segunda-feira, março 14, 2005

A ternura

Há na ternura uma constância impossível na paixão e finita no amor romântico, que nela desagua muitas vezes. É um carinho rumorejante, oficialmente pouco ambicioso, mas capaz de resistir às mirabolantes tropelias do coração. Porque nem o ressentimento mais azedo pode garantir a sua morte, ela sobrevive, com doce arrogância, em meia-dúzia de neurónios fiéis depositários de recordações politicamente incorrectas. Também nasce de amizades surpresas e indiferenças "definitivas". Tudo isto sem alarde. Mas deixando marcas; pistas; tiros de partida; promessas de chegada:)...

24 comentários:

Anónimo disse...

Nem mais !

Paixão= gasolina a arder. Extingue-se rapidamente.

Amor= vela. Arde lentamente e ilumina pouco.

Ternura= sol. Certo, fiel, aquece a alma. Tal como a ternura que se renova dia-a-dia.

sofia. disse...

É com ternura que sorrio

noiseformind disse...

Mas a ternura é altamente virulenta não te parece, Murcon?
Quando as pessoas chegam ao consultório e começam a falar do passado, não é o sexo,não são os filhos, os anos perdidos, as infidelidades que elas mais lamentam pois não? São os momentos de ternura "eu fiz-lhe isto... noutra altura dei-lhe isto... nós ficavamos a ver o por-do-sol em tal parte..."... Pq tudo o resto elas podem explicar com o engano, a incomptabilidade, o jardim feito silvado dos grande afectos. Mas e os momentos em que a boa-vontade imperou? Os momentos dados e recebidos sem intervenção de vil metal, dever conjugal ou satisfação egoísta de vê-lo vestido com a camisola que ela escolheu?
O problema da ternura é que como nasce naturalmente não pode ser arrumada no deve/haver linear da conjugalidade destroçada: muitas vezes ela é a espinha que fica ali a lembrar as pessoas de que com mais espinhas naquela relação o silvado poderia ter sido roseiral...

(eu sei, o meu comentário, qual infecção, acabou por ficar maior do que o post que ia comentar, mas pronto, não conhecendo mais nenhum colega com blog, faço do teu um muro de lamentações que espero irmãs)

Abraço

Peter

Bastet disse...

Dizia eu no outro dia que me faltava o jeito para transformar o amor em ódio e assim ultrapassá-lo primeiro pela raiva, depois pela indiferença, até chegar ao esquecimento. Que jeito me dava! -pensei eu. Por outro lado, parece-me bem mais verdadeiro deixar que a ternura reste. Esta é talvez a minha infeliz alquimia.

Anónimo disse...

É tão bom saborear o quentinho das brasas mesmo quando a chama se apaga...

Anónimo disse...

Assim pela rama, dir-se-ia que (sendo este um blog assinado, como é e por quem é) verifica-se aqui o mais flagrante exemplo de catadela social que existe no blogbairro. Quem escreve nestes comentários busca (suplica por) um pouco de atenção, uma referência, uma citaçãozinha. Que a adulação não perturbe quem a pratica, é natural e velho como o mundo. Mas, a si, ó Doutor Murcon, a graxa, a bajulação absoluta, não o incomoda nada de nada?

Anónimo disse...

É sempre um prazer lê-lo, aqui ou em qualquer lado, quando fala de ternura, que para mim é apenas outra forma de amor...

Calculo que não responda aos comentários que recebe, pelo menos não a todos mas "comentei-o" a partir do Live Journal e fiquei sem saber se recebia a notificação ou não...

Abraço *

Silvia Chueire disse...

Um texto poético. Gosto dele. Pensar esta ternura, em geral considerada um sentimento "menor", como algo de constância. Não sei, não sei. Mas o texto ficou bem.Muito bem.
E as "marcas; pistas; tiros de partida; promessas de chegada:)...", estas sim, me parecem compatíveis com certa ternura.
UM abraço,
Silvia Chueire

Anónimo disse...

É com ternura que o leio.
:)

abox disse...

é impossivel ficar indiferente a um gesto de ternura...

Karla disse...

Descobri hoje este blog e nem de propósito apanho com um post com "ternura" no título. Mais ninguém usa esta palavra, a sério. Aqui há uns anos estava a fazer "zapping" no rádio e ouvi-a. Parei imediatamente, até antes de reconhecer a sua voz. Mas só podia ser :) Acabava de descobrir "A Bela e os Monstros", que passei a ouvir o mais religiosamente possível. Fiquei triste quando acabou, depois nasceu a minha filha e já nem para "Esses difíceis amores" havia tempo.

Ainda bem que resolveu entrar na blogosfera. Quando eu andava no 12º ano o meu professor de Português disse-nos "Se querem ouvir bom português vejam aquele programa novo, o Sexualidades". Que bom ter oportunidade de continuar aqui as minhas lições :) Vai já para os meus links!

Polly Jean disse...

Muito obrigada, por num dia de sol radioso, de cheiro a primavera, me deparar assim com os seus sentires.

lobices disse...

...e saber colocar num abraço a essência da ternura?...

Helena disse...

gosto de TI, murcon!*



viste, viste?
;D

Anónimo disse...

Você não se chateia de ser tão chatamente culto e inteligente? Normalmente vejo os seus amores difíceis, sigo-lhe os raciocínios, e fico verdadeiramente irritado:) quando descubro que tb leu Marcial, St. Agostinho e os autores clássicos em geral. Confesso que não sabia que os sexólogos tb liam essas coisas. Não se esqueça dos autores orientais...

Sam disse...

Não se arranja um endereçozito de email associado a este blog? É comum, é habitual, faz parte. Estou só a perguntar, não é que vá usar. É para uma amiga.

Anónimo disse...

O post "Aviso à Navegação" (Eu sou benfiquista) foi o post, até à altura em que escrevo, que mais comentários teve. Dr. Murcon existe alguma explicação?

None disse...

Mais um abraço para si, por causa da prosa de domingo passado.

graziela disse...

e brel canta : pour un peu de tendresse, je donnerais les diamants....

K. disse...

A ternura é o descanso do amor.



www.katraponga.weblog.com.pt

Helena disse...

:)

trintapermanente disse...

a ternura é que nos mantém presos sem mais nem porquês

Anónimo disse...

Professor Júlio Machado Vaz,
É com ternura que o ouço no "Amor É".
Hoje, 3 de Abril de 2005,é com ternura que ouço o seu "silêncio".
Um abraço,

Sara MM disse...

Mas quando sabemos ela existe e mesmo assim não a sentimos, doi tanto...