 13, 2012
À consideração do Plenário.
Um pássaro primaveril escolheu o Outono para desafio invernoso:). Seja! Que tal uma renião murcónica para celebrar o início de 2013, o ano que nos prometeram sem recessão?
quinta-feira, novembro 01, 2012
Todos os dias recordo os amigos que partiram, mas não seria delicado menosprezar o apelo do calendário. O encanto melancólico desta canção tocou-me na adolescência, quando a morte não passava de uma “inevitabilidade teórica” para um garoto ainda sem lutos para aliviar. Devo dizer que não subscrevo o último verso, recuso que apenas me sobrem memórias. O presente e – espero eu… - algum futuro continuam a despertar em mim um fascínio intrigado, embora não os procure esventrar como aos relógios da minha infância; apenas saboreá-los. (Talvez também porque porque os relógios não costumavam sobreviver ao meu esmiuçar…). Mas vivo emoldurado por recordações. Longe de me travarem os passos, servem-lhes de bengala, Norte e agasalho. Como seria de esperar, as sombras nítidas dos velhos amigos recusariam, polidas, a doce gentileza da Wendy que Peter Pan amou. Porque me estão por baixo da pele, como reza a canção. Em verdade vos digo – melhor cosidas só se fosse ao coração.
sexta-feira, outubro 26, 2012
Benfica.
Graças a Deus e ao calendário acabou a campanha eleitoral do
Benfica. Ganhou quem, na minha opinião, devia ganhar. Mas o nível foi tão baixo…L. Tivemos direito a insultos, ameaças
de tribunal, promessas de campeonatos, recusas de debates e verdadeiros atentados
à nossa inteligência. Nem faltou o petardo da (des)ordem… A grandeza do clube merece mais. Espero que a
equipa de futebol se exiba a melhor nível em Barcelos ou terei outra insónia à
minha esperaJ.
terça-feira, outubro 23, 2012
Noite europeia.
Braga é uma cidade especial para mim. Fiz lá a tropa,
atarefadíssimo entre fingir que examinava de forma competente dezenas de
mancebos e o bacalhau e os rojões do InácioJ. Nos últimos catorze anos dirigi
Adaúfe, a cada Janeiro afiançando que me venho embora, para depois recuar pelo
carinho dedicado à minha gente. Imagino que neste momento muitos bracarenses
embalem a tristeza pela derrota sofrida em Manchester. Eu sei – perder é
perder, zero pontos são zero pontos. Mas há derrotas e derrotas. Eles têm o
direito – e mesmo o dever! - de temperar com orgulho a sua tristeza. Eu,
apaixonado benfiquista, admito que engulo a minha com enorme azia – está polvilhada
de vergonha e desencanto. Mas não de surpresa…
quinta-feira, outubro 18, 2012
No more.
Depois dos resultados eleitorais do PP nos Açores, fiquei
ainda mais curioso acerca da tomada de posição de Paulo Portas sobre o
Orçamento. Estamos a falar de um homem muito inteligente. (E educadíssimo!, a
única vez que nos encontrámos esperou pacientemente que eu mirasse, remirasse e namorasse umas garrafas de bom
vinho, sem perceber que tornava impossível a passagem para os lavabos do
estabelecimento. Ainda coro quando me lembro do seu amável e sorridente “não
tem importância”, nunca estive tão perto de me mudar com armas, bagagens e vergonha para o Centro DireitaJ))))). Estamos a falar do decano dos
líderes partidários nacionais, de um homem com extraordinária capacidade de
trabalho – outros em férias e ele em feiras… - e para aí umas sete vezes sete
vidas políticas! E um talento extraordinário para passar entre os pingos da
chuva… Tenho assistido, com deliciada deformação profissional, ao seu
extraordinário número de trapézio – ser Governo e Oposição ao mesmo tempo. Mas no more. O singelo comunicado - que viu
a luz do dia pela calada da noite… - é uma rendição sem condições, embora se
adivinhe a aprovação de uma ou outra medida avulsa para reivindicar no próximo
acto eleitoral. Manda a justiça reconhecer que o desafio era impossível. Porque
não chove em Portugal – quase escrevia Santiago, coisas da memória… -, é um
dilúvio que se abate sobre o País. Paulo Portas sabe que ficará politicamente
encharcado. Menos mal, há por aí muito português que o está literalmente e até
ao osso…
terça-feira, outubro 16, 2012
Título para quê?
