quarta-feira, abril 10, 2013
Esperemos que sim...
O acesso a cuidados paliativos não chega a 10% dos 60 mil pacientes que se estima em Portugal precisarem desta assistência, disse à Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP).
Segundo Luís Capelas, as unidades de cuidados paliativos existentes não chegam para as necessidades da população e, no que diz respeito aos cuidados domiciliários, existe apenas 7% de cobertura.
No internamento esse número oscilará entre os 20% e os 25%, sendo de 19% ao nível das equipas intra-hospitalares.
“Se olharmos para a distribuição geográfica também temos distritos que nos deixam que pensar: Aveiro, Leiria, Região Autónoma dos Açores e Viana do Castelo não têm um único recurso de cuidados paliativos. Também aqui a distribuição não é equitativa”, apontou.
O presidente da APCP estima que em Portugal haja 60 mil doentes a precisarem de cuidados paliativos, mas arrisca dizer que neste momento só perto de 10% da população tem acesso a esses cuidados.
“Estou a falar de 6 mil pessoas que têm acesso por ano nas equipas de cuidados paliativos, mas tenho algumas dúvidas que cheguemos a esses valores”, afirmou, acrescentando que isso significa que Portugal tem “uma cobertura muito abaixo do expectável, que é cobrir 60% a 70% das necessidades em serviços especializados”.
Os problemas com a actual prestação de cuidados não terminam aqui e Luís Capelas apontou que faltam equipas com formação adequada ou suporte farmacológico adequado, ao mesmo tempo que há equipas que não têm a dotação mínima de pessoas, havendo mesmo algumas que chegam a ter um enfermeiro para 30 camas, quando o ideal seria ter um para cada cama.
O responsável disse ainda que há médicos a trabalharem 20 horas por semana para tratarem 20 doentes e que há equipas de domicílio que funcionam só com um médico.
Luís Capelas acredita que as novas regras para os cuidados paliativos estejam para breve e que nessa altura seja possível fazer mais e melhor com os meios já existentes, dadas as condições económicas do país.
“Trata-se de deslocar e reorganizar camas porque os doentes estão lá. Os doentes estão na medicina, na cirurgia, na ginecologia, em cuidados intensivos, estão noutras áreas onde são tratados inadequadamente, com custos horríveis para todos nós”, denunciou.
Acrescentou que se forem criadas as estruturas de camas onde elas são estritamente necessárias para garantir um tratamento de proximidade, será possível criar a rede adequada às necessidades actuais com pouco investimento.
“O que sabemos pelos estudos que têm sido feitos, principalmente na Catalunha, onde foi feita a comparação do antes e o após do plano regional de cuidados paliativos, foi que se poupou em média 2 a 4 mil euros por ano por doente, por isso é que conseguimos fazer esta estimativa que em Portugal poupava-se cerca de 125 a 250 milhões de euros por ano se olharmos a este universo de 60 mil doentes”, revelou.
As novas regras trarão “exigências muito claras”, como o apoio à família após a morte do doente e critérios de intervenção e de dotação para melhorar os cuidados prestados.
Segunda-feira realiza-se, em Lisboa, o primeiro Encontro Interdisciplinar de Cuidados Paliativos.
Lusa / SOL
P.S. Uma necessidade premente. Para que a dignidade não parta antes dos sinais vitais…
sexta-feira, março 29, 2013
Boa Páscoa, gente.
