Maralhal,
Um bom 2007! Em breve acontecerá um novo ataque das esdrúxulas Produções Murcon, sempre fiéis ao seu lema - conseguir fazer ainda pior! Eu, pelo menos, consegui - apanhei uma gripe à beira-rio:).
domingo, dezembro 31, 2006
sexta-feira, dezembro 29, 2006
A coberto do balão da Brigada:).
Cantelães. Só saio daqui em 2007. A idade traz a aceitação. Alguns dos meus amigos não percebem como posso meter-me cá em cima no fim-de-semana da passagem de ano. Outros vêm ter comigo:). A aceitação, dizia eu. Compreendo quem não se imagina a mergulhar no minuto a seguir à meia-noite sem música, passas, cadeiras, bailarico, riso alto. Já o fiz, e com prazer. Mas não percebo por que será tão estranho o gozo imenso que retiro do silêncio apenas entrecortado pelo riacho, da conversa preguiçosa, do abraço comovido e singelo, sem estereofonia. Live and let live...
quinta-feira, dezembro 28, 2006
A propósito das taxas de juro...
Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.
...
Jorge de Sena, Os Paraísos Artificiais.
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.
...
Jorge de Sena, Os Paraísos Artificiais.
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Até dói:(.
Porto está a ficar deserto
2006/12/27 09:14- Jaime Gabriel de Jesus (Agência Lusa)
Em 2011 terá apenas 200 mil habitantes. Gaia e Maia ganham habitantes
O Porto terá apenas 200 mil habitantes em 2011, descendo a um nível demográfico próximo do que tinha no advento da República (183 mil residentes em 1911), segundo uma projecção do Instituto de Ciências Sociais.
A confirmar-se este cenário, o concelho cairá do terceiro para o quarto lugar do «ranking» populacional, atrás de Sintra (que terá quase 480 mil habitantes), Lisboa (471 mil) e Gaia (321 mil).
A maior população do Porto foi atingida em 1981, com 327 mil habitantes, número que desceu para 302 mil em 1991 e para 263 mil em 2001.
Já em 2005, uma contagem inter-censitária do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que restavam no Porto 233 mil moradores, uma perda de 11,3 por cento em apenas quatro anos.
Em números absolutos, a perda populacional do Porto está abaixo da registada em Lisboa (menos 45 mil habitantes) mas é percentualmente superior à da capital (que teve menos oito por cento).
Em contraciclo, Gaia passou, no último ano, as três centenas de milhar de residentes, consolidando o estatuto de terceiro concelho português mais povoado, que já subtraíra ao vizinho da margem Norte em 2001.
Em 2005, o INE atribuiu ao concelho da margem Sul do rio Douro uma população de 304 mil habitantes, confirmando a tendência crescente evidenciada em sucessivos censos: 1981, 226 mil moradores; 1991, 249 mil; e 2001, 289 mil.
Só um bairro de Gaia, o de Vila D¿Este, freguesia de Vilar de Andorinho, tem mais habitantes do que as quatro freguesias do centro histórico do Porto.
A população de Vila d¿Este está estimada em 17 mil habitantes, mais cinco mil do que a verificada, nos Censos de 2001, nas freguesias portuenses de Sé, S. Nicolau, Vitória e Miragaia. Estas quatro freguesias da zona histórica do Porto perderam metade da população entre 1981 e 2001, passando de 28 mil para 13 mil habitantes.
No mesmo período, o conjunto citadino - que compreende mais 11 freguesias - perdeu 64 mil habitantes, o equivalente ao que o município de Gaia ganhou no mesmo hiato (63 mil).
Mas a perda demográfica do Porto não favoreceu apenas Gaia, já que sete outros concelhos periféricos ganharam, no mesmo período, um total de 90 mil residentes.
Maia foi o município da região que maior crescimento demográfico percentual registou. Entre 2001 e 2005, a população da Maia, concelho imediatamente a Norte do Porto, cresceu 10,8 por cento, somando quase 13 mil novos moradores aos 120 mil que já possuía.
2006/12/27 09:14- Jaime Gabriel de Jesus (Agência Lusa)
Em 2011 terá apenas 200 mil habitantes. Gaia e Maia ganham habitantes
O Porto terá apenas 200 mil habitantes em 2011, descendo a um nível demográfico próximo do que tinha no advento da República (183 mil residentes em 1911), segundo uma projecção do Instituto de Ciências Sociais.
A confirmar-se este cenário, o concelho cairá do terceiro para o quarto lugar do «ranking» populacional, atrás de Sintra (que terá quase 480 mil habitantes), Lisboa (471 mil) e Gaia (321 mil).
A maior população do Porto foi atingida em 1981, com 327 mil habitantes, número que desceu para 302 mil em 1991 e para 263 mil em 2001.
Já em 2005, uma contagem inter-censitária do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que restavam no Porto 233 mil moradores, uma perda de 11,3 por cento em apenas quatro anos.
Em números absolutos, a perda populacional do Porto está abaixo da registada em Lisboa (menos 45 mil habitantes) mas é percentualmente superior à da capital (que teve menos oito por cento).
Em contraciclo, Gaia passou, no último ano, as três centenas de milhar de residentes, consolidando o estatuto de terceiro concelho português mais povoado, que já subtraíra ao vizinho da margem Norte em 2001.
