segunda-feira, março 31, 2008
Tac-tac-tac...
Em Cantelães os pássaros bicam os vidros da casa. Narcisos alados ou namoradeiros enganados:)?
sexta-feira, março 28, 2008
Em resposta ao Nuno:).
O telefone toca, é o jornalista da Lusa. Desesperado no engarrafamento... Pede um depoimento sobre os dez anos do Viagra, eu respondo que apenas posso falar como psi e ele diz ser isso que pretende. Eu debito um par de banalidades e - como de costume! - divago. Saliento que sou contra a utilização desse tipo de medicamentos como placebos, têm indicações médicas precisas. Que não desejo menosprezar, claro! E lanço-me numa dissertação sobre a melhoria da qualidade de vida para homens e casais que antes não podíamos ajudar. Não li as declarações publicadas, mas daí a frase - coloquial, risonha, mas - sublinho! - não off record. Eu e a minha big mouth:). Uma vez o Independente citava a seguinte pérola: "Só Deus sabe como é difícil uma relação sexual a dois, quanto mais a três" (ou algo de muito semelhante...). Autor? O desbocado JMV! "Só Deus sabe..." Os meus neurónios, distraídos e de formatação católica, não resistem a divertir-se à minha custa:).
P.S. Acho que lembrei, era menos "libertária" - qualquer coisa do género, "Sabe Deus como é difícil a intimidade física, quanto mais a psicológica".
P.S. Acho que lembrei, era menos "libertária" - qualquer coisa do género, "Sabe Deus como é difícil a intimidade física, quanto mais a psicológica".
quarta-feira, março 26, 2008
Jantar.
A tribo reunida no Franganito. Devoro aquele bife há quase quarenta anos. Entretanto o senhor Manuel reformou-se e o Sebastião, seu filho, abriu outro restaurante. O bife definhou, mas eu não gosto de trair rituais, continuo a ir. E de repente o Sebastião apareceu e o je agarrou-se a ele como ao Redentor - "Sebastião, salve o bife do antigamente!". Ele sorriu. Foi à cozinha e regressou com o sorriso cúmplice que sempre me deliciou - "peço desculpa, mais dez minutos". Esperei, descarregando a fome de cão nos "moletes" e no Montevelho. E de repente - ó milagre! - bifes gémeos dos avós:). A algazarra, a ternura, os abraços de despedida que o não são, esta certeza que me conforta, empurra, mantém vivo - as amizades verdadeiras sobrevivem ao ritmo alucinante das nossas vidas, a telemóveis silenciosos, a promessas de encontros não cumpridas. Porque não albergam a dúvida que enferruja...
Edith.
Por mero acaso, tropecei no filme sobre Piaf quando me ia deitar. Fiz meia-volta, a sua voz é chave de baú atafulhado de recordações. "Je ne regrette rien" como cena final. Muitos o dizem, poucos o sentem. Mas não duvido que Edith se imolou pelo amor e nunca se arrependeu.
domingo, março 23, 2008
Páscoa.
Madalena, com surpresa envergonhada,
- Venceste a morte, Senhor, voltaste para junto de nós.
E Ele, sorrindo com doçura,
- Madalena, o Filho de Deus morreu na cruz por todos. Espero que tenha valido a pena, embora duvide, o futuro o dirá. É justo que o Filho do Homem viva o presente, até agora não lhe sobrou tempo para isso - voltei para junto de ti.
Nunca mais foram vistos, mas reza a lenda que não sentiram saudades da vida pública.
- Venceste a morte, Senhor, voltaste para junto de nós.
E Ele, sorrindo com doçura,
- Madalena, o Filho de Deus morreu na cruz por todos. Espero que tenha valido a pena, embora duvide, o futuro o dirá. É justo que o Filho do Homem viva o presente, até agora não lhe sobrou tempo para isso - voltei para junto de ti.
