sábado, setembro 29, 2012

Triste polémica:(.


 COMUNICADO DO CNE da ORDEM DOS MÉDICOS

O perverso parecer do 64/CNECV/2012CNECV sobre racionamento em Saúde, encomendado pelo Ministério da Saúde, não contou com a participação e audição da Ordem dos Médicos.

A Ordem dos Médicos verifica que todo o parecer é uma tendenciosa construção que visa tentar justificar eticamente o racionamento em Saúde, sem limites definidos, o que é uma inultrapassável contradição ética.

Neste perigoso e desumano parecer é sempre deliberadamente utilizada a palavra racionamento e UMA ÚNICA VEZ a palavra racionalização. O que significa que os subscritores sabem bem a diferença entre racionamento e racionalização e optaram conscientemente pela palavra racionamento.

Este parecer deixa para os “órgãos governativos” a resolução “justa e legítima” do “desacordo moral”!!!... E a fase de decisão política, a última, é assegurada por responsáveis do Ministério que… “tomarão a decisão final.”…. Ou seja, os doentes ficariam submetidos à arbitrariedade economicista de qualquer Ministro da Saúde.

O texto introduz insidiosamente “a avaliação da permissibilidade de racionamento por idade”… Será que vamos assistir à exclusão dos mais idosos?!

O parecer fala em medicamentos de duvidosa eficácia, contrariando todas as regras em vigor para a aprovação científica e fármaco-económica de medicamentos, colocando em causa o próprio Infarmed e a Agência Europeia do Medicamento. Com que objetivos?!

O parecer sujeita as Normas de Orientação Clínica, elaboradas pela Direcção Geral da Saúde e pela Ordem dos Médicos, às decisões arbitrárias e prepotentes das “administrações hospitalares” que passariam a poder alterá-las, o que é inconcebível e incompreensível!

Finalmente, sublinhe-se como o cumprimento do Código Deontológico da Ordem dos Médicos já baliza todos os procedimentos e comportamentos do Médico em situações limite, pelo que tornaria absolutamente desnecessário este parecer se ele fosse inofensivo…

A Ordem dos Médicos nunca aceitará o conceito de “racionamento ético” nem que os doentes mais desprotegidos sejam obrigados a pagar a crise, quiçá com a própria vida.

Assumindo por inteiro a frontal rejeição do parecer e por considerar que este fere o Código Deontológico da Ordem dos Médicos e valores éticos intemporais, o Conselho Nacional Executivo decidiu solicitar a abertura de um processo de averiguação aos Médicos que assinaram o parecer do CNECV.

CNE, Lisboa, 28 de Setembro de 2012

 

Venho acompanhando a polémica, tristemente surpreendido. Ouvi  as explicações do Miguel Oliveira e Silva, companheiro de muitas lutas. E se quanto às intenções nada me permite duvidar, sobre a forma não modificarei a minha opinião – é infelicíssima. Porque, por mais voltas que lhe demos, a palavra “racionamento” está envenenada, como há  meses a Dra. Manuela Ferreira Leite sentiu na pele, e a – justificadíssima! - racionalização prima pela (quase) ausência; pela mistura de patologias, com diferentes consequências, prognósticos e imaginários; pelo exemplo dos “dois meses de vida”, que ouvi várias vezes e é humana e cientificamente inaceitável; pelo odor – e sou generoso… - a aceitação de discriminação dos mais idosos e desfavorecidos; pela rendição a decisores externos à relação médico-doente, em geral mais sensíveis a outros argumentos que não os resultantes do processo de decisão partilhada, característica do acto médico entre dois Sujeitos plenos, um especialista em Doença, outro na “sua” doença; por último, pelo alarme social que produziu, ao longo da A1 escutei a angústia escandalizada de muitos portugueses, doentes,  cuidadores, simples ouvintes. Como técnicos, precisamos recordar que as pessoas vivem de acordo com a realidade como a percepcionam e não como ela é(?). E por isso repito – estou disponível para ser convencido de eventual excessiva severidade quanto à substância, embora a tarefa se me afigure hercúlea. Mas não cedo quanto à forma – no mínimo, considero-a leviana. No mínimo…  

terça-feira, setembro 25, 2012

Volta Bush, estás perdoado:).


Romney indignado porque janelas dos aviões não abrem

por Ana Meireles

Mitt Romney mostrou este fim de semana o pouco que percebe de aeronáutica, quando deu largas à sua indignação pelo facto de as janelas dos aviões não abrirem em caso de emergência. Tudo por causa de um incêndio a bordo da aeronave que transportava a sua mulher e que teve de aterrar de emergência.


"Fiquei contente por ela estar no solo, a salvo. Acho que ela não sabe como ficámos preocupados. Quando há um incêndio num avião não existe nenhum outro lugar para onde ir", declarou o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos.

Para Mitt Romney o maior problema num avião numa situação de emergência deve-se ao facto de as janelas não abrirem. "Eu não sei porque é que elas não abrem. É um problema real e muito perigoso", disse.

"Não se consegue ir buscar oxigénio ao exterior porque as janelas não abrem", acrescentou Romney ao Times, sugerindo que se houvesse mais oxigénio na cabine o problema do incêndio no avião da mulher teria sido menor.


DN.

segunda-feira, setembro 24, 2012

Monólogo da águia Vitória.

Xistrados fomos. Desastrados também. E eis-nos (já) atrasados:(.

quarta-feira, setembro 12, 2012

R.E.M. - Everybody Hurts (Video)


Até aos poetas...


Os amantes sem dinheiro

 

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro.
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto
que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

Eugénio de Andrade.

 

Maria,

Os poetas, esses magníficos e preciosos loucos, estão inocentes. Afinal, encontram palavras que comovem espelhos e os fazem reflectir sonhos antigos e não a realidade pura e dura. Nos dois últimos anos, fizeram-me uma pergunta vezes sem conta – pode a crise enferrujar o amor? (Antes também, claro, o pesadelo do fim do mês já atormentava as noites de muita gente quando a Bolsa ainda parecia a árvore das patacas!). Não basta citar Neil Young e dizer que a ferrugem nunca dorme, querida, explico a pessoas assustadas e surpreendidas que “pão, amor e uma cabana” é frase de quem nunca fitou mãos calejadas ou revirou bolsos em busca de uma derradeira moeda.

O amor pode resistir a tudo, mas não indemne ou mesmo escarninho.  Se me pedisses frase popular que descreva as histórias ouvidas,  dar-te-ia o velho “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. As pessoas sofrem, aguentam, receiam e o amor não vive em neurónios à prova de angústia. De acordo, muitas vezes as agruras da vida juntam mais o casal. De acordo, uma relação que já exibia – ou escondia… - fissuras é mais frágil. Mas negar a influência do torno cruel que espreme o quotidiano das gentes sobre os afectos seria ingénuo.

A visão do amor como algo de etéreo, imune às rasteiras do mundo, pertence ao discurso de uma minoria social privilegiada. (E digo discurso porque a vejo também na prática tropeçar, a conta no banco nada pode contra determinadas catástrofes bem pouco naturais. Mas se o dinheiro não dá felicidade, pelo menos evita preocupações básicas…). Sim, a crise facilita que a ferrugem namore muitos amores. E as pessoas murmuram que dói. É verdade. De uma forma ou de outra, mais dia menos dia, com crise ou sem ela, acontece a todos.

Até aos poetas!

 

terça-feira, setembro 11, 2012

Resta uma dificuldade - está o Dr. Passos Coelho disposto a cessar a dieta e a deixar crescer o cabelo?


Vocês não lhes dão valor...:(


Governo cria linguagem para justificar medidas de austeridade

Em quatro folhas A4, constam os ensinamentos dirigidos aos gabinetes ministeriais. São normas para responder às perguntas, da imprensa sobretudo, sobre as medidas de austeridade anunciadas.

Ana Sofia Santos (www.expresso.pt)
13:40 Segunda feira, 10 de setembro de 2012

 


(clique na imagem para ver o documento em formato PDF)

O documento, que ensina os ministérios a justificarem medidas de austeridade, foi enviado logo na sexta-feira, dia do anúncio pelo primeiro-ministro, e dá instruções aos assessores de como lidar com a pergunta "é um novo aumento de impostos?".

A encabeçar a lista de argumentos que os ministérios devem reproduzir para justificar as mexidas na Taxa Social Única, o Governo privilegia "o combate" ao desemprego. Fruto da melhoria das condições de tesouraria das empresas.

Além disso, os responsáveis pelo 'passa a palavra' devem também salientar o facto do aumento da TSU para os trabalhadores "reequilibra as contas para a Segurança Social, preservando o futuro, pensões, reformas, acesso aos mais desprotegidos da sociedade, e reforço de verbas para o desemprego".

Apesar de não apresentar contas sobre o verdadeiro impacto das medidas, o Governo mostra trabalho de casa ao comparar vários países no que toca às contribuições para a segurança social por parte dos patrões.