O primeiro "obrigado" tecnológico é para vocês. Obviamente... Por anos de ternura, ralhetes, amuos e vida em geral:)))))))). O Murcon é hoje uma tertúlia que não depende de mim, impossível render-vos maior homenagem, sabem como prezo tudo o que cheira a tribo!
segunda-feira, outubro 15, 2012
Maria,
Desculpa mail trôpego, à hora de jantar e ainda por cima
solicitando resposta célere. Acontece que acabo de ouvir o Senhor Ministro das
Finanças, bem menos exuberante do que antigamente a agradecer perguntas… Mas o problema não é esse ou o preço elevado para a Nação do seu trajecto
educativo, receio que nos saia muuuuito mais cara a tentativa de nos ressarcir
do esforço pela sua actividade governamental! (Tão frenética que não lhe deixou
tempo para ler – e portanto comentar… - a mensagem facebookiana do Presidente
da República.) Se bem percebi, o 2013 de esperança e acalmia do Dr. Passos
Coelho fica para outro ano.
Outro ano tencionava eu esperar para fazer pergunta
angustiante, minha querida. Assim…, tens umas míseras três horas para responder. O tempo é curto? Eu sei, mas pôe-te
no meu lugar – dizes “não” e até à
meia-noite vou ser obrigado a parar relógios de pulso, parede, sol e tutti
quanti, sob pena de a décima segunda badalada matar a esperança do amor. E isso
nunca. Enfrentarei os minutos, palavras dolorosamente derrotadas da Pasionaria
em riste – no pasarán! Como não passa, embora me tenha derrotado há muito, esta
paixão por ti.
Maria, will
you still need me, will you still feed me, when I’m sixty-three?
segunda-feira, outubro 08, 2012
Mestre e amigo.
Partiu Nuno Grande.
Lembro ralhetes carinhosos pelos corredores do ICBAS - "você nunca me fez a vontade...". Com efeito, amei o Ensino em abstracto e os alunos em particular, mas a Cátedra não me atraiu. Ele teve caminho atribulado a caminho da sua, vejo-o a preparar uma Lição - e nunca a palavra se justificou tanto... - em casa de meus Pais, sem me aperceber do que o seu brilho faria das notas breves, tomadas em amena cavaqueira. E o Anfiteatro rendeu-lhe a primeira homenagem ouvindo-o num silêncio religioso, para depois rebentar numa salva de palmas entusiástica, quem decretou a Medicina alheia à Cultura? A política universitária é conservadora, todos sabíamos que não ficaria à frente de outro distinto professor, Pinto Machado, a quem devo amizade e paciência evangélica no exame de Anatomia, até o cadáver tinha os nervos em franja..., perante o triste espectáculo dos meus:). Portanto, no que ao mérito relativo dizia respeito, estávamos conversados. Mas, para enorme surpresa indignada, houve votos contra em mérito absoluto. Cheguei a casa e explodi à mesa, o meu querido Velho sorriu com amargura e disparou - "aquele aplauso não ajudou nada...". Ah, as delícias do voto secreto, permite abraçar o candidato que há minutos, com mesquinhez, se maltratou! Momentos e gente houve que, a posteriori, me fazem abastardar o título do programa dos Gatos - "Dizem que é uma espécie de Universidade:(."
Professor Nuno - dê um abraço ao Pai e guarde outro para si. Apertado e grato...
Lembro ralhetes carinhosos pelos corredores do ICBAS - "você nunca me fez a vontade...". Com efeito, amei o Ensino em abstracto e os alunos em particular, mas a Cátedra não me atraiu. Ele teve caminho atribulado a caminho da sua, vejo-o a preparar uma Lição - e nunca a palavra se justificou tanto... - em casa de meus Pais, sem me aperceber do que o seu brilho faria das notas breves, tomadas em amena cavaqueira. E o Anfiteatro rendeu-lhe a primeira homenagem ouvindo-o num silêncio religioso, para depois rebentar numa salva de palmas entusiástica, quem decretou a Medicina alheia à Cultura? A política universitária é conservadora, todos sabíamos que não ficaria à frente de outro distinto professor, Pinto Machado, a quem devo amizade e paciência evangélica no exame de Anatomia, até o cadáver tinha os nervos em franja..., perante o triste espectáculo dos meus:). Portanto, no que ao mérito relativo dizia respeito, estávamos conversados. Mas, para enorme surpresa indignada, houve votos contra em mérito absoluto. Cheguei a casa e explodi à mesa, o meu querido Velho sorriu com amargura e disparou - "aquele aplauso não ajudou nada...". Ah, as delícias do voto secreto, permite abraçar o candidato que há minutos, com mesquinhez, se maltratou! Momentos e gente houve que, a posteriori, me fazem abastardar o título do programa dos Gatos - "Dizem que é uma espécie de Universidade:(."
