quinta-feira, abril 27, 2006

Back to the past.

Sozinhos, mas não sós


Leio a entrevista ao Público de Jean-Claude Kaufman. Ele tem razão, alguns casais desejam viver juntos, outros preferem não partilhar todos os dias o mesmo tecto. Na coluna ao lado, os respeitáveis números: um em cada três franceses vive só, na Dinamarca há 45% de lares com uma pessoa, em Portugal a percentagem é de 17%, mas vem subindo. Quanto a mim, não preciso das estatísticas oficiais - ouço vidas por profissão.
Muitas apenas teoricamente a solo, há portugueses que vivem sozinhos e não sós, amam sem partilhar a caixa do correio. Alguns já o fizeram, com ou sem papéis assinados. O discurso destes gira, com frequência, à volta da seguinte ideia - “venha o amor, mas juntar outra vez os trapinhos é que não!” Ao escutá-los, é impossível não pensar que desenvolveram – ou simplesmente descobriram? - uma certa “claustrofobia” afectiva e espacial, necessitam de espaço psicológico e físico privado, embora no âmbito de uma relação. Quando esta cresce entre duas pessoas com a mesma opinião, o consenso torna-se fácil e conduz a vida de casal distribuída por dois lares (como é evidente, as exigências económicas envolvidas e o tipo de “lastro cultural” que permite esse arranjo fazem dele quase apanágio das classes média e média alta). Se as duas têm posições divergentes - sobretudo quando não pertencem à mesma geração, sendo a mulher habitualmente mais jovem no caso das relações heterossexuais -, os problemas surgem, com uma a interpretar a relutância da outra em coabitar como sinal de fraco amor. O sofrimento agudiza-se quando a divergência se estende à hipótese de um filho, pois é frequente o mais velho tê-los de uma ligação anterior.
Entre os mais jovens, penso que deveríamos associar a este fenómeno algumas situações em que os filhos permanecem na CP (casa dos pais), apesar de uma autonomia financeira que lhes permitiria sair. Na realidade, ouço muita gente dissertar sobre as vantagens inerentes: poupança, roupa lavada e alimentação de qualidade garantida. Tal opção liberta verbas para um quotidiano mais desafogado e em grande parte livre, mesmo no caso das raparigas, atendendo à mudança de atitudes parentais no que toca a noites, fins- de-semana e férias passadas fora. Alguns, saindo embora, defendem que a transição directa de um agregado familiar para outro seria um erro grave, preferindo um período de autonomia, mais ou menos longo. Fascinante é a aparição nas mulheres jovens de discursos ditos “tipicamente masculinos”, como o que privilegia a ascensão profissional ou – ó supremo despautério em país machista! – o que receia opções afectivas precipitadas, sem experiência suficiente, incluindo sexual (aumentaram exponencialmente as situações em que raparigas fazem marcha-atrás perante um casamento com data marcada, alegando “não terem a certeza” ou “não estarem preparadas para esse tipo de compromisso”). Tudo isto se enquadra num banho cultural que legitima a felicidade e a realização individuais e dessacralizou o casamento, visto como o encaixe de dois projectos de vida e não como uma instituição cujos “direitos” se sobrepõem aos das pessoas. E assim, estas preferem muitas vezes não assinar papéis, ou a eles chegar depois de uma experiência de coabitação e por terem decidido pedir à cegonha que passe lá por casa e povoe um berço.
Uma última palavra em relação aos afectos envolvidos. No nosso país, aqui e ali, ainda ouço apostrofar solitários de mãos dadas por recusarem uma união para o melhor e o pior (a sonoridade católica não engana). O reparo sugere que tais ligações são superficiais, egoístas, imaturas. Algumas, seguramente, como tantos casamentos e uniões de facto. Mas devo dizer que vejo amiúde, em situações de crise, as pessoas envolvidas coabitarem, por ser esse o mecanismo mais adequado para lidar, por exemplo, com uma doença. Problema ultrapassado, regressam ao namoro sob dois tectos. Os arranjos do amor serão cada vez mais diversos, considero inaceitável decretar de segunda os que não “respeitam” os cânones da família nuclear católica ou a perfeição em cinemascope dos filmes da Disney. Inaceitável e sobretudo ingénuo, a qualidade de uma relação não é – nem nunca foi! – assegurada pelo seu modelo estrutural. Como a boa música, ela apoia-se mais em executantes talentosos e afinados do que na acústica do lugar escolhido para o concerto.

70 comentários:

b' disse...

boa noite,

professor já é tarde para estar a em frente ao monitor, tem de estar descansadinho para amanhã :)))

posso levar os muros, os dificeis amores e os olhos nos olhos para autografar :))))

b' disse...

quanto ao post....
revejo-me em alguns pontos :)))

vivo em casa dos pais, relação heterossexual com um homem mais velho com um filho de um casamento anterior

por um lado reconheço nele a tal “claustrofobia” afectiva e espacial

do meu lado uma certa resistência em abandonar o ninho, talvez agravada pelo falhanço de uma relação anterior que durou 11 nos

acho que é a tal história do quem não arrisca...

e como se sai daí?

b' disse...

fique bem
@:)

andorinha disse...

Sozinhos, mas não sós, só isto diz muito.
"...namoro sob dois tectos.", o paraíso na terra.:)

Amanhã volto, agora já são horas de dormir.:)

Descanse bem, para estar em forma amanhã.:)))

ASPÁSIA disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
ASPÁSIA disse...

Não esquecer de tomar:

Professor - um chazinho de tília, para dormir bem;
Menina Maria - um chazinho de guaraná, para fazer directas... a estudar!!!
Sousa - um chazinho de perpétuas roxas, para a afonia;
Gertrudes - um chazinho verde para emagrecer.

Boa noite a todos.

noiseformind disse...

Boss,
Aqui declaro o meu Cunhalismo: olha que não... olha que não...
Se sou Embaixador dos EUA em Portugal no que toca a deitar abaixo o fusionismo de almas pelo matrimónio tb suspeito de formas elegantes de evitar companhia para além de linhas traçadas no limite dos medos. Defendendo a máxima de que cada um sabe de si e os gajos das escutas da PJ sabem de todos, não posso deixar de me confessar-me renitente nos abandonos feitos por pessoas de umas ás outras só pq estão comodamente instaladas. Se não vejo nos estudos que falam de "hormonas do Amor" razão para acreditar que ele deva ser prescrito conpulsivamente tb não vejo nas pessoas a viver a tensão de estarem distantes de quem desejam virem maravilhas à luz do dia. Pode funcionar a prazo, e tu dirás que tudo neste mundo é a prazo. Mas eu direi para bombardeamento geral aqui na caixa de comentários que será a prazo até uma das pessoas investir noutra relação ou esticar a corda. Ou seja! O que eu quero dizer é que uma relação sem um nexo residencial é um terreno fértil para dificuldades na percepção do papel dos sujeitos nessa relação em relação à importância afectiva na vida do Outro. Tás-me a perceber? Ou vamos por uma saladinha amorosa light com regras que impedem os picos de necessidade quando as coisas estão muito bem ou então o tempo se encarregará de determinar o vazio recorrente, a depressão, a violência verbal.
Atenção, não estou a pôr de parte a pouca importância que a vivência conjugal tem hoje em dia na trajectória sexual das pessoas. As pessoas que conheço com mais parceir@s simultâneos vivem actualmente respeitáveis matrimónios plenos de rebentos. Mas ressalvo o facto de a presença física da outra pessoa, para a educação dos filhos (com ou sem biologia pelo meio, sabes que nisto eu não me impressiono com nada) que um casal nessas condições decida ter não me parece estruturantemente óbvio.