Nunca mais foram vistos, mas reza a lenda que não sentiram saudades da vida pública.
terça-feira, março 18, 2008
Ámen:(.
Um amigo chega e pede uma opinião, já tendo escolhido o que deseja ouvir. Um tipo sabe que não pode trair a amizade, mas fala com o entusiasmo de quem caminha para o cadafalso. As lágrimas em olhos que reflectem e acusam os nossos. E a oração cá dentro prostra-se frente a vários altares: "Deus, vida vivida, as outras escutadas, livros devorados, intuição errática, sorte caprichosa, fazei com que me tenha enganado e não sofra!".
quinta-feira, março 13, 2008
Cinema.
Vi o filme dos irmãos Cohen. Devo dizer que tendo ganho o óscar para melhor filme de 2007 faz-me pensar que a colheita não foi das melhores. O que não significa desilusão. Pela obra perpassa uma surpresa amedrontada e nostálgica em face do presente, corporizada num discurso idealizado sobre os "bons velhos tempos", em que os xerifes não usavam armas. (O que não deixa de ser divertido, se pensarmos no velho Oeste.) Tommy Lee Jones tem dois momentos magníficos, "à custa" do argumento: a extraordinária descrição de assassinos que matavam velhos casais para lhes receber as reformas, não sem os torturarem primeiro, "talvez a televisão estivesse avariada...", adianta ele, à laia de explicação:); e o sonho final, quando já reformado conta que viu o Pai, carregando uma luz e à sua espera. Diria que preferi de longe a interpretação dele à rigidez facial permanente do psicopata. Jones exibe uma perplexidade comovente, que desagua numa reforma que pressentimos já angustiada e que justifica a nostalgia da figura parental. (Coincidência curiosa - assinei hoje os papéis para a reforma, espero não me ficar pelo seu dilema: ando a cavalo ou arrumo a casa?:)).
terça-feira, março 11, 2008
Durmam bem.
O PSD parece empenhado em roubar aos portugueses uma alternativa credível ao PS, o que em Democracia é trágico. Esta caça às bruxas pífia, com Rui Rio e António Capucho na berlinda, desafia a imaginação. Em geral, o Governo perde as eleições e a oposição limita-se a colher os frutos, Menezes arrisca-se a inverter a tendência. Quanto ao PS, já ouvi a palavra "flexibilidade de posições" pronunciada por um responsável do Ministério da Educação. Sei o que tal eufemismo significa:))))))).
domingo, março 09, 2008
Breves.
Muito satisfeito com a vitória do PSOE. Vi os dois debates entre os líderes e achei que Rajoy destilava ressentimento e intolerância. Mas não foi apenas ele a perder, a Igreja Católica - desnecessariamente... - acompanha-o, de tal forma investiu no "mundo temporal".
Camacho fez o que devia. Quando um treinador diz após um jogo que não sabe o que se passa com a equipa e se declara incapaz de motivar os jogadores, fica-lhe bem assumir tal impotência. Alguns de vocês dirão que deixa o clube numa posição periclitante nas várias frentes. É verdade. Mas não creio que pudesse acrescentar algo aos desempenhos lamentáveis a que vimos assistindo.
A ideia do PS de reunir as hostes no Porto é infeliz, cheira a ridículo desagravo. O artigo de António Barreto no Público coloca bem a questão: não se trata de decretar que nada do que o Ministério fez tem valor, mas de salientar os erros e - diria eu... - sobretudo um estilo. A "febre explicativa" de que vem sofrendo a Ministra nos últimos dias não escamoteia um passado próximo de evidente arrogância.
Camacho fez o que devia. Quando um treinador diz após um jogo que não sabe o que se passa com a equipa e se declara incapaz de motivar os jogadores, fica-lhe bem assumir tal impotência. Alguns de vocês dirão que deixa o clube numa posição periclitante nas várias frentes. É verdade. Mas não creio que pudesse acrescentar algo aos desempenhos lamentáveis a que vimos assistindo.