"As empresas deixam de ter a seu cargo a maior fatia das contribuições da segurança social", à semelhança do que se passa na Alemanha.

Se a questão incidir sobre a "insensibilidade social" das medidas, deve ser dito que "os trabalhadores do sector privado e do sector publico de menores rendimentos serão protegidos por um crédito fiscal em sede de IRS, por intermédio do qual terão ou uma redução do imposto a pagar, ou uma devolução maior" e que "os parceiros sociais terão um contributo muito importante a dar na definição do esquema mais adequado".

E há a instrução para recusar a medida como um novo aumento de impostos. O que deve ser dito é que "as contribuições dos trabalhadores sobem, mas as contribuições das empresas descem. Como um todo, a economia não fica mais sobrecarregada com impostos/contribuições. Isso é que é importante salvaguardar".

 

Expresso online.

 

Alguns de vocês, línguas viperinas e preconceituosas, dirão que se trata de uma espécie de catecismo. Nada mais falso! A isto chama-se homogeneização do discurso para facilitar a sua compreensão pelas massas menos esclarecidas. De resto, fontes geralmente bem informadas, revelaram-me que o esforço dos membros do Governo para trabalharem em conjunto de modo afinado não se fica por aqui. Até em Conselho de Ministros ensaiam para empolgar a Nação. Querem ver?




quinta-feira, setembro 06, 2012

terça-feira, setembro 04, 2012

Os "diferentes".

Uma palavra - atrasada... - de admiração para os nossos atletas e os Jogos Paralímpicos em geral, que, segundo leio, se têm revestido de um brilho inusitado. Um psi sabe melhor do que ninguém que é impossível prever a reacção das gentes perante a adversidade, mas sempre tive uma fantasia deprimente a meu respeito, vejo-me entregue à auto-piedade e ao isolamento. Também por isso lhes rendo a minha homenagem. Com ou sem medalhas...

sábado, setembro 01, 2012

sexta-feira, agosto 31, 2012

"You've got a Friend" By: James Taylor


"You've got a Friend" By: James Taylor


Nas vossas costas:).

Maria,
Escrevo-te no Facebook para eles não saberem e não me acusarem de pieguice. Eles quem???? Mas eu disse-te, valham-me Deus e o Diabo – fui jantar com os murcónicos! Uns vieram, outros telefonaram, houve quem mandasse sms e mails. Sete anos é muito tempo, querida. Bem sei que hoje em dia sou um pretexto para a amizade que os une, mas por que não deveria o grão de areia ficar orgulhoso da péro...
la que o abraça? É gente minha. Mesmo os que partiram amuados, desiludidos, furiosos; todos. A esta hora invadem a noite portuense, imagino-lhes as gargalhadas, os braços pelas costas, o “até para o ano em Lisboa”. Não pedem nada, não devem nada, ofereceram-me a sua lealdade. Que lhes posso dar em troca? Tens razão, como sempre, vou procurar no Youtube, já não me lembro de ouvir essa canção. Dorme bem, menininha, não imaginas o gozo que me daria relembrar a noite nos teus braços.
Antes de…

quarta-feira, agosto 29, 2012

Na Castanheira.

Amanhã há jantar do Murcon. Nem sequer sei quantos somos, não importa. Passaram sete anos e ainda nos reunimos. O resto é silêncio, escreveu alguém:).

sábado, agosto 25, 2012

O maná segundo Borges:).


Depois de laboriosa leitura de alguns textos que se debruçam sobre a hipótese favorita do Dr. António Borges para a privatização/concessão da RTP, rendi-me à evidência – o negócio é da China, mesmo que o grupo vencedor não seja o da EDP. O Estado paga, nós pagamos e algum privado enche os bolsos. Sei que tudo estará decidido a curto prazo, mas não iríamos a tempo de criar uma empresa com uns milhares de desempregados e entregar-lhes tal árvore das patacas? Melhoravam as estatísticas e, como já tinham passado pela experiência, talvez não falassem com tanta ligeireza dos despedimentos que aí vêm e dos espectadores da 2 como membros de uma tribo exótica e caprichosa em vias de extinção… Vá lá, não sejam preconceituosos – os números da execução orçamental, os empates dos vossos clubes na semana passada, agora este golpe de génio, já tinham presenciado uma tal chuva de boas notícias em plena silly season?

domingo, agosto 19, 2012

Nós os três.

Da árvore de meus Pais chega queixa silenciosa; apelo envergonhado; promessa de paz interior. Pouco importa se alucino, vejo a partida como traição:(.

quarta-feira, agosto 15, 2012

Por fim...

Nas mãos do anticiclone dos Açores:).


Maria,

Por fim uma réstia de sol! Os magos da meteorologia, definitivos – amanhã chega o Verão. E eu olho os miúdos e desejo-lhes piscina, digestões optimistas para regressarem ao banho, peles roxas, “com frio, eu? Ná…”. É confrangedor vê-los pela casa, debicando livros, hipnotizados por desenhos animados estridentes,  de pata dada com cães tão enfastiados como eles. E a pergunta, plangente – “Avô Júlio, quando…?”. Não sei; não posso; não consigo. E se admiti-lo nunca me causou engulhos profissionais – já sei, nem sempre é resposta amiga de quem nos ama… -, ver-me impotente perante a frustração dos miúdos é um tormento. Olham-nos de baixo e esperam o milagre, a omnipotência, o estalar dos dedos que pinta de azul o céu. E o patriarca, em dia santo, rende-se, humilde, à prece; recorre, em fúria, à imprecação; joga, esperançoso, na roleta do acaso.

Tudo por sorriso aberto nas caritas deles. Que emoldure a recordação do teu…

segunda-feira, agosto 13, 2012

Ámen.


Se por acaso morrer durante o sono

Não quero que te preocupes inutilmente.

Será apenas uma noite sucedendo-se

a outra noite interminavelmente.



Se a doença me tolher na cama

e a morte aí me for buscar,

beija  Amor, com a força de quem ama,

estes  olhos cansados, no último instante.



Se, pela triste monotonia do entardecer,

me encontrarem estendido e morto,

quero que me venhas ver

e tocar o frio e sangue do corpo.



Se, pelo contrário, morrer na guerra

e  ficar perdido no gelo de qualquer Coreia,

quero que saibas, Amor, quero que saibas,

pelo cérebro rebentado, pela seca veia,



pela pólvora e pelas balas entranhadas

na dura carne gelada,

que morri sim, que me não repito,

mas que ecoo inteiro na força do meu grito.



Rui Knopfli.


Não é verdade, mas...

Não é verdade, mas...

domingo, agosto 12, 2012

E no entanto, olhando em volta, receio que nos venhamos tornando em pessoas e cidadãos cada vez mais adiados:(.


(Não posso adiar o amor para outro século)



Não posso adiar o amor para outro século

Não posso

Ainda que o grito sufoque na garganta

Ainda que o ódio estale e crepite e arda

Sob montanhas cinzentas

e montanhas cinzentas



Não posso adiar este abraço

Que é uma arma de dois gumes

amor e ódio



Não posso adiar

ainda que a noite pese séculos sobre as costas

e a aurora indensa demore

não posso adiar para outro século a minha vida

nem o meu amor

nem o meu grito de libertação



Não posso adiar o coração



António Ramos Rosa.




quinta-feira, agosto 09, 2012

Born To Be Wild and Easy Rider (Slipshotfilms)

Born To Be Wild and Easy Rider (Slipshotfilms)

Nascidos para...


Maria,

Pois tu estavas lá? Eu sei que és portuguesa, mulher!, mas podias ter escolhido a vela ou o hipismo. Ah, o sexto sentido feminino… Sei. O que te fazia olhar-me e decretar “estás preocupado”, pese embora negativas e  riso (amarelo)  que colocava entre mim e a sistemática confissão. Já no teu colo, tu ouvias; esses dedos longos em passeio pelos meus cabelos, a ética inegociável, “faz o que tens a fazer”.

Tu estavas lá. E viste o triunfo dos miúdos, a um sexagenário é permitido tratá-los assimJ. Que bom! Sabes, ao ouvir um deles referir-se à família da canoagem – eu sei, fiz figura de parvo no facebook ao chamar-lhe remo… - lembrei-me de Anselmo Braamcamp. Eu chegava das aulas, fazia os deveres (TPC?) e com alívio guloso dava conhecimento do facto a minha santa Mãe, que pronunciava as palavras mágicas – “vai para a rua brincar”.