Professor Nuno - dê um abraço ao Pai e guarde outro para si. Apertado e grato...
quinta-feira, outubro 04, 2012
5 de Outubro.
Maezinha,
Mais um aniversário sem ti. O tempo não cura nada, até a bailarina da caixa de música roda mais devagar e sorumbática. A árvore no jardim cresce, magnífica, mas parece perguntar-me quando me junto a ti e ao Pai. Não estou deprimido; amo a vida; aceito o meu dever como patriarca da tribo. Mas tenho saudades vossas. E procuro-te entre as mulheres! Se te encontrasse o reflexo numa delas, bastaria uma só palavra e a minha alma seria salva. E o Pai diria, sorrindo, maroto - vá em paz e que a Senhora o acompanhe. Não per omnia, etc...!, só até me juntar a vocês em Cantelães.
Mais um aniversário sem ti. O tempo não cura nada, até a bailarina da caixa de música roda mais devagar e sorumbática. A árvore no jardim cresce, magnífica, mas parece perguntar-me quando me junto a ti e ao Pai. Não estou deprimido; amo a vida; aceito o meu dever como patriarca da tribo. Mas tenho saudades vossas. E procuro-te entre as mulheres! Se te encontrasse o reflexo numa delas, bastaria uma só palavra e a minha alma seria salva. E o Pai diria, sorrindo, maroto - vá em paz e que a Senhora o acompanhe. Não per omnia, etc...!, só até me juntar a vocês em Cantelães.
sábado, setembro 29, 2012
Triste polémica:(.
COMUNICADO
DO CNE da ORDEM DOS MÉDICOS
O perverso parecer do 64/CNECV/2012CNECV
sobre racionamento em Saúde, encomendado pelo Ministério da Saúde, não contou
com a participação e audição da Ordem dos Médicos.
A Ordem dos Médicos verifica que todo o
parecer é uma tendenciosa construção que visa tentar justificar eticamente o
racionamento em Saúde, sem limites definidos, o que é uma inultrapassável
contradição ética.
Neste perigoso e desumano parecer é sempre deliberadamente
utilizada a palavra racionamento e UMA ÚNICA VEZ a palavra racionalização. O
que significa que os subscritores sabem bem a diferença entre racionamento e
racionalização e optaram conscientemente pela palavra racionamento.
Este parecer deixa para os “órgãos
governativos” a resolução “justa e legítima” do “desacordo moral”!!!... E a
fase de decisão política, a última, é assegurada por responsáveis do Ministério
que… “tomarão a decisão final.”…. Ou seja, os doentes ficariam submetidos à
arbitrariedade economicista de qualquer Ministro da Saúde.
O texto introduz insidiosamente “a avaliação
da permissibilidade de racionamento por idade”… Será que vamos assistir à
exclusão dos mais idosos?!
O parecer fala em medicamentos de duvidosa
eficácia, contrariando todas as regras em vigor para a aprovação científica e
fármaco-económica de medicamentos, colocando em causa o próprio Infarmed e a
Agência Europeia do Medicamento. Com que objetivos?!
O parecer sujeita as Normas de Orientação
Clínica, elaboradas pela Direcção Geral da Saúde e pela Ordem dos Médicos, às
decisões arbitrárias e prepotentes das “administrações hospitalares” que
passariam a poder alterá-las, o que é inconcebível e incompreensível!
Finalmente, sublinhe-se como o cumprimento do
Código Deontológico da Ordem dos Médicos já baliza todos os procedimentos e
comportamentos do Médico em situações limite, pelo que tornaria absolutamente
desnecessário este parecer se ele fosse inofensivo…
A Ordem dos Médicos nunca aceitará o conceito
de “racionamento ético” nem que os doentes mais desprotegidos sejam obrigados a
pagar a crise, quiçá com a própria vida.
Assumindo por inteiro a frontal rejeição do
parecer e por considerar que este fere o Código Deontológico da Ordem dos
Médicos e valores éticos intemporais, o Conselho Nacional Executivo decidiu
solicitar a abertura de um processo de averiguação aos Médicos que assinaram o
parecer do CNECV.