A ideia do PS de reunir as hostes no Porto é infeliz, cheira a ridículo desagravo. O artigo de António Barreto no Público coloca bem a questão: não se trata de decretar que nada do que o Ministério fez tem valor, mas de salientar os erros e - diria eu... - sobretudo um estilo. A "febre explicativa" de que vem sofrendo a Ministra nos últimos dias não escamoteia um passado próximo de evidente arrogância.
quarta-feira, março 05, 2008
Breves.
No Algarve, para falar a colegas de Clínica Geral. Com enorme prazer:). Nesta época de super-especialização desenfreada, eles tornam-se cada vez mais a base da Medicina que acolhe de braços abertos cada nova descoberta tecnológica, mas para a aplicar à relação médico-doente, às narrativas de vida, à visão holística da pessoa que sofre, e não à Doença que habita - por capricho:) - aquela pessoa azarada.
É obsceno que se mantenham os preços das portagens da A1 com quilómetros e quilómetros em obras.
Gosto de Camacho, embora discordemos amiúde a respeito de tácticas e substituições. Também sei o que é pensar de manhã se o nosso Pai sobreviverá mais um dia. Não deve ter sido fácil estar no banco em Alvalade. Daqui lhe mando um abraço.
É obsceno que se mantenham os preços das portagens da A1 com quilómetros e quilómetros em obras.
Gosto de Camacho, embora discordemos amiúde a respeito de tácticas e substituições. Também sei o que é pensar de manhã se o nosso Pai sobreviverá mais um dia. Não deve ter sido fácil estar no banco em Alvalade. Daqui lhe mando um abraço.
God forbid!
Tudo indica que Obama será o candidato dos Democratas em Novembro. E o psi balança entre a saliva e a preocupação: como resistirá este pregador brilhante da mudança aos corredores do poder, se for eleito? E se a chama se acinzentar, como reagirão os americanos que abraçaram um movimento de fé, mais do que um projecto político? Com toda a franqueza, achei Hillary mais sólida nos debates e creio que o género e as "dinastias" contaram mais do que a cor de pele. Mas como se resiste a um sonho de regeneração, desenhado sobre o pano de fundo de Kennedy e Luther King? Afinal, assisti a uma entrevista de uma senadora que apoiava Obama e não conseguia apontar uma só medida significativa lançada por ele! Ná, isto foi mais do que experiência vs. mudança; foi uma catarse colectiva, a nostalgia de um recomeço do sonho americano à revelia dos "jogos políticos", do Pentágono, dos lobbies. Que, todos o sabemos, irão sobreviver a esta eleição... Como lidará Obama com tal espartilho? Espero bem que não abane a cabeça, descoroçoado, e suspire - "That's life!". Palavra que o acuso de plágio:).
sábado, março 01, 2008
A propósito.
O PS depara-se com dois erros básicos a evitar: o primeiro, a tentação de se crispar, arrogante, muralhas adentro, decretando prenhas de segundas intenções críticas e queixas. Seria injusto e afastaria Partido e Governo do povo que servem. Erros de substância e forma aconteceram, é preciso admiti-los, corrigi-los e seguir adiante, sem manobras de esquiva para salvar a face, nada a enobrece tanto como olhar os outros de frente. O segundo, ceder a uma qualquer deriva eleitoralista, que tornaria inúteis os sacrifícios e mereceria aplausos momentâneos, mas nunca o respeito duradouro. Acontece que só o respeito dos eleitores, mesmo eivado de algum amuo, poderá levar o PS a uma vitória nas próximas eleições que não se baseie, melancólica - eu diria envergonhada! -, na falta de qualidade da alternativa. Paradoxalmente, bicéfala, e no entanto incapaz de nos brindar com ao menos uma ideia sólida de e para Portugal.