A rua, Maria… A rua e os amigos do peito que habitavam as “ilhas” tão portuenses, o Migalha, o Gabriel, o Orlando, o Neca, o filho do barbeiro e por aí fora. Na casa de todos fui recebido e ensinado, porque o dinheiro era escasso mas a solidariedade muita, havia beijos e pão para o filho da Clarinha.  E o ténis de mesa no Mocidade Invicta. Às vezes equipava-mo-nos  na própria sala de jogo, o treinador segurava uma espécie de cortinado para salvaguardar  senhoras risonhas daquela nudez adolescente e tímida, éramos nós a ficar vermelhos, perdão!, nesse tempo dizia-se encarnado, para não alimentar as paranóias do Messias de Santa Comba. Quando ganhámos o campeonato regional o Presidente fez um discurso inflamado e deu um pacote de bolachas e uma cerveja a todos os elementos da equipa. Eu tinha catorze anos, foi o mais próximo que estive de um shot na adolescência, sobre a Faculdade e as patuscadas é melhor não falar, mesmo a posteriori tu franzias o sobrolho.

Também ali se poderia falar de família. Sabes como adoro futebol e a paixão desesperada – mas não cega e surda… - que nutro pelo Benfica. Mas há tantas nuvens em tudo aquilo! Dinheiro e dívidas a mais (supremo paradoxo), endeusamentos ridículos, negócios duvidosos, violência física pronta a saltar, verbal sete dias por semana,  parece que o relvado se tornou ilha minúscula em gigantesco arquipélago de interesses. Não, não creio que se possa falar da família do futebol, a não ser para decidir a que terapeuta a enviar para loooongo tratamento de prognóstico reservadoL.

Por isso, ao ver a alegria esfusiante dos miúdos, fantasiei-lhe uma dimensão selvagem de revolta, o que poderiam fazer, eles e outros, com uma parcela modesta do investimento reservado ao futebol? Sim, outros. O rapazinho que ficou em nono no triatlo, a rapariga que caiu e recusou desculpas e lamúrias, ergueu-se e partiu para qualificação e record, as meninas da maratona, os velejadores. Por que razão é tão grande a assimetria de meios? São filhos de um deus menor? (Lembras-te do filme e daquela cena, tu riste da minha interpretação,  disseste “connosco não foi assim” e eu… Adiante!).

A verdade é que, apesar de todas as dificuldades, fazem as coisas acontecer. Rasteira? A que te referes, menina? Ah, nem notei… Pronto, é verdade, quis verificar se ainda te lembravas de verso e canção que te ensinei. Compraste o disco em Londres… E isso é bom ou mau? Foi em nossa honra ou para mostrares a ti mesma que já não precisas do meu emprestado?

O teu silêncio. A minha estante. O disco. Nascemos para quê?       

terça-feira, agosto 07, 2012

segunda-feira, agosto 06, 2012

A propósito de Ryan Adams.


Maria,

Esse feitiozinho… Ralhas-me por te ralhar quando o não fiz. Hesito entre  fúria e  auto-piedade, eis que a esperança abandona famosa e grega caixa, “funcionará em espelho e eco?”. Pelo sim pelo não, envio a sms – “desejo-te”. Desligo o telemóvel, assustado, melhor deixar para amanhã o que posso penar hoje. E meto uma cunha aos deuses no facebookJ.




domingo, agosto 05, 2012

Este país não é para velhos. E para os outros...


Mais de 40 mil idosos da Grande Lisboa deixaram de comprar o passe terceira idade no primeiro semestre deste ano, , quando deixaram de usufruir de desconto, segundo dados enviados à Agência Lusa pela Carris.

De acordo com a empresa, no primeiro semestre do ano passado, 242.717 pessoas compraram o passe Navegante Urbano 3ª idade (Carris, Metro e CP na zona urbana), um número que nos primeiros seis meses deste ano desceu para 200.876, correspondendo a uma redução de mais de 17 por cento.

Além dos vários aumentos de preços que os tarifários sofreram no último ano, em fevereiro o Governo decidiu diminuir o desconto que os idosos beneficiavam na compra do passe social, que passou dos 50 para os 25 por cento.

Além dos idosos, também os restantes utentes estão a reduzir a utilização dos transportes públicos, tendo a Carris perdido mais de 26 milhões de passageiros no primeiro semestre deste ano, comparativamente com o mesmo período de 2011.

Segundo dados da empresa, no ano passado foram registados 125.422.560 passageiros, enquanto este ano esse número caiu para 99.370.330 (- 20,8 por cento).

Por seu lado, o Metropolitano de Lisboa registou uma redução de 11.500 milhões de passageiros, tendo passado dos 92.174.086 registados nos primeiros seis meses de 2011 para os 80.662.283 registados este ano.

Na Transtejo, a queda foi menos acentuada: menos 1.630.799 passageiros.

A empresa teve no primeiro semestre do ano passado 14.082.619 passageiros, número que caiu para os 12.451.820 este ano.

À Lusa, fonte da Carris atribui a “acentuada quebra de passageiros” à “recessão” e ao “aumento do desemprego, que se verificam em Portugal”, frisando que também há uma “diminuição do transporte particular”.


Porque o Murcon será sempre o arquivo oficial:).


Maria,

A conselho médico sou o nada entusiasta dono de uma cadeira. Se não for  heresia chamar-lhe assim!, não imaginas a complexidade do monstro, são tantas as variantes de posição que receio enjoo de mar revolto invadindo a paz de Cantelães. Fui ensinado a manter as costas direitas pelos amantes que repousam no jardim,  aparentemente esqueci-me de o fazer em sentido literal, há um preço a pagar. Seria desprezível comparar os meus achaques a tanto sofrimento que por aí vai, mas são óbvios sinais de declínio e o primeiro pensamento vai para ti,  apelo mudo que mira a porta de soslaio, numa esperança de milagre. O primeiro… Porque depois chega o alívio, triste mas alívio. Conheço-te – amar-me-ias no matter what, como por essa olímpica Londres se diz. Conheces-me – se o futuro trouxer o castigo de sobreviver a mim próprio, que o mundo inteiro se aperceba. Tu não, minha querida; tu não.

Só o negam os olhos, que não conseguem levantar voo da porta…

sexta-feira, agosto 03, 2012

Com ou sem razão... Dúvida excruciante do Tribunal:).


A partir de agora é crime na Itália dizer a um homem que este "não tem testículos". A norma foi aplicada judicialmente no mais importante tribunal italiano.
A decisão vem pôr fim a uma disputa entre um advogado e um primo seu, juiz de paz, que o insultou em pleno tribunal, dizendo que este "não tinha testículos".
"Fora a vulgaridade dos termos utilizados, a expressão é injuriosa", diz a sentença, que acrescenta que o insulto não só "insinua uma falta de virilidade do destinatário, como uma fraqueza de caráter, uma falta de determinação, de competência e de coerência, virtudes que, com ou sem razão, são identificadas como pertencentes ao género masculino".
O tribunal ainda não decidiu qual será o montante da multa a aplicar.

Jornal de Notícias.

quarta-feira, agosto 01, 2012

Um delicioso poeta burilando a prosa:).


Coisas sólidas e verdadeiras.



O leitor que, à semelhança do de O'Neill, me pede a crónica que já traz engatilhada perdoar-me-á que, por uma vez, me deite no divã: estou farto de política! Eu sei que tudo é política, que, como diz Szymborska, "mesmo caminhando contra o vento/ dás passos políticos/ sobre solo político". Mas estou farto de Passos Coelho, de Seguro, de Portas, de todos eles, da 'troika', do défice, da crise, de editoriais, de analistas!

Por isso, decidi hoje falar de algo realmente importante: nasceram três melros na trepadeira do muro do meu quintal. Já suspeitávamos que alguma coisa estivesse para acontecer pois os gatos ficavam horas na marquise olhando lá para fora, atentos à inusitada actividade junto do muro e fugindo em correria para o interior da casa sempre que o melro macho, sentindo as crias ameaçadas, descia sobre eles em voo picado.

Agora os nossos novos vizinhos já voam. Fico a vê-los ir e vir, procurando laboriosamente comida, os olhos negros e brilhantes pesquisando o vasto mundo do quintal ou, se calha de sentirem que os observamos, fitando-nos com curiosidade, a cabeça ligeiramente de lado, como se se perguntassem: "E estes, quem serão?"

Em breve nos abandonarão e procurarão outro território para a sua jovem e vibrante existência. E eu tenho uma certeza: não, nem tudo é política; a política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida.

Manuel António Pina no JN.

segunda-feira, julho 30, 2012

Segunda tentativa...

E na semana de 27 a 31 de Agosto na Capoeira?

quinta-feira, julho 26, 2012

Dia dos Avós



Pouco original, tive quatro. E no entanto…

O Avô Ângelo era – como eu… - hipocondríaco, mas naquele tempo esse farejar ansioso do corpo ainda me era desconhecidoJ. Vai daí, ofendia-me que durante as minhas gripes me acenasse da porta do quarto e se pusesse ao fresco. Guardo a recordação de um homem pequenino, escrevendo em pé a sua crónica de jornal, aureolado pela luz do fim da tarde na Rua Alves da Veiga. Eu ia chamá-lo para jantar e descíamos à conversa, mas faltava-lhe calor em palavras e gestos, treinou-me os neurónios e deixou o coração a cargo de outros.