Existem sim quanto a mim, e esta é uma opinião que tb pode ser refutada por diversas realidade pessoais anónimos escondidas aí pelo país fora, relações em que dando-se espaço e memória de más experiências em relação ao fusionismo ás pessoas elas desenvolvem auto-subsistências emocionais que por estarem fundeadas em memórias tão intensas são sempre colocadas à frente do exercício de sentimento com uma pessoa real! Quando os fantasmas encontraram na rotina diária altar para a prática de culta e douta amnemése do sofrimento experimentado então temos aí meio de protecção para um quotidiano que, por ter sido criado para impedir transbordos que deixariam o corpo emocional da pessoa descarnado de gosto pela vida, e sabemos bem que pela quantidade de anti-depressivos que a malta toda esse bem (gosto pela vida) é precioso e sujeito a sublimações várias.

Ou seja, existindo uniões mono-técticas (vem de tecto e não de tetas, seus tarados!!!!!!!!) por boas e más razões não vislumbro (passe ser falta temporária de imaginação) relações multi-téticas (e o FDL já a dizer "da esquerda e da direita") por boas razões e fundeadas à volta de projectos e não de limitações. Atenção!!! Com todas as merdas que podem acontecer aos projectos, que acontecem para gáudio do meu extracto bancário ; )))))))) (gáudio totalmente merecido, ouso afirmar) não consigo ter uma imagem de um projecto tu-na-tua-e-eu-na-minha feito por vontade e não por aquiescência de uma das partes ás duas ou por reconhecimento de incompatibilidades em vez de debelação de arestas surgidas das tais rotinas diárias.

Fui claro para perceberes a minha total ausência de radicalismo? Tentei explicar e meter em cima da mesa (que sítio bom para uma queca, nunca comprem mesas de pernas frágeis malta, não sabem o que perdem com essa escolha mirrada de mobiliário doméstico) que o projecto feito à volta de exploração de possibilidades pode ser uma minoração de inconvenientes, no meu domínio prático e mesmo dentro do meu debate pessoal, mas não o vislumbro como concorrente justo para uma relação no que toca a majorar os sentimentos.

E tu logo rápido como uma seta:
"Tudo isto se enquadra num banho cultural que legitima a felicidade e a realização individuais e dessacralizou o casamento, visto como o encaixe de dois projectos de vida e não como uma instituição cujos “direitos” se sobrepõem aos das pessoas. E assim, estas preferem muitas vezes não assinar papéis, ou a eles chegar depois de uma experiência de coabitação e por terem decidido pedir à cegonha que passe lá por casa e povoe um berço."

Mas lá está, no vasto "as orientações normativas da conjugalidade", ainda tão pouco analisado :(((((((((( e tão pouco discutido, que era o mais importante, verificámos que 95% das coabitações de "teste" acabam noutra forma de conjugalidade. Vamos dizer que 95% desta malta se sentiu pressionada a avançar para o casamento, mesmo quando em Lisboa e Vale do Tejo temos índices fortíssimos de informalização da relação? Estes 95% foram para formas mais estritas de conjugalidade depois da coabitação por algum motivo mais. Não vou aqui dizer qual será, não temos dados em Portugal de pessoas com relações multi-técticas. Mas 95% não serão de certeza todos uns acéfalos pressionados para o matrimónio.

O que eu concordo a 100% contigo é que ao irmos para o conceito de "tribo" podemos colocar a questão afectiva em termos de múltiplos vértices e portanto temos uma escolha que, sem ser opressiva sobre a contra-parte é tb satisfatória sobre nós mesmos. Podem, por existência de famílias mono-parentais por trás por exemplo, as pessoas colocarem a relação a 2 como uma relação que preenche uma parte sem ser um projecto determinante (Aliás, muito comum em situações de viuvez em que há um cuidado para garantir a presença dos filhos para partilha da alegria dos netos). Porém quando entrámos em situações de escolha determinista não vejo como majorar a relação à distância. Mas tu és Luz que paira sobre nós e indicas-nos, na Tua Bondade, todos os Caminhos que estão ocultos do nosso pobre farol meta-humano ; ))))))

E pronto malta, amanhã vocês vão ter o Boss aí em Lisboa, tratem-no bem, meninas behave especialmente a YULLIE!!!!!!!!! (se o Boss cruza a pernoca não há segurança matulão que a impeça de colocar-se ao lado dele) ; )))))))))))))))))))))))))

noiseformind disse...

"Portugal é dos países europeus que tem das mais baixas taxas de suicídio, com uma média anual de seis em cada 100 mil habitantes, revelou esta quarta-feira o presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPS)." in Diário Digital


Pudera, a malta emigra toda antes de se matar ; )

noiseformind disse...

"A dieta mediterrânica, que parece reduzir o risco de doença cardíaca, poderá também proteger contra a doença de Alzheimer, sugere um novo estudo hoje publicado nos Estados Unidos." in Diário Digital

A Mindinha não é apenas um restaurante, é uma clínica neurológica ; )

AQUILES disse...

Depois disto sinto-me um extra terrestre. Sou casado há 25 anos, e bem. Confiança e comunhão total. Amor muito. Mas sentimo-nos, eu e ela, extra terrestres. Já não temos nenhum amigo casado (ab initio). Alguns já se voltaram a casar com uni-tecto ou bi-tecto. Outros não sabem para onde pendem. Nenhum deles se divorciou por causa de terceiros. Todos por profundas deteriorações internas no casamento.
Vejo os jovens mais conservadores em relação ao tema, mas mais liberais para as relações pré-compromisso.
O conceito de familia mudou. Mas ainda não estabilizou. Não sei qual o modelo para onde se pende. Nem sei qual a pressão a que a sociedade europeia vai ser sujeita pelos padrões muçulmanos que vão crescer nas próximas duas décadas.
A ver vamos. Agora a demografia é fortemente penalizada por essa alteração do padrão familiar. Mas é um tributo à evolução.

noiseformind disse...

Aquiles,
Será do Chá? ; )))))))

Fora-de-Lei disse...

AQUILES 8:59 AM

"Nem sei qual a pressão a que a sociedade europeia vai ser sujeita pelos padrões muçulmanos que vão crescer nas próximas duas décadas."

E que tal a poligamia ? Um homem e não sei quantas mulheres ? É capaz de ser bem interessante... ;-))

LR disse...