CNE, Lisboa, 28 de Setembro
de 2012
Venho acompanhando a
polémica, tristemente surpreendido. Ouvi as explicações do Miguel Oliveira e Silva,
companheiro de muitas lutas. E se quanto às intenções nada me permite duvidar,
sobre a forma não modificarei a minha opinião – é infelicíssima. Porque, por mais
voltas que lhe demos, a palavra “racionamento” está envenenada, como há meses a Dra. Manuela Ferreira Leite sentiu na
pele, e a – justificadíssima! - racionalização prima pela (quase) ausência;
pela mistura de patologias, com diferentes consequências, prognósticos e
imaginários; pelo exemplo dos “dois meses de vida”, que ouvi várias vezes e é
humana e cientificamente inaceitável; pelo odor – e sou generoso… - a aceitação
de discriminação dos mais idosos e desfavorecidos; pela rendição a decisores
externos à relação médico-doente, em geral mais sensíveis a outros argumentos
que não os resultantes do processo de decisão partilhada, característica do
acto médico entre dois Sujeitos plenos, um especialista em Doença, outro na “sua”
doença; por último, pelo alarme social que produziu, ao longo da A1 escutei a
angústia escandalizada de muitos portugueses, doentes, cuidadores, simples ouvintes. Como técnicos,
precisamos recordar que as pessoas vivem de acordo com a realidade como a
percepcionam e não como ela é(?). E por isso repito – estou disponível para ser
convencido de eventual excessiva severidade quanto à substância, embora a
tarefa se me afigure hercúlea. Mas não cedo quanto à forma – no mínimo,
considero-a leviana. No mínimo…
terça-feira, setembro 25, 2012
Volta Bush, estás perdoado:).
Romney indignado porque janelas dos
aviões não abrem
por Ana Meireles
Mitt Romney mostrou este fim de
semana o pouco que percebe de aeronáutica, quando deu largas à sua indignação
pelo facto de as janelas dos aviões não abrirem em caso de emergência. Tudo por
causa de um incêndio a bordo da aeronave que transportava a sua mulher e que
teve de aterrar de emergência.
"Fiquei contente por ela estar no solo, a salvo.
Acho que ela não sabe como ficámos preocupados. Quando há um incêndio num avião
não existe nenhum outro lugar para onde ir", declarou o candidato
republicano à presidência dos Estados Unidos.
Para Mitt Romney o maior problema num avião numa
situação de emergência deve-se ao facto de as janelas não abrirem. "Eu não
sei porque é que elas não abrem. É um problema real e muito perigoso",
disse.
"Não se consegue ir buscar oxigénio ao exterior
porque as janelas não abrem", acrescentou Romney ao Times, sugerindo que
se houvesse mais oxigénio na cabine o problema do incêndio no avião da mulher
teria sido menor.
DN.
segunda-feira, setembro 24, 2012
domingo, setembro 16, 2012
quarta-feira, setembro 12, 2012
Até aos poetas...
Os amantes sem dinheiro
Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro.
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto
que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro.
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto
que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade.
Maria,
Os poetas, esses
magníficos e preciosos loucos, estão inocentes. Afinal, encontram palavras que
comovem espelhos e os fazem reflectir sonhos antigos e não a realidade pura e
dura. Nos dois últimos anos, fizeram-me uma pergunta vezes sem conta – pode a crise
enferrujar o amor? (Antes também, claro, o pesadelo do fim do mês já atormentava
as noites de muita gente quando a Bolsa ainda parecia a árvore das patacas!).
Não basta citar Neil Young e dizer que a ferrugem nunca dorme, querida, explico
a pessoas assustadas e surpreendidas que “pão, amor e uma cabana” é frase de
quem nunca fitou mãos calejadas ou revirou bolsos em busca de uma derradeira
moeda.
O amor pode
resistir a tudo, mas não indemne ou mesmo escarninho. Se me pedisses frase popular que descreva as
histórias ouvidas, dar-te-ia o velho “em
casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. As pessoas sofrem,
aguentam, receiam e o amor não vive em neurónios à prova de angústia. De
acordo, muitas vezes as agruras da vida juntam mais o casal. De acordo, uma
relação que já exibia – ou escondia… - fissuras é mais frágil. Mas negar a
influência do torno cruel que espreme o quotidiano das gentes sobre os afectos
seria ingénuo.
A visão do amor
como algo de etéreo, imune às rasteiras do mundo, pertence ao discurso de uma
minoria social privilegiada. (E digo discurso porque a vejo também na prática
tropeçar, a conta no banco nada pode contra determinadas catástrofes bem pouco
naturais. Mas se o dinheiro não dá felicidade, pelo menos evita preocupações
básicas…). Sim, a crise facilita que a ferrugem namore muitos amores. E as
pessoas murmuram que dói. É verdade. De uma forma ou de outra, mais dia menos
dia, com crise ou sem ela, acontece a todos.