E outras… A Avó Manuela era um doce! Tinha ensurdecido durante a gravidez de meu Pai, ele acarretava uma enorme culpa injustificada pelo facto. Lembro as mulheres da família em adoração da velha telefonia, que exalava a primeira novela, custeada pelo célebre Tide. A heroína sofria de um qualquer problema, ainda por cima enxertado numa pobreza atroz, para alívio de todas o amor de um rapaz descrito como esbelto e solidariamente rico derrubava todas as fronteiras e a igreja acolhia-os, antes do ritual banho de arroz. Menos comovido do que as tias e a protectora Maria da Glória, eterna cozinheira da família, eu encarregava-me de gritar as peripécias do enredo a minha Avó, que acenava, aprovadora. Já ignorante das coisas do amor, pasmava por meu Pai chegar do consultório e  dirigir-lhe palavras bem menos ricas em decibéis, emolduradas por mãos tímidas no afago, excepto para ela e minha Mãe. E a Avó Manuela sorria e respondia, certeira. Levei muitos anos a perceber que ela ouvia os meus gritos, mas escutava as palavras dele, é diferente.

A Avó Sorgue deixou sempre claro que não aceitava comparações. Vigiara de muuuito perto o namoro de meus Pais e aterrou lá em casa uma semana depois do casamento para nunca mais sair. Perante a bonomia do genro, que lhe chamava a Rainha Mãe e se divertia com imagem vinícola no que a Avó e neto dizia respeito, chamava-nos o Casal Garcia, vinho verde crismava dois desesperados benfiquistas! Força da natureza é uma descrição anémica, a Avó Sorgue era telúrica sem nunca ter lido Torga, manipuladora sem conhecer Maquiavel. O seu amor absoluto ria-se de angústias éticas, mas não de receios pragmáticos, quando na Aguda eu recolhia à cama depois de mais uma noitada de poker, ela perguntava – “então?”. E eu sabia a resposta adequada, verdadeira ou não – “ganhei”. Para lhe escutar o suspiro, que já se enroscava – “ao menos! Se a tua Mãe sabe que te deixo jogar a dinheiro, mata-me”.

Morto estava o marido há muito tempo, nunca o conheci. Minha Mãe, que o teve apenas durante quatro anos, esquecia o ateísmo não militante e rezava-lhe, descobri-o na sua correspondência. Dele ouvi as histórias de trabalhador honesto que tivera morte fulminante a caminho de casa, desse dia fatídico, descrito  ao mais ínfimo pormenor pela Avó Sorgue, nasceu a minha sólida desconfiança do coração, celebrei os vinte e seis anos num misto de surpresa, alívio e culpa por sobreviver ao Avô Guilherme.

Que era amigo do segundo marido de minha Avó, guardião feroz da sua memória. Mas manso perante aquela mulher arrasadora, que lhe concedia o favor de alguns telefonemas para Lisboa. E no entanto, hoje, no Dia dos Avós, é para ele que coração e memória correm, escrevi-o mais de uma vez – o Paulitos foi uma figura parental inesquecível para mim. Ensinou-me palavras cruzadas, explicava como o esperanto uniria todos os povos, conseguia que uma meia de leite e uma torrada se transformassem numa celebração da cumplicidade entre Avô e neto. Nunca me deito sem um relance aquele homem magro e triste, segurando – inseguro… - ao colo um puto sisudo, as crianças desconhecem a tirania dos sorrisos de plástico para mundo ver. Aquele sou mesmo eu, o miúdo na foto ao lado, sorridente na farda de marinheiro, era já um farsante, vendido ao politicamente correcto. Ele nunca se vendeu e partiu à sua moda – discreto, sem incomodar ninguém. Felizmente alguém o amara nos últimos anos como minha Avó não fora capaz. Indiferente ao burocrático sangue, chorei-o com amargura e um profundo sentimento de abandono desamparado.

O esperanto, esse, foi outro sonho falhado…L.

Estado alimentar da Nação Murcónica!

Gente,
Recebi vários mails e as datas sugeridas não encaixam. Seria mais fácil se apontássemos para a última semana de Agosto no Porto?

segunda-feira, julho 23, 2012

Na mesma rua.

Maria,

Ou os tempos vão mais difíceis ou os neurónios saltaram para o eléctrico das articulações:(. Morreram amigos que o eram, outros que o não eram invadiram a boca de cena, podiam ter esperado que morresse eu; acreditando... Mais o gasganete talhado, a próstata a enfiar-me o credo na boca, esta vergonha pela falta dela nos outros que o Pai me ensinou. Conheces-me como ninguém - apesar da angústia crescente, imito a pedra. E de repente saio desarvorado, algo acontece. Lembras-te da tua descrição de Cantelães? - "é uma varanda disfarçada de casa". Pois segura-te - aluguei uma varanda no Porto, afinal não posso (ainda) viver lá em cima, protegido pela árvore dos meus queridos Velhos. Tu dirias "finalmente!". Eu sei, devia tê-lo feito há anos. Eu sei, tu sorririas, mudo-me para cem metros daqui. A minha resistência a mudanças e perdas, afinal por que te escrevo, longe como estás, em quilómetros e afectos? Mas mudo-me! Na varanda lobrigo o mar, acolho o sol; fecho os olhos para (me) ver. O resto da casa é bonito, sei que aprovarias. Sobretudo a sala!, aguentará música antiga e decibéis modernos. Mas tudo não passa de um apêndice, dama de honor daquela varanda - debruçada sobre o mar; o sol; a tua recordação; a minha melancolia. (Já não é mau contemplá-la de cima...).

Bruscamente no Verão actual:)

E quem alinha numa almoçarada na Mindinha na primeira semana de Agosto?

sexta-feira, julho 20, 2012

Confrangedor:(.

Ardem terra e alma das gentes. Este fogo não purifica; destrói. Resiste a boa consciência dos políticos, imune a diferenças de temperatura e políticas de prevenção:(.

quarta-feira, julho 18, 2012

Boa noite.

As mãos

Que tristeza tão inútil essas mãos
que nem sequer são flores
que se dêem:
abertas são apenas abandono,
fechadas são pálpebras imensas
carregadas de sono.

Eugénio de Andrade.

Esclarecimento.

Terão reparado que o vídeo familiar mais recente desapareceu. Vocês, como sempre, têm direito a uma explicação - atendendo à sua presença no Youtube, parti do princípio que a sua colocação aqui seria pacífica. Não o foi para uma das personagens, pelo que fiz o meu dever - expliquei o meu raciocínio, pedi desculpa e retirei o vídeo.
Adiante.

segunda-feira, julho 16, 2012

Humor divino.

Ele ajoelhou e repetiu fórmula de infância.
- Senhor, eu não sou digno que entreis na minha morada.
Deus, levemente nauseado,
- Já o inverso não é verdadeiro.
E chamou-o para junto de Si.

domingo, julho 15, 2012

Queriiiiiias!:).

E de repente o Gaspar,
- Avô Júlio, por que tens mais amigos no Facebook do que eu?
- Sou velhinho, queres trocar?
O riso dele. Não há negócio:).

quinta-feira, julho 12, 2012

Porque sim.

A minha casa é um caos, como posso perder tantas coisas num T2? Mesmo assim fui a determinada gaveta, empurrado por uma recordação nevoenta. E lá estavam - trabalhos do Mestrado em Sexologia da Universidade Lusófona, do qual fiz parte durante vários anos, leccionando Antropologia da Sexualidade. Guardei-os porque eram bons, outros apenas visavam o dez da praxe (não é pecado:)))))). Esta gente merece que lhes deixe uma palavra de solidariedade, estão tristes ao verem o furacão que varre a "casa" em que estudaram e receiam ser brindados com palavra alheia a um ensino sério, a qualquer nível do processo educativo - facilitismo.
Aqui lhes deixo o meu abraço.

quarta-feira, julho 11, 2012

Jesus!


Uma mãe japonesa deixou o filho, de 19 meses, morrer enquanto conversava num fórum na Internet. A polícia já prendeu a mulher e investiga o caso.

Yumiko Takahashi, 29 anos, deixou o filho, Neo de 19 meses, morrer enquanto conversava num fórum na Internet. A mulher esteve com o filho na tarde do dia 24 de junho quando este já se encontrava doente. Ainda assim, Yumiko ignorou os sinais de febre do bebé e deixou-o sozinho no quarto.

O autópsia realizada ao corpo da criança indica que morreu na madrugada do dia 26 de junho e que esteve quase um dia morto até a mãe se aperceber do sucedido. A polícia já fez saber que prendeu a mulher por suspeitas de negligência e que agora decorrem as "necessárias investigações".

Yumiko já tinha perdido dois filhos anteriormente: um pouco depois de nascer, por razões que não são conhecidas, e outro devido a uma queda da varanda do seu apartamento. "Procurava consolo na Internet há mais de três anos porque entrei em depressão depois de perder os meus dois filhos", justificou-se.