Pois eu compreendo a "deixa" do post.
Sou absolutamente pró-casameneto, se as pessoas tiverem estrutura para tal: consciência, armas, bagagens, intuição para o facto de que a felicidade não é o euromilhões (tanto no sentido metálico como no de que não cai do céu)e um olhar que não se fique pelo hoje e vá além do que se tem na frente do nariz: o que subentende quer o que está para a frente, quer o que está para trás...

Tudo coisas difíceis, que a vida de hoje torna quase heróicas.
Aliás, na vida de hoje tudo se quer fácil, quem disse que o caminho mais curto entre dois pontos pode não ser às vezes 1 linha recta?

Se eu tivesse podido, teria começado uma vida fora de casa dos Pais, experimentado depois (e só depois de um conveniente aprendizado de autonomia) uma relação a dois, sempre com a carreira em mente. E então teria feito o que queria (ou não tina descartado): lançar-me numa sólida, inspirada e consciente aventura de vida em comum, formal, pois claro (para estar à altura da substância...).
Na altura tinha um lema que está resumido a meio de um poema da Maria Teresa Horta (há quanto tempo não me lembrava dele!), frase que irritava solenemente a paternidade):"E não quero anéis de aceite/para enfeitar os meus olhos"

Como não pude fazê-lo (desafiar as convenções para além de certo limite era demais), construí a autonomia em casa dos pais, e depois veio o resto.E o anel tb., pois claro.

Hoje, temos este fenómeno que já diagnosticaram como sendo o dos "filhos canguru" (acho que foi o Daniel Serrão?)
Para além da simpatia que o animal me provoca (que inveja trazer os filhos bébés sempre à mão de semear...) e do gosto que teria em eternizar os filhos em casa (que bom que era) acho que a coisa tem o seu lado péssimo, e se torna numa escola pérfida de egoísmo. Um mau serviço aos que queremos ajudar e proteger.

Como já tenho a minha quota parte de sacrifícios e desilusões, uma certeza eu tenho também: hoje em dia não dividiria tecto outra vez. Dividiria fins de semana, jantares dia sim dia não, concertos, exposições, viagens, reuniões com amigos, e tudo o que me apetecesse dividir.
Não cairia noutra: perder a magia à custa da máquina trituradora do dia a dia, não!

noiseformind disse...

Angie,
E é por causa deste "gatinha divorciada de novo enlace tem medo" que depois os (pobres, acrescentaria) quarentões e cinquentões deslizam para os braços de miúdas com menos 10 ou 20 anos com as expectativas em relação à domesticalidade (e julgo que apenas e só neste sentido) ainda virgens : )))))))))))))))))))))))) (olha que sacríficio para eles...) ; )))))))))))))))))))))

Cláudia Félix Rodrigues disse...

Júlio, cá venho e raramente comento. Mas hoje apetece-me!

Osho disse que o Casamento é um insulto ao Amor. A ideia dele (mto resumidamente) era que as pessoas quando casam de papel passado estão a casar-se com a pessoa que conhecem agora e de certa forma esperam que não mude ( o que, como sabemos, não é possível). Osho também disse que o tipo que inventou a cama de casal foi um idiota. É que além de estarmos o dia todo acompanhados, embrenhados no mundo exterior... até a dormir temos que estar acompanhados, não nos deixando espaço para nós mesmos.

O triste disto tudo é que é realmente assim. As pessoas vivem o casamento (também as uniões de facto) como algo estável, que lhes dará segurança... Mas depois não querem/ não gostam da rotina que se instala, da falta de desejo. Também esperam demasiado do outro. Ou melhor esperam que o outro seja assim ou assado. E quando o outro não é, então é pq não é bom, pq já não gosta. E nem lhes passa pela cabeça aceitar o que o outro tem para dar. Talvez o que ele tenha para dar (por ser legítimo do seu Ser) seja muito melhor do que aquilo que se poderia alguma vez esperar.
E dizem que também que se sentem sufocados... não têm espaço para si mesmos.

E deixam-se arrastar para evitar a vergonha do divórcio (o fracasso) ou pelos filhos (uma boa desculpa para evitar admitir o fracasso), muitos arrastam-se e arrastam outros quebrando todos os votos da instituição que tentam manter, como a fidelidade (palavra horrorosa), a lealdade (gosto mais), o respeito...
Outros há que desistem à primeira tempestade para evitar olhar para dentro e perceber não onde falharam, mas onde podem melhorar.

Nada tenho contra o casamento, mas este tipo de união... não, obrigada. Já lá estive...

Olhando, agora para o meu umbigo... penso que, pela primeira vez, vivo uma relação em que há companheirismo e aceitação. O outro já não me desilude porque não espero nada dele. Dou o que tenho de melhor porque só sei amar assim. E sou feliz porque o que dou é aceite. Pode não ser retribuido, mas aceitarem o que tenho para dar é uma forma de não rejeição. E ser rejeitado é o Grande Medo...
E quando o outro dá o que tem, aceito. mesmo aspectos pelos quais "bani" pessoas da minha vida são hoje aceites.
Nem sempre é fácil, mas agora percebo (com o Coração) que alguém entregar o que tem é um Acto de Amor.

E é uma relação dessas de 2 tectos. Ambos solteiros, sem filhos, a viver sózinhos há algum tempo, com necessidade de momentos a sós, a olhar para dentro. E quando há o reencontro, há sempre algo de novo.
Mesmo que seja para jantar em casa e ficar a conversar à mesa durante horas, ou um vê um DVD enquanto o outro lê um livro na cumplicidade de um silêncio cheio.
E a paixão está lá no meio desta serenidade toda.

Para mim, é este tipo de relação o melhor, porque é o que me tem trazido mais Paz. No entanto, todas as outras relações são de respeitar se forem as melhores para cada um.

Um beijinho, Júlio.

P.S. Raramente comento, mas hoje compensei... parece que me estiquei um bocado.

Rui Diniz Monteiro disse...

Bom, sou divorciado, vivo completamente só (nem animais tenho) e amo uma mulher, também ela divorciada. Não vivemos juntos. Desde antes do início da relação que a intenção de nunca vivermos juntos ficou clara (no entanto, acho que sou mais aberto a essa possibilidade do que ela). Há uma grande cumplicidade entre nós: no humor, na tristeza e, principalmente, nos defeitos e nos erros. Graças a isso, temos ambos vindo a crescer muito como pessoas.
Portanto, este regime tem sido manifestamente bom. Mas, não nos enganemos a nós próprios nem aos outros. Há momentos (eu, por exemplo, tive ontem um) em que dói o estar sozinho sem a pessoa que amamos. Telefonamos a essa pessoa e ela tem o telemóvel desligado. Enviamos uma mensagem, na esperança ténue (e vã) de que ela a chegue a vê-la e nos ligue. Não, estamos mesmo sós.
Apesar disto, continuo a preferir viver sozinho. Mas isso não quer dizer que não mude.

Professor, que a capital o receba com a consideração e o afecto que merece. Para grande tristeza minha, não vou poder estar presente pois tenho uma reunião de pais na minha escola (e eu nunca falto, excepto por doença grave).
Que se sinta tão bem como em sua casa, são os meus votos.

lobices disse...