Na minha intervenção sobre a lei da paridade nas Novas Fronteiras, senti-me na obrigação de deixar este recado ao PS. No que à Educação diz respeito, com toda a franqueza, acho que é demasiado tarde para corrigir o primeiro erro. Esta Ministra, na sua timidez agressiva, foi longe de mais no autismo. Mesmo as propostas mais justificadas e a recente disponibilidade para o diálogo - forçado... - serão, creio, incapazes de pacificar a situação. Partir seria o melhor serviço que poderia prestar ao País.
Na minha intervenção sobre a lei da paridade nas Novas Fronteiras, senti-me na obrigação de deixar este recado ao PS. No que à Educação diz respeito, com toda a franqueza, acho que é demasiado tarde para corrigir o primeiro erro. Esta Ministra, na sua timidez agressiva, foi longe de mais no autismo. Mesmo as propostas mais justificadas e a recente disponibilidade para o diálogo - forçado... - serão, creio, incapazes de pacificar a situação. Partir seria o melhor serviço que poderia prestar ao País.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Trinta e seis anos depois...
Iniciei o processo burocrático para a minha reforma antecipada. Mantive-me atento a variáveis fisiológicas e estados de alma e nem um sobressalto. Tinha razão - é tempo; preciso dele.
domingo, fevereiro 24, 2008
E porque não a polícia de choque?
Lojas inglesas instalam repelente para crianças e adolescentes
Dispositivo emite som de alta freqüência que afugenta só menores de 20 anos de idade. Entidades de defesa dos direitos humanos se unem para banir o aparelho do mercado.
Da Associated Press
Um grupo de defesa dos direitos das crianças e outro de defesa dos direitos humanos se uniram na Inglaterra em uma campanha para banir um aparelho de alta freqüência projetado para afastar crianças e adolescentes com mau comportamento de lojas, shoppping e outros estabelecimentos comerciais. O "repelente de crianças" chamado Mosquito emite um som desagradável em alta freqüência que normalmente só é escutado por ouvidos jovens, com menos de 20 anos. "Esse aparelho é uma medida provisória e não ataca a verdadeira causa do problema", disse Al Aynsley-Green, do English Children Commissioner. Em entrevista à rádio BBC, ele disse que as crianças não têm um lugar onde possam se reunir, a não ser as ruas.
"Acho que isso é um sintoma poderoso do que eu chamo de verdadeiro mal no coração de nossa sociedade", disse ele. "Estou muito preocupado. Vejo um imenso buraco entre os jovens e os velhos, o medo, a intolerância, até mesmo o ódio da geração mais velha pelos jovens." Shami Chakrabarti, diretor do grupo de direitos humanos Liberty, apóia a campanha. "Imagine a indignação que seria provocada se fosse introduzido algo que causasse desconforto a pessoas de uma determinada raça ou gênero, em vez de ser algo com as nossas crianças", disse. "O Mosquito não tem espaço em um país que valoriza suas crianças e procura ensinar a elas dignidade e respeito." O inventor do Mosquito, Howard Stapleton, foi chamado para dar informações sobre como usar o aparelho. "Informamos aos proprietários das lojas para usar o aparelho quando tiverem algum problema. Eu ficaria mais que feliz de estabelecer um contrato que estipulasse como ele pode ser usado", disse ele ao jornal "Western Mail".
Dispositivo emite som de alta freqüência que afugenta só menores de 20 anos de idade. Entidades de defesa dos direitos humanos se unem para banir o aparelho do mercado.
Da Associated Press
Um grupo de defesa dos direitos das crianças e outro de defesa dos direitos humanos se uniram na Inglaterra em uma campanha para banir um aparelho de alta freqüência projetado para afastar crianças e adolescentes com mau comportamento de lojas, shoppping e outros estabelecimentos comerciais. O "repelente de crianças" chamado Mosquito emite um som desagradável em alta freqüência que normalmente só é escutado por ouvidos jovens, com menos de 20 anos. "Esse aparelho é uma medida provisória e não ataca a verdadeira causa do problema", disse Al Aynsley-Green, do English Children Commissioner. Em entrevista à rádio BBC, ele disse que as crianças não têm um lugar onde possam se reunir, a não ser as ruas.