Até aos poetas!
terça-feira, setembro 11, 2012
Vocês não lhes dão valor...:(
Governo cria
linguagem para justificar medidas de austeridade
Em quatro folhas A4, constam os ensinamentos dirigidos aos
gabinetes ministeriais. São normas para responder às perguntas, da
imprensa sobretudo, sobre as medidas de austeridade anunciadas.
|
Ana Sofia Santos (www.expresso.pt)
13:40 Segunda feira, 10 de setembro de 2012
|
|
(clique na imagem para
ver o documento em formato PDF)
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O documento, que ensina os ministérios a justificarem medidas de
austeridade, foi enviado logo na sexta-feira, dia do anúncio pelo primeiro-ministro,
e dá instruções aos assessores de como lidar com a pergunta "é um novo
aumento de impostos?".
A encabeçar a lista de argumentos que os ministérios devem reproduzir para
justificar as mexidas na Taxa Social Única, o Governo privilegia "o
combate" ao desemprego. Fruto da melhoria das condições de tesouraria das
empresas.
Além disso, os responsáveis pelo 'passa a palavra' devem também salientar o
facto do aumento da TSU para os trabalhadores "reequilibra as contas para
a Segurança Social, preservando o futuro, pensões, reformas, acesso aos mais
desprotegidos da sociedade, e reforço de verbas para o desemprego".
Apesar de não apresentar contas sobre o verdadeiro impacto das medidas, o
Governo mostra trabalho de casa ao comparar vários países no que toca às
contribuições para a segurança social por parte dos patrões.
"As empresas deixam de ter a seu cargo a maior fatia das contribuições
da segurança social", à semelhança do que se passa na Alemanha.
Se a questão incidir sobre a "insensibilidade social" das
medidas, deve ser dito que "os trabalhadores do sector privado e do sector
publico de menores rendimentos serão protegidos por um crédito fiscal em sede
de IRS, por intermédio do qual terão ou uma redução do imposto a pagar, ou uma
devolução maior" e que "os parceiros sociais terão um contributo
muito importante a dar na definição do esquema mais adequado".
E há a instrução para recusar a medida como um novo aumento de impostos. O
que deve ser dito é que "as contribuições dos trabalhadores sobem, mas as
contribuições das empresas descem. Como um todo, a economia não fica mais
sobrecarregada com impostos/contribuições. Isso é que é importante
salvaguardar".
Expresso
online.
Alguns de vocês, línguas viperinas e preconceituosas, dirão que se trata
de uma espécie de catecismo. Nada mais falso! A isto chama-se homogeneização do
discurso para facilitar a sua compreensão pelas massas menos esclarecidas. De
resto, fontes geralmente bem informadas, revelaram-me que o esforço dos membros
do Governo para trabalharem em conjunto de modo afinado não se fica por aqui.
Até em Conselho de Ministros ensaiam para empolgar a Nação. Querem ver?
quinta-feira, setembro 06, 2012
terça-feira, setembro 04, 2012
Os "diferentes".
Uma palavra - atrasada... - de admiração para os nossos atletas e os Jogos Paralímpicos em geral, que, segundo leio, se têm revestido de um brilho inusitado. Um psi sabe melhor do que ninguém que é impossível prever a reacção das gentes perante a adversidade, mas sempre tive uma fantasia deprimente a meu respeito, vejo-me entregue à auto-piedade e ao isolamento. Também por isso lhes rendo a minha homenagem. Com ou sem medalhas...
sábado, setembro 01, 2012
sexta-feira, agosto 31, 2012
Nas vossas costas:).
Maria,
Escrevo-te no Facebook para eles não saberem e não me acusarem de pieguice. Eles quem???? Mas eu disse-te, valham-me Deus e o Diabo – fui jantar com os murcónicos! Uns vieram, outros telefonaram, houve quem mandasse sms e mails. Sete anos é muito tempo, querida. Bem sei que hoje em dia sou um pretexto para a amizade que os une, mas por que não deveria o grão de areia ficar orgulhoso da péro...
Escrevo-te no Facebook para eles não saberem e não me acusarem de pieguice. Eles quem???? Mas eu disse-te, valham-me Deus e o Diabo – fui jantar com os murcónicos! Uns vieram, outros telefonaram, houve quem mandasse sms e mails. Sete anos é muito tempo, querida. Bem sei que hoje em dia sou um pretexto para a amizade que os une, mas por que não deveria o grão de areia ficar orgulhoso da péro...
la que o abraça? É gente minha. Mesmo os que partiram amuados, desiludidos, furiosos; todos. A esta hora invadem a noite portuense, imagino-lhes as gargalhadas, os braços pelas costas, o “até para o ano em Lisboa”. Não pedem nada, não devem nada, ofereceram-me a sua lealdade. Que lhes posso dar em troca? Tens razão, como sempre, vou procurar no Youtube, já não me lembro de ouvir essa canção. Dorme bem, menininha, não imaginas o gozo que me daria relembrar a noite nos teus braços.