Este caso não é inédito. Em 2010, um casal sul-coreano também deixou o seu filho de três meses morrer porque estiveram mais de 12 horas seguidas a "cuidar" do filho virtual num jogo na internet.

segunda-feira, julho 09, 2012

O concurso.

Em Vieira do Minho os meus "pais adoptivos" exibem um sólido optimismo acerca das hipóteses de ganhar as Sete Maravilhas com o Ermal:). E eu dou comigo a fazer figas - e a votar! - na esperança de que tal aconteça, quem recebe como eles receberam um citadino inveterado e caridosos o decretam "filho da terra" merece a salvação eterna, por que não um concurso televisivo pelo caminho?:).

domingo, julho 08, 2012

Peregrinação a solo.

Meus pais, escondendo a custo a desilusão - "os rapazes e os petizes?". E eu, armado em vítima - "não puderam, vim eu". O sorriso, disfarçado de folhas dançando à brisa - "mas tu estás cá sempre, menino". É verdade, amiúde tenho a sensação de que sombra minha se passeia pelo mundo, mas o espírito já repousa aqui com eles.


P.S. A pedido de numerosas famílias aderi ao facebook. Mas desde já aviso que todo o processo me pareceu uma selva densa, densa, não prometo funcionamento decente! É triste - sessenta e dois anos de vida e ainda não tenho equivalência a tecnologia básica:(. 

sábado, julho 07, 2012

Playing with words.

Maria,

Luz apagada, Cohen, Live in London. You live in London. When will you leave London? Before the Autumn leaves? Cohen com um ponto de interrogação - Am I your man?

quarta-feira, julho 04, 2012

Boa noite.

Foi um dia longo, vou acabar o último Zafón - que me parece melhor do que o penúltimo... - e dormir. Não seria justo fazê-lo sem vos dizer uma coisa - o que aconteceu hoje no Murcon deixou-me estarrecido. E compensou largamente o silêncio de pessoas cujas sms - pelo menos... - dava por garantidas e de um clube que é a paixão mais antiga e constante da minha vida. Obrigado gente e fiquem bem.


Adenda.

No Comunicado aventei a hipótese da minha saída do Trio se ter ficado a dever a queda de audiências. Acabo de ler no Correio da Manhã a justificação dada pelo Director de Informação, Nuno Santos: "estes programas precisam de renovação".

Comunicado.

Porque há assuntos difíceis de abordar em minuto e meio de directo e o Murcon sempre foi o meu "Diário da República", passo a expor o seguinte:

1 - Ontem ao fim da tarde fui contactado telefonicamente pelo Director de Informação da RTP, Nuno Santos. Pediu-me desculpa por o fazer no dia do programa, mas julgava ainda ir o Trio para o ar na próxima semana.

2 - Disse-me que o programa iria ser reestruturado em Agosto e que nesse contexto eu abandonaria o painel. Já que lhe pertencera a ideia de para ele me convidar, considerava responsabilidade sua informar-me dessa decisão a tempo de me despedir dos espectadores. Gentil, acrescentou que pessoalmente apreciara bastante a minha prestação durante os dez meses transcorridos.

3 - Não me adiantou qualquer explicação para a decisão tomada, nem eu a solicitei. Por duas razões simples: não ser desejado chega e sobra para não querer integrar o Trio e, atendendo à opinião favorável de Nuno Santos, só resta uma explicação possível - a Instituição RTP estava a ser prejudicada, leia-se, o meu estilo de intervenção prejudicou as audiências. Faço televisão há 23 anos, contra (esse) facto não há argumentos. Qualquer outra hipótese resvalaria para a teoria da cabala e eu recuso-me a entrar nesses jogos de sombras.

4 - Agradeci, primeiro, aos benfiquistas. Porque ao longo destes meses me apoiaram ao vivo e através das diversas tecnologias, por vezes queixando-se do meu estilo soft:), mas jamais duvidando da minha paixão pelo clube. Encontrar-nos-emos em bancadas de estádios e cafés com TV, roendo as unhas pelo Glorioso.

5 - Mas também agradeci aos adeptos de outros clubes, que me abordaram quotidianamente, para dizerem que discordavam de uma afirmação ou apenas da minha opção clubística, mas apreciavam a minha tentativa de ser isento e aplicar ao Benfica os critérios aplicados aos adversários (e não inimigos). Fiquei-lhes especialmente grato, pois continuo a pensar que é impossível sermos lúcidos em relação aos outros se o não formos no que nos diz respeito. Nunca estive no programa para defender o Benfica sem critério, cegamente, arriscando o ridículo que, na minha opinião, mancharia a imagem de um clube - qualquer clube! - que se diz casa de gente livre. E o Benfica tem uma longa tradição de liberdade, mesmo em tempos difíceis... Procurei, simplesmente, ser um benfiquista que pensava o futebol inserido num contexto mais vasto, as "coutadas privadas" com regras próprias não me agradam.  

6 - Quero agradecer as palavras do Hugo Gilberto, do Miguel Guedes e do Rui Oliveira e Costa antes do programa, se o tempo o permitisse não tenho dúvidas que as repetiriam em directo. Desejo-lhes tudo de bom, bem assim como ao benfiquista que me substituir.

7 - A vocês, um enorme obrigado pelo privilégio de sempre terem aceite os diversos números do "Diário da República" como passíveis de conterem erros, mas não falsidades deliberadas.

domingo, julho 01, 2012

O teste.

Velhos,

Pois duvidais de mim? Neguei-vos três vezes, como esse Judas que julgámos tão apressadamente? Trinta moedas por alguém que amava? Quem acredita nessa história de carochinha longe da janela? E contudo, hoje senti-vos por trás de cada armadilha. A falta de ar que me assusta; a avaria na piscina que entristece os miúdos e me pôe louco; a partida de todos os outros, que me deixam saudades, a tribo vem  mirrando, quem lhe (me?) permanece fiel torna-se ainda mais precioso. Às 16.15 seria arrogante decretar a prova terminada, mas ainda cá estou, queridos. De pé, afagando os ramos da vossa árvore. A brisa é amável, o sol cálido, as flores brancas e amarelas, o riacho fiel. Estamos os três. Como um dia ficaremos, se os cães me sobreviverem como desejo, estou farto de vestir de negro o coração e branco sujo os dentes, a cada telefonema pergunto-me quem é agora. Velha dama risonha, por favor!, abraça quem te aprouver, mas os meus bichinhos não, se cada ano deles vale sete dos nossos por alguma razão deve ser, não achas? Exactamente. No seu olhar não há vislumbre de traição, novelas, sinais exteriores de riqueza ou quinze minutos de fama, apenas ternura incondicional. Ternura incondicional? Os meus colegas veterinários devem estar enganados, egoístas como nos tornámos sete para um é obsceno, se recorrerem ao Tribunal dos Direitos Humanos arriscamo-nos a pena de prisão perpétua! Num qualquer canil perto de si... 
 

quinta-feira, junho 28, 2012

O pesadelo.

Maria,
Água nos degraus de Cantelães... Oito anos e n empreitadas depois, o problema da humidade não se resolve. E se a minha teimosia já saiu caríssima, forçoso é admitir que não estará ao alcance dos rapazes o sorvedoiro em que esta casa se tornou. Pior!, existe o perigo de Cantelães gerar conflitos entre eles. Pela primeira vez encaro a hipótese de vender. Imaginas o que sinto... Sempre me culpabilizei por a não construir a tempo de de ver os Pais à cabeceira da mesa, como admitir abandonar a árvore onde repousam e me esperam? Nem os cães entenderiam, habituados como estão a saudar a minha passagem tardia no corredor com um abanar de cauda solidário. Mas que fazer? A cabeça num torno, o coração apertado, wish you were here...

segunda-feira, junho 25, 2012

Apesar da variada sobremesa.

O jantar de homenagem aos voluntários a quem a Comunidade Paulo Vallada (também) deve manter as portas abertas deixou-me com um travo amrgo no espírito. Ao ver as nossas meninas/mães agradecerem a dedicação de tanta gente e entregar-nos um texto que acaba com "Muitos beijinhos das meninas cá da casa" perguntei-me, como os responsáveis de outras valências idênticas!, quanto tempo aguentaremos nas actuais circunstâncias. E o que acontecerá às miúdas se e quando...

segunda-feira, junho 18, 2012

Só para me contrariar!

Segunda de manhã. SMS do João - Macca faz setenta anos! Mail doce do Guilherme. A lenda familiar assegurada. E ainda há parvalhões a dizer - e escrever! - que tal dia é rotineiro:).

domingo, junho 17, 2012

Domingo à noite.

Domingo à noite o presente é escravo do futuro próximo. O corpo demanda o quarto, mas a cabeça não repousa na almofada; vê nela a ante-estreia do rotineiro filme de Segunda-Feira. 

quarta-feira, junho 13, 2012

Para o João Cutileiro.

Porque a exposição já foi inaugurada, aqui deixo o texto que o João teve a gentileza de me pedir.