O céu chora, desesperado, em Cantelães. É um lamento que aceito sem surpresa ou escândalo. Educado por uma tribo de padres e ateus ecuménicos, capazes de se porem de acordo sobre princípios éticos que jamais precisaram de adjectivar, nunca vi a Fé ou a sua ausência como fronteiras entre as pessoas. Filho de Deus e do Homem ou apenas do segundo, lembramos hoje a morte de alguém que nos disse para amar o Outro como a nós mesmos. E alguns responderão que ultrapassaram a meta estabelecida – amaram filhos, netos, pais, avós, amigos ou amantes mais do que a si mesmos. Não o nego. A minha profissão é escutar, certas histórias de vida desconhecem palavras como egoísmo, ressentimento, vingança, sobranceria. Mas como Humanidade, herdeira no seu todo de tão magnífico sonho, esquivo por alheio à nossa natureza, em que as sombras pedem meças à luz, não estivemos à altura de tão grande Paixão. Bom seria que não nos refugiássemos na auto-piedade estática do remorso ou na indiferença cómoda de quem não acredita. Olhemos em volta. Para tentar mudar um cisco deste mundo, mecanicamente selvagem mas com donos de carne e osso, que tritura os mais fracos para “os proteger”, não é preciso acreditar em Deus - basta crer que ainda somos capazes da mais elementar decência solidária.
quinta-feira, março 21, 2013
Dia da poesia é no Murcon:).
O Amor
Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.
A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.
A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.
Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável
A marcar sobre os teus flancos
o itinerário da espuma
Assim é o amor: mortal e navegável.
Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio"
quarta-feira, março 06, 2013
Pobre homem espoliado:(.
O ex-presidente do BCP, Filipe Pinhal, apresentou ontem o movimento de Reformados Indignados. Pinhal recusou revelar o montante da pensão que recebe, mas segundo apurou o "Correio da Manhã", o ex-banqueiro arrecada cerca de 650 mil euros por ano, o que dá uma pensão mensal superior a 46 mil euros.
A reforma de Pinhal é integralmente paga pelo fundo de pensões do BCP, criado no tempo de Jardim Gonçalves com o objetivo expresso de gerir os fundos que iriam responder pelas reformas dos elementos do conselho de administração do banco.
Confrontado pelo jornal na sua edição de hoje, Filipe Pinhal não quis fazer qualquer comentário, apenas reafirmando que "não tinha nada a acrescentar o que já tinha dito na conferência de imprensa". O evento, protagonizado ontem por Pinhal, contou ainda com a presença de Afonso Diz, presidente do Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos Bancários e João Pombo, membro da direção da Associação de Reformados Pensionistas e Bancários.
DN.
P.S. Imagino que se terá visto forçado a passar a comprar marcas brancas…
segunda-feira, fevereiro 25, 2013
Amici,
O furacão que varre o sistema político italiano não é uma surpresa, as pessoas pura e simplesmente estão fartas dos partidos tradicionais e das areias movediças – sobretudo para nós! - em que se movem…tradicionalmente. O mentor do Movimento Cinco Estrelas – com indiscutível sabor hoteleiro - é Beppe Grillo, antigo humorista, recuperado do vício de Ferraris e iates e condenado por homicídio negligente, o que impediu a sua candidatura. Olho em volta. Areias semelhantes. Cansaço semelhante. O Ricardo Araújo Pereira com cadastro impoluto e talento para dar e vender. Hum…
quarta-feira, fevereiro 20, 2013
Fevereiro...
Não chateia. É simplesmente triste ver a canção de Zeca Afonso ser "cantada" como a "cantou" Miguel Relvas. E não se trata de analisar a monumental desafinadela do apaniguado ministro de Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro que, em tempos, confessou que seria "mais feliz se fosse cantor". Uma confissão com que, provavelmente, a maioria dos portugueses estaria hoje tentada a concordar. Até porque, no que toca aos dotes vocais do ministro-adjunto, já quase tudo foi dito. E tudo o que se disse foi 'fait divers'. Cantar fora de tom, como diria o próprio Relvas, "é a vida". E quem não tem cavalo mas insiste em inscrever o jumento no concurso de saltos de hipismo tem a vida que merece. Desafinada, aos solavancos e sem entender o significado de um protesto que usa a canção-senha do 25 de abril como arma.
Também não chateia observar o tom desafiador e o sorriso de cavaleiro solitário com que Relvas encara as manifestações hostis e a forma aparentemente corajosa com que enfrenta quem contra si se indigna. O que chateia verdadeiramente é a arrogância calculista do ministro. Se assim não fosse, Relvas não voltaria a meter-se na boca do lobo um dia depois dos protestos de Gaia. Não é obra do acaso, é premeditação.