Antes de…
Antes de…
quarta-feira, agosto 29, 2012
Na Castanheira.
Amanhã há jantar do Murcon. Nem sequer sei quantos somos, não importa. Passaram sete anos e ainda nos reunimos. O resto é silêncio, escreveu alguém:).
domingo, agosto 26, 2012
sábado, agosto 25, 2012
O maná segundo Borges:).
Depois de laboriosa leitura de
alguns textos que se debruçam sobre a hipótese favorita do Dr. António Borges
para a privatização/concessão da RTP, rendi-me à evidência – o negócio é da
China, mesmo que o grupo vencedor não seja o da EDP. O Estado paga, nós pagamos
e algum privado enche os bolsos. Sei que tudo estará decidido a curto prazo,
mas não iríamos a tempo de criar uma empresa com uns milhares de desempregados
e entregar-lhes tal árvore das patacas? Melhoravam as estatísticas e, como já
tinham passado pela experiência, talvez não falassem com tanta ligeireza dos
despedimentos que aí vêm e dos espectadores da 2 como membros de uma tribo
exótica e caprichosa em vias de extinção… Vá lá, não sejam preconceituosos – os
números da execução orçamental, os empates dos vossos clubes na semana passada,
agora este golpe de génio, já tinham presenciado uma tal chuva de boas notícias
em plena silly season?
domingo, agosto 19, 2012
Nós os três.
Da árvore de meus Pais chega queixa silenciosa; apelo envergonhado; promessa de paz interior. Pouco importa se alucino, vejo a partida como traição:(.
quarta-feira, agosto 15, 2012
Nas mãos do anticiclone dos Açores:).
Maria,
Por fim uma réstia de sol! Os
magos da meteorologia, definitivos – amanhã chega o Verão. E eu olho os miúdos
e desejo-lhes piscina, digestões optimistas para regressarem ao banho, peles
roxas, “com frio, eu? Ná…”. É confrangedor vê-los pela casa, debicando livros,
hipnotizados por desenhos animados estridentes,
de pata dada com cães tão enfastiados como eles. E a pergunta, plangente
– “Avô Júlio, quando…?”. Não sei; não posso; não consigo. E se admiti-lo nunca
me causou engulhos profissionais – já sei, nem sempre é resposta amiga de quem
nos ama… -, ver-me impotente perante a frustração dos miúdos é um tormento. Olham-nos
de baixo e esperam o milagre, a omnipotência, o estalar dos dedos que pinta de
azul o céu. E o patriarca, em dia santo, rende-se, humilde, à prece; recorre,
em fúria, à imprecação; joga, esperançoso, na roleta do acaso.
Tudo por sorriso aberto nas
caritas deles. Que emoldure a recordação do teu…
segunda-feira, agosto 13, 2012
Ámen.
Se por acaso morrer durante o sono
Não quero que te preocupes inutilmente.
Será apenas uma noite sucedendo-se
a outra noite interminavelmente.
Se a doença me tolher na cama
e a morte aí me for buscar,
beija Amor, com a força
de quem ama,
estes olhos cansados,
no último instante.
Se, pela triste monotonia do entardecer,
me encontrarem estendido e morto,
quero que me venhas ver
e tocar o frio e sangue do corpo.
Se, pelo contrário, morrer na guerra
e ficar perdido no
gelo de qualquer Coreia,
quero que saibas, Amor, quero que saibas,
pelo cérebro rebentado, pela seca veia,
pela pólvora e pelas balas entranhadas
na dura carne gelada,
que morri sim, que me não repito,
mas que ecoo inteiro na força do meu grito.
Rui Knopfli.
domingo, agosto 12, 2012
E no entanto, olhando em volta, receio que nos venhamos tornando em pessoas e cidadãos cada vez mais adiados:(.
(Não posso adiar o
amor para outro século)
Não posso adiar o amor para outro
século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na
garganta
Ainda que o ódio estale e crepite
e arda
Sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos
sobre as costas
e a aurora indensa demore
não posso adiar para outro século
a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa.
quinta-feira, agosto 09, 2012
Nascidos para...
Maria,
Pois tu estavas lá? Eu sei que és
portuguesa, mulher!, mas podias ter escolhido a vela ou o hipismo. Ah, o sexto
sentido feminino… Sei. O que te fazia olhar-me e decretar “estás preocupado”,
pese embora negativas e riso (amarelo) que colocava entre mim e a sistemática
confissão. Já no teu colo, tu ouvias; esses dedos longos em passeio pelos meus
cabelos, a ética inegociável, “faz o que tens a fazer”.