"Acho que isso é um sintoma poderoso do que eu chamo de verdadeiro mal no coração de nossa sociedade", disse ele. "Estou muito preocupado. Vejo um imenso buraco entre os jovens e os velhos, o medo, a intolerância, até mesmo o ódio da geração mais velha pelos jovens." Shami Chakrabarti, diretor do grupo de direitos humanos Liberty, apóia a campanha. "Imagine a indignação que seria provocada se fosse introduzido algo que causasse desconforto a pessoas de uma determinada raça ou gênero, em vez de ser algo com as nossas crianças", disse. "O Mosquito não tem espaço em um país que valoriza suas crianças e procura ensinar a elas dignidade e respeito." O inventor do Mosquito, Howard Stapleton, foi chamado para dar informações sobre como usar o aparelho. "Informamos aos proprietários das lojas para usar o aparelho quando tiverem algum problema. Eu ficaria mais que feliz de estabelecer um contrato que estipulasse como ele pode ser usado", disse ele ao jornal "Western Mail".
terça-feira, fevereiro 19, 2008
O horizonte a vinte metros.
Maria,
Domingo, quando me preparava para deixar Cantelães depois do jogo, o céu a caminho de Vieira parecia benfiquista, de tão vermelho. Mas o fogo ao longe tem algo de televisivo e plastificado. Só quando cheguei ao pomar me apercebi das chamas à direita, por trás da casa; vizinhas. Fiquei especado, repetindo um "não" supersticioso. (Como as crianças, que fecham os olhos perante evidências desagradáveis e esperam já não as ver ao abri-los.) A encosta ardia, alguns ramos do lado de cá do caminho iam-se juntando à procissão. Falei à D.Irene, que chegou num ápice, o marido a reboque. E foi ele a espancar as chamas mais atrevidas, eu fiquei bloqueado, mangueira na mão, à espreita do primeiro assalto ao muro. A GNR irrompeu antes dos bombeiros e cumpriu o seu dever - registou a ocorrência antes dela se dar, "é o proprietário? Onde mora? Rua João de Barros...". E o fogo rondava. Esotérica cena... Susto engolido, a D.Irene resumiu tudo numa frase - "estivesse o vento contra e não havia safa!". Já pensaste, Maria? Imagina que tinha partido mais cedo, ver a bola no Porto, como em geral faço. Ninguém teria reparado naquele foco do incêndio, os outros foram em zonas povoadas. Até hoje, o medo era teórico, agora tornou-se um aperto que não mais me deixará. Estou preparado para a minha precariedade. Para a daquela casa, não:(.
Domingo, quando me preparava para deixar Cantelães depois do jogo, o céu a caminho de Vieira parecia benfiquista, de tão vermelho. Mas o fogo ao longe tem algo de televisivo e plastificado. Só quando cheguei ao pomar me apercebi das chamas à direita, por trás da casa; vizinhas. Fiquei especado, repetindo um "não" supersticioso. (Como as crianças, que fecham os olhos perante evidências desagradáveis e esperam já não as ver ao abri-los.) A encosta ardia, alguns ramos do lado de cá do caminho iam-se juntando à procissão. Falei à D.Irene, que chegou num ápice, o marido a reboque. E foi ele a espancar as chamas mais atrevidas, eu fiquei bloqueado, mangueira na mão, à espreita do primeiro assalto ao muro. A GNR irrompeu antes dos bombeiros e cumpriu o seu dever - registou a ocorrência antes dela se dar, "é o proprietário? Onde mora? Rua João de Barros...". E o fogo rondava. Esotérica cena... Susto engolido, a D.Irene resumiu tudo numa frase - "estivesse o vento contra e não havia safa!". Já pensaste, Maria? Imagina que tinha partido mais cedo, ver a bola no Porto, como em geral faço. Ninguém teria reparado naquele foco do incêndio, os outros foram em zonas povoadas. Até hoje, o medo era teórico, agora tornou-se um aperto que não mais me deixará. Estou preparado para a minha precariedade. Para a daquela casa, não:(.