Serão os espelhos Medusas angelicais?

Chegam trazidos por mãos calejadas e risos abertos – “onde os quer?” - ,  aceitam paredes e avessos de armário sem azedume. Ou são  hóspedes antigos,  em plena crise pedem asilo não político a coberto de memórias, um cálice de vinho ou saudade e regressa  o tempo em que fitávamos, olhos nos olhos,  cinturas adultas. Faces amadas, perdidas e achadas, substituem  a nossa, os ouvidos juntam-se à cabala,  vozes doces… - “como estás, menino?”. “Sem vocês”, respondemos. E polimos os sacanas como Aladino a  lâmpada, na louca nostalgia de uma nova aparição. Desconfiados? Nem por sombras! Eles exibem obediência e fidelidade caninas;  reflectem sem pensar. Viramos costas e oferecemos flancos sem medo, estamos portas e ferrolhos adentro, quem precisa de pontes levadiças?

Puro engano; esperam. Um dia, moldura ante moldura, deixam réplicas holográficas para – neste caso… - português (se) ver e invadem-nos com terramotos à arreata. Afinam a mão apontando maus fígados ou bons corações. Depois, enchem o peito e sufocam o nosso, tomam de assalto as ameias da alma e sussurram, “lembra-te do que fazíamos nas feiras - eras gordo e magro, alto e baixo, tudo em vertigem risonha, brincamos outra vez?…”. Pergunta retórica e anestésica, sem resposta prevista, muito menos livre. Medos, culpas e desejos enlouquecem –  tanto trabalho  para os manter aferrolhados… -, a cabeça estoura. Corpos há muito ausentes da cama bailam pelo corredor; voltam, alucinados, murmúrios enrouquecidos e cabelos que nos choviam sobre o peito antes de inundarem coxas; Senhor por que inventaste paixão sem cruz ou maiúscula para os irmãos do Teu Filho?

Logo…, serão os espelhos Medusas infernais?

Tal agonia corre montanha acima e desagua no mar esquivo da lucidez. A tortura arrancou-nos a verdade, não a ferros mas a vidros, “aquilo” somos nós. A céu aberto e Céu perdido,  Deus que o perdoasse não teria perdão.  O velho Sartre o intuiu e se enganou – o Inferno são os outros. Não!, somos nós - petrificados por tantos, tantos nós, que marinheiro algum os conseguiria dar, quanto mais desatar.

Trabalho feito, os espelhos regressam a paredes e armários.  Por amor os estilhaçamos antes de chegarem os amigos, por ódio os  oferecemos a quem nos magoou, por desespero os colocamos  à lapela, como os antigos gregos nos escudos, muito antes dos euros  contornarem as Termópilas. Mas a vidinha da gente não muda, triste e baço mundo este, nem sequer autoriza morte em combate honroso. Parte-se à míngua, rodeados por ostentação.   

 Um tipo fica assim – não granítico, como o velho Afonso da Maia ou a cascata da Pena Ventosa,  apenas bovinamente parado. Na varanda pousam gaivotas de olhar fixo. Em terra, mas sem borrasca ou água nos bicos. Abutres disfarçados, pressentem que a lucidez é doença fatal.  

(E contudo permite-nos cair de pé...)

Com tal parênteses nos seus currículos e porta-fólios, a contragosto exausto lhes faço justiça - os espelhos são Medusas ferozes, mas seminais.


sábado, junho 09, 2012

O espectador monástico.

Um tipo vê o jogo sozinho em casa para poder comentar "à moda do Porto". (Bom, na companhia de croquetes da Ribeiro e uma garrafa de Soalheiro...). Pelo meio ainda segue o Benfica-Porto em hóquei num canal que não sabia existir e funciona aos soluços:(. (Seremos campeões se ganharmos aos tigres de Almeirim, não os conheço, espero que sejam fraquinhos ou benfiquistas...). Resultado? Mais uma vitória moral, ainda por cima contra a Alemanha da senhora Merkel, padroeira das traves. (Claro que o Dr. Passos Coelho lhe vai dizer que a vitória foi merecidíssima...). Comentar à moda do Porto? Ó gente inculta! - Pi que os concebeu, uma sorte do pi, o pi do Ronaldo nunca nos deixa de boca aberta na selecção, somos uns pi sem sorte nenhuma, como é possível o pi do Gomez saltar com o João Pereira no golo... Perceberam? O Porto é uma cidade do pi, carago:))))))))).

sexta-feira, junho 08, 2012

Canal 58, já!

BBC Entertainment, concerto em Buckingham para festejar o Jubileu. Um mar de gente. E este amor por Londres, que a idade só aguçou:).

quinta-feira, junho 07, 2012

Os outros fiéis depositários.

Feira do Livro. Chego a resmungar e saio agradecido, as pessoas são de uma gentileza enternecedora. Mas hoje..., we have a winner! Ele ficou ali, de sorriso nos lábios, recordando minha Mãe. Que todos os dias parava na Casa Moreda, bebia uma taça de rosé, comia um rissol - de vez em quando cedia ao charme de um pastel de nata:) - e conversava. Não foi o único a pedir licença para me falar dela. E eu dou comigo a recear o tempo em que ninguém me voltará a chamar "o filho da Clarinha"... 

domingo, junho 03, 2012

Zapping.

 Amadeus. Nunca gostei do riso idiota que lhe inventaram e da sugestão de que o seu talento era Heaven sent, como os Beatles cantavam em Lady Madonna. Acerca de dinheiro...:). A interpretação de Murray Abraham valeu bem o Óscar obtido, aquele Salieri é capaz da inveja, da adoração, do arrependimento e da loucura lúcida que o torna ´"santo padroeiro dos medíocres". E vogando sobre tudo e todos, a música. Essa música tão genial que até eu consigo seguir-lhe os passos, adivinhar-lhe o futuro próximo, recordá-la quando se desvaneceu. Quando vi o filme, não imaginava que um dia, assustadíssimo, mergulharia nas biografias para escrever uma conferência sobre Mozart nos Encontros da Casa da Música. E o velho Milos tem razão - todos os caminhos iam dar ao pai Mozart, a intensidade psicológica da correspondência entre os dois é de cortar a respiração.
Está bem, confesso - e para um psi a tentação irresistível de nela mergulhar e construir uma narrativa relacional que nem a morte interrompeu. Próxima do que realmente se passou entre os dois? Da "verdade dos factos"? E isso existe, no mundo dos afectos?

sábado, junho 02, 2012

O "complicómetro".

Serralves. A Invenção da Alma, do Jaime Milheiro. O desconhecido acarreta a ideia securizante de Deus. A cultura formata-nos numa das religiões. E a base de tudo isto sofre de injustiça - por que razão desvalorizamos a "simples" razão emoldurada pelos afectos?

quarta-feira, maio 30, 2012

Nota de rodapé.

A indignação de Ricardo Costa no telejornal das oito pareceu-me genuína. E justificada...

domingo, maio 27, 2012

Lost in adolescent translation:).

Os olhos chispando fúria.
- Não foi isso que disseste!!!!!!
Braços apertados contra o peito, as bochechas em lume nada brando..., nada na manga, vinha aí birra monumental:(.
Ligeira hesitação, o canto de sereia da cobardia preguiçosa, "saio porta fora e a mãe lida com esta adolescência inflamada...", o fundo suspiro envergonhado, a superficial serenidade,
- Não foi isso que tu ouviste, minha querida; é diferente.
Como um disco rachado...
- Não foi isso que disseste!!!!!!
E desarvorou rumo ao quarto, porta fechada com estrondo. Seguramente para o denunciar ao mundo no  facebook... 

sábado, maio 26, 2012

Já não basta a erotização de crianças?

Uma senhora inglesa descobriu nova fonte de receita - casamentos de animais de estimação. E a Inês Menezes sorriu perante a minha mal disfarçada irritação. Deus conserve a filha da loira Albion e a sua conta bancária, mas ouvir dizer que os animais têm direito a cerimónia, bolo e Mozart agrava o meu fundo alérgico. Imagino os cães, correndo no relvado de Cantelães; preguiçosos nos sofás, mas com abanar de cauda garantido à nossa passagem; pétreos, de olhos fixos no portão, quando membros da tribo demandam a vila e tardam. Não é "apenas" o amor incondiconal que nos dedicam a maravilhar-me, há neles uma dignidade, indiferente a caprichos e injustiças humanos, que me recorda frase de amigo: "gosto muito de bichos de quatro patas, dos de duas bastante menos". Mesmo compreendendo a escassez e o excesso de libras, preferia que a senhora e o novo-riquismo dos donos os deixassem em paz:(.

segunda-feira, maio 21, 2012

From S. Paulo with love.