Ao aceitar comparecer na comemoração dos 20 anos da TVI, Miguel Relvas estava consciente dos riscos. E não se fala de riscos físicos. Esses, a verificarem-se, assentariam que nem uma luva na busca da vitimização, ao estilo kamikaze, que parece mover o braço direito de Passos Coelho. Trata-se de avaliar os riscos políticos de aparições em noites que, para o ministro, são iguais "a tantas outras". Mas não são.
Ontem, o todo-poderoso ministro da coligação PSD/CDS apareceu no ISCTE exibindo o mesmo sorriso com que desafinou a "Grândola Vila Morena", mas escoltado por um incomparavelmente maior número de guarda-costas do que em Vila Nova de Gaia, onde defendeu - pasme-se - que "a melhor maneira de ter medo é ter coragem". Durante a récita na peculiar sessão do Clube dos Pensadores, Miguel Relvas foi mais longe ao afirmar que "a pior coisa que um governante pode fazer é amedrontar-se". Ao sair ontem atribuladamente do ISCTE, em Lisboa, sem intervir e rodeado de seguranças, Relvas revelou-se medroso, sem coragem e, desta vez, em direto na TV, sem qualquer filtro. Pelo segundo dia consecutivo, vê-se vaiado em público, impedido de exercer a sua atividade política. Relvas experimenta agora nas ruas aquilo que muitos portugueses, incluindo da classe política - até do seu próprio partido - têm afirmado: o ministro dos Assuntos Parlamentares não tem condições de exercer o cargo. Por muito que, desta vez, um diligente e rápido comunicado governamental tenha deixado claro que o Executivo não se deixará condicionar por protestos como os manifestados no ISCTE. Mas a dúvida mantém-se: um ministro que não tem condições para sair à rua tem condições para governar?
Alfredo Leite, JN.
P.S. Hoje, na Assembleia da República, Vitor Gaspar desceu à terra. O Ministro da Saúde foi interrompido no Hospital de S. João, mas depois pôde falar. O que me agrada. Silenciar alguém, mesmo com base numa indignação justa, é um flirt com o totalitarismo. Quanto ao Ministro Relvas, acrescentaria algumas palavras às de Alfredo Leite. Vivemos numa sociedade do efémero, cada estímulo é rapidamente substituído por outro e nós reagimos de forma mecânica, não meditada. O Ministro foi claro há tempos atrás – não cometeu nenhuma ilegalidade. E é verdade, a ter acontecido – continuo à espera de conclusões… - ela saiu de canetas universitárias. (Trata-se de outra característica dos tempos modernos – não pensar se o legal também é legítimo.) Portanto, algum tempo de recato, o futebol, o Papa, o meteorito, os entusiasmos do ex-Secretário de Estado da Cultura, os “dramas” do jet set e o regresso aos mercados torná-lo-iam assunto requentado. Enganou-se. E tomem nota do que vos digo – ainda estamos em Fevereiro, 2013 vai assistir a muito desespero, infelizmente.
domingo, fevereiro 17, 2013
O talento sempre actual de um velho amigo:).
Cantiga da velha mãe e dos seus dois filhos
Ai o meu pobre filho, que rico que é
ai o meu rico filho, que pobre que é
Nascidos do mesmo ventre
Um vive de joelhos pró outro passar à frente
E esta velha mãe para aqui já no sol poente
Um dia há muito tempo, vi-os partir
levando cada um do outro o porvir
Seguiram pela estrada fora
Um voltou-se para trás, disse adeus que me vou embora
Voltaremos trazendo connosco a vitória
De que vitória falas, disse eu então
Da que faz um escravo do teu irmão?
Ou duma outra que rebenta
como um rio de fúria no peito feito tormenta
quando não há nada a perder no que se tenta?