...amigo Profe:
...o seu último período do post, diz tudo:
...cito:
Como a boa música, ela apoia-se mais em executantes talentosos e afinados do que na acústica do lugar escolhido para o concerto.
...subscrevo-o

A Menina da Lua disse...

Bom dia a todos!

Mas que belo e rico conversar este logo pela manhã!:)

Cada um tem ou teve, no seu passado de vida a dois, a experiência que o marca e o determina para as decisões do seu futuro...
Nenhuma é igual à outra e até experiências semelhantes podem determinar decisões e sentires diferentes...

Apresentar como certa esta ou aquela solução, parece-me precipitado e incorrecto; todas podem ter aspectos positivos ou negativos, como aliás aqui já foram largamente referidos.
Mas o que me parece francamente importante salvaguardar na relaçao a dois é a capacidade de acreditar que nos pode levar sem limites à dedicação e ao amor (principalmente se estivermos bem connosco próprios) ...e digo sem limites porque tambem acho que estar a dois se pode traduzir muitas vezes em abnegação. Fazer valer uma relação apenas ao nosso bem estar incondicional traduz-se para mim em fragilidades cujos resultados conhecemos todos dias.
Afirmar que eu estou bem assim e o outro que se adapte é algo que eu não concebo mesmo sabendo que corro os mesmos riscos dos que se "resguardam"...
Confiar é fundamental e parte desse pressuposto; de que ambos estão no mesmo lado que é o lado de querer amar o outro e não apenas um querer e o outro ceder...

Mário Santos disse...

Gostei muito das partilhas das relações com 2 tectos. Ajudou-me a começar a perceber uma realidade que me é completamente estranha.

Muito obrigado.

Confesso que não me preocupa muito a mudança da realidade da família. Posso não subscrever, mas aquilo que me preocupa é o fracasso afectivo generalizado a que parece estarmos a assistir com tantas separações (com ou sem papel passado). Não nos faz felizes e acho que nos faz ficar um bocado à deriva pela vida.

LR disse...

Ó Noise: não é nada por causa disso que eles se atiram nos braços das mais novas.
No fundo de cada homem há aquele seguro de vida eterno: elas são muitas mais!!! Há imensa "escolha"!E para lhes pôr o ego acima só uma com idade para ser filha...sem perceberem - às vezes - que são muito mais usados do que alguma vez foram...
Com juízo, só o Prof. Marcelo...

Os anos são muito mais penalizadores para as mulheres. E para descontar (= valorizar) as marcas das canseiras e das gravidezes, só mesmo os homens que as conheceram em novas e lhes fizeram os filhos...Ponto final, parágrafo.
- É ou não é assim?!

LR disse...

Não resisto a mais um provérbio:

OS HOMENS GANHAM O SUCESSO À CUSTA DA PRIMEIRA MULHER

E GANHAM A SEGUNDA MULHER À CUSTA DESSE SUCESSO

(Não quero ofender com generalizações...)

AQUILES disse...

Noise
Não é do chá. Senão também daria para os outros. E como disse, já todos se divorciaram pelo menos uma vez. Eu julgo que o facto de termos horários irregulares e desfazados, o que fez do criar os filhos um malabarismo (que correu bem) e que eu não repetiria, provocou uma cumplicidade de interdependência que deu tempo a um amadurecimento da nossa união. Hoje vivemos muito melhor como casal do que há 15 anos atrás. O tempo soldou-nos. Aconteceu.

CêTê disse...

"Defendendo a máxima de que cada um sabe de si e os gajos das escutas da PJ sabem de todos"- MAI NADA!

O amor romântico faz de nós ets! E depois (coisa que eu não acreditava) é como o sampelo -mais do que uma vez chega ao pêlo! ;]

Fiquem bem! ;*

CêTê disse...

Meio a brincar meio a sério- sabe-se que durante a gravidez há células do embrião que migram para o cérebro das mães podendo lá ser encontradas 27 anos depois (começo a perceber as minhas infantilidades ;]) Estas células poderão ter um papel protector, de nutrição, e até de regeneração de doenças neurodegenerativas- quem sabe injecções de células embrionárias possam vir a tratar e prevenir males actuais.

Nos machos não deve dar resultado por falta de "ancoragem" LOOOOOL ou melhor... os testículos devem ganhar capacidades de cálculo elementar!



A informação supracitada não deve ser usada para dar quecas não protegidas!

CêTê disse...

Ainda a propósito da CP e da CS são uma bengala a não ignorar. Sobretudo quando se tem crias- e o quanto em todos os domínios valem os avós!!!! Não deveríamos é esquecer o dever de retribuir quando´é necessário ...
Contudo e quando há bons relacionamentos e se passa a ser uma só família é bem dificil gerir um fim! Tudo prende.

andorinha disse...

Boa tarde.

Vai por aqui uma discussão interessantíssima. Cada caso é um caso, como é evidente, e as pessoas devem viver a vida da forma que mais as realiza.

Noise (3.32)
Para mim o namoro sob dois tectos continua a ser a melhor opção,e isto não tem nada a ver, como sabes, com o fracasso de anteriores relações de partilha do mesmo tecto.
Há 30 anos que penso assim, por isso já vês.:)
Partilhar o meu espaço está completamente fora de questão.

Angie (9.47)
"Dividiria fins-de-semana, jantares, concertos, exposições, viagens, reuniões com amigos, e tudo o que me apetedesse dividir."
Subscrevo na íntegra.

Rui (12.34)
Todas as opções têm os seus custos, há sempre um preço a pagar e esse é um deles. O namoro sob dois tectos não é um mar de rosas, ninguém aqui diz isso, mas para mim, continua a ser a melhor opção.

Angie (2.25)
Novamente de acordo.

CêTê disse...

ENA ENA!!!!;]]]]]]]]]

CêTê disse...

nana-nanana também tenho uma imagem que se move! LOL

CêTê disse...

okok sei que o raio da animação é "foleira nas horas". MAS FOI O QUE SE PODE ARRANJAR!

www.millan.net/ anims/giffar.html
para se ocuparem e divertirem-tem cartoons divertidos ;]- sei que este café não é meu mas o dono não me dá uma vassourada e eu abuso ;]]]

Rui Diniz Monteiro disse...

Concordo consigo, Andorinha, e tenho de reconhecer que esta tem sido a melhor e mais longa relação de afecto e consideração mútuos que eu já alguma vez tive na minha vida.
Mas, sabe, há também por vezes uma mágoa funda cá dentro, porque uma vida eternamente partilhada a dois é mais um sonho da juventude que eu não sei o que lhe aconteceu, mas sei que algures foi traído. E que eu perdi. Tenho pena, tenho se calhar estupidamente pena.

andorinha disse...

Rui,
Como dizes em cima, claro que há momentos em que dói estar sozinho sem a pessoa que se ama.
E quantos vivendo debaixo do mesmo tecto estão sozinhos, não será isso pior? Estar-se só, com o outro ali ao lado?
Sabes que se não estás com a pessoa agora, estarás amanhã ou depois.
Se a relação que tens agora é a melhor e mais longa relação de afecto que já tiveste, então só tens razão para estares feliz e a viveres em toda a plenitude.
Porquê então a mágoa de uma vida eternamente partilhada a dois?
Porque foi isso que nos inculcaram como desejável e "correcto" toda a nossa vida. Não tens que ter pena, tens é que saborear a relação gratificante que tens, mainada.:)

Jorge Castro (OrCa) disse...