Meu Pai teve dois filhos: um biológico, este vosso humilde servidor; e uma espiritual, minha prima Elzira, que mantém acesa a memória do Avô Bernardino e por arrasto a dele. Hoje enviou-me duas preciosidades - cartas de minha Mãe para a sogra, perdão!, a segunda figura maternal. E numa delas, enviada de S. Paulo em 1953, pode ler-se: "Esta separação é para mim bastante penosa, mas não me julgo com direito de atirar fora uma oportunidade que não se repetirá de poder ajudar o Júlio a melhorar o nosso futuro".
Como ela amava o maroto! Sempre o fez - ele mergulhava nos livros e ela na vida. Para o preservar das preocupações prosaicas que inevitavelmente acarreta...

domingo, maio 20, 2012

A prova dos nove.

- E não quer tirar isso a limpo?
(Eu tinha grossas dúvidas, mas não tive tempo de as expressar, os jovens fazem perguntas retóricas e (re)agem...).
Fez o que tinha a fazer, nothing personal; por mim. Fiquei sem as dúvidas que nunca tivera, mas preferira abrigar, a ingratidão é um dos espectáculos que justificam frase triste e suspirada por meu Pai - "ainda por cima sinto vergonha por eles".
Não vou tão longe, desço no apeadeiro do embaraço... 

domingo, maio 13, 2012

A lenda familiar.

Os meus netos cavalgando as ondas, sob o olhar atento  do Guilherme. Onze e nove anos..., para onde fugiu o tempo? Beijo rápido, "olha para mim Avô Júlio", água! E o Avô olha, em nome dele e dos que repousam em Cantelães, a lenda familiar tecida em silêncio, quem precisa de fotografias quando o soluço ainda espreita? O jantar com o João no Senhor Armando, em Massarelos, à beira-rio, é todo um ritual. Desde logo a negociação do famigerado "pica pau", o meu filho gosta da carne com alho e picante, eu também, mas receio as consequências nocturnas, o anfitrião resolve a questão - "menos alho e menos picante". Tudo para mimar o benfiquista que os acérrimos dragões tratam bem por duas razões: é pai do João e não lhe negam o estatuto de tripeiro furioso. (É claro que o Porto ter ganho o campeonato também ajuda à bonomia... Júlio!, que ingratidão:(). A noite vai caindo, nas mesas próximas estrangeiros e músicos - que Deus te ouça, Bernardo! -, o sino da igrejinha enlouquece, já anuncia a procissão. De repente a miúda à beira-mesa, "dá-me um autógrafo?". Não a mim!, ao "Azeitona". E eu lembrei minha Santa Mãe, deliciada e risonha, "agora é a ti que pedem. E são os mais novos, Julinho, os mais novos". Na altura não a percebi, aquilo parecia-me tão herético! (E era...). Mas hoje compreendo - a miudinha de papel estendido e o João atrapalhado fazem parte do render da guarda que manterá os Machado Vaz em movimento como clã. Amo muito a vida, mas a lenda familiar já não estaria em risco se decidisse - ou o Acaso por mim... - recolher mais cedo do que o previsto ao relvado de Cantelães.

sexta-feira, maio 11, 2012

O Congresso número...

Guimarães continua bela. Fui tratado como família. Há quem pense - e pratique! - a Medicina como a sonhei. Mas estou tão farto de quartos de hotel...

domingo, maio 06, 2012

Só não acontece a quem lá não anda, diz-se no futebol:).

O Público de hoje atribui-me a declaração segundo a qual Fernando Savater teria desferido golpe mortal no conceito de instinto maternal. Não é verdade, o telefone é um "tradutor" perigoso, como é óbvio mencionei Elizabeth Badinter. Bom dia da Mãe, gente. Para mim são todos...

quarta-feira, maio 02, 2012

A palavra aos neurocirurgiões.

Não conheço pessoalmente Miguel Esteves Cardoso. Há quase vinte anos escrevi-lhe, grato por um texto sobre seu Pai que abrigava ecos do meu. Depois de ler a crónica no Público, desejo-lhe que os  minutos de hoje com a Maria João se desdobrem em horas, dias e anos, como é devido ao amor que os une.  

terça-feira, abril 24, 2012

Para chegar a tempo...

Só estive com o Miguel Portas em campanha, mas gostei dele à primeira gargalhada no Piolho. Presumo que tenha partido hoje para celebrar - ou perseguir? - ainda e sempre o 25 de Abril.

domingo, abril 22, 2012

Ensino pós-graduado.

O médico estranhou-lhe o silêncio e interrompeu-o,
- Bom, estamos então combinados. Assim que as análises de rotina estiverem prontas marcamos a operação.
Havia uma candura envergonhada naquele olhar...
- Desculpe, doutor, mas não.
Algo crispado, quase ofendido,
- Talvez não me tenha explicado bem. Se não operarmos...
Com um sorriso doce,
- Pelo contrário, doutor, foi cristalino. Mas eu não quero.
(Isto dos direitos dos doentes virou a profissão de pernas para o ar:().
- Prefere morrer?
Como o sorriso...
- Não, prefiro estar vivo até morrer. E ser recordado assim pelos que amo.
Viu-o sair, pensativo. "Estar vivo até morrer...". Não o tinham preparado para tal exigência na Faculdade.

quarta-feira, abril 11, 2012

Chamavam-lhe génio.

Maria,

Morreu o Teixeira da Silva, o filho espiritual de meu Pai. Minha Mãe ficava escandalizada por a fotografia do miúdo dele estar na secretária da Faculdade e a minha não. Nunca senti ciúmes. O Teixeira da Silva era o menino de ouro, o discípulo; eu não. Por isso lhe deixou a toga que nunca usei... Fico aliviado por termos rido juntos há umas semanas, ser-me-ia insuportável que me pensasse indiferente. Foi tão triste:(. Ver aquele homem, superiormente dotado, bater-se por uma simples lufada de ar... Tinha pensado fazer-lhe uma surpresa, trazer-lhe dos Pirinéus uma garrafa da água em que pescava trutas, "você ama os castelos e eu os riachos", dizia. Sabes o que rezava o relatório dele quando fiz o exame prático de Bacteriologia? - "Só estuda o que gosta". E eu detestava bactérias, vírus e quejandos, nunca poderia suceder ao Velho no laboratório, desaguei, aliviado, em Psiquiatria. Morreu mais um naco do meu Pai, Maria. E quando voltar aos castelos e aos riachos sentir-lhe-ei a falta, ele entendia o meu fascínio por aquelas paragens.
Como tu...

sábado, abril 07, 2012

Abraço.

Um bom Domingo de Páscoa para todos e cuidado na estrada! Espremido entre um Poder que age na clandestinidade e o pesar de ferida que mão humana rasgou na floresta, aliviou-me a imobilidade granítica de um cão à espera do dono.

quinta-feira, abril 05, 2012

Epifania pascal.

O ano de 2015 é o imediatamente consecutivo a 2014.

Ministro das Finanças dixit.

quarta-feira, abril 04, 2012

Aos jogadores, equipa técnica e adeptos em Londres.

Muito obrigado. E desculpem - não pensei que fossem capazes de tanto!

sexta-feira, março 30, 2012

Um degrau de cada vez.

Cama de casal é uma expressão enganosa, siginifica apenas que acomoda duas pessoas. (Ou uma, confortavelmente esparramada...). É mais seguro construir o casal em cama de solteiro e partir depois para a conquista de espaço (não) vital, pese embora a sonoridade nazi da frase:).

domingo, março 25, 2012

Sábado à tarde.

Ontem, Serralves foi uma delícia! É claro que não faltou uma das minhas distracções, o menu era tão saudável que nem me dei ao trabalho de perguntar - vi garrafinhas de água de braço dado com o salmão e o pato e peguei numa, triste racionalização em punho, "melhor, às 14.30 é preciso deitar mãos à obra, nada de preguiça pós-prandial!" Cinco metros adiante tropecei em mesa de bebidas menos inócuas e matizei tão admirável intenção com desculpa esfarrapada - "bebo vinho verde, é mais fraquinho:)".
Da amena cavaqueira, retirei, de novo, um tema em particular - a frequência com que os meus colegas referem queixas de desejo sexual diminuído - ou ausente... - em mulheres muito jovens, preocupadas com a reacção do(a) parceiro(a), pois não detectam murchar do amor, mas temem que seja essa a interpretação do(a) outro(a). O Chico Allen tem razão - vivemos tempos de problemas de desejo. A discussão das razões levar-nos-ia longe...

quinta-feira, março 22, 2012

Sábado em Serralves...

... estarei com médicos pela segunda vez em quinze dias. O tempo parece ter esmaecido algumas reticências ao meu trabalho por parte de alguns colegas. Eu era o regente de uma disciplina que muitos consideravam inútil e "agressiva" para a Medicina, por se obstinar em reflectir sobre as práticas, teorias - e ideologias... - da profissão. É reconfortante ver o cenário mudar, pois a conjuntura, uma sociedade capitalista de consumo e os dilemas bioéticos com que nos defrontamos não perdoariam a inércia de profissionais cujos quotidianos transbordam de situações-limite. Assim os Poderes compreendam que a eficácia desses quotidianos não depende apenas da competência e idiossincrasias das pessoas, mas também dos contextos que lhes são proporcionados. E aos doentes...

segunda-feira, março 19, 2012

Dia do Pai.