Passaram muitos anos sem mais saber
nem por onde passavam, nem se por ter
criado os dois no mesmo chão
eram ainda irmãos, partilhavam ainda o pão
E o silêncio enchia de morte o meu coração
Depois vieram novas que o que vivia
da miséria do outro, se enriquecia
Não foi para isto que andei
dias que foram longos e noites que não contei
a lutar pra ter a justiça como lei
Às vezes rogo pragas de os ver assim
Sinto assim uma faca dentro de mim
Sei que estou velha e doente
Mas para ver o mundo girar de modo diferente
Ainda sei gritar, e arreganhar o dente
Estou quase a ir embora, mas deixo aqui
duas palavras pra um filho que perdi
Não quero dar-te conselhos
Mas se é teu próprio irmão que te faz viver de joelhos
Doa a quem doer, faz o que tens a fazer
Sérgio Godinho, in "os sobreviventes", 1971
domingo, fevereiro 10, 2013
Um tropeção previsível.
Quem entrega, vou repetir - entrega!, - um jogo destes dificilmente pode ser campeão. Por isso, responsabilidade total do resultado para o Benfica e para quem ainda não entendeu que as grandes equipas se constroem a partir da defesa (e não estou a falar de Jesus...). Quanto à arbitragem, Pedro Proença continua incapaz de controlar a sua sede de protagonismo.
"Nos teus olhos altamente perigosos" é um verso do caraças:).
Um Adeus Português
Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada
Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor
Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual
Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal
Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser
Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti
Alexandre O’Neill.
terça-feira, fevereiro 05, 2013
Meditação do dia.
“Dentro de cinco ou dez anos eu e a minha família também podemos ser sem-abrigo”. Fernando Ulrich.
Meu Deus, protege-os! Com eles sem-abrigo não estarão os Machado Vaz agarrados ao rebordo de alguma sarjeta?
quinta-feira, janeiro 31, 2013
E de quantas cervejas precisarei eu para tão ciclópica tarefa?:).
Júlio Machado Vaz vai tentar fazer António Costa e António José Seguro ultrapassarem os seus problemas
Por Vítor Elias
António Costa deu a António José Seguro o prazo limite de 10 de Fevereiro para unir o PS, mas o IP sabe que a relação entre os dois ainda pode ser salva.
Para tal, o casal político mais bipolar da actualidade vai recorrer ao famoso sexólogo Júlio Machado Vaz, que lhes vai ensinar que apenas com diálogo, compreensão, respeito e duas cervejas logo ao pequeno-almoço os casais conseguem ultrapassar as suas divergências. Caso o divórcio aconteça, António Costa fica com o cão e António José Seguro com o Marcos Perestrelo. VE
Inimigo Público.
domingo, janeiro 27, 2013
Preocupante, mas não surpreendente.
A venda de medicamentos antidepressivos em Portugal bateu um novo recorde em 2012, ao registar uma subida de 7,6 por cento. Os portugueses compraram, em média, 20.500 embalagens por dia.
Os dados, fornecidos ao jornal «i» pela consultora IMS Healt, mostram que as vendas de antidepressivos em Portugal aumentaram 7,6 por cento ao longo do último ano, num total de 7,5 milhões de embalagens vendidas.
Diariamente, são mais de 1.469 do que em 2011 (6,9 milhões de embalagens), nota o diário, acrescentando que esta subida poderá não estar relacionada apenas com o aumento de depressões, embora estes casos sejam frequentes.
P.S. Manda a verdade dizer que há mãos demasiado leves a receitar...
sábado, janeiro 12, 2013
Um episódio triste:(.
"Médicos pelo Sim" banidos da Universidade Católica
A Universidade Católica suspendeu a pós-graduação em Serviço Social na Saúde Mental, que deveria começar em fevereiro. A decisão surge após um dos grupos que defendeu a criminalização das mulheres no referendo de 2007 ter contestado a participação de personalidades que fizeram campanha pela despenalização do aborto.