Em 2005, o INE atribuiu ao concelho da margem Sul do rio Douro uma população de 304 mil habitantes, confirmando a tendência crescente evidenciada em sucessivos censos: 1981, 226 mil moradores; 1991, 249 mil; e 2001, 289 mil.
Só um bairro de Gaia, o de Vila D¿Este, freguesia de Vilar de Andorinho, tem mais habitantes do que as quatro freguesias do centro histórico do Porto.
A população de Vila d¿Este está estimada em 17 mil habitantes, mais cinco mil do que a verificada, nos Censos de 2001, nas freguesias portuenses de Sé, S. Nicolau, Vitória e Miragaia. Estas quatro freguesias da zona histórica do Porto perderam metade da população entre 1981 e 2001, passando de 28 mil para 13 mil habitantes.
No mesmo período, o conjunto citadino - que compreende mais 11 freguesias - perdeu 64 mil habitantes, o equivalente ao que o município de Gaia ganhou no mesmo hiato (63 mil).
Mas a perda demográfica do Porto não favoreceu apenas Gaia, já que sete outros concelhos periféricos ganharam, no mesmo período, um total de 90 mil residentes.
Maia foi o município da região que maior crescimento demográfico percentual registou. Entre 2001 e 2005, a população da Maia, concelho imediatamente a Norte do Porto, cresceu 10,8 por cento, somando quase 13 mil novos moradores aos 120 mil que já possuía.
terça-feira, dezembro 26, 2006
O elo.
Maria,
Quando cheguei, o Tiago exigiu que o seguisse à despensa. Explicou-me que ia fazer desenhos "com luz". O brinquedo é engraçado - uma espécie de marcador que deixa o papel marcado..., no escuro! Sentei-me encostado à porta, para evitar que alguém na peugada de molho para o peru nos provocasse um traumatismo craneano ao som de um "mas que raio fazem vocês aqui?" O miúdo transformou a folha de bloco num pequeno farol que lhe iluminava o rosto, diligente e fascinado. Eu chegara de visitar o negro Alzheimer da Mãe, sinistro à luz do sol que entrava pela janela. E naquela despensa, mínima e da cor do breu, quedei-me pensativo, hipnotizado pelo sorriso que inundava a face do Tiago, "estás a ver, Avô Júlio?". Estava. Vi, Maria, vi claramente. Os rabiscos do maroto; e o futuro da lenda familiar no encantamento de um loiríssimo neto:). Encostei-me à porta com mais força. Sou uma ponte entre margens...
Quando cheguei, o Tiago exigiu que o seguisse à despensa. Explicou-me que ia fazer desenhos "com luz". O brinquedo é engraçado - uma espécie de marcador que deixa o papel marcado..., no escuro! Sentei-me encostado à porta, para evitar que alguém na peugada de molho para o peru nos provocasse um traumatismo craneano ao som de um "mas que raio fazem vocês aqui?" O miúdo transformou a folha de bloco num pequeno farol que lhe iluminava o rosto, diligente e fascinado. Eu chegara de visitar o negro Alzheimer da Mãe, sinistro à luz do sol que entrava pela janela. E naquela despensa, mínima e da cor do breu, quedei-me pensativo, hipnotizado pelo sorriso que inundava a face do Tiago, "estás a ver, Avô Júlio?". Estava. Vi, Maria, vi claramente. Os rabiscos do maroto; e o futuro da lenda familiar no encantamento de um loiríssimo neto:). Encostei-me à porta com mais força. Sou uma ponte entre margens...
sábado, dezembro 23, 2006
Assim seja!
"Não se aprende grande coisa com a idade.
Talvez a ser mais simples,
a escrever com menos adjectivos.
..."
Eugénio de Andrade, O Sal da Língua.
GENTE,
OBRIGADO PELA TERNURA E BOM NATAL.
MURCON.
Talvez a ser mais simples,
a escrever com menos adjectivos.
..."
Eugénio de Andrade, O Sal da Língua.
GENTE,
OBRIGADO PELA TERNURA E BOM NATAL.
MURCON.
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Em época de compras:).
LIQUIDAÇÃO (QUASE) TOTAL
EVERYTHING BUT THE GIRL
Acabei de compor Careless e devo confessar que não me sinto melhor - por onde andará Tracey? As últimas semanas foram diabólicas, tudo acabado pela quinquagésima vez, ambos sem autoridade moral para acusações – nem sequer é líquido quem começou a desenhar triângulos… – e agora esta ideia heróica e comercial de gravar Baby, The Stars Shine Bright de qualquer modo. Odeio a conversa acerca de sermos adultos, trabalho é trabalho, etc... Lérias! Assim que vir a letra da canção vai ter uma fúria homérica e aparecer com um namorado pronto a usar só para me agredir. O ambiente vai ser o pior desde que os Beatles gravaram em Abbey Road e partiram em quatro direcções...