Professor,
Daqui fala-lhe um murcon mergulhado por completo na "alface"... Por excesso de oferta, uma pitada de pdi e um dia de trabalho intenso em cima, fui hoje à apresentação do seu livro na FNAC... do Chiado! Pois, pois... era no Colombo e ninguém me soube avisar a tempo! Está mal!...

Agora tenho o seu livro sem autógrafo e - muito mais grave - um livro meu de poemas que gostaria de lhe ter oferecido em paga dos momentos matinais com que nos brinda, com bastante graça e graciosamente (nem que seja como força de expressão...).

Se "chegar" a este comentário e estiver pelos ajustes, muito agradeço que me faculte um endereço que eu possa utilizar para lhe enviar esse tal meu livro e o seu, para devolução autografado.

Para além do meu blog Sete Mares, deixo-lhe o meu endereço de email: jorcas@netcabo.pt

Lamentando o incómodo e grato pela atenção, deixo-lhe um abraço de

Jorge Castro

Vera_Effigies disse...

"Inaceitável e sobretudo ingénuo, a qualidade de uma relação não é – nem nunca foi! – assegurada pelo seu modelo estrutural. Como a boa música, ela apoia-se mais em executantes talentosos e afinados do que na acústica do lugar escolhido para o concerto."

Concordo. Contrato assinado e "abençoado" não dá posse ou seriedade a uma relação com ou sem família.
Deve ser muito mais romântico um contínuo namoro ;-))))

andorinha disse...

Lusco_Fusco,
Claro que é. Um contínuo namoro ou namoros sucessivos.:))))
Bjs.

Sérgio A. Correia disse...

"Parede, um ano qualquer de 1972. Nasce o Conde Mamute Brancaamp Sobral y Sandwich, exactamente no dia seguinte a um mês qualquer de Março. Aos dois anos de idade, entre a rataria, em geral, e a imundície universal, em particular, este filho de mãe incógnita e de pai ainda-por-nascer, foi surpreendida pelo 25 de Abril, pois que só sabia contar até 24. Em vista da situação extremamente precária dos seus aristocráticos progenitores e eternos parentes da Casa de Bragança, o Conde foi viver com a avó paterna que acabara de dar à luz o pai."

Caro Dr. Júlio Machado Vaz


É desta forma rocambolesca que se inicia, sob o signo de Groucho Marx, a narração da vida de um xiita da Parede...

um abraço e obrigado pela vossa visita
http://cresceiemultiplicaivos.blogspot.com

Sérgio A. Correia

b' disse...

bom dia maralhal!

concordo em absoluto que as relações não são formatadas, cada um encontra o seu equilíbrio

apenas penso que, se surge a vontade de ter filhos, a relação bi-tecto perde um pouco o sentido...

os filhos surgem como o prolongamento do amor de duas pessoas que se amam - esta tem direitos de Autor ;)))) - e por isso será vivido plenamente sob o mesmo tecto, ou não? ;)))

@:)

Fora-de-Lei disse...

b' 10:38 AM

"... se surge a vontade de ter filhos, a relação bi-tecto perde um pouco o sentido..."

Antes pelo contrário. Quando os putos são bebés, é que é mesmo bom (para um homem) viver debaixo de outro tecto. Deste modo, fica livre da chatice de ter que acordar a meio da noite... ;-))

mtc disse...

Primeira sobrevivente :)
Aqui estou...vivinha da silva!

Um dia surrealista, chamar-lhe-ia eu :)

Prof. Júlio Machado Vaz

Não é fácil dizer em duas palavras tudo o que vai dentro de mim...os meus parabéns pela pessoa que é, pelas palavras ditas e sentidas e os meus agradecimentos (eternos) de quem o admira e o estima.

Gostei muito mesmo da apresentação do livro, da análise/crítica da Inês Pedrosa em relação a determinadas passagens do seu "romance" (como ela considerou). E da Lys...:)

Há um ano que acompanho o Murcon que tem sido para mim uma verdadeira auto-terapêutica e aprendizagem e senti-me muito emocionada por estar presente e acompanhada por pessoas que apesar de as "conhecer" através dos comentários, fiquei a gostar ainda mais delas, mas muito mais mesmo...pessoas bonitas, como costuma dizer o nosso amigo Lobices.

Obrigada a Todos pelo dia que me proporcionaram...um dia em que todo o tipo de emoções vieram ao de cima...
Por vezes com a lágrima a espreitar... outras perdida de riso.

De tal forma, que ao regressar a casa com a Yullie ao meu lado e em amena cavaqueira fomos subitamente ultrapassadas por um carro que conduzia desvairadamente.
Passados uns segundos, uma concentração enorme de polícias e carros parados no meio da Av. 24 de Julho (Sentido Lisboa-Cascais).
Diz-me a Yullie :
- Queres ver que foi o carro que nos ultrapassou que se estampou!

Passo devagarinho a pensar que se tratava de um acidente e vejo um carro com umas letras enormes que diziam: Operação para Idosos.

Não estou habituada a estas saídas nocturnas e pensei que se tratasse de uma operação para ajudar os sem-abrigo. Foi o que me passou pela cabeça. Qual quê...

Um guarda aproxima-se e pede-me os documentos. Aí vi que se tratava de uma operação stop em força.
Como estava muito bem-disposta, apesar de não ter tocado numa pinga de álcool porque é muito raro eu beber, o sr. guarda pensou que eu estaria com os copos. Disse-lhe que apenas tinha bebido água e um chá (de jasmim !)...ficou a olhar para mim ainda mais desconfiado, pede-me para sair do carro e diz:
Faça o favor de me acompanhar...

E eu a pensar: Isto não me está a acontecer.

Continuei a dizer-lhe que não bebia e que nunca tinha feito o teste do balão.

...Ainda mais desconfiado ele ficou...observando-me e a fazer sinais para os outros!
Fiz o famoso teste (alguma vez teria de ser a primeira) que indicou 000 -

Como todos os guardas ficaram surpreeendidos a olhar para mim, ainda ousei perguntar:
E isto significa o quê? ;)))

Tudo isto para dizer que foi um dia que jamais esquecerei...a todos os que me acompanharam um grande beijinho e um abraço, e a si, Dr. Júlio Machado Vaz, um muito obrigada por tudo...e só uma sugestão...da próxima vez que vier a Lisboa não vá ao cinema...não apanhe mais sustos.:)
Avise-nos aqui e assim poderemos "maralhar" e ir tomar um chá consigo :))


Dizia Emerson: Prendei o vosso destino a uma estrela...
Pelo que pessoalmente me diz respeito a minha estrela tem sido o Murcon...uma lufada vital...um grupo de pessoas de boa consciência e vontade enérgica...