Tu estavas lá. E viste o triunfo
dos miúdos, a um sexagenário é permitido tratá-los assimJ. Que bom! Sabes, ao ouvir um
deles referir-se à família da canoagem – eu sei, fiz figura de parvo no
facebook ao chamar-lhe remo… - lembrei-me de Anselmo Braamcamp. Eu chegava das
aulas, fazia os deveres (TPC?) e com alívio guloso dava conhecimento do facto a
minha santa Mãe, que pronunciava as palavras mágicas – “vai para a rua brincar”.
A rua, Maria… A rua e os amigos
do peito que habitavam as “ilhas” tão portuenses, o Migalha, o Gabriel, o
Orlando, o Neca, o filho do barbeiro e por aí fora. Na casa de todos fui
recebido e ensinado, porque o dinheiro era escasso mas a solidariedade muita,
havia beijos e pão para o filho da Clarinha. E o ténis de mesa no Mocidade Invicta. Às
vezes equipava-mo-nos na própria sala de
jogo, o treinador segurava uma espécie de cortinado para salvaguardar senhoras risonhas daquela nudez adolescente e
tímida, éramos nós a ficar vermelhos, perdão!, nesse tempo dizia-se encarnado,
para não alimentar as paranóias do Messias de Santa Comba. Quando ganhámos o
campeonato regional o Presidente fez um discurso inflamado e deu um pacote de
bolachas e uma cerveja a todos os elementos da equipa. Eu tinha catorze anos,
foi o mais próximo que estive de um shot na adolescência, sobre a Faculdade e
as patuscadas é melhor não falar, mesmo a posteriori tu franzias o sobrolho.
Também ali se poderia falar de
família. Sabes como adoro futebol e a paixão desesperada – mas não cega e
surda… - que nutro pelo Benfica. Mas há tantas nuvens em tudo aquilo! Dinheiro
e dívidas a mais (supremo paradoxo), endeusamentos ridículos, negócios
duvidosos, violência física pronta a saltar, verbal sete dias por semana, parece que o relvado se tornou ilha minúscula
em gigantesco arquipélago de interesses. Não, não creio que se possa falar da
família do futebol, a não ser para decidir a que terapeuta a enviar para
loooongo tratamento de prognóstico reservadoL.
Por isso, ao ver a alegria
esfusiante dos miúdos, fantasiei-lhe uma dimensão selvagem de revolta, o que
poderiam fazer, eles e outros, com uma parcela modesta do investimento
reservado ao futebol? Sim, outros. O rapazinho que ficou em nono no triatlo, a
rapariga que caiu e recusou desculpas e lamúrias, ergueu-se e partiu para
qualificação e record, as meninas da maratona, os velejadores. Por que razão é
tão grande a assimetria de meios? São filhos de um deus menor? (Lembras-te do
filme e daquela cena, tu riste da minha interpretação, disseste “connosco não foi assim” e eu…
Adiante!).
A verdade é que, apesar de todas
as dificuldades, fazem as coisas acontecer. Rasteira? A que te referes, menina?
Ah, nem notei… Pronto, é verdade, quis verificar se ainda te lembravas de verso
e canção que te ensinei. Compraste o disco em Londres… E isso é bom ou mau? Foi
em nossa honra ou para mostrares a ti mesma que já não precisas do meu
emprestado?
O teu silêncio. A minha estante.
O disco. Nascemos para quê?
terça-feira, agosto 07, 2012
segunda-feira, agosto 06, 2012
A propósito de Ryan Adams.
Maria,
Esse feitiozinho… Ralhas-me por
te ralhar quando o não fiz. Hesito entre fúria e auto-piedade, eis que a esperança abandona
famosa e grega caixa, “funcionará em espelho e eco?”. Pelo sim pelo não, envio
a sms – “desejo-te”. Desligo o telemóvel, assustado, melhor deixar para amanhã
o que posso penar hoje. E meto uma cunha aos deuses no facebookJ.
domingo, agosto 05, 2012
Este país não é para velhos. E para os outros...
Mais de 40 mil idosos da Grande Lisboa deixaram de comprar o
passe terceira idade no primeiro semestre deste ano, , quando deixaram de
usufruir de desconto, segundo dados enviados à Agência Lusa pela Carris.
De acordo com a empresa, no primeiro semestre do ano passado,
242.717 pessoas compraram o passe Navegante Urbano 3ª idade (Carris, Metro e CP
na zona urbana), um número que nos primeiros seis meses deste ano desceu para
200.876, correspondendo a uma redução de mais de 17 por cento.
Além dos vários aumentos de preços que os tarifários sofreram no
último ano, em fevereiro o Governo decidiu diminuir o desconto que os idosos
beneficiavam na compra do passe social, que passou dos 50 para os 25 por cento.