Que nos vem a acontecer? Parece ter sido ontem, o americano pela boutique dentro, começou a cheirar por todo o lado, apalpava a roupa como se escolhesse – e assassinasse! – fruta. Assentou um formidável murro no balcão para lhe verificar a resistência, teve o descaramento de meter conversa com os clientes, (talvez tenha desconfiado que eram amigos nossos a fingir de clientela) ah!, como me apeteceu pô-lo na rua com um biqueiro no cu. Tracey e os sonhos de glória…Que mal tinham os espectáculos de fim-de-semana em pubs não selectos? Boa cerveja, à segunda noite os clientes pareciam velhos compagnons de route. Não eram fãs mas prata da casa, aceitavam-nos sem truques de estúdio, o mais das vezes nem palco havia. E Tracey, o dedo acusador, patati patata, a minha falta de ambição, trauteava Lennon e McCartney fora do contexto – como agora se diz, para fazer passar a mensagem… –, Baby, You Can Drive My Car, Yes I’m Gonna Be a Star. Ainda acaba por acertar, se não me acautelo estou a caminho de ser o guitarrista e chauffeur de Miss Tracey Thorn, a divina. Merda!
Quando o raio do américa se deu por satisfeito com a vistoria de roupas, vizinhança, contas e freguesia, perguntou se era tudo para vender!? Devia tê-lo mandado comprar um castelo na Escócia para o reconstruir no Texas, imagino o gáudio de baleias alimentadas a hamburgers e ansiosas por ver fantasmas com garantia e gaita-de-foles. Pois! Em vez disso, olhei para Tracey de pé entre filas de vestidos indiferentes, o olhar suplicante perdido na face incrivelmente ruborizada, mãos brancas, de tão apertadas à volta do futuro; imaginei, egoísta, aquele seu modo de me saltar para o colo e sugerir orgias alimentares porque uma inglesa decente não menciona as outras. Quis dar a mim próprio o prazer imenso de lhe ver aquela sua felicidade infecciosa e resmunguei para o sobrinho do Tio Sam – “tudo, é tudo para vender, preciso do dinheiro para ser famoso sem o desejar”. E de repente – não fosse o Diabo tecê-las – ouvi-me pôr em respeito os dólares gulosos dele – “Tudo para vender, tudo excepto a rapariga!”
EVERYTHING BUT THE GIRL
Acabei de compor Careless e devo confessar que não me sinto melhor - por onde andará Tracey? As últimas semanas foram diabólicas, tudo acabado pela quinquagésima vez, ambos sem autoridade moral para acusações – nem sequer é líquido quem começou a desenhar triângulos… – e agora esta ideia heróica e comercial de gravar Baby, The Stars Shine Bright de qualquer modo. Odeio a conversa acerca de sermos adultos, trabalho é trabalho, etc... Lérias! Assim que vir a letra da canção vai ter uma fúria homérica e aparecer com um namorado pronto a usar só para me agredir. O ambiente vai ser o pior desde que os Beatles gravaram em Abbey Road e partiram em quatro direcções...
Que nos vem a acontecer? Parece ter sido ontem, o americano pela boutique dentro, começou a cheirar por todo o lado, apalpava a roupa como se escolhesse – e assassinasse! – fruta. Assentou um formidável murro no balcão para lhe verificar a resistência, teve o descaramento de meter conversa com os clientes, (talvez tenha desconfiado que eram amigos nossos a fingir de clientela) ah!, como me apeteceu pô-lo na rua com um biqueiro no cu. Tracey e os sonhos de glória…Que mal tinham os espectáculos de fim-de-semana em pubs não selectos? Boa cerveja, à segunda noite os clientes pareciam velhos compagnons de route. Não eram fãs mas prata da casa, aceitavam-nos sem truques de estúdio, o mais das vezes nem palco havia. E Tracey, o dedo acusador, patati patata, a minha falta de ambição, trauteava Lennon e McCartney fora do contexto – como agora se diz, para fazer passar a mensagem… –, Baby, You Can Drive My Car, Yes I’m Gonna Be a Star. Ainda acaba por acertar, se não me acautelo estou a caminho de ser o guitarrista e chauffeur de Miss Tracey Thorn, a divina. Merda!
Quando o raio do américa se deu por satisfeito com a vistoria de roupas, vizinhança, contas e freguesia, perguntou se era tudo para vender!? Devia tê-lo mandado comprar um castelo na Escócia para o reconstruir no Texas, imagino o gáudio de baleias alimentadas a hamburgers e ansiosas por ver fantasmas com garantia e gaita-de-foles. Pois! Em vez disso, olhei para Tracey de pé entre filas de vestidos indiferentes, o olhar suplicante perdido na face incrivelmente ruborizada, mãos brancas, de tão apertadas à volta do futuro; imaginei, egoísta, aquele seu modo de me saltar para o colo e sugerir orgias alimentares porque uma inglesa decente não menciona as outras. Quis dar a mim próprio o prazer imenso de lhe ver aquela sua felicidade infecciosa e resmunguei para o sobrinho do Tio Sam – “tudo, é tudo para vender, preciso do dinheiro para ser famoso sem o desejar”. E de repente – não fosse o Diabo tecê-las – ouvi-me pôr em respeito os dólares gulosos dele – “Tudo para vender, tudo excepto a rapariga!”
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Honra lhe seja!