ARTIGO | 12 JANEIRO, 2013 - 01:01
A Universidade apenas respondeu por escrito à Rádio Renascença a informar que o curso já não irá arrancar no próximo mês, alegando que "constatou entretanto ter havido um lapso de tramitação formal no processo de aprovação interna, pelos órgãos legalmente competentes da Faculdade, do mesmo". Sem fazer comentários sobre a escolha dos docentes que convidara para lecionar a pós graduação, a Universidade Católica Portuguesa afirma apenas que "o curso já não está a ser oferecido pela Faculdade, e não irá sê-lo até que a proposta científica seja aprovada nos termos correctos."
A decisão surge depois do grupo 'Mulheres em Ação' ter contestado a presença de personalidades que apelaram ao 'Sim' no referendo que permitiu o fim da pena de prisão para as mulheres que fizessem uma interrupção voluntária da gravidez nas primeiras dez semanas em estabelecimento de saúde legalmente autorizado. O comunicado citado pelo 'Público' defende que dado tratar-se de “uma instituição da Igreja” na Católica devem “ser escolhidos docentes e investigadores que, além da idoneidade profissional, primem pela integridade da doutrina”. Entre os nomes banidos da Universidade Católica estão António Leuschner (presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental e do Hospital Magalhães de Lemos), Álvaro de Carvalho (coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental), José Miguel Caldas de Almeida (diretor da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa) e Francisco George (director-geral da Saúde, o único dos quatro que não fez parte dos 'Médicos pelo Sim' no referendo mas igualmente apoiante da mudança na lei portuguesa).
“Uma atitude de ayatollahs no mundo muçulmano”
“Estava tudo preparado para avançar, com financiamento assegurado e os convites feitos e aceites”, afirmou Álvaro de Carvalho ao 'Público'. O médico que coordena o Programa Nacional de Saúde Mental diz ainda que apesar da "justificação formal", a Universidade Católica tomou uma “decisão profundamente ideológica”, comparando-a a “uma atitude de ayatollahs no mundo muçulmano”. “Lamento que uma instituição universitária que respeito confunda de forma grave posições pessoais com perspectivas ideológicas e religiosas e com a actividade científica”, acrescentou.
Também António Leuschner foi surpreendido pela decisão da Católica. “Tomei conhecimento através de uma noticia numa rádio e pelo email da pessoa que me convidou a dar conta da decisão da universidade”, disse ao Correio da Manhã, lamentando que “ainda existam pessoas que não conseguem conviver no mesmo planeta com outras, que têm opiniões diferentes”. O médico que preside ao Conselho Nacional de Saúde Mental e é professor catedrático convidado no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar informou a Universidade que deixará de participar na pós-graduação em Psicogeriatria.
Carvalho e Leuchner eram responsáveis por dois dos três módulos do início do curso, dedicados à lei de saúde mental, internamento compulsivo e ao sistema e as políticas nacionais de saúde mental. Francisco George e José Miguel Caldas de Almeida iriam participar nas Conferências de Abertura do Curso. A página com o programa do plano curricular foi retirada do site da Universidade Católica, mas ainda pode ser consultada aqui.
P.S. Tenho amigos na Universidade Católica. Se isto é verdade, imagino a sua consternação perante uma atitude que transforma a aceitação da diferença que pautou a vida de Jesus numa perigosa heterodoxia.(Devo salientar que na única e longínqua vez que fui convidado da Universidade Católica me trataram principescamente…). Tenho muita pena. Como universitário aposentado e antigo aluno de um Colégio dirigido por padres. Que seriam incapazes de assim ostracizar o Outro pelas suas opiniões…
domingo, janeiro 06, 2013
Porque surgiram na imprensa escrita nacos da minha intervenção na iniciativa Fazer ouvir o Porto, aqui a deixo sem “corte e costura”.