PS: Meninadalua ;)
Please, dá sinal de vida :)))

"Dentro-da-lei" ...quem és tu afinal?;)
Vá lá, dá-nos uma pista que seja...palavras como deserto, vaidade, não fumes, pintor :))

Um bom dia para todos

mtc disse...
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A Menina da Lua disse...

Bom dia!

Aviso a todo o Maralhal!

A "festa" do lançamento do livro do professor foi linda!...

A Inês Pedrosa não podia ter sido melhor; escolheu uma abordagem que me tocou particularmente. Leu na sua apresentação várias passagens do livro, dando cor e sentido a tudo o que falou...

Quanto à festa depois da festa, como sempre, houve mais uma vez a oportunidade de partilharmos alegria com aquela cumplicidade que ao longo do tempo se foi criando...

Tive igualmente muito prazer em conhecer novos rostos mas não com a sensação de desconhecidos:)

MT

I'm here!

Eu tambem gostei imenso de te conhecer pessoalmente e espero voltar a ver-te em próximos encontros:)))

Fora-de-Lei disse...

mt 11:01 AM

"Dentro-da-Lei, quem és tu afinal ? Vá lá, dá-nos uma pista que seja... palavras como deserto, vaidade, não fumes, pintor..."

Oásis, humildade, fumador... ;-))

PS: em minha opinião, Inês Pedrosa podia ter estado melhor. Teve, de facto, palavras merecidamente bonitas sobre o livro apresentado, mas "engasgou-se" vezes demais para o meu gosto. Ainda não deve ter recuperado do cansaço imposto pela última campanha eleitoral... ;-))

Ah, já me esquecia... gostei mesmo foi daquela "trica" cultural Lisboa-Porto, educada e muito bem disposta. Quer da parte da Inês, quer da parte do Professor. Um momento de humor "bairrista" que fez com que todos os presentes (sor)rissem de um modo verdadeiramente saudável.

andorinha disse...

Fora de lei(10.57)
Pois...a mulher que acorde, claro!:))))

Tu já dizes estas coisas à espera que eu venha replicar, diz lá. Lool

Mt,
Olá, primeira sobrevivente!:)
Gostei muito do que escreveste.
Embora não tenha estado aí, entendo perfeitamente os teus sentimentos, porque também senti o mesmo em Matosinhos. Ontem estive aí em espírito...

E serem objecto de uma rusga policial não é para todos, diz lá:)))))

Espero para a próxima conhecer-te também pessoalmente.
Até lá, um beijinho virtual.:)

E agora vou trabalhar, até logo, gente:)

mtc disse...
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b' disse...

Fora-de-lei 10:57 AM

loooooool nem sempre sou da tua opinião ;))

quanto à inês pedrosa, acho que o ter-se engasgado até foi ternurento... a senhora estava emocionada :))

relativamente ao cumbibio, conheci de fugida algumas murcónicas
eu sou um bocado tímida e não me sinto preparada para enfrentar o maralhal ao vivo e a cores ;)))

talvez na feira do livro já me sinta mais à vontade

beijinhos a todos

@:)

mtc disse...
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Carlos Sampaio disse...

Parte irónica:

“No meu tempo” o pessoal casava-se na casa dos 20’s, tinha filhos na dos 30’s e divorciava-se nos 40’s… Agora ficam no quentinho do quartinho da casinha dos paizinhos até, até, até,…

Parte séria:

Esta faixa etária não terá alguma dificuldade em “crescer” ?
Viver junto é, também, um “contrato social” que, como todos os contratos, necessita de enquadramento e, sobretudo, definição das regras de saída.
Como o pessoal tem alergia ao papel do casamento, tem que se criar a legislação para as uniões de facto em grande parte é redundante. Não entendo! Parece-me mania!

Mário Santos disse...

lusco_fusco: "[...] Contrato assinado e "abençoado" não dá posse ou seriedade a uma relação com ou sem família [...]"

De acordo, mas dá-me a sensação que a nossa vida fica mais preenchida quando a vivemos celebrando, que seja eventos como um dia de anos que nos leva a celebrar mais vivamente o dom da vida, nosso e dos nossos amigos, que seja de opções tão fundamentais como é uma relação amorosa, que se deseja eterna...

O meu dia do casamento está lá na minha memória, foi o dia em que eu lhe disse que a queria amar para sempre. E pude fazê-lo rodeado das pessoas que mais gosto. É claro que já lhe tinha dito mais vezes, mas naquele dia teve um peso especial.

Acho que não se trata de uma questão legalista, mas do modo como vivemos as coisas. Agora todos os anos aquele dia é especial, ali condensa-se tudo o que vivemos e projecta-se o que queremos viver. Como devem calcular não costumamos pensar nesta altura nos aspectos legais, tipo comunhão de bens adquiridos, heranças e outras trapalhadas :)

ASPÁSIA disse...

olá maralhal

Gostei muito do convívio e só para dizer cheguei casa sã e salva agora não tenho tempo para mais...

O Fora-Fora-de-Lei foi um oficial e cavalheiro!!!

Bjz

Patrícia Evans disse...
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Patrícia Evans disse...

"Nem pessimista, nem optimista, não ha mal entendidos entre a vida e eu.", Almada Negreiros.Acho que estamos todos um pouco assim, ou temos vindo a ficar assim, mais do que crentes ou descrentes somos realistas ou até indiferentes.

ASPÁSIA disse...

Afinal tenho agora um tempinho...

De facto, a Inês Pedrosa foi formidável na apresentação, feita com inteligência, sensibilidade e muito carinho... também me emocionei a dado passo... e acho que o Prof. estava muito emocionado também. A Inês foi "a escolha acertada" para este lançamento!

Ó Prof. isso que aconteceu no cinema se calhar até a qualquer um de nós, mas não considero isso racismo... de facto quando o mesmo crime é cometido por um branco ou um negro, só a cor deste último é mencionada, no entanto se fosse esquimó também se diria que era esquimó... mas reconheço as minorias imigrantes, muitas vezes devido à falta de recursos recorram ao roubo, principalmente, o que não fariam se tivessem bons empregos onde ganhassem decentemente...

ASPÁSIA disse...

A todos que conheci ao vivo, foi um prazer!!!

MT, Pamina e Meninada Lua

Como vizinhas de mesa mais próximas, foram bem interessantes as coisas que vocês contaram! Ó MT, isso da brigada anti-álcool é que foi pior! Então não lhes disseste que não eras devota de Dyonisos, mas sim de Apolo, e que não vinhas de uma orgia, mas de uma reunião da confraria no Templo do Murcon!

Fora-de-Lei??????????

Obrigada pela boleia... então se queres ouvir o programa "Revolução Shostakovich" é na Antena2, sextas feiras às 0:05H, i. e. na noite de 5ª para 6ª, quinzenalmente; e é repetido na 5ª feira seguinte às 10 da manhã. De modo que o de ontem à noite é repetido de manhã no dia 4 de Maio. O melhor era ligares para a Antena 2 (21 794 7000) e pedir que te enviem o Boletim de Programação. Quanto à "desconhecida" da FNAC CHIADP volta lá hoje à mesma hora, quem sabe!! Bonne Chance!