Médico confessa ter retirado tubo de ar a Welby
Italiano pedia suspensão de tratamento que o mantinha vivo
O primeiro anúncio da morte de Piergiorgio Welby - um italiano de 60 anos, que sofria há 30 de distrofia muscular e pedia a suspensão do tratamento que o mantinha vivo - dava conta que esta havia acontecido naturalmente. Mas, pouco depois, surgiu uma confissão, a do médico Mário Riccio, que reconheceu ter retirado a Welby o tubo lhe fornecia oxigénio.
«Acedi à sua petição de morrer», revelou o médico anestesista do hospital de Crémone, numa conferência de imprensa, realizada em Roma, em que disse ainda ter administrado ao paciente medicação com a finalidade de lhe evitar uma morte dolorosa.
O caso de Welby - cuja vida dependia desde 1997 de um respirador artificial e era alimentado por uma sonda - gerou um amplo debate sobre a eutanásia em Itália que dividiu as forças políticas. O Partido Radical Italiano apoiou-o nas últimas semanas e foi o seu presidente, Marco Panella, que deu a notícia ao país através da rádio.
Welby recorreu aos tribunais para que os médicos lhe suspendessem a respiração assistida após sedação terapêutica, mas uma juíza do Tribunal Civil de Roma, Ângela Salvio, considerou que se tratava de «um direito não tutelado concretamente no ordenamento jurídico».
Em Setembro passado, o homem de 60 anos havia enviado uma vídeo-mensagem ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, em que mostrava as suas condições e pedia o direito a decidir livremente morrer.
«A vida é como uma mulher que te deixa»
Na mensagem descodificada pelo sintetizador de voz que o permitia comunicar, Welby explicou: «Eu amo a vida. A vida é como uma mulher que ama, o vento no cabelo, o Sol na cara. A vida é também uma mulher que te deixa num dia de chuva».
E acrescenta: «Agora o meu corpo já não é meu, está à mercê de médicos, familiares e assistentes (...). Se fosse Suíço, holandês ou belga, poderia poupar-me a tudo isso. Mas sou italiano e aqui não há piedade», disse.
Italiano pedia suspensão de tratamento que o mantinha vivo
O primeiro anúncio da morte de Piergiorgio Welby - um italiano de 60 anos, que sofria há 30 de distrofia muscular e pedia a suspensão do tratamento que o mantinha vivo - dava conta que esta havia acontecido naturalmente. Mas, pouco depois, surgiu uma confissão, a do médico Mário Riccio, que reconheceu ter retirado a Welby o tubo lhe fornecia oxigénio.
«Acedi à sua petição de morrer», revelou o médico anestesista do hospital de Crémone, numa conferência de imprensa, realizada em Roma, em que disse ainda ter administrado ao paciente medicação com a finalidade de lhe evitar uma morte dolorosa.
O caso de Welby - cuja vida dependia desde 1997 de um respirador artificial e era alimentado por uma sonda - gerou um amplo debate sobre a eutanásia em Itália que dividiu as forças políticas. O Partido Radical Italiano apoiou-o nas últimas semanas e foi o seu presidente, Marco Panella, que deu a notícia ao país através da rádio.
Welby recorreu aos tribunais para que os médicos lhe suspendessem a respiração assistida após sedação terapêutica, mas uma juíza do Tribunal Civil de Roma, Ângela Salvio, considerou que se tratava de «um direito não tutelado concretamente no ordenamento jurídico».
Em Setembro passado, o homem de 60 anos havia enviado uma vídeo-mensagem ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, em que mostrava as suas condições e pedia o direito a decidir livremente morrer.
«A vida é como uma mulher que te deixa»
Na mensagem descodificada pelo sintetizador de voz que o permitia comunicar, Welby explicou: «Eu amo a vida. A vida é como uma mulher que ama, o vento no cabelo, o Sol na cara. A vida é também uma mulher que te deixa num dia de chuva».
E acrescenta: «Agora o meu corpo já não é meu, está à mercê de médicos, familiares e assistentes (...). Se fosse Suíço, holandês ou belga, poderia poupar-me a tudo isso. Mas sou italiano e aqui não há piedade», disse.
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Até onde podem ir a estupidez e o medo?
FBI divulga ficheiros secretos de Lennon
2006/12/20 22:37
Documentos estiveram 25 anos arredados dos olhares públicos porque eram «ameaça»
O FBI divulgou os últimos dez documentos secretos relativos ao assassinato de John Lennon e que ficaram escondidos dos olhares públicos durante 25 anos, supostamente para evitar uma «retaliação militar» contra os Estados Unidos.
De acordo com a «Reuters», os arquivos continham apenas informações já conhecidas sobre as ligações de Lennon a líderes esquerdistas e grupos pacifistas de Londres, em 1970 e 1971.
A revelação foi feita pelo professor de História na Universidade da Califórnia em Irvine, John Wiener.
«Hoje vemos que o argumento da segurança nacional utilizado pelo FBI há 25 anos é absurdo. O arquivo de Lennon no FBI é um caso clássico de segredo excessivo por parte do governo», disse Wiener em comunicado.
Entre os documentos divulgados há um que afirma que Lennon «é um revolucionário ... pelo conteúdo de algumas de suas músicas».