Além dos idosos, também os restantes utentes estão a reduzir a
utilização dos transportes públicos, tendo a Carris perdido mais de 26 milhões
de passageiros no primeiro semestre deste ano, comparativamente com o mesmo
período de 2011.
Segundo dados da empresa, no ano passado foram registados
125.422.560 passageiros, enquanto este ano esse número caiu para 99.370.330 (-
20,8 por cento).
Por seu lado, o Metropolitano de Lisboa registou uma redução de
11.500 milhões de passageiros, tendo passado dos 92.174.086 registados nos
primeiros seis meses de 2011 para os 80.662.283 registados este ano.
Na Transtejo, a queda foi menos acentuada: menos 1.630.799
passageiros.
A empresa teve no primeiro semestre do ano passado 14.082.619
passageiros, número que caiu para os 12.451.820 este ano.
À Lusa, fonte da Carris atribui a “acentuada quebra de
passageiros” à “recessão” e ao “aumento do desemprego, que se verificam em
Portugal”, frisando que também há uma “diminuição do transporte particular”.
Porque o Murcon será sempre o arquivo oficial:).
Maria,
A conselho médico sou o nada
entusiasta dono de uma cadeira. Se não for heresia chamar-lhe assim!, não imaginas a
complexidade do monstro, são tantas as variantes de posição que receio enjoo de
mar revolto invadindo a paz de Cantelães. Fui ensinado a manter as costas
direitas pelos amantes que repousam no jardim, aparentemente esqueci-me de o fazer em sentido
literal, há um preço a pagar. Seria desprezível comparar os meus achaques a
tanto sofrimento que por aí vai, mas são óbvios sinais de declínio e o primeiro
pensamento vai para ti, apelo mudo que
mira a porta de soslaio, numa esperança de milagre. O primeiro… Porque depois
chega o alívio, triste mas alívio. Conheço-te – amar-me-ias no matter what, como por essa olímpica
Londres se diz. Conheces-me – se o futuro trouxer o castigo de sobreviver a mim
próprio, que o mundo inteiro se aperceba. Tu não, minha querida; tu não.
Só o negam os olhos, que não
conseguem levantar voo da porta…
sexta-feira, agosto 03, 2012
Com ou sem razão... Dúvida excruciante do Tribunal:).
A partir de agora é crime na Itália dizer a um homem
que este "não tem testículos". A norma foi aplicada judicialmente no
mais importante tribunal italiano.
A decisão vem pôr fim a uma disputa entre um advogado
e um primo seu, juiz de paz, que o insultou em pleno tribunal, dizendo que este
"não tinha testículos".
"Fora a vulgaridade dos termos utilizados, a
expressão é injuriosa", diz a sentença, que acrescenta que o insulto não
só "insinua uma falta de virilidade do destinatário, como uma fraqueza de
caráter, uma falta de determinação, de competência e de coerência, virtudes
que, com ou sem razão, são identificadas como pertencentes ao género masculino".
O tribunal ainda não decidiu qual será o montante da
multa a aplicar.
quarta-feira, agosto 01, 2012
Um delicioso poeta burilando a prosa:).
Coisas sólidas e verdadeiras.
O leitor que, à semelhança do de O'Neill, me pede
a crónica que já traz engatilhada perdoar-me-á que, por uma vez, me deite no
divã: estou farto de política! Eu sei que tudo é política, que, como diz
Szymborska, "mesmo caminhando contra o vento/ dás passos políticos/ sobre
solo político". Mas estou farto de Passos Coelho, de Seguro, de Portas, de
todos eles, da 'troika', do défice, da crise, de editoriais, de analistas!
Por isso, decidi hoje falar de algo realmente
importante: nasceram três melros na trepadeira do muro do meu quintal. Já
suspeitávamos que alguma coisa estivesse para acontecer pois os gatos ficavam
horas na marquise olhando lá para fora, atentos à inusitada actividade junto do
muro e fugindo em correria para o interior da casa sempre que o melro macho,
sentindo as crias ameaçadas, descia sobre eles em voo picado.
Agora os nossos novos vizinhos já voam. Fico a
vê-los ir e vir, procurando laboriosamente comida, os olhos negros e brilhantes
pesquisando o vasto mundo do quintal ou, se calha de sentirem que os
observamos, fitando-nos com curiosidade, a cabeça ligeiramente de lado, como se
se perguntassem: "E estes, quem serão?"
Em breve nos abandonarão e procurarão outro
território para a sua jovem e vibrante existência. E eu tenho uma certeza: não,
nem tudo é política; a política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos
veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida.
Manuel António Pina no JN.
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