Pai,
Se me telefonasses hoje à noite dizia que estava tudo resolvido. Antibiótico para trás das costas, penso no lixo, cicatriz fechada sem balanço, edema em (lentas) vias de extinção. Dos amigos nada a referir, tudo a agradecer, iguais a si mesmos: o Carlos trinchou o meu pescoço de peru megalómano, o Manel, se possível!, acelerou a máquina afinada do IPATIMUP e presenteou-me com adjectivo cada vez mais cobiçado nos dias de hoje com 24 horas de antecedência - benigno.
Dir-te-ia que tratei da coisa na maior clandestinidade possível e tu concordarias, também te horrorizava ver a angústia estampada em rostos amados. Feito; anunciado; ouvi protestos que em situação inversa seriam os meus e respondi com a verdade - fazia tudo outra vez.
Há dezasseis (?) anos que não era anestesiado, sabes como detesto a experiência, eu!, sempre revoltado contra a descarada insónia que teima em (não) dormir comigo. O silêncio do Hospital, a pergunta da miúda - "como gosta que o tratem?" - e a sua decisão perante o silêncio que me invadia, de mãos dadas com resposta inadequada - "bem." -, fica "senhor Júlio".
O senhor Júlio acordou às cinco da manhã e pensou em ti e na Mãe. Da outra vez, na Trindade, tu e ela foram visitar-me no dia seguinte. Visitar-me..., que optimismo:(. Tu já te passeavas numa twilight zone, não abriste a boca, olhar perdido na parede. A Mãe preocupava-se com todas as ameaças à tua saúde, da corrente de ar ao atraso para o jantar, foi das primeiras vezes que percebi o grau da sua própria deterioração. Agora, como vocês não vinham, tive de vos alucinar com um prazer doloroso, tu levavas-me os sacrossantos jornais e ela zurzia-me por não ter dito nada, a acusação soava sempre orgulhosa, "vocês são iguais".
Se me telefonasses hoje à noite, Pai, seria para agradecer - "e à Senhora sua Mãe" - o magnífico e inesperado jantar, datas não eram contigo. E gabarias a beleza e inteligência dos petizes, agora o Gaspar e o Tiago, e dos rapazes, o Guilherme e o João, trintões, imagina tu! Mas depois haveria privilégio só meu, "vá descansar, meu filho". Como seria mais simples fazê-lo com vocês ainda na Rua do Bolhão, meu querido:(. Dá um beijo grande à Mãe, num curto intervalo dos teus. No próximo fim-de-semana trabalho, mas no seguinte vou-me sentar junto à nossa árvore em Cantelães.

segunda-feira, março 05, 2012

Diálogo ao fim da tarde.

E o miúdo perguntou ao velho,
- O que é o futuro?
Sem abrir os olhos, gozando sol e relva à beira-rio,
- O sumo do presente meditado.
O miúdo murmurou,
- Mas ninguém parece muito interessado em reflectir!
O velho, encolhendo os ombros,
- E por isso lá irão buscar o passado ao congelador. Talvez se engasguem...

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Ergue-te ao sol de Inverno.

Zeca,

Fiz toda a estrada a ouvir a homenagem que a TSF te dedicou. Uma saudade imensa dos versos, da música, dos sonhos. Que envelhecem mal, pintaram-nos de cinzento a liberdade:(.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

História simples de uma derrota que complica muito o futuro.

Vamos ser justos: os jogadores foram medíocres e perderam no campo, mas Jesus começou a perder antes, quando resolveu ser genial e deixar Witsel de fora. Com Javi o Benfica sofre sempre um golito - de preferência numa bola parada... -, imagine-se com Matic no seu lugar e Pablito ao lado! Enfim, os desígnios do Senhor e de Jesus são imperscrutáveis...:). Parabéns ao Vitória que se bateu muitíssimo bem!

P. S. Acabo de ver a entrevista de JJ. Errar? Eu?????:))))).

domingo, fevereiro 19, 2012

Spin doctors.

No meio da contestação - e da segurança... - em Gouveia, Passos Coelho recusou-se a opinar sobre o comportamento do Presidente da República. Não precisa, as imagens fazem-no por si, numa sociedade em que a "caixa mágica" constrói a realidade - ele deu a cara, Cavaco não. Não sei que assessor aconselhou a meia-volta da comitiva quando se dirigia a uma escola onde um protesto de alunos aguardava o "Provedor dos portugueses", mas não justificou o seu cheque de Fevereiro. Limitou-se a agudizar a gaffe da reforma insuficiente...

domingo, fevereiro 12, 2012

Jornal das oito.

Como tantos outros, fui vítima e culpado de um verdadeiro processo de dessensibilização televisiva, acho que já vi de (quase) tudo sem interromper o movimento do garfo rumo à boca. E contudo o estertor grego acentua um humor já sombrio, aposto que muitos de vocês partilham tal sentimento. Visitei a Grécia uma vez e não tenciono regressar, o presente poeirento embaciava um passado cujo brilho reverencio. (Ocasiões houve, de resto, em que o mesmo me aconteceu em Itália.) Quando olho para trás não vejo o Paraíso, longe disso! Mas é difícil surpreender no presente réstia de grandeza, sobretudo nos poderosos. Os que cerram os dentes para sobreviver, esses, não perdem tempo a adjectivar-se e desconhecem palavras como heroísmo ou resiliência. Teimam, como diria a minha querida Mindinha:(.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Entre psis.

Sempre chefiei equipas com mais psicólogos do que médicos. Nunca me deixaram ficar mal... Ao longo dos anos, por via do meu estilo de comunicação e receituário anémico, fui procurado por gente que procurava um psicólogo e não poucos jornais me chamaram isso. Se no primeiro caso esclareci sempre o engano, jamais o fiz no segundo, para grande escândalo de alguns colegas. Razão? Sou um membro da tribo dos psis, não reivindico hierarquias baseadas na possibilidade de receitar nem me considero superior por ter Asclépio como "santo padroeiro":). E por isso acolho com satisfação a circular sobre o I Congresso da Ordem dos Psicólogos, é um indiscutível passo em frente. Mas confesso que o respectivo vídeo me deixou atónito - a publicidade é prima direita da Psicologia, não houve ideias melhores do que uma alegoria cavernícola mal amanhada? Mais valia pagar os direitos de autor e utilizar a de Platão:). Dito isto - que seja um êxito!

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Os filhos queridos da Vitória. (Seria Massena benfiquista?).

Integrar a equipa do Trio d'Ataque teve repercussões curiosas no meu quotidiano. De um momento para o outro, passei de sexólogo a adepto benfiquista! Alguém me dizia - "vai deixar de ser consensual...". Consensual? Ainda me lembro de ser ameaçado de morte por chamar "casal" a dois homossexuais seropositivos! Irritantemente português foi o abanar de cabeça de outros - "um professor universitário a discutir a bola...". Há colegas que olham a vida ex-cathedra, lembro-me de frase dita - com assinalável honestidade intelectual! - no fim de uma das minhas conferências - "não imaginava que conseguisse expor a este nível, acho-o demasiado simples na televisão". Demasiado simples, leia-se, simplista:). Ao longo da vida usei a margem de liberdade que possuía, paguei o preço por isso, não estou arrependido. Quando apoiei o Engenheiro Guterres na sua primeira campanha, foi-me pedido para discursar numa cerimónia com alguma cobertura mediática. Eu sorri e disse que não desejava prejudicar o candidato. Mesmo calado, no dia seguinte um título de jornal rezava mais ao menos assim - "Machado Vaz trata do sexo dos socialistas". Menos mal que com Sampaio não aconteceu o mesmo... Muitos anos depois desaguei num noticiário para comentar a actualidade e estranhei a duração da entrevista. No fim perguntei o que se passara e foi-me respondido que estava a correr bem, porquê interromper? E um sorriso cúmplice acompanhou esta delícia - "não sabia que o professor também era analista político!". Bref, o sexólogo sempre engoliu o cidadão sem problemas de maior:).
Mas não o benfiquista! Hoje em dia as perguntas e sugestões são sobre o Glorioso e não o sexo, o que não deixa de ser refrescante. Mesmo os adversários, que reconhecem o velho e fiel tripeiro, me tratam com bonomia. Esta semana sucumbi à gripe e faltei ao programa. E algo de reconfortante aconteceu - alguns correligionários que não escondem a sua desaprovação pelo meu estilo, na sua opinião insuficientemente assertivo na defesa de honra e interesses benfiquistas, juntaram-se aos que mo perdoam ou até apoiam no desejo de melhoras. Fico grato. Significa que sob o desacordo quanto à forma existe um laço à prova de qualquer suspeita - todos vivemos suspensos do voo da águia:).