Outro arquivo refere que o ex-Beatle fez campanha pacifista e prometeu financiar uma livraria de esquerda em Londres. Um terceiro documento descreve uma entrevista de Lennon ao jornal Red Mole de Londres, na qual o cantor «enfatizou o seu historial proletário e a sua solidariedade para com os oprimidos e desfavorecidos da Grã-Bretanha e do mundo».
Wiener requisitou os arquivos pela primeira vez em 1981. Depois de uma batalha judicial que chegou até ao Supremo Tribunal dos EUA, o professor conseguiu consultar mais de 300 páginas de arquivos sobre Lennon, isto em 1997.
Mas dez documentos continuaram secretos, sob a alegação de que afetavam a segurança nacional. O FBI declarou nos tribunais norte-americanos, em 1983, que a divulgação desses documentos poderia «levar a retaliações diplomáticas, económicas e militares contra os Estados Unidos».
Wiener descreveu a sua cruzada num livro que serviu de base ao documentário «The U.S. versus John Lennon» e publicou documentos aqui
«Duvido que o governo de Tony Blair lance um ataque militar contra os Estados Unidos em retaliação pela divulgação destes documentos», ironizou.
Lennon, autor do tema pacifista «Imagine», foi assassinado, em Dezembro de 1980, em Nova Iorque, por um fã perturbado.
2006/12/20 22:37
Documentos estiveram 25 anos arredados dos olhares públicos porque eram «ameaça»
O FBI divulgou os últimos dez documentos secretos relativos ao assassinato de John Lennon e que ficaram escondidos dos olhares públicos durante 25 anos, supostamente para evitar uma «retaliação militar» contra os Estados Unidos.
De acordo com a «Reuters», os arquivos continham apenas informações já conhecidas sobre as ligações de Lennon a líderes esquerdistas e grupos pacifistas de Londres, em 1970 e 1971.
A revelação foi feita pelo professor de História na Universidade da Califórnia em Irvine, John Wiener.
«Hoje vemos que o argumento da segurança nacional utilizado pelo FBI há 25 anos é absurdo. O arquivo de Lennon no FBI é um caso clássico de segredo excessivo por parte do governo», disse Wiener em comunicado.
Entre os documentos divulgados há um que afirma que Lennon «é um revolucionário ... pelo conteúdo de algumas de suas músicas».
Outro arquivo refere que o ex-Beatle fez campanha pacifista e prometeu financiar uma livraria de esquerda em Londres. Um terceiro documento descreve uma entrevista de Lennon ao jornal Red Mole de Londres, na qual o cantor «enfatizou o seu historial proletário e a sua solidariedade para com os oprimidos e desfavorecidos da Grã-Bretanha e do mundo».
Wiener requisitou os arquivos pela primeira vez em 1981. Depois de uma batalha judicial que chegou até ao Supremo Tribunal dos EUA, o professor conseguiu consultar mais de 300 páginas de arquivos sobre Lennon, isto em 1997.
Mas dez documentos continuaram secretos, sob a alegação de que afetavam a segurança nacional. O FBI declarou nos tribunais norte-americanos, em 1983, que a divulgação desses documentos poderia «levar a retaliações diplomáticas, económicas e militares contra os Estados Unidos».
Wiener descreveu a sua cruzada num livro que serviu de base ao documentário «The U.S. versus John Lennon» e publicou documentos aqui
«Duvido que o governo de Tony Blair lance um ataque militar contra os Estados Unidos em retaliação pela divulgação destes documentos», ironizou.
Lennon, autor do tema pacifista «Imagine», foi assassinado, em Dezembro de 1980, em Nova Iorque, por um fã perturbado.
Ou seja: nenhum macho verdadeiro pode queixar-se de agressão por parte da frágil companheira...
Não há violência doméstica entre homossexuais
Juízes consideram que não há crime quando o casal é do mesmo sexo
A Associação Sindical de Juízes considera que não pode haver crime de violência doméstica quando o casal é composto por duas pessoas do mesmo sexo, escreve hoje o Diário de Notícias.
Pedro Albergaria, um dos autores do parecer, diz que não estando previsto no Código Civil o casamento de pessoas do mesmo sexo, não se pode estabelecer no Código Penal que a violência entre casais homossexuais constitua um crime específico dos relacionamentos conjugais ou paraconjugais.
De acordo com este juiz também «não está minimamente demonstrado que estas situações (de violência) existem» sendo que o legislador deve legislar sobre o que geralmente acontece e não sobre o que pode acontecer.
No parecer da Associação, os juízes consideram mesmo que «a protecção da família enquanto composta por cônjuges do mesmo sexo tem um notório - e apenas esse - valor de bandeira ideológica, uma função, por assim dizer, promocional».
O coordenador da Unidade de Missão para a Reforma do Código Penal, Rui Pereira, discorda do parecer da Associação Sindical de juízes lembrando que «há pessoas do mesmo sexo a viver em união de facto», situação que a lei já prevê.
«Se há violência nessa relação, a tutela jurídica não pode fechar os olhos», adianta. «O crime em causa envolve violência física e psíquica, e não é necessariamente o mais forte fisicamente que maltrata o outro», como defende o parecer, refere Rui Pereira.
Segundo o coordenador da Missão para a Reforma do Código Penal, se assim fosse «nenhum homem poderia apresentar queixa por levar pancada de outro homem em qualquer circunstância, ou uma mulher por ser agredida por outra mulher».