Literalmente na merda...
Funcionária gostou de praxe com "estrume na cara"
joão girão
Alunos julgados em Santarém por praxe violenta
Helena Silva"Sempre achei as praxes divertidas e pedi para ser praxada. Eles fizeram-me a vontade e diverti-me muito". O depoimento de Maria Arlete Miranda encerrou a sessão de ontem do julgamento de sete alunos da Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS), acusados de praxe violenta a uma aluna, em 2002. Funcionária daquela escola há 22 anos, a mulher contou que os alunos mais velhos a praxaram com "estrume na cara", o que não achou "nada de extraordinário". "Desde que estou na escola que ouço dizer que 'quem não mexe na bosta não se pode considerar um bom engenheiro'", afirmou perante o tribunal, assegurando nunca ter assistido, por parte dos alunos, a qualquer tipo de excesso nas praxes. Foi também isso que alegaram, ao tribunal, outros seis alunos daquela escola. As brincadeiras com bosta de vaca eram, na opinião de todos, uma prática vulgar nas praxes, decorrendo há décadas e que ainda se mantêm. Desta forma, disseram, "os caloiros são confrontados com o seu futuro porque, no fim do curso, é nesse ambiente que vão trabalhar". Sónia Silva, actualmente já formada, contou que a sua praxe foi "ter que empurrar bolas de bosta com o nariz". Uma situação que, de início, a chocou. "Mas estava numa escola agrícola e a tradição era essa por isso, entrei na brincadeira", explicou. A ex-aluna afirmou ainda estar convicta de que qualquer caloiro que se recusasse a cumprir tal tradição não viria a ser penalizado por isso. O mesmo afirmaram os restantes alunos. Sobre a aluna que, em 2002, foi praxada com bosta de vaca - e que veio a apresentar queixa - duas das testemunhas alegaram tê-la ouvido dizer que pretendia declarar-se anti-praxe por vontade da sua mãe. Respondendo às sucessivas perguntas dos advogados e do Procurador do Ministério Público, os jovens foram contando que "ninguém obrigava os caloiros a fazer o que não fosse da sua vontade", que "os veteranos tratavam cordialmente" os recém-chegados à escola (mesmo que o código da praxe dissesse o contrário) e que "os caloiros não tinham autoridade para praxar outros caloiros". O julgamento prossegue no dia 13 de Março.
joão girão
Alunos julgados em Santarém por praxe violenta
Helena Silva"Sempre achei as praxes divertidas e pedi para ser praxada. Eles fizeram-me a vontade e diverti-me muito". O depoimento de Maria Arlete Miranda encerrou a sessão de ontem do julgamento de sete alunos da Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS), acusados de praxe violenta a uma aluna, em 2002. Funcionária daquela escola há 22 anos, a mulher contou que os alunos mais velhos a praxaram com "estrume na cara", o que não achou "nada de extraordinário". "Desde que estou na escola que ouço dizer que 'quem não mexe na bosta não se pode considerar um bom engenheiro'", afirmou perante o tribunal, assegurando nunca ter assistido, por parte dos alunos, a qualquer tipo de excesso nas praxes. Foi também isso que alegaram, ao tribunal, outros seis alunos daquela escola. As brincadeiras com bosta de vaca eram, na opinião de todos, uma prática vulgar nas praxes, decorrendo há décadas e que ainda se mantêm. Desta forma, disseram, "os caloiros são confrontados com o seu futuro porque, no fim do curso, é nesse ambiente que vão trabalhar". Sónia Silva, actualmente já formada, contou que a sua praxe foi "ter que empurrar bolas de bosta com o nariz". Uma situação que, de início, a chocou. "Mas estava numa escola agrícola e a tradição era essa por isso, entrei na brincadeira", explicou. A ex-aluna afirmou ainda estar convicta de que qualquer caloiro que se recusasse a cumprir tal tradição não viria a ser penalizado por isso. O mesmo afirmaram os restantes alunos. Sobre a aluna que, em 2002, foi praxada com bosta de vaca - e que veio a apresentar queixa - duas das testemunhas alegaram tê-la ouvido dizer que pretendia declarar-se anti-praxe por vontade da sua mãe. Respondendo às sucessivas perguntas dos advogados e do Procurador do Ministério Público, os jovens foram contando que "ninguém obrigava os caloiros a fazer o que não fosse da sua vontade", que "os veteranos tratavam cordialmente" os recém-chegados à escola (mesmo que o código da praxe dissesse o contrário) e que "os caloiros não tinham autoridade para praxar outros caloiros". O julgamento prossegue no dia 13 de Março.