Há cerca de dois anos, a pedido de um jornal, escrevi o seguinte:
“Vacinemos o Porto… contra si mesmo! O cinzento austero do casario e o nevoeiro, que pelas manhãs sobe das águas, parecem ter invadido os espíritos. Assim toldados, procuram o aconchego da auto-piedade, dedos acusadores rumo ao Terreiro do Paço. Chega! O Porto deve diagnosticar os sintomas de terrível doença, o centralismo, mas reconhecer a indolência depressiva que alimenta. É preciso endireitar a coluna vertebral, que tantas vezes garantiu as costas direitas do país, e mirar o espelho sem contemplações: por que se esgota a edilidade na louvável busca de rigor nas contas, mas teimosa, vê na Cultura a Mãe de todos os inúteis?; por que não consegue esta área metropolitana construir um projecto televisivo que a honre?; por que desagua em Lisboa – e não a prazo… - tanto portuense, cuja voz seria preciosa ao reforçar da tripeira?; por que não desafiamos a nortada e caímos em fraternos braços galegos, que pela mão da autonomia esqueceram tempos de peseta a quarenta e nove tostões?
Porquê, carago? O Porto guarda, orgulhoso, os versos do Eugénio, os esquissos de Siza, a prosa de Agustina, Serralves, a Casa da Música, o Dragão que me habita pesadelos benfiquistas, o Douro, a Pena Ventosa…, onde a aventura começou. E esta gente, a minha gente!, leal, hospitaleira, trabalhadora; que pressente o declínio e hesita entre a resignação e o sobressalto cívico. O tempo urge. Falo da alma, não de relógios.”
Um par de anos volvidos, não retiro uma linha. Pelo contrário!, sublinho-as a negro carregado, quando vejo amigos abraçados à Casa da Música para a salvar. Fazer ouvir o Porto é frase triste mas verdadeira, admite que não somos ouvidos. O que, de resto, nada garante, os Governos aperfeiçoaram a arte do pseudo-diálogo - todos ouvem e ninguém escutam; mas por todos decidem.
Fui, sou e serei um defensor da regionalização. Apesar da pequenez deste jardim ressequido à beira-mar plantado, não duvido das suas vantagens. Nem lhe nego os riscos… Não foi a minha primeira derrota, não será a última. Aceito-as pesaroso, mas grato pelo privilégio que traduzem. Nascido e criado em Anselmo Braamcamp, visita assídua das suas “ilhas” por vontade expressa de Mãe lisboeta – “anda, vai brincar para a rua” -, recordo o silêncio de meu Pai na Junta do Bonfim, ao consultar resultados que eternizavam na Presidência o inefável Américo Thomaz. E em silêncio regressávamos. Diferente só o esgar de desprezo que vincava o seu rosto. Nunca em outra situação, mesmo na cidade que os absolve e celebra!, lhe ouvi fímbria de vernáculo. Mas quando esbirros zelosos concediam ao excitante marinheiro vitórias de cento e dez por cento, os lábios deixavam-lhe escapar um “sacanas”, os olhos ficavam rasos de água revoltada. Os mesmos que vi chorar de alegria quando Humberto Delgado, na nossa Avenida dos Aliados, fez sonhar a cidade e o país.
Ele não pôde demitir Salazar, as derrotas não me fazem desejar demitir ou suspender a Democracia. Mas confesso que ainda me surpreendem as rasteiras que lhe passam. Como essa ideia peregrina de retirar competências às autarquias e entregá-las, de mãos e euros beijados, a dezenas de novas chefias intermédias. Eis o pesadelo da regionalização ao vivo, a cores e a solo - dos sonhos dela nem vestígio. Apenas a multiplicação de cargos e funcionários tentaculares, fiéis ao Poder e pagos por todos.
O Porto tem de ser ouvido. E ouvir-se cuidadosamente, sobretudo em ano de autárquicas. Na área da política stricto sensu através de escrutínio de malha fina. Os candidatos afectos à coligação brindar-nos-ão com inevitáveis equilibrismos circenses, afirmações recentes sobre a Casa da Música não permitem dúvidas. Mas os outros partidos devem-nos a recusa da demagogia e a resistência à gula de transformar eleição local em mero degrau para legislativas. Porque os portuenses já demonstraram que não hesitam em julgar e punir até os que amam e lhes merecem gratidão.