Bjinhos para todos

Isa Maria disse...

é cada vez mais difícil, nos dias de hoje, vivermos com alguém. Somos demasiado egoístas e exigentes. Fruto desta vida agitada e de stress, em que o dia a dia do trabalho, nos retira parte da paciência.

ASPÁSIA disse...

Viktor

Danke ye wel pelas preciosas informações!

Kussen

Noise, Yulunga, Rosa

Chegaram bem? e o Troll dormiu bem depois da noitada?

Bjinhos

ASPÁSIA disse...



Para a próxima tens de ganhar coragem pelo menos para um chazinho!

Beijinho

Manolo Heredia disse...

As pessoas estão cada vez mais afastadas dos desígnios de Deus, isto é, da sua missão como seres da biosfera (crescei e multiplicai-vos), como suportes transitórios (todos morremos) da única coisa que é intemporal e eterna: os genes.
Isto acontece só nos países ditos desenvolvidos, aonde se criaram mecanismos permitem que se viva sem ter que lutar muito. Mecanismos contrários à Lei de Deus!

Anel disse...

A claustrofobia do compromisso é uma reacção humana natural moldada por experiências passadas vividas ou observadas. Em situações de risco diz-se (teorias evolutivas) que apenas fugimos ao risco se a energia que gastarmos ao fugirmos for menor que a que gastarmos correndo o risco. Sabendo que este rico é por vezes grande e que acabar uma relação gasta mais energia do que fugir a uma é normal a toma desta segunda opção por grande parte dos potenciais casais.
Confesso, sou um inocente (ou não) sonhador, em intermitência com períodos de descrença (provocados por sofrimento) e jovem (23 anos) mas acredito profundamente que o que queremos é sentir algo que evite sermos racionais e calcularmos o resultado da equação do risco e decidir as coisas à medida que avançamos. Com isto quero dizer...se as atracções forem suficientemente fortes nem sequer nos passa pela cabeça pensar...isto para os crentes.
Outro aspecto é o facto de acreditar profundamente que se não conseguirmos viver bem sozinhos não conseguimos viver bem com outra pessoa...portanto uma coisa não é independente da outra. Daí a permanência dos filhos em casa dos pais (na maior parte culpa destes) se calhar não é a melhor forma de se preparar a juventude para o que vem à frente em termos de relações.

Abraço

Manolo Heredia disse...

Então? aqui não se fala das reformas indexadas à esperança de vida? de quando iremos todos trabalhar algaliados?
Vamos mas é criar um Kit de suicídio para resolver o problema do lixo humano que se arrasta em sofrimento, desumanamente impedido de morrer pelo loby da indústria da medicina e da farmaceutica. Manter pessoas vivas e em sofrimento, durante anos a fio, é um crime! Não foi para isso que se criou o Estado Social.

Mário Santos disse...

Desculpa, Manolo, mas não posso concordar. Parece-me uma consequência lógica: vivemos mais tempo, trabalhamos mais tempo. Evidentemente com as devidas ressalvas de saúde e de profissões de grande desgaste.

O meu pai é prof. universitário e sempre me habituei à ideia de que ele só se reformaria aos 70. Mais, depois de reformado tenho a certeza de que continuará a trabalhar e ele vê isso como um privilégio e não como um peso. Só para dar mais alguns exemplos: o Alan Greenspan reformou-se com quase 80 e o meu pai tem um colega americano, com insuficiência renal crónica, que aos 80 continua a viajar pelo mundo a dar conferências.

O que acho de mais positivo na proposta do governo são as 3 hipóteses de escolha. Apesar do que penso, admito que haja outras pessoas que queiram fazer de forma diferente e acho óptimo que haja alternativas e, neste caso, até há 2.

a disse...

Tenho uma quantidade de amigos um pouco mais velhos do que eu, entre os 29 e os 35, todos com filhos, de relações anteriores (apesar de nunca se terem chegado a casar) mas que agora estão todos sozinhos(ou pelo menos n estão com o pai ou a mãe da criança). É algo que me faz confusão, mas que me é familiar, ao mesmo tempo, visto os meus pais estarem divorciados há muito tempo.

"os filhos surgem como o prolongamento do amor de duas pessoas que se amam" Não concordo com esta frase. Em primeiro lugar acho que ter filhos é uma decisão e uma responsabilidade enormíssima (faz-me imensa confusão que a maior parte desses meus amigos tenham tido os filhos por descuido). Uma criança, para além de ter saído de nós, é uma pessoa, no início não é autónoma, mas se tudo correr bem há-de ser...
Não sei se algum dia terei filhos, mas se os tiver espero que ter a consciência que para além de estar a criar um "filho meu" estou a criar uma pessoa.
Não concordo com a frase porque acho que as pessoas confudem amor com paixão e com sexo, não é a mesma coisa, podem acontecer os 3, mas não assim tantas vezes como tantos acreditam.
Talvez seja naif, talvez não, mas eu tenho uma ideia do que será o futuro da família. 2 pessoas, amigas, com filhos, que vivem na mesma casa (não obrigatoriamente, ou nem sempre na mesma cama) e têm relações com outras. Monogamia na medida em que é um de cada vez (ou não) mas não é um homem com várias mulheres, é um casal, com vários parceiros, mas com uma família em comum. Talvez seja idealista, mas se eu tiver filhos um dia, gostava que fosse neste contexto.
Tudo para concluir que compreendo (se tivesse uma relação única neste momento provavelmente também seria cada um em seu tecto) as relações bi-tecto, mas concordo que é porreiro para uma criança não andar a saltitar de casa em casa, então o lar familiar teria de ser só um. Por isso faz-se a fusão de ambos, criamos uma família com uma pessoa com quem nos damos bem, e de quem gostamos e seja nossa amiga e quando não nos apetecer estar com ela temos outras relações noutros tectos. paixão amor e sexo não é tudo a mesma coisa.

Vera_Effigies disse...

Mário Santos
1:07
Ainda bem que há excepções. Mas a regra não é essa, sabe que não. Normalmente o papel assinado, no bicho que todos somos dá a posse, e é aí que a relação resvala. A posse mal cuidada cria uma flora e uma fauna abundante e variada de ervas daninhas e animais que se vão desenvolvendo naquela cadeia alimentar e que se vão mostrando... Podem nunca atacar fazendo estragos, como podem fazê-lo e causar danos irreparáveis. Nem nós próprios temos capacidade de nos avaliar a fruir a coisa :))))
Á cautela, o melhor mesmo, é propriedades separadas, bem delineadas, mas com os pontos convergentes que agradem aos dois.
Tudo de bom :)))
MJ

LR disse...

Pronto, isto era inevitável, no fundo todos sabíamos que mais cedo ou mais tarde... acontecia!
Lá se me vão metade dos sonhos de realização para o pós-62 anos... Embora longínquos, alimentava vários para uma segunda vida produtiva!