Rui Pereira disse ainda, em declarações ao Diário de Notícias, que «foram preocupações da revisão do Código Penal a consagração da igualdade na prática, no que respeita à orientação sexual, de acordo com a norma constitucional». Para a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, a inclusão das uniões de facto homossexuais na definição de crime de violência doméstica «é pacífica», lembrando contudo que a maioria das situações de violência que são relatadas se podem definir como de «violência de género».
P.S. Quanto à expressão "função promocional", entendida como único objectivo de uma soi-disante "protecção da família" não tecerei comentários, de tão evidente o preconceito.
Juízes consideram que não há crime quando o casal é do mesmo sexo
A Associação Sindical de Juízes considera que não pode haver crime de violência doméstica quando o casal é composto por duas pessoas do mesmo sexo, escreve hoje o Diário de Notícias.
Pedro Albergaria, um dos autores do parecer, diz que não estando previsto no Código Civil o casamento de pessoas do mesmo sexo, não se pode estabelecer no Código Penal que a violência entre casais homossexuais constitua um crime específico dos relacionamentos conjugais ou paraconjugais.
De acordo com este juiz também «não está minimamente demonstrado que estas situações (de violência) existem» sendo que o legislador deve legislar sobre o que geralmente acontece e não sobre o que pode acontecer.
No parecer da Associação, os juízes consideram mesmo que «a protecção da família enquanto composta por cônjuges do mesmo sexo tem um notório - e apenas esse - valor de bandeira ideológica, uma função, por assim dizer, promocional».
O coordenador da Unidade de Missão para a Reforma do Código Penal, Rui Pereira, discorda do parecer da Associação Sindical de juízes lembrando que «há pessoas do mesmo sexo a viver em união de facto», situação que a lei já prevê.
«Se há violência nessa relação, a tutela jurídica não pode fechar os olhos», adianta. «O crime em causa envolve violência física e psíquica, e não é necessariamente o mais forte fisicamente que maltrata o outro», como defende o parecer, refere Rui Pereira.
Segundo o coordenador da Missão para a Reforma do Código Penal, se assim fosse «nenhum homem poderia apresentar queixa por levar pancada de outro homem em qualquer circunstância, ou uma mulher por ser agredida por outra mulher».
Rui Pereira disse ainda, em declarações ao Diário de Notícias, que «foram preocupações da revisão do Código Penal a consagração da igualdade na prática, no que respeita à orientação sexual, de acordo com a norma constitucional». Para a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, a inclusão das uniões de facto homossexuais na definição de crime de violência doméstica «é pacífica», lembrando contudo que a maioria das situações de violência que são relatadas se podem definir como de «violência de género».
P.S. Quanto à expressão "função promocional", entendida como único objectivo de uma soi-disante "protecção da família" não tecerei comentários, de tão evidente o preconceito.
terça-feira, dezembro 19, 2006
Dores de crescimento.
Ninguém consegue proteger alguém para sempre.
Arturo Pérez-Reverte, O Cemitério dos Barcos sem Nome.
Arturo Pérez-Reverte, O Cemitério dos Barcos sem Nome.
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Viktorada.
O Viktor teve a gentileza de me ensinar a colocar um atalho no blog para as Produções Murcónicas. O mais extraordinário é que enquanto eu me debatia com um diagnóstico de erro por parte da besta, ele me enviava um mail a dizer que tudo estava a funcionar:). Decididamente não nasci para material tão caprichoso! Como dizem os mecânicos de automóveis - é fêmea:).
sábado, dezembro 16, 2006
No rescaldo da infamante estreia:).
Ainda na Galiza, verifico que a brincadeira das produções murcon já está "no ar". Quero agradecer o desvelo do Viktor, do Pedro e de quem preferiu manter o anonimato. Quanto a mim, devo confessar que me deu gozo filmar isto, não se tratou apenas de provar a minha gratidão ao "maralhal". Vivemos tempos de sujeição escrava às audiências, o que limita as escolhas de temas e formatos. As produções murcon presentearam-me com o privilégio de associar livremente sobre o que me desse na gana. Por isso da próxima vez falarei de Ovídio, sem que alguém me peça para "apimentar" o programa ou convidar a estrela cadente do momento. O "programa" será mais curto, penso que 15 minutos é o tempo ideal. Mas, acima de tudo!, será espontâneo; artesanal; livre. Sem preço:)))))).
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Circular.
Solicitou-me a Assembleia Geral das Produções Murcónicas - infame organização que tem por objectivo levar ao nível zero a qualidade do audio-visual! - que informe o maralhal do seguinte: a qualquer momento será colocado no Murcon o presente natalício (obviamente envenenado...) da sinistra empresa para todos os murcónicos.
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Galiza sempre.
De partida para Santiago. Em trabalho. Mas a sensação é a do costume - regressar a caminhos percorridos dezenas de vezes, abraçar amigos da outra margem do rio, folhear recordações; muitas. E sentir-me em casa:).
terça-feira, dezembro 12, 2006
Não me surpreende, mas gostaria de ver comparados estatutos socio-económicos.
Um estudo da Associação para o Planeamento da Família, a ser apresentado na quarta-feira, conclui que um terço das mulheres que fizeram Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) teve necessidade de recorrer a um serviço de saúde para completar o aborto.