domingo, fevereiro 17, 2008
:). Sem dúvida!
Profs....a culpa é deles!(Texto de Ricardo Araújo Pereira)
Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou oensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode serdeles, aliás. Os alunos estão lá acontragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos osanos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm temposuficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vãoconseguindo escapar com vida.É evidente que a culpa é deles.E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é umaacusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam osprofessores.Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas queescolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão sercolocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano deum aluno ou de qualquer um dos seus familiares.O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se elespossuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveitopróprio.. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas comesta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não.A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta porpassar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro ea ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater.Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofrode quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivareste contacto entre crianças e adultos masoquistas.Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo deescola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agorao há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomandosempre novas qualidades, este mundo.Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povocigano.Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bemdas escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iampedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é aminha proposta.Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menosesperança.Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de seragredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressoresvivem, claramente, não está preparada para o mundo.Ricardo Araújo Pereira in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão
Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou oensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode serdeles, aliás. Os alunos estão lá acontragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos osanos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm temposuficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vãoconseguindo escapar com vida.É evidente que a culpa é deles.E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é umaacusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam osprofessores.Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas queescolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão sercolocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano deum aluno ou de qualquer um dos seus familiares.O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se elespossuíssem algum tipo de sabedoria, tê-Ia-iam usado em proveitopróprio.. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas comesta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não.A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta porpassar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro ea ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater.Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofrode quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivareste contacto entre crianças e adultos masoquistas.Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo deescola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agorao há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomandosempre novas qualidades, este mundo.Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povocigano.Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bemdas escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iampedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é aminha proposta.Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menosesperança.Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de seragredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressoresvivem, claramente, não está preparada para o mundo.Ricardo Araújo Pereira in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Cegueira, mecanismo de defesa, resposta politicamente correcta?:).
O amor é realmente cego, comprovam cientistas dos Estados Unidos
Apaixonados tendem a não reparar em outras pessoas atraentes ao seu redor.É como se o sentimento servisse de tapa-olho, diz pesquisadora.
Da Reuters
O amor é realmente cego, ao menos quando uma pessoa apaixonada olha para outro alguém que não o objeto de seu amor, afirmaram pesquisadores dos EUA.
Estudantes de faculdade que afirmam estar apaixonados possuem chances menores de notar a presença de outros homens ou mulheres atraentes, descobriu uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e do site de encontros amorosos eHarmony.
"Sentir amor por seu parceiro parece tornar todas as outras pessoas menos atraentes, e esse sentimento parece trabalhar de forma bastante específica, permitindo que essa pessoa elimine de sua mente os pensamentos a respeito do outro alguém atraente", afirmou Gian Gonzaga, do eHarmony, cujo estudo foi publicado na revista Evolution and Human Behavior.