Só epero é que este passo seja muito rapidamente acompanhado pela moralização das reformas dos políticos: senão, bem prega Frei Tomás...
Estou farta de ver ex-deputados e ex-eleitos a afiambrar-se na flor da idade com reformas chorudas que todos pagamos!
Quanto aos restantes, cada caso será um caso: ter 1 trabalho chato ou especialmente desgastante deve envenenar o fim da vida activa e tornar o seu prolongamento um suplício. Mas também é verdade que não são os 65 ou os 70 anos a ditar o fim da utilidade profissional. Por isso não posso estar de acordo com as recentes medidas do (mesmo!) Governo, que proibem qualquer aposentado de acumular 1 pensão do Estado com outra actividade produtiva paga pelo OE ou Fundos Comunitários(qualquer que ela seja, aulas, projectos, etc...). Isso não aproveita a ninguém.

Mas de uma coisa eu gostei: finalmente começa a insinuar-se a ideia de que os cidadãos com mais filhos devam ter também mais privilégios. Por mim, irremediavelmente fora do lote dos contempláveis, e só tendo gerado duas criaturas, sempre me pareceu indecente que os casais com maior descendência não fossem beneficiados do ponto de vista fiscal (e outros).
De resto, a questão não se revela só nos filhos, mas com o tratamento da família, tout court...
A lei é indiferente, ou penaliza mesmo quem a tem.
Só que a Constituição diz-se pró-família... e o ordenamento jurídico tem desmentido o princípio em toda a linha.
Acho que todos somos livres de não a ter; ou de não ter filhos (plural); ou de ter os célebres 2 que são a nossa média nacional (e há bem pior essa Europa fora).
Mas que quem opte por ter 3,4,5 ou mais seja tratado da mesma forma, acho incrível.

Tudo isto precisava de grande harmonização, para que não seja uma contradição pegada!
Mas agora parece que é desta:quem gera mais potencial humano activo deve esperar mais da SS do quem não gera. São eles que no futuro nos vão(?) sustentar a todos...

Como alguém dizia, não deixa de ser irónica esta coincidência de, no mesmo dia, o Estado laico proclamar o “crescei e multiplicai--vos” e um bispo defender o uso do preservativo...
Mas, apesar de irónico, é um bom caminho!

Vera_Effigies disse...

No seguimento do anterior :
Esta "separação" "união",separação de corpos, ás vezes, e união de almas sempre, de que falo, não impede festejar datas, eventos... e valerá mais um pouco, não é o "ter de estar" é o "querer estar".

andorinha disse...

Boa tarde.

a ,(6.06)
Que perspectiva tão revolucionária, a tua!
Quanto aos filhos estou de acordo contigo, ter um filho não é, necessariamente, um acto de amor, pode ser tão só um descuido ou uma fatalidade.
Quanto ao modelo de relação que achas que vai existir no futuro, não sei, não. Não vejo possibilidades de tal se vir a concretizar cá em Portugal.
Custa-me a crer que duas pessoas vivendo em coabitação possam manter sem conflitos relações paralelas do tipo que advogas; vivendo cada um em seu canto, é muito mais viável.
Claro que amor, paixão e sexo não é tudo a mesma coisa, mas muita gente ainda acha que vem tudo no mesmo pacote.:)

Rui Diniz Monteiro disse...

Qual a diferença entre amor e relação? Porque há uma diferença, não há?, entre amar e ter uma relação? Porque é que quase toda a gente prefere falar em relação em vez de em amor? Pudor, cinismo, receio?...

Ainda uma palavra para lamentar não ter estado na fnac com o Professor e conhecer-vos a todos e partilhar da vossa inesgotável simpatia; mas também para ficar contente por tudo ter corrido tão bem.

Pamina disse...

Boa noite.

Em primeiro lugar, queria enviar um beijinho a todas as pessoas que conheci ontem e às que tive oportunidade de rever. Até à próxima:).

Quanto ao post, que ainda não tinha tido tempo de comentar (desculpem se repetir o que outras pessoas já disseram), acho que não se pode escolher "um" modelo, como sendo o modelo ideal. Cada casal tentará adoptar o modo de vida a dois que mais lhe agradar. Esta diversidade de opções, parece-me uma das vantagens de vivermos neste espaço e neste tempo (em comparação com locais e épocas onde há/havia uma menor liberdade individual. A situação pode não ser ideal, mas já foi pior.).
Claro que os problemas surgem, quando um dos parceiros pretende um tipo de relação e o outro não concorda com essa escolha. Aí, ou um deles cede, o que poderá não ser muito saudável para a relação, se gerar grande insatisfação e cobranças, ou se separam e cada um tentará encontrar outra pessoa com quem viver o tipo de relação que deseja. Que, aliás, com um novo/a parceiro/a até poderá ser outro do inicialmente considerado o tipo de relação preferido.
Quem esteve ontem na FNAC ouviu falar deste assunto ao vivo.

maria disse...

A parte a pertensão, gostaria de convidá-lo a ler no meu Blog, que construo com a minha filha dois post's, de nome Gineceu e Gineceu II, de Janeiro e de Fevereiro... se tiver paciência.

maria disse...

A parte a pertensão, gostaria de convidá-lo a ler no meu Blog, que construo com a minha filha dois post's, de nome Gineceu e Gineceu II, de Janeiro e de Fevereiro... se tiver paciência.

b' disse...

Achei!!!

É triste não ter a quem agradecer o facto de os teus pais se encantarem um pelo outro e prolongarem em si o amor

Não queria generalizar, nem todos os filhos nascem assim, mas gostaria que os meus nascessem

beijos e bom fim-de-semana

@:)

Anónimo disse...

Boa noite maralhal.

Pois eu cheguei muito bem e o Troll também.
As pessoas que conheci, gostei.
Adoro conhecer gente nova mesmo quando se tratam de espiões soviéticos infiltrados - que quase sempre funcionam à margem da lei.

Pessoalmente gostei da apresentação feita pela Inês Pedrosa, se bem que a tenha achado um pouco alongada. Mas entendo o empolgamento dela em falar. Para além do livro em si acho que a tal "amizade feita de ausências" fez com que se esquecesse do tempo.

Gostei das gargalhadas baixinhas do Dr. Daniel Sampaio, que ria quando mais ninguém ria, ou seja, em comentários que só eles “Psis” se entendem. Ri por duas vezes ao mesmo tempo que ele e pensei para mim: Estás a ficar esperta nestas coisas de “Psis”.

Gostei muito do discurso da Lys. Foi tipo de rajada: muito fluido, muito rápido, sem pausas para pensar ou respirar; muito, muito emotivo.

Na altura da intervenção do público logicamente que passei o tempo à biqueirada ao traseiro do Noise, sempre que ele queria falar. Estava mesmo a ver ele começar a abrir a “matraca” e a notícia do lançamento do livro lá seria substituída por uma do tipo: Sexólogo louco invade FNAC do Colombo interrompe apresentação de livro e fala desaustinadamente e a bons pulmões de sexo oral, anal, penetração, vaginismo, priapismo (não necessariamente por esta ordem). Facto este que deixou todos os presentes apreensivos, chegando mesmo a desencadear um caso de histeria numa solteirona que prontamente foi socorrida por um médico presente na sala.