O estudo, realizado com base sobre as práticas do aborto em Portugal e que recorreu a inquéritos a 2.000 mulheres, conclui que cerca de 14,5% das mulheres entre os 18 e os 49 anos já fez uma IVG.De acordo com os dados apurados por esta associação, entre 346 mil a 363 mil mulheres portuguesas já realizaram abortos. No último ano foram realizados entre 17.260 a 18 mil abortos.A Associação para o Planeamento da Família conclui ainda que a grande maioria das mulheres fez um único aborto e que cerca de 73% das mulheres que realizaram IVG fizeram-no até às 10 semanas de gestação.
Correio da Manhã.
O estudo, realizado com base sobre as práticas do aborto em Portugal e que recorreu a inquéritos a 2.000 mulheres, conclui que cerca de 14,5% das mulheres entre os 18 e os 49 anos já fez uma IVG.De acordo com os dados apurados por esta associação, entre 346 mil a 363 mil mulheres portuguesas já realizaram abortos. No último ano foram realizados entre 17.260 a 18 mil abortos.A Associação para o Planeamento da Família conclui ainda que a grande maioria das mulheres fez um único aborto e que cerca de 73% das mulheres que realizaram IVG fizeram-no até às 10 semanas de gestação.
Correio da Manhã.
Estou de acordo, não creio em "fronteiras" biológicas.
Cientistas rejeitam conceito de «pré-embrião»
2006/12/12 20:47
E defendem o mesmo «estatuto biológico» do adulto
Mais de 200 cientistas e professores universitários tornaram público, esta segunda-feira, um manifesto no qual mostram a sua oposição em relação a alguns dos conteúdos do Projecto de Lei de Pesquisa em Biomedicina, que se debaterá na próxima quinta-feira no Congresso dos Deputados da Espanha.
Segundo escreve a Veritas, agência católica de notícias espanhola, o manifesto - promovido por Luis Franco Vera, da Real Academia de Ciências Exatas, Físicas e Naturais e catedrático de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade de Valência - foi assinado por 14 académicos, dois cientistas premiados com o Prêmio Jaime I, 39 catedráticos universitários e mais de 150 pesquisadores e professores.
Segundo a Veritas, o manifesto afirma que, «de um ponto de vista estritamente científico», «não têm sentido as distinções semânticas como a que se introduz ao chamar pré-embrião ao embrião obtido por fecundação in vitro».
Os cientistas assinalam que há dados que tornam «inadmissível desde um ponto biológico identificar o embrião como uma simples massa de células, nem sequer nos dias anteriores à sua implantação», e acrescentam que o embrião é «um organismo individual da espécie Homo Sapiens, certamente em estado incipiente de desenvolvimento, mas não por isso merecedor de um estatuto biológico distinto do adulto».
2006/12/12 20:47
E defendem o mesmo «estatuto biológico» do adulto
Mais de 200 cientistas e professores universitários tornaram público, esta segunda-feira, um manifesto no qual mostram a sua oposição em relação a alguns dos conteúdos do Projecto de Lei de Pesquisa em Biomedicina, que se debaterá na próxima quinta-feira no Congresso dos Deputados da Espanha.
Segundo escreve a Veritas, agência católica de notícias espanhola, o manifesto - promovido por Luis Franco Vera, da Real Academia de Ciências Exatas, Físicas e Naturais e catedrático de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade de Valência - foi assinado por 14 académicos, dois cientistas premiados com o Prêmio Jaime I, 39 catedráticos universitários e mais de 150 pesquisadores e professores.
Segundo a Veritas, o manifesto afirma que, «de um ponto de vista estritamente científico», «não têm sentido as distinções semânticas como a que se introduz ao chamar pré-embrião ao embrião obtido por fecundação in vitro».
Os cientistas assinalam que há dados que tornam «inadmissível desde um ponto biológico identificar o embrião como uma simples massa de células, nem sequer nos dias anteriores à sua implantação», e acrescentam que o embrião é «um organismo individual da espécie Homo Sapiens, certamente em estado incipiente de desenvolvimento, mas não por isso merecedor de um estatuto biológico distinto do adulto».
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Paris.
Paris continua a ser uma cidade ideal para andarilhos claustrofóbicos. E lá a calcorreei, ainda barafustando contra o horror vivido na Eurodisney. Dois momentos se empoleiram nos outros, quando revisito o fim-de-semana: quatro "rapazes do meu tempo", lançados num jazz eufórico em plena ponte sobre o Sena, e os jovens que tocavam música clássica na minha querida Place des Vosges. Mas nada chegou aos sorrisos maravilhados de um par de rufiolas irrecuperáveis: os Machadinhos!
P.S. Em quatro dias o Benfica perdeu os oitavos de final da Liga dos Campeões e a Liga Portuguesa. Como de costume, o Engenheiro Fernando Santos identificou as razões para os insucessos e não duvido que haverá mais uma longa conversa no balneário. É um alívio! Passamos o Natal já derrotados, mas lúcidos:))))))).