"É quase como se o amor colocasse um tapa-olho nas pessoas", acrescentou Martie Haselton, professora associada da UCLA nas áreas de psicologia e estudos da comunicação.
Gonzaga e Haselton pediram que 120 universitários heterossexuais e compromissados avaliassem fotos de membros atraentes do sexo oposto tirados do site eHarmony.
Os voluntários eram instados então a escolher as fotos mais atraentes, e escrever um texto sobre ou o atual parceiro deles ou sobre um assunto qualquer.
Enquanto escreviam, os pesquisadores pediam que os estudantes esquecessem os "bonitões" e as "gatinhas" do site e que, no entanto, colocassem uma marca às margens do texto caso acontecesse de pensarem nas fotos com as pessoas atraentes.
Os voluntários que escreveram sobre seus parceiros apresentaram chances seis vezes menores de admitir que pensavam nas fotos do que os voluntários que escreveram sobre um assunto qualquer.
Mais tarde, quando instados a lembrar das pessoas bonitas presentes nas fotos, os universitários que escreveram sobre seus parceiros citaram um número menor de detalhes físicos daquelas pessoas.
"Essas pessoas conseguiam lembrar-se da cor da camiseta ou se a foto tinha sido tirada em Nova York, mas não se lembravam de quase nada de atraente a respeito da pessoa", afirmou Gonzaga.
"Ou seja, não é toda a memória que fica prejudicada. É como se esses estudantes tivessem pré-selecionado as coisas que os fariam pensar sobre o quão atraente aquela outra pessoa era."
Apaixonados tendem a não reparar em outras pessoas atraentes ao seu redor.É como se o sentimento servisse de tapa-olho, diz pesquisadora.
Da Reuters
O amor é realmente cego, ao menos quando uma pessoa apaixonada olha para outro alguém que não o objeto de seu amor, afirmaram pesquisadores dos EUA.
Estudantes de faculdade que afirmam estar apaixonados possuem chances menores de notar a presença de outros homens ou mulheres atraentes, descobriu uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e do site de encontros amorosos eHarmony.
"Sentir amor por seu parceiro parece tornar todas as outras pessoas menos atraentes, e esse sentimento parece trabalhar de forma bastante específica, permitindo que essa pessoa elimine de sua mente os pensamentos a respeito do outro alguém atraente", afirmou Gian Gonzaga, do eHarmony, cujo estudo foi publicado na revista Evolution and Human Behavior.
"É quase como se o amor colocasse um tapa-olho nas pessoas", acrescentou Martie Haselton, professora associada da UCLA nas áreas de psicologia e estudos da comunicação.
Gonzaga e Haselton pediram que 120 universitários heterossexuais e compromissados avaliassem fotos de membros atraentes do sexo oposto tirados do site eHarmony.
Os voluntários eram instados então a escolher as fotos mais atraentes, e escrever um texto sobre ou o atual parceiro deles ou sobre um assunto qualquer.
Enquanto escreviam, os pesquisadores pediam que os estudantes esquecessem os "bonitões" e as "gatinhas" do site e que, no entanto, colocassem uma marca às margens do texto caso acontecesse de pensarem nas fotos com as pessoas atraentes.
Os voluntários que escreveram sobre seus parceiros apresentaram chances seis vezes menores de admitir que pensavam nas fotos do que os voluntários que escreveram sobre um assunto qualquer.
Mais tarde, quando instados a lembrar das pessoas bonitas presentes nas fotos, os universitários que escreveram sobre seus parceiros citaram um número menor de detalhes físicos daquelas pessoas.
"Essas pessoas conseguiam lembrar-se da cor da camiseta ou se a foto tinha sido tirada em Nova York, mas não se lembravam de quase nada de atraente a respeito da pessoa", afirmou Gonzaga.
"Ou seja, não é toda a memória que fica prejudicada. É como se esses estudantes tivessem pré-selecionado as coisas que os fariam pensar sobre o quão atraente aquela outra pessoa era."
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