Fazer-nos ouvir, sim; a todo o custo. Mas lembrando o velho Eugénio:
“Que fizeste das palavras?
Que contas darás tu dessas vogais
de um azul tão apaziguado?
E das consoantes, que lhes dirás,
ardendo entre o fulgor
das laranjas e o sol dos cavalos?
Que lhes dirás, quando
te perguntarem pelas minúsculas
sementes que te confiaram?”
Ele tinha razão. Palavras que nada semeiem serão levadas pelo vento norte; as que traírem colherão tempestades; às genuínas, os tripeiros abrirão alas, braços e sorriso escancarado, mal conhece esta cidade quem a decreta sorumbática por granítica e austera. Sussurremos-lhe ao ouvido, desencantado mas esperançoso, as palavras certas; ofereçamos ao seu olhar vigilante as obras correspondentes; e o Porto inundará as ruas.
Sem pedras no sapato. Mas pronto a assentá-lo no fundo das nossas costas se o desiludirmos!
segunda-feira, dezembro 31, 2012
Com passas. Uvas, claro:).
Vocês sabem que não acredito em alegria ou mudanças com data marcada, mas acredito na gratidão - obrigado por tudo e um 2013 o melhor possível, gente.
domingo, dezembro 23, 2012
For murconics only. Bom Natal:).
Os Amigos
Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.
Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"
domingo, dezembro 16, 2012
Sorte a dele, se é fitado por um olhar que apaga neblinas:).
Noite
Até de madrugada falámos e bebemos,
não interessa onde nem quais os assuntos.
Sobre as nossas palavras calado o firmamento
e querer desvendá-lo era mais do que um capricho.
Para quê tanta frase desdobrando uma ideia?
Para quê tanta citação tirada dos livros?
Bastava o teu olhar para apagar a neblina
e as nossas intuições profundas de sentido.
Se tal noite calada era noite de nós dois
e o amor, água escura de um saber infinito.
José Mateos.
domingo, dezembro 09, 2012
Toda a gente satisfeita?
Fontes geralmente bem informadas afirmam que a declaração do Dr. Miguel Relvas, segundo a qual não se limitará a votar no Dr. Fernando Seara, mas fará campanha por ele de manhã à noite, foi recebida com indizível entusiasmo pelo Dr. António Costa.
terça-feira, dezembro 04, 2012
Mas o que é isso da maioria dos alemães? A senhora considera-os menos produtivos e ponto final.
Angela Merkel Casamento gay
A chefe do Governo alemão, Angela Merkel, é contra a equiparação fiscal dos casais homossexuais aos heterossexuais casados.
“Pessoalmente, sou defensora da manutenção dos privilégios fiscais para os casados, já que a nossa Constituição estabelece uma protecção especial para eles e para a sua relação com a família”, disse a chanceler numa entrevista publicada ontem pelo Bild am Sontag.
A equiparação fiscal será um dos temas centrais do congresso do partido de Merkel, a União Cristã Democrata (CDU), que começa hoje em Hannover e termina na quarta-feira. Uma ala dissidente vai apresnetar uma moção a favor da equiparação fiscal, mas parte da direcção do partido é contra.
A lei alemã favorece as pessoas casadas que optam por fazer declarações de rendimentos conjuntas. Neste país, os casamentos homossexuais não são legais. Os casais gay podem registar-se no registo civil no regime de união de facto. Porém, este estatuto não lhes dá uma série de direitos de que os heterossexuais casados usufruem: os fiscais, os de hereditariedade e a possibilidade de adopção.
A maioria dos alemães é favorável à instituição da igualdade legal entre as uniões civis e os casamentos heterossexuais. E a maioria dos partidos no Parlamento também. Mas, além de Merkel, um outro partido é contra a equiparação dos benefícios fiscais, a União Social Cristã, parceiro de coligação da CDU no Governo alemão.
A chanceler disse esperar uma “discussão produtiva” sobre o assunto no congresso de Hannover.
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