P.S. Em quatro dias o Benfica perdeu os oitavos de final da Liga dos Campeões e a Liga Portuguesa. Como de costume, o Engenheiro Fernando Santos identificou as razões para os insucessos e não duvido que haverá mais uma longa conversa no balneário. É um alívio! Passamos o Natal já derrotados, mas lúcidos:))))))).
sábado, dezembro 09, 2006
Às ordens do Gaspar e do Tiago.
Sartre escreveu que o Inferno são os outros. Permito-me aprimorar o conceito - o Inferno são os outros..., na Eurodisney. Irra!
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Ingenuamente (?) desonesto. E ridículo...
A sondagem dos homens grávidos Fernanda Cânciofernanda.m.cancio@dn.pt
Se estivesse grávido e atravessasse um momento de dificuldade ou dúvida sobre a gravidez, quereria abortar ou ajuda para levar a gestação a termo? A pergunta só pode ser retórica: toda a gente sabe que um homem grávido só pode querer dar à luz. Estão a ver o furor planetário, a chuva de talk shows, donativos e parangonas, a fama instantânea? Quem é que no seu juízo perfeito optaria pelo aborto? Isto sem esquecer, é claro, a alegria da, como chamar-lhe, pater-maternidade? Claro que, todos sabemos, isto não pode ser, pelo menos por enquanto. Quer dizer: todos, não. Há sempre gente que resiste, há sempre gente que diz não. São, precisamente, as pessoas portuguesas da Plataforma do Não, que se apresentaram esta semana com uma sondagem de três singelas perguntas, qualquer delas, assim como as opções de resposta, um prodígio de manipulação. A primeira pergunta é a já citada, sendo que a ficha técnica da sondagem (ver em www.nao--obrigada.org/sondagem) especifica que o universo de respondentes consistiu "nos residentes portugueses com 18 ou mais anos". Incluindo homens, portanto, que foram ques- tionados sobre o que fariam se estivessem "grávida". Parece a brincar, mas não é. As pessoas que encomendaram esta sondagem estão muito a sério. E felizes com o facto de entre três possíveis respostas - "Ser encaminhada para uma clínica onde lhe fizessem o aborto de imediato e sem risco para a saúde"; "Que o aborto fosse livre para poder abortar sem ser crime" ou "Ser ajudada e apoiada a manter a gravidez e poder manter o bebé" - a maioria, 75,6%, ter escolhido a última. A pergunta não é, note-se, sobre "não querer a gravidez". É sobre "dúvidas". Não fala em prazos. Não fala sobre perseguição penal ou sobre o que deve acontecer às mulheres que abortam. Nenhuma das perguntas o faz. Nenhuma incide sobre o que está em causa no referendo de 11 de Fevereiro: despenalizar a interrupção da gravidez até às dez semanas. Talvez não deva surpreender que haja quem encomende uma sondagem assim. Mas que um centro de sondagens que se apresenta como de referência - o da Universidade Católica - aceite fazê-la e a assine é um pouco chocante. Talvez se deva então assinalar um novo tipo de centros de sondagem. Os "de tendência".
Se estivesse grávido e atravessasse um momento de dificuldade ou dúvida sobre a gravidez, quereria abortar ou ajuda para levar a gestação a termo? A pergunta só pode ser retórica: toda a gente sabe que um homem grávido só pode querer dar à luz. Estão a ver o furor planetário, a chuva de talk shows, donativos e parangonas, a fama instantânea? Quem é que no seu juízo perfeito optaria pelo aborto? Isto sem esquecer, é claro, a alegria da, como chamar-lhe, pater-maternidade? Claro que, todos sabemos, isto não pode ser, pelo menos por enquanto. Quer dizer: todos, não. Há sempre gente que resiste, há sempre gente que diz não. São, precisamente, as pessoas portuguesas da Plataforma do Não, que se apresentaram esta semana com uma sondagem de três singelas perguntas, qualquer delas, assim como as opções de resposta, um prodígio de manipulação. A primeira pergunta é a já citada, sendo que a ficha técnica da sondagem (ver em www.nao--obrigada.org/sondagem) especifica que o universo de respondentes consistiu "nos residentes portugueses com 18 ou mais anos". Incluindo homens, portanto, que foram ques- tionados sobre o que fariam se estivessem "grávida". Parece a brincar, mas não é. As pessoas que encomendaram esta sondagem estão muito a sério. E felizes com o facto de entre três possíveis respostas - "Ser encaminhada para uma clínica onde lhe fizessem o aborto de imediato e sem risco para a saúde"; "Que o aborto fosse livre para poder abortar sem ser crime" ou "Ser ajudada e apoiada a manter a gravidez e poder manter o bebé" - a maioria, 75,6%, ter escolhido a última. A pergunta não é, note-se, sobre "não querer a gravidez". É sobre "dúvidas". Não fala em prazos. Não fala sobre perseguição penal ou sobre o que deve acontecer às mulheres que abortam. Nenhuma das perguntas o faz. Nenhuma incide sobre o que está em causa no referendo de 11 de Fevereiro: despenalizar a interrupção da gravidez até às dez semanas. Talvez não deva surpreender que haja quem encomende uma sondagem assim. Mas que um centro de sondagens que se apresenta como de referência - o da Universidade Católica - aceite fazê-la e a assine é um pouco chocante. Talvez se deva então assinalar um novo tipo de centros de sondagem. Os "de tendência".
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